terça-feira, 29 de junho de 2010

Entrevista com Angelus Apatrida

Diz o povo na sua sabedoria que de Espanha nem bom vento nem bom casamento. Se isso é verdade ou não nunca foi possível confirmar, agora que os ventos sonoros que sopram dos nossos vizinhos são de classe, isso ninguém tem dúvidas quando se escuta Clockwork, o mais recente trabalho dos Angelus Apatrida, banda de Albacete que, surpreendentemente conseguiram captar as atenções de uma das maiores labels da actualidade, a Century Media. E é mais um trabalho com a chancela de qualidade de Daniel Cardoso e dos UltraSound Studios.
Fala-nos um pouco da história dos Angelus Apatrida.
A banda nasceu na cidade espanhola de Albacete, em 2000, a partir de duas bandas que partilhavam a mesma sala de ensaios. Um dia nós tocámos algumas músicas juntos e decidimos fazer uma nova banda. Nesses primeiros anos nós tocávamos algo como power ou speed metal ou mesmo heavy metal clássico, mas em meados de 2002 o vocalista e baterista deixou a banda e fomos endurecendo a nossa música e atitude e, gradualmente, tornamo-nos numa banda de thrash metal. Depois de dois lançamentos independentes a Century Media assinou connosco e agora temos o nosso novo álbum, intitulado Clockwork.

Vocês assinaram com a gigante Century Media e são apontados como uma das suas esperanças. Como se sente actualmente?
Vocês podem imaginar! É algo como um sonho, estar numa das melhores editoras de metal do mundo, gostarem da nossa música e querem apresentar o nosso álbum como a nova esperança internacional do thrash metal! Sentimo-nos cada vez mais fortes e ansiosos para ver como os metaleiros do mundo irão receber o novo álbum da banda e os nossos espectáculos. Por nós, estamos prontos para aderirmos a esta nova vaga de thrash metal!

Como é que uma banda de uma cidade pequena como Albacete consegue atingir um estatuto tão alto?
Bem, tem sido um longo caminho. Temos trabalhado arduamente É extremamente difícil ganhar uma posição na cena metal espanhola onde as bandas normalmente vêm de grandes cidades ou cidades mais conhecidas. Mas nós estávamos a conquistar cada vez mais audiências com os nossos lançamentos e tournées por toda a Espanha, incluindo alguns dos mais importantes festivais. Por isso penso que não importa de onde se vem. O importante é estar no momento certo e no lugar certo e fazer o melhor possível, ir melhorando e apostar tudo em palco, pois pode ser a última vez!

As vossas principais influências são da cena thrash da Bay Area, certo? Que nomes são mais importantes no crescimento de Angelus Apatrida?
Sim, juntamente com a NWOBHM e outros, a Bay Area é uma das nossas maiores influências! Nós somos mais influenciados pelas épocas e estilos que por bandas, mas se tiver que falar de algumas delas, diria, Megadeth, Metallica, Sepultura, Testament, Overkill ... e, claro, Iron Maiden!

A gravação teve lugar em Braga, com Daniel Cardoso. Alguma razão especial?
Os nossos amigos Killem de Espanha falaram-nos do Daniel e do seu estúdio. Ele enviou-nos um link da página do myspace e nós simplesmente amamos o que ele tinha gravado! Já estivemos em Portugal algumas vezes tocando ao vivo e gostamos muito do vosso país, muito semelhante a Espanha (e muito perto, também!). A cerveja e comida são muito baratas; por isso, por que não gravar aí? Estava tudo bem para nós e para a editora e passámos um tempo fantástico aí!
E como foi esse processo de gravação?
Fantástico! O Daniel é um monstro da produção e Pete é muito bom como engenheiro logo tudo correu sobre rodas. Ficamos cerca de duas semanas aí e posso dizer que foram as sessões de gravação mais profissionais em que já estivemos. Costumávamos terminar as sessões de gravação à meia-noite e depois íamos beber umas cervejas com Daniel e Pete e divertirmo-nos. Foi muito engraçado trabalhar com eles!

Agora que já olharam e escutaram Clockwork, quais são as vossas sensações?
Nós pensamos que acabámos de gravar o nosso melhor álbum de sempre! Sim, é uma resposta típica de bandas que acabam de lançar o seu novo álbum, mas nós estamos mesmo muito felizes com o resultado final. Nós pensamos que é perfeito para pessoas que apenas agora começaram a ouvir a banda e os meios de comunicação europeus estão fazendo excelentes reviews! Estamos muito felizes e orgulhosos com o Clockwork e estamos ansiosos para poder tocá-lo vivo na nossa próxima tournée europeia!

Vocês escolheram o tema Be Quick or Be Dead dos Iron Maiden para fazer uma cover. Por quê?
Nós todos crescemos a ouvir Iron Maiden e eles são minha banda favorita desde que eu era criança. Quando a Century Media nos deu a possibilidade de introduzir uma faixa bónus quisemos gravar um tema dos Maiden como forma de tributo uma vez que eles são uma das nossas maiores influências. Escolhemos este tema porque achamos que ele iria encaixar perfeitamente no estilo da banda por causa de sua velocidade, mas não é a nossa canção favorita [risos] nem Fear Of The Dark o nosso álbum favorito. Queríamos que as pessoas entendessem como os Iron Maiden nos influenciaram ao nível dos solos de guitarra e das estruturas de tal forma que esta versão poderia ter sido perfeitamente uma canção dos Angelus Apatrida. Pelo menos assim que nós a vemos!

E projectos futuros? Alguma coisa em vista?
Neste verão estaremos presentes em alguns importantes festivais e vamos iniciar uma forte campanha ao vivo pela Europa, em Agosto/Setembro com os nossos companheiros de editora Warbringer e os fantásticos Skeletonwitch. Serão cerca de 20 datas e estamos ansiosos para começar esta tournee! Depois, voltaremos a Espanha e talvez Portugal para apresentar este novo álbum numa outra tournée. Mas o melhor é irem verificando as datas!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Review: Nemesis Divine (Gallows End)

Nemesis Divine (Gallows End)
(2010, Farvahar)

Concebido para ser um projecto individual do multi-instrumentista sueco Thord Klarstrom, rapidamente os suecos Gallows End evoluiram para um colectivo de quarto elementos que se estreou em 2007 com o EP Kingdom Of The Damned e agora apresenta o seu primeiro longa duração sob a denominação de Nemesis Divine. Trata-se de um conjunto de 12 temas de puro e clássico heavy metal, feito como mandam as boas regras com base na NWOBHM, nomeadamente Iron Maiden e perfeitamente adaptado aos nossos dias fruto da inclusão de elementos da escola sueca de metal melódico, nomeadamente HammerFall. E dentro deste conjunto de temas o que mais se realça são a grande capacidade técnica de Klarstrom que lhe permite executar (nalguns casos em conjunto com o segundo e, também, excelente guitarrista, Peter Samuelsson) um conjunto de solos de elevada craveira técnica e simultaneamente de grande intensidade melódica. Aliás, refira-se que a base principal de todo o álbum é a guitarra sempre bem puxada para cima e sempre forte o que propicia a criação de riffs muito interessantes e bases sólidas. A parte vocal sempre limpa mas forte apresenta, no entanto, alguma fragilidade ao nível da forma como cada verso é concluído e alguma monotonia. Aliás, refira-se que um dos principais problemas de Nemesis Divine é, precisamente, alguma incapacidade de os suecos se libertarem e conseguirem arriscar na composição e na forma como abordam os temas. A produção é boa, clara, límpida e perceptível, algumas ideias são boas, mas só a alteração de ritmos mais ou menos cavalgados por si só é insuficiente para captar e manter a atenção do ouvinte. Há aqui um conjunto de bons temas, com particular destaque para Nemesis Divine, Soul Collector, The Curse ou Set The World In Flames que merecem a audição do disco, mas fica a ideia que os Gallows End poderiam ter ido mais além. E é o que tentam fazer na faixa final, a épica Riders Of The North realmente mais elaborada e intrincada. E isso quer dizer que, sendo este o primeiro álbum da banda, há ainda muito caminho a explorar e a banda mostra que sabe por onde pode ir, bastando limar algumas arestas. Os amantes do metal melódico feito como mandam as regras suecas, seguramente irão encontrar aqui uma obra com algum interesse; aos outros aconselha-se a descoberta, quanto mais não seja pela capacidade técnica de Klarstrom.
Track List:1. Nemesis Divine (Trial Of The Gods)
2. Soul Collector
3. Kingdom Of The Damned
4. No Return
5. The Curse
6. Set The World In Flames
7. Not Your Own
8. Different Eyes
9. The End
10. The Unborn Flag
11. Storm Of Fate
12. Riders Of The North

Line up:
Thorn Klarstrom (vocais e guitarras), Niklas Nord (baixo), Peter Samuelsson (guitarras), Mikael Karlsson (bateria)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Entrevista com A Dream Of Poe

Lady Of Shalott é já o quarto registo para os açorianos A Dream Of Poe, representa a estreia de um novo vocalista, João Melo e serve de aperitivo para o álbum que deverá ser editado no Outono. Por isso, havia vastos motivos de interesse para Via Nocturna interpelar Miguel Santos a mente criativa por trás deste projecto.

Qual o objectivo que os A Dream Of Poe se propõem atingir com este EP?
Este EP foi lançado com o objectivo de criar alguma curiosidade à volta do futuro álbum de A Dream of Poe e, por consequente, à volta de A Dream of Poe. Está a ser usado também como promoção em diversos meios de comunicação nacionais e internacionais. No geral o EP está a ter uma boa aceitação entre os amantes de Doom, pelo que os objectivos estão, de facto, a ser atingidos. Outros objectivos foram propostos, como o de atrair o interesse de editoras, felizmente este ponto já foi atingido, sendo que o álbum The Mirror of Deliverance será lançado pela editora ucraniana ARX Prod.

Lady Of Shalott inclui duas versões do EP anterior. Com que finalidade recuperaram esses dois temas?
Confesso que não fiquei muito satisfeito com a qualidade sonora de ambos os temas no anterior trabalho, Sorrow For The Lost Lenore. O actual EP de inicio seria um single onde apenas incluiria as duas versões do tema Lady of Shalott e a cover de The Cure. No entanto, e devido ao meu descontentamento com a qualidade sonora dos originais do último trabalho, resolvi transformar o que seria um single num EP, adicionando à tracklist o tema Laudanum que foi totalmente regravado (exceptuando a voz) e o tema Whispers of Osiris que apenas foi remixado e remasterizado.

E temos também uma versão dos The Cure. É uma escolha aparentemente pouco óbvia. Por isso, a questão impõe-se: porque a escolha desse tema?
Primeiro que tudo devo dizer que antes de ser um amante de Doom e de Metal sou um amante de tudo o que é boa música e sinto uma especial atracção pela música feita nos anos 80. Os The Cure são um dos colectivos que mais admiro em todo o panorama musical, e já em 2006 no trabalho Delirium Tremens havia feito uma versão deles, no caso foi o tema A Forest. Outra razão que me leva a escolher estes temas pouco óbvios é o facto de ser muito mais gratificante, muito mais desafiante, transformar um tema que pouco ou nada tem a ver com Doom Metal, por isso num futuro EP ou single pode muito bem acontecer fazer uma versão de outros grupos como Siouxsie & The Banshees, Eurythmics, Peter Murphy/Bauhaus, Nick Cave, Duran Duran… enfim, tudo o que eu considerar ser boa música está sujeito a ser vitima de destruição [risos].

Neste EP estreia um novo vocalista. Qual foi o seu input ao nível criativo?
Eu dei toda a liberdade de interpretação ao João. Ele é um músico muito versátil e compreendeu bem o que pretendia para este trabalho. Todo o trabalho de vocalização foi feito pelo João enquanto que eu apenas fui dando a minha opinião relativa ao trabalho dele. Devo dizer que fiquei extremamente satisfeito com o seu excelente trabalho.

Quanto ao longa duração, para quando podemos contar com ele?
O álbum sairá no Outono, muito provavelmente durante o mês de Outubro, mas não passa de uma previsão visto que não há, para já, uma data definida, e faço até questão de não anunciar uma data certa enquanto não estiver tudo concluído.

Já estão em estúdio? Se sim, como está a decorrer todo o processo?
Iniciei o processo em Janeiro no meu próprio estúdio, SPS, e tem corrido relativamente bem. Como não tenho a pressão de terminar o trabalho num determinado período de tempo, sinto-me à vontade para gravar sempre que tenha disponibilidade, fazendo deste modo que seja um processo muito natural e sempre ao meu próprio ritmo. Para já o instrumental está gravado, apesar de ainda não o ter dado por concluído pois pode sempre surgir uma ideia ou outra. Estamos actualmente na fase da gravação das vozes e até agora tem corrido tudo como planeado.

Em estúdio executas todos os instrumentos, certo? E como é ao vivo? É fácil encontrar os músicos certos para este tipo de sonoridade?
Sim, em estúdio, e desde este último trabalho, sou eu que executo todos os instrumentos, desde a bateria até ao baixo. Ao vivo, acaba por ser fácil, o mais complicado é mesmo o organizar da agenda. Os músicos que me acompanham ao vivo têm também os seus projectos, as suas bandas, neste caso especifico são os músicos e amigos de In Peccatum (banda que também faço parte como teclista desde 2006) que me ajudam a levar A Dream of Poe para cima do palco. O João Melo também ingressa nos Nableena, assim sendo é necessário uma boa organização de toda uma agenda para que seja possível agendar ensaios de forma a que não prejudique os projectos de cada músico. Devo confessar que, se não tivesse os meus colegas de In Peccatum a se disponibilizarem para me ajudarem em A Dream of Poe, seria de facto muito difícil numa região como os Açores encontrar os músicos certos e com o profissionalismo necessário para levar este projecto para cima do palco.


Fala-se da hipótese de uma tournée europeia no inicio de 2011. Qual é ponto da situação?
Neste momento há já um concerto confirmado na Alemanha enquanto que ainda estamos a negociar as condições gerais de outros. A tournée e todos os aspectos relacionados com o agenciamento dos concertos está a ser feita através da Ripper Management gerida por um dos guitarristas de Syrach, banda de Doom originária da Noruega e que fazem parte do catálogo da Napalm Records. O facto de estar a trabalhar com uma agência deixa-me espaço para me concentrar no objectivo primário que é terminar as gravações do álbum.

Para além do álbum, que outros projectos tens em mãos actualmente ou estão em preparação para o futuro?
A prioridade actualmente é divulgar ao máximo o EP Lady of Shalott, em simultâneo terminar as gravações do álbum The Mirror of Deliverance para então depois iniciar toda a promoção referente a lançamento do álbum, o que naturalmente inclui a tournée.

domingo, 20 de junho de 2010

Entrevista com Mindlock

A comemorar 15 anos de carreira, os algarvios Mindlock assumem-se como um dos nomes mais importantes do cenário de peso da zona sul do país. Com Enemy Of Silence, o seu segundo trabalho, a banda volta a mostrar que não conhece nem tréguas nem concessões, assinando um dos mais fortes lançamentos do metal nacional deste ano. Para nos contar tudo, Via Nocturna contactou com Francisco Aragão e Carlos Vilhena.

Após 15 anos de carreira, como vêm esta edição do vosso segundo álbum, 7 anos depois de Ego Trip?
Não podia ser melhor. Percorremos um longo caminho até chegar ao resultado deste novo álbum. Foi uma caminhada difícil e nunca estivemos realmente parados. Muita gente não se apercebe das dificuldades que as bandas nacionais passam para se conseguirem manter activas e gravar algo que não seja apenas mais um conjunto de temas. Este álbum é o reflexo da experiência que tivemos enquanto banda para alcançar este tão aguardado trabalho. Foram precisamente as vivências ocorridas nesses 7 anos que serviram de inspiração para Enemy Of Silence. Estamos muito contentes com o resultado final, e temos a certeza que não fica atrás do que se faz por outros paises. Este album é 100% gravado, produzido e masterizado em Portugal.

E há alguma sensação especial por se tratar do primeiro lançamento da Rastilho Metal Records?
Claro que sim. A Rastilho foi a nossa primeira aposta para a edição deste álbum, logo, ficámos muito satisfeitos com o feed-back que tivémos. O facto de Enemy Of Silence inagurar a Rastilho Metal Records foi uma surpresa para nós e algo que acolhemos com muita satisfação. É sempre bom ter o reconhecimento do nosso trabalho, e pela primeira vez em 15 anos conseguimos o apoio de uma editora de renome em que, de certa forma, nos revemos, pois acompanhámos a sua evolução e sabemos que batalhou muito para chegar ao nivel em que se encontra. Por esse motivo sentimo-nos compreendidos e também respeitados pela Rastilho. É uma editora em que acreditamos e que está bem por dentro da realidade nacional a nível do mercado musical em que nos inserimos.




De que forma é que Enemy Of Silence demonstra a evolução da banda desde Manifesto, passando por Ego Trip?
Amadurecemos muito como músicos e como pessoas desde o nosso primeiro lançamento. Já nos conhecemos muito bem dentro e fora da sala de ensaio e sabemos até onde cada um pode chegar a nível tecnico e o que tem para dar a nível creativo.
Então, em “Enemy Of Silence”, decidímos sair do nosso ponto de conforto onde poderíamos ter feito um disco à imagem daquilo que tínhamos feito anteriormente, mas optámos por outra via. As batidas são mais rápidas, os riffs mais agressivos, o groove mais tenso e a mensagem mais directa e real. É um disco muito mais agressivo que os anteriores mas mais maduro. Achamos que conseguimos alcançar maior coesão e coerência ao nivel de composição e da mensagem que queremos transmitir. É disco com uma sonoridade mais dura criando mais momentos de tensão, sem desfazer a melodia e alguns momentos mais atmosféricos.

Afinal, porque Enemy Of Silence?
Tal como o nome indica, a escolha do título sugere uma questão meramente estética mas esconde uma outra interpretação. O título surgiu depois de ouvirmos as músicas e de tentarmos chegar a um nome que ligasse todos os temas gravados. Chegámos a Enemy Of Silence por ser para além de uma associação ao nível da caracterização sonora do grupo, uma metáfora para quem diz e faz o que quer e se recusa a ser silenciado no meio musical. Por outro lado é um álbum bastante agressivo e uma metalada pura. Como se costuma dizer entre a comunidade metaleira o metal é para se ouvir bem alto e este nosso trabalho não é excepção.

E em termos líricos, que tópicos são abordados pelos Mindlock?
As relações inter-pessoais e o que elas podem desencadear de negativo ou positivo em nós são o tema central de Enemy Of Silence. As desilusões, os momentos de angústia, a incapacidade de procurar soluções e toda a frustração que isso nos possa ter provocado estão expressas ao longo do álbum como uma forma de exorcizar toda essa energia negativa que sentimos. Por outro lado, temos as letras que surgiram como forma de fortalecer o espírito do grupo em alturas em que determinadas relações se perderam. São por isso autênticas ensaboadelas ao ego da b
anda e acreditamos que podem ter o mesmo efeito a nível pessoal para cada ouvinte, o que abre uma nova dimensão à mensagem que transmitimos. Passamos pontualmente por temas como o alcoolismo extremo e a depressão nervosa tentando calçar os sapatos de pessoas que conhecemos e com quem todos nós acabamos por conviver no dia-a-dia. São os males de uma sociedade cada vez mais inconsciente e anestesiada que ninguém gosta de referir, daí ser também um tema interessante para nós que vem apimentar a parte lírica do álbum e se enquadra perfeitamente com o título. Escrevemos sobre experiências ou testemunhos reais e não sobre fantasias. Conferimos-lhes um abordagem mais sentimental que crítica ou descritiva, de forma a dar mais ênfase aos sentimentos propriamente ditos que aos factos ou acontecimentos que possam ter inspirado a mensagem. Apenas um tema no álbum Pleasure Meets Flesh foi inteiramente criado com base na ficção, inspirado no tema Diário de um Serial Killer. Uma excepção que nos dá bastante prazer em interpretar.



Como decorreu o processo de escrita e gravação para este Enemy Of Silence?
Foi um álbum inteiramente escrito em casa e aperfeiçoado na sala de ensaio. Algumas letras foram compostas em conjunto através de chat rooms na internet, o que foi uma estreia para os Mindlock. Todo o álbum já tinha sido gravado e produzido por nós antes da sua gravação definitiva. Sabíamos exactamente o que queríamos gravar e por onde queríamos ir, o que facilitou bastante o processo. A nossa relação com o Miguel Carvalho (Dalma Productions) veio confirmar o que já tínhamos em mente em termos de produção, sendo que ele foi o veículo para obtermos a sonoridade que pretendíamos e foi bem sucedido na sua tarefa. Foi um trabalho sempre fluído que nos levou cerca de um ano a finalizar, com algumas interrupções pelo meio, uma vez que fizemos alguns espetáculos durante esse período.

Por esta altura já o álbum foi apresentado ao vivo num dos mais importantes festivais nacionais dedicados ao undergroud, o Metal GDL. Pergunto como foi a reacção do público aos novos temas e como esses mesmos novos temas funcionam ao vivo?
No festival GDL só tocámos músicas novas e a resposta do público foi bastante positiva. Reparámos que muita gente já sabe as músicas novas de cor e interagiram connosco. A reacção do público não podia ser melhor. Sentimos que, mesmo sem estarmos a tocar ao vivo há mais de um ano e sem gravar nada há sete, as pessoas ainda tem bem gravado na mente como é um concerto de Mindlock e apoiaram-nos com a mesma intensidade. Os novos temas ganham extra-força ao vivo, tal como é habital naquilo que fizemos até à data. É um prazer muito maior poder tocar para os outros que só para nós e acreditamos que o público nos prefira ver ao vivo que ficar a ouvir em casa.

Depois do GDL, e também de Leiria e Faro, como está a ser preparado o assalto à estrada para promoção deste trabalho?
Estamos a trabalhar com uma empresa de management (Algarfest) que valoriza o nosso trabalho e está a organizar a Enemy Tour a nível nacional e isso dá-nos alguma segurança em relação ao futuro, mas sabemos que é sempre um trabalho permanente de equipa e de cooperação entre ambas as partes. Para já, queremos apresentar um trabalho de qualidade com um espetáculo de qualidade, e nestes primeiros tempos quase que temos pagar para tocar pois o investimento é muito grande e o retorno financeiro nem sempre é compensatório. Mas acreditamos que estamos a plantar para depois colher e estamos mais empenhados que nunca. É ser preciso trabalhar muito e planear bem cada passo. Estamos a preparar uma tour nacional à semelhança do que fizemos para Manifesto e Ego Trip, mas queremos chegar a palcos maiores e experimentar o estrangeiro.


E para além de Mindlock e Enemy Of Silence, que outros projectos/objectivos estão a ser preparados por vocês?
Temos muita coisa em mente, desde a edição de um dvd até à gravação de videoclips. Esses projectos já estão em fase de preparação e esperamos poder divulgá-los em breve. Queremos também preparar uma tour a nível europeu e esse é o nosso objectivo mais ambicioso, pois todo o resto parece estar encaminhado. Sair de Portugal é sem dúvida um passo que precisamos de dar para vingar como banda e realizarmos os nossos sonhos. Alguns dos elementos da banda abraçam ainda outros projectos que vão desde a música ao teatro, o que acaba sempre por ser uma mais valia para o grupo pela experiência e influência que isso trás para os Mindlock.

sábado, 19 de junho de 2010

Review: Lady Of Shalott (A Dream Of Poe)

Lady Of Shalott (A Dream Of Poe)
(2010, Edição de Autor)


A Dream Of Poe é um projecto individual do multi-instrumentista açoriano Miguel Santos que se estreou em 2005 com a demo Delirium Tremens. Três anos mais tarde a banda disponibilizou para download digital o seu segundo trabalho, Glance Of The Lost Lenore, que resultou da actuação no palco do October Loud desse ano. Já em 2009 a banda publica, de novo em formato digital, o EP Sorrow For The Lost Lenore. Portanto, este Lady Of Shalott é o quarto registo de Miguel Santos que agora estreia um novo vocalista, João Melo. O EP, com um magnifico artwork, sublinhe-se, é composto por cinco temas, dos quais apenas um original: precisamente a faixa título. A completar o trabalho temos uma versão curta dessa faixa, uma versão, completamente transformada de um tema dos The Cure (If Only Tonight We Could Sleep) e duas versões remisturadas de dois temas que já haviam aparecido no EP anterior. O objectivo desta edição é mostrar a evolução que a banda tem tido nos últimos três anos, uma vez que Sorrow For The Lost Lenore já havia sido escrito em 2007 e também para ir compensando os seus fãs enquanto o aguardado álbum de estreia está em preparação e deverá ser editado no final deste ano. Para quem conhece o trabalho do colectivo este Lady Of Shalott não surpreende: doom metal lento, muito lento, com uma forte componente funérea e melancólica situado algures num cruzamento entre My Dying Bride, Virgin Black e Draconian. O que talvez surpreenda é a capacidade melódica da banda que consegue criar verdadeiros hinos sem injectar aquelas doses gélidas e arrepiantes que muitas bandas do género têm. As vozes limpas transmitem uma paz interior impressionante e são, por vezes cortadas por fortes e cavernosos guturais em tom sofrido. Esta dualidade resulta particularmente bem no tema Lady Of Shalott, nomeadamente com junção das duas. Já em If Only Tonight We Could Sleep, (des)construído original dos The Cure, João Melo assume sempre uma postura mais agressiva, criando desta forma, o mais negro e denso tema do trabalho. Os dois temas finais são já conhecidos de quem acompanha a banda, mas para quem não a conhecia o EP anterior (como nós!) revelam-se duas agradáveis surpresas. À toada lenta das guitarras implementa-se uma velocidade na bateria digna de registo com as vocalizações sempre limpas a assumirem características muito próprias. Whispers Of Osiris é, quanto a nós, a melhor faixa de Lady Of Shalott, mas todo o EP faz-nos ansiar que o longa duração não demore muito.

Track List:
1. Lady Of Shalott
2. Lady Of Shalott (short version)
3. If Only Tonight We Could Sleep
4. Laudanum
5. Whispers Of Osiris

Line up: Miguel Santos (todos os instrumentos), João Melo (vocais)

Internet:
http://www.dreamofpoe.com/
www.myspace.com/dreamofpoe

sábado, 12 de junho de 2010

Entrevista com Common Fluid

Tremor marca a estreia dos Common Fluid de uma forma que surpreendeu muita gente. Emotividade e classe são dois dos adjectivos que se podem aplicar ao quarteto que acaba de conseguir uma editora que os ajude a alcançar ainda mais sucesso. Via Nocturna foi falar com Bruno Martins que explicou tudo. Confiram.


Tremor é o vosso primeiro lançamento. Estão plenamente satisfeitos com o resultado final?
Estamos completamente. Foi algo que a nível de composição demorou mais de dois anos a ser trabalhado, melhorado, alterado, etc. Todos os pequenos pormenores, desde a forma como fazemos uma passagem de estrofe para refrão, até como a voz encaixa com determinada parte da letra, foram amadurecendo durante esse tempo, transformando as músicas em canções. O facto de as tocarmos ao vivo intensivamente foi também uma grande mais-valia, porque víamos o que funcionava ou não. Por isso quando chegámos ao estúdio sabíamos exactamente o que queríamos e não andámos às voltas a perder tempo. A nível da produção do álbum, ficámos satisfeitíssimos porque tivemos a oportunidade e o prazer, de trabalhar com pessoas que entendiam o que queríamos e nos ajudaram a criar um trabalho coeso, muito bem gravado e principalmente com um feeling de som ao vivo que era exactamente o que estávamos à procura. Na altura do alinhamento das músicas, procurámos que elas fizessem sentido entre si. Acho que falta, hoje em dia, essa sensação de ouvir um álbum de uma ponta á outra e deixar-se levar por uma viagem sónica que tem uma corrente constante que passa de música para música. Por isso tentámos fazer isso mesmo. Alinhámos as músicas com se fazia antigamente para os vinis, ou seja, como se houvesse lado A e lado B! Portanto, o lado B começaria com a Nicotine.

Como conseguiram que tanta gente de renome internacional (e indiscutível qualidade) participasse na feitura do vosso disco?
Aqui tivemos a sorte de conhecer as pessoas certas. Ensaiamos, desde sempre, nos Black Sheep Studios, e estes são a casa do Makoto (If Lucy Fell), que já conhecemos há alguns anos. Quando decidimos gravar, ele foi a escolha óbvia porque além de ser nosso amigo, é em primeiro lugar, um produtor fenomenal. Sabíamos que o álbum gravado por ele teria um som forte e com a energia de uma gravação live. Quanto à mistura, também já conhecia o Fernando (f.e.v.e.r.) há alguns anos, e na altura ele estava a gravar com os nossos amigos Madcab nos Black Sheep também. Falámos e ele aceitou misturar o álbum o que para nós foi excelente, porque pensámos que seria bom ter uma visão diferente na mistura, para fazer soar o álbum mais eclético. E foi o que aconteceu. A energia e o som fenomenal captado pelo Makoto, ganharam uma grandeza na visão do Fernando, fazendo o Tremor crescer. A masterização com o Ed Brooks (Pearl Jam) foi uma sugestão do Makoto que já tinha trabalhado com ele diversas vezes (e continua a trabalhar). Falei com o Ed que se mostrou extremamente disponível, e aceitou logo trabalhar connosco. Ficámos obviamente entusiasmadíssimos, visto admirarmos o trabalho dele em bandas que para nós são referências! Por isso quando ouvimos o resultado final, foi logo á primeira que dissemos Está feito! É isto mesmo! Todo o processo de gravação e mistura foi feito num ambiente de muito boa onda, com todo o pessoal a trabalhar num álbum em que acreditavam, sem complicações e todos a quererem melhorar o som geral e final, desde a banda á equipa de produção!O Ed foi a cereja no topo!

Inicialmente, disponibilizaram o álbum para download gratuito. Qual era o objectivo?
O objectivo foi atingir o maior número de pessoas possível num curto espaço de tempo até termos editora. Numa altura em que a Internet é o maior veículo para uma banda mostrar o seu trabalho, achámos que seria uma boa ideia fazer o álbum correr mundo através do Myspace. Sem editora é difícil teres o teu álbum divulgado e não queríamos ficar parados com um álbum nas mãos à espera que alguém pegasse em nós. Por isso disponibilizámos o álbum gratuitamente para download. Outro objectivo era ter mais pessoas nos concertos, porque se não ouves nada da banda, também não tens muito interesse em vê-la ao vivo, mas se conheceres pelo menos três ou quatro músicas que gostes, já és capaz de dar lá um salto quando houver concerto. Teve resultados positivos, a nosso ver, porque em dois meses tivemos mais ou menos trezentos e tal downloads!
Pelo que pude ver no vosso myspace, já estão a trabalhar com uma editora, a Deadly Inc. Soundz. É essa a editora responsável pela edição que está disponível nas FNAC?
É. A Deadly Inc. Soundz é uma editora independente com uma vontade de aço, e o Pedro Alexandre é uma pessoa com uma vontade de trabalhar que contagia qualquer pessoa! Estamos muito contentes com esta parceria! O nosso objectivo, como o de todas as bandas acho eu, era ter garantida a distribuição do cd e a promoção/ agendamento de concertos. Essa é a parte mais difícil, porque toda a despesa das gravações e produção do cd foi feita por nós. Foi dispendioso mas já tínhamos decidido desde o início que seria assim, por isso estávamos preparados. Agora a parte da distribuição e promoção envolve conhecimentos dentro do meio que para uma editora se torna mais simples, até pelo peso que o selo de uma editora tem a nível de credibilidade no meio. Se fores a uma rádio ou às FNAC entregar o teu cd, dão prioridade aqueles que têm editora.

E como está a ser a reacção do público e da comunicação social?
Os concertos têm corrido bastante bem, com mais pessoas a conhecerem e a aparecerem. Apesar de só termos dado um concerto após estarmos com a Deadly Inc., o da FNAC de Cascais, as pessoas têm mostrado muito interesse em nós, em nos ver ao vivo e em ouvir o álbum. A nível da imprensa também tem sido positivo, a começar pela vossa crítica ao Tremor que gerou uma onda de curiosidade no álbum, que se reflectiu na altura, em bastantes downloads. Temos tido a nível de divulgação o apoio de outros blogs e até o jornal Metro fez um pequeno review ao álbum. Ainda falta muito, como as rádios, as revistas de música e obviamente a tv, mas estamos a trabalhar para tudo isso agora com a Deadly Inc.



Como correu a festa de apresentação do disco?
Correu bem! Estávamos um pouco ansiosos sendo a apresentação oficial com o apoio da editora, mas correu bastante bem. Foi um concerto em que tocámos metade do Tremor, a sala estava bem composta, com amigos e muita gente com bastante curiosidade em ver os Common Fluid no seu habitat natural! Demos um concerto energético, sem poupar nada! Sempre a abrir até ao fim. Queríamos que as pessoas saíssem dali com a sensação de um grande concerto na bagagem. E no fim vieram felicitar-nos e o ambiente geral foi o de missão cumprida.



É notória a vossa sistemática referência aos animais. Sentem que devem passar algum tipo de mensagem especial?
Há uma mensagem a passar, mas não pretendo que seja duma forma ditatorial. Escrevo sobre o que me afecta porque só assim me sinto bem a cantar. E em relação aos Direitos dos Animais, acho que é uma questão que tem sido ignorada ou escondida há demasiado tempo. Acho que se faz muito pouco, ou quase nada, no nosso país a nível político para acabar com estes problemas verdadeiramente chocantes que são as touradas, circos com animais ou qualquer tipo de tortura animal como divertimento para as massas. E o mesmo se passa em relação aos maus tratos a animais no geral. Não existem leis suficiente fortes para impedir as pessoas de cometerem actos de pura maldade para com os animais e isso revolta-me e choca-me, por isso desabafo nas minhas letras. Sou vegetariano, mas não quero obrigar toda a gente a ser também, mas quero que as pessoas saibam que existem outras formas de fazer as coisas, e que pelo menos saibam que os maus tratos a animais são reais, e que todos juntos podemos mudar isso se quisermos.


E essa mensagem está também presente nas letras de Tremor? Mas haverá, certamente, outros tópicos. Quais são?
As letras do Tremor são uma mistura de tudo o que está no meu cérebro e quer sair cá para fora, como se lá dentro sufocasse o pensamento. Além dos Direitos dos Animais, tenho uma grande dor no que diz respeito à forma como estamos a destruir a nossa casa, o nosso planeta. Catástrofes ecológicas como o derrame agora no Golfo do México, são problemas que têm um impacto tão negativo no planeta que nos afecta e vai continuar a afectar por muitos anos. E o problema não se limita a nós, mas também à fauna e à flora perdida neste pesadelo. Todos estes sentimentos se misturam na forma como eu vejo a vida. A apatia das pessoas perante todas estas situações, o poder político que apenas vê lucro ou prejuízo, desconsiderando por completo o impacto emocional que os despedimentos em massa causam nas pessoas, tudo isto está presente nas letras do Tremor. Mas se há algo que tenho, é esperança que as coisas evoluam, e é aí que entra aquilo a que se pode chamar de mensagem principal do álbum, bem demonstrada na Mid-Air Collision: É que podemos ultrapassar tudo isto com Amor. Amor como forma de resolver as nossas diferenças e evoluirmos enquanto seres humanos.

E em termos de concertos, como está a ser preparada divulgação ao vivo de Tremor?
Para já estamos a prepar uma tour pelas FNAC todas do país para divulgar e promover o álbum entre finais de Junho e Julho. Após essa tour, e talvez para Setembro, estamos a planear uma tour pelas salas e bares do país e há possibilidades duma pequena tour europeia como banda de suporte para uma banda americana! O álbum estará sempre à venda ao vivo, assim como o merchandising que estamos a elaborar! Tudo isto está a ser planeado com a Deadly Inc Soundz, por isso o futuro apresenta-se-nos risonho!

Review: Blessed & Cursed (Devil Sold His Soul)

Blessed & Cursed (Devil Sold His Soul)
(2010, Century Media)


Um peso esmagador, umas atmosferas obscuras, emocionalmente pungente, Blessed & Cursed, segundo longa duração dos britânicos Devil Sold His Soul (DSHS), combina uma força devastadora e melodias assombrosas em algo único e hipnótico. Com seis anos de existência a banda tem criado um conjunto de seguidores apaixonados no underground britânico tendo por base inúmeros concertos e um extremo controlo da sua qualidade musical. Darkness Prevails, o EP de estreia datado de 2005, magnificamente articulou a imaginação e o escuro desespero que prevalece na alma de tudo o que fazem. Dois anos mais tarde, A Fragile Hope,o seu primeiro longa-duração, apresentou um som ainda mais épico e volátil, sendo ainda mais extremo. Para este Blessed & Cursed a banda voltou a crescer mas nada que foi feito anteriormente terá preparado os fãs para este disco que se apresenta diferente do passado. Em estúdio, os DSHS estiveram o tempo necessário para concretizar a sua visão. Uma visão que permite a entrada de alguma luz no seu mundo sombrio, levando a sua música em novas e excitantes direcções. O som quente e expansivo aproxima-se de uns Mogwai ou Isis neste que é um disco impulsionado por latejantes e insistentes ritmos que transmitem humor, tristeza dilacerante e fria melancolia, navegando fluentemente sem esforço entre ambientes apocalípticos e frágeis. É uma constante montanha-russa, plena de altos e baixos mas que flui muito bem, sendo muito dinâmico e variado, o que se torna evidente em temas como Crane Lane ou The Weight Of Faith.

Track List:
1. Tides
2. Drowning/Sinking
3. Callous Heart
4. An Ocean of Lights
5. Frozen
6. The Disappointment
7. Crane Lake
8. A Foreboding Sky
9. The Weight of Faith
10. Truth Has Come

Line up: Iain (baixo), Paul (samples), Ed (vocais), Jonny (guitarras), Leks (bacteria), Rick (guitarras)

Internet:
http://www.myspace.com/devilsoldhissoul

http://www.devilsoldhissoul.com/

http://d-s-h-s.blogspot.com/

Edição: Century Media (
http://www.centurymedia.de/)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Review: Enemy Of Silence (Mindlock)

Enemy Of Silence (Mindlock)
(2010, Rastilho Metal Records)


Enemy Of Silence é o aguardado segundo álbum dos algarvios Mindlock e a primeira edição discográfica da Rastilho Metal Records, uma subsidiária da Rastilho Records dedicada ao metal e seus derivados. E se a casa mãe já tinha demonstrado ter olho para a coisa (vejam-se as edições de 2009: One Hundred Steps, Simbiose, Switchtense, The Spiteful ou Echidna) a sua derivada parece começar no mesmo sentido. Enemy Of Silence é um conjunto de 10 termas devastadores de uma das mais batalhadoras bandas do underground nacional que ao fim de 15 anos de carreira e sete anos após Ego Trip chega ao seu segundo registo em formato longo. O que os Mindlock nos apresentam é uma letal dose de thrash/death metal sem concessões nem tréguas com composições que variam entre o extremamente rápido e o extremamente duro. Pontualmente alguns apontamentos de melodia são introduzidos (como o lead introdutório de Firekiss ou os ritmos harmónicos em Blockage) mas a banda opta por não ir muito por esse caminho. O mesmo acontece com o groove que esporadicamente aparece e que tem, juntamente com os citados apontamentos melódicos, o propósito de ir introduzindo alguma variabilidade nos temas, uma vez que esses predicados não serão os principais objectivos do quarteto. Ainda assim, em Enemy Of Silence, a banda vai evoluindo por alguns terrenos que provam a qualidade criativa da banda que não se limita ao mesmo e procura arriscar ao nível das composições. O melhor exemplo surge em The Fall Of Conspiracy, o mais curto tema do álbum e onde o peso, a rapidez e a dureza dão lugar a um extremo obscurantismo e a uma apurada técnica. Já em Stubborn By Nature a banda surpreende pelo cruzamento de uma batida demoníaca que, por momentos, se consegue transformar num dos mais atmosféricos momentos (ainda assim bem opressivos) do disco. E é destes pequenos artifícios introduzidos num caos sonoro, extremo e duro que os Mindlock acabam por assinar uma obra fundamental para as amantes do género.

Track List:
1. Firekiss
2. Stubborn By Nature
3. Blockage
4. Sing Like You Were Dead
5. The Fall Of Conspiracy
6. Unleashed
7. Pleasure Meets Flesh
8. Alcohol Ecstasy
9. Beneath The Underground
10. I Am War

Line up: Carlos Vilhena (vocais), Francisco Aragão (guitarras e vocais), Miguel Santos (baixo), Amadis Monteiro (bateria)

Internet:
www.myspace.com/mindlockpt

Edição: Rastilho Metal Records (
http://www.rastilhorecords.com/)

Playlist 10 de Junho de 2010


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Review: Shadowcast (Insidious Disease)

Shadowcast (Insidious Disease)
(2010, Century Media)

Insidious Disease reúne algumas lendas do metal extremo para publicar o que já foi considerado como o mais violento álbum de death metal de 2010. Formados em 2004 por Silenoz (Dimmu Borgir), Jardar (Old Man’s Child) e Tony Laureano (Angel Corpse, Nile), mais tarde juntar-se-iam a estes nomes Embury Shane (Napalm Death, Brujeria, Lock Up) e finalmente Marc Grewe (Morgoth), para, então, criarem esta estreia para a Century Media, denominada Shadowcast, um trabalho que, na opinião destes mestres, deve satisfazer o desejo de escuridão, ser mórbido e doente, pervertido e representar tudo o que de insano a mente humana pode albergar. E este Shadowcast é a prova banhada em sangue de que o quinteto completou com sucesso a sua missão e criou uma das maiores surpresas deste ano. Musicalmente e liricamente, Shadowcast é um violento passeio ao centro do mais honesto e brutal death metal que não deixará nenhum fã do género insatisfeito. Os Insidious Disease combinam o espírito obscuro e sinistro do death metal old-school com toques modernos bem doseados, sem que o som se transforme em algo muito polido ou melódico. Vocalmente Marc Grewe difere um pouco dos típicos vocalistas do género com o sistemático recurso a guturais, apostando em introduzir os seus gritos maníacos no som furioso do colectivo. Sendo que todos os ilustres membros deste colectivo já criaram extremos e diferentes sons ao longo das suas carreiras, neste Shadowcast eles provam que o seu conceito de death metal está próximo da perspectiva dos fãs: devastação e peso pintado com golfadas de sangue.

Track List:
1. Nuclear Salvation
2. Boundless
3. The Essence of Neglect
4. Abortion Stew
5. The Desire
6. Rituals of Bloodshed
7. Facemask
8. Value in Flesh
9. Abandonment

Line up: Marc Grewe (vocais), Silenoz (guitarras), Jardar (guitarras), Shane Embury (baixo), Tony Laureano (bateria)

Internet:
www.myspace.com/insidiousdisease

Edição: Century Media (
http://www.centurymedia.de/)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Entrevista com Painted Black

Após três anos consecutivos a serem considerados a melhor banda sem contrato, finalmente os Painted Black chegam a acordo com uma editora, a Ethereal Sound Works e publicam Cold Comfort, um monumento de melancolia e beleza que cruza na perfeição Moonspell com My Dying Bride. Para nos falar da banda, do disco, do passado, do presente e do futuro, Daniel Lucas (vocalista) e Luís Fazendeiro (guitarrista) acederam a responder a algumas questões de Via Nocturna

Após três anos consecutivos a serem considerados a melhor banda sem contrato, como vêm esta edição?
DANIEL
: A edição do álbum, posso dizer que é a proverbial concretização de um sonho. Infelizmente já não conseguiremos realizar o Tetra do banda sem contrato. Estou a brincar. Se o álbum agradar pode ser que sejamos votados noutra categoria. Seria muito bom, tal como foi o termos sido votados anteriormente. É sinal de reconhecimento e que o nosso trabalho é apreciado. E os Painted Black continuam aqui, tal como são, agora num formato mais profissional, com melhor qualidade sonora, mas iguais a nós próprios. A edição do Cold Comfort é, como disse, a concretização de um sonho, mas isso é a um nível pessoal. Duma forma mais ampliada, esta edição é o passo seguinte na nossa evolução como banda e foi tomado agora, na altura que nós consideramos ser a certa. Foi algo pelo qual trabalhamos arduamente ao longo destes anos e naquela rodela estão lá, duma forma que te posso garantir que não é metafórica, o nosso sangue, suor e lágrimas.

Estão totalmente satisfeitos com o resultado final?
DANIEL
: Sim. Inteiramente satisfeitos. Quando o álbum ainda era apenas um conceito já havia uma grande expectativa em saber como resultariam os temas depois de serem gravados. Mas assim que escutamos o produto final fomos como que arrebatados pelo nosso próprio trabalho. Nós tínhamos uma noção do que queríamos quando ensaiávamos as músicas, mas ouvir os temas completamente arranjados, com os detalhes todos afinados e com uma qualidade sonora à qual não nos estávamos acostumados a ouvir, inundou-nos com sentimentos de plenitude e concretização. E estamos satisfeitos em todos os aspectos que envolvem a criação de álbum, ou seja, musicalmente e graficamente. Tal como tivemos cuidado na preparação das músicas, o mesmo aconteceu em toda a componente gráfica, pois queríamos que tudo ficasse perfeito. Quando estamos a falar em fazer um CD todos os detalhes são importantes e não podemos descurar toda a parte visual que o integra. É o nosso trabalho e há que ter brio no nosso trabalho. Tem de ser agradável para todos aqueles que o vão ter nas mãos, para todos os que vão escutar e abrir o livrete, mas principalmente tem de ser motivo de orgulho para a banda.

De que forma os vossos trabalhos anteriores, em formato não profissional, ajudaram a criar esta sonoridade?
LUÍS
: Da mesma forma que a identidade de uma pessoa é o fruto de todas as suas vivências passadas, acho que os nossos trabalhos anteriores ajudaram-nos sem dúvida a crescer e a criar a sonoridade actual da banda. Desde o ínicio, quando começámos a fazer música, que nos apercebemos que a nossa sonoridade iria acentar sobre dois grandes alicerces: os sons mais introspecivos/atmosféricos e os momentos com mais fúria. As maquetas foram os nossos primeiros testemunhos musicais, onde as pessoas podem ouvir esta diversidade de ambientes musicais, mas também foram as nossas primeiras experiências de gravação em estúdio e com todo o lado mais cerebral de fazer música. Tudo faz parte do nosso percurso individual e como banda, e certamente o nosso próximo registo irá ser uma reacção/continuação do que fizemos até agora.

Entretanto mudaram da Covilhã para Lisboa. Que motivos vos motivaram a isso?
LUÍS
: Por razões profissionais fomos forçados a mudar a localização da banda para a área da grande Lisboa. Na altura alguns de nós já estudavam na capital e como tal, pareceu-nos a melhor e única solução para podermos continuar com a banda. Não fazia muito sentido deslocarmo-nos todos até ao Tortosendo para ensaiar, principalmente se isso implicasse ensaiar 1 ou 2 vezes por mês. Com muita pena nossa, apenas o Telmo, nosso antigo baixista, não nos pode acompanhar mas tivemos a felicidade de encontrar o António que já está connosco há 3 anos. Olhando agora para trás, vejo a sorte que realmente tivemos, pela vida pessoal e profissional de cada um de nós, nos juntar na mesma zona geográfica.

Acreditam que a mudança para um grande centro vos ajudou a abrir outras portas como, por exemplo, o contrato com a ESW?
DANIEL
: É verdade que trouxe algumas oportunidades, mas mais a um nível de proximidade do que em qualquer outro aspecto. Obtivemos novos conhecimentos e foram feitas grandes amizades que contribuíram positivamente para a banda, mas em muitos outros aspectos continuamos a fazer tudo tal como fizemos até agora, ou seja, pela nossa própria mão. A Ethereal Sound Works já tinha estado em contacto connosco muito antes de virmos para a zona da capital e desde cedo mostraram interesse no nosso trabalho. Talvez o facto de agora nos encontrarmos neste grande centro trouxe-nos a possibilidade de um contacto mais directo, que esperamos revelar-se frutuoso para este futuro próximo dos Painted Black.

Em Cold Comfort, somos assaltados por momentos muito depressivos. É o reflexo das vossas vivências ou apenas uma parte artística?
LUÍS
: Todas as letras e toda a nossa música são fruto das nossas vivências, mas para te ser sincero, nunca a considerei depressiva. É certo que existe um certo sentimento de melancolia no que fazemos e compreendo que cada pessoa interprete o que ouve à sua própria maneira, mas para mim nunca me transmitiu nenhum sentimento de depressão. Até pelo contrário, sempre foi algo catártico. Usamos a música para canalizar e extravazar os nossos sentimentos e isso acaba sempre por ser algo extremamente pessoal.

Há algum conceito subjacente a Cold Comfort?
DANIEL
: Pode dizer-se que sim, mas que é livre para várias interpretações. Não é um álbum conceptual nem sequer foi pensado como tal, mas é possível encontrar uma ligação entre todas as músicas. No entanto todas elas têm a sua identidade. Cada uma é uma descarga emocional, uma libertação. Cold Comfort é um estilo literário, que pode ser explicado como o encontrar de um conforto mesmo quando em situações adversas. É apercebermo-nos de que nos encontramos num lugar triste e que podemos aprender a viver com ele, em vez de andarmos constantemente a lamentarmo-nos.Embora esta seja uma interpretação mais literal, pode muito bem ser aplicada aos Painted Black, pois este álbum vem a ser esse conforto dentro de toda as adversidades que fomos encontrando no nosso caminho.

De que forma correu todo o processo de escrita e gravação do álbum?
LUÍS
: Quando lançámos o nosso 2º demo/EP Verbo, já tinha alguns dos temas que estão no Cold Comfort compostos, por isso pode-se dizer que o álbum é fruto do trabalho desenvolvido ao longo de 3 anos, mais especificamente entre 2006 e 2009. Lembro-me que em 2008 tinha à volta de 20 demos preparadas e nessa altura eu e o Daniel sentamo-nos para fazer um
primeira selecção para o álbum. O processo de escrita é algo bastante solitário, no sentido em que componho a base das músicas em casa e depois passo ao Daniel que escreve ou tenta encaixar uma letra. Só depois é que nos juntamos os dois e ajustamos tudo da melhor maneira. Quando estamos satisfeitos levamos tudo para a sala de ensaios, onde todos juntos trabalhamos nos arranjos. Quanto à gravação do álbum, não podiamos ter tido uma melhor experiência, aprendemos muito. O Pedro Mendes e o Daniel Cardoso são dois grandes produtores. O Pedro ainda teve algum input nos arranjos finais de alguns dos temas e o Daniel foi incansável nas misturas. Iremos com certeza voltar a trabalhar com eles no futuro.

E projectos para os próximos tempos?
DANIEL
: Por agora vamos concentrar-nos na divulgação do álbum. Andamos a agendar concertos de Sul a Norte do país. Queremos apresentar-nos a quem ainda não nos conhece ou a quem nunca nos viu ao vivo. Há várias salas no país onde ainda não tivemos oportunidade de tocar e gostávamos muito de o poder fazer. Queremos também reencontrar sítios onde já estivemos e se possível, voltar a encontrar velhos amigos. Depois, se tudo correr bem, pode ser que não fiquemos só pelo nosso país. Temos muito trabalho de casa para fazer. Vamos apostar também na divulgação do álbum além fronteiras e pode ser que isso nos traga ainda mais oportunidades. Neste momento acho que tudo o que vier depois do lançamento deste álbum para nós é um bónus.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Review: Angel Of Babylon (Avantasia)

Angel Of Babylon (Avantasia)
(2010, Nuclear Blast)

Na nossa humilde opinião (e que por isso mesmo vale o que vale), Tobias Sammet nunca conseguiu no seu grupo principal, os Edguy, os níveis de excelência que atingiu em Avantasia, o seu projecto paralelo. Iniciado no inicio da década com uma história dividida em dois álbuns (The Metal Opera pt. 1 e pt. 2), as solicitações foram tantas que os avantasianos tiveram que regressar. Claro que não foram só as solicitações; o próprio Sammet esteve muito interessado nesse projecto. Então, em 2008 começou uma trilogia (com The Scarecrow) que agora termina, com a edição de dois álbuns em simultâneo. O primeiro a ser aqui analisado é, precisamente, a última parte da história, Angel Of Babylon. Esta é uma obra de elevada craveira, estando muitos pontos acima de The Scarecrow e aproximando-se, em alguns momentos, dos elevados níveis de qualidade apresentados há 9 anos atrás em The Metal Opera Pt. 1. Aliás, estilisticamente e em termos de composição Angel of Babylon está muito mais próximo desses primórdios dos Avantasia que propriamente da primeira etapa desta nova trilogia. Como sempre, Sammet está bem acompanhado por um vasto leque de instrumentistas e vocalistas que imprimem as suas marcas de inegável valor e personalidade. Claro que de nada valeria tanta gente ilustre se os temas não fossem bem construídos. E aí o músico germânico mostra estar em plena forma conseguindo criar um conjunto muito diversificado de temas que tanto se esticam até ao power metal como até ao hard rock como até ao blues. Melodicamente superior, ritmicamente rico, estruturalmente envolvente, Angel Of Babylon acaba por apresentar um fantástico conjunto de propostas, como Your Love Is Evil, Death Is Just A Feeling (com uma espantosa prestação vocal de Jon Oliva), Rat Race, Down In The Dark, Alone I Remeber (com toques bluesy) ou Journey To Arcadia, um belíssimo fecho para toda a história. Sammet assina todos os temas com excepção de Symphony Of Life, de autoria de Sascha Paeth, naquele que é o único tema totalmente vocalizado em feminino por Cloudy Yang. Por falar em Paeth assinale-se mais um excelente trabalho da dupla de magos germânicos (ele próprio e Miro Rodenberg) na criação/orquestração/produção de mais um superior trabalho de metal melódico.

Track List:
1. Stargazers
2. Angel Of Babylon
3. Your Love Is Evil
4. Death Is Just A Feeling
5. Rat Race
6. Down In The Dark
7. Blowing Out The Flame
8. Symphony Of Life
9. Alone I Remember
10. Promised Land
11. Journey To Arcadia

Line up: Tobias Sammet (vocais e baixo), Jorn Lande, Russel Allen, Michael Kiske, Jon Oliva, Cloudy Yang e Bob Catley (vocais), Oliver Hartmann (vocais e guitarras), Sascha Paeth (guitarras e teclados), Bruce Kulick e Henjo Richter (guitarras), Jens Johansson (teclados), Miro Rodenberg (orquestrações), Simon Oberender (orgão), Felix Bohnke, Alex Holzwarth e Eric Singer (bateria)

Internet:
http://www.tobiassammet.com/

Edição: Nuclear Blast (
http://www.nuclearblast.de/)

domingo, 6 de junho de 2010

Entrevista com Wild Side

Com cinco anos de existência e já dois trabalhos editados, nada faz transparecer os problemas pelos quais os Wild Side têm passado, onde o mais dramático foi a morte de um dos seus fundadores. Numa entrevista sentida, o baterista Ronny Arntzen, outro dos fundadores da banda, mostra-nos como se consegue ultrapassar problemas e continuar em alta e até já a pensar no futuro.

Antes de mais, apresentem-nos os Wild Side.
Wild Side
são uma banda de hardrock norueguesa, formada em 2005 pelo baterista Ronni e o ex-guitarrista dos Pagan’s Mind Thorstein Aaby. A ideia era criar uma banda diferente do resto das bandas de hardrock na Noruega, não fazendo o tipo de prog e death que a maioria dos noruegueses fazem. Nada parecia correrbem aos Wild Side: em primeiro lugar perdemos o nosso baixista, mas passado algum tempo o Stian veio e realmente tudo parecia funcionar muito bem, até que foi diagnosticado cancro ao Thorstein. Após sua morte, o Tom junta-se à banda e o sonho de gravar um disco torna-se real e no Outono 2007 entramos na Toten StudiStudio na Noruega (propriedade de Ronni Le Tekro dos TNT) e começámos a gravar o nosso primeiro álbum, Indication com Tekro como o produtor. O lançamento foi em 2008 e logo depois o vocalista saiu por razões pessoais. Mas as coisas más acabam em algo bom e encontramos um segundo guitarrista, Jon e, provavelmente, um dos maiores talentos vocais na Noruega, Joachim. E mais uma vez olhamos para as estrelas e começámos a compor em um novo álbum.

Quais são as principais influências dos Wild Side?
Há muitas influências, porque todos os membros dos Wild Side ouvem diferentes estilos de música. Temos inspiração dos Metallica até aos Toto, mas a principal inspiração é o hard rock dos anos 80.

Já referiste que perderam Aaby. Como consegue uma banda reagir a uma situação tão dramática?
É sempre um momento muito difícil na nossa vida, quando se perde um bom amigo e um irmão. Mas prometemos ao Thorsten continuar com a banda e finalizar todos os planos de fazer o novo trovão norueguês sem nunca olhar para trás e transformando as coisas más em algo bom. Ele estará sempre connosco de uma maneira ou de outra. R.I.P Vêr-te-emos novamente algum dia, Thorstein.

Speed Devil é o vosso segundo album. Estão completamente satisfeitos com o resultado final?
Sim, estamos totalmente satisfeitos com o resultado de Speed Devil. Mas, claro que sempre se encontram
coisas que poderiam ter sido feitas de forma diferente; algo a melhorar no próximo álbum.

Quais são as vossas expectativas para este álbum?
As expectativas para o álbum ...... hum ... grandes! É um óptimo álbum, espero que haja muitas pessoas que também gostam da nossa música ..... Acho que nossa música é absolutamente da mesma divisão de bandas como Motley Crue, Ratt ou TNT.

Quais são as principais diferenças entre Speed Devil e Indication?
Existem várias… Em primeiro lugar, o som e as letras. Eu acho que as letras em Indication são um pouco estranhas; não possuem qualquer significado em tudo. Em Speed Devil a produção é melhor, com mais poder, é mais Wild Side. Desta vez tivemos o controlo de todo o processo de gravação e essa é a razão pela qual Speed Devil soa muito melhor que Indication. A realização musical também é melhor.

Como decorreu o processo de escrita e gravação?
Desta vez fizemos algumas mudanças no processo de escrita. Nós não escrevem
os tudo no ensaio, mas trabalhamos na maioria das vezes dois e dois e quando a música estava completa dávamo-la à pessoa que escreve as letras. O processo de gravação foi muito bom; tivemos todo o tempo que quisemos. Trabalhamos no estúdio (Klyve Lydstudio), de forma que gastamos muito tempo no estúdio. Fui eu que tratei de toda a engenharia e também produzi o álbum, juntamente com Tom. Foi a nossa estreia como produtores e eu acho que funcionou muito bem.

Parece que Speed Devil foi feito para ser tocado ao vivo. Concordam? Então, como são os Wild Side em palco?
Sim, foi feito com a performance ao vivo na nossa mente. Os Wild Side são uma banda ao vivo que dá tudo para o público: pirotecnia, jogos de luzes e tudo o que necessário mostrar rock'n'roll.

E para os próximos tempos que projectos tem em vista?
Agora só há Speed Devil que é o mais importante. Mas já estamos a escrever música nova e, se tudo correr bem desta vez, haverá um novo registo de Wild Side no próximo ano. Vemo-nos em tournee, quando os Wild Side tocarem numa cidade perto de vocês.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Review: A Star-Crossed Wasteland (In This Moment)

A Star-Crossed Wasteland (In This Moment)
(2010, Century Media)

Um grupo que, definitivamente, merece o que têm vindo a conquistar são os In This Moment, quinteto sedeado na Califórnia do Sul. Através do trabalho duro e uma tournee mundial, o seu nome foi impulsionado ao topo do panteão do metal. Agora regressam com um dos seus mais dinâmicos trabalhos, provando que o colectivo tem amadurecido ao longo dos anos. Passando a primeira parte de 2010 nos estúdios A Wolve’s Den com o produtor Kevin Churko (Ozzy Osbourne, Five Finger Death Punch), gravaram A Star-Crossed Wasteland, um álbum aclamado pela critica como um dos lançamentos mais esperados de 2010. Para este novo registo, terceiro da carreira, os norte-americanos já não contam com o baixista original Jesse Landry que deixou a banda após Warped Tour em 2009 mas Kyle Konkiel rapidamente se mostrou o ajuste perfeito. Em A Star-Crossed Wasteland, os In This Moment apresentam um conjunto de dez temas mais obscuros e pesados mas conseguindo manter o lado melódico, sendo que A Star-Crossed Wasteland, The Road e World In Flames são os exemplos onde a banda melhor explana essa capacidade de criar beleza. As guitarras e a bateria são muito fortes ajudando a criar aquele sentimento de profundidade sob camadas melódicas. A nível vocal, Maria Brink tem uma prestação muito emocionante (como por exemplo na faixa título) e mais obscura que em trabalhos anteriores (como o seu poderoso desempenho no tema de abertura). E, mais uma vez, em A Star-Crossed Wasteland, o quinteto demonstra que a diversidade e profundidade refrescantes são simplesmente inegáveis.

Track List:
1. Gunshow
2. Just Drive
3. The Promise
4. Standing Alone
5. A Star-Crossed Wasteland
6. Blazin’
7. The Road
8. Iron Army
9. The Last Cowboy
10. World In Flames

Line up: Maria Brink (vocais), Chris Howorth (guitarras), Blake Bunzel (guitarras), Jeff Fabb (bacteria), Kyle Konkiel (baixo)

Internet:
www.myspace.com/inthismoment

Edição: Century Media (
http://www.centurymedia.de/)

Playlist 03 de Junho de 2010


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Review: Mute (Demians)

Mute (Demians)
(2010, InsideOut)

Na estreia altamente elogiada Buiding An Empire (2008), todos os Demians surgiram do cérebro de Nicolas Chapel que tocou todos os instrumentos e produziu o registo no seu próprio quarto. O álbum recebeu um feedback surpreendentemente positivo na imprensa e entre os seus colegas músicos. Depois de criar uma banda real para tocar ao vivo com Gaël Hallier na bateria e Pohu Antoine no baixo, Chapel andou em tournee na Europa várias vezes com Marillion, Anathema e Porcupine Tree. Na sequência destes inicio bem sucedido, e levando em linha de conta que Nicolas Chapel tinha sido um solitário introvertido na maior parte de sua vida, esta exposição mediática demorou algum tempo a ser assimilada. Mas Chapel, depois da tournée sabia que esta era a vida que queria, mas para isso teria que fazer mais música. Então, num lugar perfeito de paz e relaxamento, na Normandia, o francês voltou a gravar todo o álbum sozinho. O resultado é Mute. Mas, desta feita, porém o multi-intrumentista só utilizou instrumentos reais, não tendo utilizado qualquer tipo de samples. Ele próprio tocou violoncelo, contrabaixo, violino, bateria, piano e mellotron, sem receio de tentar coisas novas. E, sem dúvida, com instrumentos reais o registo tem outro carácter. Mute contém nove canções que vão desde alternativa até peças orquestrais e sons poéticos mas o foco é sempre a música. Swing Of The Airwaves é uma canção que lida com a ideia de que todo ser humano é uma antena de recepção e transmissão de informação ao longo de sua vida, fazendo cada um uma parte única do mundo; Feel Alive lida com a dormência e a raiva de perder o tempo por causa de algo fora de controlo; Hesitation Waltz apresenta um enorme crescendo a partir de vocais muito calmos e bateria e que termina numa parede de feedbacks de guitarra. O álbum termina com Falling From The Sun, uma ode à música de Chapel, que se baseia em três acordes de piano.

Track List:
1. Swing Of The Airwaves
2. Feel Alive
3. Porcelain
4. Black Over Gold
5. Overhead
6. Tidal
7. Rainbow Ruse
8. Hesitation Waltz
9. Falling From The Sun

Line up: Nicolas Chapel (todos os instrumentos)

Internet:
http://www.myspace.com/demiansmusic

Edição: InsideOut (
http://www.insideout.de/)

Entrevista com InnerWish

Os Innerwish são um dos nomes mais importantes da cena grega e um dos poucos colectivos resistentes da desaparecida onda power metal. Como sempre acontece só os melhores sobrevivem e foi isso que aconteceu aos Innerwish, como prova No Turning Back, o seu mais recente e excelente trabalho discográfico. Via Nocturna contactou a banda helénica que por via do guitarrista Thimios Kriko shumildemente nos falou um pouco desta entidade.

Com um historial de 15 anos o nome Innerwish torna-se um dos mais respeitáveis da cena local. Sentem alguma responsabilidade no surgimento de novos valores gregos?
Não. Não podemos dizer isso. De facto, estar em cena durante tantos anos torna-nos uma das mais antigas bandas na Grécia, mas de qualquer forma nós não sentimos que somos responsáveis por nada nem sentimos que temos algum tipo de obrigação, a não ser, claro, para nós mesmos e para os nossos fãs que sempre nos apoiaram todos estes anos.

Os Innerwish lançaram dois álbuns pela gigante de power metal Limb Music. O que aconteceu para mudar a etiqueta?
Ambos os lados tiveram coisas incómodas durante a cooperação que originou a que seguíssemos caminhos diferentes. Reconhecemos que a Limb deu-nos a oportunidade de quebrar as fronteiras de nosso país e, claro, estar numa editora que tem tantas bandas de renome foi importante para nós. Mas, do nosso ponto de vista, consideramos que eles deveriam ter pensado um pouco mais nos Innerwish. Acabamos por nos separar de forma amigável. Agora estamos na Ulterium e sentimo-nos muito bem sobre a nossa escolha. Desde o início que eles tem mostrado que acreditam no que fazemos e têm-no provado todos os dias, pela maneira como nos tratam e trabalham para nós. Eles são como o sétimo elemento da banda e é assim que deve ser.

Que diferenças vêm entre No Turning Back e os seus antecessores?
Uma coisa é certa: depois de tantos anos de trabalho árduo estamos agora mais experientes para saber como tratar as nossas músicas e o que fazer em estúdio para obter o melhor resultado possível. A ideia não mudou muito. Continuamos a compor canções da mesma forma como o fizemos no passado: riffs pesados de guitarra, melodias cativantes, o uso de teclados etc.. Ou seja, elementos que se podem encontrar nos nossos trabalhos anteriores também. Só que agora temos um resultado final com um peso final extra. Trabalhamos com Fredrik Nordstrom e Henrik UDD para a mistura e Mika Jussila nos Finnvox Studios para a masterização. Trabalhando com esses grandes nomes há a garantia que o resultado final será óptimo. E é isso que o público recebe. Uma produção poderoso que mostra todas as potencialidades dos InnerWish.

Vocês são, frequentemente comparados a nomes como Helloween e Hammerfall. Certamente que se sentem orgulhosos disso. No entanto, acho que, Innerwish tem uma personalidade própria. Podem descrever o modo como conseguem criar músicas tão apelativas?
Nós não nos sentimos que possamos ser comparados a essas grandes bandas. Eles têm uma grande história, grandes álbuns e uma enorme base de fãs em todo o mundo. Existe uma grande distância entre nós. Mas é uma honra para nós mesmo estando atrás desses nomes. Eu já afirmei muitas vezes no passado que não tentamos ser como ninguém. Compomos as nossas músicas como elas vêm dos nossos corações. Eu e o Manolis [Manolis Tsigos, guitarrista] somos os principais compositores. Trabalhamos nas nossas músicas no meu estúdio em casa e quando sentimos que há algo bom, então vamos mostrar ao resto da banda. Depois, com a contribuição de todos fazemos os retoques finais

O chamado power metal enquanto sub-género está a atravessar uma fase menos boa em termos de popularidade. Todavia, considero que os Innerwish são um dos nomes importantes do género. Como é que vocês têm vivido essa situação?
Claro que o power metal não está na sua melhor fase. Em meados dos anos 90 houve bandas muito populares mas muitas que surgiram não tinham assim tanta qualidade. Passou-se o mesmo há alguns anos atrás com o black metal e com as bandas com vocalistas femininas. Ou seja, é o ciclo das coisas: quando um estilo se torna mais comercial aparecem muitas bandas a tentar a sua sorte. Provavelmente se nós, nos anos 90, estivéssemos na posição que estamos hoje, talvez fosse diferente para nós ou talvez não. Quem sabe? No final quem permanece nos períodos maus é que prova que é honesto. E nós ainda estamos aqui…

Consideram que o No Turning Back é o vosso melhor álbum de sempre? Por quê?
Eu não sei se é o melhor trabalho dos InnerWish. Apenas os nossos fãs poderão dizê-lo. Serão eles que nos julgarão. Agora, eu posso dizer que é nosso álbum mais completo. A produção é muito melhor do que os álbuns anteriores, mas o mais importante é que os nossos fãs gostem das canções. E é preciso tempo para se ter uma ideia mais completa do álbum.

Sobre as reacções de fãs e imprensa, sendo um pouco cedo, já têm algum feedback?
Até agora, temos tido um feedback muito bom sobre nosso trabalho. A maioria das pessoas que nos contactam, bem como as reviews que temos recebido falam que há algo especial neste álbum. Como disseste, ainda é cedo, mas parece que as coisas irão correr bem para os Innerwish.

E o que está em preparação para a apresentação ao vivo de No Turning Back?
Iremos fazer o máximo de espectáculos que pudermos. Existem planos para uma tournee em fins de Setembro, na Grécia e alguns espectáculos na Europa em meados de Novembro. Mas nada oficial de momento.