quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Via Noctura em Janeiro na Rádio Riba Távora

Em virtude da epoca festiva que atravessamos a edição radiofónica de Via Nocturna sofrerá uma paragem de duas semanas. Regressamos à antena da Rádio Riba Távora em Janeiro. Até lá podem manter-se informados aqui no blog. e já agora, para todos os grupos, editoras, visitantes, programas de rádio etc...., Via Nocturna deseja um feliz Natal e um excelente 2010!

Review: Night Castle (Trans-Siberian Orchestra)

Night Castle (Trans-Siberian Orchestra)
(2009, Atlantic)


Desde 2001, com a edição do genial Poets And Madmen, que os Savatage têm estado parados mas felizmente para nós e a bem da qualidade no metal que Jon Oliva tem estado ocupado a criar excelentes álbuns quer com os seus Pain quer com a Trans-Siberian Orchestra. No caso deste Night Castle, Oliva e Kinkel voltam a criar uma obra grandiosa que tanto bebe no rock pesado e bem compassado pelo piano do primeiro, como se embrenha em clássicos intemporais de nomes como Verdi, Orff, Bethoveen entre outros. Inovador não será, pois segue o rumo já há muito traçado pelo colectivo, mas não deixa de ser bem escrito e superiormente interpretado. A riqueza instrumenta e vocal, imagem de marca do colectivo, volta a estar bem patente ao longo do trabalho desta orquestra que insiste em criar música para ilustrar histórias. E que bem, mais uma vez, o faz! São, no total, 2 discos, 26 temas (se contarmos com alguns interlúdios) e muitos minutos de boa música, brilhantes melodias, preciosos solos e, acima de tudo, muita alma e sentimento. Tudo, claro, sob a batuta do maestro Oliva e das suas linhas de piano insuperáveis e incomparáveis.

Tracklist:
CD 1:
1. Night Enchanted
2. Childwood Dreams
3. Sparks
4. The Mountain
5. Night Castle
6. The Safest Way Into Tomorrow
7. Mozart And Memories
8. Another Way You Can Die
9. Toccata – Carpimus Noctem
10. The Lion´s Roar
11. Dreams We Conceive
12. Mother And Son
13. There Was A Life

CD 2:
1. Moonlight And Madness
2. Time Floats On
3. Epiphany
4. Bach Lullaby
5. Father, Son & Holy Ghost
6. Remnants Of A Lullaby
7. The Safest Way Into Tomorrow (reprise)
8. Embers
9. Child Of The Night
10. Believe
11. Nutrocker
12. Carmina Burana
13. Tracers

Line up: Paul O’Neill , Angus Clark, Alex Skolnick, Chris Caffery e Al Pitrelli (guitarras), Robert Kinkel, Derek Wieland, Jane Mangini, Lucy Butler , Shih-Yi Chiang e Jon Oliva (teclados), Chris Altenhoff e Johnny Lee Middleton (baixo), Roddy Chong (violino), John O. Reilly e Jeff Plate (bateria), Anne Phoebe (cordas), Dave Wittman (bateria, guitarra, baixo), Jay Pierce, Tim Hockenberry, Jeff Scott Soto, Rob Evan, Jennifer Cella, Alexa Goddard e Valentina Porter (vocais)

Review: A Strange Utopia (Factory Of Dreams)

A Strange Utopia (Factory Of Dreams)
(2009, ProgRock)


Com um passado notável ao nível do metal progressivo feito em território nacional, Hugo Flores é hoje em dia o principal responsável pelo crescimento do movimento aquém e além fronteiras. Dedicando-se quase em exclusivo à escrita e criação de músicas, assumindo a quase totalidade da interpretação, Hugo Flores tem abraçado vários projectos como os Sonic Pulsar e Project: Creation. Numa vertente menos progressiva que estes dois nomes, mas mais sinfo-goth, Factory Of Dreams é o resultado da sua junção com a vocalista sueca Jessica Lehto e A Strange Utopia é o segundo disco em apenas dois anos o que diz bem do tempo que Hugo tem gasto na escrita. E este trabalho é, mais ou menos, a continuação lógica do que o duo havia feito em Poles, a estreia. A sonoridade é densa e muito compacta, sendo cada milésimo de segundo preenchido com um som de qualquer coisa, mesmo que essa coisa sejam ruídos provenientes das programações. Em cima dessa base vão crescendo os temas propriamente ditos, com a inclusão da bela voz de Jessica Lehto (neste álbum claramente mais solta e a arriscar um pouco mais) e de apontamentos góticos, progressivos e sinfónicos, com estes últimos a mostrarem-se mais acentuados em relação ao passado. Eventualmente, A Strange Utopia agarra as pontas soltas de Poles e segue por esses caminhos, não se coibindo, no entanto, de explorar outras vias como o fado, por exemplo. Omnipresente continua o imaginário científico o que facilmente colocaria A Strange Utopia no catálogo sci-prog, não fora, realmente a excelente veia compositora de Flores que, de certa forma, baralha essas simplista catalogação. E baralha de tal forma que são necessárias várias audições para nos apercebermos de tudo que está incluído na música. Este é também um dado mais do que adquirido no trabalho do músico português que mais uma vez fica demonstrado.

Tracklist:
1. Voyage To Utopia
2. Te Weight Of The World
3. Inner Station
4. Sonic Sensations
5. The Road Around Saturn
6. Garden Of All Seasons
7. Dark Utopia
8. Vacation In Venus
9. Chaotic Order
10. Slow Motion World
11. Destructible Destruction
12. E-Motions
13. Broken
14. The Weight Of The World (rádio edit)

Line up: Hugo Flores (guitarra, baixo, teclados, programações e vozes), Jessica Lehto (vocais)
Myspace:
www.myspace.com/projectcreation
Edição: ProgRock Records (
http://www.progrockrecords.com/)
Nota VN: 16,3 (12º)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Review: How One Becomes What One Is (Maninfeast)

How One Becomes What One Is (Maninfeast)
(2009, Edição de Autor)


Para final do ano ainda estavam reservadas algumas surpresas no tocante ao metal nacional. Os Maninfeast são um colectivo oriundo de Lamego e este How One Becomes What One Is é a sua estreia. São 5 temas onde o quarteto demonstra um arrojo e uma vontade de inovar não muito vista por cá. No fundo, e numa explicação simplista, pode dizer-se que os Maninfeast conseguem juntar duas peças de um puzzle aparentemente não encaixáveis: o metal alternativo e contemplativo de uns In The Woods… com a maquinaria quase industrial de uns Ministry. Como resultado só poderia surgir um álbum claramente bivalente com ambas as ambiências bem vincadas e onde o vocalista também assume diferentes personalidades. O colectivo aposta ainda forte na componente lírica onde as influencias filosóficas de Nietschze, também ele um bivalente nas emoções e sentimentos, se enquadram na perfeição em todo o cenário montado pelo colectivo. Servindo como cartão-de-visita, este EP vem demonstrar, mais uma vez, que qualidade e originalidade não faltam ao undeground nacional que ano após ano, lançamento após lançamento, vem revelando um crescimento assinalável. Estes Maninfeast estão incluídos nesse lote e com as boas ideias que possuem têm tudo para crescer e evoluir. Ficamos a aguardar notícias num futuro próximo.


Tracklist:
1. Speaking Void
2. Ewige Wiederkunft
3. Keynesian Model
4. Beyond Blindness
5. Magic Stones


Line up: André Lobão (vocais), Afonso Lima (guitarra), José Santos (baixo), João Pina (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/maninfeast
Website:
http://www.maninfeast.com/
Edição: Edição de autor
Nota VN: 15,0 (20º)

Review: Sing Along Songs For The Damned & Delirious (Diablo Swing Orchestra)

Sing Along Songs For The Damned & Delirious (Diablo Swing Orchestra)
(2009, Ascendance)


Para começar, importa referir que fazia falta ao mundo do metal um grupo com as características dos Diablo Swing Orchestra (DSO). A sua capacidade de introduzir uma dinâmica alegre no seu metal, por vezes até bem negro ao nível do trabalho de guitarras, é assinalável. Este Sing Along Songs For The Damned & Delirious é o segundo trabalho da carreira do grupo e surge dois anos após a bem sucedidada estreia The Butcher’s Ballroom e o que se pode dizer é que se a fasquia estava colocada demasiado alta depois das boas indicações deixadas ela foi completamente superada. O colectivo volta a apresentar todas as virtudes da estreia mas potencia-as e eleva-as a um patamar superior de qualidade e criatividade. Em Sing Along… os DSO conseguem fazer-se despir de alguns elementos eventualmente supérfluos que exibiam no seu passado e agora toda a sua estrutura musical é pura e simplesmente genial. Com uma variedade impressionante de recursos à sua disposição, quer ao nível vocal (registos sopranos, barítonos, declamações, gritos) que ao instrumental (percussões, violoncelo, metais, acordeão) o grupo foi suficientemente inteligente para construir temas diversificados onde esses recursos foram usados de forma extremamente criteriosa. Ganha com isso todo o disco que assim transmite ao ouvinte uma sensação de imprevisibilidade. E esta verifica-se, por exemplo, nas diversas área musicais que os DSO conseguem incorporar no seu metal progressivo: jazz, swing, tango, clássico, ópera, polka, salsa. Destacar algum tema é impossível porque cada um deles apresenta particularidades que os torna únicos e irrepetíveis. Por isso, simplesmente sentem-se e deixem-se conduzir pelos fantásticos jogos vocais, pelos ritmos circenses, pelos arrebatadores apontamentos de violoncelo, pela força e sensualidade dos metais, pelo sublime solo de clarinete ou pelos tons 007eanos em Ricerca Dell’Anima. Ou então, simplesmente dancem e deixem toda esta energia positiva fluir. Genial! De facto, o metal precisava de um grupo assim.


Tracklist:
1. A Tap Dancer’s Dilemma
2. A Rancid Romance
3. Lucy Fears The Morning Star
4. Bedlam Sticks
5. New World Widows
6. Siberian Love Affairs
7. Vodka Inferno
8. Memoirs Of A Roadkill
9. Ricerca Dell’Anima
10. Stratosphere Serenade


Line up: Ann-louice Wolgers (vocais), Daniel Hakansson (vocais e guitarras), Pontus Mantefors (guitarras e sintetizadores), Johannes Bergion (violoncelo), Andreas Halvardsson (bateria), Anders Johansson (baixo)
Myspace: www.myspace.com/diabloswingorchestra
Edição: Ascendance (http://www.ascendancerecords.com/)
Nota VN: 19,5 (1º)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Review: Milorg (Vreid)

Milorg (Vreid)
(2009, Indie)


Formados sobre as cinzas dos Windir, os Vreid atingem a marca de 4 álbuns, sendo este o segundo para a Indie Recordings. Com um título retirado da história norueguesa (Milorg, ou Military Organization, era um grupo resistente por alturas da 2ª Grande Guerra), a banda continua, liricamente, a explorar a componente histórica. Em termos sonoros, as suas raízes assentam no Black Metal, embora esta possa ser uma descrição muito redutora do colectivo, uma vez que a banda incorpora diversos elementos estranhos a este movimento. De facto, se momentos há em que os Vreid assumem claramente a sua costela mais negra e extrema, seguindo à risca as normas do Black Metal a banda é suficientemente inteligente para, em determinadas alturas se afastar deste rótulo e abordar estruturas mais rock/heavy. Um tema como o instrumental Blutcher II, por exemplo, não tem absolutamente nada daquele sub-género do metal indo beber mais no rock dos anos 70. Argumento Ex-Silentio e Milorg, os dois últimos temas do álbum, chegam a tocar nos Therion e os seus momentos são, por vezes, tão calmos que se chega a duvidar que se esteja a ouvir uma banda apelidada de extrema. Mas o interessante é que mesmo nos momentos mais violentos, como na faixa de abertura, Alarm, ou mesmo Disciplined a banda nunca perde o sentido da melodia e a capacidade de introduzir elementos atmosféricos e épicos dignos de realce. Claramente um disco onde a diversidade patente permite que esta obra seja considerada uma das melhores do ano no seu género.


Tracklist:
1. Alarm
2. Disciplined
3. Speak Goddamnitt
4. Blücher
5. Blücher pt. II
6. Heroes & Villains
7. Argumento Ex Silentio
8. Milorg


Line up: Jarle Hvall (baixo), Steingrim (bateria), Sture Dingsoyr (vocais, guitarra), Esse (guitarra)
Myspace:
www.myspace.com/thepitchblackbrigade
Website:
http://www.vreid.no/
Edição: Indie (
http://www.indierec.no/)
Nota VN: 16,6 (11º)

Playlist 10 de Dezembro de 2009


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Entrevista com Behead The Dead

Antes de mais, contem-nos um pouco da história dos Behead The Dead.
Behead The Dead
é uma banda de Heavy Metal de Oeiras. Começámos no final de 2007 e depois de algumas experiência sonoras nos diversos sub-géneros do metal chegámos à actual sonoridadade que consiste em energia, poder e Groove. No que toca a membros, Adam Kirchberger toca bateria, Matthew Jozsef é o vocalista e Jeremy Pringsheim o guitarrista. Actualmente não temos baixista mas estamos à procura de um.

Tiveram alguns problemas no passado. Já está tudo ultrapassado? E que ilações retiraram desses problemas?
Agora podemos, definitivamente, dizer que os problemas estão ultrapassados. Os problemas surgiram no verão de 2008 em que a banda esteve um longo período sem ensaiar em virtude de os membros estarem fora do país. No que nos diz respeito, não houve muito a aprender até nada correu, necessariamente, mal. No entanto, enquanto alguns membros estiveram fora, os restantes membros queriam estar activos e começaram a trabalhar com outros projectos. Sabemos que isso não acontecerá de novo porque todos nós amamos a música que estamos a construir mais que qualquer outra forma musical. Este é o estilo que mais gostamos de escrever, ouvir e tocar, portanto nada se meterá no nosso caminho agora.

BTD não tem baixista. Como se processa a composição considerando tal facto. Estão a pensar incorporar um baixista permanente?
O posto de baixista tem sido um problema desde o inicio! Conhecemos poucos baixista para começar a trabalhar e o que conhecemos ou são maus ou não se enquadram na nossa sonoridade. Chegámos a fazer audições a guitarristas para tocar baixo! O que não será muito agradável, mas mesmo assim não chegámos a lado nenhum! Ainda estamos à procura de um baixista e, realmente, precisamos de um, mas, por agora, há pouco que possamos fazer.

A falta de um baixista é a causa da vossa superior técnica ao nível de guitarra e bateria?
Até agora nunca tínhamos pensado nisso, mas provavelmente a falta do baixista ajudou-nos a desenvolver porque temos que trabalhar no nosso instrumento tão bem que fiquem asseguradas as partes do baixo.

Quem é o baixista convidado em Incense?
Nas duas partes de Incense temos o Vasco Abreu a tocar baixo. Em primeiro lugar porque ele toca baixo e tem um baixo. Mas, também porque vive próximo do Adam. Ele poderia ser o baixista a tempo inteiro mas não gosta de tocar metal – é mais um baixista de funk. O seu estilo não foi importante nas sessões de gravação porque o Jeremy sempre teve ideias de como as linhas de baixo deviam soar e então mostrou-lhas e o Vasco fez a sua interpretação.

A respeito de Unleash The Deceased, como decorreram as sessões de gravação?
Desde que começámos a banda, e penso que todas as bandas aspiram ao mesmo, nós queríamos lançar um álbum um dia. Este sonho tornou-se realidade e chama-se Unleash The Deceased. As gravações tiveram lugar no meu estúdio em Julho de 2009. A masterização foi toda feita pela banda e foi terminada em finais de Setembro. E posso afirmar com segurança que as sessões de gravação foram muito bem sucedidas e que estamos muito satisfeitos com os resultados.

E em termos líricos, quais são os principais tópicos abordados?
Jeremy e Matthew são os principais responsáveis pela parte lírica. Em Unleash The Deceased há pequenas histórias que têm algumas mensagens sérias implícitas. For exemplo, Incense é a história de alguém que é consumido pela sua própria raiva e é uma mensagem para as pessoas que estão sempre furiosas que esse estado as pode alienar daqueles que os amam. No entanto, Unleash The Deceased também fala de algumas lutas pessoais. Isto pode ser verificado em Stones To Throw que falta da falta de apoio que sentem os jovens músicos. E isto aplica-se àquelas pessoas que, no passado, nos criticaram e que agora já não têm nada a dizer quando se aperceberam que não há comentários negativos à nossa música. No entanto, as novas letras de BTD tem tido uma direcção ligeiramente diferente. Focam assuntos da actualidade e explanam a nossa opinião sobre essas matérias.

A finalizar, que projectos para os BTD nos próximos tempos?
Como banda, queremos manter-nos juntos. Especialmente agora que terminamos os nossos estudos secundários e vamos para a universidade, temos esperança que a banda continue junta e a crescer. Iremos participar no Wacken Open Air Battle e esperamos ganhar alguma coisa com isso. Também gostaríamos de fazer algumas actuações com bandas europeias para se nos abrirem as portas de concertos fora de Portugal. Depois de terminarmos a escola vamo-nos mudar para Londres para continuar a estudar e tentar entrar na cena britânica. Temos esperança de ser bem sucedidos e fazer muitas amizades e encontra muitos fãs que gostem da nossa música.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Playlist 03 de Dezembro de 2009


Entrevista com Oblique Rain

Após o sucesso de Isohyet, sentiram algum tipo de pressão quando partiram para a composição deste novo álbum?
Guilherme Lapa (GL):
Não é que existisse propriamente pressão, era antes uma vontade muito grande que todos tínhamos em produzir um álbum que superasse algo do que tinha sido feito no Isohyet. A sonoridade mais pesada e negra deste álbum não foi nada forçada. Temos muita confiança nas capacidades da banda e as coisas saíram com naturalidade.
No vosso myspace aparece Marcelo Aires como baterista, mas quem gravou o álbum foi o Daniel Cardoso, certo? Qual é a situação em relação ao vosso baterista?
GL:
O Daniel é um excelente baterista e nunca falhou em nada do que se comprometeu e sempre acrescentou qualidade. Decidimos mudar para que pudéssemos trabalhar sempre com todos os elementos presentes e não estar à mercê das dificuldades óbvias que a distância entre Porto e Braga poderia causar. A decisão tem a ver com a forma como queremos trabalhar e não, obviamente, com a qualidade do Daniel como baterista e produtor. O Marcelo está connosco desde Setembro e tem superado todas as expectativas. É um prodígio da bateria e tem sido muito bom para nós poder trabalhar com ele regularmente. Para além disso é um rapaz muito dedicado a tudo o que faz e bom companheiro.

Isohyet foi editado pelos vossos próprios meios mas agora estão a trabalhar com a Major Label Industries. De que forma é que esta junção ocorreu?
GL
: Com o Isohyet a sair, o passo seguinte seria fazer chegar o nosso som aos ouvidos das editoras para que alguém se mostrasse interessado. Acabou por ser a MLI a vir até nós e era talvez a editora com a qual nos identificávamos mais. Têm escolhas criteriosas em relação às bandas que representam e esperamos que a relação entre as partes seja vantajosa.

Em termos sonoros, que diferenças podem ser apontadas entre este October Dawn e o seu antecessor?
GL:
Começámos a ter noção que seria um álbum de digestão mais lenta quando estávamos ainda no final da composição. É um álbum com uma sonoridade mais alternativa, mais pesada e mais escura. As melodias são talvez ainda mais melancólicas e sombrias que no primeiro álbum. Tudo isto faz com que, na nossa opinião, seja um álbum mais sólido que o Isohyet. Esperamos que tenha ainda uma maior aceitação por parte do público e da crítica.

Como se processa a composição no sei dos Oblique Rain, atendendo à diversidade de sonoridades que podem ser encontradas nos vossos temas?
GL:
Felizmente temos connosco um dos melhores fazedores de riffs que conhecemos, que é o César [Teixeira, guitarrista]. Normalmente (pelo menos até agora) muitas das ideias surgem dele ou do Flávio [Silva, vocalista e guitarrista] e depois trabalha-se por cima das ideias de um ou de outro. Mas é apenas a forma como as coisas surgiram até hoje, porque não existe nenhuma regra instituída para que seja assim. Temos actualmente uma formação mais estável e há muita vontade que todos trabalhem em conjunto e que cheguemos a novas ideias dessa maneira. Essa diversidade de sonoridades vem apenas da variedade de gostos musicais de todos os elementos, o que ajuda a que a sonoridade da banda não seja estanque.

E em termos líricos, há algum conceito por trás de October Dawn?
GL
: Esta é melhor ser o Flávio a responder…
Flávio Silva (FS): Sim e não...globalmente retrata a mesma ideia de isolamento que o Isohyet, mas neste álbum tentei retratar factos ou episódios que aconteceram no passado, foi uma escrita muito mais intimista ou de exorcismo como queiras encarar. Foi mais difícil de o fazer porque escrever na primeira pessoa é mais difícil para mim mas que me fez sentir bastante bem por isso. Foi quase como descrever o diário de alguém que vive um pouco parte dos sentimentos e formas de agir dos outros, mas que interage com a sociedade porque a mesma assim o estabelece...Não terá um conceito definido e claro para os outros mas com certeza que alguém se poderá identificar com as mesmas experiencias. Há temas mais intimistas que outros, mas mesmo os mais superficiais têm todos um pouco de algo que real que se passou com comigo.

Que eventos estão a ser preparados tendo em vista a divulgação deste novo álbum?
GL
: Aqui na zona do Porto organizámos um concerto de apresentação do álbum no bar Plano B e participámos na terceira edição do festival Gondomar WinterFest. Foi bom para as pessoas tomarem um primeiro contacto com as novas músicas e basicamente mostrar aos nossos aquilo que estivemos a fazer neste último ano. Temos planos para apresentar o álbum mais a sul nos próximos tempos e há algumas datas interessantes a ser negociadas neste momento, que serão anunciadas proximamente.
Existem também planos para uma primeira internacionalização da banda e vamos ver se conseguimos pôr tudo em prática em breve!

Entrevista com Coldfear


Em primeiro lugar, que balanço fazem da vossa ainda curta carreira?
Hugo Serra
: Viva! Antes de mais, muito obrigado pela oportunidade que nos disponibilizaram em nos darem um pouco de espaço de antena no vosso projecto. Felizmente tem corrido tudo muito bem e tem sido uma pequena aventura andar a partilhar palcos com montes de pessoal das mais variadas zonas do país e conhecer outro tanto. Nos dias que correm, este poderá ser considerado o maior contributo a retirar desta pequena carreira: as grandes amizades e partilhas de experiência pelas quais temos passado.

Apesar de só terem 4 anos de existência, Decadence In The Heart Of Man é já o vosso segundo lançamento. Em que difere da estreia, What Lies Beneath de 2007?
HS
: Em praticamente tudo! [risos] Sem querer abordar os aspectos técnicos de produção, os quais não têm qualquer tipo de comparação possível, o nosso primeiro trabalho foi apenas um cartão de apresentação que nos serviu para abrir algumas portas com o objectivo de começarmos a tocar ao vivo. Para além disso, o nosso primeiro trabalho diz respeito a um pequeno estado de maturação de banda, estado esse que tinha sido consolidado muito recentemente com a entrada do José Martins alguns meses antes da gravação. Estes dois anos que decorreram entre estes dois trabalhos serviram para acumular alguma experiência de palco e nos conhecermos melhor enquanto músicos, ao mesmo tempo que se tentou criar um grau de entrosamento superior entre todos os membros. Com Decadence In The Heart Of Man tentamos apresentar um trabalho bem mais coeso, profissional e que reflectisse tudo aquilo que aprendemos e desenvolvemos nesses dois anos. Como tal, para além de apresentarmos algumas composições bastante mais complexas, optámos também por apostar na qualidade do produto final a todos os níveis, desde a produção até à própria imagem dos COLDFEAR. A qualidade nos dias de hoje é o atributo de referência de qualquer registo musical, daí termos apostado fortemente nessa componente.

Vocês foram seleccionados para a 3ª fase do Concurso de bandas Ilha do Ermal. Podem contar-nos essa experiência?
HS
: Enquanto banda, a nossa participação neste concurso foi bastante produtiva. O facto de ter sido também o primeiro concurso em que entrámos desde que começámos a actuar ao vivo marcou-nos de alguma forma, principalmente por ser uma oportunidade de partilhar o palco com grandes nomes nacionais e internacionais. Termos também tocado num local como Vieira do Minho e no recinto de um festival de renome como é o do Festival Ilha do Ermal, deu-nos um pequeno cheirinho da vida que levam as grandes bandas da cena metal. Para além de termos passado um excelente dia de Verão naquele recinto com os nossos amigos, não é todos os dias em que, antes de subir para um palco, se pode estar a apanhar sol, a dar uns toques na bola e a mergulhar no rio [risos].

Decadence In The Heart Of Man foi gravado, como muitos outros álbuns do cenário mais pesado nacional nos UltraSound Estudios com o Daniel Cardoso. Acreditam que, para a vossa sonoridade, foi a melhor opção?
HS
: A escolha dos UltraSound Studios para gravarmos este nosso trabalho foi a opção mais viável com que nos deparámos na altura por vários motivos, dos quais poderemos destacar a sua localização e a qualidade dos vários trabalhos dentro da cena nacional que de lá saíram nos últimos anos. Como pretendíamos lançar apenas um EP mas que este fosse sinónimo de alguma qualidade e, de certa forma, marcar alguma posição na cena nacional que remetesse para um álbum esperado, esta foi a opção que nos pareceu mais viável na altura. Foi uma grande experiência onde aprendemos imenso durante todo o processo contribuindo, mais uma vez, para o acumular de experiências enquanto banda.






Em termos musicais, salta a vista a preponderância das harmonias das guitarras e da técnica em detrimento de uma sonoridade mais brutal. Sempre foi esse o vosso objectivo ou as coisas acabaram por acontecer naturalmente?
HS
: Penso que será correcto afirmar que isto acaba por acontecer muito naturalmente. Quando se juntam várias pessoas com vários gostos musicais diferentes mas com alguns pontos de convergência e de gosto comum, tenta-se chegar a um consenso que resulte para todos. Nesse sentido, e uma vez que todos gostamos bastante da cena musical sueca onde este tipo de harmonias é bastante praticado, sentimos também a necessidade de melhor explorar esse campo. Apesar de, em termos de composição, os riffs surgirem muito naturalmente, é também atribuída uma especial atenção às harmonias, uma vez que consideramos essencial essa ligação na estrutura dos temas.

Em termos líricos, que temas os Coldfear abordam?
HS
: Poderá soar um pouco cliché mas a temática em torno do EP gira muito à volta daquilo que está mal nesta da sociedade, reflectindo também algumas das nossas vivências como seres sociais, retratando também algumas experiências a título pessoal que, de alguma forma, se enquadram na temática acima referida. Temas de alguma forma agressivos, com uma progressão iniciada num tipo de angústia ou frustração, causando explosões de raiva e a forma como essa é canalizada, reflectem a nossa forma de exteriorizar esses sentimentos neste EP.

Que tipo de actividades estão a ser desenvolvidas no sentido de promoverem o vosso EP?
HS
: Estamos a levar as coisas com calma. Actualmente a nossa primeira prioridade é tocar ao vivo o maior número de vezes possível e, de preferência, em zonas do país onde não tenhamos ainda tocado. Com a edição deste EP pretendemos expandir no nosso raio de actuação para o resto do território nacional e alguns esforços têm já sido feitos nesse sentido. Uma vez que estamos lidando passo-a-passo com todo este processo, sugeria que consultassem regularmente o nosso myspace em
www.myspace.com/coldfearband onde apresentamos as datas dos nossos concertos mais recentes, assim como todas as novidades relativamente às várias actividades que vamos tentar levar a cabo. Posso já adiantar que no início do próximo ano vamos ter aí à porta uma excelente iniciativa para toda a gente que queira assistir!

Obrigado e felicidades.
HS: Correndo o risco de me repetir, muito obrigado nós mais uma vez pela excelente oportunidade em expormos, de alguma forma, a nossa pequena aventura que são os COLDFEAR e tudo do melhor para o vosso projecto, enaltecendo sempre o melhor que se faz neste nosso underground à beira mar plantado!

Review: Dia a Dia (Kit Cat)

Dia a Dia (Kit Cat)
(2009, Edição de Autor)


Este é um momento histórico neste espaço: pela primeira vez comentamos o trabalho de um colectivo oriundo da nossa terra. Sim, já abordamos os Bulldozer que, não sendo de Moimenta da Beira, têm alguns elementos de cá, mas estes Kit Cat são nados e crescidos na nossa vila. E o que dizer deste Dia a Dia e dos Kit Cat? Em primeiro lugar referir que não é todos os dias que uma banda com pouco mais de três anos de existência grava uma demo com doze temas e quase… oitenta minutos de música! Só este facto já era suficiente para nos admirarmos com a capacidade criativa da banda. Mas ainda se torna mais relevante se atendermos que os quatro Kit Cat têm entre… 13 e 15 anos! Quanto a este álbum, puramente demonstrativo do trabalho da banda, inicia-se de forma excelente com o tema Sofrimento Perpétuo I, onde os coros épicos iniciais se transformam num portento do rock/metal progressivo que coloca, desde logo a bitola bem alta. Infelizmente para o jovem colectivo moimentense, esses níveis tão elevados só por mais três vezes são alcançados: em Hora II, Lágrimas e Dia a Dia. A primeira pelo sentimento carregado de negro desde as iniciais badaladas da torre da Igreja (e aqueles la-la-la são soberbos!); o segundo com um fantástico solo final de guitarra muito na linha do que Lanvall faz nos seus Edenbridge; e o tema-título pela fusão que consegue criar entre ambiências bluesy/fado/orientais. Pelo meio os Kit Cat vão desfilando um conjunto de temas bem arranjadinhos, cheios de interessantes melodias com uma assinalável influência pop, com solos bem estruturados e excelentemente executados, mas que pecam pela repetição da mesma fórmula: a alternância entre momentos lentos com a predominância da guitarra limpa com outros mais furiosos, plenos de energia e com a distorção a fazer a sua aparição. Quem também não ajuda muito é a componente lírica onde o uso e abuso de temas como os amores e desamores fica mais próximos de um Tony Carreira que propriamente de uma banda de rock. Por outro lado e não querendo ser cruel, importa referir que a componente vocal é a menos bem conseguida do colectivo. Aconselha-se muito trabalho neste sector, porque com a capacidade criativa, com o talento que já demonstram e com a margem de progressão que ainda têm, os Kit Cat são um nome a ter em conta no futuro do rock feito em português. Mas há aspectos que precisam ser revistos: a voz é, claramente, um deles. Assim como é a gramática (não podem surgir erros de português no folheto do CD, pois não?) e, eventualmente, um nome mais apelativo. Força, rapazes.

Tracklist:
1. Sofrimento Perpétuo I
2. Manhã
3. Amor Sem Sentido
4. Hora II
5. Uma História Escondida
6. Lágrimas
7. Nada a Perder
8. Dia a Dia
9. Rosas de Amor
10. Entre Dois Lados
11. Entre a Espada e a Parede
12. Sofrimento Perpétuo II

Line up: José Diogo Dias (guitarra e voz), Rafael Mendes (guitarra), Filipe Ferreira (baixo), João Pedro Santos (bateria)

Myspace:
www.myspace.com/bigkitcat
Edição: Edição de autor
Nota VN: 14,4 (22º)