terça-feira, 19 de junho de 2007

Review: Systematic Chaos (Dream Theater)


Goste-se ou não, os Dream Theater serão sempre Dream Theater. Com álbuns mais complexos ou menos complexos, mais metal ou menos metal, mais intimista ou menos intimista, os DT são, acima de tudo, os líderes incontornáveis desse estilo que se convenciona chamar de metal progressivo. E a sua qualidade em termos de instrumentistas é tal que mesmo que as canções não sejam tão boas, tudo se facilmente se ultrapassa quando se começam a ouvir os eternos diálogos teclados/guitarra/bateria. Tudo isto para dizer que Systematic Chaos é, de facto, mais uma pérola do colectivo nova-iorquino. Depois de um Octavarium mais calmo, quiçá menos exuberante, com recurso a orquestra em dois ou três temas, investindo em campos mais rock e com sonoridades a tocar os U2, mas, ainda assim, esplêndido, regressam com Systematic Chaos (primeiro trabalho para a Roadrunner) e chegam a tocar os extremos. Numa faixa como Constant Motion lembram o saudoso thrash metal de Metallica e na seguinte (The Dark Eternal Night), James LaBrie utiliza efeitos de voz que quase o colocam como um vocalista de death metal sendo bem acompanhado nesse particular por Mike Portnoy (que se revela um vocalista de calibre!), criando aquele que será, porventura, o tema mais negro e obscuro da história do quinteto. Depois há os habituais momentos mais melódicos como Repentance ou Ministry Of Lost Souls. E claro, ainda há os solos inimagináveis, os ritmos frenéticos, os crescendos e diminuendos, os pormenores que, quase juramos, não estavam lá aquando da última audição. Os Dream Theater são, actualmente, uma máquina de metal perfeitamente estabelecida, sólida e muito bem oleada fruto de uma união de cinco elementos que dura há quase 10 anos. Systematic Chaos é grande demais para ser retratado numa review. É complexo demais para ser descrito por palavras. Em suma, é bom demais para ser falado. Só ouvido e absorvido em cada nota e em cada acorde.


Nota VN: 19,50 (1º)

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Review: The 8th Sin (Nocturnal Rites)


Os suecos Nocturnal Rites são, actualmente, uma das mais consistentes propostas dentro do heavy metal tradicional. Fugindo aos clichés do género que atiraram ao tapete colectivos como os Manowar ou, mais recentemente, os seus compatriotas Hammerfall, os Nocturnal Rites, tem vindo, paulatinamente, a construir uma carreira sólida e atingem já a bonita marca de nove álbuns. Neste oitavo pecado, voltamos a ter heavy metal no seu estado mais puro: uma secção rítmica coesa, forte, diversificada qb e, acima de tudo, poderosa sobre a qual navega uma voz forte, pouco adocicada, melódica quando necessário e, quase sempre, bem rasgadinha. A acompanhar, picando o ponto em cada tema, os solos de guitarra (uma espécie em vias de extinção!), longos, rápidos, técnicos, estridentes, como manda a tradição. Os temas rondam, na sua maioria, os quatro minutos, tempo que para estes suecos é mais que suficiente para lá meterem tudo dentro. O álbum começa quase sem aviso prévio com Call Out To The World e está dado o mote para cerca de quarenta minutos de headbanging, punhos no ar, muita agitação e muita cantoria com os coros. Pelo meio, tempo para um tema como Me, em que Jonny Lidkvist acompanhado simplesmente ao piano exorciza os seus demónios, no mais intimista momento do álbum.



Nota VN: 15,17 (49º)

Review: Salome-The Seventh Veil (Xandria)


A concorrência entre bandas de metal melódico com vocalizações femininas está cada vez mais forte. Só este ano já foram editados novos álbuns de Visions Of Atlantis, Krypteria, Within Temptation, Imperia, Sirenia e, numa área um pouco mais distante After Forever. Agora surge-nos mais uma rodela: Salomé-The Seventh Veil, a nova proposta dos germânicos Xandria. E para conseguir sobreviver com tanta e tão boa concorrência, o quinteto deveria ter-se superado e apresentado um álbum extraordinário. Não só não aconteceu isso, como se regista um ligeiro decréscimo em relação ao antecessor, Índia. Será, porventura, o desgaste do tempo que tem vindo a fazer a selecção natural. Apesar de todos os ingredientes dos teutónicos estarem lá presentes nota-se um ligeiro desgaste na fórmula o que leva a que alguns dos temas sejam um bocejo. Não um bocejo muito longo porque a grande maioria das músicas não atinge os quatro minutos de duração. Até neste particular se nota uma vontade de fazer tudo o mais rápido possível para não ter que criar muitos mais do que o essencial. Vai valendo um par de temas realmente bom (Save My Life, Vampire, Firestorm, Sisters Of Light e On My Way são os melhores exemplos) bem como a prestação vocal de Lisa Middelhauve que sem surpreender, também não compromete se bem que fica sempre aquela sensação que poderia ter ido um pouco mais longe.

Nota VN: 14,67 (55º)

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Review: Paradise Lost (Symphony X)


Parece ser caso para dizer: sejam bem vindos meus senhores. Este início de crónica deixa logo transparecer que os Symphony X estão melhores. E, realmente, estão. Não melhores que nunca (dificilmente atingirão níveis de genialidade como os de V-The New Mithology Suite, por exemplo), mas, claramente, melhores que o pouco consistente The Odissey, seu antecessor editado há 5 anos. Nesta nova opus, os Symphony X continuam a explorar uma sonoridade caracterizada pelo cruzamento entre power metal, metal progressivo e sinfónico, sendo que, desta vez, com uma enfâse mais destacada no primeiro desses sub-géneros, estando, claramente, mais virado para a guitarra e bateria com desempenhos soberbos de Michael Romeo e Jason Rullo (nitidamente num invulgar momento de forma!). De facto, tecnicamente, este álbum está irrepreensível. O álbum abre com Oculus Ex Inferni, uma forte introdução de cariz sinfónico que, de súbito, dá passagem ao primeiro tema propriamente dito (Set The World On Fire), uma malha rápida e com a melodia característica do colectivo norte-americano. A partir deste momento consideram-se abertas as hostilidades numa montanha russa musical cheia de pontos altos (Eve Of Seduction, Seven, The Sacrifice ou Revelation) e outros nem tanto (Domination ou Serpent’s Kiss). Ainda assim, o balanço é muito positivo.

Nota VN: 16,50 (13º)