quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Review: Lost In Space (Parts I & II) (Avantasia)




As duas partes de Lost In Space, dois EP’s, servem como aperitivo para o álbum que só deverá chegar aos escaparates em Janeiro e que se deverá chamar The Scarecrow. Será o terceiro álbum de originais de Avantasia a ópera metal que Tobias Sammet, vocalista dos Edguy, começou a conceber no início do novo milénio. Foi em 2001 que a primeira parte de A Metal Opera surgiu, seguida da segunda um ano volvido. Ou seja, vai para cinco anos que os Avantasianos estão em hibernação. A primeira encarnação de Avantasia foi, de facto, muito boa, sobretudo a primeira parte. Agora a questão que se coloca é se vai ou não Tobias Sammet continuar a saga das óperas de/em metal. Pela análise dos temas incluídos neste EP’s, cuja análise se faz em conjunto por uma questão de operacionalidade, parece que não. Mas, acontece que nenhum dos temas agora apresentados (com excepção de Lost In Space e Another Angel Down) fará parte do álbum. Bom, então restará ao germânico o aproveitamento de temas que, aparentemente, não caberão em Edguy. E isto até uma boa noticia pois está provado que na hora de escrever, o Sr. Sammet consegue melhores performances para os Avantasia que propriamente para o seu grupo principal, chamemos-lhe assim. Temas como Breaking Away, Reach Out For The Light ou Chalice Of Agony estão entre os melhores já escritos por ele. Curiosamente, o mesmo se verifica nestes EP’s. Lost In Space, In My Defense, Another Angel Down ou The Story Ain’t Over estão melhores que os melhores momentos de Edguy. E porque? Porque tem aquela áurea de power metal que já não se ouvia desde os saudosos melhores tempos de Helloween. Poder, rapidez vs. groove, melodia, excelentes vocalizações, arranjos perfeitos, grandes solos, em suma, grandes canções! Este é, de facto, um (ou dois) trabalhos feitos à medida dos amantes deste tipo de sonoridade. Finalmente uma palavra para a participação vocal dos convidados que deve ser realçada pelo excelente desempenho de todos eles, com especial realce para o dueto entre Bob Catley e Amanda Sommerville (uma habituée nestas coisas).



Website: http://www.tobiassammet.com/


Tracklisting:



Lost In Space Part I

1. Lost In Space
2. Lay All Your Love On Me
3. Another Angel Down (feat. Jorn Lande)
4. The Story Ain't Over (feat. Bob Catley & Amanda Somerville)
5. Return To Avantasia
6. Ride The Sky (feat. Eric Singer on vocals)

Lost In Space Part 2

1. Lost In Space
2. Promised Land
3. Dancing With Tears In My Eyes
4. Scary Eyes
5. In My Defense

Edição: Nuclear Blast (http://www.nuclearblast.de/)

Nota VN: 16,33 (30º)

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Review: Sweet Dark Love (Secrecy)


Os Secrecy são uma banda oriunda da cidade de Valongo e que já anda nestas andanças desde 2001, tendo neste período feito inúmeras aparições ao vivo, gravado temas em diversas compilações e editado, dois singles e um álbum, Beneath The Lies, em 2004. Agora publicam o EP Sweet Dark Love, um conjunto de cinco temas de metal gótico, em que cada canção tem um feeling muito próprio. À boa maneira finlandesa (nomes como HIM ou The 69 Eyes, vêm frequentemente à memória) são temas com uma boa dose de carga emocional, sentidos, sofridos e vividos. Com o know-how adquirido neste últimos anos, os Secrecy conseguem apresentar um trabalho forte, coeso, com ritmos muito catchy , refrões orelhudos e excelentes solos de guitarra que tornam a sua audição bastante simples e atractiva. A juntar a toda a tendência gótica que os caracteriza, os valonguenses conseguem imprimir uma toada rock’n’roll acentuada, fazendo com que os temas não se tornem tão negros como é habitual no género e ganhem uma energia extra. Aliás, em Midnight Girl, o registo de Miguel Ribeiro chega a colar-se a Elvis Presley! Ainda assim há algumas arestas que poderiam ser limadas. Parece-nos que a banda precisa fazer crescer mais os temas em corpo, em estrutura e em tempo. Em média, cada tema pouco passa dos três minutos que, aparentemente serve para lá colocar tudo, mas acreditamos que o colectivo tem capacidade para se reinventar e colocar ainda algo mais.

Line Up: Miguel Ribeiro (voz), Pedro Paiva (guitarra solo), Ricardo (guitarra ritmo), Rogério (baixo), Nuno Gama (bateria)

Website: http://www.secrecy.web.pt/

Tracklisting:
1-Last Embrace
2-Sweet Dark Love
3-Shadows Call
4-Midnight Girl
5-Wish

Nota VN: 15,17 (4º)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Review: Dawn On Pyther (Project: Creation)


Hugo Flores bem podia ser considerado o Arjen Lucassem português. Ambos são multi-instrumentistas, ambos navegam nos mares do progressivo, ambos se envolvem em diversos projectos, ambos criam obras complexas com a temática, muitas vezes, do espaço e da ficção científica, ambos convidam montes de gente para consigo compartilharem, em termos de gravação, as suas ideias. E, finalmente mas não menos importante, ambos tem imensa classe e qualidade. Dawn On Pyther é o segundo trabalho de Hugo Flores com os seus Project: Creation, depois do excelente Floating World e segue os mesmos passos do seu antecessor. O seu metal progressivo ganha amplitude e emotividade quando conta com quatro vocalista de grande calibre (Linx, que já deixou os Forgotten Suns, Paulo Pacheco, Zara Quiroga e Alda Reis) e quando consegue de forma perfeitamente natural introduzir elementos nada usuais no metal como sejam os casos da flauta e do saxofone (a cargo de Paulo Chagas e Fred Lessing, este no caso das primeiras). Hugo Flores demonstra ter muitas ideias e para isso precisa que os temas se alonguem para que as consiga explorar. Problemas? Nenhum. As composições flúem de forma espontânea e natural alternando momentos mais progressivos e pesados com outros mais atmosférico-espacias. Mas por outro lado, com tantas ideias a explorar há diversas coisas a acontecer ao mesmo tempo nas músicas dos Project: Creation o que ajuda a criar uma densidade sonora assinalável mas que por vezes é contraproducente porque se gera alguma confusão sonora. Ainda assim, um trabalho de eleição que não se esgota nas primeiras audições e que promete ficar para a posteridade obrigando a ir buscar a rodelazita diversas vezes à prateleira.

Lineup: Hugo Flores (Vocais, guitarra, baixo, sintetizadores, citara), Linx (Vocais), Zara Quiroga (vocais), Paulo Pacheco (vocais), Alda Reis (vocais), Vasco Patrício (guitarra), Davis Raborn (bateria), Paulo Chagas (saxofone, flauta, ocarina), Fred Lessing (flauta, guitarra clássica e de 12 cordas), Shawn Gordon (sintetizadores)

Website: http://www.sonicpulsar.com/

Tracklisting:
1. The Dawn on Phyter (9:58)
2. Flying Thoughts (9:27)
3. I Am (7:15)
4. Dragonfly Garden (6:44)
5. The Voice of Cheops (9:51)
6. Intermission (1:57)
7. Sons of the Stars (6:11)
8. Growing Feeling (8:54)
9. Voyage of the Dragonfly (9:46)
10. The Dusk on Pyther (6:05)

Edição: ProgRock (http://www.progarchives.com/)

Nota VN: 16,67 (1º)

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Review: The Silhouette (Ava Inferi)


Com uma regularidade não muito habitual entre colectivos nacionais, os Ava Inferi apresentam-nos o seu segundo álbum em dois anos consecutivos. The Silhouette vê a luz do dia (ou da noite!) um ano após a edição da tão competente quanto incompreendida estreia, Burdens. O guitarrista que outrora espalhou maldade pelo mundo nos seus Mayhem, deve ter gostado do sol português e por cá ficou acompanhado de outros excelentes instrumentistas e de uma superior vocalista, Cármen Simões, claramente de nível internacional. E o que se pode dizer desta segunda proposta é que quem achou interessante a primeira também vai achar esta; quem não compreendeu Burdens, também dificilmente compreenderá The Silhouette. Há muita semelhança entre os dois álbuns. São ambos muito suaves e simultaneamente muito densos como se de um thriller emocional se tratasse. E é de emoções que se fala nesta silhueta. Desde o início com A Dança das Ondas, cantada na nossa língua, somos levados para pensamentos muito longínquos: Fernando Pessoa e a relação malfadada do nosso povo com o mar! E fado! Também há fado na voz de Cármen. E também há fado na guitarra de Rune Eriksen. Fado no sentido de perda, de tristeza, de mágoa. O instrumental é claramente muito cinzento. Resta a voz para pintar alguns tons diferentes. Não garridos mas sofridos. Alternando uma voz quente e sensual nos graves para um registo frio, imperturbável e tecnicamente perfeito nos tons mais agudos, é ela quem guia o ouvinte ao longo desse misterioso caminho que desemboca em Pulse Of The Earth. Com apontamentos doom metal efectuados como manda a boa tradição misturados com outros mais étnicos e/ou góticos, The Silhouette vai deslizando suavemente pelos nossos ouvidos de forma clara e concisa. Destaque para as já citadas A Dança das Ondas e Pulse Of The Earth bem como para The Abandoned e La Stanza Nera num colectivo que, à semelhança do que havia acontecido na estreia, ainda apresenta dificuldades em criar um álbum homogéneo. De facto, o calcanhar de Aquiles destes almadenses situa-se na monotonia e pouca diversidade/variedade que imprimem em alguns temas, o que faz com que se criem alguns pontos mortos espalhados pelo trabalho.



Lineup: Carmen Simões (vocais), Rune Eriksen (guitarra), Jaime Ferreira (baixo), João Samora (bateria)

Website: http://www.ava-inferi.com/

Tracklisting:
1 A Dança das Ondas
2 Viola
3 The Abandoned
4 Oathbound
5 The Dual Keys
6 Wonders Of Dusk
7 La Stanza Nera
8 Grin Of Winter
9 Pulse Of The Earth

Edição: Season Of Mist (http://www.season-of-mist.com/)


Nota VN: 15,83 (2º)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Review: E Se Depois... - Tributo a Mão Morta (V/A)


Se há banda que marque de forma indelével o panorama musical nacional, essa banda são os Mão Morta. Seja pela sua distorcida visão de temas banais, seja pela tipicidade dos seus arranjos, seja pela unicidade dos conteúdos líricos, os bracarenses reúnem uma consensualidade impar, conseguindo agradar aos fãs das mais variadas vertentes musicais. A mais que merecida homenagem chega, em forma de tributo, pelas mãos da Raging Planet que conseguiu reunir dezasseis nomes do actual panorama rockeiro nacional para interpretaram, de acordo com as suas visões, outros tantos temas. E nestas coisas de tributos, versões e afins há dois vectores importantíssimos para a definição dos parâmetros de qualidade. Em primeiro lugar o valor dos temas originais e em segundo a maior ou menor validade das novas roupagens dadas a esses temas. Neste caso em particular pode dizer-se que matéria-prima havia em quantidade e qualidade já que os temas escolhidos dispensam qualquer tipo de apresentação. Quanto às versões… poderíamos dividir o álbum em duas divisões: a super liga que inclui os primeiros dez temas e a liga de honra que inclui os restantes seis, sendo que a diferença de qualidade acaba por ser gritante entre as duas partes do álbum. Nessa primeira parte os destaques vão para os WrayGunn e CineMuerte, seguidos das interpretações dos Houdini Blues, The Temple e f.e.v.e.r.. Estes cinco nomes citados (principalmente eles!) conseguiram vestir os temas de uma forma que não soam a cópia dos originais e, ainda por cima, lhes adicionaram uma dose extra de poder e energia. Da segunda parte, pela negativa ressaltam os D’Evil Leech Project, Acromaníacos, Mécanosphère e TwentyInchBurial, bandas que, se conseguiram afastar dos originais, é certo, mas que não conseguiram imprimir, eles próprios, diversidade, personalidade ou envolvência. Ainda assim, uma boa colecção que homenageia de forma séria, honesta e sentida uma das mais carismáticas bandas do panorama nacional.

Tracklisting:
Aum (Dead Combo)
E Se Depois (WrayGunn)
Chabala (CineMuerte)
Anjos Marotos/Marraquexe (Pç. Das Moscas Mortas) (Dr. Frankenstein)
Budapeste (Sempre a Rock & Rollar) (The Temple)
As tetas da Alienação (Bunnyranch)
Oub’lá (Balla)
E Um Jogo (Volstad)
Charles Manson (Houdini Blues)
Vamos Fugir (F.E.V.E.R.)
Cão da Morte (D’Evil Leech Project)
Bófia (The Ultimate Architects)
Revi a Malvada Prima (Acromaníacos)
Anarquista Duval (Demon Dagger)
Istambul (Um Grito) (Mécanosphère)
Em Directo (Para a Teelvisão) (TwentyInchBurial)

Edição: Raging Planet (http://www.ragingplanet.web.pt/)


Nota VN: 14,83 (7º)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Review: Air (Agua de Annique)


Atendendo ao seu nome e dando uma vista de olhos pela sua efeminada página web, em tons de rosa, dificilmente prestaremos atenção a este colectivo. Mas se vos for dito que o cérebro genial pensante por detrás desta água se chama Anneke Van Giersbergen, uma das mais fantástica vozes do panorama internacional que até há pouco tempo era vocalista dos The Gathering, onde durante anos ajudou o colectivo a guindar-se a patamares de qualidade superior só atingível por predestinados, então o caso muda de figura. Claro que Air não é um álbum de metal na verdadeira acepção da palavra, apesar de, pontualmente, aparecerem algumas guitarras bem metalizadas. Esta é, de facto, uma proposta assente em grandes canções emotivas, sentidas, densas, envolventes, intimistas e introspectivas. Isto sem esquecer alguns apontamentos minimalistas/experimentalistas. Nada de anormal, portanto, se levarmos em linha de conta o trajecto e os últimos trabalhos da sua banda de origem. E quando ao sexto tema ouvimos please, take care of me, já nessa altura nos temos apercebido que essas palavras são meramente poética, pois, de facto, Anneke van Giersbergen, apresenta-nos nesta sua estreia em nome (quase) individual um trabalho a roçar a perfeição que pouco ou nada precisa de alguém para dele cuidar, pois impõe-se por si próprio graças à sua qualidade intrínseca. Dançando entre momentos mais densos e hipnóticos (como em Beautiful One ou Trail Of Grief), outros mais heavy (Ice Water ou You Are Nice) e outros mais intimistas (Yalin, Come Wander ou Asleep), o colectivo holandês prima por um extremo bom gosto na criação dos temas. Se no capítulo vocal não se esperariam grandes surpresas atendendo à grande capacidade de Anneke (neste registo pura e simplesmente perfeita!), já no capítulo da composição era aguardado com enorme expectativa para aferir da sua capacidade. E bastam os dois/três primeiros temas para se aperceber que, até neste ponto, a holandesa assina com letras de ouro. Os destaques vão para Beautiful One, Day After Yesterday, Trail Of Grief e Sunken Soldiers, esta última com uma secção de metais capaz de provocar arrepios. Air poderá não ser o melhor álbum de metal do ano, mas será, seguramente, o mais belo.


Lineup : Anneke Van Giersbergen (Vocais/piano), Joris Dirks (Guitarra/vocais), Jacques de Haard (Baixo), Rob Snijders (Bateria)

Website : http://www.aguadeannique.com/

Tracklisting:
Beautiful One
Witnesses
Yalin
Day After Yesterday
My Girl
Take Care Of Me
Ice Water
You Are Nice
Trail Of Grief
Come Wander
Sunken Soldiers
Lost And Found
Asleep

Edição: The End Records (http://www.theendrecords.com/)

Nota VN: 18,33 (6º)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Review: Heavy Lies The Crown (Full Blown Chaos)


E que dizer de mais um colectivo que mistura metal com hardcore? Pois bem, seguramente que já não é necessário. Talvez não seja. Mas estes rapazes merecem uma oportunidade até pelo facto de no seu metalcore incluírem muito thrash metal old school. Nomes como Slayer, Sepultura ou mesmo Kreator vêm-nos frequentemente à ideia. Mas o principal será mesmo Pantera pela similaridade da voz de Ray Mazzola e Phil Anselmo. Da parte do hardcore, a escola nova-iorquina está bastante presente, sendo que nomes como Agnostic Front ou Hatebreed estão, também, reflectidos na música dos Full Blown Chaos (FBC). Como se vê, originalidade não é o forte deste quarteto. Mas vão compensando com uma dose de temas bem musculados, coesos e com agressividade suficiente para manter agarrado qualquer fã dos dois sub-géneros. E isto porque? Porque, aqui e acolá, os FBC vão incorporando nas suas composições algum groove, alguma harmonia nas guitarras e até um solo à lá Slayer (da fase Reign In Blood), curto e dilacerante surge à terceira faixa, Halos For Heroes. Num trabalho forte, pesado, não demasiado rápido, sem concessões nem momentos de tréguas, o único momento calmo surge apenas no penúltimo tema, Mojave Red Pt. 1, um instrumental de grande classe, onde os FBC mostram alguns atributos técnicos até essa altura se julgavam ausentes.


Lineup: Ray Mazzola (vocais), Mike Facci (guitarra), Jeff Facci (bateria), Mike Ruehle (baixo)



Tracklisting:
Firefight
The Hard Goodbye
Halos For Heroes
Fail Like A Champ
Heavy Lies The Crown
Over The End
No Last Call
All For Nothing
Raise Hell
Standpoint
Mojave Red Pt. 1
Mojave Red. Pt. 2


Edição: Ferret Music (http://www.ferretstyle.com/ )

Nota VN: 10,50 (154º)