terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Entrevista com Divine Lust


Mesmo ao findar do ano surge-nos na nossa mesa de trabalho um dos melhores (até mesmo o melhor) álbum de 2008. Autores: os Divine Lust que através do seu baterista, João Costa, nos conta tudo a respeito do tristemente delicioso The Bitterest Flavours.



VIA NOCTURNA (VN): Antes de mais parabéns pelo excelente trabalho. Estavam à espera de conseguir produzir um álbum tão bom e que tivesse as excelentes criticas que tem recebido?
DIVINE LUST (DL): Obrigado! A nível dos media, as criticas estão a começar a aparecer e é óbvio que tínhamos alguma curiosidade para ver as reacções. Sem falsas modéstias, não posso dizer que as boas reacções até agora sejam uma surpresa... Quando partimos para a gravação deste segundo álbum, o principal objectivo foi sempre estabelecer uma fasquia elevada, sendo muito exigentes connosco em todo este processo. Só assim conseguiríamos chegar a este ponto e sentirmo-nos tremendamente satisfeitos com o que temos em mãos.

VN: Numa dessas criticas foram apontados como os sucessores dos Moonspell. Una comparação destas acarreta muita responsabilidade. Sentem uma pressão extra por isso?
DL: Sinceramente, não sentimos a mínima pressão com isso. Afinal de contas, foi apenas a opinião de um jornalista, bastante elogiosa, por sinal... Contudo, não nos sentimos sucessores de ninguém, seguimos o nosso próprio - penoso - caminho e, além do mais, os Moonspell estão bem vivos e activos!

VN: Desde a estreia homónima já passaram 6 anos. O que mudou desde então nos Divine Lust?
DL: Somos uma banda diferente. A nivel de line-up, por volta de 2003/2004 houve mudança de teclista e guitarrista. Nunca tivemos uma formação tão estável e coesa como temos agora. De resto, houve sobretudo um amadurecimento natural da banda e um refinar da nossa sonoridade. Apesar do mais importante – a nossa identidade – não ter sido descaracterizada, vejo os Divine Lust de hoje em dia como uma banda muito diferente do que éramos em 2002. Basta ouvir o novo álbum para tirar quaisquer dúvidas.

VN: O que retrata The Bitterest Flavours em termos musicais e líricos?
DL: É-me muito difícil colocar-me na pele de analista de uma obra que ajudei a criar. Simplificando a questão musical, fazemos metal melancólico. Para uma definição mais precisa, nada como ouvir e procurar conhecer... A nível lírico, não existiu nenhuma fronteira conceptual no conjunto de letras que formam este álbum. Porém, o título amargo acaba por espelhar, também aqui, essa melancolia, para não dizer mais, fatídicamente presente em todas elas. Umas mais pessoais, outras mais abstractas, todas honestamente sentidas.

VN: O baixo foi gravado por um músico convidado. Como será ao vivo?
DL: O baixo foi gravado pelo Dikk (Witchbreed, Gonçalo Pereira entre outras referências), que acumulou essa função com a de produtor do álbum. Ao vivo, o baixo é assegurado pelo Jorge Fonte, baixista que gravou o nosso álbum de estreia. A dada altura ele não pôde continuar como membro efectivo dos Divine Lust, contudo sempre continuou nosso grande amigo e eventualmente acabámos por acolhê-lo de novo como nosso músico convidado nos concertos.

VN: Como e quando surgiu a oportunidade da edição internacional do vosso trabalho pela Deadsun Records?
DL: Quando tivemos o álbum finalmente masterizado, tratámos de divulgá-lo junto de algumas dezenas de editoras. Recebemos várias manifestações de interesse, de desinteresse e algumas propostas concretas de edição, todas elas vindas de editoras estrangeiras. Entre essas, a da independente francesa Deadsun Records pareceu-nos ser a mais vantajosa para os Divine Lust, daí ter sido naturalmente a escolhida para editar este álbum.

VN: Quais os objectivos que se propõem atingir com este segundo álbum?
DL: Como te disse anteriormente, o primeiro objectivo já está atingido, que consistia em ter um álbum que nos satisfizesse em pleno. Seja a nível de execução, produção, artwork, estamos muito orgulhosos do que conseguimos obter. Posto isto, importa tentar chegar ao maior número possível de pessoas, sobretudo a nível europeu e aqui, atingir este objectivo, já não depende apenas de nós, mas muito do que se possa fazer a nível de promoção e distribuição.

VN: A participação dos convidados foi prevista desde o inicio ou surgiu com o desenrolar dos acontecimentos?
DL: Um pouco as duas situações, consoante o caso. Por exemplo, o tema The Son That Never Was foi escrito pelo Filipe (Nota: Filipe Gonçalves, vocalista e guitarrista) e desde que ele nos apresentou o esqueleto da música que tinha a ideia de colocar umas partes de violino e de voz feminina. No tema que abre o álbum - Last Will Left...- , eu sempre fiz questão de iniciá-lo com uma melodia tocada numa guitarra portuguesa. Já em estúdio, por sugestão nossa, do Dikk e dos póprios músicos convidados, acabámos por alargar a sua intervenção a mais um ou dois temas, com ideias surgidas já em pleno processo de gravação

VN: Sendo uma banda lisboeta praticante de metal melancólico, que papel joga o fado nas vossas raízes musicais e na hora de compor?
DL: Em comum com o fado, temos sobretudo as raízes melancólicas que nos inspiram a fazer este tipo de música. Aquele fatalismo tipicamente Português que acaba inevitavelmente por também nos correr no sangue e, felizmente, conseguimos também exteriorizá-lo na forma de música.

VN: E a presença da guitarra portuguesa torna-se fundamental nesse contexto?
DL: A guitarra portuguesa acabou por ser um elemento natural neste álbum. Mentia se dissesse que é fundamental na nossa música, até porque não é um instrumento que faça parte da nossa formação ao vivo. Acima de tudo, considerámos que fazia todo o sentido integrar um instrumento genuinamente nosso na ambiência destes temas e fazê-lo soar honesto e enriquecedor. E existe a vontade de não ficar por aqui...

VN: Embora não sendo únicos, o uso da guitarra portuguesa está limitada a um reduzido número de colectivos. O que pensas do uso de instrumentos tradicionais portugueses no metal, à semelhança do que acontece com grupos e instrumentos de outros países?
DL: Se esse uso não soar forçado, porque não? Por vezes, o difícil está em encontrar um ponto de equilíbrio em que esses instrumentos sejam mesmo audíveis, acrescentem realmente algo e, já agora, que a banda continue a soar.... metal!

VN: Em termos promocionais, que acções estão previstas para os próximos tempos?
DL: A partir de Janeiro começa a distribuição a nível internacional e, a nível nacional, o disco vai chegar às lojas, já que por enquanto apenas está disponível através do nosso site. Em Portugal, estamos numa fase de divulgação junto de rádios, webzines, revistas, etc e muito em breve, vamos começar a agendar concertos. Lá fora, estamos a desenvolver contactos no sentido de garantir distribuição nos países onde a nossa editora não chega.

VN: Obrigado e mais uma vez parabéns!!
DL: Obrigado nós pelo teu interesse e deixamos votos de um grande 2009 com continuação de bom trabalho, em nome da Música! Como não podia deixar de ser, aproveito para deixar um convite para conhecerem melhor os Divine Lust e The Bitterest Flavours através do nosso site oficial – http://www.divinelust.com/ – e da nossa página no MySpacewww.myspace.com/divinelustband .

domingo, 28 de dezembro de 2008

Review: The Bitterest Flavours (Divine Lust)


Com o ano quase no fim chega às nossas mãos uma das mais brilhantes obras primas do metal nacional. O segundo álbum dos Divine Lust, The Bitterest Flavours mostra ao mundo toda a alma do metal nacional. Bebendo influências que nos fazem lembrar quer Candlemass, quer My Dying Bride, quer até os nossos Heavenwood, os Divine Lust parecem apostados em conquistarem o trono do doom metal melancólico e triste de alguma influência gótica, deixado um pouco livre, mesmo pelos sonantes nomes já referidos. Sim, não estamos a exagerar: a banda lisboeta, hoje em dia, mostra muitos mais argumentos que os nomes citados! O álbum é simplesmente… belo! O recurso à guitarra portuguesa e ao violino inteligentemente distribuídos ao longo do disco, ainda criam mais ênfase na triste beleza de The Biteress Flavours. Será difícil ao escriba transpor para palavras toda a emoção que transborda dos 11 temas que compõe o álbum. Mas acreditem que esta obra é doce quando quer mas fere quando assim o desejam os músicos. É romântica mas trágica. É potente mas frágil! Simplesmente brilhante! Ouçam e deixei-se deliciar com pérolas como a épica Duskfull Of Bliss, Morningful Of Misery, Veil Of Golden Leaves, Hunting, Elsewhere But Here ou The Son That Never Was. Mas estes são apenas alguns exemplos de um álbum feito de grandiosas canções, libertas de quaisquer amarras estilisticas ou estruturais, navegando livremente pelas ondas da melancolia, superiormente interpretadas, quer a nível instrumental, quer a nível vocal. A voz (quase sempre) doce e sofrida de Filipe Gonçalves lidera um colectivo que tem que ter orgulho no seu trabalho como o terá na sua identidade portuguesa através do recurso à guitarra portuguesa (cortesia de Ricardo Marques) que cria um inevitável e bem agradável sabor a fado e à alma lusa. Os restantes convidados (Paula Teixeira, Tiago Flores, Mark Harding e o Lisbon Unholy Trinity Gregorian Choir) contribuem, cada um à sua maneira, para o engradecimento desta obra fundamental em qualquer discografia. Sublime! Indiscutivelmente melhor álbum do ano!


Tracklisting:
Last Will Left…
… A Long Way Down
Good By Love
Hunting
Devilish Deliverance (Aeons Cry Pt. 2)
Duskful Of Bliss, Morningful Of Misery
Veil Of Golden Leaves
Elsewhere But Here
The Son That Never was
Selling My Soul
The White Flash

Line up: Filipe Gonçalves (vocais e guitarra), João Costa (bacteria), António Capote (teclados), Ricardo Pinhal (guitarra).
Músico de sessão: Dikk (baixo).
Músicos convidados: Paula Teixeira (vocais), Tiago Flores (Violino), Ricardo Marques (guitarra portuguesa), Mark Harding (narração), Lisbon Unholy Trinity Gregorian Choir (coros)

Website: http://www.divinelust.com/

Myspace: www.myspace.com/divinelustband

Edição: Deadsun Records (http://www.deadsunrecords.com/)

Nota VN: 19 (1º)

Review: Darkmind (Beto Vazquez Infinity)


Este é o terceiro álbum para o mais conhecido músico argentino e é aquele onde a vertente metálica se mostra mais acentuada. Os nomes a ajudar Beto Vazquez continuam a ser muitos embora já não tão sonantes como no passado (Tarja Turunen, Sabine Edelsbacher, Candice Night, Fabio Lione, são ao melhores exemplos). Ainda assim, o colectivo vive, indiscutivelmente, da capacidade de composição de Beto Vazquez e como ele próprio dizia na entrevista que nos concedeu, Darkmind é mais negro e obscuro. O que não quer dizer que seja melhor. Em alguns momentos esse acrescento de peso verifica-se à custa de um aumento de densidade sonora que torna os temas um pouco menos fluidos em relação ao que o colectivo tinha feito no passado, nomeadamente na sua estreia. Depois de uma intro a meias entre um sinfónico pouco pomposo e um metal pouco intenso, o disco continua com um dos melhores temas de Beto Vazquez: Kingdom Of Liberty recupera todo o esplendor dos speed/power metal dos anos 80 (Helloween presente em quase todos os momentos!). Mas, infelizmente, os temas seguintes mostram-se pouco convincentes e pouco diversos para se destacarem. A fasquia só volta a subir em dois temas: o tema-título, Darkmind, onde, independentemente das influência ironmaideanas, se pode admirar a competência técnica dos músicos que acompanham Beto; e em Sleeping In The Shadows, onde o sax regressa para marcar presença de uma forma inolvidável e, efectivamente, marcante. No resto, o trabalho, embora não sendo mau dificilmente se imporá entre os seus pares. Porque, Beto Vazquez ao querer aumentar a dose de peso e de agressividade acabou por cair em terrenos já mais que pisados por outra gente. Uma palavra positiva para o bom desempenho de todos os vocalistas, a começar por Jessica Letho (a mesma senhora que já havia participado em Poles dos nossos Factory Of Dreams de Hugo Flores) que, ainda assim, conseguem elevar um pouco mais o patamar de qualidade dos temas.


Tracklisting:
1. From your Heart













Line up: Beto Vazquez (baixo, guitarra, teclados), Karina Varela (voz), Victor Rivarola (voz), Norberto Roman (bateria), Carlos Ferrari (guitarra), Lucas Pereyra (guitarra), Jessica Lehto (voz)

Website: http://www.betovazquezinfinity.com.ar/

Myspace: www.myspace.com/betovazquezinfinity

Edição: BVM Records (http://www.bvmrecords.com.ar/)

Nota VN: 15 (33º)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Review: Interference (Waste Disposal Machine)



Vamos começar esta crónica admitindo que as sonoridades mais industriais não costumam ser muito habituais nos nossos espaços, quer escrito (blog) quer falado (rádio). No entanto, não quer dizer que essa situação não possa começar a mudar. E a melhor forma de isso acontecer é, precisamente, com a estreia dos Waste Disposal Machine (WDP). Certo que quando se fala em industrial alguma facções mais metálicas torcem o nariz, mas não é menos verdade que grupos como os Ministry ou os Rammstein (para citar apenas exemplos mais mediáticos) têm tido algum sucesso nos meandros mais virados para o metal. Ora, o que estes WDP nos propõem é, também, um industrial com um pé (às vezes até os dois) no metal. O que desde logo é muito bom. No meio de tanta maquinaria (ligeira e pesada) conseguem-se notar alguns apontamentos mais orgânicos que passam por melodias bem apuradas ou por ambiências sofisticadas. A introdução do álbum é, neste caso, uma mais valia. Um discurso brilhante a abrir as hostilidades, num registo de criatividade e tecnologia raro entre nós. Depois de abertas as hostilidades, somos fustigados por um fantástico conjunto de temas onde a maquinaria pesada dá o mote, mas sem esquecer toques de pormenor (a tal chamada maquinaria ligeira!) e melodia. Quando nos referimos a pormenores estamos a falar de pequenos sons ou ruídos estrategicamente colocados ao longo dos temas que ajudam a elevar o potencial da faixa a níveis muito mais interessantes. Uma forma de introduzir o factor variedade algumas vezes arredio de colectivos dentro do género e que os WDM sabem fazê-lo de forma perfeita. I Sing The Body Electric ou Home Sweet Home são bons exemplos desse cruzamento entre tecnologia e orgânica. Mas é em Un_Real, um tema que chega a ir buscar influências Moonspelianas, onde mais se nota a capacidade metálica e criativa da banda. O álbum fecha com quatro remixes de dois dos temas efectuados por nomes sonantes da cena electrónica nacional. Em termos puramente musicais esses quatro temas nada acrescentam ao álbum. Para os mais fanáticos, nomeadamente pela temática electrónica/industrial, poderão ser interessantes.

Tracklisting:


1.Interference

2. Virus


3. I Sing The Body Electric


4. Home Sweet Home


5. In Silence


6. 9:38 a.m.


7. Girl Within A Motorcycle


8. All The Good Ones


9. Un_Real
10. I Sing The Body Electric (TatsuMaki remix)
11. Girl Within A Motorcycle (Urb remix)
12. I Sing The Body Electric (Sci-Fi Industries remix)
13. Girl Within A Motorcycle (Stereoboy remix)

Line up: João Gonçalves (voz), Miguel Silva (guitarras, programações), Hugo Santos (baixo), Vítor Silva (bateria)

Website: http://www.wdm-web.com/

Myspace: www.myspace.com/wastedisposalmachine

Edição: Thisco (http://www.thisco.net/)

Nota VN: 15 (7º)

Playlist 18 de Dezembro de 2008


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Entrevista com New Mecanica


Distribuído em formato promo no inicio de 2008, Love & Hate rapidamente chamou a atenção pela sua qualidade. Agora, com a sua edição internacional pela Casket/Copro, impôe-se uma conversa com os New Mecanica. Carlos Rodrigues, conta-nos tudo a respeito deste lançamento.


VIA NOCTURNA (VN): Vocês já foram Drift Away, Reset e agora New Mecanica. Algum motivo especial para demorarem tanto a definir a vossa denominação?
NEW MECANICA (NM): Estas mudanças de nome tiveram como base, motivos importantes.
Em 2000, quando fizemos a mudança de nome teve como base, o deixar para trás todas as músicas que tínhamos feito enquanto Drift Away e fazer uma redefinição do nosso som. Sentimos na altura que o som que praticávamos era demasiado restrito e convencional para aquilo que queríamos realmente fazer.
Na altura escolhemos um nome que simbolizasse um novo começo para nós e achámos que o nome ideal seria Reset. Em 2008 optámos por fazer nova mudança de nome de banda, pois queríamos fazer o lançamento de Love & Hate a nivel worldwide e já tínhamos informação que havia pelo menos uma banda estrangeira devidamente registada com o nome de Reset. Para evitar qualquer tipo de problema nesse campo, mudámos para New Mecanica.


VN: Sendo já um nome incontornável do underground nacional, com mais de 10 anos de existência, como explicam a vossa reduzida produção discográfica?
NM: Infelizmente temos apenas como discografia nestes 11 anos de banda, 2 demos cds e 1 cd. Isto deve-se ao facto de nunca termos tido uma formação estável de banda, principalmente a nível de bateristas, e por causa disso, termos tido alguma atitude passiva face a este problema. Sabes, para nós o ideal de banda era teres
sempre cinco pessoas a remarem no mesmo sentido para que tudo resto fizesse sentido. Agora percebemos que mesmo sem a banda completa poderíamos ter arranjado alternativas na altura e ter efectuado mais registos de áudio.


VN: Love & Hate foi finalizado em Fevereiro de 2007 e publicado em 2008. Ainda é representativo da vossa sonoridade actual?
NM: Sim, penso que ainda é. Já temos músicas novas e é obvio que existem algumas diferenças pois além de terem passado quase dois anos desde a finalização do CD, temos dois elementos que entraram para banda este ano, mas o som de Love & Hate ainda continua a ser representativo da nossa sonoridade actual.


VN: Recentemente foi editado mundialmente pela Casket/Copro. É uma publicação idêntica à que já havia sido disponibilizada?
NM: Esta é a primeira e única publicação a nível comercial de Love & Hate. Anteriormente ao lançamento, disponibilizámos o cd em formato promo para várias revistas, webzines, blogs e rádios.


VN: Que expectativas têm em relação ao lançamento internacional e a esta ligação à Casket?
NM: O objectivo principal desta ligação é a internacionalização do nosso som, ou seja, que a nossa música possa chegar ao maior número de pessoas possível.


VN: As semelhanças com os Ramp têm sido muitas vezes apontadas ao vosso som. Como reagem a essas comparações?
NM: Os Ramp são uma das referências dos New Mecanica e como tal é normal que surjam essas comparações. No entanto não nos podemos esquecer que os Ramp têm como grande referência, os Metallica, que são a nossa maior referência musical, por isso também é normal que existam essas semelhanças, devido a esse facto.


VN: O tema Lonely foi alvo de edição um videoclip. Conta-nos como correram as coisas.
NM: O videoclip surgiu através de um grande amigo nosso, o Tó Silva que nos tem ajudado imenso e tem sido nosso técnico de som em diversas ocasiões. Através dele conhecemos o Vítor Guerreiro (produtor) e Afonso Pimentel (Actor). Após uma conversa com ambos chegámos a um consenso relativamente ao tema do videoclip a escolher (Lonely) e a sua história e depois foi só por a ideia em prática. Para nós foi uma experiência muito positiva e enriquecedora e com um resultado final que achamos ser muito bom.


VN: Há algum conceito subjacente a Love & Hate?
NM: Não, não existe nenhum conceito específico. As letras surgem de situações vividas ou presenciadas no nosso dia a dia. Posso ainda acrescentar que por vezes a mensagem inerente a cada letra é passada de uma maneira indirecta para que possa ser interpretada de várias formas.


VN: Atendendo às proximidades de 2009, há algo que se possa suceder em breve que possa ser divulgável?
NM: Com o nosso cd lançado há relativamente pouco tempo, o ano 2009 servirá para promoção e divulgação do mesmo.


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Entrevista com Anomally


VIA NOCTURNA (VN): Once In Hell… sucede a Anomally que, apesar de curto, já tinha deixado boas indicações. Estavam à espera de poderem ser tão bem recebidos numa existência tão curta?
ANOMALLY (ANO): Na altura em que lançámos o ep Anomally não estávamos à espera das críticas que recebemos. Ainda éramos uma banda tão nova mas a verdade é que conseguimos deixar os media curiosos em relação ao nosso trabalho. Cá nos Açores penso que foi uma grande surpresa e fomos recebidos com muito agrado principalmente pelo estilo que tocamos, porque infelizmente já é raro ouvirmos uma banda a tocar o que tocamos cá.


VN: Qual é a temática subjacente a Once In Hell…?
ANO: São basicamente histórias do fantástico. Vampirismo, espiritismo e licantrofia são os temas principais de Once in Hell… que fala também um pouco sobre a hipocrisia na Igreja.

VN: Musicalmente vocês incorporam algum gótico no vosso death metal. De onde surgem essas influências?
ANO: Nós tentamos conciliar todas as influências de cada membro. Bandas como Paradise Lost e Moonspell estiveram presentes ao longo da nossa adolescência, como tal fazem parte das nossas influências e à medida que fomos compondo os temas que hoje fazem parte de Once in Hell… essas acabaram por surgir naturalmente.

VN: Tecnicamente o vosso death metal é relevante. Acham que é mais importante a técnica que, propriamente, a brutalidade?
ANO: Achamos que é mais importante a melodia, algo que fique no ouvido sem ser comercial claro [risos]. Nenhum de nós é dotado de grande técnica, verdade seja dita, no entanto preferimos optar pela vertente mais melódica do death metal por ser aquela com que mais nos identificamos.


VN: Sendo uma banda açoriana, que reflexo esse facto tem ou teve no vosso percurso?
ANO: Um grande reflexo que teve no nosso percurso foi mesmo a escolha do estúdio onde gravámos Once in Hell… Tivemos que optar por gravar num estúdio local devido ao elevado custo que teríamos de suportar se optássemos por ir gravar a um estúdio no continente. Tenho acompanhado por exemplo os trabalhos que tem vindo a ser realizados no UltraSound Studio que era um dos estúdios que tínhamos ponderado. Cada vez vejo mais bandas a irem lá gravar e com um resultado final bastante bom, no entanto nós teríamos de gastar nada mais, nada menos do que quase 2000€ só em passagens.

VN: Pode, de alguma forma, considerar-se que as bandas fora dos grandes centros têm mais dificuldade em impor-se?
ANO: Quantas bandas dos Açores são conhecidas no continente? Talvez uma, Morbid Death. Acho que isso é suficiente para se perceber a dificuldade que as bandas fora dos grandes centros têm em impor-se. É verdade que tem surgido algumas oportunidades cá nos Açores como o Festival Angra Rock, o Festival Abismo, o Festival Alta Tensão que o ano passado teve um act em S. Miguel e este ano o Festival Internacional de Metal, mas mesmo assim não se pode comparar com o que sucede nos grandes centros. Se as bandas dos grandes centros têm dificuldades as restantes bandas têm que trabalhar o dobro para conseguirem algum reconhecimento.

VN: Na vossa curta carreira têm conquistado alguns prémios nos Açores. Consideras que isso tem tido repercussões ao nível do vosso crescimento?
ANO: Ter recebido o prémio de Melhor Banda Rock/Metal dos Açores 2007 trouxe-nos a possibilidade de este ano voltarmos a tocar com bandas internacionais como Dagoba e Fear My Thoughts. Deu-nos sem dúvida um maior alento para prosseguirmos com aquilo que tínhamos vindo a fazer até então, mas sou da opinião que também acabou por criar um pouco de pressão sobre nós. Na altura que fomos distinguidos com o prémio estávamos ainda a gravar o álbum e as expectativas foram subindo. Agora, depois do lançamento de Once in Hell… penso que é legitimo afirmar que essas expectativas foram superadas e felizmente temos vindo a receber boas críticas por parte de quem já teve oportunidade de o ouvir.

VN: Porque escolheram o tema No Words From The Dead para ser ilustrado com um videoclip?
ANO: Musicalmente julgo ser o tema mais completo que temos neste álbum. A sua temática também ajudou na escolha. Foi desenvolvida uma história baseada na letra deste tema que conta a história de uma rapariga que morreu e tenta contactar com o seu noivo e a forma que ela escolhe para o conseguir é possuindo os membros da banda. Quem ainda não teve oportunidade de o ver pode faze-lo através do nosso canal no youtube em www.youtube.com/anomallytube

VN: Que outras acções promocionais estão previstas para os próximos tempos?
ANO: Neste momento estamos ainda a promover este álbum por várias rádios, webzines e revistas. Em princípio iremos gravar um novo videoclip que também servirá para uma divulgação ainda maior. Estamos a tentar dar a conhecer a banda a quem nunca tinha ouvido falar de nós para então depois nos aventurarmos numa possível ida ao continente. Infelizmente o custo das passagens assusta um pouco quem organiza os festivais mas estaremos eventualmente dispostos a suportar com esse custo caso se torne possível a nossa presença em algum festival.

VN: Sendo ainda uma banda jovem, que anseiam para a vossa carreira?
ANO: O mesmo que provavelmente todas as bandas, poder viver daquilo que gostamos mais de fazer, tocar ao vivo o máximo possível, compor, gravar novos álbuns. No entanto estamos bastante cientes de que não é nada fácil, isto exige muito mas muito trabalho da nossa parte e é isto que estamos a fazer neste momento. Como eu costumo dizer, são muitos cães atrás do mesmo osso [risos}. Se não o conseguirmos pelo menos podemos dizer que tentámos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Playlist 04 de Dezembro de 2008


Review: Once In Hell... (Anomally)


Dos Açores surge-nos mais um colectivo a querer derrubar as barreiras da insularidade. Once In Hell… é o disco de estreia dos Anomally, um nome que já havia dado que falar quando há dois anos editaram o EP homónimo de três temas. Animados pela conquista do prémio Melhor Banda Rock/Metal nos Prémios Música Açores, o sexteto embarca na edição do seu primeira longa duração que aqui e agora analisamos. E o que se ouve é uma sonoridade que tem por base o death metal no seu lado mais técnico. Os Anomally optam, e bem dizemos nós, por dar mais enfâse à parte técnica e criativa que propriamente à devastação. Nesse particular merecem destaques as prestações de José Pires, eventualmente o baterista mais cirúrgico e técnico do underground nacional e Miguel Aguiar com a introdução de linhas de piano muito góticas, é certo, mas muito bem conseguidas e que ajudam a criar as atmosferas certas em cada tema. A melodia inicial de I Am God é o exemplo perfeito do que acabámos de escrever, embora haja outros. Em termos estruturais os Anomally apresentam um álbum que não se torna maçador até porque fizeram uma escolha muito acertada no que diz respeito à distribuição dos temas ao longo do disco: todo o album está em crescendo ou pelo menos cria essa ilusão. A segunda metade que se inicia com a memorável Legacy Of Blood é a melhor, com mais ambiência e com mais musicalidade. A parte vocal parece-nos ser a menos bem conseguida em todo o trabalho. O registo muito agressivo de Nelson Leal é pouco versátil e torna-se algo monótono. A inclusão, pontual, de vozes limpas atenua um pouco o problema, mas os Anomally deveria procurar melhorar nesse aspecto. Porque no resto estão no caminho certo.


Tracklisting:
Spiritual Embrace
Between Angels And Demons
I Am God
No Words From The Dead
Legacy Of Blood
Apocalyptic Signs
Immortal
No Hope


Line-up: Nelson Leal (voz), Marco Lote (guitarra/voz), Tiago Alves (guitarra), Luís Brum (baixo), Miguel Aguiar (teclados), José Pires (bateria)

Website: http://www.anomally.com/

Myspace: www.myspace.com/theanomally

Nota VN: 14 (12º)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Entrevista com Human Cycle


Na linha mais melódica e orientada para as ondas radiofónicas do rock, os Human Cycle são uma das mais promissoras propostas saídas do movimento nacional. Lead The Way mostra-nos um colectivo com boas ideias para explorar em futuros lançamentos. Via Nocturna fez algumas questões e a banda esclareceu tudo. Confiram agora.

VIA NOCTURNA (VN): Falem-nos da génese e desenvolvimento dos Human Cycle?
HUMAN CYCLE (HC): Os Human Cycle surgiram em 2002/2003 mas começaram a dar a sua aventura musical em 2004 com o lançamento do seu 1º EP Broken Hill. Desde esse lançamento o processo de amadurecimento foi significativo. Claro que não foi o desejado, pois esta não é a nossa principal ocupação, sendo assim, a evolução torna-se sempre mais difícil de acontecer de uma maneira mais rápida.


VN: Lead the Way acabará por ser o documento mais representativo do actual momento dos Human Cycle?
HC: Sim, neste momento já estamos a escrever temas novos para o próximo lançamento, mas este disco é sem dúvida um bom cartão de visita para o novo ciclo dos Human Cycle.


VN: Em cinco temas, 2 são cantados em português. Esta dualidade linguística é para manter?
HC: Sim, já temos mais dois temas escritos em Português para um novo disco que iremos editar, talvez em 2009/2010.


VN: Mas há algum critério que vos leve a adoptar que o tema X ou Y seja cantado em Português em Inglês?
HC: O vocalista (meu irmão), é que faz essa escolha. O último tema em Português foi escrito por ele. A parte instrumental, melodia, estrutura e letra, nos outros temas costuma ser primeiro um riff de guitarra a ser criado e depois o meu irmão improvisa uma linha melódica por cima desse riff e, finalmente, escolhe a língua. É um processo muito intuitivo, mas gostámos muito deste desafio de cantar em Português, que foi provocado pelo nosso produtor (Rodolfo Cardoso), que nos desafiou a cantar dois temas em Português. Gostámos tanto do resultado final que iremos agora sempre incluir um ou dois temas em Português nos nosso discos.


VN: Há algum conceito subjacente a Lead The Way?
HC: Sim, começa nas letras e respectiva capa do disco. As nossas letras são sempre muito filosóficas e de cariz social também, isso reflecte-se não só no nome da banda como nas letras também.


VN: Como está a correr a promoção do trabalho?
HC: Está a correr bem, vamos começar as gravações de um vídeoclip para a música de apresentação deste disco, a música Lead the Way, para ver se temos algum airplay na MTV e outros canais nacionais e internacionais. Temos passado em várias rádios nacionais e internacionais, mas temos tido bastante feedback fora de Portugal. As nossas vendas nas lojas digitais têm sido principalmente feitas nos EUA e Alemanha. Em Portugal ainda vendemos muito pouco no itunes, emusic, etc.


VN: Já há contactos com vista a uma futura edição por uma editora?
HC: Não, neste momento estamos a promover este disco, e no futuro iremos editar por nós, edição de autor. Não faz parte dos nossos planos procurar uma editora. Às editoras multinacionais é muito difícil chegar e as melhores editoras independentes nacionais, como a Borland ou a Rastilho, não se enquadram no nosso som, por isso se tentássemos seria com uma editora internacional, mas para já não estamos a tentar essa via.


VN: Suponho que já tenham temas novos em preparação. Seguem o mesmo rumo ou podemos esperar algumas alterações?
HC: Sim, já temos temas novos, alguns seguem o mesmo rumo e outros não, mas para já ainda está tudo muito em estado protótipo, não há nada definitivo, a ver vamos.

domingo, 16 de novembro de 2008

Entrevista com Endamage


De Braga surge-nos mais um jovem e promissor colectivo. Apostando na vertente mais melódica e técnica do Death Metal, Apotheosis é o cartão de visita dos Endamage. Conheçam-nos melhor através desta entrevista que a banda nos concedeu.


VIA NOCTURNA (VN): Quais os motivos que estiveram na base do surgimento dos Endamage?
ENDAMAGE (END):
Tal como a maioria das bandas os Endamage surgiram devido à paixão pela música partilhada por quatro amigos. Inicialmente estávamos ligados a estilos totalmente diferentes do actual Death Melódico com influências Rock e Grunge, e também muito jovens e (ainda mais) inexperientes, fomos evoluindo tecnicamente e modificando os nossos gostos musicais até ao dia de hoje.


VN: Qual é o vosso line-up, actualmente?
END:
A formação actual conta com quatro elementos: Pingas na guitarra e voz, Vítor na guitarra, Suraj na bateria e Slayer no baixo.


VN: Vocês situam-se dentro do chamado Melodic Death Metal. Que influências apontam como mais importantes na definição do vosso som?
END:
Apesar de esse ser o estilo que praticamos apontamos várias bandas como influência dentro dos vários espectros do Death Metal. Como principais bandas de Death Melódico apontamos por exemplo Carcass na sua fase mais tardia, Soilwork, Nightrage, Quo Vadis, Amoral… Fora do Death Melódico há também muitas outras apontar, mas a nossa banda de culto são sem dúvida os Death.


VN: Parece-me que se está a viver uma boa fase para o death metal. Concordam?
END:
Sim, penso que nos dias de hoje o Death Metal é o espectro do Metal em maior desenvolvimento. Além das sub vertentes já tradicionais das quais se continuam a produzir grandes álbuns, começam a aparecer cada vez mais estilos ligados ao Death Metal. O Death Metal está em grande expansão em relação a outros tipos de metal que se encontram estagnados.


VN: Acham, então, que essa situação pode, de alguma forma, beneficiar-vos?
END: Sim e não. Por um lado pode beneficiar-nos por ser um estilo muito em voga e com muita procura, por outro, é um estilo que é tocado por muitas bandas e que começa a ficar um tanto saturado por isso é sempre necessário fazer algo novo e que nos distinga das outras bandas. No EP Apotheosis, essa assinatura não está muito presente, mas é algo que vamos tentar melhor nos próximos trabalhos.


VN: Porque gravar Apotheosis só com quatro temas, sendo um deles uma intro? Não será um pouco redutor da vossa capacidade?

END: O reduzido número de temas deve-se principalmente a dois factos. O primeiro e bastante óbvio é a questão monetária. Tivemos de optar pela qualidade em vez da quantidade devido à falta de recursos monetários. Em segundo lugar, o objectivo deste trabalho sempre foi apenas dar a conhecer o nome da banda através um registo profissional e de boa qualidade por isso não era tão necessário uma grande quantidade de temas


VN: Como tem sido a reacção dos fãs e da imprensa?
END:
Para já tem sido bastante positiva, estamos cada vez a divulgar mais o nosso nome através deste trabalho.


VN: Uma das mais valias, na minha opinião, de Apotheosis é o excelente artwork. Acham importante que o produto final (música) venha envolvido numa embalagem de excelência?
END:
É algo secundário mas que também acaba por ser algo importante e definir um pouco a imagem da banda. Por outro lado, penso que as pessoas que gastam dinheiro em álbuns, demos ou EPs gostam que lhes seja apresentado algo com qualidade. Hoje em dia pode-se fazer o download de música pela Internet, e uma boa apresentação acaba sempre por ser um incentivo à compra do suporte físico.


VN: Já agora, quem foi o responsável pelo trabalho?
END: Cláudia Araújo, designer gráfica, familiar de um dos elementos da banda.


VN: Já há perspectivas para a edição de algo mais volumoso em termos musicais?
END:
Esperamos durante o próximo ano entrar mais uma vez em estúdio para gravar mais um registo. Dependo das nossas condições na altura, talvez um longa-duração.


VN: E em termos de editora, já há alguma novidade?
END:
Em termos de editora para já não há nada a apontar. Após o próximo trabalho esperamos ter novidades nessa área.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Entrevista Com Beto Vazquez Infinity



Previsto para lançar esta semana, Darkmind, o terceiro álbum do argentino Beto Vazquez, promete ser mais obscuro. Como sempre recorrendo a muitos convidados, desta vez até o nosso país está presente com a contribuição de Rute Fevereiro. Para conferir tudo isto conversámos com o próprio músico que nos esclareceu acerca de tudo.

VIA NOCTURNA (VN): Tens tido, desde o inicio, a participação de gente importante nos teus trabalhos. Como tens conseguido esses elementos?
BETO VAZQUEZ INFINITY (BVI): Olá! Bem, desde o inicio que tinha a ideia que este projecto deveria ter origem na Argentina mas com a possibilidade de trabalhar com gente de todo o mundo. Isto porque a criação de música com este formato de banda-projecto permitia-me convidar à participação de músicos diferentes para ampliar e enriquecer a minha proposta musical.

VN: Em Darkmind, tens a trabalhar contigo uma verdadeira selecção mundial: gente da Argentina, México, Brasil, Itália, Suécia, Croácia, Portugal. Como consegues conciliar e gerir toda esta situação?
BVI:
Muitos convidados deste disco fizeram o seu contacto através do Myspace oficial. Outros, convoquei-os pessoalmente. Quando isto sucede, explico a cada um qual é o meu sistema de trabalho, dou-lhes algumas pautas e explicações e estipulo um prazo para a entrega do trabalho. Se estão de acordo ficam, automaticamente, como participantes.


VN: Tu continuas a assumir a quase totalidade das composições e do instrumental. Sentes-te confortável nessa situação?
BVI:
Sim, porque posso ter o controlo absoluto da direcção musical. No entanto, em algumas excepções reparto a autoria da composição com outros músicos ou vocalistas. Considero que também é uma boa opção para alargar as ideias do produto final.


VN: Não sendo a Argentina um país do top em termos de produções metálicas como vês o facto de tanta gente todo o mundo querer trabalhar contigo?
BVI: Suponho que a muita gente chame a atenção o facto de artistas de renome internacional participarem nos meus discos. Mas como não há muitos projectos internacionais provenientes da América do Sul, deve ser interessante para esses músicos participarem no meu trabalho. É uma forma de serem promovidos.


VN: Jessica Letho foi recentemente apontada como vocalista da banda. É um elemento definitivo da banda ou apenas mais uma convidada?
BVI: Jessica Letho inicialmente era convidada. Todavia, devido ao seu trabalho rápido e profissional e à sua admiração por este projecto pareceu-me uma ideia excelente inclui-la como membro estável da banda. Ela possui um registo vocal muito amplo, é uma pessoa agradável e é um prazer trabalhar com ela.



VN: Sabes que a Jessica letho, para além dos Once There Was, acaba de lançar um álbum com os Factory Of Dreams, um projecto português liderado por Hugo Flores?
BVI: Sim, claro! De resto tenho em minha casa os discos de Once There Was e de Factory Of Dreams. Este parece-me um bom projecto de música progressiva. De qualquer forma com a sua voz, tudo o que ela faça será um prazer, pela sua qualidade.


VN: Que papel tiveram os teus convidados na elaboração das estruturas que apresentas no novo disco?
BVI: O trabalho com os convidados é feito de duas maneiras: a alguns dei-lhes o trabalho indicando o que devia fazer; a outros dei-lhes mais liberdade para que pudessem expressar o seu estilo mais comodamente. Isso depende sempre do que quero para cada canção.


VN: A respeito de convidados, como descobriste a Rute Fevereiro e qual será o papel que ela desempenhará em Darkmind?
BVI: A Rute contactou-me pelo meu Myspace e como muitos músicos enviou-me uma demo para que escutasse a sua música e ver se encaixava no novo disco. Gostei muito da da sua forma de se expressar e, tal como Jessica, é uma pessoa com muita qualidade. A Rute é vocalista e guitarrista e, neste disco, optei por convidá-la como guitarrista porque já tinha a minha lista de vocalistas completa. Compusemos um tema juntos sobre uma base que ela me entregou.


VN: Fala-nos um pouco sobre Darkmind: o que podemos esperar em termos musicais, conceptuais e líricos?
BVI: Como o seu próprio nome indica, Darkmind tem um conceito um pouco mais obscuro que os meus trabalhos anteriores. Darkmind vai levar-te por muitos caminhos onde se encontram os sentimentos e as energias para se converterem em canções subtis, obscuras ou poderosas. Neste trabalho irás encontrar desde música clássica até rock gótico, mas também com alguns temas com velocidade do power. Nunca faço um disco igual ao anterior nem tão pouco temas que se pareçam entre si. Gosto muito da variedade absoluta. Quanto às letras, algumas são histórias, outras são vivências reais que vou expressando. No entanto, o conceito, com excepção da faixa bónus, é a poesia gótica.


VN: Que expectativas tens quanto a este novo lançamento?
BVI: Tentar chegar a todas as partes e que as pessoas realmente disfrutem deste novo material. Também poder licenciá-lo em todos os países, não só na Europa como também na América Latina.


VN: Já tens preparado um esquema de apresentações ao vivo? Se sim, que países pensas visitar? Portugal estará incluído?
BVI: Realmente, gostaria tocar em todo o mundo e não apenas em alguns países mas isso depende sempre dos produtores ou das companhias discográficas que estejam interessadas neste projecto. Seria muito bom voltar a tocar fora da Argentina novamente! Oxalá isso possa acontecer já no próximo ano. Para mim seria um prazer.


VN: Obrigado!!
BVI: Obrigado pela entrevista. Quem sabe possamos ir um dia ao teu país. Mando-vos saudações e, simplesmente, espero que desfruteis de Darkmind.

Playlist 13 de Novembro de 2008


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Entrevista com Echidna

São apontados como a grande esperança nacional dentro do death metal e o seu trabalho Insidious Awakening demonstra isso mesmo. Poder sónico e muita técnica fazem deste lançamento um nome obrigatório. David Doutel explicou-nos tudo sobre esta nova fase da banda nortenha.


VIA NOCTURNA (VN):O que é que Insidious Awakening proporciona que Tearing The Cloth não o teria feito?
ECHIDNA (ECH):
Proporciona acima de tudo uma percepção daquilo que os Echidna podem fazer de uma forma bastante mais coerente e profissional. Partimos para a ideia de gravar um álbum com a experiência em estúdio que tinhamos adquirido aquando da gravação de Tearing the Cloth, para além da maturidade adquirida ao longo do nosso percurso em termos de composição e execução, o que na nossa opinião se sente de um registo para o outro. Em termos de exposição e promoção da banda, é claramente um passo em frente a gravação de um LP, pois como se sabe é extremamente complicada a edição de um EP hoje em dia, que não de uma forma independente. De qualquer maneira, creio que é de salientar que sempre tivemos em mente que poderiamos fazer muito melhor do que aquilo que ficou registado em Tearing the Cloth, portanto respondendo directamente à pergunta, Insidious Awakening apresenta os Echidna numa fase mais madura de uma carreira que acabou de começar, sendo que pretendemos sempre mais e melhor para tudo o que se seguir.

VN: Nota-se, nos vossos temas, a preocupação de incluir uma técnica extrema. Surge como resultado de, exactamente?
ECH:
Creio que surge acima de tudo do enorme prazer que sentimos enquanto músicos, o que por si só potencia a vontade de trabalhar com maior intensidade determinados aspectos relacionados com a execução técnica dos instrumentos. A inclusão acaba por surgir naturalmente, num ambiente de criação colectiva, onde todos puxamos uns pelos outros com o intuito de dar ao trabalho final a maior qualidade possível.

VN: De onde vem a inspiração pata tantos e tão bons solos de guitarra?
ECH:
Bom... não há uma fonte mágica de inspiração concreta que possa referir. Correndo o risco de me repetir, acho que surge da excelente relação que temos uns com os outros, do ambiente de satisfação e confiaça que vivemos aquando da composição. Os solos, como tantos outros elementos no álbum, são trabalhados individualmente, muitas vezes fora do ambiente da sala de ensaios. A inspiração essa, surge de todos estes elementos adquiridos em grupo e sem dúvida alguma das experiências de vida que cada um vai tendo. São pedaços musicais no álbum que garantem uma maior expressão no universo das cordas, logo aí, antes da inspiração acaba por ser extremamente necessário um enorme trabalho concreto a nível técnico e de composição das harmonias que os acompanham.

VN: Insidious Awakening tem recebido excelentes críticas um pouco por toda a Europa. Estavam à espera de tanto sucesso?
ECH: À espera não estávamos, mas tinhamos essa esperança sem dúvida. Acreditamos sempre muito naquilo que fazemos, daí que da nossa parte estivessemos à espera que o trabalho obtivesse algum reconhecimento, tanto nacional como internacional. Nesse sentido, tudo o que tem acontecido nos últimos tempos tem sido extremamente gratificante, o que fortalece a nossa confiança e vontade de continuar, tendo sempre em mente que podemos e queremos fazer muito melhor. De resto, falando em termos concretos sobre as reacções pela Europa, é de destacar o excelente aceitamento que o álbum tem tido na Alemanha, abrindo assim as portas a uma tour nesse mesmo país.

VN: Como se sentem na Rastilho, uma editora não muito voltada para sonoridades tão pesadas?
ECH:
Extremamente satisfeitos até aqui. O relacionamento com o Pedro Vindeirinho é excelente e ele acredita no álbum tanto quanto nós, o que por si só permite um tipo de esforço e dedicação que de outra forma não seria possível. De resto só temos a agradecer à Rastilho por tudo o que tem feito. Não sendo uma editora direccionada para o metal, apostou em nós e no nosso trabalho, pelo que é de valorizar ainda mais a decisão tomada. Da nossa parte, o trabalho ainda está longe de teminado, pelo que continuamos a procurar, em conjunto com a Rastilho, mais formas de fazer chegar o álbum a todos os cantos do país... e do mundo se assim conseguirmos.

VN: Como tem corrido a promoção do álbum?
ECH:
Tem corrido bastante bem. Estamos neste momento a promover o álbum pelo país na digressão No Lenience Tour, que arrancou aquando do Alliance Fest em Agosto. Temos tido bastantes solicitações para entrevistas nos mais diversos meios e canais de comunicação actuais, o que nos permite chegar a mais público. De resto, estamos agora a partir para a Europa com mais força, pela resposta positiva que o álbum teve dentro da crítica especializada, o que permite encarar os mercados exteriores com maior optimismo.

VN: Porque demoraram tanto tempo entre o início da vossa carreira e a primeira actuação ao vivo, cerca de quatro anos depois?
ECH:
Creio que essa é uma decisão fundamental no nosso percurso até aqui. Decidimos desde cedo que pretendiamos adquirir uma estabilidade e maturidade razoáveis, que nos permitisse aparecer já com alguma qualidade. Assim foi e creio que foi a melhor opção, uma vez que a pressão de um palco ou a gravação de uma demo podem prejudicar fortemente o percurso de uma banda, atingindo directamente o prazer que se deve sentir enquanto músico. Ao tomarmos esta opção, garantimos um crescimento natural e sem pressões enquanto banda e músicos individualmente, que de outra forma não seria possível. A pressão, o nervosismo e a responsabilidade tiveram o seu tempo 4 anos após o início.

VN: Esse concerto foi no Hard Club. Que memória tem, enquanto gaienses, dessa mítica sala?
ECH:
Temos acima de tudo saudades! O Hard-Club faz falta a Gaia e muita falta ao país, pois era uma casa com características únicas no que respeita à qualidade do som dos espectáculos. Foi lá que iniciámos a nossa carreira pelos palcos deste país, foi lá que vimos dezenas de concertos para relembrar, foi lá que conhecemos outras bandas e acima de tudo foi lá que muitas das bandas do norte do país tiveram uma excelente oportunidade de ter mais visibilidade nacional. Faz sem dúvida muita falta a Portugal.

VN: Como está a região do Porto, actualmente, a esse nível?
ECH:
Existe recentemente uma dinâmica bastante interessante no que respeita ao público do metal, muito por culpa de bares como o Porto-Rio ou o mais recente Metalpoint, que recebem eventos de metal com bastante regularidade. Neste sentido, o público do Porto (e Braga e Guimarães também, porque não?) sabe os locais onde pode desfrutar de concertos de metal, criando uma interacção importante entre músicos e público, que acaba por naturalmente dar mais visibilidade às bandas. Nem sempre foi assim pois com o encerramento do Hard-Club, o público do metal e as próprias bandas do Porto ficaram bastante à deriva, mas felizmente tudo se recompôs e fica todos os fim-de-semanas demonstrado no Metalpoint que o público do metal do Porto está aí para ficar.

VN: Em termos futuro já há algo planeado?
ECH:
Sim, estamos neste momento a planear a segunda parte da tour nacional, que terá início em Fevereiro do próximo ano, bem como a estudar a possibilidade de partir em digressão para o estrangeiro, mais concretamente pela Alemanha. Em termos de promoção do álbum, estão abertas as portas para um licenciamento mundial, que é algo que estamos a estudar com bastante cuidado e que representa um passo importante no crescimento da banda. De resto, temos já em mente a criação de um novo álbum, mas acima de tudo queremos afastar a pressão de uma data de lançamento, pelo que fica apenas no ar a ideia de que estamos de facto a começar a trabalhar nisso.

Playlist 06 de Novembro de 2008


Entrevista com Factory Of Dreams






A propósito do novo projecto de Hugo Flores, Factory Of Dreams, conversámos com o próprio multi-instrumentista e com a vocalista sueca Jessica Letho. Aqui ficam as suas opiniões.





Via Nocturna (VN): Desde o início pensaste em criar algo diferente para um projecto novo ou decidiste, durante o processo criativo, que aqueles temas precisariam de um novo nome?
Hugo Flores (HF): Foi logo desde o início que decidi que queria mesmo um projecto novo, um som diferente e uma nova abordagem aos temas. Quando comecei a compor tinha já isso em mente e a estrutura musical foi determinada pelo género que queria construir, assumidamente mais simples e direccionado. Depois de completar a mistura do Dawn on Pyther, de Project Creation, fechei-me no estúdio e durante umas duas semanas gravei coisas aleatórias. Sabes que, inicialmente, o projecto era muito orientado para uma música ambiental e depois evoluiu para uma mistura entre som atmosférico e metal. Não é metal puro e duro, mas Factory incorpora guitarras muito distorcidas que tornam o som poderoso.

VN: Neste trabalho assumes as despesas de todos os instrumentos. Sentes-te confortável nessa posição?
HF:
Sim, bastante. Gosto de ter o controlo da música e desde que saiba usar os instrumentos para o fim que pretendo está tudo bem. Sempre que percebo que é necessário algo mais, ou que não domino eficazmente um instrumento, recorro a outros músicos. Factory não é demasiado exigente em termos de instrumentação, temos uma grande percentagem de sintetizadores, guitarras eléctricas e alguma guitarra baixo. Mas, para um próximo álbum, vamos mudar um pouco esta abordagem.


VN: Porque não recorres a outros músicos?
HF: Porque queria mesmo que Factory fosse somente música minha e com uma voz feminina. Queria respirar e para isso precisava de uma música que surgisse facilmente e que fosse fácil de trabalhar, pelo menos mais fácil do que o meu outro projecto. Para Factory o que queria era uma abordagem simples, por completa oposição a Project Creation onde recorro a mais de 10 músicos e onde todos eles contribuem definitivamente para a atmosfera do álbum. De qualquer forma, em Factory, o Chris Brown tocou Fretless Bass e masterizou o cd. Para um próximo, talvez recorra a alguns convidados, mas o core será eu e Jessica.

VN: O facto de seres tu sozinho nos instrumentos, será, de alguma forma, impeditivo de se apresentarem ao vivo?
HF:
Sinceramente não me preocupa muito esse facto. Se pretendesse construir uma banda comum, teria recrutado pelo menos 4 músicos. Quando comecei Factory e Project Creation, sabia que ambos os projectos seriam de difícil execução ao vivo. P. Creation pela quantidade de músicos e Factory pela distância entre os dois músicos. Mas o meu objectivo principal é o de produzir álbuns em estúdio e ter uma história bem desenvolvida e suportada também em boa artwork . De qualquer forma não está posta de parte uma abordagem desta música ao vivo. Vamos ver se se reúnem as condições que precisamos. Até lá, o melhor será desfrutar do álbum Poles e dos de Project Creation.

VN: Porquê Factory Of Dreams? Será pela junção do som maquinal com a voz de sonho de Jessica?
HF:
Também, mas igualmente pelo tema que abordamos. O mundo em que vivemos é uma fábrica de sonhos, ou deveria dizer ilusões? Quando se lê este nome, parece que é tudo muito risonho e bonito, mas não é bem assim, esta Factory é mais negra do que parece. Aspecto maquinal, sim, sem dúvida. Tudo o que envolva máquina versus orgânico fascina-me, tal como comprova também a tal libelinha mecânica que habita o Mundo dos dois primeiros álbuns de Project Creation, dominada pela sua vontade em se tornar mais humana e a ganhar emoções. Mecânico também pelos ritmos frenéticos que constroem algumas das faixas do álbum, ritmando as melodias vocais da Jessica.

VN: De certa forma, desta vez fugiste um pouco à temática científica. Foi devido a todo o enquadramento do novo projecto?
HF:
Sim, fugi do tema típico de fantasia ou ficção científica pura, mas a verdade é que Poles, apesar de falar em coisas das quais todos devemos estar familiarizados, aborda tais temas através de um princípio ficcional. Poles é um local ou um planeta dividido em dois lados, com uma máquina que produz ilusões, e isto acaba por entrar na área da ficção. Mas quando escrevi as letras, não tinha propriamente um conceito de base, foi mais escrever o que me surgia e depois agregar tudo numa temática única. Quando se escreve um álbum em poucas semanas é natural que as letras que daí surjam tenham na sua essência um único conceito, pois é o que preocupa nesse dado momento quem escreve. Se, contrariamente, o álbum é escrito durante muito tempo, os temas podem dispersar-se mais, a não ser que conscientemente o levemos para um único tema.

VN: Em alguns temas nota-se muito positivismo. É essa a principal mensagem de Poles?
HF:
Talvez, não sei bem sinceramente. A principal mensagem é mostrar que tanto o mal como o bem fazem parte da nossa natureza, por isso porquê evitar o mal quando este está presente nas nossas vias quotidianas? Isso seria o caminho para a hipocrisia que tanto já domina este Mundo. Eu diria que é 50% positivismo e 50% negativismo o que o álbum pretende mostrar, mas acima de qualquer conceito confesso que para mim a música talvez seja o mais importante no final de contas. Mas o cd acaba em suspenso, quase sem fôlego. Quando o personagem principal chega ao lado positivo, acaba por apenas ficar a conhecer esse lado. Quando se desconhece o mal, e apenas o bem, o Bem deixa de fazer sentido. O negativismo é necessário para que o conceito de positivismo exista. Este conceito está também relacionado com um planeta dividido em duas zonas, como referi, uma povoada pela ganância e a maldade e outra onde abunda a bondade. E como deves ter visto pela música Stream of Evil, estas duas áreas estão separadas por um tipo de mediador e canalizador de emoções, um rio de emoções, mas que é influenciado sobretudo pelo lado obscuro.

VN: Com o surgimento de FOD em que pé ficam ou estão Sonic Pulsar e Project Creation?
HF: Boa questão e posso adiantar que Project Creation é tanto uma prioridade como Factory, pois pretendo concretizar a trilogia brevemente. Em relação a Sonic Pulsar acho que terminou, por uma razão muito simples: Sonic é Project Creation, ou melhor, Project Creation é um Sonic Pulsar mais elaborado e complexo, daí eu estar a pensar em adaptar o conceito e composições que tinha idealizado para o terceiro Pulsar num outro álbum de Project Creation, mas após completar a trilogia inicial.

VN: Estás a pensar dar seguimento aos FOD ou esta foi uma aventura isolada? E será, de novo, com a Jessica?
HF:
Desde que a magia continue a surgir, e por magia quero dizer aquela sensação ou arrepio que se sente quando se produz música e se fica envolto por esta, Factory irá continuar. Portanto, para já pretendo começar as gravações do segundo Factory of Dreams, pois já tenho algumas ideias e letras; estou entusiasmado com este segundo album. Poles foi um warm up, por assim dizer, e este segundo cd vai entrar por outros géneros estando a tornar-se mais forte e complexo. E sim, a Jessica faz parte de Factory, por isso pretendo continuar a trabalhar com ela. Sinto-me muito confortável e somos amigos, mesmo que à distância.


VN: Jessica, já conhecias o trabalho de Hugo Flores antes deste projecto?
Jessica Letho (JL):
Não tinha ouvido nenhum dos seus projectos até à altura em que ele me contactou. Foi a primeira vez que tive contacto com a sua música e realmente gostei. Ele é um músico muito talentoso e o tipo de música que escreve não é similar com nada que tenha ouvido. Boa e refrescante música de uma pessoa simpática é algo que está garantido portanto fiquei muito feliz por me ter convidado.

VN: Como surgiu a hipótese da tua participação neste projecto?
JL:
O Hugo Flores descobriu-me no meu myspace, decidiu contactar-me e, em poucos dias já tinha gravado algumas linhas vocais para Transmission Fails. Aí ele pode ver como a minha voz soava na sua música. Então, a colaboração começou.

VN: A tua participação foi a que nível? Limitou-se a colocar voz nos temas do Hugo ou pudeste criar algumas linhas melódicas e trabalhar vocalmente as estruturas já existentes?
JL:
Criei muitas das linhas vocais. As estruturas estavam lá, as linhas de texto diziam quando deveria cantar, mas, na maioria doas canções, criei as melodias e harmonias.

VN: De que forma é que este projecto se enquadra na tua carreira enquanto vocalista?
JL:
Não considero que tenha uma carreira enquanto cantora simplesmente porque ter a minha voz em algumas gravações que estão, actualmente, a serem editadas ainda parece um pouco surreal para mim (risos). Poles é o primeiro álbum editado por uma editora onde se pode encontrar a minha voz e por isso é um disco especial para mim. Ainda não sei como isso poderá influenciar o meu futuro como vocalista mas espero que muitas pessoas oiçam e gostem deste trabalho quer ao nível instrumental como musical.



VN: Fala-nos um pouco do teu projecto principal, Once There Was.
JL:
Once There Was é o meu projecto. Escrevo todas as músicas e tenho algumas pessoas a ajudar nas misturas que é uma coisa que eu não consigo fazer sozinha porque não sou boa nisso e não tenho muita paciência para aprender. Gravei os vocais e usei muito software sintetizado e alguns plug-ins para a bateria e linhas de baixo. Até agora fiz três demos e estou a trabalhar em mais duas. Na minha quinta demo terei alguns músicos convidados e Hugo Flores será um deles.

VN: Como consegues gerir a participação em dois projectos tão afastados fisicamente?
JL:
A distância não é um problema desde que mantenhas o contacto e não tenhas medo de ir perguntando o que não está tão claro. Na realidade, eu nuca trabalhei face a face com ninguém até agora, se exceptuarmos o trabalho nos Once There Was, obviamente. Mas eu espero que um dia eu e o Sr. Flores nos encontremos. Seria fantástico.

VN: Vislumbras alguma hipótese de continuar a trabalhar com Hugo Flores neste ou noutro projecto?
JL:
Continuarei a trabalhar com o Hugo enquanto for possível. É bom trabalhar com ele pois proporciona muita liberdade naquilo que fazes embora mantendo o rumo das suas ideis e projectos. Ele já tem algumas ideias para o segundo cd de Factory Of Dreams e eu continuarei a cantar com ele. E também cantarei algumas partes no próximo album de Project Creation.

domingo, 2 de novembro de 2008

Review: Hero (Van Canto)


Fazer metal à capela não seria, de todo, o que o mais comum do mortal ouvinte de metal estaria à espera. E a ideia até pode parecer absurda. Mas se formos a ver bem as coisas, também fazer metal com violoncelos era, no mínimo, estranho e não foi por causa disso que uns tais finlandeses denominados Apocalytica não fizeram sucesso. Agora à capela, surge-nos no colectivo germânico com o sugestivo nome de Van Canto. Com cinco vocalistas e um baterista a originalidade do colectivo começa logo por aí. Tudo é feito com as vozes e o poder do metal é dado só com um instrumento: no caso, a bateria. Dennis Schunkle e Inga Scharf são os vocalistas principais, aqueles que, nos outros grupos, são mesmo os vocalistas. E logo aí se percebe que há muita qualidade naquela gente. Os seus desempenhos vocais são fantásticos. Senão oiça-se, por exemplo, a versão de Wishmaster dos Nightwish e confirmem-no. Os outros três vocalistas são responsáveis por toda a sonoridade: guitarra ritmo, guitarra solo e baixo. Num campo completamente oposto, mas para situar, podemos apontar o nome de uns Vozes da Rádio como possível comparação . O álbum é composto por 10 temas, cinco dos quais originais. E estes não ficam a dever mesmo nada ao que de melhor se tem feito em termos de metal melódico. Quanto às covers, ou estão ao mesmo nível dos originais (no caso já citado de Wishmaster) como chegam mesmo a melhorá-los. Oiçam Kings Of Metal (de Manowar) ou Fear of The Dark (Iron Maiden). As outras versões são de Stormbringer (de Deep Purple) e The Bard’s Song – In The Forest dos Blind Guardian, cujo vocalista, Hansi Kursch participa em Take To The Sky. Para já a receita funcionou muito bem. Vamos a ver se estes Van Canto tem estaleca para avançarem ao vivo e para se afirmarem com esta proposta, sem dúvida, refrescante.


Tracklist:
01. Speed Of Light
02. Kings Of Metal

03. Pathfinder

04. Wishmaster

05. The Bard's Song - In The Forest

06. Quest For Roar

07. Stormbringer

08. Take To The Sky

09. Fear Of The Dark

10. Hero


Lineup:
Dennis P. Schunke – vocais principais
Inga Scharf – vocais principais
Ross Thompson - alto rakkatakka vocais
Stefan Schmidt - baixo rakkatakka vocais
Ingo Sterzinger - baixo dandan vocais
Dennis Strillinger - drums

Website: http://www.vancanto.de/



Edição: Gun Records (http://www.gunrecords.de/)


Nota VN: 16,8 (15º)

Review: Lifeline (Neal Morse)


Neal Morse (ou deveríamos dizer o Sr. Neal Morse) com o seu passado intocável quer em Transatlantic quer em Spock’s Beard, quer em nome individual já está naquela fase em que faz o que lhe apetece sem ter que dar satisfações a ninguém. Sola Scriptura, lançado há cerca de um ano atrás era um portento de metal/rock progressivo. Apenas quatro temas, sendo que três deles eram de um tamanho anormal o que permitia que o seu conjunto de músicos explanasse todas as ideias do génio criativo. Sinceramente, não esperávamos que Morse regressasse tão cedo. Mas fê-lo em forma de Lifeline, um trabalho ligeiramente diferente. Desde logo porque tem mais temas e estes são mais curtos (com excepção da entrada com Lifeline e de So Many Roads: quase um quarto de hora e meia hora, respectivamente). Resultado: de uma maneira geral o músico norte-americano aposta, agora, mais em canções do que em despiques técnicos. Não quer isto dizer que os pormenores progressivos tenham desaparecido. Não! Apenas estão um pouco mais comedidos. Em muitos momentos, a guitarra acústica e o piano têm papel principal neste álbum remetendo-nos mais para um rock sinfónico dos 70/80’s como Yes ou Barclay James Harvest do que propriamente para o progressivo. A inclusão em determinados momentos do saxofone acaba por resultar em pleno. Alias, têm sido imensos os exemplos de inclusão de sax no metal com resultados bem interessantes (Amorphis, Dream Theater…). No fundo trata-se de uma obra um pouco introspectiva se bem que, paradoxalmente, se encontre cá um dos temas mais fortes da sua carreira: Leviathan, um dos tais onde o saxofone de Jim Hoke acrescenta realmente qualquer coisa ajudando a faixa a atingir um patamar de intensidade único.


Tracklist:
01. Lifeline

02. The Way Home

03. Leviathan

04. God's Love

05. Children Of The Chosen0

6. So Many Roads

07. Fly High


Lineup: Neal Morse (vozes, guitarras e teclados); Paul Bielatowicz (guitarra); Jonathan Willis (cordas); Jim Hoke (saxofone); Randy George (baixo); Mike Portnoy (bateria)

Website: http://www.nealmorse.com/



Edição: Radiant Records (http://www.radiantrecords.com/)


Nota VN: 17,0 (14º)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Review: Beast Within (Katra)


O legado Nightwish (versão Tarja Turunen) continua bem vivo, nomeadamente na sua terra natal, como o prova a edição deste Beast Within de Katra, a banda liderada pela vocalist Katra Solopuro. O que se espera é o que se pode ouvir ao longo do album: metal melódico, um pouco sinfónico e com uma vocalista que se mostra competente, versátil (como no excelente Promise Me Everything a viajar entre os registos mais operáticos e os mais rockeiros), e muito segura de si. As semelhanças com Tarja e Nightwish são evidentes mas isso não impede o colectivo de destilar um bom conjunto de temas, pouco rebuscados, com estruturas simples mas eficazes e com melodias muito orelhudas. E, apesar de o album ser muito equilibrado e homogéneo podemos apontar o seu inicio e final como os melhores momentos. Grail Of Sahara (em ambiente sinfónico), Forgotten Bride (aqui a lembrar um pouco de Edenbridge), Storm Rider (bem pesada!), Mist Of Dawn (num registo muito cinematográfico) e Kuunpoika, um original dos Meccano (Hijo de la Luna) cantado em finlandês são os temas em destaque. Este último, registe-se deve ter entrado para o Guiness Book Of Records como a canção que teve mais versões no menor espaço de tempo, pois também foi alvo de nova roupagem por parte dos Haggard em Tales Of Ithiria. Em conclusão, Beast Within não acrescenta nada de novo em termos de metal melodico e sinfónico mas, claramente, está bem conseguido e está alguns furos acima do que alguns dos seus pares tem conseguido fazer ultimamente.


Tracklist:
1. Grail Of Sahara
2. Forgotten Bride
3. Beast Within
4. Fade To Gray
5. Swear
6. Promise Me Everything
7. Mistery
8. Flow
9. Scars In My Heart
10. Storm Rider
11. Mist Of Dawn
12. Kuunpoika

Lineup: Katra Solopuro (vocais), Jaakko Järvensivu (bateria), Jani Wilund (teclados), Johannes Tolonen (baixo), Kristian Kangasniemi (guitarra)

Website: http://www.katra.fi/




Nota VN: 15,67 (23º)

Review: Anthology II (Akphaezya)


De vez em quando surgem colectivos capazes de nos fazer questionar tudo o que já foi ou está a ser feito no mundo do metal em particular e da música em geral. Os franceses Akphaezya são um desses casos. Esqueçam tudo o que ouviram ou vivenciaram. Esqueçam que na música pode ou deve haver regras. Esqueçam o tradicional esquema de canção, mesmo no metal. Esqueçam tudo e simplesmente oiçam! Anthology II é uma antologia de metal conjugado com jazz no seu estado mais puro. Delirante, esquizofrénico, estonteante são alguns dos adjectivos para caracterizar este quarteto gaulês. A fantástica voz de Aelin navega mais tempo no jazz (a lembrar a nossa Maria João) que propriamente no metal. Alguns apontamentos guturais não chegam para retirar o brilho a uma das melhores prestações vocais dos últimos tempos. Associada está uma enorme e invulgar capacidade técnica dos restantes elementos. Alguns curtos interlúdios demonstram isso na plenitude. Nestes, o destaque, apesar de tudo, vai para H.L. 4, com um impressionante jogo vocal. Nos temas longos pode ser observada e escutada toda uma capacidade única ao nível da criação de estruturas completamente for a do comum. Reflections e The Bootle Of Lie (Tome III)/Postface são os ícones. Este último num ritmo a começar no Brasil (samba/bossa nova) e a terminar em qualquer cabaret francês com um decadente acordeão. Verdadeiramente deliciosos.


Tracklist:
1.Preface
2.Chrysalis (Tome I)
3.Beyond the sky
4.Khamsin
5.Reflections
6.Awake
7.Voices of the storm / The golden vortext of Kaltaz (Tome II)
8.The secret of time / To the northern lake
9.Stolen tears
10.H.L.4
11.The bottle of lie (Tome III) / Postface

Lineup: Aëlin (vocals / keyboards), Stéphan H. (guitar), Stephane Béguier (bass), Loic Moussaoui (drums)

Website: http://www.akphaezya.com/

Myspace: www.myspace.com/akphaezya

Edição: Ascendance (http://www.ascendancerecords.com/)


Nota VN: 17,33 (9º)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Playlist 23 de Outubro de 2008

1ª hora:

A Drop In The Ocean (Stratovarius)
Master Passion Greed (Nightwish)
Transmission Fails (Factory Of Dreams)

Disco da semana: Dragon’s Kiss (Marty Friedman)
Namida (Tears)

Potala Palace (Hubi Meisel)
Edge Of The Blade (Seventh Wonder)
Requiem For The Innocent (Kamelot)
Sacred Power Of Raging Winds (Rhapsody Of Fire)
Fever Tray (Nebula)

2ª hora:

Comatose (Ayreon)
Nightside Of Eden (Therion)
Requiem, Kyrie (Virgin Black)
The End Of The Line (Metallica)

Disco da Semana: Apotheosis (Endamage)
Apotheosis
The Searh For Redemption
Aeons
Of Truth And Wisdom

Gaia (Devin Townsend Band)
Accusations (Canker)
World Collapse (X-Cons)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Review: Redemption (Heavenwood)


Quando há dez anos atrás os Heavenwood editavam Swallow, um dos melhores álbuns da história do metal em Portugal, todos pensámos que estávamos na presença de mais um importante nome a singrar na cena internacional. Puro engano. Convulsões internas foram adiando o tão esperado terceiro álbum. E o adiamento foi de tal ordem que esse só surgiu… 10 anos depois. Já com um line-up reduzido a metade e com recurso a dois músicos de sessão, Daniel Cardoso, bateria e Hugo Pires, baixo, que, diga-se, realizam um trabalho soberbo, surge Redemption, precisamente uma espécie de redenção perante os seus fãs que tanto tempo esperaram. Este álbum mostra-nos uns Heavenwood diferentes no conteúdo mas iguais na substância. O que não será de estranhar atendendo ao hiato de tempo. Os músicos cresceram como pessoas e como instrumentistas e essas diferenças notam-se. Muito do que era os velhos Heavenwood, apesar de tudo, está lá. As fantásticas harmonias e jogos de guitarra saídas dos dois guitarristas, Bruno Silva e Ricardo Dias, são duas dessas semelhanças. Ao nível das diferenças, salta à vista (e à audição) a menor utilização dos teclados (com protagonismo verdadeiro, só em Obsolete ouvimos um piano) o que faz com que a negritude do colectivo, nesta sua nova reencarnação, seja menos oriunda do gótico e mais de um quase-death-metal. De resto, a densidade sonora é uma das mais-valias deste álbum. E, claro, ainda há a salientar as personagens que apadrinham este regresso com os destaques a caírem, inteirinhos, nos soberbos solos de Jeff Waters (em Bridge To Neverland) e Gus G (em One Step To Devotion). Tudo isto num trabalho extraordinariamente homogéneo, onde será difícil dizer qual é o melhor tema, mas que também se torna quase impossível escolher o pior. Por isso, sejam bem vindos de volta e que não sejam precisos outros dez anos de espera.


Tracklist:
1. 13th Moon
2. Me & You
3. Bridge To Neverland
4. Fragile
5. One Step To Devotion
6. Foreclosure
7. Obsolete
8. Her Scent In The Spiral
9. Take My Hand
10. Slumber


Line Up: Hernesto Guerra (vocais), Bruno Silva (guitarra), Ricardo Dias (voz e guitarra), Hugo Pires (baixo/músico de sessão), Daniel Cardoso (bateria/músico de sessão)




Edição: Recital (http://www.recitalrecords.com/)


Nota VN: 17,0 (2º)