sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Entrevista com Godvlad

Para iniciar, gostaria que nos apresentassem os GodVlad e fizessem uma pequena resenha histórica da banda.
Hugo Ribeiro (HR):
Godvlad iniciou em 2006 por mim (Hugo Ribeiro) e Sérgio Carrinho. Começou-se com jam sessions e quando demos por ela já tínhamos músicas completas num curto espaço de tempo. Decidimos avançar com o projecto até que em 2008 fizemos audições para vozes femininas. A Vanessa Cabral foi instantaneamente a opção óbvia pela sua voz e imagem exótica. Para completar o line up convidámos Lino Vinagre e Ricardo Melo (ambos ex-Anger) para preencher os restantes lugares. Contamos também com o apoio de Paulo Martins nos synths. Neste momento estamos a gravar o nosso álbum de estreia.

O promo editado o ano passado contempla 4 temas todos eles muito diversificados entre si. É fácil para vocês conseguirem criar ambientes tão diferentes?
HR:
Sinceramente, sai tudo naturalmente. Nunca tentamos forçar nada. É o que nos sai da alma com o feeling do momento.

Em termos líricos, que tratam, de uma maneira geral, as temáticas nos Godvlad?
HR:
Escrevemos de tudo um pouco que faz parte da nossa realidade. Temos tendência para ir aos pontos negativos de cada tema porque, de facto, vivemos num mundo muito longe de ser perfeito. Por ex: sociedade, amor, tirania, entre outras matérias que existem no dia-a-dia.

Sei que já estão a trabalhar no vosso álbum de estreia. Qual é o ponto de situação, neste momento?
HR:
Exacto. Neste momento já temos a base rítmica gravada (bateria, baixo e power chords). Estamos agora a ultimar as linhas melódicas de vozes, teclas e guitarras lead.

Já há alguma data prevista de lançamento?
HR:
Ainda não. Estamos a apontar para que seja no princípio do verão.

Haverá hipóteses de uma distribuição além-fronteiras?
HR:
Acredito que sim. Estamos a trabalhar nesse sentido. Será um desafio conseguir uma boa distribuição lá fora.

E o que poderemos esperar dessa obra? Uma continuidade em relação ao promo?
HR:
Certo. Vai seguir na mesma linha mas com temas um pouco mais pesados. Num todo, acho que o álbum vai soar bastante homogéneo.

Dada a diversidade criativa que os Godvlad imprimem na sua sonoridade será expectável o aparecimento de alguns convidados?
HR:
Sim. Vamos ter convidados especiais conhecidos no meio. Acho que vai ajudar a criar um ambiente diferente e mais eclético no nosso som ao inserir talentos de fora.

Um dos pormenores que reparámos, ao consultar o vosso myspace, foi a forte componente visual. Há alguma intenção subjacente?
HR:
A nossa intenção com o visual é não ir muito para o estilo old school. Daí decidimos optar por um visual mais sóbrio e moderno com o objectivo de se identificar com o nosso som.

Playlist 28 de Janeiro de 2010


Melhores 2009: álbuns estrangeiros

Durante o ano de 2009 recebemos na nossa mesa de trabalho 32 álbuns (mais 4 de que em 2008) de bandas não nacionais que depois de devidamente analisados foram escalonados na tabela que se apresenta a seguir.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Entrevista com Forgotten Suns

Antes de mais parabéns pela excelente obra que é Innergy. Este é, no entanto, um trabalho muito diferente dos anteriores. Houve algum motivo especial para terem acentuado desta forma o peso?
Ricardo Falcão (RF):
Obrigado Pedro; o Via Nocturna tem sido um orgão de apoio incontestável à música dos Forgotten Suns e agrada-nos saber que não defraudámos as vossas expectativas. É sempre positivo sentir o reconhecimento depois do exaustivo trabalho e acima de tudo confirmar que as nossas expectativas em estúdio não eram exageradas. O álbum foi produzido pela equipa MediaForce que é a nossa junção de mais valias, o Mike (Miguel Valadares) assumiu a produção, gravação e misturas; eu (Ricardo Falcão) fiquei encarregue da produção, misturas e letras e o Sam (J.C Samora) ficou com a parte de misturas e produção de baterias. Várias vezes confidenciávamos entre nós que este seria um dos álbums mais importantes da nossa carreira, as misturas assim indicavam e creio que estávamos correctos. Houve de facto um realçar do peso da banda, algo que achámos essencial na evolução do nosso som, mas creio que a grande progressão deste disco em relação aos anteriores deve-se à qualidade de produção e execução técnica aliadas a um natural crescendo de maturidade musical. No que toca à parte de som em si, houve uma intenção de sobressair mais a guitarra de 7 cordas juntamente com um trabalho de baixo bastante sólido e uma fantástica performance de bateria, riffs como os que existem em Flashback, Dopplegänger ou Nanoworld, trazem mais peso à sonoridade geral do grupo.

Nio Nunes, para nós, acaba por ser a revelação da banda e um dos factores que contribui para a sua qualidade. As suas características também ajudaram a criar um álbum tão intenso?
RF:
Sem dúvida! A voz dele acima de tudo tem um timbre diferente da maioria dos cantores de bandas progressivas ou ligadas à cena heavy. Ele está à vontade quer nos momentos mais calmos como nos mais trash metal como temos no final de Racing the Hours. O background musical dele são bandas como os Faith No More, Alice in Chains ou Soundgarden, o que nos dá um cunho poderoso e diferente do que fomos nos anteriores álbums. Quando o Nio chegou à banda creio que nos sentimos todos musicalmente mais completos como banda e apesar de ele já ter sido recrutado quando o álbum estava praticamente todo produzido, acabou por fazer um excelente trabalho de pré-produção de vozes connosco e de muita intensidade nas performances. Digamos que nunca tinha visto ninguém gravar a um nível tão alto em 18 anos de música...!
Os temas são cheios de pormenores infindáveis de técnica e virtuosismo. De que forma é que decorreu o processo de gravação, tendo em conta todos esses ínfimos pormenores?
RF:
A pergunta é curiosa e pertinente. Creio que existiram 2 fases distintas: uma primeira que é composição de base, na qual certos riffs levam a desenvolver estruturas (normalmente temos sempre muitos riffs) e aí é uma questão de optarmos - se determinado riff tiver uma personalidade em que um tema pode girar à sua volta então temos uma faixa mais curta, como por exemplo Flashback ou Dopplegänger; se o riff insinuar que pode ter sub-riffs ou simplesmente dar passagem para outras sequências ou acordes então teremos temas como Outside In ou News. A 2ª fase tem a ver com os solos e a espontaneidade. Neste álbum todos os solos ou quase todos, foram gravados on the spot, de improviso. Tem a ver com uma certa energia diferente que temos quando se está a fazer algo livre ou algo condicionado. Por exemplo, na música Jazz e não só, é muito frequente em estúdio também se usar desta liberdade e elevar o bom gosto do músico ao seu expoente máximo. As notas ficam mais soltas e o carácter do músico mais genuíno. O melhor exemplo disso são os duelos de solos no final do álbum em Mind Over Matter.

Innergy sugere um sentido especifico. Podes revelar-nos o que está por trás em termos de conceito e lírico?
RF:
Sim, a palavra Innergy é a justaposição das palavras inner (interior) e energy (energia) querendo assim dizer que este álbum vem da nossa energia interior, da nossa alma. As músicas são o reflexo das nossas vidas, algumas passagens de letras têm a ver com momentos pessoais e auto-biográficos, digamos que é a forma de exorcizarmos os nossos fantasmas e trazer para a realidade, em forma de música, aquilo que não é visível a olho nú.Todas as faixas têm o seu quê de energia e interior, não formam entre si um álbum conceptual daí serem tão diferentes umas das outras, mas estão todas ligadas ao conceito geral do álbum.

Entretanto chegaram à ProgRock Records e com isso a vossa exposição deve ser muito maior. Acabam por sentir essa responsabilidade de conseguirem chegar a mais gente?
RF:
Como sempre tivémos uma atitude muito focada, responsável e de exigência para connosco próprios (nós somos os maiores críticos do nosso trabalho) creio que estar na ProgRock Records, que é actualmente uma das melhores editoras na difusão de música rock/metal progressiva a nível mundial, é algo absolutamente natural.



Na ProgRock já estava Hugo Flores e os seus projectos. É sintomática a tendência para os dois projectos se cruzarem: primeiro com os vocalistas e agora na editora. É mera coincidência ou tem havido mútua colaboração?
RF:
Conhecemo-nos à bastante tempo pela internet e creio que a primeira que estivémos juntos foi em finais de 2002 ou inicios de 2003 quando nós estávamos a compor Snooze. Acompanho o seu trajecto musical que apesar de ser um projecto com várias linhas de direcção, feito em formato home studio com colaborações exteriores, têm todos bastante qualidade pelo facto de o Hugo ser um óptimo multi-instrumentalista, compositor e produtor. Tem havido ao longo dos tempos algumas coincidências, quase bizarras até, no que toca a vocalistas que entraram nos álbums de Project Creation e que acabaram por sair de Forgotten Suns. O álbum Dawn on Pyther, por exemplo, tem as presenças de Linx - na altura do seu lançamento já fora da banda - Paulo Pacheco - já na banda mas sem nada ter gravado com FS – e mais curioso é Shawn Gordon, presidente da ProgRock Records (a nossa actual editora, mas que na altura não era) e que também foi músico convidado nesse álbum (teclas)! Apesar destas estranhas coincidências, creio que Hugo Flores é um dos mais pro-activos músicos nacionais e um amigo próximo da banda.

Sendo que já passou algum tempo desde a edição do álbum, quais têm sido as reacções de público e imprensa?
RF:
As reacções têm sido muito positivas, mas sabemos que nunca conseguiremos agradar a todos. Quando se tem mais do que um álbum lançado no mercado é natural haver comparações e questões se “este tem mais isto ou o outro é melhor”. Penso que este é o álbum mais bem cotado a todos os níveis e o mais equilibrado até à data.Houve uma primeira fase de promoção com o lançamento e em breve arrancará a 2ª fase, na qual esperamos também uma reacção forte e de destaque.

E no que diz respeito à sua promoção em estrada, como está esse segmento a ser trabalhado pelos Forgotten Suns?
RF:
A nossa primeira opção foi aguardar um pouco pelo feedback de Innergy e planearmos com coerência o nosso caminho futuro. A banda teve uma participação no ProgTugal Fest com Circus Maximus e DGM, e nessa noite deu para sentir a força do álbum e a força da banda ao vivo. Durante o resto de 2009 aproveitámos o tempo para refazer o nosso conceito de estúdio, temos agora óptimas condições para compor, ensaiar ou produzir. Assinámos há poucos dias com uma agência internacional que nos vai tratar do management e da promoção da banda nos próximos anos, algo que será revelado em breve com mais detalhes no site oficial da banda e nos sites de comunicação adjacentes: blog, twitter, facebook e myspace.


Quanto ao futuro, já há ideias para um sucessor de Innergy ou, pelo menos já há alguma linha de rumo definida?
RF:
Sim, já estamos a trabalhar no próximo álbum desde 22 de Abril 2009 (o dia mundial da Terra). Temos muitas partes e muitos riffs soltos, letras a serem escritas, enfim o normal de uma banda progressiva que faz aquilo que mais gosta. Este álbum já tem nome definido e será conceptual, nada mais posso adiantar. Quem estiver interessado na evolução do mesmo só tem de aceder ao blog com as actualizações da composição em
www.forgottensuns.blogspot.com
Queria agradecer ao Pedro Carvalho e aos seguidores do Via Nocturna pelo apoio sincero e pelas mensagens encorajadoras que recebemos da vossa parte!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Review: Promo CD (GodVlad)

Promo CD (Godvlad)
(2009, Edição de autor)


Originários de Aveiro, os GodVlad encontram-se em fase de pré-produção do seu primeiro trabalho. No entanto, e como forma de promover o seu nome, a banda editou, em 2009, um promo-CD de 4 temas. E se normalmente consideramos que um reduzido número de temas é redutor das demonstrações das capacidades das bandas, neste caso até achamos o contrário. E isto porque, este promo-CD elucida bem do caminho que a banda quer seguir. E se a primeiras impressão de estarmos perante mais um colectivo da já saturada cena a bela e o monstro que os primeiros momentos de Fate fazem supor, o que é certo é que com o desenrolar do trabalho, somos surpreendidos por muitos pormenores quer ao nível técnico, quer ao nível de composição, quer ao nível da agressividade, que levam a que não seja muito fácil catalogar estes GodVlad. Ultrapassada, então, essa falsa suposição inicial, Hungry Wolves, o segundo tema, revela-se brilhante a todos os níveis: um endiabrado ritmo cruzado com vocalizações extraordinariamente competentes e apimentado com apontamentos progressivos, fazem desta faixa uma das nossas preferidas. Mind Game, por sua vez envereda por um outro tipo de caminho. Muito mais pesado e, simultaneamente, mais balanceado torna-se o contraponto perfeito no trabalho. A fechar, Beyond The Fire, o mais longo tema remete-nos para ambiências orientais, sendo que por vezes o nome de Orphaned Land nos surge no horizonte. Se a estreia que aí vem for na mesma linha destes quatro temas, então está garantidamente assumido que será um dos melhores trabalhos de 2010. Por enquanto, resta-nos aguardar.

Tracklist:
1. Fate
2. Hungry Wolves
3. Mind Game
4. Beyond The Fire

Line up: Vanessa Cabral (vocais), Sérgio Carrinho (vocais, guitarra), Hugo Ribeiro (bateria), Lino Vinagre (guitarra),
Myspace:
www.myspace.com/godvlad
Website:
http://www.godvlad.com/
Edição: Edição de autor

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Entrevista com Cryptor Morbious Family

Antes de mais, importa salientar o vosso nome que é, no mínimo, estranho. Qual o seu significado, exactamente?
O nosso nome não tem significado próprio! As nossas músicas e letras é que lhe dão um significado sempre actual e enquadrado no que estamos a fazer, no entanto a palavra Family vem da regra nº 1 que defendemos nesta banda que é: antes de sermos uma banda temos de ser uma família no dia-a-dia ou então não funcionará.

Em pouco mais de 4 anos este é o já o vosso 4º lançamento. De onde vem tanta inspiração? Do talento, do trabalho ou da sorte?
Da sorte não será certamente, porque até hoje tudo o que obtivemos saiu-nos do sacrifício e não da sorte. Mas há que salientar que este é apenas o nosso 2º álbum! O Painful Rebirth e Straight To The Doom, são singles promocionais do 1º e 2º álbuns respectivamente, que contêm b-sides não usados nos álbuns!

Entretanto, independentemente da vossa actividade, ainda continuam a fazer tudo sozinhos, certo? Algum motivo especial?
Certo, e o motivo especial é: simplesmente ninguém sabe melhor o que nós queremos para a nossa própria banda, como é que queremos que um álbum nosso soe e quando e como seja lançado! Até hoje nós compomos as músicas, gravamos e também misturamos algumas. A partir daí entregamos o resto do trabalho a um técnico profissional para o masterizar. No 1º álbum foi o Cajó (técnico de Xutos & Pontapés) e neste último o André Tavares, que já tinha misturado o All Of Us… também. Os produtores ajudam muito as bandas, mas pecam porque com a rotina tendem em tentar por todas a soar igual, e nós só estamos interessados a soar a Cryptor!

Que diferenças conseguem apontar entre este Hypnotic Way To Hurt e o seu antecessor?
O Hypnotic Way To Hurt, é mais técnico, rápido, pesado, maduro, obscuro e diversificado do que o All Of Us Got A Killer Inside, mas ainda assim segue a sonoridade do 1º álbum nalgumas músicas, o que foi predefinido visto ser também um seguimento do mesmo!

De que forma é que o industrial surge associado ao vosso death metal técnico? Acaba por ser uma mistura não muito óbvia.
Surge porque é o resultado da fusão das nossas influências! Não somos uma banda típica metal, que só toca metal e só vê metal à frente! Nós gostamos muito de metal mas também gostamos muito de bandas industriais, rock, punk ou até electro-pop e dai surgir essa mistura. Nós não ligamos a rótulos e nunca pensámos que queremos fazer uma música a soar x ou y, vai sempre acontecendo. Para nós o que conta é o feeling que a música tem e transmite!
Em termos de estúdio verifica-se uma certa polivalência de todos os elementos. De que forma isso ajuda à diversidade sonora dos CMF e de que forma é que vocês conseguem transpor isso para palco?
Nós estamos sempre a puxar uns pelos outros. Antes de sermos uma boa banda, temos de ser bons músicos individualmente, isso ajuda-nos a ser diversificados, mas temos muito mais para aprender, só ainda temos cinco anos de carreira, há muito para melhorar e fazer! Relativamente em palco, há sempre aqueles sons ambientes e guitarras e vozes adicionais que se perdem, mas quem já nos viu, achamos que percebem que cobrimos essa ausência com a entrega e energia que damos às músicas ao vivo! Não queremos que seja igual ouvir-nos ao vivo e ouvir-nos em casa, senão para quê vir aos concertos?


Em termos líricos, quais os principais tópicos abordados pelos CMF?
Este é um álbum conceptual, que fala daquelas pessoas que deixam de acreditar nelas próprias e que nós chamamos Weak Minds! Aquelas que desistem de sonhos de toda uma vida porque deixam-se ser manipulados! A religião é o exemplo mais forte disso, se formos a ver, eles destroem e exturquem muito mais famílias do que as que ajudam! O povo não precisa de pagar para acreditar! Prometem ajudar mas só deixam as pessoas mais debilitadas e dependentes, e a partir dai é só empurrar as tretas que quiserem, porque já tem essas vidas nas mãos deles! Este álbum não é contra ter fé, porque isso é saudável e normal, todos temos fé em algo! O que este álbum defende é que pensem por vocês mesmos, a vida é só uma, há que lutar pelos sonhos, e não entregar-se a um emprego que odeiam e a um estilo de vida que não vos diz nada!

Sendo que o álbum já foi editado em Junho, que feed back tem tido por parte da imprensa e dos fãs?
O feedback tem sido brutal! Acabam os concertos e a malta vem dar-nos os parabéns e comprar o cd. Dizem que somos uma banda muito diferente das que estão habituados a ver no panorama underground português, e isso tem-nos dado uma força incrível! Além disso os concertos têm aparecido, o que prova que estamos a crescer e as pessoas querem ver-nos mais. Nós não temos fans, temos uma family que nos apoia; são pessoas que não conhecemos de lado nenhum mas que tem vindo a tornar-se quase amigos e felizmente tem crescido muito. A eles o nosso muito obrigado! Humildade & amizade.

Em termos de concertos que têm os CMF preparado para os próximos tempos?
Para já alguns concertos agendados, dos quais o 1º é já neste mês no W.O.A Metal Battle! Fomos uma das vinte bandas seleccionadas para participar neste concurso e estamos muito contentes! Mas queremos tocar durante todo o ano e muito, porque o Hypnotic Way To Hurt, está a ser muito bem recebido e criticado e queremos dá-lo a conhecer a muito mais gente. Além disso vai ser lançado agora numa versão norte-americana pela Beneath the Fog Productions, por isso tem de ser bem promovido durante todo este ano. Aos interessados, vão vendo o nosso myspace porque quase todas as semanas há novidades.

Melhores de 2009 - edições nacionais

Em 2009 chegaram à mesa de trabalho de Via Nocturna para serem analisados 32 trabalhos de bandas nacionais entre álbuns, EP's, demos's e promo's. Em relação a 2008, trata-se de um acréscimo de 12 propostas o que só vem (com)provar a pujança e vitalidade da actual cena nacional, a viver, indiscutivelmente, um dos seus momentos mais gloriosos. Galardoado como o Melhor do Ano, Forja é o segundo trabalho dos Hyubris e sucede aos lisboetas Divine Lust com The Bitterest Flavours, escolhidos no ano passado. A finalizar, e antes de apresentar a lista definitiva de 2009, resta-nos agradecer a todas as bandas e editoras que nos disponibilizaram o seu material, esperando que o nosso contributo tenha, de alguma forma, ajudado a promover os nossos artistas.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Review: Innergy (Forgotten Suns)

Innergy (Forgotten Suns)
(2009, ProgRock Records)


Quando, há algum tempo atrás, Ricardo Falcão, guitarrista dos Forgotten Suns nos confidenciava que o novo trabalho seria mais pesado estávamos longe de imaginar o trilho que a banda pisaria em Innergy. De facto, a banda abandona, definitivamente, a escola progressiva dos Yes/Marillion e assume, de uma vez por todas, a sua costela metálica abordando, neste álbum, claramente a escola Dream Theater. Este Innergy é metal progressivo em todo o seu esplendor e magnificência! O trabalho de cada um dos instrumentos é soberbo: a bateria é dinâmica, versátil e cirúrgica; o baixo é poderoso; a guitarra debita ritmos e harmonias deliciosas e executa solos de elevada craveira técnica; os teclados são usados de forma muito inteligente e participam em enormes duelos de solos com a guitarra. Mas acima de tudo, a grande mais-valia dos Forgotten Suns, actualmente, é o seu novo vocalista Nio Nunes. Não querendo de maneira nenhuma beliscar o excelente trabalho efectuado pelos frontmen anteriores, o que é certo é que Nio consegue ajudar a transpor toda a capacidade que a banda já vinha demonstrando a um patamar único! Pode afirmar-se que ele trouxe a alma que o colectivo necessitava, demonstrando-se perfeitamente à vontade nos graves e nos agudos, nos momentos mais agressivos ou nos mais suaves. Claro que uma boa voz sem grandes malhas também não resultaria. Mas grandes malhas são o que não falta a Innergy. Racing The Hours, News, Outside In, ou An Outer Body Experience são alguns exemplos do que este álbum nos pode proporcionar: riqueza rítmica e melódica, diversificação estrutural, complexidade, solos espantosos e, acima de tudo, muita maturidade. Maturidade de uma banda que, dentro do seu campo progressivo, consegue, simultaneamente, injectar letais doses de thrash metal em complexas estruturas jazz! Ou consegue criar uma faixa como Doppleganger, curta, estranha, pesadona, cheia de groove e com um ligeiro travo a industrial. Para os fãs do prog, este é, definitivamente, um álbum indispensável!


Tracklist:
1. Flashback
2. Racing The Hours
3. News
4. Doppleganger
5. An Outer Body Experience
6. Outside In
7. Nanoworld
8. Mind Over Matter

Line up: Ricardo Falcão (guitarra), Miguel Valadares (teclados), J. C. Samora (bateria), Nuno Correia (baixo), Nio Nunes (vocais)
Myspace:
www.myspace.com/fsuns
Website:
http://www.forgotten-suns.com/
Edição: ProgRock Records (
http://www.progrockrecords.com/)
Nota VN: 18,9 (2º)

Entrevista com Factory Of Dreams

Até que ponto, A Strange Utopia, é utópico ou caracteriza a utopia do seu criador?
Hugo Flores (HF)
: Diria que caracteriza mais a minha utopia, ou pelo menos Mundos Utópicos, e o mais estranho é que por vezes não são apenas Utopias positivas mas por vezes algo de bizarro que despertam em mim uma enorme curiosidade. Como exemplo disso, a capa do álbum mostra um jardim gigante com as 4 estações e no meio talvez uma 5ª estação, interpretada pela Jessica, que agrega tudo, como se fosse um ser que une todas as facetas e emoções inerentes a esta Utopia. São Mundos impossíveis, pelo menos no que toca ao conhecimento humano, e como é território desconhecido agrada-me. Sonic Sensations e Slow Motion World, são faixas que representam até certo ponto a minha utopia, pois falam de um Mundo feito de música e sons e um mundo onde podemos ver tudo em câmara lenta, apreciando tudo com detalhe. Não me parece no entanto que seja um álbum Utópico; talvez seja utópico na sua complexidade e diferentes géneros musicais que aborda e que tenta juntar. Mas pensando bem, come esse intuito existe outro mais Utópico que é o Dawn On Pyther, do meu Project Creation. Esse álbum incorpora até elementos folk que não existem, pelo menos em grande número, em Factory Of Dreams. São projectos distintos.

Que pontos de contacto e/ou afastamento consegues encontrar entre A Strange Utopia e Poles?
HF:
Existem muitas diferenças entre os dois álbuns, apesar de se perceber que este álbum é uma continuação do primeiro e é, efectivamente, o som de Factory. A principal diferença reside no facto de Poles ser naturalmente simples. Simples na minha perspectiva, pois quem o ouve acha-o complexo, pelo menos para quem não está dentro do mundo do progressivo. A Strange Utopia é, a meu ver, mais complexo, mais longo e diversificado, conta com músicos convidados… Para além deste sentido mais épico, em detrimento de um Poles mais intimista e atmosférico, este novo álbum também se assume como mais sinfónico, mas metal-driven e mais arrojado que Poles. A Strange Utopia deu-me muito gozo a criar, exactamente por pegar em Poles, e dar-lhe um toque a Project Creation. Os fãs de Factory têm uma mente aberta a novas experiências musicais, e certamente vão gostar do novo álbum!

Em termos de composição, como decorreu o processo desta vez?
HF:
Foi mais exigente nas partes vocais e na secção rítmica, tanto na ligação entre o baixo e a bateria, bem como na interacção com as guitarras ritmo. Enquanto que Poles flui atmosfericamente com pads muito fortes, este A Strange Utopia aposta mais na batida forte acentuada pelo baixo e guitarra. Exemplo disso é a Inner Station, uma das minhas faixas favoritas, que para o final tem secções que não me canso de ouvir. De resto o processo não variou muito, fui criando as músicas, adicionando os instrumentos e mais partes conforme necessário, e quando já tinha as faixas bastante coesas, foi começar a enviar tudo para a Jessica e as outras vocalistas convidadas. As letras surgiram no seguimento das músicas, em poucos casos foram as letras a ditar a estrutura da música. Todas giraram à volta destes estranhos Mundos. Algumas faixas foram feitas à medida da voz da Jessica, como a Sonic Sensations, mas a maioria foi independentemente do estilo vocal, tendo a Jessica que se adaptar o melhor possível à composição instrumental o que fez de forma brilhante.

E em termos temáticos, volta a ser um álbum conceptual. Podes descrever-nos o conceito subjacente a A Strange Utopia?
HF:
Não será tão conceptual como Poles ou como o meu Project Creation, mas como em quase tudo o que faço, existe de facto um tema fulcral e que serve de base a tudo, que foi exactamente delinear um Universo estranho, deliberadamente misterioso, com mundos bizarros para o Bem ou para o Mal, não esquecendo o lado mais terra-a-terra, como em Sonic Sensations e Slow Motion World, onde se celebra a música, as sensações sónicas, o apreciar da vida com maior lentidão, mais sabor. O álbum mostra igualmente um lado mais obscuro, como a faixa Dark Utopia, em que tudo se desmorona. É um mundo de tal forma escuro, utopicamente escuro, que o mal acaba por se tornar normal e acabamos por o aceitar.
No capítulo instrumental, parece-me que acentuaste a componente sinfónica. Era esse o teu objectivo à partida?
HF:
Sem dúvida. E acentuei mais a componente metal também, em contrapartida aos synths atmosféricos, que existem certamente, mas em menos quantidade que o nosso primeiro álbum. Tens elementos à la Poles, como na Slow Motion World, Road Around Saturn e Sonic Sensations. É de facto mais sinfónico, mais prog, tem violinos, tem orquestra e depois tem performances muito bem esgalhadas do Shawn, do Tadashi e do David Radagsle, que gravou um violino exemplar e que contribui em muito para o sucesso do álbum a meu ver.

Apesar de o press-release não indicar nenhum baterista, existe esse elemento dentro nos F.o.D. ou também és tu o responsável?
HF:
Sim! Sou eu o responsável. A bateria foi cuidadosamente tocada e programada, com recurso a performances pré-gravadas, daí não ser fácil distinguir se se trata de bateria tocada integralmente por um baterista ou em parte samplada. Acaba por ser o que o Devin Townsend tem usado em alguns álbuns, nomeadamente no seu Ziltoid.

E em termos de violino, quem colabora contigo?
HF: É o David Ragdsdale. Temos dois tipos de violinos: temos o solo violin, usado para os grandes solos que aparecem na Inner Station e na Slow Motion World, e esse violino foi gravado e escrito pelo David Ragdsdale da banda Kansas. É daquelas performances que fazem toda a diferença. Quero dizer, eu ouço a Slow Motion World pela melodia, e ouço ainda mais pelo facto de lá estar a performance do Rags. Depois temos os violinos de orquestra, esses estão a meu cargo e contribuem para o sentido mais épico/grandioso de alguns dos temas.

Provavelmente ainda é cedo, mas já tens algum feed-back a este novo lançamento?
HF:
Em termos de vendas não tenho ainda qualquer informação. Mas os fãs de F.o. D gostam, os novos fãs também, por isso não haverá razão para não se vender. Em termos de crítica, esta divide-se: há os que adoram o álbum e os que o acham estranho ao início, pois esperam algo de imediato, algo de mainstream. Eu não vou nessas e faço o que me dá na real gana. Mas a verdade é que à medida que vão ouvindo percebem que é algo de novo e arrojado e isso para mim é a melhor critica que se pode fazer.



Para este A Strange Utopia qual foi o teu input ao nível criativo?
JL:
Tal como em Poles, tentei fazer os arranjos vocais que captassem a atmosfera de cada tema, mas desta vez tive mais oportunidades para o fazer.

De qualquer das formas, o teu entrosamento com o Hugo deve ser melhor. Como decorreu a interacção com ele na preparação deste disco?
JL:
Nós contactamo-nos quase diariamente e não somos só parceiros musicais, somos também bons amigos. Portanto a interacção foi muito boa. À medida que se vai conhecendo a outra pessoa, aprende-se a trabalhar da melhor forma com ela.

Entretanto, para além de Factory Of Dreams, também participaste, no ano passado, no projecto de Beto Vazquez Infinity. É fácil para ti gerir uma carreira que se desenvolve em locais físicos tão distantes como Suécia, Portugal e Argentina?
JL: É fácil quando se gosta de música. Se eu não gostasse tanto disto, provavelmente seria difícil a partir do momento em que tenho que me focar em todos estes projectos e também nos estudos e noutras coisas, naturalmente e, de alguma forma, acabo por não me aperceber de todo o tempo que estes projectos me ocupam quanto estou tão envolvida neles.

Com tanto trabalho, como está o teu projecto particular?
JL:
Ultimamente, tenho tido menos tempo disponível para gravar as minhas próprias coisas. No entanto, tenho material para mais duas demos de Once There Was e uma delas está em progresso. Ainda é necessário gravar algumas vozes, fazer a mistura e masterização e depois sera lançado. Portanto, o projecto está e continuará vivo!

Review: II (Hanging By A Name)

II (Hanging By A Name)
(2010, Cogwheel Records)

II, dos conimbricenses Hanging By A Name (HBAN) é o primeiro álbum de 2010 a chegar à nossa mesa de trabalho e desde já se pode adiantar que a abertura do ano se faz com a fasquia bem elevada. Editado pela Cogwheel Records, a editora erguida pelo trio, II apresenta-nos uma banda mais madura e segura de si que na sua estreia homónima em 2007. Navegando numa onda progressiva/alternativa o trio não tem pejo em abordar, momentaneamente, vertentes mais pop-rock, essencialmente da escola britânica (Muse aparece muito por aqui e, surpreendentemente, também The Police). No entanto, as principais referências acabam por ser nacionais: os One Hundred Steps e os Riding Panico. Todavia, o colectivo coimbrão pega nessas duas influências e injectam-lhe uma dose de cunho pessoal: primeiro vocalizam os temas (o que não acontece nos segundos) e depois retiram grande parte das descargas mais agressivas dos primeiros. Como resultado temos um conjunto de dez temas bem construídos, numa forma envolvente, densa, melódica e muito sentida, onde o baixo assume um papel preponderante em toda a estrutura sonora, sempre bem coadjuvado por guitarras muito presentes e por vocalizações bem conseguidas e perfeitamente adaptadas à sonoridade geral. Tudo isto num álbum homogéneo e perfeitamente congregador de diferentes sensibilidades do pós-rock.

Tracklist:
1. Grammatical Fiction
2. The Shape
3. Ask
4. Manichaen Paranoia
5. Thou Shall Denie Me Thrice
6. Quo Usque Tandem
7. The Sleeper
8. What What
9. About The Insurrection Of The Broke
10. At Last

Line up: Duarte Feliciano, João Santiago, Adilio Sousa
Myspace:
www.myspace.com/hangingbyaname
Website:
http://www.hangingbyaname.com/
Edição: Cogwheel Records

Playlist 14 de Janeiro de 2010


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Review: Hypnotic Way To Hurt (Cryptor Morbious Family)

Hypnotic Way To Hurt (Cryptor Morbius Family)
(2009, Edição de Autor)

Formados em Grândola em 2005, os Cryptor Morbious Family (CMF) são um caso invulgar no panorama nacional a atender pela invulgar capacidade de lançamentos discográficos. Em pouco mais de quatro anos já lá vão 4 edições, sendo dois álbuns e dois EP’s. Hypnotic Way To Hurt é o segundo longa-duração a apresenta-nos um colectivo com uma sonoridade potente, muito baseada na escola mais técnica do death metal mas com um pé na vertente mais industrial. A abertura da cortina dá-se com uma intro suave que nada deixa antever todo o potencial que se desenvolverá em seguida, mormente em temas como Straight To The Doom ou Occult, excelentes malhas com interessantes harmonias rítmicas e, acima de tudo, inteligentes nuances ao nível da secção rítmica. Em Apocalyptic Mind o groove faz a sua aparição naquele que é um dos melhores temas do álbum, na nossa opinião, isto ainda antes da costela industrial se fazer notar com mais acutilância na parte final do álbum. Ainda assim, Collective Syndrome recupera aquele sentimentos mais death metal do inicio do trabalho, assumindo-se como outro tema muito válido. Para o fim está guardado o mais precioso segredo deste álbum: a fantástica Hypnotic Way To Hurt, um instrumental onde os CMF demonstram todo o seu potencial como músicos e como criadores de música. Diversificado qb, esta nova proposta dos alentejanos peca, no entanto, por alguma falta de consistência. Isto porque os temas mais industriais ficam longe da qualidade dos mais death metal. Eventualmente, a banda deveria apostar mais neste segmento.


Tracklist:
1. Lost In The Shadow (The Curtain Is Open)
2. Straight To The Doom
3. Occult
4. Apocalyptic Mind
5. Renouncing The Mythic Book
6. Universal Illusion Of God’s Kingdom
7. Collective Syndrome
8. Death Treath
9. Hypnotic Way To Hurt (The Curtain Is Closed)

Line up: Carlos Sobral (bateria/vocais), César Palma (guitarra), Tiago Tokinha (vozes), João Pika (baixo)
Myspace:
www.myspace.com/cryptormorbiousfamily
Edição: Edição de autor
Nota VN: 14,0 (27º)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Entrevista com Maninfeast

Em primeiro lugar gostava que apresentassem os Maninfeast e fizessem um pequeno balanço da vossa carreira até agora.
Os ManInFeast nasceram em Lamego, por meados de 2008, um pouco como um desejo de evolução de outros projectos iniciados pelos actuais integrantes e rapidamente adquiriu contornos de maior seriedade. Desde cedo nos demos conta que apesar de oriundos de universos musicais distintos essa seria a nossa principal força criativa e que o caminho a seguir indubitavelmente passaria pela fusão das influências pessoais de cada um naquilo que iríamos compor. Foi com estes parâmetros inconscientemente estabelecidos que partimos de imediato para a concepção de um primeiro registo sem o tormento do comum dilema da procura de uma identidade específica. Sabemos os riscos que tal tentativa de descomprometimento acarreta, contudo, apesar de sermos um colectivo recente, as primeiras reacções obtidas têm sido bastante positivas.

How One Becomes What One Is acaba de ser editado. Que objectivos se propõem atingir com este trabalho?
Este trabalho representa para nós o primeiro passo no estabelecimento de um contacto inicial entre o público e tudo aquilo que tentamos que a nossa música contenha e exprima. É para nós de extrema importância pensar em cada tema como uma mensagem, implícita e não explícita, que deixamos em aberto para assim puder ser apropriada individualmente. Embora estejamos conscientes de que esta intenção possa ser em parte uma utopia, é sobre estes moldes que nos construímos não só como músicos mas essencialmente, e em primeiro lugar, também como pessoas, o que nos deixa apenas a solução de continuarmos fiéis a nós próprios.

Como decorreu o processo de gravação? Estão totalmente satisfeitos com o resultado final?
Aconteceu tudo de forma muito natural mas podemos dizer que alguns dos temas acabaram por amadurecer já em estúdio, tornando-se mais consistentes devido à necessidade de efectuar certas escolhas que o experimentalismo da sala de ensaios não teria nunca levantado. Neste campo em particular a escolha do Guilhermino Martins para nos acompanhar em todo este processo revelou-se extremamente frutífera, quer pela sua experiência como produtor como pela amplitude musical que faz questão de partilhar. Pese embora o facto de desejarmos continuar a crescer, o resultado obtido traduz aquilo que somos no presente momento e, como tal, não poderíamos estar mais satisfeitos.

Em termos líricos, o álbum apresenta uma forte conotação filosófica. Podem esclarecer essa situação?
Em vez de conotação filosófica preferimos chamar-lhe de literária. Filosofia faz qualquer ser com auto-consciência. Desde logo a nossa vontade foi a de criar um álbum que valesse não só pelas músicas individualmente mas pelo seu todo, o que, de certa maneira, tornou indispensável almejarmos uma ligação a nível musical e lírico-conceptual: o álbum recria o cenário da jornada espiritual de um homem sedento de auto-conhecimento, desde o processo de iniciação ao caminho propriamente dito. Desta forma, o trabalho encontra-se estruturado em 3 momentos cruciais: introspecção, revelação e assimilação, cada um destes estágios sustentados por influências literárias. Quisemos dar um toque pessoal ao tratarmos estas influências através de interpretações muito próprias, nomeadamente, tentando interligar a teoria do eterno retorno com o amor fati de Nietzsche, e estes ao processo de iniciação referido no livro A Voz do Silêncio de Helena Blavatsky, bem como, a pensamentos e citações encontradas no trabalho de Keynes que, quando descontextualizadas, compreendemos que formariam um modelo, de reformulação do pensamento, no qual facilmente se encaixavam estas peças. No entanto, todas estas influências são usadas como um instrumento e não um fim último, sendo que, gostamos de olhar para elas como peças de um puzzle cujo ouvinte poderá montar como a sua intuição lhe indicar ou como um convite a ver um filme em que a história se desenrola conforme a sua própria percepção.


Em termos musicais notam-se muitos estados de espírito contraditórios. Seguramente que esse era o objectivo, mas de que forma é que os Maninfeast fazem a gestão desses pormenores na altura de compor?
Antes de mais, nós não os entendemos como contraditórios mas, na verdade, antes como complementares pois são expressões de uma só entidade que se vai metamorfoseando ao longo do seu percurso. Quanto à gestão destas nuances, elas assentam num método de trabalho de experimentação que decorre espontaneamente entre nós e que consiste, basicamente, em costurar retalhos até obter um produto final que satisfaça todas as partes. Muitas vezes, é também durante este processo que os temas vão ganhando personalidade própria o que nos leva a abdicar de certas ideias primárias. Trata-se, portanto, de um processo de aproximação, por assim dizer, no qual de uma forma bastante intuitiva vamos compondo sons, acrescentando texturas e trabalhando as camadas sucessivas que vestem cada tema. Metaforicamente falando, podemos dizer que é uma abordagem de dentro para fora: definimos uma estrutura, temos uma ideia abstracta do que queremos atingir e a partir daí começamos a tentar materializá-la.
Que acções estão a ser preparadas para a promoção do vosso trabalho?
Neste momento, apesar de já nos termos estreado num concerto de apresentação do nosso trabalho, estamos a preparar os temas que gravamos e a construir outros novos de forma a estender o nosso tempo de actuação ao vivo. Paralelamente, estamos também a estruturar a nossa agenda de concertos referentes aos primeiros meses de 2010 cujas datas serão brevemente anunciadas. Para além disso, temos vindo a desenvolver todo um trabalho de divulgação online que achamos essencial, principalmente através de plataformas como o Myspace, Facebook,
Last.fm ou Youtube, estabelecemos contacto com algumas rádios online, nacionais e internacionais, fazendo já parte das playlists de algumas delas e continuamos à espera de críticas que nos permitam obter algum feedback mais incisivo sobre o que temos por agora para mostrar. Gostaríamos de terminar esta entrevista agradecendo o interesse demonstrado pelo nosso trabalho e esperamos que não tenhamos sido demasiado extensos. Deixamos ainda uma nota de rodapé para todos: mantenham-se curiosos.

Playlist 07 de Janeiro de 2010