domingo, 28 de agosto de 2016

Flash-Review: MJ 12 (MJ 12)

Álbum: MJ 12
Artista: MJ 12
Editora: Gonzo Multimedia  
Ano: 2016
Origem:  País de Gales
Género:  Jazz fusão, prog rock
Classificação: 4.9/6
Breve descrição: Regresso do mítico Percy Jones (Brand X) aos originais com um novo projeto de jazz fusão, sem limites de composição nem de criatividade. Há imenso espaço para que todos os instrumentos, nomeadamente para o baixo e saxofone, se expandirem em devaneios técnicos, improvisações e variações.
Highlights: Call 911, Bad American Dream Pt. 2, The Wow Signal, Guns And Pussy
Para fãs de: Brand X, HBC, Antoine Fafard, Chick Corea Elektric Band, Mahavishnu Orchestra, Soft Machine

Tracklist:
1.      Call 911
2.      Bad American Dream Pt. 2
3.      Talk Time
4.      Magic Mist
5.      The Wow Signal
6.      Big Daddy’s Road
7.      The Phantom Maracas
8.      Guns And Pussy
9.      Magic Mist Reprise

Line-up:
Percy Jones – baixo
Stephen Moses – bateria
Chris Bacas – saxofone
Davil Phelps - guitarras

Flash-Review: A Lone Voice (Pete Kronowitt)

Álbum: A Lone Voice
Artista: Pete Kronowitt   
Editora: Independente
Ano: 2016
Origem:  EUA
Género:  Indie-folk, Blues, Americana
Classificação: 5.1/6
Breve descrição: Quarto álbum de originais para o compositor e cantor Pete Kronowitt, oriundo de San Francisco, no seu habitual registo de forte componente acústica, com bastantes momentos de grande intimidade, mantendo a sua tendência de critica politica e social.
Highlights: Change Is Gonna Come, Are You here, Necessary Evils, Holding Your Hand, Body, Choice & Mind
Para fãs de: Steve Earl, Elvis Costello, David Elias, Eric Clapton

Tracklist:
1.      Change Is Gonna Come
2.      Got Guns?
3.      Tears On The Back Of Her Head
4.      You Are Here
5.      Necessary Evils
6.      Puppet Master
7.      Holding Your Hand
8.      Body, Choice & Mind
9.      Follow The Leader
10.  The Beast
11.  She Gives
12.  Perfect Day

Line-up:
Chris Donohue – baixo
Halley Elwell – backing vocals
Dennis Holt – bateria e percussão
Pete Kronowitt – vocais, guitarra acústica
Phil Madeira – guitarras, piano, hammond e acordeão
David Mansfield – guitarras, violino e bandolim 

sábado, 27 de agosto de 2016

Notícias da semana


Os Uforia, banda rock, tem um novo vídeo para a faixa Fight Or Flight. Este tema é o tema título do último EP da banda de Toronto lançado a 15 de julho e sucessor de Transmutation (2015) e Imagining (EP, 2012)




A Rockshots Records assinou com os Black Yet Full Of Stars para a edição do álbum homónimo a lançar a 22 de outubro. Black Yet Full Of Stars é apresentado como uma lufada de ar fresco no panorama do prog/power metal. Um excerto instrumental de Tempesta e o álbum teaser já estão disponíveis para visualização.



Os Tytus assinaram com a Sliptrick Records para o lançamento da sua estreia intitulada Rises em outubro de 2016. Os Tytus são uma banda italiana que toca heavy metal seguindo a gloriosa tradição de bandas como Thin Lizzy, Iron Maiden, Black Sabbath ou Megadeth. Um vídeo promocional já está disponível.



A banda italiana de rock/metal progressivo Heartache tem um novo vídeo para o tema Breaking News. Este tema faz parte do álbum Skyscrapers And Firefalls.




Praticantes de rock clássico, os Neon Alley transportam os ouvintes até uma era onde o rock era tocado e criado a partir do coração. Este power trio lança o seu trabalho homónimo tendo-se associado ao realizador de Boston Vladimir Minuty para a criação de vídeos para os dois primeiros singles: That’s How It Is e I Only Want To Be With You. A edição está a cargo da DMV Music.


Os Arcade Messiah têm um novo vídeo para o tema Read The Sky, tema extraído do álbum II, um manifesto de Post Progressive Metal. Entretanto, o terceiro álbum do projeto, intitulado III, está 80% finalizado e deverá estar pronto para outubro/novembro.



Na sequência do lançamento de Sonic Debris em maio através da norte-americana Small Stone Records, e de um concerto arrasador no Sonic Blast Moledo, os lisboetas Miss Lava revelam o 3º single do álbum com um videoclip para Another Beast Is Born. Segundo Johnny Lee, o vocalista: “Another Beast Is Born é uma música com um toque de doom e até de black metal, um lugar escuro que ainda não tínhamos explorado em Miss Lava. É uma música com um riff bem gordo que não sai da cabeça e é uma das minhas músicas preferidas do álbum.”


O excitante projeto canadiano Light Freedom Revival lançou o seu single intitulado Close Your Eyes And Feel. O projeto é liderado por John Vehadija que se associou a Billy Sherwood, Oliver Wakeman e Eric Gillette para o álbum de estreia previsto para o outono deste ano.



Technical Winter é o novo vídeo do guitarrista italiano Giordano Boncompagni. Trata-se de mais um tema retirado do seu último álbum a solo, previsto para setembro e com a participação de Aquiles Priester, Tony MacAlpine e Franck Hermanny.


Flash-Review: Theories Of Flight (Fates Warning)

Álbum: Theories Of Flight
Artista: FatesWarning   
Editora: InsideOut Music   
Ano: 2016
Origem:  EUA
Género:  Prog metal
Classificação: 5.0/6
Breve descrição: Prometem muito os primeiros minutos de Theories Of Flight, o 12º álbum dos veteranos Fates Warning que apresentam o núcleo duro da banda que regressou em 2013. A banda assume que pode seguir diversos caminhos no seu prog metal, mas este agora seguido não mostra muito, a não ser força, peso e pouca inspiração global (porque individualmente, nada a apontar).
Highlights: From The Rooftops, Seven Stars, SOS, The Ghosts Of Home
Para fãs de: Queensrÿche, Dream Theater, Crimson Glory, Armored Saint, Pain Of Salvation

Tracklist:
1. From The Rooftops
2. Seven Stars
3. SOS
4. The Light And Shade Of Things
5. White Flag
6. Like Stars Our Eyes Have Seen
7. The Ghosts Of Home
8. Theories Of Flight

Line-up:
Ray Alder - vocais
Jim Matheos – guitarras 
Joey Vera - baixo
Bobby Jarzombek - bateria

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Entrevista: Derdian

 
A saída tempestuosa de Ivan Giannini está a ser uma página complicada na história dos Derdian. Ainda assim, a compilação que reúne os melhores temas da saga New Era, mostra aos novos fãs como é o passado (também ele) brilhante do coletivo italiano. Sem Giannini, o coletivo apostou em convidar uma série de grandes vocalistas para emprestarem as suas vozes a este conjunto de grandes temas. Enrico Pistolese e Marco Garau contam tudo e vão avançando que um novo álbum de originais já está em fase de preparação.

Viva, meus amigos! Definitivamente, com esta compilação, uma nova era começa para os Derdian?
Enrico Pistolese (EP): Olá amigos! Seria uma nova era se o nosso ex-vocalista Ivan permanecesse na banda. Na verdade, no início, este projeto foi concebido de modo a consagrar Ivan como o vocalista definitivo. Pensamos que pô-lo a cantar as músicas antigas poderia ser uma boa ideia para atingir isso.

Quando começaram a pensar fazer uma compilação com algumas das vossas melhores músicas da trilogia New Era?
EP: Há cerca de um ano e meio atrás.

Infelizmente, a principal novidade acaba por ser, precisamente, a saída de Ivan Giannini. O que aconteceu?
EP: Não estava à espera dessa pergunta... Há exatamente um ano, depois do nosso espetáculo no Made Of Metal na República Checa, e apesar do concerto ter corrido muito bem, Ivan agrediu-nos verbalmente pelas razões que passo a explicar. Estando particularmente feliz e cheio de adrenalina pelo sucesso do espetáculo, começou a fazer discursos estranhos, por exemplo, a controlar a expetativa dos nossos respetivos empregos para poder viajar pelo mundo a fazer concertos, sempre que quaisquer entidades individuais ou institucionais nos convidassem. Tentámos fazê-lo entender que já não somos crianças na década gloriosa de oitenta quando entras numa carrinha e vais Europa fora para tocar em todos os clubes e festivais; agora temos mais de trinta anos, com filhos e famílias e empréstimos... etc etc e (talvez) um emprego seguro, considerando que a música, infelizmente, não enche os nossos frigoríficos e coisas do género. Ele ficou tão chateado que nos deixou nos bastidores com um carro a menos para carregar todo o nosso equipamento e com o fardo de ter que comprar um bilhete de avião para poder regressar à Itália para ir ter com a minha esposa e com a minha filha (também assumiu o risco de nem sequer o encontrar - o avião estava muito cheio). Desde aquela noite nunca mais voltei a ver Ivan... Alguns dias depois, enviou-nos um e-mail a informar que a sua colaboração com a banda tinha terminado. Os outros elementos viram-no mais uma vez, uma noite em estúdio em outubro e mesmo lá, no entanto, mesmo já não fazendo parte da banda, começou a criticar qualquer coisa na mistura de Revolution Era, proibiu-nos de usar as suas faixas e foi embora batendo com a porta. Sim, leste corretamente! Ele já tinha gravado o álbum inteiro... Não tenho palavras para descrever todo esse desperdício de tempo... Nessa mesma noite, tornamos oficial de que Ivan havia deixado a banda e decidimos chamar todos os convidados que conheces, a fim de nos ajudar a tornar real um velho sonho que sempre tive: trabalhar em conjunto com estes artistas.

Portanto, nesta compilação, de um vocalista surgiram muitos. Como conseguiram todas essas contribuições?
Marco Garau (MG): Primeiro, tentamos entrar em contato com todos os vocalistas que fizeram o nosso tempo nos últimos anos para ver quem estava disponível para participar neste projeto. Para ser honesto, não esperava que tantos grandes artistas se juntassem a nós, e melhor coisa é que todos eles adoraram as músicas!

Ter novos vocalistas em músicas antigas, significa que regravaram totalmente estas músicas?
EP: Sim, regravamo-las todas, mas isso porque queríamos fazer novos arranjos para algumas partes e, em alguns casos, não estávamos satisfeitos com o som das versões antigas.

E há uma fantástica canção nova com, nada mais nada menos que Fabio Lione. Foi a primeira vez que trabalharam juntos?
MG: Sim, conhecemos Fabio há muito tempo, mas nunca tivemos a oportunidade de trabalhar juntos. E isso é realmente estranho, porque Fabio tem sido convidado em muitos outros projetos. A propósito, ele é um cantor profissional e foi muito fácil trabalhar com ele na nova canção.

Como foi essa experiência de gravar com tantos vocalistas diferentes de todo o mundo? Trabalharam juntos em estúdio ou não?
MG: Uma experiência incrível. Podes imaginar o que poderia significar trabalhar com os melhores cantores de todos os tempos, cantores que ouves todos os dias e que agora estão a trabalhar contigo. Obviamente, devido à distância, cada um deles gravou as suas faixas nos seus próprios estúdios. Pessoalmente, tive a oportunidade de falar com muitos deles sobre as músicas e foi muito bom!

A letra da nova música é curiosa com várias referências a músicas antigas vossas. Os Manowar costumava fazer isso, nos seus primeiros tempos. Como todo o álbum, esta canção é, também, uma espécie de homenagem ao vosso passado?
MG: Sim, gostaríamos de ter inserido todas as faixas restantes da Saga New Era nesta compilação, por isso, decidimos colocar todos os títulos das canções na letra. Não sei quantas pessoas perceberam isso.

A respeito de um novo álbum com material original, como vão as coisas?
EP: Sobre o novo álbum, as coisas vão bem, mas muito, muito lentamente. Não ter um cantor em estúdio é muito difícil para nós para organizar as partes vocais. E, entretanto, também estamos à procura de um novo vocalista, pelo que muito tempo que tínhamos pensado passar na composição e arranjos é dedicado a fazer diferentes atividades organizacionais. Tem sido um momento muito difícil mas esperamos ser capazes de virar a página em breve.

Quanto ao novo vocalista, irão procurar um substituto para Giannini ou optarão pela opção de vários convidados no futuro?
EP: Preferimos a primeira opção, mas não vai ser fácil. Ivan, embora tenha provado ser pouco confiável, foi um bom vocalista e será difícil substituí-lo.

Muito obrigado, mais uma vez! Querem acrescentar algo mais?
EP: Obrigado Pedro pelo teu apoio aos Derdian durante todos esses anos. Apreciamos especialmente neste período triste e chato. Stay metal!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Playlist Via Nocturna 25 de agosto de 2016


Review: Runaway (Tempt)

Runaway (Tempt)
(2016, Rock Candy Records/Cargo Records)
(5.6/6)

O press release assusta quando afirma que estes novatos Tempt, são os Van Halen da nova geração. Bem, talvez haja algum exagero nesta afirmação, mas a verdade é que Runaway, longa-duração de estreia do coletivo nova-iorquino recupera muito das caraterísticas do heavy rock/glam rock dos anos 80. Se calhar o facto de a produção ter sido entregue a um mago como Michael Wagener, tenha contribuído, mas, sem dúvida que o quarteto também tem muita qualidade, talento e atitude. A banda não se limita apenas a ser um executante de hard rock clássico de aspeto eighties e de forte componente arena rock – os citados Van Halen, mas também Def Leppard, Poison ou Warrant. Isto porque frequentemente incute uma personalidade atual – Rival Sons/Foo Fighters - e é, precisamente, nesse balanço inteligente onde reside grande parte do interesse de Runaway. Grandes ganchos, riffs cheios de intensidade, melodias sing-along e solos incendiários, eis a forma de os Tempt se apresentarem num estilo que mistura o sleaze rock da costa oeste com o street rock da costa este.

Tracklist:
1. Comin’ On To You
2. Under My Skin
3. Paralyzed
4. Use It Or Lose It
5. Runaway
6. Aamina
7. Sapphire
8. The Fight
9. What Is Love
10. Time Won’t Heal
11. Love Terminator
12. Fucked Up Beautiful
13. Neuro-Child
14. Dirty One
15. Aamina (MW mix)

Line-Up:
Zach Allen – vocais
Harrison Marcello – guitarras
Nicholas Burrows – bateria
Max McDonald – baixo

Internet:
Facebook   
Website   

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Entrevista: A Devil's Din

Três músicos nascidos no “Velho Mundo”, nutrindo um sentimento único por uma música rock melódica, inovadora e criativa, atravessam os oceanos, encontram-se em Montreal e nascem os A Devil’s Din. Depois de um EP de estreia, em 2011, um trio reformulado mas ainda com Dave Lines ao comando, lança Skylight, o motivo principal desta conversa com os três elementos.

Viva! Novo álbum cá fora - o que mudou desde o lançamento de One Day All This Will Be Yours?
David Lines (DL): Bem, certamente muita coisa mudou dentro e fora da banda. Antes de mais comecei os A Devil’s Din porque estava cansado de estar em bandas que fizeram grandes coisas mas que se separaram logo depois! Aconteceu-me, e muito! Como acontece a milhares de músicos a cada ano em todo o mundo. Ser um grande executante e ter músicas muito fixes contribui para aí, no máximo, 10%, para se ter uma banda de sucesso. A Devil’s Din é o primeiro e único projeto que comecei por mim, e será o último, o que significa que vai continuar até morrer! Assim, a grande mudança na banda foi que no primeiro álbum tinha músicos que conhecia, amigos de verdade, que se envolveram maioritariamente porque queriam ajudar, não porque queriam aproveitar a minha viagem. O único sobrevivente dessa formação original sou eu, o que foi bom, essencialmente, porque ajudaram a por a máquina em funcionamento para Tom e Dom que agora pertencem a esta banda - é tanto deles quanto minha.
Dominique Salameh (DS): Adoro todas as músicas do álbum, foi o que me levou a entrar na banda.
Tom Chollet (TC): Eu também!
DL: Mas agora que encontramos o nosso som, movemo-nos para algo que tem o groove de todos nós e os elementos contribuem e têm as suas vozes e gostos incluído no conjunto. Além disso, tematicamente, o que mudou para mim foi que eu sou um sacana sombrio que, independentemente das guerras, das disparidades económicas maciças e das catástrofes ambientais em todos os lugares, sinto-me muito mais positivo sobre a vida na Terra. E Skylight é mais ou menos sobre isso.

O engraçado é que os A Devil’s Din nasceram no Canadá, mas nenhum de vocês é canadiano, certo? Houve alguma linha cósmica que vos orientou até se encontrarem?
DS: Bom ponto de vista. A verdadeira questão é, quem realmente é canadiano atualmente?
TC: Talvez os nativos?
DL: Mas, provavelmente havia alguém aqui antes deles! Infelizmente, a história é mais ou menos um banho de sangue, um a seguir ao outro. Desculpa... É triste... A verdade é que nenhum de nós nasceu, mas fomos transferidos para o "Novo Mundo", mesmo que a maioria das nossas influências venham da Grã-Bretanha e da Europa.
TC: Depois fomos influenciados pelo blues e rock'n'roll americano!
DL: Verdade!
DS: Gostamos de acreditar na terra de viajantes, uma área muito cosmopolita, onde pessoas de todos os lugares e partes do mundo se reúnem para coexistir. Especialmente em Montreal, onde um determinado elemento é adicionado com toda a dualidade francês/Inglês... Portanto, esse ponto de concentração é a encruzilhada onde se uniram forças decorrentes de um amor por esta cidade fantástica que é Montreal!

Portanto, é natural que tragam diferentes influências das vossas origens. Funciona assim ou não?
TC: De qualquer forma, enquanto miúdo em França, tudo o que ouvia era rock americano ou Inglês. Não ouvia o que se passava lá.  
DL: O mesmo comigo. O meu pai ouvia os primórdios de Beach Boys e Beatles e rock'n'roll, que foi das primeiras coisas que os meus ouvidos agarraram. Depois ouvi coisas posteriores a Beatles e material dos anos 60 como Cream, Hendrix e The Who! Depois comecei a cair no ácido e esqueci isso! Portanto, acho que as origens são um pouco arbitrárias. Todos nós tivemos pais que tinham bom gosto em rock e contribuíram muito para nos tornarmos as aberrações musicais que somos! A minha maior influência que é absolutamente britânica teria que ser Monty Python!
DS: Acho que as nossas origens estão enraizadas na nossa cultura e amor pela música e arte. Somos abençoados por ser músicos e ter a oportunidade de viver e visitar diferentes partes do mundo antes da chegada aqui a Montreal. Mas sim, de certa forma temos diferentes origens e culturas ligeiramente diferentes: Dave, da Inglaterra, cresceu no Canadá e viajou por todos os EUA…
DL: A maioria na Califórnia!
DS: ... e na Europa durante as férias, Tom, da França, tem viajado por toda a Europa, eu cresci na França, depois foi o Líbano de onde sou e, finalmente, Montreal onde passei a maior parte da minha vida. De certa forma, o click deu-se porque crescemos a ouvir bandas similares e reunimo-nos pelo amor ao rock progressivo psicadélico e harmonias vocais entre outros estilos que também aprecio muito. Portanto, gostaria de acreditar que as nossas "origens" estão mais enraizadas nas nossas afinidades intelectuais e nossa curiosidade musical artística e não simplesmente nos nossos valores que acho que estão num comprimento de onda semelhante (o que acreditamos e pelo qual nos esforçamos).

Como foi o processo que vos levou a Skylight, cinco anos após a sua estreia?
DL: Bem, demorou um pouco mais do que o esperado ter este segundo álbum. E escrever canções nem sempre é o mesmo que estar inspirado! Tenho muitas ideias mas pode ser uma trabalheira elaborar os detalhes, e certamente encontrar algo digno de se cantar! Mas pouco a pouco os ovos eclodiram e as galinhas pequenas cresceram prontas para serem levadas para o matadouro, o que algumas pessoas chamam de um estúdio de gravação. Além disso, sou um músico comercial, portanto, muito do meu tempo é absorvido com isso, e neste período de transição muita coisa aconteceu, mesmo depois da banda ser o que é agora.
TC: O nosso estúdio de ensaio ardeu.
DS: Casei-me e tive um filho. Bem, a minha esposa teve, mas eu ajudei.
DL: A vida é o que acontece contigo enquanto estás a fazer outros planos. A citação não é minha. Nem do Lennon.

Não é muito tempo, cinco anos de ausência? O que fizeram durante esse tempo?
DL: Não, tocamos, escrevemos, tivemos alguns grandes espetáculos. Na verdade, olhando para trás, parece uma enormidade de tempo! Mas esta música não é necessariamente fácil de aperfeiçoar e eu estou sempre a escrever, a experimentar novas ideias, estruturas. Estou constantemente concentrado em criar o mais emocionante, excitante e alucinante espetáculo possível. Mas como sou incrivelmente distraído isso demora um pouco mais a ter as coisas prontas.
DL: Sim, sem brincadeiras!
TC: (risos)

Este álbum, como o anterior foi lançado pela vossa própria editora, a Island Dive Records. Porque decidiram criar o vosso próprio selo?
DL: Somos como uma empresa de alimentos especializada, fazendo pequenas e estranhas misturas com ingredientes raros e difíceis de encontrar e algumas pessoas preferem fazer compras num lugar que é mais familiar e tem marcas mais reconhecíveis. Mas há os que amam o nosso material e não se cansam. Mas essas pessoas são geralmente considerados uma subcultura muito específica e até mesmo as editoras independentes tendem a lidar com subculturas pois sabem que as podem considerar. Simplesmente, não queremos esperar que a editora certa nos encontre, por isso, decidimos começar a nossa própria empresa. Estamos a fazer as coisas certas, movendo-nos na direção certa, e sentimo-nos confiantes de que podemos tornar esta empresa com uma base viável, com a opção de um buy-out corporativo. Isto agora era eu a brincar…

É expectável que esta editora possa, então, no futuro, lançar outras bandas?
DL: Sim, adoramos a ideia de promover uma comunidade musical de bandas esquisitas que de outro modo ficariam desconhecidas. Seria como aquele miúdo solitário no colégio, quando descobres que ele é realmente mais inteligente do que todos os outros, mas está repleto de ansiedade social! Música e negócios são como óleo e água, porém, é preciso uma habilidade especial para não queimares o lado comercial do mesmo. Mas se ele se puder sustentar de alguma forma, estaríamos contentes de fazer parte dessa cena.

De regresso a Skylight, como definiriam este lançamento?
DL: Musicalmente falando, fizemos um disco que vive no seu próprio universo artístico, livre de qualquer necessidade ou obrigação de soar como qualquer coisa que esteja a acontecer, o que é uma sensação muito libertadora para qualquer pessoa criativa! Pessoalmente, sinto que muita música moderna perdeu o seu caminho no que diz respeito a um certo sentimento de criatividade, expressão criativa e a assunção de riscos. Não gosto de olhar para trás, só que na música rock, as coisas aconteceram de forma diferente no final dos anos 60 e início e meados dos anos 70. As pessoas gostavam de coisas que, de uma maneira geral, são atualmente consideradas marginais ou underground. Gosto do som dos pedais fuzz, bateria de verdade, baixos Rick, Hammond B3S, pianos Wurly, sintetizadores Moog... Essas coisas fazem-me feliz! E quando colocado num contexto de música melódica com algumas ótimas mudanças de acordes e um par de riffs agradáveis, bem, para mim isso é o meu tipo de música rock.
DS: Este disco, sem qualquer jogo de palavras, tirou-nos de uma imagem e categoria anterior onde necessariamente não nos revíamos. Mesmo sentindo uma certa linha comum que liga os dois álbuns, este tem uma abordagem mais orgânica e uma sensação mais quente. Portanto, pode dizer-se que sentimos que este lançamento respira uma vida nova para a banda com músicos de mente aberta que simplesmente querem partilhar a sua música e dar uma experiência ao vivo memorável.
TC: É a música que todos nós gostamos de ouvir e tocar ao vivo, e isso é apenas o início. Estamos a encontrar o nosso caminho, e o novo material irá levar-nos a um nível ainda mais alto!

Em breve começarão a vossa primeira tournée europeia. Onde irão tocar?
DL: Inicialmente queríamos fazer uma tournée europeia completa, mas após analisar os números, decidiu-se apenas por duas semanas de tournée pelo Reino Unido. Faz mais sentido logisticamente. Somos uma banda que atua como uma indústria caseira e quase totalmente autofinanciada, por isso é necessário ser muito eficiente. Assim, os lugares onde vamos tocar, são principalmente salas de média dimensão espalhadas por toda a Inglaterra e País de Gales, algumas dos quais bastante lendárias, como o Fiddler's Elbow em Camden, o Crowley's em Swansea e até o Lounge 41 a norte de Workington. Estes são os maiores sítios onde iremos tocar. E é divertido também, porque, mesmo que tendo nascido e vivido os meus primeiros 5 anos na Inglaterra, nunca vi a maior parte do Reino Unido. Londres, Brighton, conheço. Liverpool? Vamos lá!

Expetativas para essa tournée?
DS: Queremos voltar à fonte de onde vieram muitos dos artistas que crescemos a ouvir - Floyd, Sabbath, Led Zep, The Beatles, Yes, Bowie, Smiths, etc. Temos a sensação de que o tipo de música que tocamos vai ter pessoas particularmente interessadas nesse lado do Atlântico. Apesar de tudo, Montreal também é conhecida como uma das principais cidades a proporcionar boa música. Apenas queremos gerar um certo buzz e que as pessoas saibam da nossa presença. Temos um vídeo promocional fixe, uma grande representação visual e presença on-line que, espero, irá desencadear algum curiosidade!
DL: As pessoas no Reino Unido e na Europa parecem ser menos influenciadas pela máquina dos media americanos e têm melhor gosto. Pelo menos há uma maior concentração de pessoas com gostos ecléticos. Esperamos que haja um bom número de pessoas felizes de nos ver ao vivo, tanto os fãs que fizemos on line, como os novos que vão descobrir-nos pela primeira vez. Nós existimos num espaço entre o pesado e leve, para algumas pessoas somos demasiado, para outras não o suficiente, mas outros não acreditam nos seus ouvidos quando nos ouvem!

Próximos projetos… o que têm em mente?
DL: Nós já temos material suficiente para um terceiro álbum, e bem poderia ser um álbum duplo, logo que todas as novas ideias estejam trabalhadas! Mas também precisamos de obter mais material de vídeo. Por mim. É muito trabalho, porque adoro cinema e tenho uma obsessão insana quando se trata de como um vídeo deve ser feito! Não estou naquela onda de ter um vídeo com a banda a tocar em palco, embora seja o mais simples e mais direto e as pessoas gostarem de ver o que a banda parece, e todas as pessoas a se divertirem na frente do palco. Mas agora estamos a trabalhar com um artista stop-motion e conhecemos algumas pessoas do indie vídeo. Jovens com muito talento e energia! Se tivesse mais tempo, ajudaria mais. Estou a trabalhar em algumas ideias found-footage, que não necessitam de filmagem mas talvez metade da vida a editar!
TC: Estamos muito animados com o próximo álbum. Dom e eu temos encontrado mais maneiras de contribuir...
DL: Isso é porque eu estou a tornar-me uma anormal menos controlador!
TC: ... e a visão musical que começou em Skylight está cada vez mais...
DL: Cristalizada?
TC: Exatamente!
DL: Temos uma nova música, que gosto de chamar o nosso 2112, mas não se trata de padres ou templos no espaço nem nada disso. É longa tem muitas partes!
DS: E vamos tocá-la no Reino Unido!

Bem, muito obrigado, mais uma vez! Querem acrescentar algo mais?
DL: Queremos agradecer-te por esta entrevista e aos teus leitores por a lerem! E às pessoas em todos os lugares que acreditam no espírito do rock e abrem a sua mente e consciência a novas formas. Nós somos "apenas uma banda", mas realmente acredito que todo mundo tem um papel no avanço da vida na terra, não importa quão grande ou pequeno tu pensas que as tuas ações são.
TC: Sim, obrigado!
DS: Obrigado e espero ver-te em breve!