domingo, 11 de abril de 2010

Entrevista com Gwydion

Com um nome já bem estabelecido no panorama do folk/viking metal europeu, os Gwydion, banda nacional com uma quinzena de anos de carreira, prova como a experiência acumulada se transforma em mais-valias. Com Horn Triskelion, editado novamente além fronteiras pela Trollzorn Recs, o colectivo mostra que o seu crescimento há muito extravasou os limites deste jardim à beira mar plantado. Para conhecer melhor de onde surge tanto sentimento celta, viking e afins, a banda respondeu a algumas questões postas por Via Nocturna.

De que forma é que 15 anos de carreira se reflectem em Horn Triskelion?
Acima de tudo reflectem-se numa maior objectividade e coesão tanto a nivel de ideias como a nivel de sonoridade. Tudo é tratado como maior profissionalismo e seriedade, mas sempre dentro de um bom espirito de amizade dentro do grupo.

Que diferenças vocês apontam entre este trabalho e o seu antecessor, Ynys Mon?
Essencialmente as principais diferenças vão desde a composição ao processo de gravação, à masterização até a todo o trabalho gráfico. A própria composição embora tenha sido feita num tempo mais curto do que em Ynys Mon, todas as músicas foram feitas de raíz , enquanto no álbum anterior foi uma espécie de colectânea de músicas , algumas já com 5 anos e bastante alteradas ao longo do tempo. O Horn Triskelion foi bem pensado desde o inicio, como onde gravar, com timings bem estipulados, e como fomos masterizar à Noruega nos TopRoom Studios e tínhamos de ter todas as captações concluídas nos Urban Insect Studios (The Pentagon) em Portugal até à data da nossa partida para a Noruega ...foi mesmo à rasca, como bons Tugas que somos! (risos) O Fernando Matias que nos gravou fez um trabalho fantástico com uma dedicação a este trabalho e ao pormenor , é um tipo impressionante. Quando o víamos a olhar para o monitor, tal como ele dizia estou ligado à Matrix.

Que expectativas têm para esta nova proposta?
Esperamos principalmente que os nossos fãs apreciem o nosso trabalho e que venham a usufruir de bons momentos tanto ao ouvir o Cd como a assistir aos nossos concertos. Por outro lado esperamos que o nome Gwydion seja cada vez mais divulgado pela Europa e pelo Mundo de modo que daqui a uns tempos possam falar de nós como uma banda de referência dentro do género musical.
Depois de Ynys Mon os Gwydion correram a Europa com os Tyr, Hollenthon, Alestorm e Svartsot na Ragnarok Aaskereia’s Tour. De que forma correu essa experiência e que ilações retiraram para o futuro?
Foi uma experiencia fantástica , acho que deve de ser o sonho de qualquer músico fazer isto , andar com 4 bandas que eu pessoalmente ouvia em casa enfiados todos dentro de um autocarro, bebedeiras e festa durante 20 dias a dar 18 concertos e conhecer cerca de 9 países, é impagável … Para além de tudo aquilo que ficamos a conhecer acerca de como fazer uma tour, ver as outras bandas a actuar e a forma como se moviam em palco, foi uma quantidade imensa de informação que nós tentamos absorver e aprender com eles. Quando chegámos a Portugal de facto começámos a pensar de outra forma e realmente tentámos pôr em prática tudo o que aprendemos com esta experiência. Só tenho mais uma coisa a acrescentar queremos mais! (risos)

Como surge nas vossas influências a temática Viking?
É importante referir que a nossa cultura teve várias influências culturais de outros povos. Apesar da influência dos celtas, dos romanos, dos bárbaros ou da cultura árabe, nós conseguimos preservar algo que nos é muito próprio. Gostamos das nossas próprias raízes e sabemos que temos uma cultura bastante rica e vasta. Parte da nossa cultura celta ou celtibérica e as suas lendas e o seu folclore como as histórias de gigantes e anões, deuses e heróis, relembram em muitos aspectos a cultura nórdica e a sua ligação profunda com a Natureza. Por essa razão, surgiu o nosso interesse pela temática viking e este segundo álbum é como com que uma homenagem a esse povo.

Para além da temática Viking, a cultura celta e o folk tem muito impacto na vossa sonoridade. Como conseguem enquadrar todas estas influências no metal?
É certo que damos importância a uma construção musical com carácter épico, grandioso e folk, e de certo modo, lembramo-nos das histórias dos bardos e da sua importância em passar um legado cultural e musical. Daí o nosso interesse em vasculhar algum do nosso património musical e tirarmos ideias com base nas nossas influências mais arcaicas. Um exemplo disso são os gaiteiros de Miranda. Mas muitas destas influências surgem de um modo quase instantâneo na construção das músicas e não pensamos nelas conscientemente. Existe, porém um cuidado ao definir uma letra para uma música. Se a música é mais folk queremos uma letra que retrate alegria, festa e bebedeira e se for uma música mais épica, a letra deverá ter conteúdo mitológico ou com um carácter mais bélico.

Em Horn Triskelion, verifica-se a existência de alguns convidados. Poderiam apresentá-los?
Para nós esta foi mais uma novidade, a introdução de elementos externos à banda. Tivemos o prazer de poder trabalhar com pessoas muito competentes e de grande talento como o caso de Isabel Cristina, vocalista da banda de Doom Insaniae e Célia Ramos vocalista das bandas Mons Lvnae e Red Rose Motel, que fizeram as vozes femininas nas músicas Ofíussa, The Terror of the Northern assim como na intro do CD. Tivemos também a como convidado o Gonçalo do Carmo dos Strella do Dia, que participa na música Triskelion Horde is Nigh acompanhando todo o arranjo com uma gaita de foles e na instrumental At the Sumbel onde as flautas e a gralha estão bastante presentes. Contámos também com a voz de Fernando Matias da banda F.E.V.E.R que além de ser um excelente músico e produtor, é também um versátil vocalista que por momentos encarou o verdadeiro espírito Viking para participar nos coros do álbum.

Que input tiveram os vossos convidados no resultado final do álbum?
Bem, o resultado final foi uma grande surpresa para nós, quer dizer, tínhamos as músicas feitas, tínhamos algumas ideias, especialmente para as vozes femininas, mas nunca pensámos que o resultado final fosse ficar como ficou, excedeu largamente as nossas expectativas. Foi um território novo para nós, mas que abriu de uma maneira enorme a nossa criatividade, reflectindo-se nas sessões de gravação, onde foram criados novos coros e introduzidas novas sonoridades, instrumentos e vozes. Tentámos explorar ao máximo este nosso novo recurso, com a clara ajuda de todos os convidados, que de uma forma genial e harmoniosa juntaram o seu próprio carácter musical, a sua experiência e paixão nas músicas onde participaram. Foi muito interessante dar ideias às pessoas e vê-las crescer, desenvolverem-se em sonoridades cada vez mais complexas e interessantes como que se tivessem vida própria. Basicamente durante essas gravações todos fizeram parte da banda e funcionámos como uma banda, em que todos deram um pouco de si e que cada um ficou claramente representado no álbum fazendo dele o que é.

Qual é o significado do título Horn Triskelion?
Horn Triskelion era um símbolo usado no tempo dos vikings formado por 3 cornos entrelaçados, e tem vários significados, embora o mais relevante é a origem do hidromel, ou Mead Of Poetry de acordo com a mitologia nórdica. É o símbolo que melhor representa este álbum porque está directamente relacionado com o espírito folk, com a temática viking e com as nossas drinking songs.

Ofiussa (A Terra das Serpentes) é o primeiro single extraído do álbum. Porquê a escolha deste tema?
Apesar de não ter sido de início o tema que pensámos escolher como single, o facto é
que a Ofíussa foi um tema que evoluiu muito desde a sua composição inicial. À estrutura base, que é essencialmente épica, foram acrescentados diversos elementos, como vozes femininas, guitarra acústica, e pela primeira vez excertos de letras em português, que no final tornaram este tema único. Demonstra bem os 15 anos de experiências acumuladas da banda e para além disso contém muitas novas ideias que pensamos agradar aos apreciadores de metal, tanto viking folk como outros estilos.

Parece que em Gwydion nada é deixado ao acaso. A componente visual prova isso mesmo. Acho-a impressionante! Consideram importante manter essa abordagem como forma complementar da música?
Sem dúvida que nos tempos que correm a imagem é cada vez mais importante, se queremos estar num nível elevado não podemos descurar essa componente, pois a primeira impressão que as pessoas podem ter para quem não conhece a banda tem que ser apelativa. Tentamos transmitir um pouco do que se vai ouvir no álbum através de imagens, daí se pode dizer ser um complemento a toda a estrutura de uma banda. Para além disso o visual é a base para todo o layout da banda, incluindo o merchandise que é a maior fonte de receita para uma banda e lá está se a imagem for má, nada ou pouco se vende.

Em termos de apresentações ao vivo, como está a ser preparada a vossa agenda?
Bom demos o nosso primeiro concerto com as novas músicas na Suiça e a reacção foi excelente daí as perspectivas serem óptimas! Quanto á agenda mais propriamente dita, temos um festival em Inglaterra e outro na Roménia já marcado para além da nossa presença num dos grandes festivais nacionais o Metal GDL. Para além disso vamos tentar fazer um concerto de lançamento, mas que não será junto à data de release e fazer os possíveis para marcar uma nova tour europeia de modo a podermos divulgar o novo trabalho. Temos algumas coisas na manga que esperemos que corram bem e se realizem, a ver vamos.

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