sexta-feira, 24 de abril de 2009

Review: For Lies I Sire (My Dying Bride)

For Lies I Sire (My Dying Bride)
(2009, Peaceville)

Estrear três elementos novos num só disco não deve ser fácil, mas ao 10º trabalho de estúdio dos My Dying Bride (MDB), a banda parece apostada em não se importar minimamente com esses problemas e segue em frente no seu rumo. Doom metal é o que aqui sem ouve, sem grandes surpresas, mas com algumas particularidades. Desde logo a incidência do violino que assim regressa e ocupa um lugar de destaque (ouça-se a fantástica abertura My Body, A Funeral, uma pérola de tristeza e melancolia!) que já lhe pertenceu nos primórdios da banda. Depois as vocalizações quase sempre limpas, com excepção para a pesada A Chapter In Loathing, eventualmente um dos momentos mais extremos já criados pela banda, mas que, ainda assim, soa algo deslocada no contexto geral do álbum. Finalmente as cavalgadas épicas da estranhamente rápida Bring Me Victory. De resto, os MDB fazem aquilo que sabem fazer desde sempre. Ambientes funéreos, desoladores e frios vão deslizando uns atrás dos outros numa angústia interminável. Momentos como a já citada My Body, A Funeral, Fall With Me ou Santuario de Sangue prometem ficar para a história num álbum completamente despido de qualquer tipo de calor e recheado de uma fina sensibilidade negra e deprimente, assumindo-se como um dos melhores registos da banda no seu já longo percurso.


Tracklisting:
My Body, A Funeral
Fall With Me
The Lies I Sire
Bring Me Victory
Echoes From A Hollow Soul
ShadowHaunt
Santuario di Sangue
A Chapter In Loathing
Death Triumphant

Line up: Aaron Stainthorpe (vocais), Andrew Craighan (guitarra), Hamish Hamilton Glencross (guitarra), Katie Stone (violino, teclados), Lena Abé (baixo), Dan Mullins (bateria)
Website: www.mydyingbride.org
Myspace: www.myspace.com/officialmydyingbride
Edição: Peaceville (www.peaceville.com)
Nota VN: 15,5 (5º)

Playlist 23 de Abril de 2009


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Review: Altitude (Autumn)

Altitude (Autumn)
(2009, Metal Blade)


São holandeses e têm uma senhora a cantar. Poderia estar tudo dito, mas não está. Ao quarto álbum, os Autumn, abandonam, quase em definitivo, os seus apontamentos mais sinfónicos e viram-se claramente mais para o rock/metal. Dividido entre temas mais longos (mas não exageradamente) onde a banda explana de forma consistente estruturas bem elaboradas e outros mais curtos, assumidos como mais directos, o sexteto embarca numa viagem agradável onde as referências aos The Gathering são mais que óbvias, isto sem descurar uma assinalável parcela de individualidade que será impossível de negar. A voz de Marjan Welman é, seguramente, uma mais-valia mas é no excelente trabalho da dupla de irmãos guitarristas que reside grande parte do segredo destas canções: a envolvência, a dinâmica, as estruturas e as harmonias criadas, por vezes mais melancólicas, outras vezes mais agitadas. E se ao fim do primeiro tema (o notável Paradise Nox) já estamos agarrados, há, no entanto, muitas variações que tornam este disco difícil de caracterizar e de classificar. Alguns temas seguem uma bitola muito elevada, nomeadamente Synchro-Minds, The Heart Demands ou Answers Never Questioned, mas outros ficam um pouco aquém. Felizmente aqueles superam estes e Altitude, embora não suba tão alto como o nome indica, parece assumir-se como o mais bem conseguido trabalho dos holandeses.


Tracklisting:
1. Paradise Nox
2. Liquid Under Film Noir
3. Skydancer
4. Synchro-Minds
5. The Heart Demands
6. A Minor Dance
7. Cascade (For A Day)
8. Horizon Line
9. Sulphur Rodents
10. Answers Never Questioned
11. Altitude

Line up: Marjan Welman (vocais), Mats van der Valk (guitarra), Jens van der Valk (guitarra), Jerome Vrielink (baixo), Jan Munnik (teclados) e Jan Grijpstra (bateria)
Website:
www.autumn-band.com
Myspace: www.myspace.com/autumnband
Edição: Metal Blade (www.metalblade.de)
Nota VN: 15,5 (4º)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Entrevista com Neonírico

Pois é! Ninguém estava à espera, nem mesmo nós em Via Nocturna. Mas o que é certo é que não quisemos deixar a oportunidade de entrevistar Martinho Torres dos Neonírico, em directo, a propósito da sua passagem por Moimenta da Beira. Quem estava sintonizado na RRT pode ouvir. Os restantes vão ter de esperar um pouco mais porque a entrevista irá ficar disponivel on-line, muito em breve.

Playlist 09 de Abril de 2009


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Review: Metaphortime (Thee Orakle)

Metaphortime (Thee Orakle)
(2009, Recital)
Depois de uma demo (em 2005) e um EP (Secrets, em 2007) já havia muito falatório em torno desta banda transmontana. E o motivo para quem não conhecia fica agora demonstrado com esta estreia em tamanho longo. Trata-se de um conjunto de dez temas (sendo que um é uma intro e outro uma outro, mas até estes têm algo de diferente!) onde o metal de inspiração negra e melancólica se cruza com momentos de descargas violentas de raiva. O tradicional a bela e o monstro? Sim, mas não só! Em primeiro lugar porque quando o monstro acorda é realmente diabólico assumindo contornos de black metal; em segundo lugar, porque a bela nada tem de angelical e doce, mas sim de força, personalidade e presença numa linha próxima de uma Aneeke van Giersbergen; em terceiro lugar, porque no meio de tudo ainda há tempo para explorar texturas orientais (ou não fossem os Israelitas Orphaned Land uma das referências da banda que até conta com a participação de Yossi Sassi Sa’aron a tocal Bouzouki no tema Alchemy Awake); em quarto lugar porque, se ainda não fosse suficiente, a banda presenteia-nos com vibrantes explanações técnico-jazzisticas típicas do progressivo e que, eventualmente, nos remetem para uns Opeth. O álbum é construído por um conjunto de grandes temas, superiormente compostos (só elementos de elevada craveira técnica conseguiriam criar estruturas tão complexas) e com uma dinâmica ao nível da secção rítmica e das guitarras verdadeiramente fascinante. Aqui nada é deixado ao acaso. Os temas são longos para que a banda explore todos os pormenores e evolua no sentido de criar as diversas ambiências: ora mais agressivo, ora mais melancólico, ora mais ambiental. No fundo, percorrendo, em cada tema, os diversos estados da alma e deixando ver inúmeras riquezas ao nível vocal, instrumental e estrutural. Outra das características importantes de Metaphortime é a sua consistência e homogeneidade. A linha orientadora é colocada num limite muito alto e não se verificam momentos baixos o que faz com que seja impossível eleger um par de temas como os mais apelativos. Todos têm uma personalidade própria e verdadeiramente significativa que se vai descobrindo paulatinamente a cada audição. Uma obra sublime, imortal e deliciosa. Até o seu epílogo têm algo de transcendental com uma curta faixa instrumental simplesmente composta com guitarra acústica, violino (cortesia de Hugo Santos) e flauta transversal (cortesia de Tatiana Campos). Memorável!

Tracklisting:
1. Knowing Anguish
2. All Way Down
3. Ghost Memories
4. The Great Masterpiece
5. Quimera Metamorphosis
6. Never-Ending Dilemma
7. White Linen
8. Alchemy Awake
9. Unexpectable Conformity
10. Feeling Superior Knowledge

Lineup: Micaela Cardoso (vocais), Pedro Silva (vocais), Romeu Dias (guitarra), Frederico Lopes (bateria), J. Ricardo Pinheiro (guitarra), Luís Teixeira (teclados), Daniel Almeida (baixo)
Website:
www.theeorakle.com
Myspace: www.myspace.com/theeorakle
Edição: Recital Records
Nota VN: 18.0 (1º)

Playlist 02 de Abril de 2009