quarta-feira, 22 de julho de 2009

Review: It Has Begun (Ho-Chi-Minh)

It Has Begun (Ho-Chi-Minh)
(2009, Raging Planet)


Depois de um EP promissor e que lhes permitiu espalhar o seu nome e o seu som, os alentejanos Ho-Chi-Minh (HCM) estão de regresso com o seu primeiro longa duração. It Has Begun mostra-nos um quinteto que sabe como dosear bem a agressividade e a melodia e ainda por cima adicionar aos temas apontamentos electrónicos. Tudo isto envolvido em guitarras poderosas e vocalizações alternando entre o extremo e o limpo. A questão que se coloca é como vão os HCM conseguir escapar de tanta competição com dezenas de bandas (mesmo só a nível nacional) a tocarem uma sonoridade semelhante. É que o seu trabalho apresenta poucos pontos que os separem do metal extremo actual. A mesma violência latente, a mesma dicotomia extremo/calmo, os mesmos blastbeats, a ausência quase total de pormenores de índole técnica quer ao nível instrumental quer vocal. A resposta parece estar na forma louca e na atitude que os bejenses colocam em cada actuação ou na inclusão, essa sim sábia e criteriosa, da maquinaria como em The End. Ou então na diferenciação que temas como The Greatest consegue introduzir. Uma linha orientadora que deveria ser ainda mais explorada tendo em vista a criação da diversidade necessária.


Tracklisting:
Intro
My Decline
Aside
My Own Enemy
Way Of Retain
I Hope You Never
The Edge
Reload
The Greatest
It Fells Like A Whore
The End


Line up: Skatro (vozes e maquinaria), Rosa (guitarra), Aresta (guitarra), João Franco (baixo), Pina (bateria)
Myspace:
www.myspece.com/hochiminh
Edição: Raging Planet (
http://www.ragingplanet.pt/)
Nota VN: 12,0 (12º)

Review: Skyforger (Amorphis)

Skyforger (Amorphis)
(2009, Nuclear Blast)


Mais um álbum para a mítica banda finlandesa que já conheceu diversos estados de espírito e de composição ao longo da sua carreira. Com a entrada de Tomi Joutsen em 2005, no entanto, estabilizou o seu line-up e a sua sonoridade. Daqui advém aspectos positivos e negativos. Pelo lado positivo destaca-se a coesão e fluidez de uma máquina bem entrosada e bem programada. Pelo oposto, o que mais se salienta é a repetição de algumas fórmulas que vêm sendo exploradas deste Eclipse. Este cósmico Skyforger (cósmico no sentido de quatro dos dez temas terem títulos onde são referidos estrelas, sóis e céus) apresenta todas as virtudes dos dois antecessores: perfeito doseamento entre peso e melodia, com a guitarra de Esa Holopainen sempre a um nível fantástico na criação de harmonias e melodias; a mais-valia que realmente é Tomi Joutsen a visitar diversos registos vocais mas sempre competentíssimo em qualquer um deles; a inclusão de ocasionais apontamentos folk que ajudam a manter o nível de interesse na obra. O problema surge na eventual saturação que pode surgir a quem já acompanha os Amorphis de há longa data. Principalmente porque se fica com a nítida sensação que tudo que está em Skyforger já fora feito em Eclipse e Silent Waters. Eventualmente From The Heaven Of My Heart aproxima-se de Am Universum e Majestic Beast assume-se como um dos momentos mais extremos da banda dos últimos anos sem nunca esquecer a vertente técnica/melodia, característica que volta a estar em destaque num trabalho equilibrado e competente e que não desiludirá os fãs da banda.


Tracklisting:
Sampo
Silver Bride
From The Heaven Of My Heart
Sky Is Mine
Majestic Beast
My Sun
Highest Star
Skyforger
Course Of Fate
From Earth I Rose
Godlike Machine


Line up: Tomi Joutsen (vocais), Esa Holopainen (guitarra), Tomi Koivusaari (guitarra), Niclas Etalavuori (baixo), Santeri Kallio (teclados), Jan Rechberger (bateria)

Website: http://www.amorphis.net/
Myspace:
www.myspece.com/amorphis
Edição: Nuclear Blast (
http://www.nuclearblast.de/)
Nota VN: 15,8 (6º)

domingo, 12 de julho de 2009

Review: Polaris (Stratovarius)

Polaris (Stratovarius)
(2009, Edel)


Sem o lendário (e parece que problemático) Timo Tolkki pela primeira vez em muitos anos e após um sem número de confusões, de entra-sai e batalhas legais, eis finalmente o novo trabalho dos Stratovarius. Estreando dois elementos novos, Matias Kupiainen (na guitarra) e Lauri Porra (no baixo), os finlandeses dão, claramente, um murro na mesa e assumem de novo a liderança do speed/power metal de inspiração melódica. A banda funciona como um todo e como consequência sente-se que a áurea que fez deste colectivo um dos mais queridos da Europa está de volta. Em Polaris nota-se, de facto que a bonança está de regresso à banda, com esta a explorar todo o sentido Stratovariano desde os temas mais lentos e compassados até aos tradicionais tocados quase à velocidade da luz. No conjunto são 11 temas de metal genuíno, verdadeiro e sem egocentrismos ou procura de protagonismos, como o prova a inexistência de qualquer instrumental. Emancipation Suit, composta por duas partes (Dusk e Dawn) é um dos mais belos temas escritos pelos Stratovarius, com o novo guitarrista a demonstrar uma sensibilidade melódica assinalável. Isto porque capacidade técnica já ele tinha espalhado ao longo de todo o álbum. King Of Nothing é outro tema forte que promete ficar para a história do colectivo e onde Jens Johansson demonstra toda a sua destreza. Por outro lado, Forever Is Today é um típico tema speed metal construído com todos os condimentos e regras estabelecidas pelos seminais Helloween na década de 80 do século passado, tendo tudo para se transformar num novo hino. Por tudo isso, Polaris vai direitinho para o lote dos melhores trabalhos dos Stratovarius, sendo, claramente, o melhor dos últimos anos.

Tracklisting:
Deep Unknown
Falling Star
King Of Nothing
Blind
Winter Skies
Forever Is Today
Higher We Go
Somehow Precious
Emancipation Suite I: Dusk
Emancipation Suite II: Dawn
When Mountains Fall


Line up: Timo Kotipelto (vocais), Matias Kupiainen (guitarra), Jens Johansson (teclados), Lauri Porra (baixo), Jorg Michael (bateria)
Website:
www.stratovarius.com
Myspace: www.myspace.com/officialstratovarius
Edição:Edel
Nota VN: 15,6 (6º)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Entrevista com Música Profana

Oriundos de Ponte de Lima, os Música profana são um jovem colectivo com muito talento e originalidade. Misturando as raízes tradicionais com o metal em temáticas que versam os mitos e lendas nacionais, o colectivo, para já reduzido a um duo, apresentou na internet o seu EP de estreia. pela amostra, o álbum que está em preparação será, seguramente, mais uma importante obra do nosso metal. Via Nocturna falou com Daniel Moreira sobre esta sua nova proposta.

Os Música Profana são um colectivo muito jovem, mas podes esclarecer-nos quanto ao vosso background musical?
Quanto à Catarina, é a primeira vez que está a participar num projecto musical e acho que ninguém a tinha ouvido a cantar assim mais a sério. Os gostos musicais dela tiveram um breve passagem pelo metal mas é o folk que mais lhe agrada, influenciando-me a mim também. Eu já desde meados dos anos 90 que toco em bandas de metal, inicialmente como baterista e mais recentemente como guitarrista. Estive envolvido em projectos que soavam entre o Death Metal e o Gothic/Black mas que raramente tocavam fora de Ponte de Lima. Actualmente toco guitarra nos Inside Four Walls, banda Thrash Death com um álbum homónimo editado (2007 edição de autor).


Oficialmente, os Música Profana são um duo que trabalha com alguns músicos convidados. É assim que se sentem bem ou apenas numa fase inicial?
A minha vontade é que o projecto se transforme em banda, onde todos os membros possam contribuir para a composição. Até aqui tem sido basicamente um trabalho a dois mas vamos começar a ensaiar ainda esta semana com alguns amigos cá da zona e ver como corre. Se tudo correr bem vamos começar a procurar concertos.


O álbum está, entretanto, em fase de preparação. Para quando está prevista a sua edição?
Esperava ter o álbum pronto ainda este Verão. O que falta é apenas a gravação de vozes em alguns temas e melhorar alguns pormenores de produção. Estamos a gravar em casa por isso não temos a pressão de estarmos a pagar a um produtor e por isso estamos a demorar mais um bocado. Apontaria mesmo para o final do Verão.


Em termos musicais, este EP de 4 temas é um fiel representante da sonoridade que se poderá ouvir no álbum?
É uma boa questão porque esses temas do EP já têm algum tempo e surgiram espontaneamente. Podem encontrar-se temas mais pesados mas tentaremos incluir alguns acústicos. Em termos de letras continua a mesma temática; a nível instrumental posso dizer que arriscamos mais na variedade, mas sempre com as toadas folk que caracterizam o EP.


Não sendo inédito, é no entanto pouco frequente a vossa abordagem no âmbito do metal nacional. Foi uma aposta assumida da vossa parte a introdução da componente folk?
Sim desde logo que a quisemos incluir porque era lógico para nós uma vez que a temática das músicas iria girar à volta da Mitologia, História e Lendas portuguesas. Assim sendo achamos que era o caminho a seguir.


Em termos líricos, parece-me que vocês terão muito por onde escolher! A nossa história é fértil em lendas. Será um filão a explorar?
Com toda a certeza que sim e foi em parte isso que nos inspirou a avançar com este projecto. É seguramente essa temática que iremos seguir e como dizes é praticamente inesgotável. Claro que também haverá excepções num ou noutro tema.


De que forma é que a história portuguesa e suas lendas e mitos se enquadram na vossa personalidade musical?
Já existem muitas bandas a fazer isso; tenho por exemplo os Amorphis como grande referência, por isso foi natural a opção por uma sonoridade que contrastasse melodias frias de inspiração nórdica com as mais quentes do nosso país rural. Em termos de História temos material muito rico em aventuras épicas pelo desconhecido, encontros com seres mitológicos, romances e tragédias da nossa monarquia, etc.. Por outro lado temos os Mitos e as Lendas locais que estão profundamente ligadas ao nosso folclore e à tradição oral e muitas delas são histórias trágicas e obscuras por isso penso que combinam bem com o metal e com o folk, naturalmente.


Torna-se fácil um processo de composição com a envolvência de instrumentos tão díspares?
É um pouco complicado principalmente quando não se tem músicos que toquem instrumentos tradicionais. Há sempre receio em incluir esses elementos de cariz tradicional sabendo que vai ser difícil haver alguém que depois os toque ao vivo. Também há um certo receio da repetição das melodias, muitas vezes crio uma linha melódica que me soa a algo que já ouvi antes e tento sempre compensar isso variando as bases rítmicas. Penso que o maior problema é mesmo na transposição do material gravado para uma actuação ao vivo, havendo sempre o risco de ter se que omitir elementos que caracterizam fortemente a música.


A terminar, que objectivos pretendem atingir a curto/médio prazo os Música Profana?
Gostávamos muito terminar o álbum e de conseguir levá-lo para o palco já em formato banda. Em geral as críticas tem sido agradáveis e penso que as pessoas iam gostar de nos ver tocar. Acho que não ambicionamos mais do que isso de momento!

Playlist 09 de Julho de 2009


domingo, 5 de julho de 2009

Review: Black Clouds & Silver Linings (Dream Theater)

Black Clouds & Silver Linings (Dream Theater)
(2009, Roadrunner)


Ao décimo álbum de originais da carreira dos nova iorquinos, segundo com o selo Roadrunner, o quinteto apresenta os predicados e características do costume: técnica de elevada craveira, progressivo na mais pura acepção do termos, temas longos. Continuando a lógica do aumento progressivo de peso que já se verificara em Systematic Chaos, Black Clouds & Silver Linings volta a bater nessa tecla. O trovão inicial indicia muita tormenta, mas as nuvens negras aparecem, sobretudo, no tema de abertura, onde o blastbeat no final deve surpreender muito boa gente. Mas, como o próprio nome indica, este álbum não é só composto por momentos tempestuosos; após várias audições apercebemo-nos que os momentos calmos começam a crescer nomeadamente em Wither e em The Best Of Times, onde ressurge o violino, já anteriormente usado em Octavarium. Aliás, este trabalho, em alguns momentos chega a parecer um best of, devido às passagens por diversas sonoridades que caracterizaram a banda nos últimos anos. Para além dos citados Systematic Chaos e Octavarium, também o fantástico Metropolis Pt. II – Scenes From A Memory e o denso Six Degrees Of Inner Turbulence parecem revisitados em temas como A Best Of Times e A Rite Of Passage, respectivamente. Com prestações individuais irrepreensíveis, momentos épicos e muita emotividade (contrariando algumas vozes que dão os DT como muito frios em termos sentimentais), este assume-se como mais um trabalho muito válido da banda americana. É verdade que faltam grandes canções como algumas que a banda já foi capaz de compor em outros tempos, mas isso não inviabiliza a qualidade de um álbum que vale pelo seu todo.


Tracklisting:
1. A Nightmare To Remember
2. A Rite Of Passage
3. Wither
4. The Shattered Fortress
5. The Best Of Times
6. The Count Of Tuscany


Line up: James LaBrie (vocais), John Petrucci (guitarra), John Myung (baixo), Jordan Rudess (teclados), Mike Portnoy (bateria)
Website:
http://www.dreamtheater.net/
Myspace:
www.myspace.com/dreamtheater
Edição: Roadrunner (
http://www.roadrunnerrecords.com/)
Nota VN: 18,0 (3º)

sábado, 4 de julho de 2009

Entrevista com The Spiteful

Os The Spiteful são mais um nome importante a juntar à nova vaga de metal nacional. Juntamente com Echidna e Switchtense fazem parte da armada mais pesada da Rastilho e esta estreia, Persuasion Through Persistence, vem demonstrar que com dedicação, persuasão e persistência os sonhos podem tornar-se realidade.

Qual a sensação de verem ao fim de cerca de uma década de existência, o vosso primeiro álbum pronto?
É a concretização de um sonho. Todas as bandas têm certamente o desejo de um dia ver o seu trabalho editado para que todos o possam ouvir, mas grande parte delas, seja por que motivo for, não o consegue materializar. É por isso um motivo de orgulho, mas ao mesmo tempo é também a justa recompensa por muito trabalho e obstáculos ultrapassados.


Que evolução podem vocês apontar entre os 2 EP’s e este álbum?
Penso que é um processo de amadurecimento natural, dado que nos quase 6 anos que nos separam da edição do Upheaval, nunca parámos de tocar/ensaiar. A evolução começa logo por aí, sentíamo-nos cada vez mais à vontade para escrever músicas que eram mais exigentes e trabalhadas. A entrada do Ricardo [Tarrafa, voz] na banda também se pode considerar um passo importante nessa evolução. Foi uma lufada de ar fresco, que nos permitiu experimentar coisas diferentes.


Gravaram com o Daniel Cardoso nos Ultrasound Estudios. Parece ser quase obrigatório actualmente, certo? Que influência tem este produtor estes estúdios na definição da sonoridade final de Persuasion Through Persistence?
Permite-me corrigir: não gravámos lá. O processo de gravação decorreu entre os North Audio e os Parasite’s Lair Studios, em Leiria. Eram locais onde encontrámos as condições necessárias para gravar a um ritmo que nos era adequado. Depois de tudo gravado, entregámos o trabalho ao Daniel para fazer a mistura e a masterização. Em Portugal, e para o nosso estilo de música, é a pessoa indicada. Já tínhamos ouvido outros trabalhos dele e poucas dúvidas havia que seria ele a fazer também o nosso. Demos-lhe apenas algumas indicações para o som que pretendíamos e deixámos o resto a seu cargo. O resultado final é um álbum com um som moderno e pesado, como se pretendia.


A cena leiriense parece estar a crescer em quantidade e qualidade. Algum motivo especial, na vossa opinião, para isso acontecer?
Não julgo haver nenhum motivo em especial para que tal aconteça. Muitas das bandas da zona são constituídas por pessoal que já faz música (metal e não só) desde há muitos anos. Diria que estas coisas funcionam por ciclos. Quando começámos a tocar, aqui há uns anitos, a cena estava bastante activa e fervilhava com bandas de qualidade. Após um período menos produtivo, provavelmente Leiria estará a regressar a uma fase prolífica desse ciclo.


Como chegaram à família Rastilho? Sendo que são geograficamente vizinhos mas não são musicalmente (se exceptuarmos os Echidna e Switchtense) muito próximos da habitual linha orientadora da editora?
O contacto com a Rastilho surgiu já com o material praticamente pronto para edição. Já tínhamos trabalhado com eles, na distribuição do Upheaval, o que fez tudo acontecer mais naturalmente. O disco foi bem recebido, houve vontade de editar e o resto é história. Julgo que facto de recentemente terem editado Echidna e Switchtense não é alheio e que abriu as portas para que mais uma banda de metal se lhes pudesse juntar.


Voltando a Persuasion Through Persistence, há alguma temática específica inerente ao álbum?
Antes sequer de começarmos a gravar já tínhamos este título definido. Ao fim de 10 anos, persistência é coisa que não nos falta, e o melhor meio de persuasão é a persistência. Persuasão para que as pessoas ouçam a nossa música, seja em casa ou nos concertos, e que se divirtam a fazê-lo. Não é um álbum conceptual, mas acaba por resultar bem como um todo, em grande parte pela construção lírica do Tarrafa.


Há expectativas para uma distribuição/edição em território fora do nosso país?
Há algumas coisas planeadas, mas ainda um pouco no ar. Agora estamos no início e ainda a apalpar terreno. Vamos ver o que acontece por cá, e depois sim, talvez um salto lá para fora.


Finalmente, que acções promocionais estão a ser planeadas para este álbum, nomeadamente, em termos de concertos.
Ao acertarmos a data de edição deste disco estávamos cientes que esta é uma altura complicada para fazer promoção (concertos), dado que os locais chave estão todos com a agenda preenchida até ao final do Verão. Mas isso não nos vai impedir de tentar fazer o maior número de actuações possível. Quem quiser manter-se a par, pode visitar o nosso site (http://www.the-spiteful.com.pt), onde há links para outros espaços na web, com essas informações
.

Playlist 02 de Julho de 2009


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Review: The Flame Within (Stream Of Passion)

The Flame Within (Stream Of Passion)
(2009, Napalm)


Quando Arjen Lucassen descrobiu Marcela Bovio logo se lembrou de criar um novo projecto que se adaptasse à sua voz. No fundo era seguir o filão do momento: banda de metal melódico com uma gaja a cantar. Mas era mais, porque a sua capacidade criativa permitiu-lhe criar um disco (Embrace The Storm, em 2005) que superava muito do grupinho do género. A sua abordagem era diferente, como tudo em que o holandês se mete, normalmente é. Diferente para melhor, está bom de ver! Passaram quatro anos e, seja lá por que razão seja, o que é certo é que Arjen Lucassen deixou os Stream Of Passion. Órfão do seu principal mentor mas cientes do seu valor, a banda lançou-se na criação de um sucessor de Embrace The Storm. A tarefa de superar a estreia era gigantesca, ainda para mais com um colectivo renovado. A Napalm deu uma mãozinha e publica-lhes The Flame Within. A primeira sensação que fica é que falta ali qualquer coisa. E a qualquer coisa é aquele toque de genialidade e de individualidade que só Lucassen conseguiria dar. No fundo não é um mau disco. Melódico, sensual, com refrões orelhudos, bons solos, voa voz, boa produção. Mas o problema dos actuais Stream Of Passion é não terem aquela individualidade que se falava e que os caracterizava. Por isso aqui e ali vão-se aproximando, perigosamente, de terrenos já pisados por outros, nomeadamente Lacuna Coil. Sem ser, obviamente, uma má referência, fica a ideia que a banda perdeu um pouco do rumo. Quem não conhecer Embrace The Storm certamente vai encontrar aqui um bom disco de metal melódico; quem se deliciou com a estreia vai sentir saudades dos poemas em castelhano e, principalmente, dos pormenores únicos, essencialmente ao nível da composição, de Lucassen.


Tracklisting:
The Art Of Loss
In The End
Now Or Never
When You Hurt Me The Most
Run Away
Games We Play
This Endless Night
My leader
Burn My Pain
Let Me In
Street Spirit
A Part Of You
All I Know

Line up: Marcela Bovio (vocais), Eric Hazebroek (guitarra), Stephan Schultz (guitarra), Johan van Stratum (baixo), Jeffrey Revet (teclados), Davy Mickers (bateria)
Website:
www.streamofpassion.com
Myspace: www.myspace.com/streamofpassionband
Edição: Napalm Records (www.napalmrecords.com)
Nota VN: 15,00 (7º)

Review: Pré-Álbum Promo 2009 (Música Profana)

Pré-Álbum Promo 2009 (Música Profana)
(2009, Edição de Autor)


De Ponte de Lima surge-nos um novo projecto nacional a primar pela originalidade: Música Profana. Este EP de 4 temas serve de antevisão e de apresentação do duo composto por Catarina Lima e Daniel Moreira, antes da edição do álbum que se prevê ainda para este ano. E pela amostra que a banda disponibiliza gratuitamente na internet, parece que temos um novo nome a ter em conta. Embrenhando-se nas lendas, mitos e feitos históricos nacionais, os Música Profana apresentam um produto genuinamente nacional, onde os temas são todos cantados na língua de Camões. Musicalmente, a riqueza do projecto é assinalável com influências que vão desde o folk ao celta e ao medieval. Tudo, claro, embrulhado numa pesada guitarra e em estruturas tipicamente metal, sem esquecer diversos e recorrentes apontamentos acústicos. As concertinas e gaitas de foles que se podem ouvir transmitem uma veracidade e autenticidade dignas de registo. A voz de Catarina Lima é belíssima e consegue fugir aos tradicionais padrões das vozes femininas no metal ao apostar numa abordagem também ela, mais tradicional. Pela amostra, estão no bom caminho. Ficamos, agora, à espera do álbum.


Tracklisting:
1. Pieira dos Lobos
2. Mostrengo
3. Mensageiro da Névoa
4. Canto do Poeta


Line up: Catarina Lima (voz), Daniel Moreira (instrumental)
Colaborações: Paulo Afonso (guitarra acústica), Pedro Silva (Teclas)
Myspace:
www.myspace.com/musicaprofana
Nota VN: 17,00 (4º)