quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Review: Haven Denied (Haven Denied)


Ouvir Haven Denied, o álbum, é uma das mais excitantes e emocionantes experiências sonoras que há memória no que diz respeito a estreias nacionais. Os bracarenses conhecem na perfeição a sua enorme capacidade técnica, sabem bem os terrenos que pisam e não tem qualquer problema em explorar novas sonoridades. Depois de uma breve introdução (The Escape) com um cariz sinfónico que os colocaria, eventualmente, próximo de uns Therion, mas com uma carga de suspense que mais parece retirada de um thriller, segue-se Sacred Words e aqui começa, verdadeiramente, uma alucinante viagem ao mundo da qualidade e da classe. Os vocais, bem graves, são, à primeira vista algo estranhos. Aquela sensação do primeiro estranha-se e depois entranha-se. Percebem? É que passados alguns minutos já estamos tão viciados na voz de Luís Cerqueira que já não se quer outra coisa. Mas este tema de abertura serve, também, para localizar toda a destreza técnica do colectivo, com toques progressivos e um soberbo solo de guitarra com um cheiro arábico. Depois inicia-se aquela que será, porventura, a melhor série não só do álbum, mas de muitos anos do metal nacional. Knight, Jesus Child e Therina têm tudo para colocar os Haven Denied no topo do mundo (editoras, andam a dormir?). Deliciosas melodias, ora de telados, ora de violinos, ora de guitarra, ora vocais transportam o ouvinte para uma dimensão raramente vista no nosso país. E atenção porque aqui se fala de melodias principais e, capacidade fantástica do quinteto na criação de arranjos, de melodias associadas à criação de segundas vozes. Simplesmente genial. E se Knight nos transporta numa viagem guerreira, ao estilo de Turisas, Jesus Child surpreende por uma dinâmica fantástica, plena de crescendos e diminuendos, quebras, paragens, arranques, travagens e acelarações. E Therina? Pois, não deve haver ninguém com um coração a bater dentro do seu peito que não se emocione com o tema! O épico Haven’t e Misery continuam a demonstração de fulgor com a inclusão de coros e de uma assinalável componente sinfónica. Até ao final, tempo, ainda, para uma incursão no industrial em You Are What You Give e uma fantástica balada com a voz feminina e o piano a criarem paisagens sonoras magnificas (em Coldest Rain). A questão que se coloca é: se a estreia demonstra todos estes predicados, o que virá aí a seguir? A finalizar, uma palavra para as convidadas, que neste caso, são, realmente, uma mais valia: Catarina Caldas nas vozes e Joana Gonçalves no violino ajudam a a tornar mais emocionante esta aventura.

Lineup: Luis Cerqueira (Vocais), Ricardo Caldas (bateria), Ricardo Cotrim (teclados), Henrique Pinto (guitarra), Simão Vilaverde (baixo)

Website: http://www.havendenied.com/

Tracklisting:
The Escape (intro)
Sacred Words
Knight
Jesus Child
Therina
Haven’t
Misery
You Are What You Give
Coldest Rain
Auguries Of Innocense
The Lord Of His Own Destiny

Nota VN: 17,67 (1º)

Review: Continua a Acreditar (Last Hope)


Quinze anos de existência, cinco trabalhos já editados, dos quais dois em formato álbum, um curriculum invejável nos meandros do Hardcore. Assim, de forma, simplista, se pode descrever este quinteto oriundo de Almada. E após 15 anos, eis que surge a primeira gravação em português. E o que esperar? Hardcore, claro está ao mais perfeito estilo definido pelo movimento. São dezassete temas curtos, rápidos, directos, incisivos. Com alguns solos (de excelente recorte técnico) pelo meio, o colectivo baseia a sua prestação na força e velocidade das guitarras. Cantando sempre de forma limpa, Marco Dilone, assume-se como um dos mais competentes vocalista do género optando por uma postura, por vezes mais cantada e menos berrada como é o caso de Herói Perdido, o melhor tema do álbum (conjuntamente com a faixa que dá nome ao trabalho) onde por momentos parece que estamos a ouvir Xutos & Pontapés dos primórdios. Depois há uma costela hip-hop (em Sentindo o Futuro) e muita revolta. Uma premissa habitual neste tipo de sonoridade que aqui é muito bem tratada. Em Já Sangrei, chegamos a ouvir já sangrei mas não me calarei e em Sentindo o Futuro volta a temática da rebelião. Um destaque especial para o verdadeiro manifesto social do Portugal real que é Campos Dourados. E que nos toca a nós, Via Nocturna porque também somos deste interior esquecido e ostracizado.

Lineup: Marco Dilone (voz), Paulo Ventura (guitarra), Ricardo Fonseca (guitarra), Guilherme Simões (bateria) e João Cláudio (baixo)

Website: http://www.lasthope.biz/

Tracklisting:
Estás Acabado!
Algo que Cresce
A Minha Pura Lealdade
Já Sangrei
Sul ou Norte
Só Agora Sei Quem Sou
Sentindo o Futuro
Não te Vou Mais Julgar
Amigo Passado
Agora é a Doer
Herói perdido
Espelho da Realidade
Campos Dourados
Nossa Culpa
Juventude Mórbida
A tua Dor, o Meu Desprezo
Continuar a Acreditar

Nota VN: 13,67 (18º)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Review: My Winter Storm (Tarja)


Ora aí está o primeiro trabalho a sério de Tarja Turunen após o seu afastamento dos Nightwish. E dizemos a sério, porque a soprano já havia editado, em 2004, dois singles e um EP com canções de Natal, proeza que repetiu no Natal do ano transacto com o lançamento do álbum Henkays Ikusuudesta. Foram, no total, quatro gravações, três delas ainda como vocalista dos mestres finlandeses e a última já como despedida, sendo que todos estes lançamentos incluíam apenas versões. Por isso, esta era a prova de fogo para aquela que é considerada (inclusive por nós) como a melhor vocalista de metal da actualidade. E para a sua prova de fogo, a soprano finlandesa escolheu o mesmo campo onde tem sido rainha nos últimos anos: o campo dos Nightwish. Aliás, é inevitável a comparação dos dois trabalhos das duas bandas: My Winter Storm e Dark Passion Play. E as semelhanças são tantas que até aqui encontramos um Oasis em resposta ao Sahara dos Nightwish. E o que se pode dizer dessa comparação é que à primeira vista se verifica um empate técnico. Em alguns pontos Tarja supera Nightwish, noutros os segundos superam a primeira. Ora vejamos cada um de per si: em termos vocais, My Winter Storm está claramente à frente de Dark Passion Play porque, quer se queira quer não, Annete Olzon está a anos-luz da sua antecessora. E Tarja volta a demonstrar (se é que era preciso!) que se trata de uma vocalista perfeita em qualquer sub-género. Seja no metal, seja no gótico, seja na ópera, a sua prestação é simplesmente soberba. No campo orquestral, de facto My Winter Storm presenteia-nos com um trabalho portentoso mas que se pode considerar equiparado ao do trabalho da antiga banda da vocalista. Ora, onde este trabalho perde é mesmo na qualidade dos temas. De um modo geral são agradáveis mas falta aquele toque de Midas que só um génio como Tuomas Holopainen consegue dar. E este génio já cá não está. Além disso alguns interlúdios desnecessários e uma perfeitamente dispensável (independentemente do soberbo solo de violoncelo) versão de Poison (de Alice Cooper) acabam por contribuir para a baixa da classificação. Ainda assim, temas como I Walk Alone, The Reign, Die Alive, Oasis ou Minor Heaven ficarão, certamente, como dos melhores do ano. Mas considerando este último item como o mais importante dos três avaliados, conclui-se que no prolongamento, o empata referido transforma-se em derrota de Tarja Turunen que assim perde o primeiro round com a sua ex-banda.

Line-up: Tarja Turunen (vocais), Doug Wimbish (baixo), Alex Scholpp (guitarra), Mike Terrana (bateria), Maria Ilmoniemi (teclados), Max Slija (violoncelo), Markus Hohti (violoncelo), Toni Turunen (guitarra)


Website: http://www.tarjaturunen.com/


Tracklisting:
01.Ite, missa est
02.I Walk Alone
03.Lost Northern Star
04.Seeking for The Reign
05.The Reign
06.The escape of the Doll
07.My Little Phoenix
08. Die Alive
09.Boy and the ghost
10.Sing for me
11.Oasis
12.Poison (Alice Cooper Cover)
13.Our Great Divide
14.Sunset
15.Damned and Divine
16.Ciaran’s Well
17.Minor Heaven
18.Calling Grace
19.Damned Vampire & Gothic Divine (Bonus)
20.I Walk Alone (Artist Version, Bonus)
21.I Walk Alone (In Extremo Remix, Bonus)


Edição: Universal Music (www.universal-music.de/inhalt/musik/)

Nota VN: 16,83 (20º)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Review: Rapid Eye Movement (Riverside)


Se há dois anos atrás Second Life Syndrome, o segundo trabalho destes polacos, nos havia revelado uma banda de inegável classe, a confirmação surge nesta terceira pérola da carreira dos Riverside. O álbum encontra-se dividido em duas partes, Fearless e Fearland, nas quais o quarteto desenvolve a sua maturidade sem nunca esquecer e deixando sempre bem presente as suas principais influências. E se em Beyond The Eyelids nos pode indicar uma tendência progressiva mais próxima de uns Dream Theater pelas superiores dinâmicas de bateria e teclados, aos poucos a costela melancólica de uns Anathema ou Opeth acaba por vir ao de cima. Estranhamente, há outros sons conhecidos no meio do álbum. Por exemplo Rainbow Box parece saída directamente de Seattle, numa cena post-grunge, tais as semelhanças com Alice In Chains, enquanto que Schizophrenic Prayer, uma das melhores composições do álbum, apresenta aqueles pormenores de guitarra que só os Amorphis sabem fazer. Todavia, a sua principal referência ainda não foi citada: Porcupine Tree. Bom, então estes senhores polacos pouco ou nada apresentam de originalidade? Também não será essa uma leitura muito correcta. O que eles fazem, realmente, é conseguir apanhar cada pormenor interessante do que quer que seja e misturá-lo de forma a ser… Riverside! A segunda parte do trabalho inicia-se de forma um pouco mais melancólica e introspectiva com dois temas acústicos (Through The Other Side e Embryonic) para depois se ir elevando em intensidade até fechar o álbum de forma grandiosa com o épico Ultimate Trip.


Lineup: Mariusz Duda (vocais, baixo, guitarra acústica), Piotr Grudzinski (guitarras), Piotr Kozieradzki (bateria), Michal Lapaj (teclados)

Website: http://www.riverside.art.pl/

Tracklisting:
Beyond The Eyelids
Rainbow Box
02 Panic Room
Schizophrenic Prayer
Parasomnia
Through The Other Side
Embryonic
Cibernetic Pillow
Ultimate Trip

Edição: InsideOut (http://www.insideout.de/)

Nota VN: 16,83 (19º)

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Review: Lost In Space (Parts I & II) (Avantasia)




As duas partes de Lost In Space, dois EP’s, servem como aperitivo para o álbum que só deverá chegar aos escaparates em Janeiro e que se deverá chamar The Scarecrow. Será o terceiro álbum de originais de Avantasia a ópera metal que Tobias Sammet, vocalista dos Edguy, começou a conceber no início do novo milénio. Foi em 2001 que a primeira parte de A Metal Opera surgiu, seguida da segunda um ano volvido. Ou seja, vai para cinco anos que os Avantasianos estão em hibernação. A primeira encarnação de Avantasia foi, de facto, muito boa, sobretudo a primeira parte. Agora a questão que se coloca é se vai ou não Tobias Sammet continuar a saga das óperas de/em metal. Pela análise dos temas incluídos neste EP’s, cuja análise se faz em conjunto por uma questão de operacionalidade, parece que não. Mas, acontece que nenhum dos temas agora apresentados (com excepção de Lost In Space e Another Angel Down) fará parte do álbum. Bom, então restará ao germânico o aproveitamento de temas que, aparentemente, não caberão em Edguy. E isto até uma boa noticia pois está provado que na hora de escrever, o Sr. Sammet consegue melhores performances para os Avantasia que propriamente para o seu grupo principal, chamemos-lhe assim. Temas como Breaking Away, Reach Out For The Light ou Chalice Of Agony estão entre os melhores já escritos por ele. Curiosamente, o mesmo se verifica nestes EP’s. Lost In Space, In My Defense, Another Angel Down ou The Story Ain’t Over estão melhores que os melhores momentos de Edguy. E porque? Porque tem aquela áurea de power metal que já não se ouvia desde os saudosos melhores tempos de Helloween. Poder, rapidez vs. groove, melodia, excelentes vocalizações, arranjos perfeitos, grandes solos, em suma, grandes canções! Este é, de facto, um (ou dois) trabalhos feitos à medida dos amantes deste tipo de sonoridade. Finalmente uma palavra para a participação vocal dos convidados que deve ser realçada pelo excelente desempenho de todos eles, com especial realce para o dueto entre Bob Catley e Amanda Sommerville (uma habituée nestas coisas).



Website: http://www.tobiassammet.com/


Tracklisting:



Lost In Space Part I

1. Lost In Space
2. Lay All Your Love On Me
3. Another Angel Down (feat. Jorn Lande)
4. The Story Ain't Over (feat. Bob Catley & Amanda Somerville)
5. Return To Avantasia
6. Ride The Sky (feat. Eric Singer on vocals)

Lost In Space Part 2

1. Lost In Space
2. Promised Land
3. Dancing With Tears In My Eyes
4. Scary Eyes
5. In My Defense

Edição: Nuclear Blast (http://www.nuclearblast.de/)

Nota VN: 16,33 (30º)

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Review: Sweet Dark Love (Secrecy)


Os Secrecy são uma banda oriunda da cidade de Valongo e que já anda nestas andanças desde 2001, tendo neste período feito inúmeras aparições ao vivo, gravado temas em diversas compilações e editado, dois singles e um álbum, Beneath The Lies, em 2004. Agora publicam o EP Sweet Dark Love, um conjunto de cinco temas de metal gótico, em que cada canção tem um feeling muito próprio. À boa maneira finlandesa (nomes como HIM ou The 69 Eyes, vêm frequentemente à memória) são temas com uma boa dose de carga emocional, sentidos, sofridos e vividos. Com o know-how adquirido neste últimos anos, os Secrecy conseguem apresentar um trabalho forte, coeso, com ritmos muito catchy , refrões orelhudos e excelentes solos de guitarra que tornam a sua audição bastante simples e atractiva. A juntar a toda a tendência gótica que os caracteriza, os valonguenses conseguem imprimir uma toada rock’n’roll acentuada, fazendo com que os temas não se tornem tão negros como é habitual no género e ganhem uma energia extra. Aliás, em Midnight Girl, o registo de Miguel Ribeiro chega a colar-se a Elvis Presley! Ainda assim há algumas arestas que poderiam ser limadas. Parece-nos que a banda precisa fazer crescer mais os temas em corpo, em estrutura e em tempo. Em média, cada tema pouco passa dos três minutos que, aparentemente serve para lá colocar tudo, mas acreditamos que o colectivo tem capacidade para se reinventar e colocar ainda algo mais.

Line Up: Miguel Ribeiro (voz), Pedro Paiva (guitarra solo), Ricardo (guitarra ritmo), Rogério (baixo), Nuno Gama (bateria)

Website: http://www.secrecy.web.pt/

Tracklisting:
1-Last Embrace
2-Sweet Dark Love
3-Shadows Call
4-Midnight Girl
5-Wish

Nota VN: 15,17 (4º)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Review: Dawn On Pyther (Project: Creation)


Hugo Flores bem podia ser considerado o Arjen Lucassem português. Ambos são multi-instrumentistas, ambos navegam nos mares do progressivo, ambos se envolvem em diversos projectos, ambos criam obras complexas com a temática, muitas vezes, do espaço e da ficção científica, ambos convidam montes de gente para consigo compartilharem, em termos de gravação, as suas ideias. E, finalmente mas não menos importante, ambos tem imensa classe e qualidade. Dawn On Pyther é o segundo trabalho de Hugo Flores com os seus Project: Creation, depois do excelente Floating World e segue os mesmos passos do seu antecessor. O seu metal progressivo ganha amplitude e emotividade quando conta com quatro vocalista de grande calibre (Linx, que já deixou os Forgotten Suns, Paulo Pacheco, Zara Quiroga e Alda Reis) e quando consegue de forma perfeitamente natural introduzir elementos nada usuais no metal como sejam os casos da flauta e do saxofone (a cargo de Paulo Chagas e Fred Lessing, este no caso das primeiras). Hugo Flores demonstra ter muitas ideias e para isso precisa que os temas se alonguem para que as consiga explorar. Problemas? Nenhum. As composições flúem de forma espontânea e natural alternando momentos mais progressivos e pesados com outros mais atmosférico-espacias. Mas por outro lado, com tantas ideias a explorar há diversas coisas a acontecer ao mesmo tempo nas músicas dos Project: Creation o que ajuda a criar uma densidade sonora assinalável mas que por vezes é contraproducente porque se gera alguma confusão sonora. Ainda assim, um trabalho de eleição que não se esgota nas primeiras audições e que promete ficar para a posteridade obrigando a ir buscar a rodelazita diversas vezes à prateleira.

Lineup: Hugo Flores (Vocais, guitarra, baixo, sintetizadores, citara), Linx (Vocais), Zara Quiroga (vocais), Paulo Pacheco (vocais), Alda Reis (vocais), Vasco Patrício (guitarra), Davis Raborn (bateria), Paulo Chagas (saxofone, flauta, ocarina), Fred Lessing (flauta, guitarra clássica e de 12 cordas), Shawn Gordon (sintetizadores)

Website: http://www.sonicpulsar.com/

Tracklisting:
1. The Dawn on Phyter (9:58)
2. Flying Thoughts (9:27)
3. I Am (7:15)
4. Dragonfly Garden (6:44)
5. The Voice of Cheops (9:51)
6. Intermission (1:57)
7. Sons of the Stars (6:11)
8. Growing Feeling (8:54)
9. Voyage of the Dragonfly (9:46)
10. The Dusk on Pyther (6:05)

Edição: ProgRock (http://www.progarchives.com/)

Nota VN: 16,67 (1º)

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Review: The Silhouette (Ava Inferi)


Com uma regularidade não muito habitual entre colectivos nacionais, os Ava Inferi apresentam-nos o seu segundo álbum em dois anos consecutivos. The Silhouette vê a luz do dia (ou da noite!) um ano após a edição da tão competente quanto incompreendida estreia, Burdens. O guitarrista que outrora espalhou maldade pelo mundo nos seus Mayhem, deve ter gostado do sol português e por cá ficou acompanhado de outros excelentes instrumentistas e de uma superior vocalista, Cármen Simões, claramente de nível internacional. E o que se pode dizer desta segunda proposta é que quem achou interessante a primeira também vai achar esta; quem não compreendeu Burdens, também dificilmente compreenderá The Silhouette. Há muita semelhança entre os dois álbuns. São ambos muito suaves e simultaneamente muito densos como se de um thriller emocional se tratasse. E é de emoções que se fala nesta silhueta. Desde o início com A Dança das Ondas, cantada na nossa língua, somos levados para pensamentos muito longínquos: Fernando Pessoa e a relação malfadada do nosso povo com o mar! E fado! Também há fado na voz de Cármen. E também há fado na guitarra de Rune Eriksen. Fado no sentido de perda, de tristeza, de mágoa. O instrumental é claramente muito cinzento. Resta a voz para pintar alguns tons diferentes. Não garridos mas sofridos. Alternando uma voz quente e sensual nos graves para um registo frio, imperturbável e tecnicamente perfeito nos tons mais agudos, é ela quem guia o ouvinte ao longo desse misterioso caminho que desemboca em Pulse Of The Earth. Com apontamentos doom metal efectuados como manda a boa tradição misturados com outros mais étnicos e/ou góticos, The Silhouette vai deslizando suavemente pelos nossos ouvidos de forma clara e concisa. Destaque para as já citadas A Dança das Ondas e Pulse Of The Earth bem como para The Abandoned e La Stanza Nera num colectivo que, à semelhança do que havia acontecido na estreia, ainda apresenta dificuldades em criar um álbum homogéneo. De facto, o calcanhar de Aquiles destes almadenses situa-se na monotonia e pouca diversidade/variedade que imprimem em alguns temas, o que faz com que se criem alguns pontos mortos espalhados pelo trabalho.



Lineup: Carmen Simões (vocais), Rune Eriksen (guitarra), Jaime Ferreira (baixo), João Samora (bateria)

Website: http://www.ava-inferi.com/

Tracklisting:
1 A Dança das Ondas
2 Viola
3 The Abandoned
4 Oathbound
5 The Dual Keys
6 Wonders Of Dusk
7 La Stanza Nera
8 Grin Of Winter
9 Pulse Of The Earth

Edição: Season Of Mist (http://www.season-of-mist.com/)


Nota VN: 15,83 (2º)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Review: E Se Depois... - Tributo a Mão Morta (V/A)


Se há banda que marque de forma indelével o panorama musical nacional, essa banda são os Mão Morta. Seja pela sua distorcida visão de temas banais, seja pela tipicidade dos seus arranjos, seja pela unicidade dos conteúdos líricos, os bracarenses reúnem uma consensualidade impar, conseguindo agradar aos fãs das mais variadas vertentes musicais. A mais que merecida homenagem chega, em forma de tributo, pelas mãos da Raging Planet que conseguiu reunir dezasseis nomes do actual panorama rockeiro nacional para interpretaram, de acordo com as suas visões, outros tantos temas. E nestas coisas de tributos, versões e afins há dois vectores importantíssimos para a definição dos parâmetros de qualidade. Em primeiro lugar o valor dos temas originais e em segundo a maior ou menor validade das novas roupagens dadas a esses temas. Neste caso em particular pode dizer-se que matéria-prima havia em quantidade e qualidade já que os temas escolhidos dispensam qualquer tipo de apresentação. Quanto às versões… poderíamos dividir o álbum em duas divisões: a super liga que inclui os primeiros dez temas e a liga de honra que inclui os restantes seis, sendo que a diferença de qualidade acaba por ser gritante entre as duas partes do álbum. Nessa primeira parte os destaques vão para os WrayGunn e CineMuerte, seguidos das interpretações dos Houdini Blues, The Temple e f.e.v.e.r.. Estes cinco nomes citados (principalmente eles!) conseguiram vestir os temas de uma forma que não soam a cópia dos originais e, ainda por cima, lhes adicionaram uma dose extra de poder e energia. Da segunda parte, pela negativa ressaltam os D’Evil Leech Project, Acromaníacos, Mécanosphère e TwentyInchBurial, bandas que, se conseguiram afastar dos originais, é certo, mas que não conseguiram imprimir, eles próprios, diversidade, personalidade ou envolvência. Ainda assim, uma boa colecção que homenageia de forma séria, honesta e sentida uma das mais carismáticas bandas do panorama nacional.

Tracklisting:
Aum (Dead Combo)
E Se Depois (WrayGunn)
Chabala (CineMuerte)
Anjos Marotos/Marraquexe (Pç. Das Moscas Mortas) (Dr. Frankenstein)
Budapeste (Sempre a Rock & Rollar) (The Temple)
As tetas da Alienação (Bunnyranch)
Oub’lá (Balla)
E Um Jogo (Volstad)
Charles Manson (Houdini Blues)
Vamos Fugir (F.E.V.E.R.)
Cão da Morte (D’Evil Leech Project)
Bófia (The Ultimate Architects)
Revi a Malvada Prima (Acromaníacos)
Anarquista Duval (Demon Dagger)
Istambul (Um Grito) (Mécanosphère)
Em Directo (Para a Teelvisão) (TwentyInchBurial)

Edição: Raging Planet (http://www.ragingplanet.web.pt/)


Nota VN: 14,83 (7º)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Review: Air (Agua de Annique)


Atendendo ao seu nome e dando uma vista de olhos pela sua efeminada página web, em tons de rosa, dificilmente prestaremos atenção a este colectivo. Mas se vos for dito que o cérebro genial pensante por detrás desta água se chama Anneke Van Giersbergen, uma das mais fantástica vozes do panorama internacional que até há pouco tempo era vocalista dos The Gathering, onde durante anos ajudou o colectivo a guindar-se a patamares de qualidade superior só atingível por predestinados, então o caso muda de figura. Claro que Air não é um álbum de metal na verdadeira acepção da palavra, apesar de, pontualmente, aparecerem algumas guitarras bem metalizadas. Esta é, de facto, uma proposta assente em grandes canções emotivas, sentidas, densas, envolventes, intimistas e introspectivas. Isto sem esquecer alguns apontamentos minimalistas/experimentalistas. Nada de anormal, portanto, se levarmos em linha de conta o trajecto e os últimos trabalhos da sua banda de origem. E quando ao sexto tema ouvimos please, take care of me, já nessa altura nos temos apercebido que essas palavras são meramente poética, pois, de facto, Anneke van Giersbergen, apresenta-nos nesta sua estreia em nome (quase) individual um trabalho a roçar a perfeição que pouco ou nada precisa de alguém para dele cuidar, pois impõe-se por si próprio graças à sua qualidade intrínseca. Dançando entre momentos mais densos e hipnóticos (como em Beautiful One ou Trail Of Grief), outros mais heavy (Ice Water ou You Are Nice) e outros mais intimistas (Yalin, Come Wander ou Asleep), o colectivo holandês prima por um extremo bom gosto na criação dos temas. Se no capítulo vocal não se esperariam grandes surpresas atendendo à grande capacidade de Anneke (neste registo pura e simplesmente perfeita!), já no capítulo da composição era aguardado com enorme expectativa para aferir da sua capacidade. E bastam os dois/três primeiros temas para se aperceber que, até neste ponto, a holandesa assina com letras de ouro. Os destaques vão para Beautiful One, Day After Yesterday, Trail Of Grief e Sunken Soldiers, esta última com uma secção de metais capaz de provocar arrepios. Air poderá não ser o melhor álbum de metal do ano, mas será, seguramente, o mais belo.


Lineup : Anneke Van Giersbergen (Vocais/piano), Joris Dirks (Guitarra/vocais), Jacques de Haard (Baixo), Rob Snijders (Bateria)

Website : http://www.aguadeannique.com/

Tracklisting:
Beautiful One
Witnesses
Yalin
Day After Yesterday
My Girl
Take Care Of Me
Ice Water
You Are Nice
Trail Of Grief
Come Wander
Sunken Soldiers
Lost And Found
Asleep

Edição: The End Records (http://www.theendrecords.com/)

Nota VN: 18,33 (6º)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Review: Heavy Lies The Crown (Full Blown Chaos)


E que dizer de mais um colectivo que mistura metal com hardcore? Pois bem, seguramente que já não é necessário. Talvez não seja. Mas estes rapazes merecem uma oportunidade até pelo facto de no seu metalcore incluírem muito thrash metal old school. Nomes como Slayer, Sepultura ou mesmo Kreator vêm-nos frequentemente à ideia. Mas o principal será mesmo Pantera pela similaridade da voz de Ray Mazzola e Phil Anselmo. Da parte do hardcore, a escola nova-iorquina está bastante presente, sendo que nomes como Agnostic Front ou Hatebreed estão, também, reflectidos na música dos Full Blown Chaos (FBC). Como se vê, originalidade não é o forte deste quarteto. Mas vão compensando com uma dose de temas bem musculados, coesos e com agressividade suficiente para manter agarrado qualquer fã dos dois sub-géneros. E isto porque? Porque, aqui e acolá, os FBC vão incorporando nas suas composições algum groove, alguma harmonia nas guitarras e até um solo à lá Slayer (da fase Reign In Blood), curto e dilacerante surge à terceira faixa, Halos For Heroes. Num trabalho forte, pesado, não demasiado rápido, sem concessões nem momentos de tréguas, o único momento calmo surge apenas no penúltimo tema, Mojave Red Pt. 1, um instrumental de grande classe, onde os FBC mostram alguns atributos técnicos até essa altura se julgavam ausentes.


Lineup: Ray Mazzola (vocais), Mike Facci (guitarra), Jeff Facci (bateria), Mike Ruehle (baixo)



Tracklisting:
Firefight
The Hard Goodbye
Halos For Heroes
Fail Like A Champ
Heavy Lies The Crown
Over The End
No Last Call
All For Nothing
Raise Hell
Standpoint
Mojave Red Pt. 1
Mojave Red. Pt. 2


Edição: Ferret Music (http://www.ferretstyle.com/ )

Nota VN: 10,50 (154º)

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Review: His Last Walk (Blessthefall)


Norte americanos, jovens, com um nome já relativamente estabelecido nos EUA onda já compartilharam o palco com nomes como Norma Jean, Between The Buried And Me ou Misery Slaves, e assumindo, claramente, que as suas influência navegam entre Alexis On Fire, Underoath ou As I Lay Dying, os Blessthefall apresentam-nos o seu primeiro álbum depois de um EP homónimo editado em 2005. His Last Walk mostra-nos como é possível fazer metal actual, agressivo, pleno de técnica e com diversidade qb. De facto o quinteto do Arizona prima por uma abordagem aos seus temas que partindo, eventualmente, de uma base de heavy metal tradicional (ouça-se Rise Up ou Wait For Tomorrow), se encaminha para algo que poder-se-ia chamar de post-hardcore. Com uma base rítmica muito dinâmica em que as harmonias criadas pelas guitarras se realçam, os Blessthefall, não tem qualquer problema em alterar ritmos, alterar ambiências ou em alterar instrumentos, recorrendo a guitarras acústicas ou pianos ou criando atmosferas psicadélicas com igual intensidade. A já citada Rise Up e Pray serão talvez os melhores exemplos da capacidade de construir canções verdadeiras envoltas em melodias simples mas agradáveis e vestidas por arranjos algo complexos, situação pouco usual neste tipo de sonoridade. A destoar, só mesmo a parte vocal, nomeadamente no sector limpo onde se nota ainda alguma infantilidade não atingindo, neste particular, a qualidade que a generalidade do trabalho apresenta.


Line Up: Craig Nabbit (vocais), Eric Lambert (guitarra), Mike Frisby (guitarra), Jared Warth (baixo), Matt Traynor (bateria)



Tracklisting:
A Message To The Unknown
Gyus Like You Make Us Look Bad
Higinia
Could Tell A Love
Rise Up
Times Like These
Pray
Eyes Wide Shut
Wait For Tomorrow
Black Rose Dying
His Last Walk

Edição: Science/Ferret Music (www.ferretstyle.com)

Nota VN: 15,33 (68º)

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Review: Gambling With The Devil (Helloween)



Markus Grosskopf e Michael Weikath são os únicos dois sobreviventes da lendária banda que lançou míticos álbuns como Walls Of Jericho ou as duas partes de Keeper Of The Seven Keys em finais dos anos 80 do século passado. Longe vão, pois, os tempos áureos de uma das bandas mais importantes do speed/power metal. As sucessivas alterações de formação terão estado na origem dos altos e baixos que a carreira dos Helloween tem sofrido ao longo do tempo. Neste seu regresso em 2007, as abóboras parecem querer recuperar o seu estatuto e a sua sonoridade. A tentativa falhada de Keeper Of The Seven Keys-The Legacy ou álbuns pouco convicentes como The Dark Ride ou Pink Bubbles Go Ape ou Master Of The Rings fazem com que os Helloween sejam... o Belenenses da música! E, de facto, um dos grandes mas graças à sua história. Todavia, não parece ainda ser em Gambling With The Devil que os germânicos criam um álbum à altura das exigências dos fãs. Claro que não se pode estar à espera que os Helloween fiquem toda a vida a fazer álbuns como os citados no início da crónica. Já lá vão cerca de 20 anos e muita coisa mudou na música, nos fãs e, obviamente, na própria banda. Mas é precisamente neste ponto que começa por falhar a proposta (ou as últimas propostas) do colectivo: o compromisso entra a velha forma de ser Helloween e a tentativa de introduzir novos elementos não tem resultado. E volta a não resultar, apesar da evidente melhoria em relação ao seu antecessor. Dos onze temas (exclui-se a introdução) de Gambling With The Devil nem metade é digna do legado Helloween. E o álbum nem começa mal: Kill It é um tema forte, gritado, utilizando, pontualmente, vocais sujos criando a ilusão de umas abóboras mais fortes que nunca; de seguida, The Saints poderia perfeitamente estar em Helloween ou Walls Of Jericho pela combinação de velocidade supersónica, longos e técnicos solos e melodia fantástica. Mas, a partir daí surge-nos um rol de banalidades, de temas não mais que interessantes, com excepção de algumas malhas à lá Helloween como Final Fortune, Dreambound ou Heavens Tells No Lies e por solos (aqui sim!) de grande qualidade. De realçar, também, que a qualidade do trabalho é prejudicada por uma produção deficitária onde os vocais estão muito baixo em relação aos restantes instrumentos, perdendo-se alguma compreensão das linhas melódicas vocais. Por outro lado, existe muito ruído impedindo uma boa percepção de todo o trabalho instrumental.


Nota VN: 15,67 (49º)

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Review: The Butcher's Ballroom (Diablo Swing Orchestra)


Que dizer de um grupo que inclui na sua formação um violoncelista e uma soprano? Pois bem, que, muito provavelmente andarão próximo do metal sinfónico. Nem mais! Os suecos Diablo Swing Orchestra são descendentes (??) de elementos de uma orquestra que há cinco séculos atrás foram assassinados e, eventualmente, encontraram uns escritos que os levaram a formar este colectivo. Independentemente de parecer (e, muito provavelmente, ser) uma história de encantar, o que é certo é que The Butcher’s Ballroom, tem tudo para se transformar numa das melhores estreias do ano. Claramente aconselhados para fãs de Therion ou de Haggard, muito por força da potente capacidade operática da soprano Annlouice Loegdlund mas também por alguns fabulosos arranjos para cordas (em temas como Heroines, por exemplo). Aliás, diga-se que grande parte da imponência deste material resulta da superior capacidade vocal da Sra. Loegdlung, detentora de um verdadeiro vozeirão, atingindo registos quase inimagináveis. De resto, ao longo do álbum o metal vai eliminando barreiras com qualquer coisa que seja música: big bands, mariachis, jazz, flamenco, passo doble, de tudo se pode aqui ouvir, num catálogo impressionante de diversidade, criatividade e variedade. Depois, o colectivo mostra-se muito certinho e consciente do que fazer. Não alinhando em grandes devaneios técnicos, os temas valem, essencialmente, pela composição, arranjos e pela já citada prestação vocal. Ballrog Boogie, com uma espectacular secção de metais, a delirantemente dançável Wedding March For A Bullet, com o melhor desempenho de Loegdlund ou Porcelain Judas nas suas influências orientais são alguns dos melhores exemplos de um álbum divertido, criativo e sóbrio que coloca, para já, os Diablo Swing Orchestra num patamar de destaque no que diz respeito ao metal sinfónico.


Nota VN: 17,33 (13º)

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Review: The Divine Conspiracy (Epica)


Quando há cerca de cinco anos Mark Jansen abandonou os After Forever após a edição de duas obras-primas, Prison Of Desire e Decipher, muita gente terá posto em causa a sanidade mental do vocalista/guitarrista. Agora, o tempo parece dar razão ao Sr. Jansen. Desde 2003 que as duas bandas têm trilhado um percurso deveras semelhante: ambas lançaram dois álbuns e um não-álbum (o EP Exordium no caso dos After Forever, a banda sonora The Score, no caso dos Epica), e ambas entram em 2007 com a mudança da Trasmission para a Nuclear Blast e com novo álbum em mãos. E o que se pode dizer é que os Epica ganham, claramente, por 3-1, só perdendo no caso dos não-álbuns! Ou seja, Mark Jansen parecia adivinhar o que ia acontecer. Ou então a sua influência era tanta que a sua banda inicial não aguentou a sua ausência. Tudo isto para dizer que, de facto, os Epica voltam a superar os After Forever (grupo) e The Divine Conspiracy é mais valioso que After Forever (álbum). Todos os argumentos que fizeram de The Phantom Agony e Consign To Oblivion marcas de glória de um género, claramente em saturação, voltam a estar presentes. Os Epica misturam como ninguém partes orquestrais, coros, metal gótico, metal progressivo, sublimes vocais femininos, agonizantes vocais masculinos escapando incólumes à tal saturação a que se fazia referência. Índigo, a curta e fabulosa introdução dá o mote para setenta e cinco minutos de música ora poderosa ora calma, ora liderada pelos grunhidos de Mark Jansen, ora adocicada pela subtil melodia de Simone Simons, ora guindada a um patamar inimaginável por coros majestosos. Se se quiser procurar um ponto de comparação, pode afirmar-se que The Divine Conspiracy estará mais próximo de The Phantom Agony pela potência imprimida pelas guitarras e pela bateria e pelo desempenho em grande escala de Jansen, ao contrário do que acontecia em Consign To Oblivion onde os temas eram mais melódicos e onde as despesas das vocalizações estavam quase todas concentradas em Simone Simons. De resto, volta a saga The Embrace That Smothers, com mais três partes (já a 7ª, 8ª e 9ª) que havia começado ainda no tempo dos After Forever com o prólogo e as primeiras três partes a poderem ser ouvidas em Prison Of Desire.


Nota VN: 17,67 (10º)

Review: Dark Passion Play (Nightwish)


A perda de uma vocalista é sempre um dos momentos mais marcantes de qualquer banda. E quando essa vocalista possui a qualidade e carisma de Tarja Turunen, tudo fica um pouco mais complexo. Após um longo período de procura de uma substituta para lugar deixado vago pelo despedimento de Tarja, os Nightwish escolheram uma senhora sueca completamente desconhecida chamada Annette Olzon. E com ela a comandar começam com Dark Passion Play uma nova era. A introdução do longo épico que abre o disco, The Poet And The Pendulum, serve para a Sra. Olzon mostrar os seus atributos e para conquistar os fãs da anterior vocalista. De facto Annette Olzon é tecnicamente perfeita mas não consegue fazer esquecer Tarja Turunen. Falta-lhe alguma confiança e aquele carisma que se falava há pouco. Seguramente isso ganhar-se-á com o tempo e com a habituação. Não nos podemos esquecer que foram muitos anos a conviver com Tarja! Bem, e musicalmente o que nos reserva esta nova rodela do colectivo finlandês? A resposta é simples: uma sequência lógica daquilo que já havia sido feito em Once. Temas mais melódicos e orquestrais alternando com outros mais pesados e directos, teclados de Tuomas Holopainen cada vez mais disfarçados nas guitarras de Empuu Vuorinen, excepção feita a algumas belíssimas passagens de piano, orquestrações e coros majestosos e Marco Hietala a aplicar em alguns momentos a sua potente voz. No fundo, The Poet And The Pendulum deixa antever, claramente, o que se vai seguir nos doze temas seguintes, funcionando como se de um índice se tratasse, sendo que, sobra ainda espaço para alguma inovação. E esta surge nos temas The Islander e Last Of The Wilds com o quinteto a introduzir uma componente étnica/folk assinalável. No mais, os Nightwish continua a mostrar-se exímios criadores de temas belíssimos, capazes de nos fazer sonhar.

Nota VN: 18,67 (3º)

Review: Prominence & Demise (Winds)


O selo The End Records é, actualmente, um dos mais ecléticos e um dos que mais aposta na liberdade criativa e artística dos seus grupos. Nomes como Stradasphere, Unexpected ou Sleeptime Gorilla Museum são alguns dos exemplos de colectivos, no mínimo, pouco convencionais. Embora não tão estranhos como alguns dos seus pares (nomeadamente os nomes citados), os Winds são, ainda assim, uma agradável proposta plena de ideias frescas. Ao quarto trabalho de originais, os noruegueses compostos por Lars E. Si, Carl August Tidemann, Jan Axel von Blomberg e Andy Winter que aparecem acompanhados por uma série de convidados de renome como Dan Swano, Agnete M. Kirkevaag, Lars A. Nedland e Oystein Moe, bem como um enseble de cordas da Oslo Philharmonic Orchestra, parecem terem, definitivamente, atingido a maturidade artística. A base da sonoridade deste colectivo situa-se numa área progressiva assentando em virtuosos solos de piano e guitarra (ouça-se a abertura do álbum com Universal Creation Array e confirmem-no) e numa base rítmica forte. Os vocais de cariz algo teatral são um dos aspectos que distancia este projecto de outros na mesma área. É, aliás, nos vocais que se nota mais aquela citada estranheza pelo facto de serem, realmente, efectuados de uma forma habitualmente pouco escutada dentro do género. O trabalho do ensemble de cordas, apesar de subtil, é magnífico demonstrando ora fragilidade ora imponência e ajudando de forma perspicaz a preencher os temas. O frequente recurso a guitarras acústicas, a par dos pianos, cria, por sua vez, atmosferas de rara beleza. O final com The Last Line resume na perfeição a essência dos Winds: abertura soberba com cordas, riff de eleição ao longo do tema, trabalho polifónico ao nível vocal, guitarra acústica a criar um momento de introspecção a meio do tema. Pena que entre a abertura e o final alguns temas não atinjam o brilhantismo dos citados. Ainda assim, vale a pena descobrir este álbum.


Nota VN: 16,33 (23º)

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Review: Silent Waters (Amorphis)


Detentores de uma carreira invejável, onde álbuns como Tales From The Thousand Lakes, Elegy ou Am Universum, cada qual no seu estilo, se tornaram marcos indeléveis da história do metal, os finlandeses Amorphis continuam, todavia, a pautar a sua forma de abordarem as suas obras sem qualquer tipo de restrição ou fronteira. Foi isso, aliás que lhes permitiu manter sempre no topo ao longo de uma carreira de cerca de duas décadas. A entrada no novo milénio deu-se com a contratação de um novo vocalista, Tomi Joutsen de seu nome que veio emprestar ao colectivo uma nova dinâmica muito por culpa da sua versatilidade. A estreia em Eclipse fez com que o nome Amorphis voltasse a andar (se é que alguma vez tivesse deixado) nas bocas do mundo metaleiro. Agora, surge-nos Silent Waters, a nova proposta do colectivo que é, na realidade, mais uma pérola de melodia, melancolia, técnica combinada com uma agressividade perfeitamente controlada do sexteto. E se os dois primeiros temas (Weaving The Incantation e A Servant) nos levam a pensar que vamos assistir a um claro regresso aos tempos mais extremos da banda, mais nos seus primórdios, lentamente nos apercebemos que isso não vai, de todo, acontecer. À medida que vamos avançando no álbum as águas vão ficando cada vez mais calmas com temas onde se poderão apreciar belíssimas texturas de piano e guitarra acústica, sem, todavia, deixarem de se notar, no desenvolvimento dos temas, as influências mais agressivas, como acontece, por exemplo em The White Swan. No fundo, os Amorphis fazem aquilo que já fizeram muitas vezes: baralham e dão de novo. Num segundo parece que vão regressar a Tales Of The Thousand Lakes para no segundo seguinte piscarem o olho a Am Universum e no seguinte já não soarem a nada conhecido… Os pianos em I Of Crimson Blood e Black River são do mais belo jamais construído pelo colectivo; o refrão de Her Alone na sua combinação de melodia, solo de guitarra e piano é de arrepiar. Por outro lado, Enigma é, como o próprio nome indica um verdadeiro enigma no seio do álbum já que se trata de uma peça totalmente acústica. Silent Waters é, pois, composto por diferentes correntes que no seu seu conjunto criam (mais) uma belissíma obra a descobrir.


Nota VN: 18,00 (8º)

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Review: The Varangian Way (Turisas)


Auto-proclamando-se como sendo praticantes de Battle Metal, os finlandeses Turisas apresentam-nos o seu segundo trabalho, The Varangian Way, que vem confirmar as boas indicações deixadas há três anos atrás com a edição da estreia Battle Metal. Importa esclarecer que os Turisas praticam uma sonoridade onde misturam elementos intrínsecos e extrínsecos ao metal, nomeadamente, power metal, death/black metal e apontamentos folk/étnicos. E fazem-no de uma forma que deixa pouco espaço para a concorrência (leia-se Korpiklaani ou Ensiferum) se manifestar. De facto, os Turisas têm mais e melhores melodias, mais poder, melhores orquestrações, melhores composições e mais criatividade que os seus pares. E voltam a demonstrar isso nesta colecção de oito temas plenos de força, melodia, orquestrações, coros de guerra, trombetas a convocarem-nos para mil e uma batalhas, vocalizações limpas e guturais, solos de violino, muita atitude e muito battle metal… Desde a abertura com To Holmgard And Beyond, uma faixa próxima do power metal melódico, quase sempre com vocalizações limpas, até ao final com o épico Miklagard Overture, respira-se aqui muito da tradição viking. Pelo meio a folk In The Court Of Jarisleif, onde o violino é rei, o folk extremo em Cursed Be Iron, com as tradições finlandesas a cruzarem o black metal, ou os coros fantásticos em Five Hundred And One ou The Dnieper Rapids, tudo associado ao facto de todos os solos serem executados em violino fazem da audição deste The Varangian Way uma experiência única e transcendental.

Nota VN: 16,50 (16º)

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Review: Words Untold & Dreams Unlived (Serenity)


Ponto Um: os Serenity são (ou eram) completamente desconhecidos para a grande maioria dos aficcionados; Ponto Dois: os Serenity são constituídos por cinco elementos todos eles sem qualquer relevância histórica no metal; Ponto Três: os Serenity são oriundos da Áustria, um país que, salvo raras e honrosas excepções, pouco ou nada tem dado ao mundo do metal; Ponto Quatro: Words Untold & Dreams Unlived trata-se do álbum de estreia do colectivo. Com estas premissas, este seria um álbum a não merecer grande atenção. Mas… Ponto Cinco: os Serenity apresentam como coroa de glória o terem compartilhado o palco com um tal senhor chamado Dio; Ponto Seis: os Serenity assinaram pela independente Napalm; Ponto Sete: Words Untold & Dreams Unlived tornou-se numa prioridade para a editora austríaca. Bom, com estes novos dados, talvez o álbum mereça atenção. E de facto merece porque esta é uma das mais bem conseguidas estreias dos últimos tempos. O colectivo navega por uma sonoridade próxima do progressivo, tendo como principais referências Kamelot, Symphony X e, até pontualmente, Communic na parte instrumental e Sonata Arctica em termos vocais. Mas é um metal progressivo algo distante dos parâmetros a que estamos habituados: muita melodia, algumas (felizmente poucas) vozes guturais, coros e temas relativamente curtos para o estilo (o mais longo não atinge os sete minutos de duração). As sucessivas alternâncias entre as partes mais pesadas com as mais melancólicas e calmas, recorrendo, frequentemente, a pianos e guitarras acústicas são outra das mais-valias deste trabalho. Mario Hirzinger, o teclista de serviço, é o principal elemento a ajudar a criar atmosferas fabulosas, mas a voz forte, colocada e muito melódica de Georg Neuhauser, também contribui para o excelente desempenho final. Destaques para Dead Man Walking, Forever, Circle Of My 2nd Life ou Engraved Within. Uma palavra final, para o espectacular trabalho artístico da capa a demonstrar uma enorme capacidade criativa aliada a um extremo bom gosto.


Nota VN: 16,67 (14º)

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Review: Ghost Opera (Kamelot)


Os Kamelot têm sido ao longo destes últimos anos uma marca da boa forma de produzir power metal sem ser, necessariamente conotado com a produção americana nem, simultaneamente, padecer dos clichés que marcam a sua vertente europeia. Os três últimos trabalhos do quarteto (agora quinteto, com a inclusão do teclista germânico Oliver Palotai) são quase perfeitos. Os Kamelot acertaram na fórmula em Karma, reinventaram-na em Epica e arriscaram um passo em frente em The Black Halo. E agora? Pois, agora parece que chegaram a um beco sem saída. Aqui, esta ópera fantasma parece demasiado previsível para o seu próprio bem. Tudo que neste álbum se ouve parece já ter sido ouvido nas últimas três propostas do colectivo. As diferenças estão na velocidade dos temas, pois em Ghost Opera poucos são os verdadeiros temas de real power metal, situando-se todos num ritmo a meio tempo. Kahn continua a revelar-se um vocalista de eleição (um dos melhores actualmente) com a sua voz quente, calma e extraordinariamente melódica, mas também ele já demonstra não apresentar muita variedade na sua perfomance. Ainda assim, alguns temas como Love You To Death, Mourning Star, EdenEcho ou até Silence Of The Darkness são dignos sucessores dos anteriormente citados álbuns. Todavia não chegam para colocar Ghost Opera no lote dos imprescindíveis na carreira dos norte-americanos.

Nota VN: 16,33 (17º)

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Review: Devil's Blues (Bulldozer)


Miguel Cristo é homem persistente e tanta insistência tem feito com que ele seja, provavelmente, um dos músicos mais empreendedores no interior beirão, tal o número de grupos que já ajudou a erguer. A sua última aposta chama-se Bulldozer e editou, recentemente, um mini CD com apenas 4 temas, baptizado com o sugestivo e curioso nome de Devil’s Blues. Pode-se, desde já afirmar, que parece que foi desta que o músico acertou nos companheiros, nas criações, nos desempenhos, enfim… acertou! Devil’s Blues é uma daquelas obras que, saído do nada, conseguem impor-se pela sua qualidade intrínseca feita de muito suor e vontade de criar algo belo. Navegando entre um blues ao jeito de Stevie Ray Vaughan e um stoner rock à lá Kyuss ou Black Label Society, os Bulldozer acabam por ser a mais refrescante ideia do metal nacional deste ano. Os temas desenrolam-se com as guitarras muito graves e com uma distorção muito suja alterando com outros momentos em que a distorção é praticamente nula. Highway 69, o tema de abertura, e Robert Johnson tresandam a deserto, Lonely Wanderer deixa de queixo caído o mais acérrimo fã do blues e Bull Rider (Whiplash) chega a parecer aquilo que os Kiss gostariam de conseguir fazer nos dias de hoje. Só fica um amargo de boca: a curta duração do trabalho. Ficamos à espera de mais.


Nota VN: 17,17 (1º)

Review: Leaving Eden (Antimatter)


Vamos a esclarecer uma coisa: salvo raras e honrosas excepções (Tesla, há já alguns anos ou Green Carnation e Opeth, mais recentemente) os álbuns acústicos nunca foram muito bem aceites por parte desse vosso escriba. A monotonia que se gera é o factor principal. E quando coloquei este CD no leitor sabendo que os Antimatter praticavam rock acústico, não ia com grande expectativas. Ainda para mais quando os primeiros segundos de Redemption (o tema que abre o álbum) me remetia imediatamente para… David Fonseca! Mas, lentamente, a melodia/melancolia criada por Mick Moss (agora sozinho depois da saída de Duncan Patterson) superiormente executada por um conjunto de músicos de sessão (onde se inclui Danny Cavanagh) fez-me ver que havia ali algo muito maior que simples rock acústico. Na primeira parte do álbum, a base, assumidamente acústica, é enriquecida por apontamentos assombrosos de uma guitarra distorcida que, paulatinamente, vai crescendo dentro de cada tema, ganhando, progressivamente, mais notoriedade. Até o tema acabar e no seguinte se começar, de novo, calmamente. A segunda metade do álbum, a começar em Landlocked, mostra-se um pouco mais melancólica com a inclusão de um par de temas totalmente acústicos e outros instrumentais. O violino torna-se, aqui, uma presença mais assídua. No fundo, e apesar de ser difícil destacar algum tema em especial, não se podem deixar de referir Redemption, The Freak Show, Leaving Eden ou The Immaculate Misconception, num álbum que a cada audição se torna mais viciante.

Nota VN: 18,5 (5º)

terça-feira, 3 de julho de 2007

Review: United Abominations (Megadeth)


Os Megadeth são hoje em dia, de entre as bandas com mais de 15 anos de existência, aquela que se apresenta com mais jovialidade, vitalidade e pujança. Ultrapassada que está a fase menos boa de Risk ou The World Needs A Hero, Dave Mustaine (que volta a mostrar estar perfeitamente recuperado do acidente que sofreu) e seus pares (actualmente os manos Drover, Glen na guitarra e Shawn na bateria e James LoMenzo no baixo) voltam a lançar uma pedrada no charco. O anterior The System Has Failed já havia deixado antever boas perspectivas, mas é nesta última rodela, United Abominations, que voltamos a ter os verdadeiros Megadeth. Não é o melhor álbum da carreira do grupo, mas está, seguramente entre os melhores, conseguindo uma ponte perfeita entre o thrash sujo tão próprio de álbuns como Killing Is My Business ou Peace Sells com a destreza técnica e de composição de Rust In Peace ou Countdown To Extinction. O ponto mais baixo de United Abominations é, como não podia deixar de ser, a prestação vocal do Sr. Mustaine. Claramente, já todos sabemos isso, o homem não tem voz para cantar, mas deve haver qualquer artigo na Constituição norte-americana que obriga a que ele cante. O que vale é que já todos nos habituamos a ouvir as suas tentativas. Mas, brincadeiras à parte, o resultado deste como de outros trabalhos dos Megadeth seria, indubitavelmente melhor, se Dave Mustaine tivesse a humildade de reconhecer que precisa de uma boa voz. Mas, como se disse atrás, já todos estamos habituados e por isso há que observar o álbum sob outros prismas. Trata-se de um conjunto de 11 temas poderosos, em que a secção rítmica se mostra imponente liderando um conjunto de guitarras fabulosas sempre em actividade frenética. É precisamente nas guitarras que reside grande parte da excelência deste material. Sempre presentes, sempre em agitação, com solos intermináveis e inimagináveis sempre misturadas com ritmos em quase completo (e agradável) descontrolo. Comprovem-no em Sleepwalker, Washington Is Next e Never Walk Alone… A Call To Arms, os três primeiros temas do álbum e que desde logo deixam bem claro aquilo que nos vai ser servido ou mais à frente em Gears Of War ou Burnt Ice. Nada de estranhar, portanto, que as vozes estejam um pouco mais baixas em relação ao resto dos instrumentos. Mas, claro que há algumas surpresas: Blessed Are The Dead surge-nos num ritmo quase AC/DC, enquanto que a nova versão de A Tout Le Monde (havia sido originalmente gravada em 1994 e incluída no álbum Youthanasia), surge com a colaboração de Cristina Scabia (Lacuna Coil) e parece ser um piscar de olhos às ondas radiofónicas. Sempre sob o sigma do 11 de Setembro, os Megadeth voltam a apontar as suas miras nas ideologias políticas, mas mais importante que as mensagens são as canções. E nesse particular, o quarteto mostra-se mais letal que qualquer ataque terrorista!


Nota VN: 17,33 (12º)

terça-feira, 19 de junho de 2007

Review: Systematic Chaos (Dream Theater)


Goste-se ou não, os Dream Theater serão sempre Dream Theater. Com álbuns mais complexos ou menos complexos, mais metal ou menos metal, mais intimista ou menos intimista, os DT são, acima de tudo, os líderes incontornáveis desse estilo que se convenciona chamar de metal progressivo. E a sua qualidade em termos de instrumentistas é tal que mesmo que as canções não sejam tão boas, tudo se facilmente se ultrapassa quando se começam a ouvir os eternos diálogos teclados/guitarra/bateria. Tudo isto para dizer que Systematic Chaos é, de facto, mais uma pérola do colectivo nova-iorquino. Depois de um Octavarium mais calmo, quiçá menos exuberante, com recurso a orquestra em dois ou três temas, investindo em campos mais rock e com sonoridades a tocar os U2, mas, ainda assim, esplêndido, regressam com Systematic Chaos (primeiro trabalho para a Roadrunner) e chegam a tocar os extremos. Numa faixa como Constant Motion lembram o saudoso thrash metal de Metallica e na seguinte (The Dark Eternal Night), James LaBrie utiliza efeitos de voz que quase o colocam como um vocalista de death metal sendo bem acompanhado nesse particular por Mike Portnoy (que se revela um vocalista de calibre!), criando aquele que será, porventura, o tema mais negro e obscuro da história do quinteto. Depois há os habituais momentos mais melódicos como Repentance ou Ministry Of Lost Souls. E claro, ainda há os solos inimagináveis, os ritmos frenéticos, os crescendos e diminuendos, os pormenores que, quase juramos, não estavam lá aquando da última audição. Os Dream Theater são, actualmente, uma máquina de metal perfeitamente estabelecida, sólida e muito bem oleada fruto de uma união de cinco elementos que dura há quase 10 anos. Systematic Chaos é grande demais para ser retratado numa review. É complexo demais para ser descrito por palavras. Em suma, é bom demais para ser falado. Só ouvido e absorvido em cada nota e em cada acorde.


Nota VN: 19,50 (1º)

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Review: The 8th Sin (Nocturnal Rites)


Os suecos Nocturnal Rites são, actualmente, uma das mais consistentes propostas dentro do heavy metal tradicional. Fugindo aos clichés do género que atiraram ao tapete colectivos como os Manowar ou, mais recentemente, os seus compatriotas Hammerfall, os Nocturnal Rites, tem vindo, paulatinamente, a construir uma carreira sólida e atingem já a bonita marca de nove álbuns. Neste oitavo pecado, voltamos a ter heavy metal no seu estado mais puro: uma secção rítmica coesa, forte, diversificada qb e, acima de tudo, poderosa sobre a qual navega uma voz forte, pouco adocicada, melódica quando necessário e, quase sempre, bem rasgadinha. A acompanhar, picando o ponto em cada tema, os solos de guitarra (uma espécie em vias de extinção!), longos, rápidos, técnicos, estridentes, como manda a tradição. Os temas rondam, na sua maioria, os quatro minutos, tempo que para estes suecos é mais que suficiente para lá meterem tudo dentro. O álbum começa quase sem aviso prévio com Call Out To The World e está dado o mote para cerca de quarenta minutos de headbanging, punhos no ar, muita agitação e muita cantoria com os coros. Pelo meio, tempo para um tema como Me, em que Jonny Lidkvist acompanhado simplesmente ao piano exorciza os seus demónios, no mais intimista momento do álbum.



Nota VN: 15,17 (49º)

Review: Salome-The Seventh Veil (Xandria)


A concorrência entre bandas de metal melódico com vocalizações femininas está cada vez mais forte. Só este ano já foram editados novos álbuns de Visions Of Atlantis, Krypteria, Within Temptation, Imperia, Sirenia e, numa área um pouco mais distante After Forever. Agora surge-nos mais uma rodela: Salomé-The Seventh Veil, a nova proposta dos germânicos Xandria. E para conseguir sobreviver com tanta e tão boa concorrência, o quinteto deveria ter-se superado e apresentado um álbum extraordinário. Não só não aconteceu isso, como se regista um ligeiro decréscimo em relação ao antecessor, Índia. Será, porventura, o desgaste do tempo que tem vindo a fazer a selecção natural. Apesar de todos os ingredientes dos teutónicos estarem lá presentes nota-se um ligeiro desgaste na fórmula o que leva a que alguns dos temas sejam um bocejo. Não um bocejo muito longo porque a grande maioria das músicas não atinge os quatro minutos de duração. Até neste particular se nota uma vontade de fazer tudo o mais rápido possível para não ter que criar muitos mais do que o essencial. Vai valendo um par de temas realmente bom (Save My Life, Vampire, Firestorm, Sisters Of Light e On My Way são os melhores exemplos) bem como a prestação vocal de Lisa Middelhauve que sem surpreender, também não compromete se bem que fica sempre aquela sensação que poderia ter ido um pouco mais longe.

Nota VN: 14,67 (55º)

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Review: Paradise Lost (Symphony X)


Parece ser caso para dizer: sejam bem vindos meus senhores. Este início de crónica deixa logo transparecer que os Symphony X estão melhores. E, realmente, estão. Não melhores que nunca (dificilmente atingirão níveis de genialidade como os de V-The New Mithology Suite, por exemplo), mas, claramente, melhores que o pouco consistente The Odissey, seu antecessor editado há 5 anos. Nesta nova opus, os Symphony X continuam a explorar uma sonoridade caracterizada pelo cruzamento entre power metal, metal progressivo e sinfónico, sendo que, desta vez, com uma enfâse mais destacada no primeiro desses sub-géneros, estando, claramente, mais virado para a guitarra e bateria com desempenhos soberbos de Michael Romeo e Jason Rullo (nitidamente num invulgar momento de forma!). De facto, tecnicamente, este álbum está irrepreensível. O álbum abre com Oculus Ex Inferni, uma forte introdução de cariz sinfónico que, de súbito, dá passagem ao primeiro tema propriamente dito (Set The World On Fire), uma malha rápida e com a melodia característica do colectivo norte-americano. A partir deste momento consideram-se abertas as hostilidades numa montanha russa musical cheia de pontos altos (Eve Of Seduction, Seven, The Sacrifice ou Revelation) e outros nem tanto (Domination ou Serpent’s Kiss). Ainda assim, o balanço é muito positivo.

Nota VN: 16,50 (13º)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Review: After Forever (After Forever)


E ao quinto álbum de originais, os After Forever atingem aquilo que já se esperava: editam o seu trabalho pela gigantesca Nuclear Blast. E já se adivinhava porque o trajecto crescente da banda holandesa deixava antever que a independente holandesa Transmission Records já se tornara demasiado pequena para as ambições do colectivo. Neste álbum homónimo, os holandeses voltam a mostrar os seus atributos principais: mistura de metal gótico, sinfónico e progressivo, com este último a ganhar cada vez mais destaque como se comprova no longo épico Dreamflight. Em termos vocais, Floor Jansen está ao seu melhor nível, assumindo-se como uma das melhores vocalistas da actualidade. Da lista de convidados sobressai o guitarrista Jeff Waters (Annihilator) que em De-Energizer destila um solo soberbo naquele que é o tema mais forte do álbum com Sander Gommans a assumir uma posição cada vez mais rara nas composições do colectivo: as vocalizações extremas. Outro destaque, em termos de convidados, vai para a participação de Doro Pesch, num dueto com Jansen em Who I Am. De resto, os After Forever fazem aquilo a que já nos habituaram de uma forma um pouco melhor em relação ao último Remagine, mas, simultaneamente, sem atingirem o brilhantismo dos dois primeiros trabalhos, Decipher e Prison Of Desire. Todos os ingredientes estão lá, é certo, mas a sua mistura é que não funciona muito bem, em alguns temas. Destaques para o trio composto por Energize Me, Equallly Destructive e Withering Time, naquela que é a melhor sequência do álbum, para a balada Cry With A Smile, com uma das mais brilhantes prestações de Floor Jansen e para o encerramento com Empty Memories e o coro final de arrepiar. Pelo meio uma meia dúzia de temas (incluindo Dreamflight, que chega a parecer uma manta de retalhos) que não ultrapassam a categoria de interessantes.


Nota VN: 15,00 (49º)

terça-feira, 22 de maio de 2007

Review: Det Vilde Kor (Lumsk)


Depois de, em 2005, os Lumsk terem conseguido musicar, de forma superior, as histórias escritas por Birger e Kristin Sivertsen que versavam sobre o folclore e as tradições norueguesas, parecia impossível que o septeto se conseguisse superar. Para este novo álbum a ideia era, ainda, mais ambiciosa: musicar uma colecção de poemas que Knut Hamsun (1859-1952) havia escrito há mais de um século, mais concretamente em 1904, com o nome de Det Vilde Kor (O Coro Selvagem). Lançaram mãos à obra e o resultado é verdadeiramente impressionante: um álbum de classe pura! Cada vez mais próximos do folk e mais longe do metal, o colectivo prima por um extremo bom gosto na abordagem das composições, onde a produção permite que todos os instrumentos, sejam eles mais folk ou mais rock, brilhem de igual modo e intensidade. Complexo e simultaneamente subtil, belo e simultaneamente triste, Det Vilde Kor será a expressão máxima da arte, a verdadeira obra-prima, capaz de nos fazer chorar com um violino ou um clarinete triste (como em Diset Kvaeld ou Om Hundrede Aar Er Alting Glemt) ou capaz de nos fazer sorrir com acordeão travesso (como nas quatro partes que constituem a Svend Herlufsens Ord). De surpresa em surpresa, de pormenor em pormenor, os Lumsk vão misturando, de forma inteligente, o muito peculiar jeito para o folk com o muito intenso e criativo metal de cariz progressivo. Para o final fica guardado Skaergaardso, onde o septeto explora de forma brilhante a capacidade vocal, criando um efeito polifónico assinalável.

Nota VN: 19,67 (1º)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Review: The Heart Of Everything (Within Temptation)


Os holandeses Within Temptation serão, actualmente, um dos casos de maior sucesso dentro do heavy metal de contornos melódicos com vocalizações femininas. A voz aparentemente frágil de Sharon Den Adel consegue, como ninguém, criar melodias assombrosas suportadas por um muro sonoro muito compacto mas, igualmente, melódico e atractivo. Se a fórmula já havia resultado em The Silent Force, é aprimorada em The Heart Of Everything. Voltando a trabalhar com Daniel Gibson que empresta os seus talentos de compositor de hits em alguns temas, os WT apresentam tudo o que de bom já conhecíamos mas adicionam-lhe uma dose mais forte de orquestrações (fabulosas as de Hand Of Sorrow ou The Truth Beneath The Rose), coros ainda mais majestosos (onde os vocalizos de Sharon chegam a arrepiar!) e uma apreciável dose de peso originária das guitarras de Ruud Jolie e Robert Westerholt que, pontualmente, vai arriscando solos de uma beleza impar. Sharon den Adel, também vai, ocasionalmente, mudando a sua forma de cantar, tornando-se mais áspera e mais rockeira. Pelo meio, a prestação de Keith Caputo, que canta como nunca o ouvimos fazer nos seus Life Of Agony, é mais um grão da excelência desta rodela. No fundo, os WT mostram ao mundo como é possível fazer um álbum para vender sem ter que abdicar das suas convicções.

Nota VN: 18,83 (1º)

segunda-feira, 19 de março de 2007

Review: Sola Scriptura (Neal Morse)



E agora vamos falar de um álbum que tem apenas 4 músicas. Não sendo EP, e embora também não sendo inédito, o que é certo é que não é muito vulgar. Dois desses temas aproximam-se da meia hora de duração. Logo, claramente estamos a falar de um álbum de metal/rock progressivo. Nem mais. E estamos a falar de um senhor chamado Neal Morse, o homem que formou os Spock’s Beard e que com eles conviveu 10 anos e o homem que ajudou os Transatlantic a crescer. Depois de se converter ao Cristianismo, Morse achou que lhe faltava qualquer coisa para completar a sua existência como músico e lançou-se em nome individual. E em boa hora o fez. Sola Scriptura, o sexto álbum de originais, é um manifesto de bom gosto como o haviam sido os seus antecessores. Partindo de uma base claramente influenciada pelo rock sinfónico dos anos 70, Neal Morse, constrói um mundo à parte no que toca ao rock de inspiração progressiva. Apontamentos que vão desde os Dream Theater aos Pink Floyd, tudo aqui pode ser encontrado (até flamenco, jazz, blues ou bossa-nova!!) num pacote muito bem arranjado pelo mestre. Por entre devaneios instrumentais e belas melodias os longos minutos dos temas não são de forma alguma notados, pela forma escorreita e fluida como Morse os compôs para que eles se desenvolvam e cresçam de forma natural e espontânea, havendo sempre pontos de contacto entre as diversas partes da canção. Independentemente da controvérsia que tem sido gerada pelo conteúdo lírico, o que aqui nos traz é, de facto, a grande qualidade de Neal Morse como compositor e o excelente trabalho que nos apresenta neste início de ano. Tecnicamente irrepreensível, Mike Portnoy e Randy George dão o mote com uma secção rítmica no limite da perfeição. Por outro lado a participação do guitarrista Paul Gilbert transporta os temas para outra dimensão. É, aliás, nas longas partes instrumentais que todo o esplendor vem ao cima. São notáveis os duelos guitarra/teclados ora num tom calmo ora num tom mais aceso e acalorado. O piscar de olhos à exposição radiofónica chega-nos pela mão do tema mais curto do álbum (cerca de 5 minutos) de uma balada (Heaven In My Heart) com uma melodia que chega a arrepiar.

Nota VN: 18,67 (1º)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Review: Gothic Kabbalah (Therion)

Gothic Kabbalah (Therion)
2007, Nuclear Blast

Há quase duas dezenas de anos que os Therion tem vindo a revolucionar o mundo do Metal. De álbum para álbum sempre arriscaram dar um passo. Em alguns trabalhos esse passo foi, se não para trás, pelo menos para o lado. Mas no mesmo sitio nunca ficaram. E de novo isso volta a acontecer em Gothic Kabbalah. Menos majestoso em termos sinfónicos e menos gloriosos em termos corais, o novo trabalho dos Therion poderá, à primeira vista, desagradar aos fãs da banda. Mas, depois de bem digerido, chega-se à conclusão que, afinal, até lá há pérolas ao nível do melhor que o grupo sueco já nos ofereceu. Em termos instrumentais, há mais espaço para os instrumentos, digamos, tradicionais do metal: solos de guitarra fabulosos, órgão hammond delicioso, bateria e baixo com uma técnica a roçar o progressivo. Na verdade, estando menos operáticos e menos sinfónicos, os Therion estão mais técnicos e precisos. E em termos vocais, o trabalho atinge a perfeição, partindo das diversas tonalidades criadas pela utilização de seis vocalistas diferentes, todos eles (e elas) detentores (as) de uma capacidade técnica superior. Depois há sempre aquele toque Therion que faz com que qualquer tema, por mais diferente que seja, soe à Therion. De facto, este álbum é nos pormaiores inovador, mas nos pormenores remete-nos, em muitas alturas, para Theli. A única falha em Gothic Kabbalah é o número exagerado de temas. Quinze temas distribuidos por dois discos não seria problema. Mas, quando três ou quatro desses quinze ficam, claramente, abaixo da média, então teria sido bom retirá-los. Isso não foi feito e a nota final ressente-se.
Nota VN: 17,67 (2º)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Review: Scarsick (Pain Of Salvation)

Scarsick (Pain Of Salvation)
(2006, Metal Blade/Inside Out)

Há quem diga q os Pain Of Salvation (POS) são, actualmente, a melhor banda de metal progressivo. Se isso corresponde à verdade é discutivel. O que não se discute é a qualidade do seu novo trabalho Scarsick. Nesta obra, os suecos presenteiam-nos com momentos poderosos e subtis, sérios e humorísticos, agressivos e melódicos, sempre bem condimentado com muito sarcasmo. Musicalmente, podemos encontrar de tudo: metal moderno, heavy metal old school, rock sinfónico, funk, hip-hop, country e até disco (nem a vozinha apaneleirada à Bee Gees falta!). Uma miscelânea tão surpreendente como superiormente conseguida. Para além disso, não faltam pormenores de composição deliciosos: crescendos, diminuendos, quebras de ritmo, mudanças de tempo, por aí fora... Tecnicamente, os músicos são irrepreensíveis e apresentam-nos situações só ao alcance de predestinados. Então o que falta para que Scarsick seja, de facto, transcendental? Homogeneidade no decurso do álbum. Nota-se que os últimos quatro temas não estão à altura dos antecedentes. São maus temas? Evidentemente que não! Mas depois de escutarmos America, Disco Queen ou Kingdom Of Loss tudo o que vem a seguir tem de ser de outra galáxia sob pena de nos decepcionar. É o que acontece.
NotaVN: 17,33 (2º)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Review: All Doves Have Been Killed (Hills Have Eyes)

ALL DOVES HAVE BEEN KILLED (HILLS HAVE EYES)(2006, Punk Nation Rec./I Scream Rec/Recital)

All Doves Have Been Killed é o trabalho de estreia dos sadinos Hills Have Eyes (HHE), um colectivo que se movimenta por terrenos situados algures entre o punk e o metal, bebendo influências ora num ora noutro. De facto, All Doves Have Been Killed é um trabalho da moda. Da moda porque segue as pisadas dos conterrâneos More That A Thousand (que estão em alta!) e da moda porque seguem as regras estabelecidas por colectivos norte-americanos de sonoridade semelhante. Este trabalho composto por cinco temas (não contando com as pequenas Intro e Interlude), mostra-nos um grupo competente no desempenho da sua função, criando canções curtas (nenhuma atinge os 4 minutos) com linhas estruturais, melódicas e vocais extremamente básicas, sem nunca complicar muito. São melodias simples e lineares mas que não cativam. É a secção rítmica enérgica e certinha mas que raramente surpreende. O ponto alto são mesmo as guitarras que demonstram uma técnica raramente vista neste tipo de sonoridade (influência de Estocolmo?) Na ausência quase total de solos verdadeiramente ditos, o trabalho de guitarra brinda-nos com alguns pormenores verdadeiramente deliciosos. Outro ponto saliente dos HHE são os vocais. Embora longe de serem tecnicamente perfeitos (bem notório ao nível da amplitude) o vocalista tem um timbre agradável, doseando bem a dicotomia melodia vs agressividade, não se limitando a berrar ou a grunhir, mas cantando na verdadeira acepção da palavra. E é da conjunção do bom trabalho de guitarras e da voz que os temas dos setubalenses se tornam agradáveis à audição, embora, como se disse atrás, sem cativar, talvez porque a falta de diversidade origine que eles não se diferenciem muito uns dos outros. Com excepção de Tombstone, todos os outros acabam por se esquecer passado algum tempo.
Nota VN: 12,38

Entrevista com Hills Have Eyes

Em primeiro lugar, expliquem como, quando e onde tudo começou.
Os Hills Have Eyes surgiram dum anterior projecto que alguns membros tinham que se chamava Skapula. Após algumas alterações no lineup da banda, as direcções começaram a ser um pouco diferentes das que tinhamos traçado para os Skapula. Além disso, o próprio tempo nos fez pensar de um modo um pouco diferente. Como já não havia identificação com o projecto anterior e a formação da banda já estava consideravelmente mudada, resolvemos criar os HHE.
Uma das curiosidades que mais salta à vista é o vosso nome. Tem algum significado especial?
Bem, tem uma conotação um bocado intíma para nós. Mas posso-te dizer que está relacionada como o facto de hoje em dia, apesar de às vezes não parecer, toda a gente estar bem atenta aquilo que fazes.
Como surgiu a hipótese de participação do Vasco Ramos (More Than A Thousand) no tema Tombstone?
Surgiu naturalmente uma vez que o Vasco é um bom amigo nosso. Ele estava cá em Portugal e foi connosco ao estúdio enquanto estavamos a gravar e ele gostou muito da música e deu-se a oportunidade de ele gravar umas vozes. Gostamos do resultado final e ficou.
O Line Up actual não é propriamente o mesmo que gravou o CD. Podem esclarecer?
Sim, é verdade. O guitarrista Luís Claro chegou a gravar o EP mas uns tempos depois, tivemos uma conversa com ele chegamos à conclusão que não estavamos com os mesmos objectivos em termos do que queriamos fazer. Ele saiu mas continuamos todos a ser bons amigos. São situações normais que acontecem hoje em dia com inúmeras bandas. Agora somos apenas 4 elementos mas ao vivo continuamos a tocar com duas guitarras com um elemento convidado até acharmos alguém para integrarmos na banda a 100%.
Voces praticam uma sonoridade não muito comum no catálogo da Recital. Como vêm essa situação e como surgiu o contacto com a editora de Sto. Tirso?
Surgiu já numa fase final de gravação do All Doves Have Been Killed. Nós inicialmente estavamos a apostar mais na gravação dos temas para "introdução" da banda no meio musical, uma vez que começamos do zero. Mas no fim ficamos bastante satisfeitos com a gravação e achamos que tinha condições para ser editado.Enquanto Skapula participamos no Além Rock, um concurso em Beja e fomos a final onde tocaram os Prime, uma banda da Recital. Tive uma conversa com o vocalista e ele falou-me da editora deles. Foi a 1º editora que abordei e eles gostaram do nosso trabalho. De facto, provavelmente, a banda mais parecida connosco são mesmo os Prime, mas o mais importante é o trabalho realizado connosco e nesta fase inicial estamos satisfeitos.Existem bastantes boas bandas em Portugal dentro de variados estilos e acho também importante as editoras terem um leque variado de opções, além do mais há condições para qualquer banda lutar pelo seu espaço. Qualidade não falta.
Na vossa opinião, os HHE enquadram-se mais em que campo: punk ou metal?
Apesar de considerarmos esses dois estilos entre os três que nos influenciam mais, o campo principal que consideramos nos enquadrar é o rock. Agora como tu disseste temos bastantes influências do punk e do metal, que juntamente com o rock geram os HHE.
Analisando o álbum, acham que ficou 100% como voces queriam, ou se fosse agora, mudariam algo?
Há sempre aquele pormenor que talvez mudasses se pudesses voltar atrás, mas de uma maneira geral consideramos que ficou bastante positivo este trabalho.Também tivemos muitos problemas de atrasos enquanto gravamos os temas, o que nos permitiu também ponderar e estudar melhor o que iriamos fazer. Teve o seu lado negativo que atrasou em muito o lançamento, mas também teve o seu lado positivo.
Em relação ao estilo que voces prativam, parece-me que as guitarras e os vocais são um pouco mais técnicos que o usual. Qual é a vossa opinião acerca disso? Concordam? E em caso afirmativo, foi natural ou foi planeado?
Acho que isso parte bastante das características individuais de cada um, mas é bom que tenhas essa opinião. De qualquer maneira dentro das nossas limitações tentamos pormenorizar e fazer o melhor possível em todos os instrumentos, mas não foi nada planeado exactamente.
Em termos liricos, quais são os conteúdos abordados nos vossos temas?
Este trabalho aborda de uma maneira geral o tema amizade/cinismo. Foram escritos com base em experiências que vivemos enquanto banda e também de uma maneira pessoal. É também uma mensagem que, se queremos alguma coisa, temos que lutar por ela e preocupar-nos mais connosco do que com os outros.
Num mercado tão encharcado de lançamentos do género, que argumentos apresentam os HHE que possam fazer a diferença?
Penso que o mercado está encharcado de lançamentos de todos os géneros, não só do nosso... Mas talvez várias bandas do estilo tenham mais mediatização do que de outros géneros. De qualquer maneira, nós fazemos o que gostamos e isso é o mais importante. Há-de haver sempre quem não goste, mas a nossa preocupação vai para quem gosta. E é a esses que nós temos que agradecer o apoio e incentivo. Não estamos preocupados em fazer a diferença mas sim em continuar a fazer o que gostamos.
É certo que o álbum ainda é recente, mas qual tem sido o feed-back por parte do público e da imprensa?
Muito boa e isso deixa-nos muito contentes. Mas como dizes ainda é cedo e procuramos continuar a promover o trabalho o mais possível.
E em termos de espectáculos, como tem corrido as coisas?
Fizemos a primeira parte da tour em Portugal dos More Than a Thousand que foi muito bom, concertos com muito público o que nos deu a hipótese de nos mostrarmos para muita gente. Fizemos também alguns concertos de apresentação do EP juntamente com os nossos amigos One Hundred Steps que também lançaram agora o seu EP The Eyes Of Laura Mars. Em principio vamos continuar estes concertos, mas agora mais a norte e sul do país uma vez que tocamos mais na zona da grande Lisboa.
Finalmente, projectos para o ano que agora se inicia?
A edição internacional do EP em Março/Abril pela Punk Nation Records e depois uma tour europeia talvez em Maio. Queremos também tocar o mais possível em Portugal e para Setembro/Outubro gravar um álbum que pensamos lançar no final do ano.
Obrigado pela entrevista e um abraço!