quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Via Noctura em Janeiro na Rádio Riba Távora

Em virtude da epoca festiva que atravessamos a edição radiofónica de Via Nocturna sofrerá uma paragem de duas semanas. Regressamos à antena da Rádio Riba Távora em Janeiro. Até lá podem manter-se informados aqui no blog. e já agora, para todos os grupos, editoras, visitantes, programas de rádio etc...., Via Nocturna deseja um feliz Natal e um excelente 2010!

Review: Night Castle (Trans-Siberian Orchestra)

Night Castle (Trans-Siberian Orchestra)
(2009, Atlantic)


Desde 2001, com a edição do genial Poets And Madmen, que os Savatage têm estado parados mas felizmente para nós e a bem da qualidade no metal que Jon Oliva tem estado ocupado a criar excelentes álbuns quer com os seus Pain quer com a Trans-Siberian Orchestra. No caso deste Night Castle, Oliva e Kinkel voltam a criar uma obra grandiosa que tanto bebe no rock pesado e bem compassado pelo piano do primeiro, como se embrenha em clássicos intemporais de nomes como Verdi, Orff, Bethoveen entre outros. Inovador não será, pois segue o rumo já há muito traçado pelo colectivo, mas não deixa de ser bem escrito e superiormente interpretado. A riqueza instrumenta e vocal, imagem de marca do colectivo, volta a estar bem patente ao longo do trabalho desta orquestra que insiste em criar música para ilustrar histórias. E que bem, mais uma vez, o faz! São, no total, 2 discos, 26 temas (se contarmos com alguns interlúdios) e muitos minutos de boa música, brilhantes melodias, preciosos solos e, acima de tudo, muita alma e sentimento. Tudo, claro, sob a batuta do maestro Oliva e das suas linhas de piano insuperáveis e incomparáveis.

Tracklist:
CD 1:
1. Night Enchanted
2. Childwood Dreams
3. Sparks
4. The Mountain
5. Night Castle
6. The Safest Way Into Tomorrow
7. Mozart And Memories
8. Another Way You Can Die
9. Toccata – Carpimus Noctem
10. The Lion´s Roar
11. Dreams We Conceive
12. Mother And Son
13. There Was A Life

CD 2:
1. Moonlight And Madness
2. Time Floats On
3. Epiphany
4. Bach Lullaby
5. Father, Son & Holy Ghost
6. Remnants Of A Lullaby
7. The Safest Way Into Tomorrow (reprise)
8. Embers
9. Child Of The Night
10. Believe
11. Nutrocker
12. Carmina Burana
13. Tracers

Line up: Paul O’Neill , Angus Clark, Alex Skolnick, Chris Caffery e Al Pitrelli (guitarras), Robert Kinkel, Derek Wieland, Jane Mangini, Lucy Butler , Shih-Yi Chiang e Jon Oliva (teclados), Chris Altenhoff e Johnny Lee Middleton (baixo), Roddy Chong (violino), John O. Reilly e Jeff Plate (bateria), Anne Phoebe (cordas), Dave Wittman (bateria, guitarra, baixo), Jay Pierce, Tim Hockenberry, Jeff Scott Soto, Rob Evan, Jennifer Cella, Alexa Goddard e Valentina Porter (vocais)

Review: A Strange Utopia (Factory Of Dreams)

A Strange Utopia (Factory Of Dreams)
(2009, ProgRock)


Com um passado notável ao nível do metal progressivo feito em território nacional, Hugo Flores é hoje em dia o principal responsável pelo crescimento do movimento aquém e além fronteiras. Dedicando-se quase em exclusivo à escrita e criação de músicas, assumindo a quase totalidade da interpretação, Hugo Flores tem abraçado vários projectos como os Sonic Pulsar e Project: Creation. Numa vertente menos progressiva que estes dois nomes, mas mais sinfo-goth, Factory Of Dreams é o resultado da sua junção com a vocalista sueca Jessica Lehto e A Strange Utopia é o segundo disco em apenas dois anos o que diz bem do tempo que Hugo tem gasto na escrita. E este trabalho é, mais ou menos, a continuação lógica do que o duo havia feito em Poles, a estreia. A sonoridade é densa e muito compacta, sendo cada milésimo de segundo preenchido com um som de qualquer coisa, mesmo que essa coisa sejam ruídos provenientes das programações. Em cima dessa base vão crescendo os temas propriamente ditos, com a inclusão da bela voz de Jessica Lehto (neste álbum claramente mais solta e a arriscar um pouco mais) e de apontamentos góticos, progressivos e sinfónicos, com estes últimos a mostrarem-se mais acentuados em relação ao passado. Eventualmente, A Strange Utopia agarra as pontas soltas de Poles e segue por esses caminhos, não se coibindo, no entanto, de explorar outras vias como o fado, por exemplo. Omnipresente continua o imaginário científico o que facilmente colocaria A Strange Utopia no catálogo sci-prog, não fora, realmente a excelente veia compositora de Flores que, de certa forma, baralha essas simplista catalogação. E baralha de tal forma que são necessárias várias audições para nos apercebermos de tudo que está incluído na música. Este é também um dado mais do que adquirido no trabalho do músico português que mais uma vez fica demonstrado.

Tracklist:
1. Voyage To Utopia
2. Te Weight Of The World
3. Inner Station
4. Sonic Sensations
5. The Road Around Saturn
6. Garden Of All Seasons
7. Dark Utopia
8. Vacation In Venus
9. Chaotic Order
10. Slow Motion World
11. Destructible Destruction
12. E-Motions
13. Broken
14. The Weight Of The World (rádio edit)

Line up: Hugo Flores (guitarra, baixo, teclados, programações e vozes), Jessica Lehto (vocais)
Myspace:
www.myspace.com/projectcreation
Edição: ProgRock Records (
http://www.progrockrecords.com/)
Nota VN: 16,3 (12º)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Review: How One Becomes What One Is (Maninfeast)

How One Becomes What One Is (Maninfeast)
(2009, Edição de Autor)


Para final do ano ainda estavam reservadas algumas surpresas no tocante ao metal nacional. Os Maninfeast são um colectivo oriundo de Lamego e este How One Becomes What One Is é a sua estreia. São 5 temas onde o quarteto demonstra um arrojo e uma vontade de inovar não muito vista por cá. No fundo, e numa explicação simplista, pode dizer-se que os Maninfeast conseguem juntar duas peças de um puzzle aparentemente não encaixáveis: o metal alternativo e contemplativo de uns In The Woods… com a maquinaria quase industrial de uns Ministry. Como resultado só poderia surgir um álbum claramente bivalente com ambas as ambiências bem vincadas e onde o vocalista também assume diferentes personalidades. O colectivo aposta ainda forte na componente lírica onde as influencias filosóficas de Nietschze, também ele um bivalente nas emoções e sentimentos, se enquadram na perfeição em todo o cenário montado pelo colectivo. Servindo como cartão-de-visita, este EP vem demonstrar, mais uma vez, que qualidade e originalidade não faltam ao undeground nacional que ano após ano, lançamento após lançamento, vem revelando um crescimento assinalável. Estes Maninfeast estão incluídos nesse lote e com as boas ideias que possuem têm tudo para crescer e evoluir. Ficamos a aguardar notícias num futuro próximo.


Tracklist:
1. Speaking Void
2. Ewige Wiederkunft
3. Keynesian Model
4. Beyond Blindness
5. Magic Stones


Line up: André Lobão (vocais), Afonso Lima (guitarra), José Santos (baixo), João Pina (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/maninfeast
Website:
http://www.maninfeast.com/
Edição: Edição de autor
Nota VN: 15,0 (20º)

Review: Sing Along Songs For The Damned & Delirious (Diablo Swing Orchestra)

Sing Along Songs For The Damned & Delirious (Diablo Swing Orchestra)
(2009, Ascendance)


Para começar, importa referir que fazia falta ao mundo do metal um grupo com as características dos Diablo Swing Orchestra (DSO). A sua capacidade de introduzir uma dinâmica alegre no seu metal, por vezes até bem negro ao nível do trabalho de guitarras, é assinalável. Este Sing Along Songs For The Damned & Delirious é o segundo trabalho da carreira do grupo e surge dois anos após a bem sucedidada estreia The Butcher’s Ballroom e o que se pode dizer é que se a fasquia estava colocada demasiado alta depois das boas indicações deixadas ela foi completamente superada. O colectivo volta a apresentar todas as virtudes da estreia mas potencia-as e eleva-as a um patamar superior de qualidade e criatividade. Em Sing Along… os DSO conseguem fazer-se despir de alguns elementos eventualmente supérfluos que exibiam no seu passado e agora toda a sua estrutura musical é pura e simplesmente genial. Com uma variedade impressionante de recursos à sua disposição, quer ao nível vocal (registos sopranos, barítonos, declamações, gritos) que ao instrumental (percussões, violoncelo, metais, acordeão) o grupo foi suficientemente inteligente para construir temas diversificados onde esses recursos foram usados de forma extremamente criteriosa. Ganha com isso todo o disco que assim transmite ao ouvinte uma sensação de imprevisibilidade. E esta verifica-se, por exemplo, nas diversas área musicais que os DSO conseguem incorporar no seu metal progressivo: jazz, swing, tango, clássico, ópera, polka, salsa. Destacar algum tema é impossível porque cada um deles apresenta particularidades que os torna únicos e irrepetíveis. Por isso, simplesmente sentem-se e deixem-se conduzir pelos fantásticos jogos vocais, pelos ritmos circenses, pelos arrebatadores apontamentos de violoncelo, pela força e sensualidade dos metais, pelo sublime solo de clarinete ou pelos tons 007eanos em Ricerca Dell’Anima. Ou então, simplesmente dancem e deixem toda esta energia positiva fluir. Genial! De facto, o metal precisava de um grupo assim.


Tracklist:
1. A Tap Dancer’s Dilemma
2. A Rancid Romance
3. Lucy Fears The Morning Star
4. Bedlam Sticks
5. New World Widows
6. Siberian Love Affairs
7. Vodka Inferno
8. Memoirs Of A Roadkill
9. Ricerca Dell’Anima
10. Stratosphere Serenade


Line up: Ann-louice Wolgers (vocais), Daniel Hakansson (vocais e guitarras), Pontus Mantefors (guitarras e sintetizadores), Johannes Bergion (violoncelo), Andreas Halvardsson (bateria), Anders Johansson (baixo)
Myspace: www.myspace.com/diabloswingorchestra
Edição: Ascendance (http://www.ascendancerecords.com/)
Nota VN: 19,5 (1º)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Review: Milorg (Vreid)

Milorg (Vreid)
(2009, Indie)


Formados sobre as cinzas dos Windir, os Vreid atingem a marca de 4 álbuns, sendo este o segundo para a Indie Recordings. Com um título retirado da história norueguesa (Milorg, ou Military Organization, era um grupo resistente por alturas da 2ª Grande Guerra), a banda continua, liricamente, a explorar a componente histórica. Em termos sonoros, as suas raízes assentam no Black Metal, embora esta possa ser uma descrição muito redutora do colectivo, uma vez que a banda incorpora diversos elementos estranhos a este movimento. De facto, se momentos há em que os Vreid assumem claramente a sua costela mais negra e extrema, seguindo à risca as normas do Black Metal a banda é suficientemente inteligente para, em determinadas alturas se afastar deste rótulo e abordar estruturas mais rock/heavy. Um tema como o instrumental Blutcher II, por exemplo, não tem absolutamente nada daquele sub-género do metal indo beber mais no rock dos anos 70. Argumento Ex-Silentio e Milorg, os dois últimos temas do álbum, chegam a tocar nos Therion e os seus momentos são, por vezes, tão calmos que se chega a duvidar que se esteja a ouvir uma banda apelidada de extrema. Mas o interessante é que mesmo nos momentos mais violentos, como na faixa de abertura, Alarm, ou mesmo Disciplined a banda nunca perde o sentido da melodia e a capacidade de introduzir elementos atmosféricos e épicos dignos de realce. Claramente um disco onde a diversidade patente permite que esta obra seja considerada uma das melhores do ano no seu género.


Tracklist:
1. Alarm
2. Disciplined
3. Speak Goddamnitt
4. Blücher
5. Blücher pt. II
6. Heroes & Villains
7. Argumento Ex Silentio
8. Milorg


Line up: Jarle Hvall (baixo), Steingrim (bateria), Sture Dingsoyr (vocais, guitarra), Esse (guitarra)
Myspace:
www.myspace.com/thepitchblackbrigade
Website:
http://www.vreid.no/
Edição: Indie (
http://www.indierec.no/)
Nota VN: 16,6 (11º)

Playlist 10 de Dezembro de 2009


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Entrevista com Behead The Dead

Antes de mais, contem-nos um pouco da história dos Behead The Dead.
Behead The Dead
é uma banda de Heavy Metal de Oeiras. Começámos no final de 2007 e depois de algumas experiência sonoras nos diversos sub-géneros do metal chegámos à actual sonoridadade que consiste em energia, poder e Groove. No que toca a membros, Adam Kirchberger toca bateria, Matthew Jozsef é o vocalista e Jeremy Pringsheim o guitarrista. Actualmente não temos baixista mas estamos à procura de um.

Tiveram alguns problemas no passado. Já está tudo ultrapassado? E que ilações retiraram desses problemas?
Agora podemos, definitivamente, dizer que os problemas estão ultrapassados. Os problemas surgiram no verão de 2008 em que a banda esteve um longo período sem ensaiar em virtude de os membros estarem fora do país. No que nos diz respeito, não houve muito a aprender até nada correu, necessariamente, mal. No entanto, enquanto alguns membros estiveram fora, os restantes membros queriam estar activos e começaram a trabalhar com outros projectos. Sabemos que isso não acontecerá de novo porque todos nós amamos a música que estamos a construir mais que qualquer outra forma musical. Este é o estilo que mais gostamos de escrever, ouvir e tocar, portanto nada se meterá no nosso caminho agora.

BTD não tem baixista. Como se processa a composição considerando tal facto. Estão a pensar incorporar um baixista permanente?
O posto de baixista tem sido um problema desde o inicio! Conhecemos poucos baixista para começar a trabalhar e o que conhecemos ou são maus ou não se enquadram na nossa sonoridade. Chegámos a fazer audições a guitarristas para tocar baixo! O que não será muito agradável, mas mesmo assim não chegámos a lado nenhum! Ainda estamos à procura de um baixista e, realmente, precisamos de um, mas, por agora, há pouco que possamos fazer.

A falta de um baixista é a causa da vossa superior técnica ao nível de guitarra e bateria?
Até agora nunca tínhamos pensado nisso, mas provavelmente a falta do baixista ajudou-nos a desenvolver porque temos que trabalhar no nosso instrumento tão bem que fiquem asseguradas as partes do baixo.

Quem é o baixista convidado em Incense?
Nas duas partes de Incense temos o Vasco Abreu a tocar baixo. Em primeiro lugar porque ele toca baixo e tem um baixo. Mas, também porque vive próximo do Adam. Ele poderia ser o baixista a tempo inteiro mas não gosta de tocar metal – é mais um baixista de funk. O seu estilo não foi importante nas sessões de gravação porque o Jeremy sempre teve ideias de como as linhas de baixo deviam soar e então mostrou-lhas e o Vasco fez a sua interpretação.

A respeito de Unleash The Deceased, como decorreram as sessões de gravação?
Desde que começámos a banda, e penso que todas as bandas aspiram ao mesmo, nós queríamos lançar um álbum um dia. Este sonho tornou-se realidade e chama-se Unleash The Deceased. As gravações tiveram lugar no meu estúdio em Julho de 2009. A masterização foi toda feita pela banda e foi terminada em finais de Setembro. E posso afirmar com segurança que as sessões de gravação foram muito bem sucedidas e que estamos muito satisfeitos com os resultados.

E em termos líricos, quais são os principais tópicos abordados?
Jeremy e Matthew são os principais responsáveis pela parte lírica. Em Unleash The Deceased há pequenas histórias que têm algumas mensagens sérias implícitas. For exemplo, Incense é a história de alguém que é consumido pela sua própria raiva e é uma mensagem para as pessoas que estão sempre furiosas que esse estado as pode alienar daqueles que os amam. No entanto, Unleash The Deceased também fala de algumas lutas pessoais. Isto pode ser verificado em Stones To Throw que falta da falta de apoio que sentem os jovens músicos. E isto aplica-se àquelas pessoas que, no passado, nos criticaram e que agora já não têm nada a dizer quando se aperceberam que não há comentários negativos à nossa música. No entanto, as novas letras de BTD tem tido uma direcção ligeiramente diferente. Focam assuntos da actualidade e explanam a nossa opinião sobre essas matérias.

A finalizar, que projectos para os BTD nos próximos tempos?
Como banda, queremos manter-nos juntos. Especialmente agora que terminamos os nossos estudos secundários e vamos para a universidade, temos esperança que a banda continue junta e a crescer. Iremos participar no Wacken Open Air Battle e esperamos ganhar alguma coisa com isso. Também gostaríamos de fazer algumas actuações com bandas europeias para se nos abrirem as portas de concertos fora de Portugal. Depois de terminarmos a escola vamo-nos mudar para Londres para continuar a estudar e tentar entrar na cena britânica. Temos esperança de ser bem sucedidos e fazer muitas amizades e encontra muitos fãs que gostem da nossa música.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Playlist 03 de Dezembro de 2009


Entrevista com Oblique Rain

Após o sucesso de Isohyet, sentiram algum tipo de pressão quando partiram para a composição deste novo álbum?
Guilherme Lapa (GL):
Não é que existisse propriamente pressão, era antes uma vontade muito grande que todos tínhamos em produzir um álbum que superasse algo do que tinha sido feito no Isohyet. A sonoridade mais pesada e negra deste álbum não foi nada forçada. Temos muita confiança nas capacidades da banda e as coisas saíram com naturalidade.
No vosso myspace aparece Marcelo Aires como baterista, mas quem gravou o álbum foi o Daniel Cardoso, certo? Qual é a situação em relação ao vosso baterista?
GL:
O Daniel é um excelente baterista e nunca falhou em nada do que se comprometeu e sempre acrescentou qualidade. Decidimos mudar para que pudéssemos trabalhar sempre com todos os elementos presentes e não estar à mercê das dificuldades óbvias que a distância entre Porto e Braga poderia causar. A decisão tem a ver com a forma como queremos trabalhar e não, obviamente, com a qualidade do Daniel como baterista e produtor. O Marcelo está connosco desde Setembro e tem superado todas as expectativas. É um prodígio da bateria e tem sido muito bom para nós poder trabalhar com ele regularmente. Para além disso é um rapaz muito dedicado a tudo o que faz e bom companheiro.

Isohyet foi editado pelos vossos próprios meios mas agora estão a trabalhar com a Major Label Industries. De que forma é que esta junção ocorreu?
GL
: Com o Isohyet a sair, o passo seguinte seria fazer chegar o nosso som aos ouvidos das editoras para que alguém se mostrasse interessado. Acabou por ser a MLI a vir até nós e era talvez a editora com a qual nos identificávamos mais. Têm escolhas criteriosas em relação às bandas que representam e esperamos que a relação entre as partes seja vantajosa.

Em termos sonoros, que diferenças podem ser apontadas entre este October Dawn e o seu antecessor?
GL:
Começámos a ter noção que seria um álbum de digestão mais lenta quando estávamos ainda no final da composição. É um álbum com uma sonoridade mais alternativa, mais pesada e mais escura. As melodias são talvez ainda mais melancólicas e sombrias que no primeiro álbum. Tudo isto faz com que, na nossa opinião, seja um álbum mais sólido que o Isohyet. Esperamos que tenha ainda uma maior aceitação por parte do público e da crítica.

Como se processa a composição no sei dos Oblique Rain, atendendo à diversidade de sonoridades que podem ser encontradas nos vossos temas?
GL:
Felizmente temos connosco um dos melhores fazedores de riffs que conhecemos, que é o César [Teixeira, guitarrista]. Normalmente (pelo menos até agora) muitas das ideias surgem dele ou do Flávio [Silva, vocalista e guitarrista] e depois trabalha-se por cima das ideias de um ou de outro. Mas é apenas a forma como as coisas surgiram até hoje, porque não existe nenhuma regra instituída para que seja assim. Temos actualmente uma formação mais estável e há muita vontade que todos trabalhem em conjunto e que cheguemos a novas ideias dessa maneira. Essa diversidade de sonoridades vem apenas da variedade de gostos musicais de todos os elementos, o que ajuda a que a sonoridade da banda não seja estanque.

E em termos líricos, há algum conceito por trás de October Dawn?
GL
: Esta é melhor ser o Flávio a responder…
Flávio Silva (FS): Sim e não...globalmente retrata a mesma ideia de isolamento que o Isohyet, mas neste álbum tentei retratar factos ou episódios que aconteceram no passado, foi uma escrita muito mais intimista ou de exorcismo como queiras encarar. Foi mais difícil de o fazer porque escrever na primeira pessoa é mais difícil para mim mas que me fez sentir bastante bem por isso. Foi quase como descrever o diário de alguém que vive um pouco parte dos sentimentos e formas de agir dos outros, mas que interage com a sociedade porque a mesma assim o estabelece...Não terá um conceito definido e claro para os outros mas com certeza que alguém se poderá identificar com as mesmas experiencias. Há temas mais intimistas que outros, mas mesmo os mais superficiais têm todos um pouco de algo que real que se passou com comigo.

Que eventos estão a ser preparados tendo em vista a divulgação deste novo álbum?
GL
: Aqui na zona do Porto organizámos um concerto de apresentação do álbum no bar Plano B e participámos na terceira edição do festival Gondomar WinterFest. Foi bom para as pessoas tomarem um primeiro contacto com as novas músicas e basicamente mostrar aos nossos aquilo que estivemos a fazer neste último ano. Temos planos para apresentar o álbum mais a sul nos próximos tempos e há algumas datas interessantes a ser negociadas neste momento, que serão anunciadas proximamente.
Existem também planos para uma primeira internacionalização da banda e vamos ver se conseguimos pôr tudo em prática em breve!

Entrevista com Coldfear


Em primeiro lugar, que balanço fazem da vossa ainda curta carreira?
Hugo Serra
: Viva! Antes de mais, muito obrigado pela oportunidade que nos disponibilizaram em nos darem um pouco de espaço de antena no vosso projecto. Felizmente tem corrido tudo muito bem e tem sido uma pequena aventura andar a partilhar palcos com montes de pessoal das mais variadas zonas do país e conhecer outro tanto. Nos dias que correm, este poderá ser considerado o maior contributo a retirar desta pequena carreira: as grandes amizades e partilhas de experiência pelas quais temos passado.

Apesar de só terem 4 anos de existência, Decadence In The Heart Of Man é já o vosso segundo lançamento. Em que difere da estreia, What Lies Beneath de 2007?
HS
: Em praticamente tudo! [risos] Sem querer abordar os aspectos técnicos de produção, os quais não têm qualquer tipo de comparação possível, o nosso primeiro trabalho foi apenas um cartão de apresentação que nos serviu para abrir algumas portas com o objectivo de começarmos a tocar ao vivo. Para além disso, o nosso primeiro trabalho diz respeito a um pequeno estado de maturação de banda, estado esse que tinha sido consolidado muito recentemente com a entrada do José Martins alguns meses antes da gravação. Estes dois anos que decorreram entre estes dois trabalhos serviram para acumular alguma experiência de palco e nos conhecermos melhor enquanto músicos, ao mesmo tempo que se tentou criar um grau de entrosamento superior entre todos os membros. Com Decadence In The Heart Of Man tentamos apresentar um trabalho bem mais coeso, profissional e que reflectisse tudo aquilo que aprendemos e desenvolvemos nesses dois anos. Como tal, para além de apresentarmos algumas composições bastante mais complexas, optámos também por apostar na qualidade do produto final a todos os níveis, desde a produção até à própria imagem dos COLDFEAR. A qualidade nos dias de hoje é o atributo de referência de qualquer registo musical, daí termos apostado fortemente nessa componente.

Vocês foram seleccionados para a 3ª fase do Concurso de bandas Ilha do Ermal. Podem contar-nos essa experiência?
HS
: Enquanto banda, a nossa participação neste concurso foi bastante produtiva. O facto de ter sido também o primeiro concurso em que entrámos desde que começámos a actuar ao vivo marcou-nos de alguma forma, principalmente por ser uma oportunidade de partilhar o palco com grandes nomes nacionais e internacionais. Termos também tocado num local como Vieira do Minho e no recinto de um festival de renome como é o do Festival Ilha do Ermal, deu-nos um pequeno cheirinho da vida que levam as grandes bandas da cena metal. Para além de termos passado um excelente dia de Verão naquele recinto com os nossos amigos, não é todos os dias em que, antes de subir para um palco, se pode estar a apanhar sol, a dar uns toques na bola e a mergulhar no rio [risos].

Decadence In The Heart Of Man foi gravado, como muitos outros álbuns do cenário mais pesado nacional nos UltraSound Estudios com o Daniel Cardoso. Acreditam que, para a vossa sonoridade, foi a melhor opção?
HS
: A escolha dos UltraSound Studios para gravarmos este nosso trabalho foi a opção mais viável com que nos deparámos na altura por vários motivos, dos quais poderemos destacar a sua localização e a qualidade dos vários trabalhos dentro da cena nacional que de lá saíram nos últimos anos. Como pretendíamos lançar apenas um EP mas que este fosse sinónimo de alguma qualidade e, de certa forma, marcar alguma posição na cena nacional que remetesse para um álbum esperado, esta foi a opção que nos pareceu mais viável na altura. Foi uma grande experiência onde aprendemos imenso durante todo o processo contribuindo, mais uma vez, para o acumular de experiências enquanto banda.






Em termos musicais, salta a vista a preponderância das harmonias das guitarras e da técnica em detrimento de uma sonoridade mais brutal. Sempre foi esse o vosso objectivo ou as coisas acabaram por acontecer naturalmente?
HS
: Penso que será correcto afirmar que isto acaba por acontecer muito naturalmente. Quando se juntam várias pessoas com vários gostos musicais diferentes mas com alguns pontos de convergência e de gosto comum, tenta-se chegar a um consenso que resulte para todos. Nesse sentido, e uma vez que todos gostamos bastante da cena musical sueca onde este tipo de harmonias é bastante praticado, sentimos também a necessidade de melhor explorar esse campo. Apesar de, em termos de composição, os riffs surgirem muito naturalmente, é também atribuída uma especial atenção às harmonias, uma vez que consideramos essencial essa ligação na estrutura dos temas.

Em termos líricos, que temas os Coldfear abordam?
HS
: Poderá soar um pouco cliché mas a temática em torno do EP gira muito à volta daquilo que está mal nesta da sociedade, reflectindo também algumas das nossas vivências como seres sociais, retratando também algumas experiências a título pessoal que, de alguma forma, se enquadram na temática acima referida. Temas de alguma forma agressivos, com uma progressão iniciada num tipo de angústia ou frustração, causando explosões de raiva e a forma como essa é canalizada, reflectem a nossa forma de exteriorizar esses sentimentos neste EP.

Que tipo de actividades estão a ser desenvolvidas no sentido de promoverem o vosso EP?
HS
: Estamos a levar as coisas com calma. Actualmente a nossa primeira prioridade é tocar ao vivo o maior número de vezes possível e, de preferência, em zonas do país onde não tenhamos ainda tocado. Com a edição deste EP pretendemos expandir no nosso raio de actuação para o resto do território nacional e alguns esforços têm já sido feitos nesse sentido. Uma vez que estamos lidando passo-a-passo com todo este processo, sugeria que consultassem regularmente o nosso myspace em
www.myspace.com/coldfearband onde apresentamos as datas dos nossos concertos mais recentes, assim como todas as novidades relativamente às várias actividades que vamos tentar levar a cabo. Posso já adiantar que no início do próximo ano vamos ter aí à porta uma excelente iniciativa para toda a gente que queira assistir!

Obrigado e felicidades.
HS: Correndo o risco de me repetir, muito obrigado nós mais uma vez pela excelente oportunidade em expormos, de alguma forma, a nossa pequena aventura que são os COLDFEAR e tudo do melhor para o vosso projecto, enaltecendo sempre o melhor que se faz neste nosso underground à beira mar plantado!

Review: Dia a Dia (Kit Cat)

Dia a Dia (Kit Cat)
(2009, Edição de Autor)


Este é um momento histórico neste espaço: pela primeira vez comentamos o trabalho de um colectivo oriundo da nossa terra. Sim, já abordamos os Bulldozer que, não sendo de Moimenta da Beira, têm alguns elementos de cá, mas estes Kit Cat são nados e crescidos na nossa vila. E o que dizer deste Dia a Dia e dos Kit Cat? Em primeiro lugar referir que não é todos os dias que uma banda com pouco mais de três anos de existência grava uma demo com doze temas e quase… oitenta minutos de música! Só este facto já era suficiente para nos admirarmos com a capacidade criativa da banda. Mas ainda se torna mais relevante se atendermos que os quatro Kit Cat têm entre… 13 e 15 anos! Quanto a este álbum, puramente demonstrativo do trabalho da banda, inicia-se de forma excelente com o tema Sofrimento Perpétuo I, onde os coros épicos iniciais se transformam num portento do rock/metal progressivo que coloca, desde logo a bitola bem alta. Infelizmente para o jovem colectivo moimentense, esses níveis tão elevados só por mais três vezes são alcançados: em Hora II, Lágrimas e Dia a Dia. A primeira pelo sentimento carregado de negro desde as iniciais badaladas da torre da Igreja (e aqueles la-la-la são soberbos!); o segundo com um fantástico solo final de guitarra muito na linha do que Lanvall faz nos seus Edenbridge; e o tema-título pela fusão que consegue criar entre ambiências bluesy/fado/orientais. Pelo meio os Kit Cat vão desfilando um conjunto de temas bem arranjadinhos, cheios de interessantes melodias com uma assinalável influência pop, com solos bem estruturados e excelentemente executados, mas que pecam pela repetição da mesma fórmula: a alternância entre momentos lentos com a predominância da guitarra limpa com outros mais furiosos, plenos de energia e com a distorção a fazer a sua aparição. Quem também não ajuda muito é a componente lírica onde o uso e abuso de temas como os amores e desamores fica mais próximos de um Tony Carreira que propriamente de uma banda de rock. Por outro lado e não querendo ser cruel, importa referir que a componente vocal é a menos bem conseguida do colectivo. Aconselha-se muito trabalho neste sector, porque com a capacidade criativa, com o talento que já demonstram e com a margem de progressão que ainda têm, os Kit Cat são um nome a ter em conta no futuro do rock feito em português. Mas há aspectos que precisam ser revistos: a voz é, claramente, um deles. Assim como é a gramática (não podem surgir erros de português no folheto do CD, pois não?) e, eventualmente, um nome mais apelativo. Força, rapazes.

Tracklist:
1. Sofrimento Perpétuo I
2. Manhã
3. Amor Sem Sentido
4. Hora II
5. Uma História Escondida
6. Lágrimas
7. Nada a Perder
8. Dia a Dia
9. Rosas de Amor
10. Entre Dois Lados
11. Entre a Espada e a Parede
12. Sofrimento Perpétuo II

Line up: José Diogo Dias (guitarra e voz), Rafael Mendes (guitarra), Filipe Ferreira (baixo), João Pedro Santos (bateria)

Myspace:
www.myspace.com/bigkitcat
Edição: Edição de autor
Nota VN: 14,4 (22º)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Review: October Dawn (Oblique Rain)

October Dawn (Oblique Rain)
(2009, Major Label Industries)


Oriundos do Porto, os Oblique Rain atingem a marca de dois álbuns de originais contando apenas com 5 anos de existência. A justificação para tal facto, não muito comum no panorama metálico nacional, tem só uma palavra: competência. E a todos os níveis: composição, interpretação, vocalizações. O quinteto consegue criar uma manta densa de envolvência negra assente em bases que tanto podem ir beber aos Alice In Chains como aos Dream Theater ou aos Katatonia. O frio e negro ambiente melancólico cruza-se de forma perfeita com os toques progressivos, mas sempre sem perder aquela sensação de estarmos perdidos no meio de um nevoeiro tão denso como cortante. E esta sensação é perfeitamente notável em Inanity onde a parte inicial chega a ser perturbadora. Curioso que, mesmo nos momentos mais calmos, como o inicio de Absent Awry o baixo é de tal forma opressor que mal nos deixa respirar. E por falar em baixo, deixem acrescentar que muita da alma deste colectivo e a condução de toda a musicalidade reside na impressionante capacidade da secção rítmica que para além desse baixo poderoso e sempre a castigar-nos (no bom sentido, obviamente), também conta com um trabalho de bateria verdadeiramente assombroso. Ao nível de composição, é brilhante a forma como os temas se desenvolvem, muitas vezes sem ser no tradicional formato de canção, mas em crescimento, recriando-se e reinventando-se permanentemente. Destaques para Out There, Soul Circles e Absent Awary num álbum com uma produção perfeita e onde o curto tema acústico Dawn e os guturais em Spiral Dreams demonstram toda a versatilidade de uma banda única no nosso cenário.


Tracklist:
1. Soaring Alone
2. Out There
3. Soul Circles
4. Absent Awry
5. Reminiscence
6. Inanity
7. Spiral Dreams
8. Dawn
9. Darker Woods


Line up: Flávio Silva (vocais e guitarra), César Teixeira (guitarra), André Ribeiro (guitarra), Guilherme Lapa (baixo), Daniel Cardoso (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/obliquerain
Edição: Major Label Industries (
http://www.majorlabelindutries.com/)
Nota VN: 17,1 (6º)

Review: Decadence In The Heart Of Man (Coldfear)

Decadence In The Heart Of Man (Coldfear)
(2009, Edição de Autor)

Formados em 2005 em Barcelos, os Coldfear têm demonstrado uma louvável atitude o que lhes tem valido um crescimento seguro mas eficaz. Com a edição, em 2007, da demo What Lies Beneath muita gente ficou atenta ao quinteto. Mas é agora, em 2009, com a edição do EP Decadence In The Heart Of Man que todas as boas indicações se confirmam. Com uma produção poderosa, a banda aposta numa sonoridade thrash/death técnica e melódica onde as harmonias sacadas às 7 cordas estão omnipresentes. Neste particular, o tema-título e The Failure são, quanto a nós, os maiores momentos num trabalho sucinto mas todo ele cheio de intensidade. Nomes como Slayer ou Kreator (na vertente mais thrash) ou a escola de Estocolmo (na vertente mais death) acabam, de uma forma natural, por serem sentidas neste conjunto de 5 temas compactos e onde a banda consegue criar, de facto, momentos que tanto têm de densos e rápidos, como de melódicos e compassados. Em resumo, estes Coldfear são mais uma boa proposta a sair do underground nacional, demonstrando (se é que ainda havia essa necessidade) que o movimento está a viver uma excelente fase. E trata-se de mais um colectivo a acompanhar.

Tracklist:
1. Decadence In The Heart Of Man
2. Creators Of Blinded Evolution
3. The Failure
4. Pull The Trigger
5. Self-Inflicted


Line up: José Martins (vocais), Hugo Serra (guitarras), Pedro Guerreiro (guitarras), Francisco Carvalho (baixo), Bruno Araújo (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/coldfearband
Nota VN: 16,5 (12º)

Playlist 26 de Novembro de 2009


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Entrevista com Bigelf

Cheat The Gallows editado o ano pasado nos Estados Unidos é o quarto álbum de um dos tesouros mais bem guardados do outro lado do Atlântico: os Bigelf. A edição europeia do álbum e o convite por parte de Mike Portnoy (dos Dream Theater) para tocarem na sua Progressive Nation Tour deu-lhes a visibilidade internacional que já mereciam, muito principalmente após a edição deste colosso que é o citado Cheat The Gallows. Ace Mark (guitarrista) revelou-nos um pouco do mundo Bigelf.

Após mais de uma década de existência os Bigelf estão prontos para conquistar a Europa?
Estamos mais que prontos! Temos vindo a tocar na Escandinávia e nos Estados Unidos há já alguns anos e é fantástico regressar e tocar nesses sítios onde as pessoas realmente gostam de rock. Na Progressive Nation nós tocamos em países onde nunca tínhamos estado antes como o Reino Unido, Espanha ou Itália e, obviamente, foi muito bom.

Cheat The Gallows foi editado, nos Estados Unidos o ano passo e só agora chega à Europa via Powerage Records. Esta nova edição é exactamente igual à anterior ou acrescentaram alguns extras?
É excatamente a mesma. Para ambas as edições cortámos alguns temas como Demon Queen Of Spiders, Don´t Blow It e Snake Eyes. O objectivo era que os álbuns ficassem um pouco mais curtos. De qualquer das formas, para os mais curiosos, estes temas estão disponíveis no iTunes. O álbum estava bom, mas estava demasiado longo e achámos melhor retirar alguma coisa.

Actualmente temos assistio a uma onda revivalista. Bigelf são uma das bandas que se inspiram em sonoridades dos anos 60/70. Quais são as vossas principais influências? Os Beatles são muitas vezes citados, mas há outras…
The Beatles, Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Uriah Heep, King Crimson, Pink Floyd estão todos lá. Mas também há algumas bandas que, por diversas razões, nunca foram tão conhecidas como as citadas, tais como: The Move, The Pretty Things, Badfinger, Van Der Graaf Generator, Gracious e por aí fora. Também temos nomes favoritos fora do rock clássico e é essa mistura que faz o nosso som único e não estarmos apenas a fazer cópias do que já fez sucesso há anos atrás.

Como se sentem sendo uma das bandas convidadas para a Progressive Nation Tour?
Sentimo-nos fantásticos! E estamos eternamente agradecidos ao Mike Portnoy por nos ter dado esta oportunidade. Demos 51 concertos na América do Norte e na Europa mais alguns espectáculos na nossa cidade e foi fantástico! Quer na América quer na Europa houve, realmente, um grande espírito de amizade entre todos. Mais parecia um festival de rock sobre rodas que simplesmente quatro bandas a partilhar o mesmo palco. Os Dream Theater foram excelentes anfitriões, fizeram toda a gente sentir-se bem e apreciada. E o público foi espectacular, especialmente em França, Polónia e na Europa do Sul.

Como têm os fãs e a imprensa recebido o vosso trabalho?
Na verdade tem havido uma boa onda para nós durante a Prog Nation Tour. Estava na altura de entrarmos na Europa em cheio, penso que assim é que o rock deve ser. As audiências na tournée foram espectaculares. Aproveito para agradecer a toda a gente que apareceu nos concertos. E preparem-se: estaremos de volta no inicio de 2010!

Com este Cheat The Gallows a vossa bilbiografia conta já com quatro edições. Que diferenças apontas entre este último e os anteriores?
Realmente agora temos quatro álbuns de estúdio: Closer To Doom (1998), Money Machine (2000), Hex (2003) e este Cheat The Gallows que é, definitivamente, o disco melhor produzido e, em geral, mais pensado do que tudo que tenhamos feito antes. Comparando com os dois primeiros álbuns, é, também, o mais temático embora não se possa considerar um álbum conceptual. Musicalmente há uma série de coisas a acontecer: tem doom, rock, pop e glam acrescido do mais estranho e poderoso material progressivo, como o tema final, Counting Sheep, que é o meu favorito. E foi realmente agradável ter experimentado alguns instrumentos adicionais como sopros e cordas.

sábado, 21 de novembro de 2009

Entrevista com Hell City Glamours

Da longinqua Austrália chega-nos a prova que o rock & roll está bem vivo. Os Hell City Glamours misturam o hard rock dos 70’s com uma agradável postura punk e algum glam. A sua estreia já ocorreu o ano passado, mas só agora a Europa começa a descobrir a potência e vivacidade de uma das mais promissoras bandas provenientes do outro lado do mundo. Via Nocturna, contactou um simpatico Oscar Mcblack (guitarrista e vocalista) que nos esclareceu tudo a respeito deste misterioso glamour da cidade do inferno.

Considerando que os Hell City Glamours (HCG) não são muito conhecidos em Portugal, podes apresentar a banda?
Os Hell City Glamours são compostos Oscar Mcblack (guitarra e voz), Jono Barwick (baixo), Robbie Potts (bateria) e Mo Mayhem (guitarra) e somos uma banda independente de rock & roll oriunda da Austrália. Antes e acima de tudo, somos amantes da música que acredita na nossa música, no nosso som e nas nossas prestações ao vivo. Estamos juntos há sete anos, já fizemos inúmeras tournés pela Austrália, gravámos 3 EP’s e um longa-duração (o mesmo que agora é disponibilizado pela Powerage Records). Este ano fizemos a nossa primeira tour Americana com concertos em Los Angeles, Nova Iorque e o fantastico festival South By South West em Austin, no Texas. Tivemos a oportunidade de ver muitas coisas maravilhosas, compartilhar o palco com muitas bandas importantes e vivemos as melhores experiêcias do mundo.

Hell City Glamours é vosso primeira longa-duração. Estão totalmente satisfeitos com o resultado final?
Bom, quando se vai para estúdio nunca se tem a noção em que direcção se irá. Matt Voigt, a nossa escolha para produtor, revelou-se uma bênção na medida em que ele partilha o mesmo amor pela música que nós e tem uma visão similar à nossa no que toca a saber como um álbum de rock & roll deve soar. Ele permitiu que nós nos centrássemos preferencialmente na nossa performance e no nosso feeling, deixando a supervisão para ele.Por isso o disco tem esse som de uma banda a tocar rock & roll , o que, afinal de contas, era o que nós queríamos precisamente

A vossa mistura de hard rock, punk e algum glam é uma opção consciente na altura de escrever as canções?
Todos os membros da banda ouvem muitas coisas diferentes como Janis Joplin, Husker Du, The New York Dolls, Oasis, Tom Waits, The Band and Betty Davis. No entanto, partilham um gosto comum por coisas como Hanoi Rocks, The Rolling Stones, John Lee Hooker, The Hellacopters, Aerosmith dos anos 70, Otis Redding, Jimi Hendrix, Rancid, Ween, Guns and Roses, Sabbath, Zepplin, Thin Lizzy and AC/DC. Acredito que no nosso sub-consciente parte do que ouvimos afecta a forma como tratamos as nossas composições. Agora, as nossas canções são entidades próprias e, quando escrevemos, deixamos que cada uma delas cresça com a sua individualidade e não como cópias de outras.
Depois do que foi dito, será desnecessário perguntar-te quais as vossas principais influências.
Realmente já enumerei muitas delas! Mas a influência é uma coisa engraçada. Por vezes a ouvir os Clash sou levado a pegar numa guitarra e tocar ou escrever alguma coisa, mas duvido que alguém nos possa associar aos Clash.

Em termos liricos, que temas são abordados pelos HCG?
Para mim, as letras têm que se basear em factos reais. Têm que significar algo para mim pois só assim se justifica perder tempo a escrever e… a cantá-las todas as noites. Podemos dizer que as nossas canções não estão cheias de poesias profundas. Eu escrevo sobre frustações, amor, amigos que tenho na minha vida, sobre tudo o que passamos quer como banda quer em termos individuais. Não interssa que falem das minhas letras ou da minha habilidade para escrever. Pelo menos sei que no fim do dia, acredito no que disse.

Hell City Glamours foi originalmente editado na Austrália em 2008 e só agoraa chega à Europa através do selo Powerage. Trata-se da mesma versão publicada o ano passado ou introduziram alguns extras?
A versão da Powerage é ligeiramente diferente (para melhor) porque apresenta melhorias ao nível da capa e inclui o video do primeiro single Josephine. Ambas as versões têm uma faixa secreta chamada Thankyou.

Como tem sido a reacção do público e dos media ao vosso álbum?
Tem sido realmente positivo! Mesmo aqui, na Austrália, os jornais maiores e mais chatos fizeram boas reviews o que acaba por ser engraçado. Não há nada mais assustador que abrir uma revista para ler as primeiras criticas de um álbum que adoras e onde dispendeste tanto tempo… e nada melhor que ver que eles até gostam das canções e do som.

Vocês são bem conhecidos na Austrália. A Europa ainda é um mercado para ser conquistado. Quando vêm cá?
Eu gostaria de vos dizer que nos veriamos em 2010. Veremos como o disco será aceite.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Review: Down To The Bone (Electric Mary)

Down To The Bone (Electric Mary)
(2009, Powerage)


Da longínqua Austrália chega-nos mais um colectivo pleno de atitude positiva, rock & roll e muita, mas mesmo, muita classe. Os Electric Mary são um quinteto que tendo por base o hard rock dos anos 70/80 (D.A.D. ou Motörhead são alguns dos nomes que frequentemente nos vêm à cabeça) não se coíbem nunca de meter a colherada em tudo quanto seja boa música. Num conjunto de temas que variam entre os muito rápidos e os a meio-tempo, os australianos tem tempo para introduzir variações jazzistico-progressivas naquele que é um dos melhores temas do álbum (One In A Million), ritmos thrash megadethianos no trabalho base da guitarra e nos solos em duelo em Sorry; uma piscadela de olho ao alternativo, nomeadamente pela aproximação a uns Tool, em Luv Me, por exemplo, se bem que neste mesmo tema o que surpreende é a base a meio-tempo, compassada e numa linha muito stoner. Com um instrumental variado e com uma qualidade assinalável para álbum de estreia, os Electric Mary conseguem ainda apresentar um notável desempenho ao nível vocal, cortesia de Rusty que com o seu timbre arranhado e bem puxadinho mantém a intensidade em alta. Quando assim é, ficamos bem descansados: o verdadeiro rock & roll está vivo e recomenda-se.


Tracklist:
1. Let Me Out
2. Gasoline And Guns
3. No One Dies It Better Than Me
4. Right Down To The Bone
5. One In A Million
6. Sorry
7. Crashdown
8. Luv Me
9. One Foot In The Grave
10. Do Me (Long Way From Home)
11. Spread The Electric Luv
12. All Comin Down
13. Busted


Line up: Rusty (vocais), Venom (bateria), Irwin (guitarras), Pete (guitarras), Neilo (baixo)
Myspace:
www.myspace.com/electricmary
Website:
http://www.electricmary.com/

Edição: Powerage Records
Nota VN: 16,10 (9º)

Review: Unleash The Deceased (Behead The Dead)

Unleash The Deceased (Behead The Dead)
(2009, Edição de Autor)


Ainda há bem pouco tempo nos referíamos, a propósito dos Skewer, que o trio era um formato não muito habitual em Portugal. Pois bem, para nos contrariar, de repente vieram os Assassinner e agora os Behead The Dead. Este último nome que aqui nos traz apresenta desde logo duas curiosidades: (i) são de Oeiras mas não têm nenhum elemento português; (ii) não tem baixista. Postas estas considerações falemos da música. Este EP de cinto temas mais uma curta intro (curiosamente – afinal havia outra curiosidade – com o título do seu EP de estreia) que se pode considerar de thrash ou death metal mas sempre na sua vertente mais progressiva e, diriamos mesmo, progressista. A banda consegue criar tantos cenários diferentes ao mesmo tempo que chega a parecer impossível que só sejam três elementos. Também o vocalista revisita diversos registos desde o mais gritado ao mais gutural. O facto de não terem baixista (excepção para as duas partes de Incense onde um músico convidado, Vasco Abreu, assume esse papel) leva a que guitarrista e baterista se desmultipliquem em predicados técnicos só ao alcance de alguns. E é isso, precisamente, que leva a que os temas de Unleash The Deceased sejam extremamente apelativos em termos técnicos. No entanto a coesão entre os membros nem sempre parece ser a melhor, muito provavelmente fruto de alguns contratempos que a banda tem sofrido ultimamente. E mesmo que alguma repetição se possa notar em alguns momentos, Unleash The Deceased assume-se como um dos melhores lançamentos do ano no seu segmento e os Behead The Dead como uma banda a acompanhar com atenção.


Tracklist:
1. An Absconding Recluse
2. Stones To Throw (Awaken)
3. Megalomaniac
4. Entertain Broken Souls
5. Incense Pt. 1: Demons Within
6. Incense Pt. 2: Lethal Dispatch


Line up: Matthew Jozsef (vocais), Adam Kirchberger (bateria), Jeremy Pringsheim (guitarra)
Myspace:
www.myspace.com/beheadthedeadband
Website:
http://www.beheadthedead.com/
Nota VN: 16,2 (11º)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Review: New Device (New Device)

New Device (New Device)
(2009, Powerage)


Com apenas dois anos de existência (formaram-se em Londres em 2007), os New Device chegam já ao seu primeiro registo em formato profissional. Tal rapidez pode induzir que o quinteto pratique uma sonoridade da moda, mas nem é o caso. A independente britânica Powerage Records que tem apostado em publicar artistas numa onde mais revivalista dentro do verdadeiro espírito hard-rockeiro (como por exemplo os aqui recentemente referenciados Hell City Glamours). E é bom, quando olhamos à nossa volta e parece que o que importa é ser cada vez mais extremo, surgirem bandas assim que nos relembram como o bom rock’n'roll pode funcionar como uma libertação de sensações negras. E é isso que os New Device nos trazem: ritmo, alegria, melodia, grandes malhas e grandes refrãos para serem gritados a plenos pulmões em qualquer concerto. Quer isto dizer que os londrinos também não inventam nada. A sua sonoridade vai beber nos grandes nomes do hard rock do passado, com os Guns n’ Roses à cabeça mas sem esquecer outros ilustres como Warrant ou Motley Crue. A atitude glam, embora menos acentuada (os tempos são claramente outros) também está presente. Dito isto importa referenciar que o seu trabalho homónimo é um trabalho dentro da linha que foi referenciada. O colectivo mostra-se certinho, toca temas agradáveis e apelativos, mas arrisca pouco e é esse, precisamente, o problema. Com o decorrer das audições começamos a ficar um pouco saturados face à repetição da mesma fórmula. Ainda assim, em Heaven Knows a banda consegue imprimir algo de novo na sua forma de estruturar os temas e até nem se sai mal. No entanto, ninguém poderá por em causa a qualidade e a vivacidade de temas como On Fire, Pedal To The Metal ou Moth To The Flame, verdadeiros e genuínos hinos hard rock.


Tracklist:
1. Make My Day
2. Never Say Never
3. You've Got It Comin'
4. In The Fading Light
5. On Fire
6. Pedal To The Metal
7. Until The End
8. Moth To The Flame
9. Seven Nights, Seven Bodies
10. Heaven Knows
11. Hope Is Not Enough
12. No One Does It Better Than Me

Line up: Daniel Leigh (vocais), Phil Kinman (guitarra solo), Robb Wybrow (guitarra ritmo/vocais), Andy Saxton (baixo), Rozzy Ison (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/newdevice
Edição:
Powerage Records
Nota VN: 14,5 (18º)

Playlist 12 de Novembro de 2009




terça-feira, 10 de novembro de 2009

Entrevista com The Godspeed Society

Os The Godspeed Society são uma nova e intrigante entidade musical lusa que reúne antigos elementos dos Sarcastic. A associação entre a música e a representação teatral é o seu objectivo na criação de Killing Tale, uma história de arrepiar. O álbum só deverá estar pronto em 2010, mas 2 temas já podem ser ouvidos no seu myspace. Via Nocturna quis conhecer melhor este colectivo e aqui fica o registo.

Como surgiu a ideia de criar os The Godspeed Society?
A ideia surge, de uma troca de ideias entre amigos, que com a experiência que tinham, procuravam algo onde conseguissem encaixar todas as suas influências, que iam além, do universo músical, como o cinema, a literatura ou mesmo a banda-desenhada.

Como descreveriam a vossa sonoridade?
Começo por dizer, que não sou adepto de rotúlos. Por vezes, os rotúlos restringem a criatividade das bandas, levando-as em direções não desejadas, mas a sonoridade deste projecto, flutua algures entre o rock , o blues e o jazz.

O facto de terem elementos com créditos firmados no panorama musical nacional, poderá de alguma influenciar a implantação dos TGS?
É concerteza uma forma mais rápida de ter atenção, mas não será por si só suficiente, para fazer o projecto crescer e ter notoridade. É fundamental a aceitação por parte do público.

Como surgem, no vossa sonoridade, os elementos acordeão e saxofone?
Foi um processo natural de composição, a determinada altura, percebemos que queremos ter este tipo de sonoridade, que vem exactamente ao encontro daquilo que procuramos enquanto músicos. Queremos acrescentar sonoridades habitalmente usadas noutros estilos e mostra-las com uma nova roupagem.

Expliquem-me o conceito da produção Killing Tale
O que posso adiantar para já, é que o projecto anda em torno de um conto, escrito propositadamente para este efeito, que será editado juntamente com o registo músical e que as apresentações ao vivo estarão mais perto de uma peça de teatro, que propriamente de um concerto. Queremos que, quem venha aos nossos espectáculos, tenha uma experiencia, diferente.
Ainda estão à procura de vocalistas femininas para o vosso projecto? Têm aparecido muitas candidatas?
Felizmente têm aparecido algumas..., mas ainda estamos à procura. Também aqui, procuramos uma voz singular, com um registo mais grave. Se houver interessadas a residir na zona de Lisboa, dispostas a fazer uma audição, contactem o mail da banda:
thegodspeedsociety@gmail.com

A atender pela sonoridade presente nos temas disponíveis no vosso myspace, poderá dizer-se que sofrem algumas influências de bandas como os Diablo Swing Orchestra. Concordam ou nem por isso?
Confesso, que só fiquei a conhecer a banda depois das ditas comparações, feitas na revista Loud!. Consigo estabelecer alguns paralelos, mas de forma alguma influência. Os D:S:O, vão beber mais à fonte clássica e ópera.

Definem-se como uma história de arrepiar num registo musical. Porquê?
Essa definição foi atribuida, por um jornalista que nos fez uma entrevista e que iniciou a peça com esse título. Sendo que vamos transportar para o palco todo o conceito da história, não nos limitaremos a tocar as músicas que a compõe, a representação estará muito presente nos nossos espectáculos.

Acho muito curiosa a vossa postura em termos visuais. Acredito que tenham em mente também a representação de diversos tipos de personagens, não?
Cada elemento do projecto é um personagem, que faz parte integrante da vida de Bloody City, a cidade onde decorre toda a trama. Esses personagens têm uma identidade própria, que irá transparecer depois nos espectáculos.

Tem consciência que a conjugação da vossa musicalidade com a vossa imagem representa uma inovação no panorama musical português? De que forma é que sentem isso?
É curioso, que a primeira manifestação de agrado de alguém quando nos conhece é exactamente essa ainda antes de ouvirem a música ou saberem sequer que existe um conto. Uma vez que estamos a representar, adicionamos ao papel de músico, o de actor. Temos noção que no momento em que nos demos a conhecer no Myspace, a escalada de visitas foi extraordinária e que o principal motivo é a nossa imagem. Por vezes as bandas descuram a imagem, mas este é um dos pontos fulcrais para um projecto ser bem sucedido ou não.

Em termos de edições, para quando o primeiro álbum?
Se tudo correr como esperamos, será no primeiro semestre de 2010.

E em termos líricos, que temas se propõe os TGS abordar?
Neste primeiro registo, as letras são como que sinópses, dos capítulos que compõem a história e falam de amor, ódio e essencialmente vingança. O conto é bastante negro, com litros de sangue e as letras acompanham com a mesma intensidade.

A terminar, quais os principais projectos a mais breve trecho?
Para já estamos a gravar, o video do primeiro single, Dark River e a montar todo o espectáculo, que como devem imaginar é uma tarefa enorme, de forma a podermos fazer a apresentação oficial ao público, no início do próximo ano.


sábado, 7 de novembro de 2009

Review: Cheat The Gallows (Bigelf)

Cheat The Gallows (Bigelf)
(2009, Powerage)


Apesar de já andarem nisto há 13 anos, os Bigelf não são propriamente muito conhecidos no continente europeu. Mas a situação vai de certeza mudar com a edição, por parte da britânica Powerage Records, deste seu terceiro longa-duração, Cheat The Gallows, que foi originalmente editado em 2008 nos Estados Unidos. O quarteto de Los Angeles encarna na perfeição (juntamente com os Astra, por exemplo, recentemente aqui comentados) o espírito revivalista que actualmente se vive rebuscando no baú das memórias momentos memoráveis e adicionando-lhe (neste caso ao contrário dos Astra) particularidades, principalmente ao nível da produção, perfeitamente actuais. O que aqui se ouve é progressivo no mais puro do termo. Mas um progressivo assente em nomes como Deep Purpel ou Black Sabbath, se bem que os Bigelf disparem em todas as direcções no que diz respeito a grandes nomes do passado, onde nem sequer uns Beatles, Pink Floyd ou Creedence Clearwater Revival são esquecidos. Mas há ainda outro nome que, a espaços, nos vem à memória: Queen. E essa associação está muito presente no fantástico Counting Sheep, o mais longo tema do álbum e que o fecha de forma brilhante e onde os arranjos vocais, qual uma opereta, são arriscados mas resultam em pleno. Antes ainda, mellotrons, hammonds e metais ajudam a dar um espírito retro mais acentuado e a aumentar a grandiosidade e sumptuosidade de Cheat The Gallows que em temas como Blackball, Money, It´s Pure Evil, The Evils Of Rock & Roll ou Race With Time roça, simplesmente a perfeição.

Tracklist:
1. Gravest Show On Earth
2. Blackball
3. Money, It’s Pure Evil
4. The Evils Of Rock & Roll
5. No Parachute
6. The Game
7. Superstar
8. Race With Time
9. Hydra
10. Counting Sheep

Line up: Damon Fox (vocais e teclados)), Ace Mark (guitarras), Duffy Snowhill (baixo), Froth (bateria)

Myspace:
www.myspace.com/bigelf
Website:
http://www.bigelf.com/
Edição: Powerage Records (
http://www.poweragerecords.com/)
Nota VN: 18,6 (3º)

Review: Hell City Glamours (Hell City Glamours)

Hell City Glamours (Hell City Glamours)
(2009, Powerage)


Oriundos da Austrália surgem-nos os Hell City Glamours que se estreiam, de uma forma francamente positiva, para o selo Powerage com o seu álbum homónimo. Desde o inicio que somos levados por uma intensa viagem de puro rock’n’roll bem batido, bem ritmado e completamente descomprometido. De facto, há já algum tempo que não ouvíamos uma banda que soasse tão fresca e, simultaneamente, tão intensa como estes Hell City Glamours. Ainda por cima porque conseguem adicionar à sua costela de hard rock mais tradicional uma atitude directa que os coloca próximo do punk. Num conjunto de temas curtos e muito crus e directos, a banda australiana consegue, ainda, injectar uma alegria ímpar e algumas melodias verdadeiramente orelhudas. Alguns solos de bela craveira, um baixo denso e uma voz a rasgar completam o conjunto de predicados de um álbum simples e sem artificialismos mas tremendamente eficaz. One Night Only, Back To You, Josephine (com uma roupagem quase country), Right My Wrongs e Worst Kind Man são temas que prometem causar muita animação nas apresentações ao vivo do colectivo e que não deixam ninguém indiferente à sua alegria contagiante.

Tracklist:
1. One Night Only
2. Back To You
3. Josephine
4. Flying Away
5. High Brow
6. Ready To Fall
7. Right My Wrongs
8. The Money
9. I’m Not Here
10. Worst Kinda Man
11. In The Cold
12. No Love
13. Thankyou


Line up: Oscar McBlack (vocais, guitarra), Mo Mayhem (guitarra), Robbie Potts (bateria), Jonny (Baixo)

Myspace:
www.myspace.com/hellcityglamours
Website:
http://www.hellcityglamours.com/
Edição: Powerage Records (
http://www.poweragerecords.com/)
Nota VN: 15,8 (14º)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entrevista com Assassinner

Do Porto chega-nos mais um colectivo que se estreou em nome individual em 2008. A qualidade do seu som chegou à Poison Tree Records que agora disponibiliza o trabalho Other Theories Of Crime em formato digital para todo o mundo. Estas são, por isso, razões mais que suficientes para irmos conhecer melhor os Assassinner pela voz do seu guitarrista e vocalista Ary Elias da Costa.
Ao consultar o vosso myspace nota-se uma ponte entre os Assassinner de hoje e os Crackdown da década de 90. Pode-se considerar os Assassinner como uma nova reencarnação dos Crackdown?
Não será exactamente uma nova reencarnação, dado que apenas metade dos elementos que fizeram parte dos Crackdown são agora o power trio que dá pelo nome ASSASSINNER. Não renegando os pontos de confluência entre os dois projectos, há que vincar que muito tempo passou, quase uma década. E durante esse período, naturalmente que crescemos como pessoas, consolidamos, ainda mais, a nossa personalidade e objectivos. Musicalmente os nossos horizontes e estilo não só se alargaram como também se tornaram mais evidenciados. Não obstante os ASSASSINNER terem uma identidade própria e distinta, penso que estaremos mais próximos daquilo que fizemos em Crackdown que em Str@in.


Other Theories Of Crime teve edição física em 2008 e agora foi editado digitalmente pela vossa Editora, a Poison Tree Records. Há alguma alteração entre a nova e anterior edição?
Ambas as edições disponibilizam os 3 temas gravados. As alterações prendem-se com o facto de, através da Poison Tree Records ser possível adquirir os temas individualmente. No que concerne à edição física, urge acentuar que a mesma é disponibilizada gratuitamente pela banda, conta com um layout apelativo e contém, para além da parte áudio, o nosso promo-pack, que inclui logo, biografia em português e inglês e, ainda, fotos promocionais.

A edição a que Via Nocturna teve acesso (a física) apresenta apenas três temas. São eles o espelho fiel da sonoridade Assassinner?
São o espelho da sonoridade dos ASSASSINNER em Setembro/Outubro de 2008, data em que os gravamos. À medida que o tempo passa, vamo-nos sentindo cada vez mais confortáveis neste projecto em que somos apenas 3 e acumulamos mais que uma função. Note-se que o Xene já não se encarregava das vozes há cerca de 15 anos e eu nunca o tinha feito anteriormente
. Temos tocado novos temas ao vivo e as pessoas são unânimes ao considerá-los mais consistentes e inovadores.

De que forma é que chegaram à Poison Tree Records?
A Poison Tree ouviu os temas disponibilizados no myspace, gostou do nosso trabalho e fez uma primeira abordagem no sentido de aferir o nosso interesse e disponibilidade quanto à outorga de um contrato de edição e distribuição digital mundial dos temas. Após negociação e análise dos termos contratuais, a efectivação do vínculo com a editora Californiana, que alberga no seu catálogo nomes como o ex-Queens of Stone Age Nick Oliveri e os seus Mondo Generator, Fu Manchu, Dwarves, entre outros, afigurou-se-nos como o trampolim ideal à divulgação do nosso trabalho além fronteiras.

No que diz respeito ao EP, a ideia que fica é um grande trabalho de composição e execução. Torna-se difícil considerando que os Assassinner são apenas um trio?
O facto de nos conhecermos há muito tempo e existir uma química muito grande entre os 3 facilitou muito as coisas. Agora não podemos negar que o acumular de funções que referimos anteriormente e o facto de termos apenas uma guitarra se consubstanciou num desafio aliciante não só quanto à composição, mas também no que concerne às actuações ao vivo. Tivemos que fazer mais com menos, mas o resultado foi deveras gratificante, tendo recompensado todo o esforço. A partilha das vocalizações e linhas de baixo autonomizadas das de guitarra, assumindo um papel mais preponderante que o habitual neste tipo de sonoridades, tornaram-se uma mais-valia e dotaram o nosso som de um cunho muito pessoal e distintivo.

As vossas influências cruzam o thrash com o hardcore mas conseguem manter-se afastados dos clichés do metalcore e outras coisas do género. De que forma é conseguem essa individualidade?
Talvez porque nenhum de nós ouve Metalcore [risos]. A nossa playlist não se resume ao Metal ou Hard Core. Ouvimos de tudo um pouco e isso acaba por influenciar o nosso trabalho. Apenas referimos esses dois estilos porque as pessoas gostam de catalogar as bandas e estes são aqueles com os quais sentimos mais afinidades. Mas, sublinhe-se, não nos resumimos a eles. Acresce que, mais do que com sub-géneros de música pesada, identificamo-nos com bandas e atitudes. E nesse aspecto continuamos a seguir e a valorar os clássicos, que inovaram e conseguiram manter uma sonoridade e identidade próprias. Aliás, actualmente poucas são os novos projectos que nos despertam interesse. Talvez por, não raras vezes, enveredarem pelo caminho fácil do seguidismo e cópia barata dos precursores do estilo que está em alta nesse mês.

Um dos vossos pontos fortes são as prestações ao vivo. Podes descrever, sinteticamente, que adjectivos caracterizam a vossa postura em palco?
ASSASSINNER
é o projecto que nos define, o som que gostamos e queremos fazer. E quando tocamos ao vivo essa paixão transparece para o público e contagia-o. A entrega total e a prestação em palco de todos os elementos também contribuem para propagação do caos na plateia. Outro factor que considero ser basilar do sucesso dos nossos concertos prende-se com o facto de sermos um power trio, que se apresenta em palco com uma disposição triangular, que difere das outras bandas e privilegia o espectáculo. Mais, a diversidade musical espelhada na individualidade de cada um dos nossos temas determina, invariavelmente, uma actuação com vários pontos altos e de interesse, nunca caindo na vil monotonia sonora e/ou rítmica, que satura o ouvinte ou espectador. Tocamos temas rápidos e agressivos que privilegiam o mosh, que intercalamos com outros com mais groove e balanço que incentivam ao headbanging e é essa variedade que impele as pessoas a entrar e permanecer no nosso jogo, sem qualquer risco de saturação.

Em termos líricos, qual (ou quais) os conceitos abordados em Other Theories Of Crime?
O conceito que esteve na sua génese foi o de retratar duas faces da mesma moeda. No caso concreto o reflectir sobre duas conotações diferentes da mesma realidade, a sociopolítica e a religiosa, espelhadas no próprio nome ASSASSINNER, que interliga ambas: Assassin (Assassino) e Sinner (Pecador). O rebater de toda uma estrutura de valores assente em grande parte na moral cristã, afogada nas suas contradições e decadências, cuja estrutura pode oprimir o Homem em todas as suas dimensões, gerando, forçosamente, violência. Este foi o ponto de inspiração e partida, mas ced
o extravasamos esses limites (parece que barreiras estanques não são connosco [risos]) e começamos a abordar estes e outros assuntos de uma forma mais pessoal. Acima de tudo o que fizemos e continuamos a fazer é exprimir o que sentimos através da música que compomos e letras que escrevemos, expurgando os nossos demónios pessoais e aniquilando os nossos ódios de estimação.

Em termos de futuro, que projectos têm em mente para os próximos tempos?
Estamos a ultimar a promoção da Other Theories of Crime, que foi apresentada há precisamente um ano atrás. As actuações ao vivo serão reduzidas e mais criteriosas, de forma a concentrar as nossas energias na composição de novos temas a integrarem o nosso primeiro álbum. Se tudo correr como planeado, a sua gravação terá lugar no primeiro semestre de 2010.