quarta-feira, 30 de maio de 2007

Review: After Forever (After Forever)


E ao quinto álbum de originais, os After Forever atingem aquilo que já se esperava: editam o seu trabalho pela gigantesca Nuclear Blast. E já se adivinhava porque o trajecto crescente da banda holandesa deixava antever que a independente holandesa Transmission Records já se tornara demasiado pequena para as ambições do colectivo. Neste álbum homónimo, os holandeses voltam a mostrar os seus atributos principais: mistura de metal gótico, sinfónico e progressivo, com este último a ganhar cada vez mais destaque como se comprova no longo épico Dreamflight. Em termos vocais, Floor Jansen está ao seu melhor nível, assumindo-se como uma das melhores vocalistas da actualidade. Da lista de convidados sobressai o guitarrista Jeff Waters (Annihilator) que em De-Energizer destila um solo soberbo naquele que é o tema mais forte do álbum com Sander Gommans a assumir uma posição cada vez mais rara nas composições do colectivo: as vocalizações extremas. Outro destaque, em termos de convidados, vai para a participação de Doro Pesch, num dueto com Jansen em Who I Am. De resto, os After Forever fazem aquilo a que já nos habituaram de uma forma um pouco melhor em relação ao último Remagine, mas, simultaneamente, sem atingirem o brilhantismo dos dois primeiros trabalhos, Decipher e Prison Of Desire. Todos os ingredientes estão lá, é certo, mas a sua mistura é que não funciona muito bem, em alguns temas. Destaques para o trio composto por Energize Me, Equallly Destructive e Withering Time, naquela que é a melhor sequência do álbum, para a balada Cry With A Smile, com uma das mais brilhantes prestações de Floor Jansen e para o encerramento com Empty Memories e o coro final de arrepiar. Pelo meio uma meia dúzia de temas (incluindo Dreamflight, que chega a parecer uma manta de retalhos) que não ultrapassam a categoria de interessantes.


Nota VN: 15,00 (49º)

terça-feira, 22 de maio de 2007

Review: Det Vilde Kor (Lumsk)


Depois de, em 2005, os Lumsk terem conseguido musicar, de forma superior, as histórias escritas por Birger e Kristin Sivertsen que versavam sobre o folclore e as tradições norueguesas, parecia impossível que o septeto se conseguisse superar. Para este novo álbum a ideia era, ainda, mais ambiciosa: musicar uma colecção de poemas que Knut Hamsun (1859-1952) havia escrito há mais de um século, mais concretamente em 1904, com o nome de Det Vilde Kor (O Coro Selvagem). Lançaram mãos à obra e o resultado é verdadeiramente impressionante: um álbum de classe pura! Cada vez mais próximos do folk e mais longe do metal, o colectivo prima por um extremo bom gosto na abordagem das composições, onde a produção permite que todos os instrumentos, sejam eles mais folk ou mais rock, brilhem de igual modo e intensidade. Complexo e simultaneamente subtil, belo e simultaneamente triste, Det Vilde Kor será a expressão máxima da arte, a verdadeira obra-prima, capaz de nos fazer chorar com um violino ou um clarinete triste (como em Diset Kvaeld ou Om Hundrede Aar Er Alting Glemt) ou capaz de nos fazer sorrir com acordeão travesso (como nas quatro partes que constituem a Svend Herlufsens Ord). De surpresa em surpresa, de pormenor em pormenor, os Lumsk vão misturando, de forma inteligente, o muito peculiar jeito para o folk com o muito intenso e criativo metal de cariz progressivo. Para o final fica guardado Skaergaardso, onde o septeto explora de forma brilhante a capacidade vocal, criando um efeito polifónico assinalável.

Nota VN: 19,67 (1º)