sexta-feira, 27 de março de 2009

Playlist 26 de Março de 2009


Review: Echoes Of A Morbid Death (V/A)

Echoes Of A Morbid Death (V/A: Tribute To Morbid Death)
(2009, Bit IX)
Echoes Of A Morbid Death alia, logo à partida, duas vertentes importantes: a homenagem/tributo a uma das mais míticas bandas açorianas, os Morbid Death, responsáveis pelo incremento do movimento local e pelo surgimento de muitas das bandas, algumas das quais participam neste álbum; e a apresentação do movimento underground local, muito bem preenchido e activo a atender por esta amostra. São, no total 11 bandas que foram bem escolhidas uma vez que, por um lado, representam o que de melhor se vai fazendo no arquipélago e por outro, abrangem um leque enorme e diversificado de sub-géneros dentro do metal. Desde o mais calmo e tradicional (Crossfaith ou Anjos Negros) até ao mais extremo (Duhkrista ou Zymosis) há aqui roupagens de temas dos Morbid Death para todos os gostos. Um dos pontos mais altos surge, possivelmente de forma natural atendendo à experiência acumulada em sucessivos lançamentos e muitos concertos efectuados, com os In Peccatvm (com Burned Chest) que assim se assumem claramente como outra proposta muito válida a emergir dos Açores e a merecer mais atenção. Outro destaque para os doomsters A Dream Of Poe que conseguem recriar um dos mais intensos temas dos Morbid Death (Gentle Whisper) e transformá-lo num colosso doom metal. Seguramente outro nome a seguir de perto. Estes dois temas fazem parte do álbum Secrets que é o mais revisitado com seis versões. De entre os colectivos menos conhecidos, os destaques vão para Anjos Negros, Spank Lord, Spinal Trip e Violent Vendetta que aqui apresentam interessantes versões de tal modo que fica a curiosidade de conhecer o seu trabalho em nome individual. Quanto ao resto, a homenagem é mais que merecida e o álbum apresentado está à altura da dignidade e prestigio de uma das melhores bandas nacionais.

Tracklisting:

1. Intro
2. Darkest Side Of Paradise (Neurolag)
3. Insane (Hatin’ Wheeler)
4. Silêncio Profundo (Anjos Negros)
5. Burned Chest (In Peccatvm)
6. Miséria (Duhkrista)
7. My Life (Crossfaith)
8. Gentle Whisper (A Dream Of Poe)
9. Falling (Zymosis)
10. Empty Souls (Spank Lord)
11. Believe (Spinal Trip)
12. Last Breath (Violent Vendetta

Nota VN: 15,5 (3º)

terça-feira, 17 de março de 2009

Review: New Shores (Lunatica)

New Shores (Lunatica)
(2009, Napalm)

Os suíços Lunatica nunca foram uma banda da primeira linha dentro do metal melódico/sinfónico de vocalizações femininas e por isso de certa forma se estranhou o salto da Frontiers para a Napalm. Agora na casa austríaca, com outros meios à disposição e com um novo guitarrista, os Lunatica apresentam-nos New Shores, um trabalho vincadamente mais orientado para as guitarras, com solos mais frequentes e com uma secção rítmica claramente mais poderosa. Os apontamentos sinfónicos estão agora menos presentes (My Hardest Walk é o melhor exemplo) e a inocência/sensibilidade pop que caracterizou os primeiros trabalhos do grupo só esporadicamente aparecem (Winds Of Heaven/How Did It Come To This). Algumas diferenças também se notam em Andrea Datwyler, mais madura e senhora de si. Aliás, maturidade será o maior predicado desta obra que não sendo obrigatória, apresenta muitos motivos de interesse. Desde logo porque os Lunatica de agora não tem medo de avançar por novos caminhos. Só assim se explica a introdução de ritmos techno em The Day The Falcon Dies ou o arriscar colocar dois temas acústicos seguidos: a fantástica balada Farewell My Love e a sentimental Hearts Of A Lion. Jonh Payne (ex-Asia) aparece em dois temas (Farewell My Love e Into The Dissonance) em bons duetos com Andrea naqueles que serão dois dos melhores momentos do álbum. Independentemente de tudo de bom que se disse, o colectivo volta a demonstrar alguma falta de criatividade apesar de num tema como The Chosen Ones, se perceber que poderiam ter ido mais longe nesse campo.


Tracklisting:
New Shores
Two Dreamers
The Incredibles
The Chosen Ones
Into The Dissonance
The Day The Falcon Dies
Farewell My Love
Hearts Of A Lion
My Hardest Walk
Winds Of Heaven
How Did It Come To This

Lineup: Andrea Dätwyler (vocais), Sandro D’Incau (guitarra), Marc Torretti (guitarra), Emilio Barrantes (baixo), Alex Seiberl (teclados), Ronnie Wolf (bateria)

Website:
http://www.lunatica.ch/

Myspace:
www.myspace.com/lunaticametal

Edição: Napalm Records (
http://www.napalmrecords.com/)

Nota VN: 14,3 (6º)

domingo, 15 de março de 2009

Review: No Sacrifice, No Victory (Hammerfall)


No Sacrifice, No Victory (Hammerfall)
(2009, Nuclear Blast)

Os suecos Hammerfall ficarão sempre na história do metal, quanto mais não seja pelo fantástico Legacy Of Kings. Mas o que é inegável é que quando o power metal enquanto estilo começou o seu declinio os Hammerfall não foram capazes de se manterem e afundaram-se com ele. No Sacrifice, No Victory seria, por isso, à partida mais um álbum de power metal melódico tristemente condenado ao insucesso? Nada de mais falso. O novo album dos Hammerfall apresenta a virtude de, finalmente, enveredar por outros caminhos. A melodia continua lá (provavelmente ainda mais destacada) mas os temas supersónicos é que já nem por isso. No Sacrifice, No Victory situa-se mais na área do heavy metal tradicional, com eventuais incursões aos tempos áureos dos anos 80 (os dois temas de abertura são disso bom exemplo, muito por culpa dos coros e dos jogos vocais). O primeiro tema um pouco mais rápido só surge na quarta faixa, Legion, ainda assim um dos melhores temas do álbum, o mesmo acontecendo com One Of A Kind. Em Something For The Ages, o quinteto baralha e volta a dar. Um instrumental rápido, técnico e quase progressivo. O que é estranho porque todo o álbum se desenvolve de uma forma extremamente simples e directa. Para os amantes das baladas, aqui fica mais uma que promete ficar na história: Between Two Worlds é sensacional desde o church organ da abertura até ao solo imenso de sensibilidade, passando pela fragilidade da guitarra acústica. Em momentos lembra as grandes baladas dos Scorpions nos anos... 70! O álbum fecha com uma versão dos The Knack, My Sharona, um tema que não deve ser levado muito a sério, ao contrário de todo o álbum, uma obra respeitável e que merece toda a atenção.

Tracklisting:

01. Any Means Necessary

02. Life Is Now

03. Punish And Enslave

04. Legion

05. Between Two Worlds

06. Hallowed Be My Name

07. Something For The Ages

08. No Sacrifice, No Victory

09. Bring The Hammer Down

10. One Of A Kind

11. My Sharona [The Knack cover]

Line up: Joacim Cans (Vocais), Oscar Dronjak (Guitarra), Pontus Norgren (Guitarra), Anders Johansson (Bateria), Fredrik Larsson (Baixo)
Website:
www.hammerfall.net
Myspace: www.myspace.com/hammerfall
Edição: Nuclear Blast (www.nuclearblast.de)
Nota VN: 17,0 (3º)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Entrevista com Forgotten Suns

Com um line-up quase todo renovado e numa nova editora, os lisboetas Forgotten Suns tiveram, finalmente, todo o tempo, capacidade, criatividade e envolvente técnica disponível para criarem e gravarem a sua sonoridade. Por isso, com o seu terceiro álbum prometem inergizar toda a gente. Via Nocturna conversou com o guitarrista Ricardo Falcão a respeito de Innergy.

Depois de Fiction Edge e Snooze, os Forgotten Suns são já um dos nomes mais importantes do panorama progressivo nacional. Agora que vem aí o vosso terceiro trabalho, que objectivos se propõe a atingir?
Basicamente temos dois objectivos: com este album pretendemos colocar o nível de qualidade da produção sonora ao mesmo nível da nossa capacidade criativa e de execução. Uma das grandes pechas do passado dos Forgotten prendeu-se com a fraca qualidade de produção sónica em estúdio devido às contingências do contexto adverso que atravessámos - essas dificuldades não nos deixaram transpor para os discos o nosso verdadeiro nível à epoca. Agora tudo é diferente porque criámos todas a condições para sermos independentes; desde o nosso novo estúdio, ao conhecimento técnico adquirido para gravar, editar, misturar, do nosso som individual que vai sofrendo upgrades constantes de forma a melhorar o colectivo, além de que musicalmente estamos sempre em permanente desafio e evolução (mental e técnica). O segundo objectivo é o de alcançar patamares mais elevados de reconhecimento artístico e isso é algo que já não controlamos de dentro para fora, mas estamos confiantes que este álbum será bastante apreciado, porque foi feito com uma forte intuição progressiva. Desta forma creio que muitas pessoas irão identificar-se com as sonoridades de Innergy.

O processo de gravação foi desusadamente longo. Algum motivo especial? Como decorreu todo esse processo?
O processo de gravação até foi extremamente rápido, o que nos tomou mais tempo foram as situações vividas com a dupla mudança de vocalistas no espaço de aproximadamente um ano...
Foi tudo muito curioso devido ao facto de que, já durante as gravações de baterias, baixo e guitarras ritmo (os primeiros instrumentos a serem gravados) termos tomado a decisão de trazer o Nio para o seio dos Forgotten. Foi muito importante a tomada de decisão firme que tivémos com os ex-membros, até nisso o nosso carácter foi de grande honra e de compromisso inabalável com os nossos objectivos – crescemos muito como grupo neste processo. Quanto à parte técnica de gravação foi muito interessante. Primeiro que tudo fizémos um trabalho de pré-produção muito bom, o que facilita imenso a fase seguinte- a gravação. Aqui aplicámos várias regras de layering, tratamento de frequências e panorâmicas em guitarras, teclados e vozes; o conhecimento e capacidade do Mike como engenheiro de som do album foi decisiva, dado que ele comandou a operação de produção, gravação, edição e mistura, tendo eu tomado mais conta das rédeas da produção, também nas misturas e conceitos líricos. Tivémos sempre em conta o triangulo (guitarra, bateria, baixo) como dominadores do som de Innergy intencionalmente porque queríamos destacar o pilar deste album que é o ritmo. Os solos em Innergy são todos on the spot quase tudo aos primeiros takes, o que quer dizer que ouve grande espontaneidade e libertação interior no processo de gravação. Trabalhámos com tecnologia bastante recente a nível de software e procurámos salientar o melhor de cada um de modo a obtermos o som que poderão escutar em Innergy.

Pelo meio, houve algumas mudanças de line up, certo? Os novos elementos trouxeram algum apport aos Forgotten Suns?
Sem dúvida. Se compararmos com o anterior album, Snooze, só eu (guitarras) e o Sam (bateria) é que permanecemos. O Mike (teclados) esteve 3 anos (2002-2005) ausente da banda por motivos pessoais tendo sido um convidado especial em Snooze gravando um solo e dois takes de piano na faixa Dream Killers e alguma produção. Mesmo não estando oficialmente no grupo ele esteve sempre próximo de nós. Com o Mike de volta, a excelencia nos acordes, o poder criativo dos sons de synth e os magnificos solos, são pérolas que embelezam grandemente o nosso som. O Nuno é um baixista de eleição. Muito experiente, muitíssimo bom gosto e um profundo estudioso do seu instrumento. Em Innergy fica provada toda a consistência do seu trabalho, se escutarem atentamente as músicas, toda a maturidade e todas as técnicas de baixo estão explanadas de forma a contribuirem para o todo musical. Os seus bass slaps em News e riffs em Mind Over Matter também foram on the spot. O Nio será sempre o alvo maior das atenções deste novo álbum... Enquanto que o ex-vocalista Linx era um songwriter e letrista com grandes influências do progressivo mais clássico (Genesis e Marillion) e também pop/rock, Nio é um autêntico camaleão vocal com um timbre muito rico, com sentido estético vocal mais inclinado para os anos 90 e vocalmente mais poderoso. Nio é um barítono com uma grande elasticidade vocal, excelente interpretação e teve uma grande capacidade de adaptação ao nosso grupo; vejo muitas vezes a nossa música como um conjunto de combinações de cores e a voz dele é como se tívessemos vários gradientes à disposição conforme sejam as imagens e conceitos que estamos a desenvolver nas musicas. A voz é algo com o qual a grande maioria das pessoas se identifica imediatamente, creio que a banda é ainda mais transcendente com a qualidade que ele colocou as vozes em Innergy, isso sem dúvida ajudou a elevar o potencial do álbum. De realçar que as personalidades de todos os membros são bastante diferentes, mas estamos em perfeita sintonia musical e pessoal uns com os outros, é esse estado de espirito e união que envolve de forma especial os temas e transparece eficazmente em Innergy.

Confessaram, há já algum tempo a Via Nocturna, que o vosso rumo estaria a cruzar caminhos mais metálicos. Isso vem a confirmar-se em Innergy?
Desde sempre quisémos que os Forgotten Suns fossem uma banda com mais peso do que transparece em Fiction Edge e Snooze mas, como disse anteriormente, os meios de produção não salientaram essa nuance entre outras coisas. Creio que maior parte das vezes há uma entendimento errado quando se fala em mais pesado. Na minha opinião isso não quer dizer que vamos ser uma banda de heavy metal puro, nós temos raízes musicais de bandas extremamente melódicas, com grandes produções, e sintetizadores e esse lado estará sempre presente no nosso som porque faz parte do nosso DNA musical. As minhas referências mais pesadas e as do Sam combinadas resultam nos riff que podemos ouvir em Racing the Hours ou Doppelgänger, mas no geral creio que todo o peso extra que hoje conseguimos alcançar é um trabalho conjunto de todos os elementos. Desde a chegada conjunta do Nuno e do Mike que pré-definimos novos parâmetros para a banda e o termos um som mais moderno e mais progressivo era uma componente essencial. Não nos identificamos muito com as bandas paradas no tempo, que repetem discos atrás de discos e que não se conseguem re-inventar. No entanto gostamos muito do uso de material analógico antigo a contrastar com sonoridades modernas como temos a exemplo o uso do Moog Modular na secção final do tema An Outer Body Experience. Se virmos os Forgotten desta perspectiva é como se com Innergy tivéssemos alargado a amplitude da nossa música...imaginemos um extremo zero nas calmas passagens de Routine ou Arrival em Fiction Edge e o outro extremo no final de Racing the Hours em Innergy. No fundo, o interessante no som de Forgotten Suns é que é muito vasto e nunca sabemos como irá ser a próxima música ou próximo álbum...

Já agora porque Innergy?
Innergy é a justaposição de inner (interior) e energy (energia). No fundo este álbum vem da nossa irreverência interior e todos os temas contém de algum modo a energia criativa especial que nós tão bem conhecemos. É também a forma textual sintetizada que melhor expressa a luta constante que temos tido para alcançarmos os nossos objectivos musicais ao longo dos anos...é preciso muita innergy para chegarmos até ao ponto que nos encontramos agora.

O álbum vai ser editado pela Prog Rock Records, que já conta na sua lista com os projectos de Hugo Flores. Como chegaram a esse acordo com essa editora?
A ProgRock Records era uma das editoras interessadas no lançamento de Innergy. Fez-nos uma proposta bastante interessante e gostámos da abordagem e do empenho do Shawn Gordon em assinarmos com a label. Creio que o importante foi ele acreditar na nossa capacidade musical actual e da que para a frente se irá ainda revelar. Para nós também importante foram os conselhos de pessoas como Eric Corbin (ex-Inside Out Music) que nos aconselharam vivamente a PR Records como uma excelente opção devido ao seu presidente empreendedor e à magnifica rede de distribuição e promoção.

Já tive oportunidade de espreitar o artwork que está sensacional. Parabéns. Quem foi o responsável e qual o seu significado?
O artwork foi criado pelo conhecido artista alemão Thomas Ewerhard, que já trabalhou com alguns nomes sonantes do nosso género musical em trabalhos que certamente reconhecerão – James Labrie (Elements of Persuasion), Threshold (Hypothetycal), Jorn (The Gathering), Masterplan (Aeronautics), Vanden Plas (Christ O), entre outros. Podem ficar a conhecer melhor o trabalho do Thomas em
http://www.ewerhard.de/. O significado do capa é a representação da nossa Innergy, o logo é um anel de grifos. Os grifos são considerados na mitologia como criaturas majestosas, que guardavam tesouros, e protegiam o poder divino (no nosso caso associamo-lo à força criativa).

Já não falta muito para termos a obra a circular no mercado. Suponho que a respectiva acção promocional em estrada já esteja delineada. O que nos podem adiantar?
Esse é um trabalho da editora, apenas esperamos que as pessoas gostem de Innergy com o mesmo nível de prazer que nós tivémos quando em estúdio, nada mais posso adiantar por agora...

Review: 9 Degrees West Of The Moon


9 Degrees West Of The Moon (Vision Divine)
(2009, Frontiers)


A Itália é conhecida, em termos de produção metálica, pela sua tendência para a área do power metal/metal melódico. Ainda assim, só um nome como os Rhapsody Of Fire se tornou verdadeiramente grande. Acreditamos que com a sua paragem (esperemos que não definitiva) muitas serão as bandas a quererem candidatar-se ao seu trono. Os Vision Divine, que por acaso até tem como vocalista Fábio Lione, precisamente dos citados R.O.F., avançam, neste ano de 2009, com a sua candidatura na forma de 9 Degrees West Of The Moon. Um trabalho onde o grupo transalpino não se limita a acelerar em direcção ao… fim do álbum, pelo contrário. Misturam muito bem diversas sonoridades o que tornam a audição deste álbum uma agradável e eclética experiência. O speed/power aparece logo a abrir, num tema próximo dos Rhasody Of Fire, embora, eventualmente, menos poderoso e menos majestoso. Mas depois, revisita-se o gótico (Violet Loneliness), o progressivo (Fading Shadow, um dos melhores temas), ou o thash (The Killing Speed Of Time). Subjacente a todos os temas está a melodia típica dos italianos e muito principalmente associada à capacidade vocal de Fabio Lione. A parte final de 9 Degrees West Of The Moon parece menos inspirada, com excepção da interessante versão dos Judas Priest, A Touch Of Evil. Ainda assim, são temas onde a descoberta acaba inevitavelmente por acontecer, fruto, mais uma vez, da capacidade progressiva da banda.

Tracklisting:
1. Letter To My Child Never Born
2. Violet Loneliness
3. Fading Shadow
4. Angels In Disguise
5. The Killing Speed Of Time
6. The Streets Of Laudomia
7. Fly
8. Out In Open Space
9. 9 Degrees West Of The Mon
10. A Touch Of Evil

Edição: Frontiers (
www.frontiers.it)
Lineup: Cristiano Bertocchi (baixo), Alessio Lucatti (teclados), Alessandro Bissa (bateria), Federico Puleri (guitarra), Fabio Lione (vocais), Olaf Thorsen (guitarra)
Website:
www.visiondivine.com
Myspace: www.myspace.com/visiondivineband
Nota VN: 14,4 (4º)

Review: Whatever (Skewer)

Whatever (Skewer)
(2007, Believe)


Independentemente do nosso sol e da nossa tradicional boa disposição, quando falamos de metal, observamos que a predominantemente as nossas bandas se enquadram numa vertente um pouco extrema. Mas, felizmente há colectivos que apostam na diferença. O EP que aqui trazemos à memória foi editado há dois anos e não sabemos se representa ou não o actual momento dos Skewer. Mas o que sabemos é que representa uma alternativa refrescante ao extremismo vigente. Navegando por um grunge muito típico de bandas como Nirvana, os Skewer apresentam um trabalho simples, directo e sem grandes floreados. Alternam momentos duros (como em Stayed ou Fake Me) com outros um pouco mais suaves como Save Me From Myself. Pelo meio, com as influências Nirvanianas a diluírem-se paulatinamente, surge o melhor tema do EP, Wash You Away com uma assinalável sensibilidade melódica e um extremo bom gosto na concepção do solo. O sofrimento está também presente muito por força da voz sofrida de Valério Francisco, num registo muito próximo de Kurt Kobain. O álbum deste trio deve ser editado este ano e pala amostra poderemos esperar algo de importante. Ficaremos atentos.

Tracklisting:
Stayed
Slunk You Know Me?
Wash You Away
Cyborg Insurrection
Fake Me
Save Me From Myself

Edição: Believe Records (http://www.believerecords.net/)


Lineup: Valério Francisco (vocais e guitarras), Ernâni Carlos (baixo), João Galrito (bateria)
Nota VN: 15,5

Playlist 05 de Março de 2009


quarta-feira, 4 de março de 2009

Review: To The Grave (Iron Fire)

To The Grave (Iron Fire)
(2009, Napalm)
Numa época em que o Power Metal de guerreiros, dragões, espadas e afins parece estar cada vez mais moribundo, estranha-se que uma editora como a Napalm, normalmente associada a colectivos que fazem da inovação a sua força, apareça a editar este novo trabalho dos Iron Fire. E porque? Essencialmente porque este To The Grave não acrescenta rigorosamente nada a um sub-género perfeitamente estagnado. Acreditamos que ainda possa haver bons grupos dentro do power metal. Mas os Iron Fire não estão, definitivamente dentro desse leque. A sua falta de originalidade é gritante e tudo o que aqui se ouve são clichés que milhares de bandas já fizeram antes e, algumas delas, até de forma muito superior. A tentativa de introduzir alguma novidade,de que são exemplos alguns guturais ou os coros épicos em The Beast From The Blackness, parece demasiado forçada e completamente fora do contexto. Alguns bons solos, algumas melodias um pouco mais interessantes e alguns refrões orelhudos para gritar em frente a um palco são pormenores manifestamente insuficientes para tirar este álbum da mediocridade . Ainda assim, para os indefectíveis do estilo aconselha-se, principalmente, a primeira metade do álbum (temas como To The Grave ou March Of The Immortals até se tornam relativamente agradáveis) antes deste descambar de uma maneira irremediável para a chatice.

Tracklisting:
1. The Beast From The Blackness
2. Kill For Metal
3. To The Grave
4. The Battlefield
5. Cover The Sun
6. March Of The Immortals
7. The Kingdom
8. Frozen In Time
9. Hail To Odin
10. Doom Riders
11. The Demon Master

Edição: Napalm Records (
www.napalmrecords.com)

Lineup: Martin Steene (voz), Kirk Backarach (guitarra), Marc Masters (guitarra), Martin Lund (baixo) e Fritz Wagner (bateria)



Nota VN: 12,00 (5º)

domingo, 1 de março de 2009

Entrevista com Haven Denied

Em 2007 o seu álbum homónimo foi considerado, em Via Nocturna, álbum do ano. Depois de um hiato de mais de um ano soubemos que os Haven Denied estavam de novo em estúdio, com novos temas e a preparar mais um álbum. Tudo motivos mais que suficientes para chegarmos à fala com um confiante mas pragmático Simão Vilaverde.

A primeira questão é obrigatória: onde têm andado vocês depois do lançamento do excelente álbum homónimo (Disco do Ano Via Nocturna em 2007)?
Depois de uma pausa forçada de um ano devido a ausência do nosso baterista, voltamos ao activo no passado verão. Esse ano sabático abriu caminho a algumas mudanças na banda, tanto a nível musical (composições), como de postura da banda perante as vicissitudes do meio artístico em que nos inserimos; permitiu-nos a adopção de uma filosofia de trabalho mais descontraída, mas também mais natural e autêntica.

Sei que ocorreram algumas mudanças na vossa formação. Como decorreu esse processo e qual o line-up actual?
Na mesma altura em que decidimos voltar ao trabalho o nosso teclista, por razões profissionais, decidiu sair da banda. Começamos então à procura de um novo teclista, desta feita com o objectivo de encontrar alguém que alem do teclado também tocasse guitarra. A escolha natural recaiu no Miguel Silva, que já vinha a acompanhar o nosso projecto desde há alguns anos.

Estão, neste momento em pleno acto de gravação do 2º álbum. O que nos podem adiantar a esse respeito e como está a decorrer todo esse processo?
Em relação ao novo álbum, podemos desde já adiantar que as gravações estarão completas a meio do ano. Com vista à reunião das condições necessárias para esta nova produção musical, começamos por fazer um grande investimento em material, dado o capital que fomos acumulando. Assim, é-nos possível afirmar hoje que conseguimos. Conseguimos com este trabalho afirmar mais a nossa identidade artística num conjuntura sistemática de produção e composição.

Ouvindo o tema que foi disponibilizado parece que os Haven Denied estão mais directos e crus. Será assim?
Sim, é verdade. Pensamos que à medida que se caminha num verdadeiro sentido e se vão deixando cair os essenciais mas também ofuscadores preconceitos e estereótipos, as coisas fluem naturalmente para formas simples e minimalistas, como que de o capturar da essência se tratasse. Não se trata de nada calculado ou previsto, mas apenas da constatação da realidade que a nós mesmos, muitas das vezes, acaba por nos surpreender. Mais uma vez gostaríamos de realçar a simbiose que tem de existir no evoluir de todas as áreas do conhecimento que se têm de conjugar na criação de um trabalho deste género. A par da evolução musical esteve uma evolução na produção musical e produção áudio, bem como nos métodos de ensaio e de trabalho em geral.

Que expectativas têm para este trabalho?
Se há alguma coisa que o meio artístico alternativo nos ensinou é a não ter expectativas. O que podemos fazer é simplesmente trabalhar, produzir musica que achamos ter qualidade, o que vier de bom será bem-vindo, mas não é algo em que contemos.

Um dos aspectos mais particulares da vossa sonoridade é a voz, completamente atípica. É um dos factores nos quais vocês investem ou surge naturalmente?
A voz surge naturalmente. Não estamos, nem nunca estivemos preocupados com o facto de ser atípica, nunca o procuramos nem tentamos suprimir. O que nos guia é o bom gosto e na voz, tal como nos restantes instrumentos, há uma mistura enorme de influências e referências que produz algo a que gostamos de chamar único. E no fundo isso é a nossa essência.

Em meados de Março irão regressar aos palcos e logo na vossa cidade. Como está a ser preparada essa noite?
Com o cuidado e dedicação que qualquer trabalho e objectivo, que envolve directa ou indirectamente o nosso nome e daqueles que nele se revêem, merece.

Obrigado.
Obrigado nós pelo reconhecimento do nosso trabalho.

Entrevista com Urban War

Um dos nomes mais promissores saídos do underground nacional em 2008 foram os jovens portuenses Urban War. Com uma explosiva mistura de metal, progressivo, hardcore e death metal onde os vocais limpos e as guitarras acústicas surpreendem pela sua elevada classe, o seu EP de estreia, Who's Watching You? promete colocar a banda num patamar elevado de reconhecimento. Fomos conversar com a banda para conhecer melhor o seu passado e perspectivar o seu futuro.
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Sendo uma banda relativamente jovem do underground nacional podem fazer uma breve apresentação do vosso projecto?
Somos uma banda da cidade do Porto que surgiu no final de 2005, constituída por 4 elementos vindos de backgrounds sociais completamente diferentes. O facto de não nos conhecermos antes da formação da banda fez com que cada um trouxesse as suas influências musicais muito distintas, sempre com o Metal como base, o que deu origem à sonoridade de Urban War. O nosso ponto forte são as actuações ao vivo, pela energia que conseguimos transmitir ao público.

Who’s Watching You? foi editado em meados de 2008. Como está a ser o feedback recebido?
O feedback tem sido bastante positivo tendo em conta que toda a concepção foi da nossa inteira responsabilidade. Desde a data de lançamento do E.P. temos ouvido boas críticas, temos notado uma maior afluência de público nos nossos concertos, e muita gente já canta as nossas músicas. Tudo isto nos dá força e faz com que nos sintamos orgulhosos com este trabalho.

Sendo o vosso trabalho de estreia estão totalmente satisfeitos com o resultado final?
Totalmente satisfeitos nunca poderemos estar, tendo em conta sermos ambiciosos e querermos fazer sempre mais e melhor. O facto é que este E.P. tem-nos aberto novos horizontes e com isso, temos pisado palcos maiores e sentido uma maior adesão do público ao nosso projecto. De qualquer modo, estamos muito satisfeitos com o resultado final, especialmente por ser fruto de um grande esforço inteiramente feito por nós.

Ao afirmarem que este EP procura mostrar a diversidade da banda e definir a vossa sonoridade, podemos depreender que um dos objectivos desta edição era, também, o de apresentação às editoras?
O objectivo principal centrou-se em mostrar às pessoas o nosso trabalho, quer na qualidade de som, quer na apresentação do E.P. Deste modo podemos apresentar o nosso cartão de visita Who’s Watching You? com confiança a quem quer que seja, desde o público em geral até às editoras, produtoras, managers, revistas, estações de rádio, etc...

Vocês definem-se como uma banda de metal/hardcore/alternativo. Qual das vertentes se torna mais importante no vosso processo de composição?
Na verdade, sempre tivemos alguma dificuldade em responder a perguntas acerca do nosso estilo musical. Tal como já referimos, somos elementos com backgrounds bastante distintos e acabamos por misturar as influências de cada um, resultando em algo diferente do que costumamos ouvir. Não ouvimos as pessoas dizer que os Urban War são parecidos com esta ou com aquela banda. Daí, ao metal, que é a base das nossas influências, juntamos o alternativo e outras vertentes para dar um pouco a ideia de diversidade sonora.

Tanto pelo vosso nome, como pela capa do CD dá a sensação que os problemas sociais dos grandes centros urbanos é uma prioridade em termos de conceitos abordados. É verdade?
Nós abordamos tudo o que nos rodeia, desde os problemas sociais que nos revoltam até experiências vividas por nós que, de alguma forma, são reflexo da sociedade em que vivemos. Esta é a forma que encontramos para exprimir aquilo que sentimos quando olhamos ao nosso redor e queremos fazer algo em relação a alguma situação e não conseguimos. Gostamos sempre de ter uma palavra a dizer acerca de tudo isto e fazemo-lo através da nossa música.

Sendo certo que o panorama hardcore está, actualmente, saturado, que argumentos podem jogar a favor dos Urban War para se destacarem?
O hardcore é apenas um elemento que se insere num pilar principal que é o metal, sendo que acabamos por nos diferenciar um pouco por termos uma sonoridade muito própria. Damos sempre o máximo nas actuações ao vivo e tentamos estabelecer uma boa relação entre o público e a banda.

Estando, ainda, no começo que objectivos definem para os Urban War?
Neste momento, o nosso principal objectivo é continuar a divulgação do E.P. Who’s Watching You?, apostando em melhores concertos em grandes palcos, contando com uma maior afluência de público. Temos estado já há algum tempo a trabalhar na gravação de um vídeo clip e, embora ainda sem editora, planeamos a gravação de um álbum.