sexta-feira, 23 de março de 2007

Review: We Deserve Much Worse (Deathbound)


18 temas de puro grindcore/death metal é aquilo que o trio finlandês formado por Petri Seikulla, Sami Latva e Kai Jaakkola nos propõe naquele que é o seu terceiro trabalho de originais. Os Deathbound, que já andam nisto desde 1995, na altura com o nome de Twilight, aparentemente ainda não aprenderam nada. Quem gosta de murros no estômago até deve gostar desta rodela. Agora quem gosta de música não vai achar piada nenhuma à mesma anedota contada outra vez. Desde logo, e pegando no nome do álbum sempre poderemos afirmar que, seguramente, merecemos muito melhor. A começar numa capa completamente ridícula e a continuar em temas que raramente chegam aos dois minutos, onde não há melodia, musicalidade, técnica instrumental ou vocal, tudo de mau acontece em We Deserve Much Worse. Mas o pior é que os dezoito temas do álbum podiam perfeitamente ser… um só! Não há qualquer diferença entre eles: as vocalizações são sempre iguais, os riffs repetem-se até à exaustão, a batida é sempre a mesma sem qualquer sintoma de inovação ou criatividade. Em resumo, este é um trabalho digno de um estilo estagnado, repetitivo, monocórdico e, utilizando uma terminologia cara ao género, em avançado estado de putrefacção.

Nota VN: 6,33 (45º)

quarta-feira, 21 de março de 2007

Review: Song Of Times (Starcastle)



Quinto álbum para os rockers progressivos Starcastle que surge, curiosamente, quase 30 anos após o último Real to Reel que havia sido lançado em 1978. Na sua composição Versão Séc. XXI, constam todos os membros originais que nos finais dos anos 60 do Séc. passado fundaram o colectivo, destacando-se o seu líder Gary Strater. Se há 30 anos as comparações com Yes já se faziam sentir, agora noutros tempos, com outras tecnologias, as comparações continuam a fazer-se sentir muito por culpa das linhas vocais e de baixo. De resto, o álbum vive essencialmente do trabalho de teclados de Matt Stewart e Bruce Botts, deixando pouco espaço para as guitarras brilharem. Uma ou outra malha mais interessante, um ou outro riff mais heavy, e um ou outro solo mais arriscado, não evitam que este álbum seja um longo bocejo. As vocalizações estão completamente ultrapassadas (já ninguém canta com aquela vozinha neste século), e o álbum soa completamente datado. Vão valendo algumas composições mais ou menos esclarecidas e com alguma melodia como a épica Babylon, Master Machine ou All For The Thunder. Ainda assim, insuficiente para tirar Song Of Times do anonimato.

Nota VN: 10,50 (42º)

terça-feira, 20 de março de 2007

Review: No One Knows... What's There Behind (Hapax)



Os Hapax são um quinteto italiano que, até à data, eram totalmente desconhecido para mim. No One Knows … trata-se do seu trabalho de estreia, auto-produzido e auto-financiado. Só assim se explica que este trabalho só tenha visto a luz do dia três anos após a sua gravação. A rodela destes italianos comporta doze temas, sendo que um é apenas uma pequena Intro que com apenas sete segundos nem como isso chega a funcionar. A abertura do álbum com três primeiros temas(excluindo a Intro) é muito fraca e quase nos faz tirar o cd do leitor. Felizmente não fazemos isso. E digo felizmente, porque a partir do quinto tema (Drawing The Line) o produto apresentado por estes transalpinos cresce exponencialmente. Altera-se a dinâmica, aumenta-se a melodia, incrementa-se a técnica e até solos vão aqui e ali aparecendo. Curioso que nesta fase, a cada tema que passa também mais crescem no nosso cérebro dois nomes: Machine Head e Pantera, muito provavelmente devido à sonoridade tipicamente urbana deste quinteto. E com estes nomes no pensamento, o álbum vai crescendo até atingir o seu ponto máximo em Don’t Live Your Life Alone. E aí deveria ter acabado. Mas continua com os três últimos temas a arrastarem-se, de novo, no nosso sistema auditivo. Este é o primeiro trabalho dos Hapax. Há ainda muita aresta para limar, nomeadamente ao nível da produção e das vocalizações. O colectivo tem futuro desde que se concentre no essencial e deixe o acessório.

Nota VN: 10,50 (44º)

segunda-feira, 19 de março de 2007

Review: Sola Scriptura (Neal Morse)



E agora vamos falar de um álbum que tem apenas 4 músicas. Não sendo EP, e embora também não sendo inédito, o que é certo é que não é muito vulgar. Dois desses temas aproximam-se da meia hora de duração. Logo, claramente estamos a falar de um álbum de metal/rock progressivo. Nem mais. E estamos a falar de um senhor chamado Neal Morse, o homem que formou os Spock’s Beard e que com eles conviveu 10 anos e o homem que ajudou os Transatlantic a crescer. Depois de se converter ao Cristianismo, Morse achou que lhe faltava qualquer coisa para completar a sua existência como músico e lançou-se em nome individual. E em boa hora o fez. Sola Scriptura, o sexto álbum de originais, é um manifesto de bom gosto como o haviam sido os seus antecessores. Partindo de uma base claramente influenciada pelo rock sinfónico dos anos 70, Neal Morse, constrói um mundo à parte no que toca ao rock de inspiração progressiva. Apontamentos que vão desde os Dream Theater aos Pink Floyd, tudo aqui pode ser encontrado (até flamenco, jazz, blues ou bossa-nova!!) num pacote muito bem arranjado pelo mestre. Por entre devaneios instrumentais e belas melodias os longos minutos dos temas não são de forma alguma notados, pela forma escorreita e fluida como Morse os compôs para que eles se desenvolvam e cresçam de forma natural e espontânea, havendo sempre pontos de contacto entre as diversas partes da canção. Independentemente da controvérsia que tem sido gerada pelo conteúdo lírico, o que aqui nos traz é, de facto, a grande qualidade de Neal Morse como compositor e o excelente trabalho que nos apresenta neste início de ano. Tecnicamente irrepreensível, Mike Portnoy e Randy George dão o mote com uma secção rítmica no limite da perfeição. Por outro lado a participação do guitarrista Paul Gilbert transporta os temas para outra dimensão. É, aliás, nas longas partes instrumentais que todo o esplendor vem ao cima. São notáveis os duelos guitarra/teclados ora num tom calmo ora num tom mais aceso e acalorado. O piscar de olhos à exposição radiofónica chega-nos pela mão do tema mais curto do álbum (cerca de 5 minutos) de uma balada (Heaven In My Heart) com uma melodia que chega a arrepiar.

Nota VN: 18,67 (1º)

sexta-feira, 9 de março de 2007

Review: Bloodangel's Cry (Krypteria)

Ouvir Krypteria é como consultar um catálogo das melhores bandas com vocalistas femininas dos últimos tempos. As principais referências são After Forever (no coros se trabalho de guitarra) e Nemesea (ao nível da composição), mas notam-se também influências de Doro Pesch/Warlock, nomeadamente nos temas mais rápidos e pesados (como I Can’t Breath), de Within Temptation nos temas mais lentos (como The Promisse) e até de Nightwish (oiçam Somebody Save Me e descubram as diferenças entre este tema e Nemo!). Como facilmente se comprova, originalidade não é o forte dos Krypteria mas o colectivo consegue colmatar essa lacuna com uma lista de temas suficientemente melódicos e apelativos para não deixar cair a atenção do ouvinte, naquele que é o quarto trabalho da banda germânica (podia ser, perfeitamente, holandesa!), contando com o EP Evolution Principle editado o ano passado. Em termos vocais, o quarteto é liderado pela coreana Ji-In Cho que, apesar de tudo, utiliza alguns efeitos para se conseguir perceber a real qualidade da sua voz. Em termos instrumentais, alguns solos simples mas eficazes são aleatoriamente distribuídos pelo disco. Os coros são agradáveis e as melodias muito boas. De resto, este é um álbum que vai crescendo gradualmente até desaguar numa enseada que dá pelo nome de The Night All Angels Cry onde, literalmente, o quarteto põe tudo cá fora: instrumental, vocal, coral, melodia e dinâmica. O tema 9 do álbum tem tudo nos seus cerca de seis minutos e meio. Curiosamente é nos temas longos que os Krypteria mais se expõem. O álbum fecha com At The Gates Of Retribution, um longo épico de 12 minutos, repleto de coros fantásticos, pianos sublimes, guitarras acústicas e/ou pesadas e solos hiper-precisos. A questão que se coloca é se conseguirão os Krypteria escapar à concorrência : Tristania e Sirenia já saíram enquanto que Within Temptation e After Forever vêm aí. Todavia, cremos que com Bloodangels Cry, os Krypteria acabam de ascender à primeira divisão do metal melódico com vozes femininas.

Nota VN: 16,00 (8º)