quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Review: Confrontation Of Souls (Switchtense)



Confrontation Of Souls (Switchtense)
(2009, Rastilho)

Se vocês pertencem aquele grupo de fãs que estão à espera que os Pantera ressuscitem, podem agora ficar descansados porque é em Portugal que está a resposta à vossa ânsia. Chamam-se Switchtense, são da Moita e acabam de editar o seu primeiro longa duração, Confrontation Of Souls, depois de uma bem sucedida experiência em formato EP sob a designação Brainwash Show em 2006. Poderá parecer algo exagerado este início de crónica, mas basta atender à extrema qualidade do artwork (ao nível do que melhor se faz por esse mundo fora) para se perceber que a palavra forte do quinteto é profissionalismo. E, realmente, só assim se consegue produzir algo tão intenso como Confrontation Of Souls. Ultrapassado o bruahhh inicial sugerido pela embalagem, o seu conteúdo não lhe fica atrás e demonstra uma banda com ideias e com capacidade técnica para executar essas ideias. Thrash metal com condimentos death e mesmo hardcore, fazem desta obra um trabalho essencial para qualquer fã do género. Poder sónico, riffs ora técnicos ora lancinantes (escola dos Slayer?), secção rítmica demolidora e um vocalista musculado fazem da audição deste álbum uma aventura capaz de nos deixar completamente KO. Até porque concessões não há, momentos de trégua também não. Os Switchtense são uma verdadeira máquina demolidora misturando o poder do thrash metal com uma técnica assinalável num trabalho muito homogéneo, extremamente bem conseguido e com laivos de classe ao nível do que melhor se faz lá fora.

Tracklist:

1. Confrontation Of Souls
2. Infected Blood
3. The Gallery Of Horrors
4. Into The Words Of Chaos
5. The Descent
6. This Misery
7. State Of Resignation
8. Origins Of Darkness
9. Second Life
10. The Last Man Standing
11. Soldiers Of Rage

Edição: Rastilho (http://www.rastilhorecords.com/)


Line-up: Hugo (vocais), Karia (baixo), Neto (guitarra), Pardal (guitarra), Xinês (Bateria)





Nota VN: 15 (1º)

Entrevista com Satans Revolver

Eles são como uma super-banda do metal/hardcore nacional. Juntaram-se e ditaram, via Raging Planet, o EP The Canterville Massacre onde misturam hardcore, metal e rock sulista. Por e-mail contactámos a banda que nos elucidou sobre o nascimento do projecto, este trabalho e o futuro.


VIA NOCTURNA (VN): Como surgiu a ideia de se juntarem num projecto desta natureza?
SATANS REVOLVER (SR): É todo um mistério o dia em que os Satans Revolver começaram. Penso que nenhum de nós se lembra, pois nenhum de nos estava sóbrio [risos].


VN: Os Satans Revolver são um projecto paralelo de diferentes músicos ou pode tornar-se numa prioridade?
SR:
Penso que qualquer um de nós dá 100% de dedicação a qualquer uma das nossas bandas. Não vivemos disto, mas vivemos para isto!


VN: Assim sendo, pode haver um sucessor de The Circleville Massacre?
SR: Certamente que haverá um sucessor. Esse mesmo já está no forno a ser feito. Já temos 4 músicas novas que no fundo são como filhos novos, um bandido, um cowboy, um redneck e um mitra, mas adoramos todos por igual!


VN: De que forma é que as diferentes personalidades musicais de cada elemento se enquadram no processo de composição dos Satans Revolver?
SR:
Acho que essa é a melhor parte. Cada um de nos tem influências tão diferentes, uns gostam de cenas técnicas, outros de cenas com mais feeling, outros mais de peso, e outros de fado. Penso que é ai que está o segredo da nossa sonoridade…


VN: Como conseguem conciliar Satans Revolver com as vossas bandas originais?
SR:
Ensaios semanais, trabalho de casa, organização, dedicação e amor à música…creio que é essa a forma de continuar a fazer bandas em Portugal.


VN: Em termos líricos, qual a abordagem de The Circleville Massacre?
SR:
Same old same old: sex, drugs, and rock and roll…

VN: Como têm sido as reacções de fãs e imprensa?
SR:
Quando se faz isto porque se gosta, sem qualquer tipo de expectativa, tudo o que vem de bom é realmente bom, por isso estamos contentes com as criticas e o feedback que temos recebido.

VN: Como está a ser feita a apresentação do álbum ao vivo?
SR:
Aparece num concerto e logo verás!! Não te esqueças é de trazer o teu lenço…

VN: Obrigado!!
SR:
Fiquem bem. The wasted crew

Entrevista com Miss Lava


Não é muito normal nos dias de hoje uma banda estrear-se em vinil. Isso aconteceu com os Miss Lava e o seu trabalho homónimo que serve de apresentação para o álbum que deverá ver a luz do dia em 2009. Fomos conversar com a banda para saber as suas expectativas deste novo fogo posto pela lava de mais um vulcão nacional em plena actividade.

VIA NOCTURNA (VN): Miss Lava serve de aperitivo para o álbum que vem aí. O que poderemos esperar desse trabalho?
MISS LAVA (ML): Podemos esperar mais e melhor! Uma verdadeira explosão de rock n’roll. Estamos muito excitados com o álbum, que será misturado pelo sueco Jens Bogren (Katatonia e Opeth, entre outros). Para já, as gravações decorrem a bom ritmo e estão a ser supervisionadas por Ricardo Espinha, que misturou e masterizou o vinil. A gravação das baterias, já finalizada, decorreu nos Estúdios Vale de Lobos do Rui Veloso. Excelente. Tanto o estúdio como o J. Cuca a partir aquilo tudo!!! Agora, falta gravar guitarras, baixo e vozes e… levar para a Suécia todo o calor dos Miss Lava!



VN: Que objectivos pretendem atingir com a edição deste 12”?
ML: Queremos começar a construir uma base, uma referência, tanto em termos estéticos (sonoro e visual) como em termos de público. Acreditamos que o estamos a conseguir.



VN: Porque um lançamento em vinil?
ML: Porque queríamos marcar o início de uma forma diferente. Queríamos retribuir o apoio de todos os que nos têm acompanhado com uma oferta que marcasse, que ficasse para sempre. Daí a opção por um 12’’ em blood red vynil, com capa que acaba por homenagear todo o movimento rock poster art.

VN: As primeiras críticas têm sido extremamente positivas. Sentem alguma pressão extra na preparação do álbum?
ML: Nem por isso. A preparação do álbum tem vindo a ser um processo muito natural, temos dado um passo de cada vez e achamos que temos um produto mais consistente agora. O EP foi escrito com o Johnny [Nota: Mr. Johnny Lee, vocalista] ora do país, com todas aquelas limitações de quem não ensaia junto numa base regular e desde que ele voltou as coisas têm fluído e soado melhor. Claro que o facto de a recepção geral ser muito boa acaba por nos inspirar ou desafiar para voos mais altos. Neste momento sentimo-nos altamente motivados e achamos que estamos a fazer o disco das nossas vidas.

VN: Como descrevem vocês a vossa música?
ML: Um autêntico Rock n’Roll Disaster que faz uma mescla entre as sonoridades e ambiências stoner actuais e a atitude directa do rock ou punk-rock dos finais dos anos 70.

VN: Todos vocês têm um passado relevante no mundo do rock/metal nacional. De que forma esses passados se consignam nos Miss Lava?
ML: Em primeiro lugar, obrigado! É sempre bom saber que o nosso trabalho é reconhecido. Depois, as diferentes experiências com bandas acabam sempre por moldar quem somos e onde estamos, tanto musicalmente como em termos relacionais. Esses passados, todos eles de facto muito fortes, acabaram por contribuir de uma forma natural para a criação de uma identidade sonora própria dos Miss Lava. Ou seja, a banda acaba por ser a soma de cada um de nós. Não imagino Miss Lava sem o approach característico do baixo distorcido do D. Crow, o groove rítmico do J. Cuca, a linguagem baixística do K. Raffah na guitarra ou a distintividade tímbrica do J. Lee. O que sentimos é que cada um de nós acabou por chegar onde está, musicalmente, porque percorreu um passado extremamente rico.

VN: Miss Lava é um nome algo estranho. Tem algum significado especial?
ML: Tem o significado que cada um quiser dar. Muita gente considera uma mulher incandescente a coisa mais sexy do mundo e gosta naturalmente de brincar com o fogo, outros consideram como a coisa mais perigosa e destrutiva do mundo. É uma questão da perspectiva de cada um. Acreditamos que, a dada altura, todos nós fomos queimados ou eventualmente seremos por uma Miss Lava da vida. Fica a dúvida: quem foi a Miss Lava nas nossas vidas? Vale a pena ser lembrada ou é para esquecer? Nós escolhemos homenagear as nossas. [risos]

VN: Em termos líricos, qual a abordagem adoptada em Miss Lava?
ML: Bem... de um modo geral, falamos de atitude ou da falta dela, com o tema morte (sem nos assombrar); falamos do como se não houvesse amanhã. A vida é curta e só é uma, se a queres viver bem, tens que mudar hoje pois amanhã poderá ser muito tarde. Escrevemos também sobre os remorsos de uma relação chamuscada, amplificados na maioria das letras. Como dissemos há pouco, nós gostamos de brincar com o fogo e escolhemos lembrar-nos da nossa Miss Lava que anda por aí a espalhar o fogo! Burn Baby Burn!! [risos]

VN: Como tem decorrido a promoção do trabalho? Que acções têm sido priveligiadas?
ML: Temos nos promovido como podemos, com os poucos recursos e com o pouco tempo que temos disponível. Tentamos chegar a toda a gente através do myspace e claro, piscamos sempre o olho ao estrangeiro através de alguns contactos. Mas, acreditamos que a verdadeira promoção é feita cá, nos nossos concertos ao vivo, onde o trabalho acaba por ganhar vida e espontaneidade. É em cima do palco que uma banda de rock deve viver e é em cima do palco que nos sentimos em casa! Felizmente temos conhecido muita gente e a família Miss Lava não pára de crescer.

VN: Obrigado!!
ML: Cheers mate! Obrigado nós. Um grande abraço de todos para o Via Nocturna! Rock on!! Spread the fire!!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Review: The Canterville Massacre (Satans Revolver)


The Circleville Massacre (Satans Revolver)
(2008, Raging Planet)

Os Satans Revolver são assim como uma espécie de super banda do movimento punk/hardcore/metal nacional. O colectivo é muito jovem (formou-se em Lisboa há pouco mais de um ano) mas aproveita a experiência acumulada de cada um dos seus integrantes, já que conta nas suas fileiras com elementos ou ex-elementos de colectivos como Blacksunrise, Before The Torn, Aside ou ForGodsFake. Com The Circleville Massacre apresentam-nos o seu trabalho de estreia onde se notam influências do hardcore e rock sulista num EP muito bem escrito e interpretado técnica e musicalmente. De facto, o instrumental está muito bem conseguido, fruto de um nível de composição relativamente complexo com estruturas muito evoluídas e solos de grande nível, muitas vezes, numa linha claramente hardrockeira. Infelizmente tanta riqueza instrumental não é acompanhada em termos vocais. O estilo sempre berrado de Guilherme Henriques não ajuda a colocar os temas num patamar superior pois aqueles instrumentais pedem alguém que cante verdadeiramente. Ainda assim, e mesmo que as linhas vocais sejam muito idênticas, destacam-se as brilhantes composições que são, principalmente, Me, You And A Bottle Of Jack, Golden Bullets e Death On The Trail.


Tracklist:
Me, You And A Bottle Of Jack
Golden Bullets
Last Night In Town
Barfight’s
Death On The Trail


Edição: Raging Planet (http://www.ragingplanet.com/)


Line-up: Guilherme Henriques (voz), Ricardo Cabrita (guitarra), João Ferreira (guitarra), Nuno Vicente (baixo), Nuno Silva (bateria)

Nota VN: 15

Review: The Labyrinth (Saxon)


The Labyrinth (Saxon)
(2009, Steamhammer/SPV)

No ano em que comemoram 30 anos sob o lançamento do seu primeiro álbum, os britânicos Saxon, um dos baluartes do NWOBHM, atingem a brilhante marca de 18 álbuns de originais. E fazem-no com uma jovialidade impressionante. O seu hard rock/heavy metal clássico mostra-se extremamente actualizado e cheio de força, perfeitamente disponível para ombrear com os mais novatos. Essa actualização nota-se, sobretudo, no som conseguido mas também em alguns pormenores de composição como sejam o coro na faixa de abertura (Battalions Of Steel) ou os ritmos sintetizados, embora ligeiros, em Live To Rock. The Labyrinth é pois um labirinto de excelentes canções, capaz de nos por a cantar os refrões a altos berros! Não tendo nada a provar a ninguém, os Saxon embarcam numa viagem musical definida pelo bom gosto e pela qualidade intrínseca dos seus executantes e compositores. Nada de exageradamente inovador (nem é isso que eles ou os seus fãs pretendem!), The Labyrinth é antes um manifesto de como fazer bom hard rock/heavy metal descomprometido, simples, directo e de qualidade onde nem sequer falta uma piscadela de olhos ao blues em Slow Lane Blues. A dupla de sempre, Biff Byford e Paul Quinn, mostra-se, então, perfeitamente contextualizada no actual panorama metálico, respondendo de forma clara e concisa aos crescentes extremismos que têm assolado o metal e não vacilando um minuto no seu trajecto. E depois estão muito bem acompanhados por uma secção rítmica coesa e dinâmica que ajudam a que os temas atinjam um poder digno de realce.

Tracklist:
01. Battalions Of Steel

02. Live To Rock

03. Demon Sweeney Todd

04. The Letter

05. Valley Of The Kings

06. Slow Lane Blues

07. Crime Of Passion

08. Premonition In D Minor

09. Voice

10. Protect Yourselves

11. Hellcat

12. Come Rock Of Ages (The Circle Is Complete)

13. Coming Home


Edição: Steamhammer (http://www.steamhammer.com/)


Line-up: Peter "Biff" Byford (vocais), Paul Quinn (guitarra), Tim "Nibbs" Carter (baixo), Doug Scarret (guitarra), Nigel Glockler (bateria)





Nota VN: 15 (1º)

Review: Aurora Core (CineMuerte)


Aurora Core (Cinemuerte)
(2008, Raging Planet)

Editado em finais de 2008, Aurora Core foi claramente um dos melhores álbuns do ano transacto. No entanto pelo facto de ter chegado à nossa mesa de trabalho já com as contas fechadas (e até com a tabela publicada!) fez com que ficasse de fora dessa lista. Mas isso não implica que seja analisado e saudada a qualidade de um colectivo que, mesmo trabalhando apenas com dois elementos, se tem mostrado estar muito acima da média, desde o seu trabalho de estreia, Born From Ashes de 2006 (incluindo a participação no tributo aos Mão Morta). Nesta banda sonora brilhante, o duo Sophia Vieira e João Vaz faz-se acompanhar por Pedro Cardoso (baterista dos F.E.V.E.R.) e Ricardo Amorim (guitarrista dos Moonspell) para criar melodias memoráveis guiadas pela voz clara e bela de Sophia. Conseguindo pegar no que mais belo e intenso têm colectivos como The Gathering ou Mandragora Scream os CineMuerte, com a sua paleta de cores onde se podem incluir o rock, o metal, o gótico e até um pouco de industrial, são capazes de pintar paisagens musicais únicas plenas de melodia, melancolia e beleza! É quase impossível destacar algum tema, face à homogeneidade apresentada. Todo o álbum flúi como um todo, numa linha de excelência, onde os temas se sucedem sem quebras ou momentos mortos. Ainda assim, podemos destacar Slightly Mad, onde Sophia Vieira tem uma das suas melhores prestações e a fabulosa The House Of The Past. Claro que para se atingir tal brilhantismo, não chega a excelência da composição. Os músicos citados anteriormente, escolhidos para acompanharem o duo nesta aventura, mostram-se perfeitamente integrados em toda a envolvência musical criada pelo colectivo. E por isso permite-lhes ter performances magistrais que ainda mais engrandece Aurora Core. Ao fim e ao cabo nada que não se esperasse de músicos com créditos firmados como Pedro Cardoso ou Ricardo Amorim. O mesmo acontece com o nome responsável pela mistura e masterização: o cotado Waldemar Sorychta que já trabalhou com Lacuna Coil, The Gathering ou Moonspell e que aqui assina mais um dos seus brilhantes momentos.


Tracklist:
1. A Tapper Light
2. Up For A Fight
3. Air
4. I Am A Fool But I Love You
5. The Night Of Every Day
6. Slightly Mad
7. The House Of The Past
8. Dave
9. The Call


Edição: Raging Planet (http://www.ragingplanet.com/)


Lineup: Sophia Vieira (vocais), João Vaz (baixo e teclados); músicos convidados: Ricardo Amorim (guitarra), Pedro Cardoso (bateria)


Nota VN: 18

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Melhores do ano 2008 - Nacional


Agora apresentamos os melhores 15 da produção nacional. (cliquem na imagem para aumentar o tamanho).

Melhores do ano 2008 - Internacional


Depois de muito pensarmos, aqui fica exposta a lista dos 15 melhores álbuns (estrangeiros) de 2008. O teste do tempo fez alterar algumas notas finais. (Cliquem na imagem para aumentar o tamanho)

Playlist 01 de Janeiro de 2009