quinta-feira, 24 de julho de 2008

Review: Interactivist (Canker)


Já lá vão onze anos desde que, em Leiria, nasceram os Canker Bit Jesus. Felizmente, mudaram de nome e agora respondem apenas por Canker. E dizemos felizmente porque, hoje em dia ter um nome com três palavras é quase sinónimo de se ser uma banda metalcore. E, ainda bem que os Canker não o são. Apesar de o seu som também não ser nada fácil nem de catalogar nem de descrever. Poderão ser classificados como uma banda de metal moderno, sem preocupações estilísticas e que criam o que as suas almas e cabeças ditam. Posto assim, resta concluir que 10 dos 97 (!!) temas que compõe este álbum de estreia (ao qual se somam três maquetes e um ep), são muito complexos, feitos de intricadas estruturas de composição. Os restantes 86 servem para qualquer coisa mas apenas têm silêncio, com excepção do 97º que apresenta uma faixa escondida que pouco ou nada adianta ao anteriormente apresentado. Não se trata aqui de metal progressivo, mas alternativo. Como se os Rage Against The Machine e os Red Hot Chilli Peppers se misturassem com texturas grunge ao qual se adicionaram pitadas de Tool pincelados, aqui e ali, por apontamentos Muse. Perceberam? Bem para perceberem só mesmo ouvindo este disco cheio de fantástica canções e que decerto mostrará ao mundo como se consegue fazer, em Portugal, trabalhos de grande criatividade longe de modelos pré-estabelecidos ou modas passageiras. Os momentos doces alternam com violentos ataque de fúria, quase sempre controlada e muito bem gerida. Os vocais, momentaneamente chegam a rondar o teatral, como acontece em Cold Gate e em Marcha Pra Morte. A respeito deste tema totalmente cantado em português, refira-se que é um dos melhores do álbum com umas vocalizações soberbas numa faixa cheia de ritmo e melodia a partir de uma base acústica. Outro destaque para o tema final, Loko Loko Man, onde os Canker mostram como fazer fusão em evolução. O tema nasce de um ritmo reagge para ir crescendo e desembocar num quase death metal. Simplesmente fantástico. Para além destes temas, outros destaques podem ser indicados em Mirus, Error Is The Man, The Miscalculations Of The Photophobia ou Dancing With The DBDs, num álbum coerente, bem produzido e que marcará, se lhe derem oportunidade, a história do metal em Portugal.


Tracklisting:
Accusations
Cold Gate
Unstable
Regeneration
Mirus
Error Is The Man
The Miscalculations Of The Photophobia
Marcha Pra Morte
Dancing With The DBDs
Loko Loko Man


Lineup: Icecream (bateria), Gomes (baixo), Spined (guitarra), Marciano (vocais)

Myspace: www.myspace.com/cankerband

Edição: Autor


Nota VN: 15,5 (3º)

Review: Insidious Awakening (Echidna)


Os Echidna já andam nisto desde 2001, quando, em Vila Nova de Gaia resolveram dar inicio ao seu projecto. Gradualmente o seu nome foi crescendo na cena underground e em 2006 gravam Tearing The Cloth que viria a ser editado em Janeiro do ano seguinte. As críticas positivas não se fizeram esperar, mas seria já este ano que os Echidna voltariam às gravações com Insidious Awakening. O resultado é um conjunto de nove temas poderosos, dinâmicos numa linha thrash/death metal claramente da escola europeia em geral e sueca em particular. Se procurarem similaridades (não cópias!) poderão chegar a nomes como Arch Enemy, Soilwork ou the Hauted. O que o quinteto gaiense nos apresenta é um conjunto de temas que alternam entre os muito rápidos e os meio-tempo, com umas vocalizações extremas mas com umas estruturas rítmicas bastante menos agressivas e muito apelativas. Aliás, refira-se que a técnica demonstrada neste trabalho ao nível da composição está muito acima da média das jovens bandas nacionais dentro do estilo. Awake, a faixa introdutória, deixa logo isso bem claro e To The Tomb Of Kings, o primeiro tema a sério, mostra logo que o patamar de técnica está muito elevado, chegando a ter contornos de progressivo. Os riffs são realmente muito bons e os solos longos, técnicos e plenos de precisão deixam-nos antever estarmos na presença de um (ou dois) guitar-hero. Ephemera é o melhor tema do álbum, bem secundado pela faixa que baptiza o álbum e pela longa No Lenience In The Final Judgement, um apoteótico final para um grande trabalho de estreia. Sem dúvida, Echidna um nome a reter!


Tracklisting:
Awake
To The Tomb Of Kings
Purifier
Anger Is My Drug
Ephemera
Insidious Awakening
Juggernaut
Evolution. Reload
No Lenience In The Final Judgement



Lineup: Frik (vocais), Miguel Pinto (baixo), David Doutel (guitarra), Pedro Lima (guitarra), Tiago Cardodo (bateria)

Website: http://www.echidnaband.com/

Myspace: www.myspace.com/echidna

Edição: Rastilho (http://www.rastilho.com/)

Nota VN: 15,5 (4º)

Playlist 25 de Julho de 2008

1ª hora:

Rainbow Eyes (Blackmore’s Night)
Fragile (Lacuna Coil)
Remember Me (Edenbridge)
Mirage (To-Mera)

Flashback da semana: Facelift (Alice In Chains)
Love Hate Love

The Ride (Jon Oliva’s Pain)
Nostradamus (Judas Priest)
Colossus Kid (If Lucy Fell)

2ª hora:

Too Late (Luca Turilli’s Dreamquest)
Final Destination (Within Temptation)
TOF – The Trinity (Therion)
Harmonic Pain (Diesel-Humm!)
Heir Apparent (Opeth)

Disco da semana: Shrouded Divine (In Mourning)
The Shrouded Divine
In The Failing Hour
The Art Of A Mourning Kind
Past October Skies

Look At Me
(Grankapo)
Hopeless Mind (Celestial Dark)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Review: Secret Voyage (Blackmore's Night)


Confesso que tenho considerado o novo campo onde Ritchie Blackmore e sua esposa se têm movido pouco interessante. Talvez porque lhe falte alguma intensidade, alguma electricidade. Todavia, em finais de 2006, com Winter Carols, a minha opinião começou a mudar. Por isso tive interesse em ouvir este Secret Voyage. E realmente começo a ver a música deste simpático casal com outros olhos. O que aqui temos é de facto muito boa música. Seguramente não é metal, apesar de, pontualmente, andar próximo de um hard rock com influências blues. A introdução com God Save The Keg serve perfeitamente de índice para o trabalho que se vai ouvir: ali tem tudo desde o folk, ao medieval passando pelo pagão e pelo religioso, pelo trovadorismo e pelo sinfónico. Mas atenção, porque a guitarra eléctrica já aparece e, em alguns momentos, verdadeiramente deliciosa e bem enquadrada. É o que acontece em Locked Within The Crystal Ball, provavelmente o melhor tema do álbum com um diálogo constante entre os blues rock da guitarra de Blackmore, o folk da gaita-de-foles e a soberba voz, quente, doce e melodiosa de Candice Night. O trovadorismo surge em Gilded Cage para em Toast To Tomorrow, outro brilhante tema, sermos convidados a dançar ao som de uma polka conduzida por um violino sublime. E o álbum vai seguindo o seu ritmo ora mais eléctrico ora mais acústico mas sempre numa toada de melodia muito agradável com os diversos instrumentos a criarem uma atmosfera única capaz de nos guiar pela mais secreta viagem. Uma palavra para os dedos de Blackmore: quem sabe nunca esquece e as notas que o guitarrista saca das suas cordas, sejam elas de instrumentos acústicos ou eléctricos são muito mais que música. São alma, paixão e vida.


Tracklisting:
01. God Save The Keg

02. Locked Within The Crystal Ball

03. Gilded Cage

04. Toast To Tomorrow

05. Prince Waldeck's Galliard

06. Rainbow Eyes

07. The Circle

08. Sister Gypsy

09. Can't Help Falling In Love

10. Peasant's Promise

11. Far Far Away

12. Empty Words



Lineup: Ritchie Blackmore (guitarras), Candice Night (vocais), Pat Regan (Teclados), David Baranowski (teclados), Sarah Steiding (violino), Anton Figg (bateria)

Site: www.blackmoresnight.com

Myspace: www.myapsce.com/blackmoresnight

Edição: Locomotive (www.locomotivemusic.com)

Nota VN: 17,83 (3º)





Entrevista com Grankapo


Via Nocturna (VN): Falem-me um pouco do historial dos Grankapo.
Grankapo (GK):
A banda surgiu em meados de 2006, através de uma ideia antiga do Ivan, Lima e do Miguel, que me falaram da sua ideia e eu aceitei. Só mais tarde surge a ideia de colocar um segundo guitarrista, já com músicas compostas, para dar outro corpo às músicas, e também porque o Miguel teve que se ausentar do país por razões de estudo. Passados alguns meses entramos para estúdio para gravar o nosso trabalho de estreia, o ep Rollin’ Ya Headz A partir dai foi tocar um pouco por todo lado em Portugal, e por duas vezes em Espanha. Mais tarde, visto que já tínhamos novos temas, voltou a vontade de entrar em estúdio para gravar o nosso primeiro álbum, Confessions, que andamos agora a promover.

VN: Qual o significado de Grankapo?
GK: O nome Grankapo surgiu de uma ideia do Ivan. É uma fusão de duas palavras da língua italiana, significa grande chefe e é a nossa homenagem aos nossos avôs, os chefes da família.


VN: Sendo este já o vosso segundo trabalho, estão completamente satisfeitos com o resultado final ou, se fosse agora, faria algo diferente?
GK: Sim, estamos satisfeitos com o resultado final, mas é normal que depois de ouvir, possamos dizer “aqui ficava bem isto!”, “ali ficava bem aquilo!”. São reacções normais, e acho que devemos aproveitar esse impulso para as novas músicas, os próximos trabalhos.

VN: Em Confessions, voltaram a trabalhar nos Estúdios Crossover. Algum motivo em especial?
GK: Tivemos a oportunidade de ir gravar a Bélgica, mas com a banda ainda no inicio, não quisemos estar a investir tudo para já. Achamos que seria a melhor opção agora. Como gostamos bastante do trabalho feito no ep, não tínhamos razões de queixa para não voltar. Ainda por mais quando Sarrufo é um grande produtor, que conhecemos há bastante tempo e temos bastante confiança no seu trabalho.


VN: O press-release refere a existência de alguma surpresas no álbum. Refere-se exactamente a que?
GK: As surpresas do cd são as óbvias, que são as três participações que temos; a música com hip-hop, e a menos óbvia, que são as seis faixas de silêncio no início.


VN: O hip-hop de My Son, é, então, uma delas. Como surgiu a ideia de incluírem esse ritmo num tema vosso?
GK:
A ideia surgiu depois de uns contactos com o Xkzitu, para fazer uma intro para nós, mas ele estava mais interessado em cantar connosco. De início a ideia era estranha, apesar de todos gostarmos de hip-hop, mas como tínhamos acabado de fazer uma musica com uma ritmo mais calmo, era uma experiência a tentar. Fiz a minha parte da letra, ele a dele, que foi cantada e ouvida pela primeira vez no dia da gravação. Ficou perfeito.


VN: Para além desse tema, há ainda uma série de outros convidados a participar no álbum. Acham que, de facto, esses convidados acrescentaram algo de novo aos temas?
GK: Acho que sim. Acho que vieram trazer uma força e um sentimento diferente aos temas. O Ricardo, dos extintos Omited GR, tem uma maneira muito sua de interpretar as músicas que gosto imenso. O Ricardo dos For the Glory, tem um óptimo poder vocal. Para não esquecer que são duas pessoas impecáveis. Deixo aqui o meu agradecimentos aos três participantes do nosso cd.


VN: Em termos líricos, quais são as temáticas abordadas em Confessions?
GK: Este trabalho em termos líricos está bastante pessoal e recheado de emoções. O My Son é uma dedicatória ao filho do Ivan, mas qualquer pessoa com filhos poderá identificar-se com essa letra. O Back To Hell fala de demónios interiores. O It Lives In Me é um agradecimento por apoio para uma vida. Tens todo o tipo de emoções.


VN: Os vossos temas são muito curtos. Acontece naturalmente ou são vocês que limitam a duração dos temas?
GK: Isso é uma coisa que acontece naturalmente. Os riffs vão aparecendo, vão-se encaixando e quando notas a música soa-te bem assim. Mas nota-se uma evolução, em termos de duração de temas do ep para o cd, embora possa ser pequena. Depende do caminho que a música seguir.


VN: Porque razão Confessions começa na sétima canção, não existindo as primeiras seis?
GK:
Essa é a grande questão, mas de simples resposta. Como queríamos dar o aspecto de continuação do que foi feito no primeiro trabalho, queríamos colocar a primeira música como sendo a sétima, visto o ep ter seis temas. Sabemos que deixamos muita gente a pensar que tinham um cd estragado.


VN: Numa área em que a concorrência é tão forte o que consideram vocês que pode destacar os Grankapo das outras bandas semelhantes?
GK: Não sei bem dizer, mas acima de tudo um óptimo concerto e uma grande energia. O que tenho a certeza que podem esperar é sinceridade, alegria, diversão, e temas para pensar.

VN: Em termos de promoção do álbum, o que tem sido feito?
GK: Estamos com uma distribuidora nacional, a White Zone Records, a percorrer o pais, temos a Fragment Records em Espanha, e estamos em contactos com outros países nesse sentido. Já tivemos algumas entrevistas para rádios e fanzines. Temos também alguns concertos agendados e outros para confirmar. Andamos a tratar do possível para espalhar a nossa música.


VN: Há possibilidades de uma edição/distribuição no estrangeiro?
GK: Em termos de distribuição estamos no bom caminho, a edição é um assunto que temos andado agora a tentar abordar. Com paciência lá chegaremos.


VN: Quanto a concertos, o que se pode esperar de uma prestação dos Grankapo?
GK: Em palco acho que pode esperar um concerto energético e poderoso. Para mim, o palco é o sítio para libertar o stress, a raiva e as frustrações. Aí é onde te tornas tu mesmo, mostras o que vai dentro de ti. Como tal, sempre que puderem, assistam a um concerto de Grankapo e dêem a vossa opinião.


VN: Finalmente, ideias e/ou projectos para o futuro?
GK: Neste momentos só queremos tocar e mostrar o nosso trabalho ao maior numero de pessoas possível. Mas temos um split para lançar lá para finais do verão, talvez.

Playlist 18 de Julho de 2008

1ª hora:

Take Me Back
(Edenbridge)
High Speed Dirt (Megadeth)
On Rich And Poor (Amorphis)
Marooned (The Gathering)
Holier Than Thou (Metallica)
The Bells Of Acheron (Candlemass)
Day Four: Mistery (Ayreon)
In Motion # 2 (The Gathering)
Dead Gardens (Nightwish)

2ª hora:


And The Druids Turn To Stone (Ayreon)
Sleeping Sun (Nightwish)
Lie (Dream Theater)
Wine Of Aluqah (Therion)
Dance Of Fate (Epica)
Diset Kvaeld (Lumsk)
In The Desert Of Set (Therion)
The Kinslayer (Nightwish)
Another Day (Dream Theater)
The Spirit Carries On (Dream Theater)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Playlist 11 de Julho de 2008

1ª hora:

A Child That Walks On The Path Of A Man (Angtoria)
Stranger (RPWL)

Flashback da semana: Paranoid (Black Sabbath)
Electric Funeral

This Christmas Day (Trans Siberian Orchestra)
Thriven (Serenity)
The Vice (Sonata Arctica)
Gethsemane (Vanden Plas)
Principles Of Paradox (Royal Hunt)

2ª hora:

Lie To Me (Leandra)
Lost (Visions Of Atlantis)

Disco da semana: Time To Be Free (André Matos)
How Long (Unleashed Way)
Rescue
Time To Be Free
Endeavourw
Separate Ways (World Apart)

Lady Sam (If Lucy Fell)
Have You Ever (Crematory)
Remember (New Mecanica)

sábado, 5 de julho de 2008

Playlist 04 de Julho de 2008

1ª hora

Trust (Metalium)
Our Farwell (Within Temptation)
En Nott I Nord (Midnattsol)
Invictus (Satyrian)

Flashback da semana: Walls Of Jericho (Helloween)
Reptile

Lucienne (Tiamat)

Never Too Loud (Danko Jones)

Shadows Of Death (Rhapsody Of Fire)

I Don't Believe In Your Love (Avantasia)

You Never Know (Jon Oliva's Pain)


2ª hora:


Lost In London Tewnty Years After (The Tangent)

Disco da semana: MyEarthDream (Edenbridge)
Paramount
Undying Devotion
Adamantine
Remember Me
Fallen From Grace
Place Of Higher Power

Frantic (Metallica)
Fire Exits (If Lucy Fell)
Hereafter Path (ThanatoSchizo)
Night Eternal (Moonspell)
Ephemera (Echidna)