terça-feira, 30 de março de 2010

Entrevista com Audiovision

Conhecido fundamentalmente pelo seu trabalho com os Narnia, Christian Liljegren é, hoje em dia, um dos melhores vocalistas do velho continente. O seu novo projecto chama-se Audiovision e chega, com Focus ao seu segundo álbum de originais. A respeito do presente, do passado e do futuro, Via Nocturna falou com o simpático vocalista sueco.

Os Audiovision nasceram como um projecto de estúdio, certo? O que fez com que mudassem de direcção?
Christian Liljegren (CL): Quando deixei os Narnia em 2008, precisava de uma pausa nas tournées e gravações para que voltasse a sentir a paixão pela música. Quando esse período de descanso terminou quis iniciar uma nova banda para gravar e actuar ao vivo. Uma banda que tivesse influências do hard rock e metal dos anos 70 e 80. Eu também queria tocar ao vivo as canções do álbum The Calling, por isso, de forma natural, usei o nome de Audiovision, que é um nome que gosto bastante.

Nesse álbum, The Calling, trabalhaste com uma série de grandes músicos. De alguma forma eles ajudaram a estabeler a sonoridade Audivision
CL: The Calling era um projecto a solo e de estúdio com a participação de muitos dos meus heróis. Estavam lá o Jeff Scott Soto (Malmsteen e Talisman), Bruce Kulick (Kiss), Tony Franklin (Whitesnake e Blue Murder) e Mic Michaelli (Europe). Claro que se pode ouvir as imagens de marca de cada um deles, adicionado do meu próprio estilo de escrever. Acho que resultou numa mistura interessante e num álbum importante na minha carreira musical e estou muito orgulhoso de ter tido a oportunidade de ter todos esses grandes músicos envolvidos.

Que diferenças podes apontar entre Focus e The Calling?
CL: Como já fiz referência, The Calling foi um álbum a solo e de estúdio. Focus tem o trabalho de uma banda completa em que todos os membros estiveram envolvidos na composição, sendo mais directo e seguindo a tradição musical dos anos 70 e 80. Estou muito orgulhoso com o excelente resultado final, mas também estou satisfeito com o The Calling.

Depois de teres decidido criar uma banda verdadeira, foi fácil o recrutamento dos músicos certos?
CL:
Eu queria cooperar com o meu irmão Simeon Liljegren no baixo, mais uma vez, já que ele é um fantástico
criador de canções e tem um enorme poder e carisma em palco. Tocámos juntos nos Seven Seas, Borderline e Modest Attraction entre 1986 e 1996, gravámos alguns álbuns e demos imensos concertos. Outros dois músicos, eram Thomas e Torbjorn Weinesjo, da banda Veni Domine. Eu conhecia a sua dedicação à música e as ideias que eu queria para os Audivision, por isso, foi muito bom tê-los incluído. Torbjorn, o guitarrista, escreve muito bem, especialmente numa direcção mais pesada e nos elementos mais épicos, bem como o meu amigo Olov Andersson, nos teclados, capaz de criar boa música sinfónica e rock. Olov e eu já há alguns anos que falávamos em formar uma banda na linha de Rainbow, Whitesnake ou Dio, ou seja, incluindo todos os melhores elementos dos anos 70 e 80 mas com uma produção actualizada. Onze meses depois estamos prontos com um novo álbum, Focus e dois vídeos de promoção. Posso, pois dizer-te que estou muito feliz com esta banda. Em Focus, todas as canções foram escritas por todos os membros.

Pude reparar que todos os elementos de Audivision tocam noutros colectivos. Não poderão surgir incompatibilidades de agenda?
CL:
Até agora não tem havido problemas uma vez que os Audiovision são a principal banda ao vivo para todos. Estamos, de facto, envolvidos em diferentes projectos de estúdio mas a nossa principal prioridade é tocar e gravar com Audiovision.

Como está a tua situação, agora, nos Divinefire?
CL:
Antes dos Audiovision, a minha situação musical era a seguinte: como referi anteriormente, em 2008, necessitei de fazer uma paragem. Agora, com a energia e o fogo de regresso eu penso gravar mais álbuns dentro do hard rock e do metal. Olhando para os Divinefire, decidimos que haveria mais álbuns de estúdio no futuro. O 5º álbum está planeado para fins de 2010 ou inícios de 2011. Precisámos de fazer o Farwell para iniciar um novo capítulo na banda. O Andreas Passmark já não é membro da banda e o meu irmão Hubertus Liljegren, dos Crimson Moonlight, entrou, portanto, só restam três membros: eu, o Jani Stefanovic e o meu irmão. É realmente interessante ter duas bandas com os meus irmãos envolvidos! Continuaremos com a mesma direcção musical que trazemos de Glory Thy Name e Into A New Dimension, portanto os fãs de Divinefire deverão ficar contentes por saberem que estamos de volta com um novo álbum que será gravado no Outono entre a tournée de Audiovision. A minha paixão pelo hard rock/metal neoclássico surgiu quando eu ouvi Yngwie Malmsteen em 1985. Então eu formei os Narnia em 1996, sendo que os dois primeiros álbuns, Awakening e Long Live The King, foram realmente trabalhos de hard rock neoclássico. Actualmente já não se ouve muito este estilo. E sinto falta disso, portanto quando eu assinei com os Reinxeed na minha editora Liljegren Records, eu conheci o Tommy Johansson, um enorme guitar hero, fantástico vocalista e um excelente compositor que partilhava a mesma paixão por este estilo. Acabamos por formar uma banda chamada Golden Resurrection e escrevemos algumas canções para um álbum de estreia na linha de Malmesteen, Rainbow e Europe; ou seja, canções que seguiam a linha dos álbuns Awakening e Long Live The King dos Narnia. Gravaremos este álbum dos Golden Resurrection no Verão, por isso os fãs de Narnia que têm estado à espera de álbuns na mesma linha dos citados ficarão, seguramente, felizes por ouvir Golden Resurrection. Também estou envolvido no próximo álbum dos 7 Days, a editar em Agosto deste ano. 7 Days é um projecto de metal progressivo e melódico, liderado pelo guitarrista Markus Sigfridsson (dos Harmony e Dark Water) que também é o responsável pelo trabalho artístico da minha editora e que, aliás, fez o artwork dos Audiovision. Nesse álbum canto cerca de 25% se
ndo que as partes vocais principais são feitas pelo Thomas Vikstrom (Therion, Candlemass, Stormwind, Covered Call). Claro que estou feliz por estar nos Audiovision como banda principal a gravar e a tocar, mas também tenho a possibilidade de participar em bons álbuns de Divinefire, Golden Resurrection e 7 Days

Na vossa sonoridade notam-se muitas similaridades com Dio. É ele realmente uma influência para os Audiovision? Que outros nomes poderias referenciar como influência?
CL:
Sim, em termos vocais, Dio é, de facto, uma boa influência. Todavia poderia citar outros nomes como Brian Connolly (The Sweet), David Byron e John Lawton (Uriah Heep), David Coverdale (Whitesnake/Deep Purple). O meu vocalista actual favorite é Jorn Land (Masterplan).

Que expectativas tens para este álbum?
CL:
Sinceramente espero que as pessoas se divirtam a ouvir Focus. É um álbum muito enérgico com temas fortes que resultarão muito bem ao vivo. Esperemos continuar por muito anos a lançar bons álbuns e a fazer bons concertos. Iremos trabalhar arduamente para criar grandes melodias e canções que os fãs de hard rock possam ouvir durante muito tempo!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Review: Focus (Audiovision)

Focus (Audiovision)
(2010, Ulterium)

Christian Liljegren tornou-se conhecido pelo seu desempenho em grupos como os Narnia ou Divinefire mas, a partir de 2003, decidiu seguir o seu próprio caminho e criar o seu próprio projecto. Assim nasceram os Audiovision que em 2004 se estreavam de forma positiva com The Calling onde participavam nomes como Bruce Kulick, Jeff Scott Soto ou Mats Léven. As solicitações para os Audiovision foram aumentando e Liljegren teve de optar, a partir de 2009, pela criação de uma banda completa que lhe permitisse actuar ao vivo, pondo assim, fim aos Audiovision como simples projecto de estúdio. Focus, o segundo álbum, surge agora aparecendo Liljegren acompanhado por elementos dos Veni Domine (Torbjörn Weinesjö, guitarrista e Thomas Weinesjö, baterista que também acumula nos Saviour Machine), dos Grand Stand (Olov Andersson, teclista) e do ex-Modest Attraction Simeon Liljegren no baixo. Com um line-up estável, os suecos conseguem publicar um álbum baseado nos monstros sagrados do heavy metal, onde o nome de Dio surge à cabeça, mas onde também podem ser encontradas referências a outros nomes grandes como, por exemplo Twisted Sister. Acima de tudo, Focus, assume-se como um trabalho bem escrito, bem produzido e, especialmente, bem cantado. De facto, é a voz que Christian Liljegren que mais sobressai no conjunto dos 11 temas (ou 10, se considerarmos que Focus é instrumental). Ele é o ponto mais alto deste colectivo, aquele que faz a diferença e que permite que Focus cresça de forma desmesurada ao longo da sua audição. Sem qualquer aviso prévio, Invitation, faz-nos o convite para assistirmos a este desfile de canções emotivas, ora rápidas ora a meio tempo, mas sempre bem conduzidas pela voz quente, de timbre agradável e sempre excelentemente colocada de Liljegren. Keep The Fire Burning mantém a chama acesa, mas, a partir de certa altura o álbum parece começar a tornar-se algo banal. Porque, apesar, de Focus seguir todas as regras estabelecidas não consegue libertar-se, explodir em algo inovador. Mas isto é apenas um breve espaço de ilusão, porque os Audiovision relegam para o final as mais brilhantes pérolas. Numa altura em que entra em campo outra referência, Scorpions, I Will Belong To You, The Way e The Gate revelam-se em toda a sua plenitude como momentos inesquecíveis que apetece ouvir até à exaustão. Ricamente construídos, melodicamente inteligentes, com a utilização de coros magníficos, este trio de temas brilhantes antecede um final tranquilo, contemplativo, com um tema curto e instrumental. Trata-se do final perfeito para um álbum, com alguns altos e baixos, é certo, mas que demonstra um enorme potencial e qualidade acima da média.

Track List:
01. Invitation
02. Keep the fire burning
03. We are not alone
04. The son will come
05. You are the reason
06. Fruit of love
07. We will go
08. I will belong to you
09. The way
10. The gate
11. Focus

Line up: Christian Liljegren (vocais), Torbjörn Weinesjö (guitarra), Simeon Liljegren (baixo), Olov Andersson (teclados), Thomas Weinesjö (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/audiovisionsweden
Edição: Ulterium Records (
http://www.ulterium-records.com/)

Review: Horn Triskelion (Gwydion)

Horn Triskelion (Gwydion)
(2010, Trollzorn)

Embora muitos povos nórdicos, denominados de bárbaros, tenham visitado e permanecido na nossa península, não há registo que os Vikings por cá tenham estado. Mas isso não impede que o sexteto denominado de Gwydion, não manifeste a sua paixão e interesse pela sua história bem como pela cultura celta. Daí até passar estas temáticas para o seu metal foi um pequeno salto que se concretizou em três demos (Debt To Morrighan, de 1998; First Channeling, de 2000 e Augmentation, de 2001) e um álbum Ynys Mon (de 2008). Com um nome estabelecido no nosso país e com a excelente amostra do álbum de estreia, os Gwydion assinam pela germânica Trollzorn para a edição internacional da estreia e, agora dois anos passados, do seu sucessor Horn Triskelion. E realmente esta nova proposta vem provar que o longo crescimento e desenvolvimento pelo qual a banda passou surtiu os seus efeitos. Horn Triskelion mostra-nos uns Gwydion claramente dominadores dos terrenos que pisam, conseguindo criar um álbum simultaneamente belo, poderoso, étnico, fantasioso e épico. No seu cruzamento entre o folk, o celta, o viking e o metal, a banda nacional assume, sem esquisitices, todas as suas influências e coloca-as em campo numa batalha que joga, definitivamente, a seu favor. Os coros são fabulosos, as prestações vocais femininas ajudam a criar uma áurea de glória quase celestial, o recurso a instrumentos como acordeão, flauta ou gaita-de-foles e as melodias guerreiras evocam tempos ancestrais. Os Gwydion conseguem ainda, simultaneamente manter uma postura festiva e alegre (From Hel To Asgard ou Mead Of Poetry) que contrasta com outros momentos extremamente negros e quase a roçar um black metal sinfónico (Cold Tempered ou The Terror Of The Northern). E neste jogo de equilíbrios mantêm a sua postura intocável, demonstrando que não é necessário ser nórdico para executar, na perfeição, este tipo de sonoridades. Em Ofiússa (A Terra das Serpentes), naquele que é o primeiro single, assinam um dos mais belos momentos do álbum, com um excelente jogo vocal e fantásticas harmonias onde a utilização do português se revela uma aposta perfeitamente vencida. Outro momento alto acontece em Six Trials To Become A Berrzerker, a faixa que fecha de forma deliciosa uma proposta de calibre internacional e que deverá colocar, se houver justiça, o nome de Gwydion, definitivamente, no lugar mais alto do metal europeu.

Track List:
1. The Departure
2. Fara I Viking
3. From Hel To Asgard
4. Ofiússa (A Terra das Serpentes)
5. Mead Of Poetry
6. Triskelion Horde Is Nigh
7. Odhinn’s Cult
8. At The Sumbel
9. Cold Tempered
10. The Terror Of The Northern
11. Six Trials To Become A Berrzerker
Line up: Ruben Almeida (vocais), Daniel César (teclados), Miguel Kaveirinha (guitarra solo), João Paulo (guitarra ritmo), Vitor César (baixo), Luís Abreu (bateria)

Internet:
www.myspace.com/gwydionmetal
www.youtube.com/gwydionmetal
twitter.com/gwydionmetal
www.reverbnation.com/gwydion
www.lastfm.com.br/music/Gwydion

Edição: Trollzorn (
http://www.trollzorn.de/)

Playlist 25 de Março de 2010


quinta-feira, 25 de março de 2010

Review: Ripples (Aspera)

Ripples (Aspera)
(2010, InsideOut)


Em 2005 surgia na Noruega um colectivo de miúdos denominado Illusion. Este colectivo editou três demo EP’s e fez algum sucesso em inúmeros espectáculos até que no verão passado mudou o seu nome para Aspera. Com uma média de idades de apenas 20 anos, os Aspera, criam então a sua primeira obra que desperta a curiosidade e os leva a editar Ripples, o seu primeiro álbum, logo através da gigante do prog InsideOut. Pode parecer um passo demasiado grande para uns estreantes desconhecidos, mas ouvindo Ripples percebe-se o porque da InsideOut ter apostado neste quinteto. Tudo ali é progressivo até ao mais ínfimo pormenor e de uma qualidade assinalável para um colectivo formado por gente tão jovem. As referências são as obrigatórias, ou seja viajam entre Dream Theater e Symphony X com a curiosa capacidade de introduzir linhas de teclados que vêm directamente dos Deep Purple ou harmonias vocais típicas de colectivos como Yes ou Asia. Em termos técnicos o que se pode facilmente constatar é que os Aspera estão tão à vontade com os seus instrumentos que se poderiam colocar, sem grandes pruridos, ao nível dos citados monstros do metal progressivo. Em termos criativos, ocorre uma situação semelhante. Já na questão melódica se podem levantar algumas questões. Realmente Ripples é um portento de solos, apontamentos de destreza técnica individual ou desenvolvimento de ritmos estonteantes, mas tanta masturbação técnica acaba por desembocar, por vezes, na castração do conceito de canção. Tudo bem, os miúdos estão a estrear-se e querem puxar pelos galões e provar do que são capazes. Todavia, em alguns momentos do álbum, dá a sensação que estão mais preocupados em mostrar o que sabem fazer que propriamente, criar música. Isto não invalida, no entanto, que Ripples, Do I Dare, Between Black & White ou Torn Apart não mereçam ser inscritos no rol dos melhores momentos que o prog metal já produziu. Aliás, nem sequer invalida que o álbum, no seu todo, não mereça destaque acentuado, podendo desde já ser classificado como um dos melhores lançamentos deste ano. O resto virá, seguramente, com o amadurecer da idade e da experiência, pois os Aspera são, indiscutivelmente, portentosos e só precisam saber canalizar e direccionar da melhor forma tanto virtuosismo.

Track List:
1. Intro
2. Ripples
3. DoI Dare
4. Remorse
5. Between Black & White
6. Catatonic Coma
7. Torn Apart
8. Traces Inside
9. Reflections
10. The Purpose

Line up: Robin Ognedal (guitarras), Nickolas Main Henriksen (teclados), Atle Pettersen (vocais), Joachim Strom Ekelund (bateria), Rein T. Blomquist (baixo)
Myspace:
www.myspace.com/asperaofficial
Website:
http://www.asperaofficial.com/
Edição: Inside Out (
http://www.insideout.de/)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Review: Old Dogs, New Tricks (Picture)

Old Dogs, New Tricks (Picture)
(2009, Marsmountains)


Nome incontornável da cena hard rock holandesa, os Picture editaram sete álbuns e correram o mundo a acompanhar nomes tão sonantes como AC/DC, Saxon ou Ted Nugent. Temas como Heavy Metal Ears, Diamond Dreamer, Bombers e, muito especialmente, Eternal Dark, ficarão para sempre gravados nos compêndios do hard rock. Em 2008, após alguns anos de separação o quinteto voltou a juntar-se e o resultado surgiu um ano após, exactamente 30 anos depois do lançamento do seu primeiro álbum, sob a forma de Old Dogs, New Tricks, um conjunto de 12 temas bem no estilo Picture. Quer isto dizer que aqui temos hard rock bem construído, suficientemente apelativo ao nível melódico, bons solos e algumas excelentes composições. Claramente influenciado por sonoridades típicas das décadas de 70/80 do século passado, Old Dogs New Tricks, vem demonstrar que os Picture versão 2009 não diferem muito dos Picture originais. E ainda bem, dizemos nós. A sua base de fãs espalhada pelo mundo, certamente todos já bem entradotes na idade, agradecem que assim seja e, sejamos sinceros, uma mudança de estilo ou, simplesmente, uma actualização sonora poderia descaracterizar de forma irremediável aquilo que os Picture representam para o hard rock. Para além disso, os seus elementos mostram-se em plena forma no que toca à execução dos seus instrumentos e às vocalizações. Quanto ao conteúdo de Old Dogs, New Tricks, ele é muito variável. E é, precisamente, aqui que reside o principal problema deste regresso: a heterogeneidade de material. Se é verdade que temos aqui temas realmente fabulosos, como Live By The Sword, a tradicional balada Now It’s Too Late, Who Can You Trust ou A Better Soul, também não é menos verdade que outros temas não conseguem atingir o brilhantismo destes. Por exemplo, logo a abrir temos a faixa-titulo que acaba por se revelar um dos momentos mais fracos do disco. Ora, uma abertura em baixa pode deitar por terra todo o trabalho. Felizmente, para os holandeses, isso não se verifica e os momentos altos acabam por se sobrepor, claramente, aos baixos, o que faz, no cômputo geral, de Old Dogs New Tricks um álbum que se recomenda, principalmente aos amantes deste tipo de sonoridade.

Track List:
1. Old Dogs, New tricks
2. Blood Out Of A Stone
3. High On Fire
4. Live By The Sword
5. Now It’s Too Late
6. Just Incredible
7. Who Can You Trust
8. Opposites Attract
9. Choosing Your Sign
10. A Better Soul
11. Celtic Cross
12. Never In A Million Years

Line up: Pete Lovell (vocais), Jan Bechtum (guitarras), Rob van Enkhuizen (guitarras), Rinus Vreugdenhil (baixo), Laurens Bakker (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/pictureholland
Website:
http://www.pictureofficial.com/
Edição: Marsmountains

quinta-feira, 18 de março de 2010

Review: Stupidity (Karuniiru)

Stupidity (Karuniiru)
(2090, Edição de Autor)

Oriundos do Seixal, os Karuniiru são os sucessores dos Carnille, banda formada por Domino Pawo em 2005. Depois de algumas peripécias, o vocalista regressou em 2009 com este novo projecto e, logo nesse ano, apresenta este Demo EP de três temas que servem de cartão-de-visita. E a primeira palavra que nos vêm à cabeça é: estranho! Sim, em Karuniiru tudo é arrepiantemente estranho. A começar no nome da banda, continuando nos nomes dos seus membros, passando pelo artwork. E sempre com uma forte ligação ao oriente e, principalmente, ao Japão. E quando desembrulhamos o pacote e nos debruçamos sobre o que realmente interessa, ou seja, a música, é impossível não soltar um bruahh!! num misto de espanto, estranheza e satisfação. A sonoridade do colectivo é tudo menos formal ou banal. Written In My Skin, por exemplo, cruza momentos agressivos com outros deliciosamente pop; faz passar ritmos maquinais sob harmonias que podiam estar em qualquer disco de death metal técnico sueco. Pink Bunny Kiss começa com umas vocalizações próximas de uns System Of A Dawn que rapidamente se transformam em variações orientais típicas de Orphaned Land. E sem termos tempo de perceber onde estamos metidos somos assaltados por mudanças de tempo e de ritmo completamente alucinadas, numa mistura de punk com metal que até recorda os injustamente esquecidos M’as Foice, mítica banda coimbrã dos finais dos anos 80. Não contentes com a tareia que já estão a dar aos ouvintes, os Karuniiru ainda tem tempo para servir um rockabilly casado com disco na deliciosa Fuck You, Very Much. Claro que tudo isto envolto num burlesco ambiente circense. Vocalmente Stupidity é assombroso: Domino Pawo canta, grita, berra, sussurra, vocaliza e até (imagine-se!!) assobia! Instrumentalmente é de outro mundo! Em resumo: Stupidity é a apresentação estupidamente mais criativa, brilhante e sensacional que há memória no metal nacional. Venham mais momentos destes! A malta agradece.

Track List:
1. Written In My Skin
2. Pink Bunny Kiss
3. Fuck You, Very Much

Line up: Domino Pawo (vocais), Roku (guitarras), Banzai (baixo), Kuraru (guitarras), Loki (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/karuniiruband

Review: When Worlds Collide (Sinbreed)

When Worlds Collide (Sinbreed)
(2010, Ulterium Records)


Os Sinbreed não são propriamente uns novatos. Efectivamente já cá andam desde os finais dos anos 90 do século passado, mas só tinham editado três demos, se bem que a última, lhes tenha granjeado o título de melhores estreantes do mês em diversas publicações germânicas da especialidade. Após o acordo com a sueca Ulterium Records, o colectivo começou a trabalhar na sua estreia que agora acontece sob a forma de When Worlds Collide. E para começar, surge-nos logo um nome de respeito: Markus Teske que misturou e masterizou o álbum e que conta no seu curriculum trabalhos com Vanden Plas, Symphony X ou Neal Morse. Ao elemento fundador, Flo Laurin (guitarras e teclados), foram-se juntando nomes da cena power metal germânica como Frederik Ehmke (baterista que também acumula funções nos respeitáveis Blind Guardian), Hebie Langhans (vocalista dos Seventh Avenue) e Alexander Schulz (baixista). Para além destes, outros nomes sonantes ajudam a erguer esta obra de power metal: Thomas Rettke (ex-Heaven’s Gate), Joost van den Broek (Ayreon, Star One) e Morten Sandager (Pretty Maids). No entanto, tanta gente de renome nem sempre é sinónimo de qualidade. When Worlds Collide é um típico disco de power metal, daqueles que a escola germânica (aquela que já tinha deturpado o legado dos seus conterrâneos Helloween) teima em lançar. O trabalho está bem produzido, os músicos são competentes, os temas são fabricados como manda a tradição, mas parecem saídos da linha de montagem de qualquer fábrica: todos iguaizinhos! Batida (super-)rápida, refrães cantaroláveis, solos evoluídos. Apenas o tema título, Enemy Lines e o fecho Salvation fogem um pouco à monotonia supersónica. E destes, destaques para Enemy Lines e Salvation que são os dois únicos temas que se conseguem destacar seja pelo seu superior sentido melódico, seja pelo bom trabalho de estruturação. Salvation, inclusive, parece perfeitamente fora do baralho, tal a qualidade que demonstra, com melodias próximas de cânticos de batalha, a aproximar-se de uns Blind Guardian. Manifestamente insuficiente para colocar When Worlds Collide no patamar dos que ficam para a história. E se é certo que o power metal está mais que moribundo, também não serão os Sinbreed a salvá-lo. Para os fãs do género podem ficar, simplesmente com os nosso Fantasy Opus


Track List:
01. Newborn Tomorrow
02. Book Of Life
03. When Worlds Collide
04. Dust To Dust
05. Infinity's Call
06. Through The Dark
07. Enemy Lines
08. Room 101
09. Arise
10. Salvation

Line up: Frederik Ehmke (bateria), Herbie Langhans (vocais), Alexander Schulz (baixo), Flo Laurin (guitarras, teclados)
Myspace:
www.myspace.com/sinbreedmetal
Website:
http://www.sinbreed.com/
Edição: Ulterium Records (
http://www.ulterium-records.com/)

Review: Dark World Burden (Painside)

Dark World Burden (Painside)
(2010, Inner Wound Recordings)


Depois de N.O.W, Painside é o segundo colectivo brasileiro a chegar à nossa mesa de trabalho neste primeiro trimestre de 2010. Um facto assinalável, até para contrariar a ideia que do país irmão se resumia a Angra e Sepultura. Dark World Burden é um trabalho actualizado, de metal contemporâneo mas que não esquece os seus antepassados. O álbum abre com Ignite The Fire que tem, precisamente essa função: a de ignição. E abre a todo o gás, com poder e velocidade. Trata-se de uma faixa que consegue congregar todas as influências que se irão ouvir mais ou menos dispersas e mais ou menos camufladas ao longo dos cerca de 43 minutos de duração de Dark World Burden. Vocalmente o registo de Guilherme Sevens situa-se ali algures entre Warrel Dane e Rob Halford. Melodicamente, podem colocar-se os Painside num cruzamento onde eventualmente se encontrem os Judas Priest e os Accept. Estrutural e dinamicamente, a banda assume a sua costela mais negra com referências quer a Nevermore/Sanctuary, quer com alguns toques de thrash metal da escola da Bay Area, onde o nome de Metal Church não será de todo descabido. Ou seja, os Painside são um autêntico caldeirão onde cabe de tudo um pouco. Só que os brasileiros conseguem dar a volta por cima e actualizam de forma poderosa a suas influências mais retro e por outro lado, fazem a mistura de tal forma bem diluída que a sua própria assinatura se enquadra na perfeição. Até porque a velocidade estonteante do inicio vai-se diluindo para dar lugar a um peso asfixiante de Where Darkness Rules ou a um aumento do groove em Collapse The Lies. Em This Dark World, um dos melhores momentos do álbum, a referência a Nevermore torna-se mais notória, para em Sand Messiah regressarem a melodia e as vocalizações estridentes de Judas Priest. A velocidade regressa em Serpent’s Tongue, num tema que faz a diferença pelas constantes mudanças e quebras rítmicas e que antecede a melódica The Edge. O fecho faz-se em alta com Redeemers In Blood, onde os brasileiros juntam o que vinham mostrando ao longo do disco: velocidade, poder, técnica e melodia. Num conjunto de 11 temas, na sua maioria relativamente curtos, a banda mostra competência suficiente para criar um álbum versátil e diversificado, assumindo as suas influências, não fugindo delas, mas contornando-as e imprimindo um cunho muito pessoal.


Track List:
01. Ignite the fire
02. Where darkness rules
03. Collapse the lies
04. The deviant
05. This dark world
06. Sand messiah
07. Forsaken
08. Serpent's tongue
09. The edge
10. Martyr
11. Redeemers in blood

Line up: Guilherme Sevens (vocais), Carlos Saione (guitarra), Marcelo Val (baixo), Daemon Ross (guitarra), André Andrade (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/painside/official
Website:
http://www.painside.net/
Edição: Inner Wound Recordings (
http://www.innerwound.com/)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Entrevista com Silent Call

Greed é mais recente proposta dos Silent Call, um colectivo sueco que mistura o metal melódico com o progressivo de uma forma muito interessante. Via Nocturna falou com o vocalista Andi Kravljaca sobre este álbum e a carreira dos Silent Call.

Como é que a vossa experiência noutros colectivos ajudou a criar os Silent Call?
Andi Kravljaca (AK): Acho que uma das coisas que foi muito evidente para nós era a velocidade com que as coisas aconteceriam. Não demorou muito para começarmos a sério a escrever canções e gravá-las. Eu acho que todos nós tivemos muito tempo para encontrar a nossa identidade como músicos e poderíamos começar a trabalhar nas músicas a partir de dia 1. Trabalhando em diversas bandas diferentes também nos criou diversas influências que combinámos de muitas maneiras emocionantes!


Greed é o segundo álbum de Silent Call. Que diferenças podes apontar entre este trabalho e o seu antecessor?
AK:
A grande diferença é que Greed é realmente um produto do colectivo funcionando em conjunto. Creations From A Chosen Path foi mais baseado em conceitos de música que foi feita antes da formação estar completa, enquanto todas as músicas de Greed têm o DNA musical de todos nós. Por isto, Greed também é um álbum mais obscuro, mais pesado e mais progressivo do que qualquer coisa que já fizemos antes. Apesar de Creations… ter sido muito bem recebido, nós próprios fizemos a nossa crítica dele e assim desta vez as músicas são mais longas, mais ásperas e mais complexas. Gostaríamos que as pessoas notassem e apreciassem o crescimento e as estruturas mais profundas deste álbum.


Ainda antes, editaram o EP de 4 temas, Divided. Que influência teve na criação do som dos Silent Call? "
AK: Divided foi um EP muito interessante porque foi feito muito cedo (na minha primeira semana na banda!) e representa aquela fase de conhecimento mútuo. Acho que dessa forma Divided deu-nos uma direção e permitiu-nos encontrar o nosso papel no processo de composição. Os álbuns que se seguiram aprofundaram essa direcção.


Como definiriam a vossa sonoridade?
AK: Essa é, realmente, uma questão delicada e não apenas para nós. Poderíamos dizer progressivo, mas cada vez que o dizemos referem-nos que não temos solos suficientes ou que os temas têm menos de 10 minutos – como se isso tivesse alguma coisa a ver com progressivo! Então, costumamos dizer melodic metal com muita influência progressiva para evitar um campo minado. No fundo, soamos como cinco músicos a tocar juntos sem grandes preocupações quanto a estilos.

Como decorre o processo de composição nos Silent Call?
AK: Há geralmente um processo que começa com a idéia de alguém - um riff, uma parte do teclado ou uma batida - que levamos para o estúdio de ensaio e desenvolvemos. Normalmente, o Daniel [Daniel Ekholm, guitarra] e Patrik [Patrik Törnblom, teclados] desenvolvem as ideias musicais e Micke [Mikael Kvist, bateria] acrescenta algumas batidas estranhas. Uma vez que eu sou o cantor e não tenho que me concentrar em tocar tento agir como uma espécie de produtor ouvindo e indicando quando as coisas devem ir numa ou noutra direção - e adiciono sempre algum prog extra! Depois, geralmente o Patrik e escrevemos a letra e a melodia, que gravamos, em seguida, em cima da base musical que já temos.

Em termos líricos, que questões são abordadas pelos Silent Call? Existe um conceito específico subjacente a Greed?
AK: Liricamente, Greed não é um álbum conceptual, portanto, não há um tema único. Há canções sobre a guerra, sobre o ambiente, sobre religião - até mesmo sobre a ficção científica! Mas nada é explicitamente mencionado. Esforçamo-nos muito para não ficar preso num género e a ideia que tínhamos para este trabalho era que demonstrasse raiva. Acho, porém, que a maioria de nossas letras são sobre mudar a vida, vivendo-a ao máximo, nunca olhar para trás.

E como decorreu o progresso de gravação?
AK: Com as vantagens da gravação digital fomos capazes de gravar a maioria das nossas faixas individualmente, nos nossos estúdios. Assim, os teclados e as guitarras foram gravados em Cold Creek, no estúdio do Daniel, os vocais em Valmont, no meu estúdio, e a bateria e baixo no Sounds vs Ciência, o excelente estúdio do Daniel Flores, em Estocolmo. Depois, foi tudo junto e enviado para o Martin Kronlund no JM Studios, em Gotemburgo para mistura e masterização.

Sendo demasiado cedo para ver a reacção dos fãs, que expectativas têm para este trabalho?
AK: As nossas expectativas para Creations... eram sermos suficientemente bem sucedidos que nos permitisse gravar um segundo álbum, elevar o nível de nossos concertos e que as pessoas ouvissem falar dos Silent Call. Conseguimos atingir esses objectivos. Agora, queremos estabelecer-nos como uma presença permanente na cena, participar em festivais e fazer uma tour a sério. Queremos também começar a reunir público nos concertos e na internet. Basicamente, os Silent Call estão aqui para ficar.

Que acções de promoção estão já programadas?
AK: Esta entrevista para começar! Felizmente têm chegado boas críticas, algumas entrevistas e artigos, air-play na rádio e assim por diante. Faremos um vídeo da música I Am My Nation, que será publicado em breve. Estamos a pensar em outros vídeos e documentários música-a-música, como da última vez. Infelizmente, não temos grandes concertos ou promo-tours mas estamos esperançados que com Greed se abram algumas portas para nós. Adoraríamos caminhar através delas sem nunca olhar para trás!

Stream: álbum e Tour em 2010

Os açorianos Stream lançaram o seu esperado álbum de estreia intitulado Follow The Stream. A banda volta a trabalhar com o produtor de An Other Story, Ivo Magalhães, nos IM Studios, do Porto. Já a masterização ficou a cargo do prestigiado produtor Pete Doell dos Universal Music Studios em Hollywood, que já trabalhou com R.E.M., Celine Dion, Marilyn Manson, entre outros... O alinhamento do álbum conta com 12 temas: Crazy, Hold On, Stand Up, Rush, Don't Worry, Deal With Life, Leave Me Alone, Listen, Not Strong, Wake Up e com os temas bónus An Other Story e o bónus exclusivo da edição portuguesa Mesmo a Vencer. A edição é da editora Nine Media Records que assim salvaguarda a edição portuguesa do disco. Do single, Stand Up será gravado, em breve, um vídeo clip que contará com a ajuda dos fãs da banda. Ficam, de seguida, as datas de Follow the Strëam Tour 2010:
04 ABRIL FNAC CASCAIS SHOPPING 17 Horas

06 ABRIL ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA - LISBOA

07 ABRIL FNAC VISEU 21 Horas

08 ABRIL CAFÉ CONCERTO – TEATRO VILA REAL 23 Horas

09 ABRIL FNAC STA. CATARINA – PORTO 18 Horas

09 ABRIL FNAC MARSHOPPING – MATOSINHOS 22 Horas

09 ABRIL PLANO B - PORTO 24 Horas

10 ABRIL FNAC MGUIMARÃES 17 Horas

10 ABRIL FNAC NORTESHOPPING – PORTO 22 Horas

terça-feira, 16 de março de 2010

Entrevista com Miss Lava

Na altura da nossa primeira conversa tinham dito que para o álbum se esperava mais e melhor em relação ao EP. Estavam muito confiantes e agora percebe-se porque. Era este o resultado que procuravam?
Sem sombras de dúvida!!!! Trabalhámos afincadamente com um objectivo bem delineado, e não descansámos enquanto não o atingimos. A nosso ver valeu a pena e estamos plenamente satisfeitos. (risos)

Nessa altura referiram, também, que não estavam a sentir muita pressão na preparação do álbum. Essa preparação continuou assim de forma tranquila?
Para o final do processo, começámos a sentir a pressão do relógio, tinhamos um deadline estabelecido com o Jens (o produtor Sueco que misturou o álbum) e tivemos que jogar com o pouco tempo livre (trabalho, familia, etc...) para concluir o trabalho. A forma como cada um de nós se comporta sobre pressão é diferente, foi também um momento de aprendizagem, mas tudo correu bem e na data pré estabelecida estávamos a caminho da Suécia com um sorriso estampado nas faces.

Blues For The Dangerous Miles, é um álbum muito forte. Estão, obviamente, satisfeitos, com o resultado final. O que pergunto é se sentem preparados para conquistar o mundo, pois o disco já foi disponibilizado a nível global?
O objectivo é dar a conhecer o nosso trabalho ao maior número de pessoas possíveis. É preciso não esquecer de que se trata de um primeiro longa duração.
Preparados estamos; se vai acontecer? concerteza que sim; No primeiro álbum? Ainda é cedo para dizer. (risos)
Essa disponibilização no mercado além fronteiras foi apenas digital ou também física?
Por agora só digital.

E como estão a ser as reacções desses mercados?
Mais uma vez, ainda é cedo. Há muito trabalho a ser feito.

Entretanto, recentemente mais uma referência: a presença do vídeo de Black Rainbow no MTV Headbanger’s Ball. É um momento importante na vossa carreira? Como o estão a viver?
Desde miúdos todos venerávamos o Headbanger's Ball, lembro-me de pedir cassetes de vídeo emprestadas a quem tinha a mágica parabólica. Era a referência e continua a ser. E como não podia deixar de ser, estamos muito felizes com o acontecimento, tem de facto um sabor muito especial.

Também a abertura para os Fu Manchu deve ter sido especial. Falem-me dessa noite.
Foi um dos melhores concertos que demos até hoje. Aquela sala cheia é de facto algo que nos deixa com pele de galinha, um ambiente incrivel, foi electrizante!!!!!! E também teve um sabor muito especial porque estivemos à espera até à ultima pela confirmação de que iamos tocar e poder realmente libertar essa tensão naquela noite foi incrivel.

E em Portugal como está a ser a aceitação?
Está a ser muito boa! Não nos podemos queixar. Penso que quem nos acom
panhava não viu as suas espectactivas defraudadas e quem não nos conhecia foi agradavelmente surpreendido. As críticas têm sido muito positivas, por tanto é um caso de so far... so good!!!!!

E espectáculos. Como está a ser ocupada a vossa agenda?
Depois da tour de lançamento e do slot com Fu Manchu, estamos a voltar à estrada. Em Portugal, vamos subir ao palco do Festival Efeito Borboleta a 13 de Março (com Black Bombaim e The Glockenwise), no Tramagal; vamos abrir para Entombed no Side B a 19 de Março e vamos ao Seixal a 20 de Março (com os Dawnrider). Depois, temos o Rockof em Cantanhede a 9 de Abril. Há mais coisas no ar em território nacional e umas quantas datas a serem validadas no estrangeiro. Vamos ver!!!! Não vivemos sem palco!!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Review: The Neverending Way Of ORwarriOR (Orphaned Land)

The Neverending Way Of ORwarriOR (Orphaned Land)
(2010, Century Media)


Seis anos após o sensacional Mabool – The Story Of The Three Sons Of Seven, os Orphaned Land estão de regresso com um novo trabalho, longo, progressivo, sensível, acentuando ainda mais a sua importância como ponto de confluência cultural, religiosa, étnica e musical. E tudo o que se ouve em The Neverendig Way Of ORwarriOR não é mais do que aquilo que esperaríamos de um colectivo com a capacidade técnica e melódica dos israelitas. Os momentos étnicos com a introdução de instrumentos tradicionais do seu país, as vocalizações pontualmente em hebraico ou em árabe, algumas linhas melódicas típicas da música daquelas paragens cruzadas com os apontamentos metálicos progressivos, vocalizações, por vezes bem fortes, e longos e soberbos solos de guitarra fazem deste trabalho, mais uma obra-prima do metal. E um dado inegável é que este colectivo, agora reduzido a quarteto mas adicionado de uma série de elementos convidados, é responsável por alguns dos mais impressionantes momentos da história do metal. Pouco interessa agora reflectir se The Neverending Way… é melhor ou não que Mabool. O que interessa é assinalar que os Orphaned Land são capazes de criar música mágica! E, é de magia que falamos quando se escuta The Neverending Way Of ORwarriOR. Porque um álbum tão longo como este podia cair na monotonia. Mas não cai: todos os temas diferem uns dos outros e, mais importante, mesmo dentro de cada tema há inúmeras variações. Até dentro das variações há variações! Tudo orientado para a perfeição. E se este termo pode ser difícil de definir ou apresentar alguma subjectividade, The Neverending Way Of ORwarriOR prova que pode haver unanimidade a esse respeito. Simplesmente porque é o álbum perfeito!

Track List:
[Part I: Godfrey's Cordial - An ORphan's Life]

1. Sapari

2. From Broken Vessels

3. Bereft In The Abyss

4. The Path Part 1 - Treading Through

5. The Path Part 2 - The Pilgrimage To Or Shalem

6. Olat Ha'tamid


[Part II: Lips Acquire Stains - The WarriOR Awakens]

7. The Warrior

8. His Leaf Shall Not Wither

9. Disciples Of The Sacred Oath II

10. New Jerusalem

11. Vayehi Or

12. M I ?


[Part III: Barakah - Enlightening The Cimmerian]

13. Barakah

14. Codeword: Uprising

15. In Thy Never Ending Way (Epilogue)

Line up: Christian Kobi Farhi (vocais), Uri Zelha (baixo), Yossi Sassi Sa’aron (guitarras), Matti Svatizky (guitarras)
Myspace:
www.myspace.com/orphanedmyspace
Website:
http://www.orphaned-land.com/
Youtube:
www.youtube.com/user/OrphanedLandTV
Edição: Century Media (
http://www.centurymedia.com/)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Review: Desert Call (Myrath)

Desert Call (Myrath)
(2010, Nightmare)


Depois dos Orphaned Land surpreenderem pelo exotismo da sua origem, eis que agora nos surge outra origem não menos exótica: a Tunísia. Em 2001, Malek Ben Arbia tinha apenas 13 anos quando ergueu os Myrath, banda de metal progressivo. Em 2005, a banda editou apenas no seu país de origem a estreia Double Face que lhe permitiu, por exemplo, compartilhar o palco do Carthage Amphitheatre com Adagio e Robert Plant. A partir deste momento a história do colectivo tem um volt-face: Kevin Kodfert, teclista dos franceses, fica impressionado com a qualidade dos Myrath e, depois de ouvir Double Face, ajuda-os a gravar Hope, um trabalho que seria editado mundialmente em 2007 pela editora francesa Brennus. Agora, três anos volvidos, o colectivo está de regresso com Desert Call, um álbum claramente progressivo, na linha de uns Symphony X, mas com um aport de etnicidade (à semelhança dos já citados Orphaned Land) que os ajudará, seguramente, a destacarem-se entre dezenas de outras bandas progressivas. Desde as percussões muito bem introduzidas até às variações vocais levadas a efeito por Zaher Zorgati, passando pela utilização de flautas, vive-se dentro de Desert Call muito ambiente árabe. Do mundo ocidental os Myrath herdaram a distorção, os longos solos, os duelos de guitarra com teclados. Curiosamente, nos momentos em a banda mais se afasta quer da sua componente étnica quer da sua referência principal (Symphony X), aproximam-se muito, em termos estruturais e criativos, dos nossos Forgotten Suns, como seja o caso de Empty World ou excertos de Hard Times (a faixa bónus). E é da confluência destas influências que surge um trabalho de elevado bom gosto e superior capacidade técnica. Desert Call, Madness, Silent Cries, Memories ou Shockwaves são alguns dos exemplos da fantástica capacidade criativa e de execução demonstrada por este quinteto que, desta forma, assina uma das melhores obras do ano até à data e que promete impor o seu nome como um dos melhores no actual panorama progressivo. E bem o merecem!

Track List:
01. Forever And A Day
02. Tempests Of Sorrows
03. Desert Call
04. Madness
05. Silent Cries
06. Memories
07. Ironic Destiny
08. No Turning Back
09. Empty World
10. Shockwave
11. Hard Times (Bonus Track)

Line up: Elyes Bouchoucha (teclados e vocais), Malek Ben Arbia (guitarras), Zaher Zorgati (vocais), Anis Jouini (baixo), Saif Ouhibi (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/myrathband
Youtube:
www.youtube.com/user/myrath
Edição: Nightmare Records (
http://www.nightmarerecords.com/)

Playlist 11 de Março de 2010


quinta-feira, 11 de março de 2010

Review: Greed (Silent Call)

Greed (Silent Call)
(2010, Escape Music)


Os Silent Call nasceram em 2006 em Estocolmo, na Suécia, com a junção de elementos que já vinham dando cartas na cena local. Logo em 2007, editaram Divided, um EP de 4 temas que lhes granjeou algum reconhecimento, mas foi com Creations From A Chosen Path, de 2008, que o nome Silent Call mais se deu a conhecer. Agora, dois anos volvidos voltam à carga com Greed, um álbum constituído por 11 temas de puro heavy metal, como manda a tradição sueca. Isto é, muita competência ao nível técnico e vocal, com as guitarras bem puxadas para cima, os teclados muito presentes, embora não castradores da sonoridade principal (leia-se: guitarras), secção rítmica forte e versátil. E se em termos de execução a fasquia está elevada, em termos de composição, o quarteto também demonstra ideias suficientes para criar estruturas bem complexas. No fundo, o seu heavy metal está, pode dizer-se, algo apimentado por algum progressivo. A banda tenta, de uma forma espontânea, seguir uma linha melódica, mas o que acontece é que por vezes os temas tornam-se pouco fluidos e com isso as melodias ficam menos apelativas. No entanto, há, indiscutivelmente, bons momentos em Greed: Every Day, Through The Endless Night, When The Angels Call Your Name e o tranquilo final em formato acústico, Clavain’s Tale, mostram que os Silent Call conseguem criar momentos que se aventuram na eternidade. A questão que se coloca é se esses temas, bem como outros apontamentos (onde destacaríamos: as interessantes harmonias criadas pela guitarra, em jeito de 2ª voz, no faixa The Wages Of Greed) por si só poderão ser suficientes para destacar este trabalho, que se pode considerar acima da média, da infinidade de outros lançamentos que surgem diariamente no mercado. A nossa convicção é que sem ser brilhante, Greed, merece um espaço seu, porque realmente os músicos empenham-se em conquistar esse espaço.

Track List:


1. Every Day

2. I Am My Nation

3. Through The Endless Night

4. All That Might Be

5. Dream Tomorrow

6. Turn The Tide

7. Unbreakable

8. Falling From Grace

9. When The Angels Call Your Name

10. The Wages of Greed

11. Clavain's Tale

Line up: Andi Kravljaca (vocais), Daniel Ekholm (guitarra), Patrik Törnblom (teclados), Tobbe Moen (baixo), Mikael Kvist (bateria)
Myspace:
www.myspace.com/silentcallswe
Website:
http://www.silentcall.se/
Youtube:
www.youtube.com/user/SilentCallOfficial
Edição: Escape Music (
http://www.escape-music.com/)

domingo, 7 de março de 2010

Entrevista com N.O.W.

Alec Mendonça, na realidade já tinhas gravado um álbum em 1996. Pode-se considerar isso como o embrião dos N. O. W.?
Alec Mendonça (AM):
Bem, na verdade, em 1996 eu tinha uma banda e nós conseguimos um produtor que estava disposto a financiar a gravação do CD pela Sonopress (Sony do Brasil). Só que o problema, é que havia muitas cabeças pensantes e o próprio produtor além de querer cantar em algumas músicas quis impor músicas de sua autoria. Então na verdade, apesar do CD ter várias composições minhas, eu tinha que ir pela cabeça do produtor, o que descaracterizou o álbum e o transformou numa salada musical. Esse álbum de 1996 tem os seus momentos e algumas músicas muito boas e pode ser considerado o meu começo mais profissional, sim.

Entretanto, estiveste 14 anos afastado da música. Consideras que foi importante esse afastamento ou, pelo contrário, sentiste necessidade de voltar a tocar?
AM: Na verdade, eu me afastei da música porque a minha mãe descobriu que estava com cancro da mama e ela era a directora de uma escola onde eu dava aulas. Por causa disso eu tive de assumir a parte administrativa do negócio também, o que me deixou sem tempo até para respirar. Eu trabalhava mais de 60 horas semanais, às vezes até 11:00 p.m. para estar de pé novamente às 7a.m. do outro dia. Mas a música nunca cessou dentro de mim, eu escutava música constantemente, sempre. O pior no meio disso tudo foi ter de vender o contra baixo que eu tinha..... Mas depois de conseguir reerguer o negócio da família e estabilizá-lo, graças a Deus consegui administrar tudo de uma maneira que eu pudesse a voltar a fazer o que eu mais amava, que é compor e tocar.

Os N.O.W. nascem somente após esse hiato, certo? Mas nessa altura os temas já estavam todos escritos ou não? Qual foi o input em termos de composição dos restantes elementos do grupo?
AM:
Sim, a banda N.O.W. nasceu em 2009, em Fevereiro para ser mais exacto. Eu ainda não tinha as canções, eu só tinha algumas ideias que pipocavam na minha cabeça e fui fazendo as músicas na base da inspiração, muitas vezes ligando o gravador e cantarolando a melodia como um louco onde quer que eu estivesse para não esquecer depois. O mais engraçado, é que eu muitas das vezes cantarolava a melodia mas já sabia exactamente a história que eu queria cantar naquela música, as frases também vinham à minha cabeça... Para falar a verdade, eu nunca me sentei e disse: agora eu vou compor. Às vezes eu fazia 3 músicas numa semana, mas depois ficava 3 semanas sem fazer uma só música.

Só depois surgiu o Philipe Bardowell. De que forma se conheceram?
AM
: O Philip é uma pessoa fantástica, que eu entrei em contacto via e-mail no myspace. O Lou Gramm (Foreigner) é um dos meus maiores ídolos! E para a minha surpresa, quando eu escutei o album Places Of Power eu mal podia acreditar na semelhança de voz dos dois, fiquei extasiado! E com isso eu entrei em contacto com ele, mas nunca podia esperar que ele aceitasse ou gostasse tanto das músicas. Após isso, trocamos algumas ideias e ele marcou o estúdio em Los Angeles com o engenheiro Gary Griffin (Beach Boys) para a gravação dos vocais. Eu enviava os arquivos em MP3 para ele e ele colocava as trilhas, chegando aqui era só sincronizar, adicionar as minhas vozes e misturar.

Qual o papel do Philip nas linhas vocais por ele interpretadas?
AM: Eu enviei um texto enorme para o Philip dizendo como eu achava que as músicas deveriam ser cantadas, uma por uma, o tipo de interpretação e tudo mais. Logicamente que eu deixei na mão dele a palavra final, afinal, ele é um cantor fantástico e quem sou eu para discordar de qualquer coisa que ele dissesse. Mas a nossa relação acabou por se transformar em amizade, por ele ser uma pessoa tão familiar e trabalhador, assim como eu. Philip canta todas as músicas do vocal principal, e eu faço todos os backing vocals e harmonizações vocais do álbum.

Segundo o press-release, Philip terá dito que poria todo o seu coração nos temas. Ouvindo a sua interpretação pode dizer-se que pôs mais que o coração: pôs toda a sua alma e emotividade. É, também, o vosso sentimento?

AM: Sem dúvida! Muitas pessoas têm dito que esse é o trabalho mais emotivo do Philip e eu concordo plenamente.

Entretanto surge o contacto da Escape Records. A procura de uma editora que pudesse levar mais longe o nome N.O.W. era um prioridade ou nem por isso?
AM
: Sim, pois apesar de eu ter sido contactado por mais 2 gravadoras, eu achei que o que o presidente da Escape, Khalil, me ofereceu condizia com tudo que eu precisava para mostrar esse meu trabalho ao mundo.

E foi fácil o recrutamento de músicos para preencher os lugares dos N.O.W.?
AM
: Mais ou menos. Logo de cara eu consegui encontrar o Jean Barros através de um contacto do Leo Mendes (Highest Dreams). O problema é que o Jean Barros é um músico super requisitado no Brasil, já tendo trabalhado com todas as feras do MPB daqui. Mas ele gostou tanto das músicas e era um trabalho tão diferente do que ele estava acostumado a fazer que ele aceitou depois de uma certa insistência minha e tudo foi gravado na casa dele, quero dizer, as bases todas de teclados, arranjos, cordas, etc... Mas como ele mora a mais de 80 quilómetros da minha casa, era sempre cansativo. Após isso eu entrei em contacto com um amigo de infância meu, o Carlos Ivan, que me ajudou a criar todo o fantástico mundo das guitarras dos N.O.W. Ivan é um talento nato e acrescentou muito a essa singularidade do álbum, deixando ele com uma cara meio que de anos 70 mas com um som moderno ao mesmo tempo. Eric Leal também é um amigo de longa data e um excelente baterista, um dos melhores do Rio de Janeiro que aceitou de imediato. Ele participou do meu primeiro álbum em 1996 também. O Caio de Carvalho foi indicação do estúdio e assim que eu o conheci nós nos conectamos. Ele ama o mesmo estilo que eu e com isso conseguiu transmitir todo o toque bluesy e melódico que ele tem para as músicas. Sem querer, quando eu percebi, havia montado uma banda da exacta maneira que eu imaginava que deveria ser.

Considero que Force Of Nature é um dos melhores álbuns do seu estilo em muitos anos. Por isso, devem estar satisfeitos com o resultado?
AM: Estamos satisfeitíssimos! Eu estou me surpreendendo com o excelente feedback do álbum, apesar de ser cedo ainda e acredito que todos estejam muito satisfeitos com o resultado, inclusive a Escape.

Sendo ainda cedo para teres obtido algum feedback, mas estando conscientes do grande trabalho que os NOW têm em mãos, as expectativas estão em alta?
AM: As expectativas estão bem altas, até porque já estamos recebendo bastante feedback de toda a Europa! Muitos críticos estão comparando os N.O.W. com bandas clássicas e isso tudo é inacreditável para mim. Eu sou bem realista e
apesar de tudo isso estar a acontecer, a minha maior esperança é gravar um segundo álbum para mostrar ao mundo que eu não sou um artista de um disco só. Já tenho 8 composições novas prontas e acredito estarem ainda melhores do que as primeiras. Uma coisa que eu sempre procuro, é inovar, ser diferente, não gosto da mesmice e eu acho que o grande público também não. As músicas do álbum acabaram saindo com aquele algo a mais, com uma singularidade que fez ele se destacar no meio de tantos álbuns bons. Espero que os fãs escutem o disco com o mesmo prazer que eu tive ao fazê-lo.

E o que está planeado em termos de apresentação deste álbum ao vivo? Algo para Portugal?
AM: Na verdade hoje em dia, o CD é que puxa a banda, se tivermos um nível de vendas excelente em Portugal e houver algum festival que formos chamados, há essa possibilidade sim, afinal, sempre fui um músico de tocar ao vivo e adorava dar shows.

Obrigado, parabéns pelo álbum e felicidades.
AM: Um grande obrigado à você também, por estar dando esse espaço tão importante para nós. ROCK ON!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Review: Wild Power (Steel Horse)

Wild Power (Steel Horse)
(2009, Avispa)

De Espanha são poucos os nomes metálicos com impacto, isso é um dado mais de que adquirido. Então porque razão estes rapazes de Madrid, fizeram tanto furor com a sua estreia Wild Power, tendo sido citados em revistas de referência como a Metal Hammer ou a Kerrang!? Bom, acima de tudo porque Wild Power é, realmente, uma daquelas estreias que marcam. Sem serem particularmente inovadores, o que os Steel Horse fazem está bem feito e, acima de tudo, conseguem recuperar a mística do heavy metal que há muito parecia perdida. O solo inicial de Sons Of Fire remete-nos, de imediato, para um nome: Iron Maiden. Mas no desenvolvimento destes nove temas há outras influências a surgir. Judas Priest é outra das mais evidentes e, muito principalmente, Riot do tempo do sensacional Thundersteel. A escola é, pois, das melhores; os mestres são de grande calibre; os alunos são aplicados e trabalhadores e o resultado só poderia ser um grande disco de puro e genuíno heavy metal, daquele que nos põe a abanar a cabeça e a bater o pé do princípio ao fim. Empolgantes cavalgadas rítmicas cruzam-se com solos de elevada craveira, ritmos cheios de groove e melodias orelhudas para criarem este conjunto de temas que prometem colocar os Steel Horse no mais importante patamar do metal internacional. E merecem-no porque temas como Sons Of Fire, Raise Your Fist, Night Terrors ou o fantástico instrumental Nemesis são, realmente, malhas inesquecíveis.

Track List:
1 Sons Of Fire
2 Run To Survive

3 Burning Soul

4 Wild Power

5 Nemesis

6 Raise Your Fist

7 Line Of Fire

8 Winds Of Time

9 Night Terrors


Line up: Jorge Cortes (vocais), Willy Gascon (Guitarras), Angel Muñoz baixo), Ruben Salvador(bateria)
Myspace:
www.myspace.com/steelhorsemetal
Edição: Avispa Music (
http://www.avispamusic.com/)

Playlist 04 de Março de 2010


quarta-feira, 3 de março de 2010

Review: Tremor (Common Fluid)

Tremor (Common Fluid)
(2010, Edição de autor)


O primeiro aspecto a chamar a atenção são os nomes que surgem nos créditos da estreia desta banda de Sintra e que, desde logo, impõem respeito: gravação de Makoto Yagyu (If Lucy Fell) nos Black Sheep Studios; mistura de Fernando Matias (F.E.V.E.R., Madcab, Linda Martini), masterização de Ed Brooks (Pearl Jam, Isis) em Seattle. Mas mais que um somatório de nomes, Tremor assume-se como uma impressionante colecção de emoções e vivências transpostas para um conjunto de onze canções. De facto, por detrás de uma aparentemente frágil e inocente melodia, muitas vezes sem recurso a distorções significativas, os Common Fluid criam fantásticos arranjos instrumentais, onde a secção rítmica, versátil e dinâmica, inventa variações rítmico-estruturais arrebatadoras. Por outro lado, as guitarras com um trabalho pouco linear, evoluem numa espiral jazzistica, deambulando por diversos territórios, desde o pós-rock ao grunge e até ao metal. E a adicionar a isto, deve referenciar-se a superior capacidade que a banda denota na criação de verdadeiras canções. O trabalho fecha com um longo épico de oito minutos que compila, na perfeição, tudo o que de bom a banda tinha desenvolvido em trechos vibrantes como Mid-Air Collision, Hypersensitive, Placenta ou Eyewall, os momentos maiores de um álbum todo ele feito em grande nível.

Track List:

1. Whale Song
2. Numskull
3. Mid-Air Collision
4. Hypersensitive
5. Quiet Revolution
6. Placenta
7. Oxygen
8. Nicotine
9. Eyewall
10. Via Satellite
11. All The Space In Between

Line up: Bruno Martins (guitarra, vocais), Hugo Gamenho (guitarra), João Gonçalves (bateria), João Sousa (baixo)
Myspace:
www.myspace.com/commonfluid

Review: All Those Strangers (Vain)

All Those Strangers (Vain)
(2010, Jackie Rainbow)

Decorria o ano de 1989 quando os Vain, licerados por Davy Vain editavam No Respect, uma estreia de tal forma auspiciosa que dois temas, Beat The Bullet e Who’s Watching You, tiveram direito a vídeo com rodagem maciça no Headbager’s Ball. Uma extensa tournée norte-americana e uma outra no Reino Unido como suporte dos Skid Row fazia prever um futuro brilhante para a banda. Mas infelizmente isso não aconteceu. Quando em 1991 a banda se preparava para lançar All Those Strangers, a sua editora, Island Records, colapsou e, para além disso, o seu glam rock já tinha sido ultrapassado pelo Grunge. Como um mal nunca vem só, Danny West e Tommy Rickard saíram da banda. Com o recrutamento de Shawn Rorie e Steven Sdler (esse mesmo, dos Guns' n Roses), o colectivo acabaria por mudar o seu nome para Roadcrew. Portanto, apesar de surgir muitas vezes em referências discografias, a verdade é que All Those Strangers nunca viu a luz do dia. Dezanove anos se passaram e agora é o próprio Davy Vain que edita esse álbum, com todas as faixas a serem retiradas directamente dos masters originais. O que aqui se ouve é hard rock no seu formato mais colorido, como era timbre da época. Nomes como Ratt, Poison ou Motley Crue são referências mais que óbvias neste conjunto de 11 temas que alternam entre o rápido e o meio tempo mas que se apresentam, quase todos, de uma forma simples e directa. Por isso, nada de novo. O que leva a sugerir a questão do porquê da edição desta obra ao fim de tanto tempo. Mesmo considerando o movimento retro a que se assiste actualmente, parece-nos que All Those Strangers surge completamente descontextualizado e destinar-se-á apenas a coleccionadores ou aos indefectíveis fãs da banda.

Track List:
01. Love Drug
02. Planets Turning
03. Shooting Star
04. Too Bad
05. Far Away
06. Wake Up
07. Freak Flag
08. Here Comes Lonely
09. Shouldn’t Cry
10. Do You Sleep With Strangers?
11. Looking Glass

Line up: Davy Vain (vocais, guitarra), Danny West (guitarra), Ashley Mitchell (baixo), Jamie Scott (guitarra), Tommy Rickard (bateria)
Website:
http://www.davyvain.com/
Edição: Jackie Rainbow Records

segunda-feira, 1 de março de 2010

Entrevista com TrYangle

Os TrYangle existem há 8 anos. Em 2009 chegaram finalmente ao álbum de estreia. Sentiam que este era o momento para darem o salto?
GONÇALO DA SILVA NOVA (GSN):
Os TrYangle formaram-se em 2002. Não, sentimos que este foi o único momento em que nos deram a oportunidade de lançar um álbum.

Depois da demo/cd, a Lockjaw Records apostou nos TrYangle. Sentiram algum tipo de pressão na composição deste álbum?
GSN:
As músicas já estavam todas feitas e apenas cinco careciam de gravação quando assinamos o contrato, não sentimos pressão alguma dos senhores ingleses da editora.

Permitam que vos diga que o artwork é fantástico. Está de uma simplicidade desarmante. Consideram que representa bem o espírito TrYangle?
GSN:
Ao contrário do que possa parecer, o artwork foi calma e metodicamente pensado e criado. Primeiro: dar-te os parabéns por teres sido o primeiro a frisar o aspecto visual do disco. Segundo: obrigado por compreenderes a intenção do mesmo. Significa muito para nós que, no actual panorama musical de foto com ligeiro eye liner e roupa pseudo-desleixada na rouquidão confusa da tabela pantone, alguém perceba que a música dita íntegra deve ser entregue em pack como um bombom bem embrulhado para o prezado ouvinte. Um dos bons. Portugal também pensa com a cabeça de cima.

Como decorreu o processo de gravação?
GSN:
Foi um processo relativamente simples e rápido, também por ter sido gravado no estúdio de um amigo, o ambiente foi fácil, nada de tensão. As músicas estavam ensaiadas bem antes disso.

Em termos líricos, que temas são abordados em TrYangle?
GSN:
Como autor, devo dizer que não há nenhum tema específico na globalidade das letras, são apenas coisas pessoais que se apaixonaram irremediavelmente pelo papel.

As críticas, pelo que tive oportunidade de confirmar, têm sido muito positivas, mesmo além fronteiras. Têm-vos sido abertas algumas portas no que diz respeito ao mercado externo?
GSN:
Não se abriram portas nenhumas, causar-te-á alguma estranheza, mas é verdade. Absolutamente nenhumas. A verdade é: estamos em Portugal periférico e somos portugueses periféricos em Portugal, portanto, nem cá dentro nem lá fora.

Consideram que os TrYangle, como alguém escreveu, redefinem o rock, como nós o conhecemos actualmente?
GSN:
Com a modéstia que a questão pede, acho que nós somos a melhor banda de rock que ouvi desde que começamos a fazer música. Fazemos o rock de uma forma descomplexada e sem qualquer tipo de condicionalismos, conhecendo a história do género como o bê-á-bá – até porque nada é sem o que foi –, sem influências externas nem capas de revista, de moda.

E para o futuro? Que objectivos têm os TrYangle traçados?
GSN:
Partindo do princípio que toda a gente tem sempre objectivos maiores e tendo em conta o resposta à questão 6 dixit: ora, como banda do meio, o plano será continuar na cepa torta a lançar discos atrás de discos sem que qualquer um deles leve mais do que uma boa palmadinha nas costas. Aliás, a tua palmadinha foi óptima, numa maneira muito pouco sexual de ser (e ainda bem). Obrigado pela boa entrevista e pelo interesse!