sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Review: Force Of Nature (N.O.W.)

Force Of Nature (N.O.W.)
(2010, Escape Music)


Coincidência ou não o que é certo é que os primeiros trabalhos de 2010 oriundos de bandas não nacionais que chegaram à nossa mesa de trabalho enquadram-se no segmento do hard rock melódico o que pode querer demonstrar que o género parece querer renascer. Depois de termos recentemente comentado neste espaço o novo álbum dos Hard, eis-nos chegados a estes N.O.W., projecto individual de Alec Mendonça que após um hiato de 14 anos afastado do mundo da música, encontrou a inspiração necessária para escrever 12 temas do puro e bom hard rock. Acompanhado de uma série de músicos brasileiros, a lista só ficou completa quando Philip Bardowell (ex vocalista de Peter Criss ou Beach Boys, por exemplo) decidiu que se disponibilizava para cantar aqueles temas. Quanto a Force Of Nature, este é um daqueles trabalhos que dá gozo ouvir. O hard rock aqui explorado é verdadeiro, genuíno e apesar de se mostrar actualizado, revela pormenores, ao nível dos solos de guitarra, por exemplo, que parecem extraídos dos compêndios dos monstros sagrados do género. As melodias são memoráveis e os temas desenvolvem-se de uma forma extremamente interessante. Em momentos os apontamentos de guitarra acústica ou as soberbas linhas de piano transportam este álbum para um patamar que se pode classificar de clássico. Porque, realmente, Force Of Nature assume-se como um portento hard rock, capaz de ombrear com os imortais álbuns de bandas como os Deep Purple ou os Whitesnake. E isto porque, acima de tudo, este álbum é feito de canções. Daquelas verdadeiras, que nos tocam, cheias de sentimento e emoção. As vozes de Alec Mendonça e Philip Bardwell a isso ajudam, e de que maneira. Com verdadeiros hinos como Once That Feeling Comes Again, Listen To Your Heart, Midnight Call ou a sensacional You, os N.O.W. inscrevem, com letras de ouro, Force Of Nature, como um dos grandes álbuns do novo milénio, dentro do seu segmento. Absolutamente indispensável!

Track List:
1- CAN'T MAKE IT (HOW CAN I)?
2- HAIL MARY
3- IDOL'S GRACE
4- LONELY SOUL
5- LONG HARD WAY
6- MIDNIGHT CALL
7- ONCE THAT FEELING COMES AGAIN
8- PEACE OF MIND
9- LISTEN TO YOUR HEART
10- I'M FREE (BUT NOT READY TO GO)
11- NO TIME 4 GOODBYES
12- YOU

Line up: Alec Mendonça (baixo e vocais), Philip Bardowell (vocais), Carlos Ivan (guitarra ritmo), Caio de Carvalho (guitarra solo), Jean Barros (teclados e programações), Erik Leal (bateria)
Edição: Escape Music (http://www.escape-music.com/)

Playlist 25 de Fevereiro de 2010


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Entrevista com Insanus

Os Insanus formaram-se em 2007. Podem contar-nos um pouco do vosso historial até à data?
SNAKE (SNK):
Penso que o nosso historial, num espaço que não chega ainda aos 3 anos, resume-se num trabalho de integração no panorama do metal nacional. Formamos a banda em 2007 e desde aí tentamos sempre estar no máximo de eventos possível, partilhando palco com boas bandas como é o caso de Wako que tocaram connosco no nosso primeiro concerto.
Já partilhamos palco com The Ransack e com os espanhóis Noctem, mas isto também se deve ao facto de fazermos boas amizades que a nível profissional se tornam em bons contactos para possíveis oportunidades. Digo isto, porque não tinhamos nenhum registo de estúdio até à data o que torna esta tarefa mais complicada. Este ano pode ser visto como o verdadeiro início de Insanus, porque agora temos algo para nos darmos a conhecer e os concertos aparecem com muita mais facilidade e em massa. É o primeiro passo (e dos mais importantes) da nossa carreira.

Wrath Of Creation é a vossa estreia. Estão satisfeitos com o resultado final?
SNK:
Para ser sincero, superou as expectativas. Talvez por ser o nosso primeiro contacto com este tipo de coisas. Não estávamos à espera de algo assim. Ficou muito bom mesmo! Falo a nível de produção. E explico já o porquê na próxima questão. A nível musical também ficamos muito satisfeitos. O nosso som é uma mistura de peso e melodia. Como já denotaram e comentaram, temos muito da escola sueca mas penso que também juntamos uma pitada do selo americano na onda de nomes como The Absence,The Black Dahlia Murder, entre outros... Para um primeiro trabalho, conseguimos um registo muito forte e esperamos que tenha a recepção desejada.

Os Insanus são a n-ésima banda a gravar nos Ultrasound Studios com o Daniel Cardoso. Para o vosso tipo de som acaba por ser a escolha mais acertada, certo?
SNK:
De facto, somos a n-ésima banda a gravar nos Ultrasound Studios, mas a razão é óbvia.
Penso que há uns tempos, o maior fosso entre os projectos nacionais e os internacionais era a qualidade das suas gravações. Não que a qualidade da gravação defina o talento de uma banda (entenda-se), mas isto é mais ou menos como as mulheres. Uma mulher bonita, é bonita de qualquer maneira, mas se tiver uma maquilhagem bem feita e se produzir mais, vai dar mais ênfase à sua beleza. [risos!] Ora, agora já temos meios para conseguir uma gravação capaz de competir com os trabalhos lá de fora. E felizmente, os Ultrasound Studios são capazes de proporcionar uma gravação com um selo de alta qualidade! Nomes como The Ransack, Wako, Heavenwood, Ava Inferi e Corpus Christii, são alguns exemplos disso e não é à toa que este espaço teve o prazer de trabalhar com Angelus Apatrida que são a mais recente aquisição da Century Media. Portanto, como vês, tudo indicava os Ultrasound Studios como a melhor escolha. Depois de analisarmos o trabalho destes senhores, percebemos que têm tanto de poder como de definição e o nosso som é basicamente isso! Por isso sim, foi a escolha mais acertada.

E quanto ao EP, que objectivos se propõem atingir com a sua edição?
SNK:
Nós encaramos o EP como um cartão para a divulgação da banda. Antes deste trabalho, dar a conhecer os Insanus era mais difícil. Apenas com concertos é que isso era possível, mas não tendo qualquer gravação era complicado conseguir furar e entrar em muitos eventos.
O Wrath Of Creation está a ser muito positivo nesse sentido. Temos conseguido espalhar muito bem a palavra e temos conseguido vários concertos que são oportunidades de extender o nosso território. Temos concertos marcados para Braga, Porto, Lisboa e Chaves. Temos também uma data ainda por definir, mas é certo que irá acontecer. Será em Vigo (Espanha). A par disto tudo, estamos sempre a tentar entrar em mais e muito eventos.

Nota-se que há um cuidado na criação de harmonias apelativas. Isso surge espontaneamente ou têm que trabalhar essa vertente?
SNK:
É espontâneo! Na suécia é que se faz muito disso e como nós somos influenciados, pronto [risos!]. Na verdade, acho que as harmonias são um complemento das secções melódicas e podemos até usar o termo bonita. Fica uma melodia mais bonita. Cria um ambiente mais forte. Dá-lhe mais garra, mais feeling... É algo que sai naturalmente. Não o fazemos só porque sim.

As críticas têm sido muito positivas. Estavam à espera de tanto sucesso logo na estreia?
SNK:
Sinceramente, não. Obviamente que gostamos do nosso trabalho. Qualquer banda que vai para lançar algo, ter de estar confiante no produto que criou e nós estamos muito confiantes com o nosso. Mas estamos numa fase difícil e um tanto assustadora. É a fase da aceitação ou da negação. Felizmente, as críticas têm sido muito positivas e temos sido recebidos de braços abertos! Tanto a imprensa como o público se mostraram impressionados e têm dado a maior força para continuar. Pedem mais! Esperamos corresponder às críticas e dar mais argumentos para continuarem a acreditar em nós. E é gratificante saber que no fim de tanto esforço o nosso trabalho é reconhecido.

Em termos líricos quais são as temáticas mais frequentes nos Insanus?
SNK:
As temáticas variam consoante a música e o conceito em que estou mais debruçado na altura em que vou escrever. Gosto de pegar num conceito e desenbrulha-lo ao longo das várias músicas. Assim mantenho uma ligação lírica e não faço uma salsichada de conceitos [risos!]. No caso do Wrath Of Creation, optei por falar da criação (nós). Tal como o nome indica, é a raiva da criação. Raiva face às dúvidas inerentes à nossa existência. Uma revolta mas também uma chamada à razão. Fala do propósito da nossa existência, de um suposto Deus (nenhum em particular mas todo em geral), fala da morte e da vida! Cada música é como que um capítulo e retrata diferentes fases e perspectivas sobre esta temática. Em conjunto com a música, ajudam a criar um ambiente. Mas em termos líricos eu deixo que as pessoas façam as suas próprias interpretações...

Que acções têm sido privilegiadas no sentido de promover o vosso trabalho?
SNK:
Estamos em várias redes sociais da internet... MySpace, YouTube, Twitter, LastFM...
Temos enviado o EP para que surjam as respectivas reviews ao trabalho e possíveis entrevistas!
Temos trabalhado em conjunto com a Avantegarde Management na divulgação do nosso trabalho e já conseguimos uma entrevista numa rádio online da Holanda (Headbangers FM) e estão a divulgar o nosso trabalho na Inglaterra. Os Insanus estiveram no DJ Beerman Show que faz parte da Bloodstock Podcast Team na TOP ROCK RADIO (UK)! Portanto, as músicas estão a rolar pela Holanda e pela Inglaterra. Também temos andado pelo myspace a mandar comentários. Somos muito chatos [risos!]. Mas parecendo que não, isto ajuda imenso. Já temos tido vários comentários novos de outros cantos do mundo. Temos feito de tudo para promover o nosso trabalho. Acho que não há nenhuma acção que seja privilegiada no sentido da promoção. São todas muitos importantes para espalhar o nome da banda.

Já tiveram oportunidade de apresentar o vosso trabalho ao vivo. Como foram as recções?
SNK:
As reacções têm sido muito positivas. O pessoal vem ter connosco no fim dos concertos para nos dar os parabéns e dar algumas palavras de força. Aliás, a própria imprensa que anda pelos concertos a fazer o seu trabalho, faz questão de nos dizer qualquer coisa. O que é bom! Estamos contentes e orgulhosos com o nosso trabalho e tudo o que temos conseguido até agora, mas sempre com os pés bem assentes no chão. Tudo a seu tempo! Por último, gostaria de agradecer à Via Nocturna pelo convite e apoio! Continuação de um excelente trabalho e continuem a acreditar no Metal Nacional.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Review: Time Is Wating For No One (Hard)

Time Is Waiting For No One (Hard)
(2010, Escape Music)

Indiscutivelmente, as coisas mais simples são, por vezes as melhores. E esta conversa inicial vem a propósito destes Hard. Nome simples, capa simples e um álbum soberbo. Os Hard formaram-se na Hungria em 2004 com alguns dos nomes mais sonantes, embora obviamente desconhecidos da maioria na Europa mais ocidental, da cena local no espectro hard rock. Editaram dois álbuns, aparentemente, muito bem aceites pelos media e fãs húngaros. Tanta qualidade já demonstrada fazia prever que o salto para a internacionalização estava para breve. Após algumas alterações de formação, Traveller foi a primeira e bem sucedida experiência internacional. Em 2009, a banda juntou-se com o vocalista sueco dos Baltimore, Bjorn Lodin e eis-nos chegados a este Time Is Waiting For No One, uma proposta dentro do hard rock melódico, que segue as boas regras estabelecidas nos anos 70 e 80. A temas forte e rápidos sucedem-se outros a meio tempo, com o recurso a guitarras acústicas, onde o blues e o country surgem a espaços. A aposta em Lodin mostrou-se acertada uma vez que imprime uma grande alma aos temas. As guitarras estão soltas e os solos espalhados ao longo dos temas entram num diálogo curioso com os vocais, uma característica que ajuda a criar uma dinâmica rítmica extremamente interessante. E suma, este mostra-se o álbum prefeito para os amantes do género mais pesado do rock, mas que têm dificuldade em aceitar alguns extremismos. Uma proposta assente em sons passados mas que se mostra perfeitamente actualizada e que se recomenda vivamente.

Track List:
1. Time Is Waiting For No One
2. Black Clouds
3. Lonesome Loneliness
4. Love Goes With Anything
5. Magical Pretence
6. Into The Fire
7. The Pace And The Flow
8. My Kind Of Woman
9. Nona
10. Shine On Me Now
11. Four-leaf Clover

Line up: Björn Lodin (vocais, guitarra), Balázs Hornyák (bateria), Gábor Mirkovics (baixo), Zsolt Csillik (guitarra), Zsolt Vamos (guitarra)
Myspace:
www.myspace.com/hardhungary
Edição: Escape Music (
http://www.escape-music.com/)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Review: Wrath Of Creation (Insanus)

Wrath Of Creation (Insanus)
(2010, Edição de autor)


Com a chancela de qualidade dos Ultrasound Studios e de Daniel Cardoso, Wrath Of Ceation é a primeira bomba de fragmentação deste ano e tem a assinatura dos Insanus, uma jovem banda bracarense que assim se estreia no capítulo das edições discográficas. Trata-se de um EP de cinco temas do melhor que o death metal melódico tem para oferecer. O trabalho começa com Rise Of The Fallen, uma faixa tradicional (chamemos-lhe assim) no capítulo das vocalizações e secção rítmica mas que consegue agarrar o ouvinte deste o primeiro instante fruto de um conjunto de interessantes harmonias e solos de guitarra. Essas harmonias são, alias, o mote para todo o trabalho, que assim assume contornos muito suecos, mas não ficando nada atrás do que colectivos de nomeada tem vindo a fazer. Em Bitter Life e Whispers a banda consegue criar verdadeiros hinos death metal, sendo que o tema que fecha o disco imprime alguma variabilidade com a sua entrada a meio-tempo e o seu final tranquilo em formato acústico. Wrath Of Creation acaba por soar a pouco (em termos de quantidade de minutos musicais, entenda-se) mas abre o apetite para o que virá a seguir. Porque de facto, Insanus é mais um nome a levar em linha de conta no sector mais pesado da cena nacional.


Track List:
1. Rise Of The Fallen
2. Genesis
3. Bitter Life
4. Astray
5. Whispers

Line up: Snake (vocais), Luís Pedro (guitarras), João (guitarras), Barros (baixo), Hugo (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/insanusmusic

Entrevista com Qiasmo

Em primeiro lugar, apresentem-nos os Qiasmo.
O projecto Qiasmo surgiu em Abril de 2007, com apenas 3 membros: vocalista, guitarrista e baterista. Não tínhamos uma forma estruturada e fomos explorando a nossa criatividade para conseguir alcançar uma sonoridade que fosse própria e que nos agradasse, visto as diferenças de gosto de cada membro e que queríamos de alguma forma incorporar em algo único. Ao fim de um ano encontrámos o baixista, que trouxe mais influências, distintas das nossas, e ao final de algum trabalho de composição encontrámos um estilo que, apesar de não se poder considerar algo novo, consideramos nosso.

Que balanço fazem destes primeiros três anos de existência?
Acima de tudo, anos de descoberta, em que nos focámos em procurar o que pretendíamos que viesse a ser a sonoridade de Qiasmo, daí não termos começado a gravar maquetas até agora. Resumindo, uma época de procura e aprendizagem.

Participaram no RRW. Como decorreu a experiência e que ilações retiraram para o futuro?
Termos inscrito no RRW acabou por ser um pouco precipitado. Surgiu das primeiras tentativas de divulgação da banda, mas acabámos por, apesar de inscritos, não participar ou dar o devido valor ao mesmo.

Demo 2010, o vosso primeiro trabalho, foi totalmente gravada e produzida por vocês. Sempre foi esse o objectivo ou foi fruto de algumas contingências?
Tal como o nome indica, a demo foi apenas uma muito breve apresentação do nosso trabalho, não só para termos algo para mostrar, como para ver como seria a aceitação
e reacções que surgiriam do público. O facto de ser totalmente gravada por nós, deve-se precisamente a isto.

Sendo um trabalho inicial e apenas com três temas, suponho que o objectivo era dar a conhecer a banda ao maior número de pessoas. Ainda sendo cedo para tirar conclusões, como está a ser a aceitação?
Sim, foi um meio adoptado para estudar e perceber quais as primeiras reacções do público, tal como referimos anteriormente. Até agora, o nível de aceitação e as criticas têm sido bastante agradáveis, superando as nossas expectativas, tendo em conta o objectivo da demo. A verdade é que nos serviu não só para criar interessados no nosso som, como nos abriu novas portas, em termos de contactos. Aproveitando esta curiosidade que já fomos criando no público, preparamo-nos para lançar um EP, este já com o verdadeiro objectivo de divulgação profissional da banda, que será apresentado muito em breve, e que esperamos criar no público um verdadeiro interesse pelo nosso trabalho.

Dois dos três temas são vocalizados em português. Houve algum motivo especial para isso? Há a perspectiva de voltarem a usar a língua materna?
Começámos por compor temas apenas em Inglês, depois juntámos o Português. Agora que começámos a tomar o gosto pela utilização da Língua Mãe, pensamos continuar a fazê-lo, já que consideramos que se enquadra bem na nossa sonoridade e acima de tudo se é a nossa Língua não deve de todo ser excluída. Achamos que esta utilização nas nossas composições deve ser uma das nossas principais características.

Para além destes três temas os Qiasmo já tem mais material composto? Seguem a mesma linha de orientação?
Sim, na verdade já temos material composto em cerca de 10 originais que seguem a mesma linha de orientação, tanto a nível instrumental, como de letras.

E em termos de apresentação ao vivo, como está a ser planificada a vossa agenda?
Estamos a tentar agendar o máximo de concertos possível. Tocar ao vivo é sempre o mais motivante no mundo da música, pelo menos na nossa opinião. Temos algumas datas programadas, que serão expostas brevemente no nosso myspace, que desde já convidamos todos os interessados a acompanhar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Review: Tryangle (TrYangle)

Tryangle (TrYangle)
(2009, Lockjaw Records)

Formados em 2002 na Póvoa do Varzim, os TrYangle lançaram em 2008 um CD/demo que serviu para mostrar às editoras, tendo obtido resposta positiva por parte da britânica Lockjaw Records que agora publica o primeira longa-duração da banda. Por trás de um artwork que tanto tem de desarmantemente ingénuo como de intimista, o trio, consegue fazer desfilar um conjunto de temas que tem mais lados e ângulos do que aqueles o seu próprio nome indica. O termo progressivo assenta-lhe bem, sendo possível estabelecer conexões ou similaridades com nomes como Katatonia ou Riverside; mas é no som de Seatlle, principalmente nos Alice In Chains que a banda mais se aproxima. Isto, claro, sem descurar uma aproximação não só ao retro-psicadelismo dos anos 70 (Led Zeppelin também vão aparecendo por aqui) como ao noise e até ao blues. Independentemente das influências que os TrYagle possam ou não demonstrar, o que é certo é que esta estreia é muito interessante. A banda conseguiu criar um conjunto de temas de excelente nível (com destaque para a secção entre Sound Of Freedom e All That Was Left To Take This Was This), demonstrando uma originalidade, criatividade e individualidade que lhes permite garantir um lugar só seu no panorama musical nacional. Com uma sonoridade muito sóbria e genuína onde os temas valem pelo seu todo (apesar de o desempenho de baixo e bateria ser impressionante!), o álbum desliza por diversas paisagens sonoras umas vezes mais agrestes outras mais melancólicas indo desaguar num autêntico turbilhão de emoções que o épico final The Universe.

Track List:

1. Digital Bee 4:46

2. My Way 2:43

3. A Burn Carol 4:39

4. White Dress 5:28

5. Sound Of Freedom 4:29

6. The Neverending Lecture On Breathing 6:20

7. Blind Hate 3:53

8. All That Was Left To Take This Was This 4:04

9. Dear Poem Of Mine 5:11

10. U 3:45

11. The Universe 11:27


Line up: Gonçalo da Silva Nova (vocais e guitarra), Nuno Maio (baixo), Ricardo Castro (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/tryangletheband
Edição: Lockjaw Records (www.lockjawrecords.co.uk)

Entrevista com In Peccatvm

Sendo esta a primeira vez que conversamos, gostaria que nos fizessem uma breve resenha histórica dos In Peccatum.
Os In Peccatum surgiram em 1998, fruto da vontade do Almeida em criar uma banda de heavy metal. Começamos sem um rumo musical definido e a nossa primeira demo In Beauty é espelho dessa situação. A nossa segunda demo Just Like Tears…, lançada um ano depois, já apresenta a banda com a sonoridade que a define presentemente, um doom/ gothic metal. A entrada de um teclista na altura ajudou também a definir a direcção musical a seguir. Em 2002 editamos o nosso E.P Antília e este trabalho ajudou a colocar o nosso nome no panorama underground regional e nacional. Entre 2002 e 2006 andamos um bocado em banho maria devido às nossas vidas profissionais, que impediram alguns dos nossos elementos de viver permanentemente em S. Miguel, o que fez com que nesses anos aparecêssemos muito pouco ao vivo. Isto condicionou também o lançamento de novos registos, como se nota pelos 7 anos de intervalo entre o Antília e o MDLXIII. Felizmente desde 2006 e com a entrada do Spell (teclas) e do Oliveira (bateria) a banda reuniu todas as condições para trabalhar regularmente.

Vocês podem ser considerados como um dos nomes mais importantes da cena açoriana. Nesta conformidade sentem que tem responsabilidade no surgimento de novos colectivos no arquipélago?
Não nos consideramos um dos nomes mais importantes da cena açoriana, mas de tudo faremos para estarmos por cá mais uns valentes anos. Acima de tudo queremos que as pessoas olhem para nós como um exemplo de persistência e de luta pela nossa causa. A termos alguma responsabilidade no surgimento de novos projectos, que a causa seja esta.

Apesar de existirem há mais de dez anos, a vossa produção não têm sido muito intensa. Preferem apostar na qualidade em detrimento da quantidade?
Tal como referi acima, o facto de termos apenas duas demos e dois EP's deveu-se sobretudo às nossas vidas profissionais, que nos impediram de trabalhar com a regularidade pretendida. Se repararem nas nossas entrevistas desde 2003, mencionávamos sempre que um próximo registo sairia em breve. Tal não aconteceu, e o sucessor do Antíla apenas veio cá para fora 7 anos depois. Este disco deveria ter saído há uns anos atrás. De qualquer forma, sem dúvida que preferimos apostar na qualidade em vez da quantidade. O MDLXIII marca o fim da fase das demos e EP's, o que faz com que o próximo passo a dar seja a edição de um álbum. Temos planos de o ter cá fora no máximo dentro de 2 anos, mas se for preciso mais tempo para ter um produto de qualidade, é certo que levará o tempo que for preciso.

Ainda assim, com a qualidade que tem demonstrado, acreditam que o factor insularidade tem algum peso nesse aspecto?
Nós sempre encaramos a insularidade como um factor positivo na nossa promoção. É certo que traz muitos inconvenientes, mas tentamos aproveitar aquilo de bom que ela nos proporciona. Exemplo disto é explorar nos nossos trabalhos realidades que nos são próximas e fazer disto algo que nos distinga dos demais. No Antília abordamos as Lendas das Sete Cidades (para quem não conhece, são umas lagoas na ilha de S. Miguel) e no MDLXIII abordamos a erupção vulcânica de 1563 que destruiu parte da nossa ilha.

Os In Peccatum nunca ponderaram a hipótese de rumar ao continente ou aos Estados Unidos, afinal destino de tanta gente açoriana?
Quanto aos Estados Unidos, foi coisa que nunca nos passou pelos pensamentos, visto que os americanos não são muito interessados em doom/ gothic, como constatamos pelas reviews que recebemos dos media de lá, aquando da promoção do Antília. Rumar ao continente faz parte dos nossos planos, mas apenas para dar concertos. Gostamos todos de viver nos Açores.


Em relação ao EP MDLXIII, vocês voltam a demonstrar uma capacidade invulgar de pesquisa e recolha de elementos históricos. Essa tem sido uma aposta ganha?
Sem dúvida. Queremos fazer deste tipo de recolha uma imagem de marca dos In Peccatum. Explorar lírica e musicalmente elementos açorianos é algo que iremos fazer sempre que possível, por forma a termos algo que nos distinga de outras bandas. Podemos adiantar que os temas novos que andamos a escrever para o nosso próximo trabalho, que será finalmente um longa duração, serão sobre algo intimamente ligado com o ser açoriano.

Em dois temas têm convidados (Ana Rochate e Zeca Madeiros) para as declamações das narrações de Gaspar Frutuoso. Foi vossa intenção, desde o início, que essas narrações fossem protagonizadas por gente exterior à banda?
Em relação ao Zeca Medeiros foi uma escolha natural, pois quando escrevemos o tema Difusas Sombras e surgiu a narração inicial, lembramo-nos logo da voz cavernosa e peculiar dele. Dissemos logo que um dia que gravássemos a música, tinha de ser ele a declamar o poema. Como é um artista por quem temos um grande respeito e admiração foi fantástico tê-lo a participar no nosso disco. Por sua vez, a Ana Rochate já tinha colaborado connosco num concerto unplugged que demos em 2006 na Antena 1 da RDP-Açores, portanto foi a primeira escolha quando nos lembramos de uma voz feminina para o efeito.


Os créditos do EP referem a utilização de uma guitarra açoriana. Quais as principais características deste instrumento e em que difere, por exemplo, da guitarra portuguesa?
A Viola da Terra é um instrumento típico dos Açores e está presente em todas as suas ilhas, variando na sua afinação, número de cordas, encordoamento e dedilhação. É um instrumento com um corpo em 8 (tipo violão), com 12 cordas, dispostas em cinco parcelas, sendo as três primeiras duplas e as duas seguintes triplas. Outra característica marcante é a boca ser normalmente em forma de dois corações (virados com a ponta para fora). Já a tínhamos utilizado no Antília e agora tinha novamente de fazer parte deste trabalho. É mais uma marca de açorianidade que incutimos na nossa sonoridade. Ainda que não tenha um papel de grande destaque, sabemos que ela está lá.


Que significado teve para os In Peccatum a atribuição do prémio Melhor Álbum 2009 nos Metalicidio Awards?
Foi acima de tudo uma grande surpresa, pois o disco tinha saído apenas um mês antes. O site Metalicidio é um dos principais meios de apoio ao metal regional, daí que tenhamos ficado satisfeitos com o galardão.

Em termos de promoção a MDLXIII, como estão a ser preparadas as apresentações ao vivo?
Temos planos este ano para fazer uns dois ou três concertos no continente com mais duas bandas daí. Já há conversações feitas, portanto resta-nos esperar. Se não for em 2010, será em 2011. É um dos nossos objectivos próximos. Por cá, desde que lançamos o disco ainda não aparecemos ao vivo, mas decerto oportunidades não irão faltar. Para já, encontramo-nos a trabalhar em novos temas, tendo em vista a edição do
álbum.

Playlist 18 de Fevereiro de 2010




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Review: Blues For The Dangerous Miles (Miss Lava)

Blues For The Dangerous Miles (Miss Lava)
(2009, Raging Planet)

Geologicamente, o continente português não tem nenhum vulcão activo. Ou melhor não tinha, porque depois do surgimento dos Miss Lava, muita erupção vulcânica irá, seguramente, acontecer por aí. Se o promo de 4 temas editado em 2008 já tinha deixado muitas boas indicações, elas não só se confirmam como são largamente ultrapassadas. Em Blues For The Dangerous Miles, a banda lisboeta volta a debitar o seu puro rock’nroll pejado de sentimentos stoner e, aqui e ali algum doom. Um som poderoso, balanceado, com um baixo omnipresente, riffs surpreendentes de força e melodia, batida forte e versátil e vocalizações quentes são as principais características destes blues que chegam ainda a picar o ponto no punk, como acontece em Birth , Copulation and Death mas sempre pincelado pelo psicadelismo dos anos 70, sendo que os solos com os efeitos wah-wah são o mais fiel elemento representativo desse estrato. Ou seja, Blues For The Dangerous Miles espalha lava incandescente e bombas piroclásticas para todo o lado, deixando, no fim da sua audição, uma sensação hipnótica de termos estado, realmente, em pleno cone vulcânico. O quarteto mostra, então, que está preparado para conquistar o mundo com este álbum perfeitamente homogéneo, onde nenhum tema é descartável ou está lá só porque o álbum tem de crescer mais uns minutitos. Soberbo!

Track List:

1. Don’t Tell A soul
2. Revolt
3. Black Rainbow
4. Ain’t Got Time
5. Blues For The Dangerous Miles
6. Shine On
7. The Wait
8. Blind Dog
9. Second Chance
10. Birth, Copulation And Death
11. Scorpio

Line up: Johnny Lee (vocais), K. Raffah (guitarra), S. Rebelo (baixo), J. Garcia (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/misslavarock
Edição: Raging Planet (
http://www.ragingplanet.pt/)

Playlist 11 de Fevereiro de 2010


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Review: MDLXIII (In Peccatvm)

MDLXIII (In Peccatvm)
(2009, Edição de Autor)

Os In Peccatvm são um dos nomes incontornáveis da cena açoriana e estranha-se que após mais de uma década de existência o seu pecúlio se resuma a duas demos e dois EP’s. As razões não são para aqui agora chamadas, mas o que é certo é que a qualidade que o colectivo vem demonstrando já justificava um longa duração. Em MDLXIII voltamos a ser presenteados com um conjunto soberbo de temas que tanto bebem no gótico, como no doom, como na música étnica e tradicional local, em que o frequente recurso a guitarras acústicas e a momentos de elevada beleza melódica se revelam preciosos. Este é um trabalho conceptual sobre a erupção que, em 1563, devastou parte da ilha de S. Miguel. Para criar uma obra desta envergadura, os In Peccatvm socorreram-se dos escritos de Gaspar Frutuoso, historiador do séc. XVI que foi, também ele, testemunha das erupções vulcânicas. Excertos desses escritos são mesmo utilizados em duas faixas (Aduro Letifer e Tão Temerosas… As Cinzas). O inicio com uma Intro cinematográfica retrata na perfeição todo o sentimento de medo e angústia que a população local deve ter sentido aquando da erupção vulcânica. (Our Last) Heartbeat, a segunda faixa, acaba por revelar-se como uma das mais preciosas pérolas saídas do historial do metal nacional: bela, melódica, riffs assombrosos e linhas de piano divinais fazem deste tema um momento único! Mas há outras pérolas: a forma declamada de Difusas Sombras, roçam os ambientes criados pelos Moonspell ou até Mão Morta, mas é em From An Ashery Flower com um lead introdutório que vai directinho para a galeria dos melhores momentos de sempre da música nacional, que os In Peccatvm se revelam em toda a sua magnificência. O trabalho termina com um curto Outro acústico, transmitindo um sentimento de paz a acalmia como se tudo já tivesse ficado para trás. Musicalmente superior e tecnicamente irrepreensível, MDLXIII acaba por se revelar mais que um simples disco de música. Representa parte da história da ilha de S. Miguel, através de um aturado trabalho de pesquisa, assumindo-se assim, também, como um elemento histórico de inegável valor para as novas gerações. Só tem um senão: acaba demasiado depressa…

Track List:
1. All I Am Is Fear (Prelude)
2. (Our Last) Heartbeat
3. Aduro Letifer
4. Difusas Sombras
5. Tão Temerosas… As Cinzas
6. From An Ashery Flower
7. So Shall Ye Wither (Outro)


Line up: Neves (guitarra; vocais), Gouveia (baixo), Spell (teclados), Oliveira (bateria), Almeida (guitarra)
Myspace:
www.myspace.com/inpeccatum
Website:
http://www.inpeccatum.com/

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Review: Acoustic Prelude (Secrecy)

Acoustic Prelude (Secrecy)
(2010, Ethereal Sound Works)

2003: Início de uma relação profissional entre uma independente a dar os primeiros passos chamada Ethereal Sound Works e uma banda nortenha desconhecida de nome Secrecy. Eventualmente um dos ensaios dessa banda, em formato acústico, foi gravado pela editora. 2010: banda e editora são já referências do metal nacional e a segunda começa a apostar em editar, em formato digital, algumas preciosidades. Eis-nos, então, chegados a este Acoustic Prelude. Uma obra de coleccionador que a editora disponibilizou para download gratuito no seu sítio de internet e que mostra uns Secrecy ainda no período pré-Beneath The Lies. Aliás, todos os temas incluídos nesta obra, com excepção de Let Me Dream A While, viriam a estar, em formato eléctrico, na estreia do colectivo. Portanto, este Acoustic Prelude acaba por ser uma prenda muito interessante para os fãs da banda que assim têm a oportunidade de ouvir um line-up irrepetível (curiosamente, apenas o vocalista Miguel Ribeiro se mantêm na banda) numa postura claramente descomprometida e muito bem disposta. Por outro lado, é também a oportunidade de se ouvirem alguns dos mais belos momentos da carreira dos Secrecy, como Perfect Isolation, Who’s Talking, Who’s Crying ou a versão de Wonderful Life numa roupagem única.

Tracklist:
1. Intro
2. Falling
3. Secrecy
4. Hollow Man
5. Let Me Dream A While
6. Who’s Talking, Who’s Crying
7. Perfect Isolation
8. One Day
9. Wonderful Life

Lineup: Pedro Paiva (guitarra), Jorge Oliveira (teclados), Miguel B. Ribeiro (vocais), Luíz Ferreira (bateria), Nuno de Sousa (baixo) e Mário Amora (guitarra).
Myspace:
www.myspace.com/secrecymusic
Website:
http://www.secrecy.web.pt/
Edição: Ethereal Sound Works (
http://www.eteherealsoundworks.com/)

Review: Of Love And Sin (Secrecy)

Of Love And Sin (Secrecy)
(2009, Ethereal Sound Works)

Se não considerarmos o EP não oficial de 2007, Sweet Dark Love, o último registo de originais dos nortenhos Secrecy data de 2004 quando editaram o álbum Beneath The Lies (o single de 2005, Falling, não incluía nenhum tema original). É um intervalo muito longo para uma das melhores bandas nacionais e uma das que consegue imprimir alguma variabilidade do cenário musical luso. Felizmente, estão de regresso e o que pode dizer é a que a espera valeu bem a pena. Of Love And Sin volta a trilhar os caminhos já habituais nos Secrecy: uma bela mistura entre melancolia e melodia, muito próxima da escola finlandesa de nomes como Sentenced ou To/Die/For, com suaves pinceladas de um romantismo dramático. Mas desta vez o trabalho está mais orientado para as guitarras que aparecem um pouco mais sujas, cheias, graves e pesadas. E por vezes tornam-se de tal forma asfixiantes que pouco espaço deixam para os outros instrumentos, nomeadamente a voz de Miguel B. Ribeiro que deveria estar um pouco mais puxada para cima, para melhor se perceber. The One That Death Deserves To Find, quanto a nós, um dos melhores momentos do álbum, também surpreende pela agressividade vocal. Aqueles guturais ocasionais colocam a banda num patamar próximo de uns Moonspell. A inclusão de ritmos sequenciados são outra mais-valia para o álbum, uma vez que ajudam a criar uma diversidade que torna a sua audição mais atractiva. Quem também tem um papel importante, embora por vezes também abafado pelo excesso de guitarras, são as teclas de Lisa Amaral. A instrumentista, uma das mais competentes e experientes a nível nacional, mostra que foi uma boa aposta do colectivo pela sua discrição e, simultaneamente, eficácia. Eficácia e sobriedade que são, também, os adjectivos que melhor se enquadram a este conjunto de 10 temas num trabalho de elevado bom gosto (incluindo o artwork) e marcante na carreira do metal de inspiração mais gótica feita em território nacional.

Tracklist:
Last Embrace
The One that Death Deserves to Find
Don't Leave Me Scarred
Shadows Call
The Scarlet Dawn
A Taste of Love and Sin
Sweet Dark Love
Angel Crimson Tears
Since You've Gone Away
Another Dimension... with Angels and Demons

Lineup: Miguel B. Ribeiro (vocais), Nuno Gama (bateria), Helder Lance (guitarra ritmo), Bruno Miguel Silva (guitarra solo), Nuno Lima (baixo), Lisa Amaral (teclados), Bruno C. Silva (guitarras adicionais, sintetizadores)
Myspace:
www.myspace.com/secrecymusic
Website:
http://www.secrecy.web.pt/
Edição: Ethereal Sound Works (
http://www.etherealsoundworks.com/)

Playlist 04 de Fevereiro de 2010


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Review: Demo 2010 (Qiasmo)

Demo 2010 (Qiasmo)
(2010, Edição de Autor)


Formados em 2007, os Qiasmo apresentam neste inicio de 2010 o seu primeiro trabalho. Demo 2010 é, como o próprio nome indica, uma breve demonstração do que a banda tem vindo a fazer neste seus primeiros anos de vida. São três temas, dois dos quais, a atender pelos seus títulos, vocalizados em português. O que aqui temos são pequenas descargas enraivecidas de death metal a roçar o grind, plenas de extremismo violento, sem contemplações. Berros, grunhos e outros sons estranhos saem das cordas vocais de Luís Dinis para se misturarem com blastbeats demolidores e demoníacos para se instalar o caos sonoro. Curto, porco e decadente serão os objectivos que os Qiasmo procuram atingir. E, diga-se, conseguem-no. Os momentos mais musicais, melódicos ou técnicos estão reduzidos ao mínimo indispensável (alguns segundos em Quem És), mas sejamos sinceros: não parece sequer ser essa a pretensão do quarteto. Esta demo apresenta, contudo um senão: a produção caseira do trabalho pode comprometer as aspirações de se dar a conhecer, uma vez que cada vez mais se aposta no profissionalismo, mesmo nas estreias. Claro que cada colectivo sabe com o que pode contar e do que dispõe para atingir os seus objectivos. No caso dos Qiasmo, esta sonoridade suja até pode ajudar tendo em linha de conta o espectro musical em que se movem.

Tracklist:
Our Pride
Inesperado
Quem És

Line-up: Luís Dinis (vocais), Gonçalo Ferreira (guitarra), Vasco Henrique (baixo), Vasco Gaspar (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/qiasmo