terça-feira, 26 de maio de 2009

Review: The West Pole (The Gathering)

The West Pole (The Gathering)
(2009, Psychonaut)


É assinalável a quantidade de vezes que os The Gathering já mudaram de vocalista, mas é, sem dúvida, agora que essa mudança mais falatório tem criado. Primeiro porque Anneke van Giersbergen estava na banda há mais de uma década e depois porque a sua voz única era capaz de transportar a excelência da criação gatheriana para outra dimensão. Mas agora, para este The West Pole, ela já lá não está. Poderá ser dramático substituir uma figura tão carismática e de tal forma os restantes elementos da banda consideraram esse possível dramatismo que até ponderaram convidar diversas vocalistas para cada uma vocalizar um tema. Mas, depois descobriram Silje Wergeland (ex-Octavia Sperati) que, realmente, tem uma forma de abordar as canções muito próxima de Anneke: a forma como prolonga as notas, a capacidade de adornar com belíssimas ondulações as últimas notas de cada estrofe, a envolvência que consegue criar. Quanto ao álbum em si o que se pode dizer é que as principais características do The Gathering se mantêm intactas: os temas melódicos, bem construídos, quase sempre despidos de grandes extravagâncias, mas plenos de sensibilidade. Poderá afirmar-se que se nota, em alguns momentos, um ligeiro acrescento do peso que a banda vinha, lentamente, a perder desde a fase How To Measure A Planet?. Poderá ser esse o principal motivo que leva a que as recordações desse álbum e de If_Then_Else venham ao de cima em muitos momentos. Mas os The Gathering de hoje são ligeiramente diferentes. Acima de tudo porque o álbum, embora com alguns temas muito bons, não apresenta a mesma consistência geral de outros lançamentos, como os citados ou até o anterior Home. Repercussões da saída de Anneke ou não, não se sabe, mas o que é certo é que, no computo geral, este The West Pole figurará como um dos menos conseguidos (não se entenda piores, porque os holandeses continuam a não saber fazer álbuns maus!) álbuns da sua carreira.

Tracklisting:

1. When Trust Becomes Sound
2. Treasure
3. All You Are
4. The West Pole
5. No Bird Call
6. Capital Of Nowhere
7. You Promised Me A Symphony
8. Pale Traces
9. No One Spoke
10. Constat Run


Line up: Silje Wergeland (vocais), René Rutten (guitarra), Marjolein Kooijman (baixo), Hans Rutten (bateria), Frank Boeijen (teclados)
Website: www.gathering.nl
Myspace: Negritowww.myspace.com/gatheringofficial
Edição: Psychonaut Records (www.psychonautrecords.com)
Nota VN: 15,4 (6º)

Entrevista com Bizarra Locomotiva

Após 15 anos de carreira, que diferenças existem entre os Bizarra Locomotiva de agora e o seu passado?
Em quinze anos as coisas evoluíram muito... em termos de tecnologia as máquinas que usamos hoje para compor e criar os sons estão muito mais evoluídas que em 1993 quando começámos esta viagem. Logo, é lógico que isso tenha tido muita influência no som da banda e na maneira como se faz música hoje em dia. Não só para nós mas para a indústria musical em geral. Ao ouvir todas as nossas edições discográficas nota-se perfeitamente essa evolução, que temos vindo a acompanhar, e reflecte-se na nossa maneira de trabalhar, criar e compor. A entrada de novos elementos na banda também teve a sua influência. Já tocamos há uns bons anos juntos e cada vez mais, se nota esse entrosamento. Quinze anos é uma longa viagem que nos mudou muito como pessoas mas não nos levou a mudar o que realmente gostamos que é sermos parte integrante desta locomotiva.


Porque tão grande hiato (5 anos) entre Ódio e Álbum Negro?
Foi apenas uma questão burocrática de mudança de editora e management, isto porque já tinhamos o Álbum Negro pronto acerca de dois anos, o que resultou neste gap tão grande entre edições. Mas acabou por ser benéfico pois deu-nos mais tempo para trabalhar no novo disco.


Vocês continuam a exprimir-se em português, o que é raro em Portugal. Há algum motivo especial?
É a nossa língua mãe e foi assim que nos começámos a exprimir musicalmente e a escrever como Bizarra Locomotiva. Mais tarde houve uma tentativa, por parte da nossa editora na altura, de explorar o mercado internacional e editámos algumas músicas em inglês no nosso segundo disco, Mas não nos sentimos bem nesse registo e depressa voltámos a escrever em Português. Existem poucas bandas a fazê-lo por cá sim. Talvez porque a língua Portuguesa seja muito rica gramaticalmente e foneticamente difícil de musicar e cantar, uma vez que temos as vogais muito fechadas. Mas na sonoridade da Bizarra Locomotiva acaba por soar bem e estamos confortáveis com isso.


Este álbum marca a estreia para a Raging Planet. Como chegaram até eles e como se tem sentido no seio da vossa nova família?
Já conhecia-mos a Raging Planet de longa data e já tinhamos tido vários contactos, pois fizémos inclusivamente em 2005 uma remistura de um tema para os nossos agora colegas de editora F.E.V.E.R.. Foi uma das várias hipóteses que considerámos e que acabámos por nos vincular.


Este é, realmente, o vosso momento mais negro em termos de emoções e sentimentos, de tal forma que a densidade do álbum fosse tão… negra?
Digamos que esse é um sentimento generalizado por todo o planeta, basta olharmos à nossa volta...não se passa só connosco... O sistema em que vivemos está completamente falido, seja a nível social, seja a nível ambiental, seja a nível económico... e não se avizinham boas perspectivas futuras... Estamos a passar por tempos difíceis e o que escrevemos para este disco pode reflectir isso mesmo. Mas o conceito do Álbum Negro foi inspirado num antigo livro da idade média chamado Hypnerotomachia Poliphili que explorou a fase hipnagógica do sono que todos temos, que conta algumas histórias mais carnais com os seus personagens e ilustrando-as com iluminuras da época, remontando aos tempos da santa inquisição e das magníficas pinturas de Bosch e em que essa fase hipnagógica do sono acabou por se tornar por acaso no processo criativo de alguns dos temas do Álbum Negro. Foi assim que alguns deles surgiram e por fim resultaram no conceito geral do disco, liricamente, musicalmente e graficamente. Podendo dizer assim que se trata de um disco conceptual e não querendo ser interventivos em qualquer movimento, religião ou credo, mas em termos líricos, estamos conscientes que são os nossos mais densos e bem conseguidos textos até á data.


De que forma se processou o contacto com Fernando Ribeiro?
O Fernando Ribeiro já é nosso amigo e viajante da locomotiva de longa data. Tem direito a bilhete inexpirável e ao camarote presidencial no nosso vagão de passageiros. Pertencemos à mesma geração de músicos que surgiram por cá... e a empatia já era comum... surgiu esta oportunidade de uma participação dele no nosso novo registo aquando esteve em cena a Ópera Extravagante (Produção do grupo de teatro O Bando) com o Rui Sidónio e o Fernando, e ficou essa ideia. Mais tarde quando estivemos a misturar o Álbum Negro o Fernando escolheu participar no tema O Anjo Exilado que achámos perfeito para o seu registo vocal assim como a temática da letra. Também já houve algumas participações de sua parte ao vivo nas estações da Bizarra Locomotiva e que resultaram bastante bem também.


Como tem sido as reacções de imprensa e fãs a respeito do Álbum Negro?
Têm sido óptimas. Isso reflectiu-se na festa de lançamento do novo disco. A sala esgotou por completo chegando a ficar muitas pessoas de fora que não conseguiram entrar e a reacção foi excelente, mesmo!. Foram vendidos cerca de 300 Álbuns Negros nesse dia, o que é mesmo muito bom sinal. Estamos ainda a promover o novo trabalho e esperamos ter muitas estações pela frente nesta viagem.


O que está a ser preparado em termos de espectáculos ao vivo?
Vamos tentar representar o Álbum Negro ao vivo praticamente todo, indo alternando alguns temas de estação para estação pois já temos 9 discos e temos de repartir os set lists um pouco por todo o universo da Bizarra Locomotiva. Os novos temas foram compostos para isso mesmo. Este novo registo é perfeitamente executável na íntegra ao vivo. E pode-se esperar como sempre a nossa entrega total de corpo e alma quando subimos ao palco.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Review: Shallow Life (Lacuna Coil)

Shallow Life (Lacuna Coil)
(2009, Century Media)


Shallow Life é já o quinto álbum dos transalpinos Lacuna Coil, uma banda com uma estabilidade invejável, uma vez que mantém o seu line up inalterado há dez anos. Isto permite-lhe, obviamente, uma coesão entre os seus elementos que é perfeitamente notória nos seus lançamentos. Além dessa coesão, outra das suas características é a capacidade de se reinventar e conseguir criar álbuns diferentes. Uma vez ultrapassada a fase negativa de, infantilmente, se quererem comparar aos Evanescence, como aconteceu com Karmacode, a banda recuperou forças e voltou para mostrar que aquilo foi apenas e tão só um acidente de percurso. Claro que a tentativa de criar um som que entrasse no mercado norte-americano voltou a estar na mira da banda, mas desta feita foi alcançada, muito por acção da produção de Don Gilmore, homem que já trabalhou com Linkin Park ou Avril Lavigne. A banda acabou por conseguir os objectivos não com base numa cópia de algo muito inferior a eles, mas a partir de um aproveitamento do que já tinha feito de bom no passado. No fundo o que Shallow Life nos propõe é um cruzamento, bem interessante, das melodias e passagens mais melancólicas criadas em Unleashed Memories (para nós, ainda o melhor álbum da carreira dos Milaneses) com uma sonoridade moderna, poderosa em alguns momentos, ritmada e plena de picuinhices electrónicas, onde temas como Underdog ou The Pain mostram como a banda consegue explorara novas sonoridades. A melodia infantil que abre o álbum é, nesse aspecto, puramente ilusória, uma vez que a música actual dos Lacuna Coil é bem adulta. Os temas são relativamente curtos (raramente chegam aos 4 minutos), dando, por vezes, a sensação que falta algo na música. E bem vistas as coisas os solos continuam a não estar presentes (o primeiro verdadeiramente digno desse nome só surge na oitava faixa). Mas também já se sabe que esse apontamento técnico nunca foi muito usado pelos transalpinos e nem por isso os seus temas deixam de ter emotividade qb. Emotividade essa muito explorada pelo belíssimo timbre vocal de Cristina Scabbia que, neste trabalho, é menos açambarcadora, ou seja, Andrea Ferro tem mais protagonismo vocal que nos álbuns anteriores. E ainda bem, porque torna a música mais diversificada, sendo que o vocalista tem evoluído imenso no seu desempenho.

Tracklisting:
1. Survive
2. I Won’t Tell
3. Not Enough
4. I’m Not Afraid
5. I Like It
6. Underdog
7. The Pain
8. Spellbound
9. Wide Awake
10. The Maze
11. Unchained
12. Shallow Life


Lineup: Cristina Scabbia (vocais), Andrea Ferro (vocais), Cristiano Migliore (guitarra), Marco Biazzi (guitarra), Marco Coti Zelati (baixo) e Cristiano Mozzati (bateria)
Website: www.lacunacoil.it
Myspace: www.myspace.com/lacunacoil
Edição: Century Media (www.centurymedia.de)
Nota VN: 14,3 (8º)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Entrevista com CineMuerte

Editado em finais de 2008, Aurora Core dos CineMuerte só no inicio de 2009 chegou à mesa de trabalho de Via Nocturna e, por via disso, não entrou na nossa contabilidade anual, mesmo tratando-se, claramente, de um dos melhores registos nacionais não só do último ano, como de sempre. A simpática vocalista Sophia Vieira respondeu às nossas questões e apresentou, de forma, muito poética, a sua família.

Que evolução sentiram de Born From Ashes para Aurora Core?
Aurora Core marcou uma certa viragem em termos de conceito ao redor do qual gira todo o disco. Tem uma magia muito peculiar. O Born From Ashes foi um disco mais on your face. E a escolha do produtor pinta este quadro de tons bens distintos.

Explica-nos como funciona a construção/interpretação dos temas nos Cinemuerte: intervêm vocês dois e só depois é que chamam alguém para a interpretação ou é de outra forma?
Os temas nascem de um trecho... algo que vai servir para desenvolver o tema até à sua conclusão e nossa realização pessoal. É uma semente que se planta e os músicos que somos nós, tratamos de proporcionar o melhor para que a semente dê fruto. Compomos os dois: tanto o João como eu, dedicamo-nos a todo e qualquer pormenor, instrumentalização no seu todo, processo criativo a nível da melodia e todos os arranjos.

Mas sendo apenas dois, não se sentem limitados? Nunca viram necessidade de aumentar o colectivo?
A família CineMuerte cresceu. Tal evolução não se deveu ao facto de nos sentirmos ou não limitados. Os CineMuerte são agora, para além do João e eu, o Sérgio Lopo na bateria, o Tiago Menaia e o Fred Gonçalves, nas guitarras. O Tiago Menaia acompanha-nos desde o princípio, desde o primeiro álbum. O Sérgio pertence à família Raging Planet uma vez que pertenceu aos FEVER. Já o conhecíamos há largos anos. E ele contactou-nos, após um período de interregno, e queria voltar a tocar, e tocar connosco. Foi tudo muito natural. O Tiago já nos falava do Fred há algum tempo. E deixámos que esta recriação de CineMuerte se pintasse nas nossas vidas de forma natural.

Em alguns momentos, sinto uma aproximação aos The Gathering. É uma das vossas influências?
A aproximação aos The Gathering poder-se-á colocar talvez ao nível vocal... não sei se estamos certos ou errados? Mas a questão que colocas nasceu há anos: muitos comparavam a minha voz com a da Anneke quando eu ainda pertencia ao nosso projecto anterior, os NUA.

Porque escolheram o Pedro Cardoso e o Ricardo Amorim para tocarem no vosso álbum?
O porquê dos porquês:) Bem se há coisa que estava decidida antes de arrancarmos com a gravação, era que a bateria seria gravada sem recorrer a programações. O Sérgio Lopo ainda não se tinha cruzado connosco. Acompanhávamos há já algum tempo o trabalho do Pedro nos FEVER e convidámo-lo. Ele é sem dúvida um dos melhores bateristas que conhecemos. Tanto a nível técnico como criativo. Foi a escolha certa para este disco. Estranhamente, acabámos por gravar este disco com o actual baterista de FEVER, enquanto que contamos actualmente na nossa formação, com o ex-baterista da mesma banda. Weirdow no mínimo. Quanto ao Ricardo , a ideia de o convidarmos, surgiu muito antes de concluirmos o disco em termos de composição. Uma vez que tenho acompanhado os Moonspell em alguns concertos ao vivo, o Ricardo tinha-se atravessado nas nossas vidas e por conseguinte nesta caminhada. Um disco não é mais do que uma busca, de que a descoberta de um novo mundo, uma encruzilhada de acontecimentos, situações. O Ricardo era sem dúvida o músico que este disco merecia ter. O Ricardo presenteou-nos com a sua dedicação e ímpar talento.

De que forma é que a vossa experiência acumulada ao vivo se reflecte em Aurora Core?
A experiência ao vivo que temos acumulado permite-nos ter a consciência que a nossa dedicação perante o público exige autenticidade e uma entrega total. Tocámos para públicos fantásticos tais os dos concertos de My Chemical Romance e HIM, e essas pessoas que tanto nos apoiaram incutiram em nós um novo sentido nas nossas vidas enquanto banda. Queremos fazer o melhor para quem nos ouve. Para quem nos dá a oportunidade de vivermos. Eles merecem o melhor. E confesso que saí do palco dos referidos concertos com esse pensamento pintado nos lábios da minha mente: o Melhor para os Melhores.

Como chegaram a Waldemar Sorychta para a mistura e masterização do álbum?
O Waldemar foi uma das hipóteses apontadas e acabou por ser a escolha mais natural dada a sonoridade e atmosfera que queríamos para o Aurora Core. Foi uma aposta completamente ganha já que ele conseguiu incutir toda aquela força e atmosfera que os temas exigiam, transportando-os para um patamar superior.

Falem-me das vossa experiências nos tributos. Já participaram em três: The Cure, The Misfits e Mão Morta.
Todas estas participações surgiram de convites. As versões são por nós encaradas sempre como desafios interessantes. As bandas em si pertencem ao nosso imaginário. Em breve, sairá outro tema, desta vez, saídinho da casa dos 80’s. E desta vez retratado pela nova formação cinemuertiana: trata-se de um tema da Kim Wilde- Kids in America a integrar uma compilação que é um tributo à era dos 80’s. Contamos que saia ainda este ano. Adorámos recriar este tema.

A Sophia está nas Crystal Mountain Singers. Como surgiu a ideia de formar esse coro e como está a sua actividade após a participação em Night Eternal?
As CMS surgem aquando da a gravação do álbum Night Eternal dos Moonspell. A ideia partiu da banda. Nós, as CMS, temos acompanhado a banda ao vivo. Tem sido uma experiência incrível até porque o disco completa-nos. O coro foi muito bem pensado, porque reúne vozes, timbres distintos que formam uma sinergia incrível.

Como está a ser a reacção dos fãs e da imprensa a este vosso novo trabalho?
Confesso que a palavra fãs não me agrada e penso que é uma opinião partilhada pela banda-cria um certo distanciamento que não se coaduna com a postura da banda nem com a dos seus elementos. Penso que a nossa família tem vivido este novo capítulo num sentido de união muito vincado. Acompanham-nos nos concertos. Alguns até vão aos Açores connosco ao Summer Live Fest. Esta nossa família espalha a palavra. Apoiam-nos e sobretudo... a palavra mágica: acreditam... acreditam. Quanto aos media, este disco bateu recordes de audiência como nunca outra banda da nossa editora alguma vez bateu. Temos conquistado as playlists de rádios selectivas cujos portões são geralmente de difícil entrada.

Em termos de concertos, como se está a desenvolver a promoção do álbum?
Numa primeira fase, iniciámo-nos com uma apresentação em formato acústico pelas FNAC's que correu muito bem. Os temas tratados para acústico acabaram por realçar o disco melodicamente. Fizémos questão de não nos ficarmos por um acústico com um tratamento de música de praia! Esforçámo-nos para apresentar um acústico com toda a essência mágica dos CineMuerte. Quanto a concertos marcados para o futuro próximo, neste momento, temos concertos agendados um pouco por todo o país. No dia 6 de Junho, subimos ao palco do Incrível Almadense para nos juntarmos aos Ramp e aos More Than A Thousand. Dia 13 de Junho, seguimos para a ilha de São Miguel nos Açores: esse concerto reúne CineMuerte com Paradise Lost e Morbid Death. Dia 4 de Julho, o galo de Barcelos vai cantar! Os CineMuerte serão cabeça de cartaz do Festival Cellos Rock. Estão mais algumas datas por confirmar. Até porque o ano ainda nem vai a meio. E o mundo pode, amanhã, acabar.

domingo, 10 de maio de 2009

Review: American Soldier (Queensryche)

American Soldier (Queensryche)
(2009, Rhino)


Os Queensryche ficarão indelevelmente ligados à história do metal porque assinaram alguns dos mais belos momentos deste tipo de sonoridade em álbuns como Operation: Mindcrime, Empire ou Promised Land. Por isso não seria de esperar que o colectivo, agora reduzido a um quarteto com a ausência de Chris deGarmo, pudesse apresentar um álbum tão desinspirado como este American Soldier. A falta do citado músico, um dos principais compositores da melhor fase do colectivo associado a uma indescritível técnica de guitarra, não pode ser suficiente para justificar a desilusão. A tentativa, forçada, de apresentar uma sonoridade moderna leva os Queensryche a arriscarem, e a falharem escandalosamente, numa abertura que bebe influências do mais que defunto nu-metal. A seguir o panorama melhora um pouco com Hundred Mile Stare e At 30,000 Ft., mas, pelo meio do álbum, temas como A Dead Man’s Words, The Killer e Middle of Hell são suficientemente capazes de fazer retirar o CD do leitor. Quem o não fizer e resistir a tanta banalidade, tem sorte, porque ainda pode ouvir mais alguns momentos interessantes do álbum em faixas como If I Were King, Remember Me ou Home Again, onde a banda recorre, como sempre o fez e muito bem, a apontamentos acústicos. São, aliás, estes e os subtis saxofones (também não inéditos) que fazem com que a nota atribuída ainda seja positiva. De resto pouco mais resta de uma das mais criativas bandas do século passado. E é pena.


Tracklisting:
Silver
Unafraid
Hundred Mile Stare
At 30,000 Ft.
A Dead Man’s Words
The Killer
Middle Of Hell
If I Were King
Man Down!
Remember Me
Home Again
The Voice

Lineup: Geoff Tate (vocais), Michael Wilton (guitarra), Eddie Jackson (baixo), Scott Rockenfield (bateria)
Website: www.queensryche.com
Myspace: www.myspace.com/queensryche
Edição: Rhino Records (www.rhino.com)
Nota VN: 13,0 (9º)

Playlist 07 de Maio de 2009


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Entrevista com Gazua


Ainda não passou um ano após a edição de Convocação e já os Gazua estão de regresso às edições, agora com interessante Música Pirata. João Morais, explica-nos tudo sobre esta pirataria.


Vocês não perdem tempo. Cerca de um ano depois da estreia Convocação, já estão com novo trabalho. Em tão curto espaço de tempo, notam alguma evolução na vossa sonoridade?
Sem dúvida! Foi exactamente por sentirmos estar a evoluir bastante como banda que não quisemos perder tempo e decidimos avançar para estúdio apenas 8 meses depois do lançamento do primeiro disco. Estamos a atravessar uma fase de transição na nossa sonoridade. Não sei bem para onde vamos, mas queremos deixar registados todos estes momentos.


Power trios de rock cantado em português não é muito vulgar. De que forma pretendem marcar a vossa posição no panorama nacional?
Acima de tudo, queremos passar uma mensagem forte de união e perseverança pois falta um pouco isso no nosso panorama nacional. Tentar manter a música viva (tocada ao vivo), e não deixar que a internet domine esta coisa tão física.


A vossa sonoridade está construída para agradar a fãs de rock, punk ou mesmo metal. Em qual deste quadrantes vocês se sentem mais à vontade? E que tipo de público é que mais acorre aos vossos espectáculos?
A ideia será fazermos sempre um som abrangente. Achamos isso mais interessante. Crescemos os 3 dentro desses géneros e a coisa acontece naturalmente. Acho que não conseguimos eleger um só estilo. Temos tido realmente público bastante diverso, e isso para nós é muito bom sinal. No fundo, queremos manter o factor surpresa sempre presente.


Como surgiu a ideia de incluir um solo de sax no álbum?
A ideia do saxofone surge na altura em que procurávamos algo um pouco diferente para entrar naquela parte específica da música em que digo que para evoluir temos que experimentar coisas novas... O sax no rock não é novidade, mas a forma como o faz é que acho que fez todo o sentido.

Criatividade parece ser coisa que não vos falta. O exemplo da capa é digno de registo. Podem explicar-nos quais as diversas nuances da mesma e como surgiu tal ideia?
A história da capa surge quando procurava uma forma visível de representar "A União faz a Força". 4 capas juntas formam uma imagem e completam uma frase. A ideia nunca foi de uma mesma pessoa comprar mais que uma capa, mas a de se juntar a alguém e completarem assim qualquer coisa. O próprio nome do disco é uma afirmação de que se pode fazer as coisas à margem da grande indústria, com edição de Autor. Há que salientar que as despesas deste disco foram pagas com o dinheiro que fizemos com o primeiro. A intenção será mesmo tornar a banda auto-suficiente.

Os temas de Música Pirata foram feitos para serem gritados em palco. Sentem que é aí o vosso habitat natural?
O palco é realmente onde tudo faz sentido. Há mesmo coisas que chegam a ser estranhas gravadas em estúdio. Estás a gravar numa salinha minúscula e tens de fechar os olhos e imaginar uma multidão à tua frente. Ao vivo, é como se o ciclo se completasse.


Nesta conformidade, o que é que já está previsto para promoção a este novo álbum?
O que fizemos para já foi tentar marcar concertos um pouco por todo o país. Vamos passar pelo Porto, Coimbra, Figueira da Foz, Torres Novas, Lisboa, Benavente, Almada, Sesimbra, Algarve. Não é fácil chegar a todo o lado, principalmente quando o nome da banda ainda não é muito conhecido, mas vamos a ver se estes primeiros concertos nos trarão outros...


Apesar de ser uma edição de autor, o álbum vai ter distribuição pela Raging Planet. Que vantagens podem advir dessa parceria e pensam que será para manter no futuro?
A Raging Planet tem sido uma ajuda preciosa no que diz respeito ao nosso contacto com as lojas. Já trabalhámos juntos no primeiro disco, e assim continuamos neste segundo trabalho. Comunicamos bem, e isso é importante. É difícil prever o que o futuro reserva...


Obrigado e felicidades.

domingo, 3 de maio de 2009

Review: Álbum Negro (Bizarra Locomotiva)

Álbum Negro (Bizarra Locomotiva)
(2009, Raging Planet)


Após 15 anos de carreira, os Bizarra Locomotiva lançam aquele que é, provavelmente, o seu disco mais denso e pesado. Ou o mais negro, para ser fiel ao seu título. Um título que encaixa que nem uma luva em toda a sonoridade que aqui se ouve. No seu género noise/industrial/militar, os Bizarra Locomotiva conseguem juntar a força das palavras de uns Mão Morta, com o peso das guitarras, com a conivente participação de imensa maquinaria a produzir ruído até à exaustão e até com as ambiências Moonspelianas, ou não participasse Fernando Ribeiro em O Anjo Exilado, o primeiro single a extrair do álbum, se bem que em Engodo a áurea dos Moonspell também se faça notar, mesmo sem a presença do seu vocalista. A parte lírica é muito importante, com fantásticos poemas, todos eles trajados do mais negro profundo e ora sussurrados, ora declamados, ora berrados por Rui Sidónio. Musicalmente, os ritmos matemáticos, sequenciados ou metalizados, são extraordinariamente fortes e mesmo nos momentos mais calmos a densidade é imensa. No fundo… tudo mesmo muito negro. E muito honesto e frontal. Sem tabus, explorando os mais negros sentimentos da condição humana.

Tracklisting:
Nostromo
Êxtases doirados
Remorso
O Anjo Exilado
Ergástulo
Sufoco de Vénus
A procissão dos Édipos
Engodo
Láudano 3
Outono
Egodescentralizado
Angústia
O Grito
Prótese

Lineup: Rui Sidónio (vocais), Miguel Fonseca (guitarra), BJ (Teclados e samplers), Rui Berton (bateria)
Website:
www.bizarralocomotiva.com
Myspace: www.myspace.com/bizarralocomotiva
Edição: Raging Planet (
www.ragingplanet.web.pt)
Nota VN: 14,3 (6º)

sábado, 2 de maio de 2009

Review: Música Pirata (Gazua)

Música Pirata (Gazua)
(2009, Raging Planet)


Cerca de um ano após a sua estreia, o power trio Gazua está de volta para mais uma descarga de punk/hard rock cantado em português e muito interventivo, como convém no género. Música Pirata aborda a temática da indústria musical e o colectivo fá-lo, liricamente, de uma maneira muito apelativa. Não se limita a gritar palavras de ordem como se estivessem numa manifestação da CGTP, mas apresentam-nos letras um pouco mais complexas e elaboradas, com métrica e rima. Musicalmente falando, estamos perante aqueles que podem ser os dignos sucessores dos grandes nomes punk rock do passado, nomeadamente Censurados ou Xutos & Pontapés (época 78/82 e Cerco). Os temas são ritmados, com refrães orelhudos e cantaroláveis (claramente à espera de um palco). O trabalho de guitarra é preciso e muito dinâmico e é aqui que reside parte do brilhantismo deste álbum. Quer na parte rítmica quer nos solos, claramente orientados numa veia hard rock. A variável surpresa também ocorre, na faixa Queremos a Música de Volta, onde Zé Maria solta um fabuloso solo de sax perfeitamente jazzistico. Outros pontos altos são Valsa dos Venerados, Fogo Posto e Piratas, curiosamente os três últimos temas de um álbum que não pode nem deve passar despercebido.

Tracklisting:
1. Reescrever a História
2. Eu Ouvi Falar de Ti
3. Esta Gente
4. Queremos a Música de Volta
5. Ela Era Agonia
6. Para Todos
7. Turbilhões
8. Bem-vindos ao Inferno
9. Um Outro lado
10. Valsa dos Venerados
11. Fogo Posto
12. Piratas

Lineup: João (voz e guitarra), Paulinho (baixo), Paulo Corvo (bateria)
Músicos convidados: João Alves, Bruno Alves e António Corte Real (coros), Zé Maria (saxofone)
Myspace:
www.myspace.com/gazua
Edição: Autor
Distribuição: Raging Planet (
www.ragingplanet.web.pt)
Nota VN: 14,5 (5º)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Entrevista com Thee Orakle

São de Trás-os-Montes e assinam um dos mais impressionantes registos deste ano de 2009. Pedro Silva, o vocalista da banda, respondeu-nos e esclareceu-nos sobre todo o mundo mágico que rodeia os Thee Orakle.

Agora que Metaphortime já está cá fora, qual é a sensação em relação ao trabalho efectuado?
Uma sensação muito boa sem dúvida, de gratificação e concretização real e conjunta pelo nosso todo e que nos agrada pela qualidade sonora e registos gravados, bem como a parte lírica e temática. A capa do nosso álbum e o book mostram bem o que nós, Thee Orakle, queremos fazer passar: a mensagem de alquimia. A alquimia está presente em tudo, afinal de contas .

Como vêm a vossa evolução desde a edição da demo Thee Orakle em 2005?
Caracteriza-se por uma evolução passo-a-passo com decisões acertadas, comedidas e nada apressadas. Sabemos esperar e acho que valeu a pena pois para nós este álbum é o nosso culminar enquanto banda de tudo o temos vindo a ser e a assumir a ser desde a nossa formação, já lá vão 3 / 4 anos. Temos tido boas prestações e tudo tem sido um bom ensinamento desde o inicio, tanto nos ensaios, como na estrada, como no estúdio.

Para a produção escolheram o Daniel Cardoso. Foi uma escolha óbvia e consensual, atendendo à sua forma de trabalho e à obra entretanto apresentada?
Sim, sem dúvida, mas também temos que realçar o seu colega de estúdio Pedro Mendes pelos seus desempenhos profissionais, camaradagem e ensinamentos que partilharam connosco. Foram e são uma mais valia para a materialização deste sonho tornado realidade, um registo muito bom de longa duração com muitos bons pormenores explorados e a parte de toda a envolvência que prende a atenção ao ouvinte.

Como surgiu a oportunidade de poderem contar com o Yossi Sassi Sa’aron dos Orphaned Land?
Aquando da visita deles ao nosso país tivemos a feliz oportunidade de poder partilharmos o palco com eles no Santiago Alquimista e desde aí identificamo-nos muito com ele. É uma pessoa muito simpática, sempre de sorriso na cara, o que nos facilitou na decisão de podermos perguntar-lhe se estava a fim de participar numa música dum projecto futuro tendo na altura ficado tudo entre linhas, mas que no futuro se veio a mostrar muito promissor tal como podem escutar.

Mas há mais convidados, nomeadamente um violinista e uma flautista em Feeling Superior Knowledge. Podemos esperar, no futuro, outras incursões mais sérias por outras sonoridades?
Nós, enquanto banda, estamos sempre disponíveis a projectos e influências futuras, temos os nossos horizontes abertos, de forma a trazer outros universos musicais ao nível de outras sonoridades que nos remontam a outras culturas musicais, que poderão sempre enriquecer as nossas músicas vindouras. Nessa perspectiva, poderá ser uma mais-valia num futuro próximo.


Uma das características que mais salta à vista na vossa sonoridade é a diversidade. É fácil gerir tantas ideias diferentes e conjugá-las num álbum ou até num tema?
Não é muito fácil mas consegue-se com diálogo, perseverança, paciência e por vezes discussões. Mas não há dúvida que tudo isto se passa porque todos querem o melhor para a banda e se assim não o fosse estaria sempre tudo bem! Mas depois da argumentação toda, tempo passado a decidir, a conclusão fica sempre algo mais facilitada. Quando todos desejam tanto uma cosia comum do agrado, o produto final ou o desejo de o ver, aguça-nos o apetite para remarmos numa só direcção, de forma a atingir o proposto e nessa fase somos muito exigentes uns com os outros. É claro que algumas ideias não foram aproveitadas mas também não foram esquecidas. Ficam, isso sim, numa prateleira só nossa, prontas a serem usadas e melhoradas num futuro próximo.

Em termos líricos, que tópicos são abordados pelos Thee Orakle neste trabalho?
Tópicos sempre ambíguos com prós e contras: vida e morte; amor e ódio; noite e dia; alegria e tristeza; conhecimento empírico e conhecimento pessoal; vida artificial e vida superior; alquimia e fantasia. Na parte temática: nascimento humano/animal, crescimento, interesse pela alquimia, ensinamentos, aprendizagem, conhecimento com o mestre, experimentalismo, certezas, inconclusões, conformismo com a realidade, um virar da página para próximo capítulo, outra existência, um grau de imortalidade. ( Enredo da História)

O título do álbum é um pouco estranho. Tem algum significado especial?
Tem um significado especial pelo trocadilho causado pela junção de duas palavras em inglês metaphora + time, que transparece pelo que nele se fala. A metáfora para nós enquanto seres humanos que tentamos viver e realizar o maior número possível de experiências e vivências durante o nosso tempo de vida. Mas a vida nem sempre é o que mais desejamos ou gostamos, ou nem sempre é aquilo que os nossos olhos vêem com a verdade absoluta. Este álbum é no seu todo a metáfora no tempo, em que é contada a história, retratada a possível actualidade presente dos nossos dias, enquanto banda, e registo sonoro no total desde a primeira música até á última com turbilhões pelo meio de emoções e sentimentos que mais alto se levantam. Místico/passado, presente ou futuro, ninguém saberá, talvez a palavra seja mais intemporal.

Como está a ser a preparação da apresentação ao vivo de Metaphortime. O que podem os vossos fãs esperar?
Eles sabem que nós andamos aí e se não fosse por eles ninguém andava na estrada para dar concertos onde as distâncias se encurtam e as bandas se aproximam do público. Podem contar como sempre com a melhor performance possível e atitude de quem quer passar uma mensagem a nível temático e musical, como se fazem coisas boas no metal nacional. Aguardem por nós. Vamos arrasar-vos com o nosso som num palco próximo de vós