segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Entrevista: Stolen Rhodes

Os Stolen Rhodes começaram há quatro dias em França a sua tour europeia, para apresentar o álbum Bend With The Wind. Ainda antes disso, diretamente desde Filadélfia, a sua terra natal, Matt Pillion falou a Via Nocturna sobre esta vinda e sobre o álbum que vêm apresentar. Aqui ficam as suas palavras.

Viva! Tudo bem? Para começar, podes apresentar os Stolen Rhodes aos rockers portugueses?
Olá! Estou ótimo, obrigado! Olá Portugal, sou Matt Pillion, vocalista/guitarrista/saxofonista dos Stolen Rhodes. Na guitarra principal, temos Kevin Cunningham. No baixo, temos Jack Zaferes e na bateria temos Chris James. Somos de Filadélfia, PA. Chamo a música que fazemos de Americana Rock, porque nas músicas que escrevemos podes ouvir elementos de rock, blues, country, folk, e até mesmo algum R & B old-school. Muitas pessoas chamam-nos de Southern Rock, mesmo não sendo do sul dos EUA. Apenas digo que soamos como nós somos, da América, assim que Americana Rock parece agradável.

Como tem sido a vossa existência desde a formação?
Bem, aqui fica um pouco da história de como a banda se formou. Rhodes Stolen inicialmente começou como uma forma de eu gravar bastantes músicas que tinha escrito. Na altura, não fazia parte de nenhuma banda, por isso, chamei alguns velhos amigos para me ajudar a dar vida às músicas. Quando o nosso guitarrista Kevin Cunningham se juntou a nós, houve química instantânea e percebemos que tínhamos uma banda real entre mãos! Isto foi em 2009. Andamos alguns anos em tournées regionais pelos EUA antes de nos transformarmos, oficialmente, numa banda que a tempo inteiro andava em tournée por todo o país, em 2014. Foi uma viagem louca, toneladas do trabalho, mas cada minuto valeu a pena. Não me imaginava a fazer outra coisa.

Falando do álbum Bend With The Wind, como o descreverias para quem não vos conhece?
O nosso objetivo quando fizemos Bend With The Wind foi dar aos fãs um disco que capturasse a energia e a experiência de um espetáculo ao vivo dos Stolen Rhodes. Acho que ficamos muito próximos. A energia sobe e cai, depois sobe novamente como uma performance ao vivo e, em seguida, o disco fecha com uma canção que muitas vezes tocamos ao vivo, a nossa versão Rosalita de Bruce Springsteen. Esse também era um novo território para nós - nunca tínhamos gravado uma versão antes. Na verdade, neste disco, fizemos muitas coisas que foram novas para nós, como escrever várias músicas completamente no estúdio e incluir duas melodias acústicas descontraídas entre os temas rock up-tempo. Acho que é um disco muito emocionante e estou muito orgulhoso disso. Acho que é a melhor composição que já fizemos como banda e acho que, em estúdio, realmente conseguimos as melhores performances possíveis. Estou muito animado para que os fãs em Portugal o possam ouvir!

De onde vem toda essa criatividade?
A inspiração vem de qualquer lugar - só tens que a agarrar na altura certa. As nossas músicas são sobre uma variedade de tópicos, amor, as lutas do trabalho para fazer face às despesas, a eliminação de hábitos autodestrutivos, ou mesmo apenas uma boa canção com uma história à moda antiga. Quando a inspiração chega, só tens que te deixar levar até algum lugar, e tu nem sempre sabes onde esse lugar vai ser. Para mim, essa é a coisa excitante a respeito da composição.

Como funciona o processo de escrita nos Stolen Rhodes?
Para nós, sinto que as nossas músicas mais fortes são as que escrevemos juntos. De uma maneira geral, uma pessoa traz para a banda uma música que pode ou não estar completa. Reunimos e trabalhamos na música, colocando os nossos próprios toques, quer liricamente, musicalmente ou em termos de arranjos. Todos nós trazemos forças diferentes para a mesa, portanto quando tudo está no lugar certo, o todo é maior do que a soma das partes. Há outras vezes quando, por exemplo, Kevin tem um riff de guitarra no qual está a trabalhar e a música cresce em torno disso. É uma espécie de mistura de ambos e isso acontece organicamente.

Queres falar um pouco da forma como decorreu o processo de gravação? Onde gravaram?
Certo! Gravamos Bend With The Wind com o nosso produtor, David Ivory. Ele possui os Dylanava Studios, que é uma incrível academia fora da Philadelphia. Também já tínhamos trabalhado com ele no nosso EP Slow Horse. Ele é muito bom a gerir a nossa energia e ajuda-nos a concentrar para obter, não só o melhor desempenho mas também a melhor composição. David, também traz muita experiência de gravação. Trabalhou com os The Roots, Silvertide e com os vencedores de um Grammy, Halestorm. Também trabalhou no lendário Sigma Sound em Filadélfia, portanto sabíamos que iríamos ter um disco com um grande som tendo David no comando. Tê-lo como nosso produtor e mentor ajudou-nos a crescer como banda. Como já disse, fizemos muitas coisas novas neste disco. Uma dessas novidades favoritas foi gravar duas faixas acústicas (Makin' Money e So Long) ao vivo em um ou dois takes. Também escrevemos a música Get On Board, totalmente em estúdio. Isso também foi uma novidade para nós: nunca lançamos uma música que tenha sido feita durante a gravação de um disco. Escrever para este disco foi como pisar fora da minha zona de conforto, o que se tornou muito gratificante quando ouço como saiu.

Em breve iniciarão a vossa tour europeia? É a vossa primeira vinda cá?
Sim! Iremos fazer 27 datas na Europa em janeiro e fevereiro. Visitei a Europa uma vez quando tinha 18 anos, mas esta será a primeira vez que eu vou tocar aí. Estou muito, muito animado... não só por visitar novamente a Europa, mas também para conhecer os fãs europeus e tocar para o público europeu. Tenho muitos amigos músicos que já visitaram a Europa antes, e penso que a maioria deles prefere andar em tournée aí do que em qualquer outro lugar! O que ouço, mais do que tudo, é que o público na Europa é incrível. Os fãs europeus adoram a música rock e gostam de ir aos concertos. Mal posso esperar!

Estão a preparar alguma coisa especial para essa tournée?
Claro! Trazemos coisas novas para apimentar as músicas, quer se trate de acrescentar algumas jams prolongadas entre as músicas, ou estrear algumas músicas novas. Acima de tudo, porém, o público deve estar preparado para um show de rock que os prenderá e os manterá lá até à última nota! Quando o público está feliz, nós estamos felizes, por isso, tentaremos dar-lhes uma experiência que nunca esquecerão!

Obrigado, Matt! As últimas palavras são tuas...
Obrigado pelas perguntas, sinceramente, gostei! Por favor, visitem-nos no nosso site em stolenrhodes.com e no Facebook (facebook.com/stolenrhodes), Instagram (instagram.com/stolenrhodes) e Twitter (twitter.com/stolenrhodes). Além disso, se ainda não têm uma cópia de Bend With The Wind, podem obtê-la no iTunes (bit.ly/2dSt8YN) ou uma cópia física na nossa loja online (bit.ly/elbendwiththewind). Obrigado, Portugal! Os melhores cumprimentos desde Filadélfia!

domingo, 15 de janeiro de 2017

Flash-Review: Miman (Nicole Sabouné)

Álbum: Miman
Artista:  Nicole Sabouné   
Editora: Century Media   
Ano: 2017
Origem: Suécia
Género: Dark Ambient, Post Punk, Art Rock, New Wave, Goth Rock
Classificação: 4.3/6
Breve descrição: Emocional, profundo, obscuro, atmosférico são adjetivos que se enquadram neste novo álbum da sueca Nicole Sabauné. Miman é um disco expressivo e que provoca emoções, mas onde o sucessivo saltar do gótico para o punk ou para o dark ambient o torna demasiado eclético e sem uma linha orientadora bem definida.
Highlights: The Body, Bleeding Faster, Lifetime, Rip This World, Withdraw
Para fãs de: Cocteau Twins, Dead Can Dance, PJ Harvey, Siouxsie and the Banshees, Bauhaus, Joy Divison

Tracklist:
1. The Body
2. Right Track
3. Bleeding Faster
4. Under Stars (For The Lovers)
5. Lifetime
6. Rip This World
7. We Are No Losers
8. Withdraw

Flash-Review: The Valley Of Tears - The Ballads (Magnum)

Álbum: The Valley Of Tears – The Ballads
Artista: Magnum   
Editora: Steamhammer/SPV    
Ano: 2017
Origem: Inglaterra
Género: Hard Rock
Classificação: 5.8/6
Breve descrição: Desde sempre que os momentos mais calmos escritos pelos Magnum têm relevância para os seus fãs. E sempre que o coletivo escreve algo onde abranda o ritmo a emoção sobressai e a profundidade dos sentimentos solta-se. Daí ter surgido a ideia de reunir alguns desses mais belos momentos num disco. A ideia veio da filha de Tony Clarkin e logo foi aproveitada pela editora e pela banda, num belo resultado final – já depois do Natal mas ainda antes do Dia dos Namorados!
Highlights: The Valley Of Tears, A Face In The Crowd, Your Dream’s Won’t Die, Lonely Night, Putting Things In Place

Tracklist:
1. Dream About You
2. Back in Your Arms Again
3. The Valley Of Tears
4. Broken Wheel
5. A Face In The Crowd
6. Your Dreams Won’t Die
7. Lonely Night
8. The Last Frontier
9. Putting Things In Place
10. When The World Comes Down

Line-up:
Tony Clarkin - guitarras
Bob Catley - vocais
Mark Stanway - teclados
Al Barrow - baixo
Harry James – bateria

sábado, 14 de janeiro de 2017

Review: Shady World (Numa Echos)

Shady World (Numa Echos)
(2016, Valery Records)
(5.7/6)

Escritora, fotógrafa, modelo, entre outras atividades, a italiana Numa embarca também nesta viagem musical com o álbum Shady World com assinatura do seu projeto Numa Echos. Uma viagem eletrificante e cheia de ritmo por 9 temas originais e uma cover de Rebel Yell de Billy Idol onde as guitarras compassadas e ritmadas do rock convivem com ritmos eletrónicos. A voz de Numa é maioritariamente doce e sensual e consegue criar belas melodias envoltas pelas caraterísticas anteriormente descritas. Assim, entre momentos rock, techno, gótico a até punk, Shady World vai fazendo desfilar alguns temas catchy com refrães orelhudos. E a primeira metade do álbum é, nesse particular, muito bem conseguida. A segunda é mais obscura, sinistra e até um pouco mais agressiva, apresentando uma outra faceta não tão catchy, não tão easy-listening, embora mantendo os níveis de intensidade. Empty e Rebel Yell fecham em bom nível um disco à imagem da sua criadora: forte, intenso e sensual.

Tracklist:
1.      Is But A Shady World
2.      Acid Streams
3.      Immaterial Needs
4.      Re-Search
5.      Insanity
6.      Rainbows
7.      Loosing My Senses
8.      Escaping From Lightness
9.      Empty
10.  Rebel Yell

Line-up:
Numa Echos – vocais, teclados, sintetizadores
Pietro Dalmasso – guitarras
Andrea Celato – baixo
Francesco Rivabene – bateria
Jean Kat – guitarra ritmo, theremin
Matteo Agosti – guitarra solo

Internet:
Facebook   
Website   
Youtube   
Twitter   

Edição: Valery Records    

Notícias da semana

Os Starbynary revelaram o segundo trailer do próximo álbum Divina Commedia: Inferno. A banda italiana lança o sucessor Dark Passenger (2014) no próximo dia 3 de fevereiro.


A nova compilação de Metal Português, a atingir o oitavo volume, já se encontra disponível em formato digital e gratuito na página Bandcamp da 13 Metal Compilation. Neste conjunto de 13 temas estão faixas editadas em Portugal durante o segundo semestre de 2016. Destaque para Adamantine, 15 Freaks, Legacy Of Cynthia, Alkateya ou Smash Skulls.

 

Sting acaba de revelar o vídeo do seu mais recente single, One Fine Day, retirado do seu último álbum de originais, 57th & 9th (2016), tendo sido realizado por James Larese. O vídeo de animação faz uma clara referência ao teledisco icónico de Love is the Seventh Wave, tema do álbum The Dream of the Blue Turtles, editado em 1985. Para celebrar as canções deste seu novo álbum, Sting inicia já no próximo mês uma digressão mundial de promoção a 57th & 9th, durante a qual estará acompanhado de três músicos: Dominic Miller (guitarra),  Josh Freese (bateria) e Rufus Miller (guitarra). Entre alguns dos convidados especiais desta digressão estão o cantautor Joe Sumner e o grupo The Last Bandoleros.

 

Mike Bramble acaba de lançar a sua nova música Living Dreams que está disponível em todas as lojas e plataformas de música online e no seu site oficial desde o dia 13 de janeiro. Living Dreams é um tema de alerta e abertura de consciência dos limites do planeta Terra, ridicularizando as excentricidades da sociedade moderna. O tema faz parte de um conjunto de músicas que irão integrar o próximo disco do artista a ser lançado durante este ano. Um cheirinho de Living Dreams pode ser visto aqui.

 

Com produção artística de David Fonseca e um elenco muito especial, BOWIE 70 celebra um nome maior da história da música: David Bowie. Chama-se BOWIE 70, e chega precisamente no ano em que Bowie completaria 70 anos. A coordenação artística e, ainda a interpretação de todos os instrumentos musicais, tem a assinatura de David Fonseca, entregando a parte vocal a alguns dos nomes maiores do cenário musical nacional. O disco sai a 7 de fevereiro via Universal Music, sendo que estará em pré-venda a partir de 20 deste mês. Deste trabalho, foram, entretanto, já reveladas as primeiras imagens, para cada um dos artistas. Apresentamos Tiago Bettencourt.


A banda de psyche rock australiana Buried Feather tem novo álbum a sair no próximo mês. O disco intitula-se Mind Of Swarm e será lançado em formato digital através das editoras Cobra Snake Necktie (na Austrália) e Kozmik Artifactz (na Europa).

 

Disconnected é o vídeo para o primeiro single do álbum de estreia dos suecos Zonetripper, banda formada pelo produtor de rock e metal Fredrik Reinedahl (Solstafir, Peter Dolving, Opeth, In Flames).

 

John Bassett, a mente criativa por trás dos Arcade Messiah anunciou o lançamento da 15 de janeiro de Live From The Byre, do qual o tema Nothing Sacred já pode ser ouvido no bandcamp do músico. Live From The Byre contém quatro temas gravados em County Sligo na Irlanda, nomeadamente canções de Unearth (o seu álbum a solo) e de KingBathmat.


 

Os NORÐ tocam metal/rock progressivo de alta energia e paisagens melancólicas. Um estilo único com referências a muitas bandas diferentes e temas líricos que abordam a decadência humana. Nasceram em 2013 na Dinamarca e em 2016 gravaram o seu EP de estreia Alpha que será lançado em formato digital a 3 de março via Inverse Records. O lyricvideo do tema Rosehip Garden já está disponível.

 

Quatro anos depois de se terem revelado ao mundo como um dos projetos da música pop mais entusiasmantes da atualidade, o trio London Grammar está de volta com um novo single, intitulado Rooting For You, lançado muito recentemente e cujo vídeo já ultrapassou 1 milhão de visualizações no YouTube em menos de uma semana. Os London Grammar surgiram em 2013, tendo recebido logo o prestigiante prémio Ivor Novello pelo single Strong, além de terem sido nomeados para um BRIT Award. O álbum de estreia, o muito aclamado pela crítica If You Wait, alcançou a dupla platina no Reino Unido (com mais de 600 mil cópias vendidas), sendo que mundialmente vendeu mais de 1,5 milhões de exemplares.


As lendas francesas do prog rock, os Magma irão lançar EMEHNTEHTT-RÉ TRILOGIE, um DVD ao vivo com concertos registados no Le Triton em novembro de 2014. Este DVD duplo contém, ainda, The Crossroads Of Times, 115 minutos de conversação com Christian Vander a respeito da composição de cada movimento da trilogia. A edição é da Seventh Records.



Pavel Racu, mais conhecido por Billy Lobster, pode ser descrito de várias formas. Uma delas, talvez a mais importante, é: respira blues. Nascido na Moldávia em 1988, aos 17 anos emigrou com os pais para Portugal. Aprendeu a tocar clarinete e guitarra, surgindo assim o blues, com John Lee Hooker, Muddy Waters e Howling Wolf como referências. Descoberta a paixão compôs a sua primeira música inspirada no boogie do John Lee Hooker, e assim nasceu a Boogie On The Fly, o primeiro single que viria a dar o nome ao álbum primogénito. O longa duração tem vestimenta de rock moderno com uma ou outra música mais tradicional de blues. O álbum estará disponível no bandcamp, youtube e facebook


Os heavy rockers Americanos Soldiers Of Solace assinaram com a Rock ‘n’ Growl Records, uma divisão da Rock ‘n’ Growl Promotion. Atualmente a banda está em estúdio a gravar aquele que será o seu disco de estreia a lançar no final de 2017. Para já fica o tema de avanço, Cold As A Stone.


Os Concrete Jellÿ nasceram no ano de 2014 em Trieste, Itália e no verão de 2016 gravaram o seu álbum Getting Noticed com a inspiração para a história a surgir das boas e más experiências em palco. O som resultante é uma mistura de diferentes influências, desde o space rock dos anos 70 até ao prog rock. O disco terá edição pela Sliptrick Records a 7 de fevereiro.



Os Helligators fizeram a sua versão de Nice Boys dos australianos Rose Tattoo e esta canção está disponível para audição através da Sliptrick Records. Nice Boys é um tema que não aparecerá em mais nenhum lançamento da banda, mas quem quiser conhecer mais dos Helligators poderá procurar o seu mais recente álbum Road Roller Machine.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Entrevista: Ray Vaughn

Três anos após Way Down Low, Ray Vaughn, membro fundador da banda punk Hostages, regressa com um line up diferente e com um disco onde fica bem patente a sua evolução. Chama-se Wounded Bird e mostra uma componente eletrizada mais acentuada. Foi um bem-disposto e conversador Ray Vaughn quem nos falou desta evolução e das novidades no seu projeto.

Viva Ray, como estás? Como tem sido o teu trabalho desde o lançamento de Way Down Low, há três anos?
Olá novamente e muito obrigado por apoiares o meu novo lançamento Wounded Bird. Significa muito para mim e aprecio muito. Já são três anos desde o lançamento de Way Down Low, difícil de acreditar, wow. Não sou o escritor de canções mais rápido da atualidade - mas ainda assim seria a minha melhor resposta para a tua pergunta. Fiquei surpreendido com os comentários e reações positivas que tive para Way Down Low e acho que o meu primeiro pensamento foi o que diabo vou eu fazer agora? Nos últimos três anos fiz bastantes espectáculos em apoio de Way Down Low. Ed Rawlings juntou-se muitas vezes, tocando aquela bela guitarra da forma que só ele sabe, e eu apenas tentei manter a escrita fluir fresca e nova, levando a música a um lugar onde não tinha sido antes, tocando tudo o que pudesse quando pudesse. Principalmente tentei não entrar em pânico sobre ter que vir com um registo seguinte que não fosse apenas uma outra versão de Way Down Low. Às vezes, quando pensava muito a respeito do processo de composição ficava preso - mas fi-lo. E agora estou ocupado a escrever para o próximo. Forma uns bons 3 anos.

Como foi o processo criativo que te levou até este novo álbum?
Como disse, o processo criativo foi uma coisa estranha. Houve uma altura na minha juventude, que podia fazer letras e músicas e pensar que tudo era brilhante! (Risos)... Não conhecia nada melhor – estávamos do meio para a frente dos anos 70 e o DIY/punk estava a explodir em Londres/NYC/LA/San Francisco. Escrevias uma canção no back stage antes do espetáculo e tocava-la naquela noite - bem... os anos 70 já lá vão. Portanto, a parte mais difícil para mim foi aprender a deixar de lado todas as regras auto-impostas de escrever com as quais eu me cercava para apenas me tentar divertir. Isso praticamente me empurrou a querer uma banda completa novamente, desenvolvendo um som maior e fazendo um pouco mais de barulho.

Wounded Bird é um pouco diferente de Way Down Low, estando mais orientado para o rock elétrico. Foi uma opção consciente?
Definitivamente, uma opção consciente. Eu comecei há anos atrás, em 1968, mais ou menos, como um guitarrista acústico cantautor, sabes como é, um hippy de cabelo comprido de São Francisco – mudou-se para a Inglaterra em 73 tocando no circuito folk durante um ano e então começou a ouvir esse burburinho de Nova Iorque e Londres. Quer dizer, já antes conhecia e gostava de bandas como os MC5, The Stooges, Velvet Underground – os NY Dolls e Suicide provavelmente foram as primeiras bandas a despertar a minha atenção - mas por volta de 1975 foram The Ramones, Dictators, The Addicts... Television, tudo estava a explodir à minha volta. Durante a noite abandonei a guitarra acústica e cortei aquele maldito cabelo (risos!). Eu sempre adorei uma boa música. Seja à cappella ou na frente de uma parede Marshall - mas aquela eletricidade, aquele poder gerado a partir de uma banda conquistou-me. Esta foi a principal razão pela qual eu, desta vez, quis amplificar um pouco mais.

No entanto, a guitarra acústica ainda tem um papel relevante neste álbum, principalmente a partir do meio do disco... parece que procuraste uma linha de evolução neste álbum...
Fico contento que tenhas notado! Sim, as primeiras 3 faixas são de rock. O mundo mudou - a evolução/revolução política encontrou o seu caminho em algumas das faixas deste disco. Um reviewer disse que eu era um punk velho e irritado – para mim tudo bem - alguns dizem que os músicos ou os artistas devem permanecer fora da política - eu não concordo. Tu escreves o que vês, o que sentes. Eu faço o mesmo. Porque não se pode? Ao mesmo tempo, um acorde acústico simples como em On It Happened On Willow Street, também pode expressar muito. É também uma canção sobre a mudança, a independência, olhar para a frente e ver algo positivo é possível. É muito pessoal. A evolução pessoal mantém-te em movimento, empurra-te, permite a mudança. Às vezes temos que gritar – outras vezes um murmúrio é suficiente. Não são mutuamente exclusivos, pelo menos acho que não.

Falando de músicos... trabalhas novamente com Ed Rawlings. Muito importante para a tua sonoridade?
Ed Rawlings é o melhor guitarrista com quem já toquei, ponto! Conhecemo-nos em 78 e tocamos juntos desde essa altura. Mas mais do que isso, ele lê-me como um livro. Provavelmente ele conhece-me melhor que ninguém. O produtor Michael Rosen também é alguém com quem não iria para estúdio sem ele. É fácil perder o caminho quando se grava - achas que sabes o que vais fazer, praticas como louco para aprender as músicas que escreveste, dentro e fora, entras em estúdio e tudo muda. Começas a duvidar de ti próprio, queres acrescentar mais coisas, queres umas gaitas de foles, queres um violoncelo, aceleras, abrandas e assim por diante. Michael diz "esse segundo verso é realmente coxo - podes reescrevê-lo. Agora.” Ou, "muitos versos! Conta a maldita história e sai." Ed também diz "esse arranjo soa como a última música - precisas adicionar isto, ou que achas disto." Portanto, a confiança no estúdio é muito importante para mim. Eu posso ser muito teimoso e gostar de seguir o meu caminho por isso Ed e Michael são extremamente úteis para me manter concentrado e autêntico.

Mas também tens alguns novos membros a trabalhar contigo. Podes apresenta-los?
Tive sorte neste disco. A sério! Para começar, Prairie Prince na bateria foi a máquina que dirigiu esta coisa. Baterista incrivelmente poderoso, mas ao mesmo tempo pode apresentar uma nuace muito doce – uma combinação que arrebentou comigo. Ele ouve, ele escuta as músicas... as letras e nunca tenta brincar. Foi um membro fundador do Tubes e toca com Todd Rundgren e muitas bandas locais. Sem egos - James DePrato, guitarrista e Kevin T White, baixista tocaram Chuck Profit's Mission Express e muitos artistas locais e europeus. Eles têm muito orgulho no seu trabalho – senti-me apoiado a 100% e foi uma grande experiência. Agora se alguém quiser avançar com dinheiro, seria um sonho ter estes gajos a tocar comigo na estrada. Bem, isto se me deixarem ir para a estrada com eles.

Como decorreram as sessões de gravação desta vez?
Rápidas! Gravamos a coisa inteira em duas sessões - 5 dias no total para as pistas básicas. Michael e eu passamos alguns dias com os vocais e, em seguida, fizemos alguns overdubs de guitarra/baixo - limpinho. Em seguida, misturamos e masterizamos a coisa - estar no estúdio com músicos experientes como Prairie, James e Kevin fez o processo parecer incrivelmente suave. Eu trabalharia com estes elementos novamente num piscar de olhos!

Pronto para ir para palco? O que tens agendado?
Nesta altura estamos a ensaiar com banda completa - eu estou sempre pronto para tocar - olhando para o final da Primavera e Verão. Poderei fazer alguns espetáculos acústicos a solo em março.

Obrigado Ray. As últimas palavras são tuas...
Apenas quero agradecer pela oportunidade de fazer chegar a música a um público mais amplo. Tens-me apoiado primeiro em Way Down Low e agora, Wounded Bird e não te posso agradecer o suficiente. O negócio da música é um negócio onde por vezes não é fácil navegar, mas fazemos o que fazemos e o apoio de pessoas como tu mantém-nos em movimento! Obrigado novamente!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Review: Demolition Derby (Bad Bones)

Demolition Derby (Bad Bones)
(2016, Sliptrick Records)
(5.7/6)

Ser nomeado pela Metal Hammer como melhor banda italiana de 2016, quererá dizer alguma coisa. Foi o que aconteceu aos Bad Bones que com Demolition Derby inscrevem, definitivamente, o seu nome entre os mais ilustres do género europeu. Bom, os Bad Bones já andam nisto desde 2007 e Demolition Derby é já o seu quarto álbum. Um álbum de hard ‘n’ heavy puro, sem devaneios desnecessários nem rodriguinhos esquisitos. Isto é hard rock como se fazia nos anos 80. O quarteto pega nas suas guitarras e simplesmente saca onze temas de bom catchy hard rock, bem ritmado. E é essa simplicidade que faz de Demolition Derby um disco que apete ouvir e simplesmente curtir. Ainda assim, a banda faz alguma coisa ao nível das estruturas e dos arranjos. Sim, aqui e ali surgem uma guitarra bluesy ou uma slide guitar. Mas, no fundo, não se preocupam com ser experimentais nem inovadores. Nem precisam, porque o que fazem é o que os fãs do hard rock pedem – que rockem, que se divirtam e os divirtam, que soltem a música para a música os soltar. E isso está tudo em Demolition Derby, por mais que se diga que o boom deste género tenha sido há mais de trinta anos. E isso, efetivamente pouco importa quando se trata de boa música.

Tracklist:
1.      Me Against Myself
2.      Endless Road
3.      Some Kind Of Blues
4.      Stronger
5.      Rambling Heart
6.      Rusty Broken Song
7.      Red Sun
8.      A Perfect Alibi
9.      Shoot You Down
10.  The Race
11.  Demolition Derby

Line-up:
Max Malmerenda – vocais
Sergio Aschieris – guitarras
Steve Balocco – baixo
Lele Balocco - bateria

Internet:
Facebook   
Youtube   

Edição: Sliptrick Records