sábado, 24 de julho de 2010

Review: Contracultura (Gazua)

Contracultura (Gazua)
(2010, Raging Planet/Gazua)


Três álbuns em três anos é o vasto pecúlio deste trio lisboeta que, em Contracultura se baseia no movimento de contestação social vivido nos anos 60. E podemos começar esta análise precisamente por aí: a temática de critica social e politica e de despertar de consciências continua muito presente nos Gazua. O actual cenário nacional e mundial de crises financeiras, sociais e políticas acabam por fazer com que este disco se torne perfeitamente actualizado. No fundo, os Gazua acabam por funcionar como uma versão revista e actualizada dos Zecas e Adrianos de outros tempos, os tempos em que eles se baseiam nesta proposta. Musicalmente, a banda segue a sua linha bem definida dançando naquele limbo tão ténue que é a fronteira entre o punk rock e o hard rock, em que as estruturas e desempenho vocal se situa no primeiro campo mas os riffs e solos entram pelo segundo. Mas os lisboetas não se limitam ao óbvio. Aliás, a experiência de álbuns anteriores diz-nos isso mesmo. Por isso, Contracultura apresenta uma série de pormenores que caracterizam a evolução da banda. O E-Bow em A Mudança Que Queres Ver, a ficção científica em jeito de blues em Chamando Urano (sensacional tema!) ou o curto instrumental Divagueando são os exemplos. Porque tudo o resto já é conhecido: são mais onze hinos com refrães orelhudos, facilmente decoráveis, predispostos para serem gritados a plenos pulmões pelas massas em uníssono nos concertos. Os destaques podem ser apresentados sob a forma de A Mudança Que Queres Ver, uma abertura forte; Preocupa-te, numa toada claramente hardrockeira; Morreu o Coveiro, vocalizada pelo baixista Paulinho e com um curioso trocadilho literário; Mais Significado, eventualmente a faixa mais rica em termos estruturais e rítmicos com nuances melódicas inovativas; a já citada Chamando Urano, verdadeiramente brilhante ou a ritmada e atractiva melodia de Nunca Estou Satisfeito. Como tema escondido (A Minha Droga), Contracultura apresenta ainda uma declamação de uma poesia acompanhada por um instrumental algo psicadélico e noisy. Se dizem que a marca do terceiro álbum é fundamental para estabelecer um nome no panorama, pode afirmar-se, em jeito de conclusão, que os Gazua passaram o teste com distinção. Contracultura é mais uma pérola dentro do seu género que promete ficar para a história.

Track List:
1. A Mudança Que Queres Ver
2. Preocupa-te
3. Ele Já Não Respira
4. Mais Significado
5. Morreu o Coveiro
6. Chamando Urano
7. Perigo Eminente (És o Teu)
8. Corpo Oco
9. Divagueando
10. Casa dos Fantasmas
11. Nunca Estou Satisfeito

Line up: João Corrosão (vocais e guitarras), Paulinho (baixo) e Paulo Corvo (bateria)

Internet:
http://www.myspace.com/gazua

Edição: Raging Planet (
http://www.ragingplanet.pt/) /Gazua

Review: Chaos. Through. Phobia (Daemogorgon)

Chaos. Through. Phobia (Daemogorgon)
(2010, Raging Planet/Raising Legends)

Os Daemogorgon iniciaram as suas funções em Março de 2005 e Mortiis Triumphus, uma Demo CD-R foi a sua apresentação em termos de gravações. O Black Metal aí apresentado foi muito bem aceite o que levou a banda para a estrada durante três anos para promover esse seu trabalho de apresentação, tendo compartilhado palcos com nomes como Dew-Scented, Skyclad, Brujeria ou Regurgitate ou com os nacionais Tarântula, ThanatoSchizo e Filii Nigrantium Infernalium. Com a experiência entretanto acumulada a banda entrou nos Grave Studios e fez este seu registo, em formato EP e profissional. Chaos. Through. Phobia, o nome desse resultado apresenta 5 temas mais uma intro de um Black Metal muito sujo, cru e frio onde os blastbeats demolidores e a velocidade diabólica se cruzam de uma forma muito interessante com apelativos ritmos harmónicos. Aliás, a capacidade do quarteto de introduzir variações melódicas quer nos vocais guturais, quer nas bases de guitarra é um dos pontos com mais destaque nos Daemogorgon, sendo que muitas vezes os leads de guitarra acompanham a melodia criada pelos vocais. Nesse particular, Hairesis e Morningrise Of Thoughts são os mais bem conseguidos exemplos. O EP tem ainda a particularidade de o último tema, se prolongar, após o seu final, durante 6:40m de puro silêncio seguido de cerca de 3 minutos de ruídos estranhos que, curiosamente, faz a perfeita ligação com a Intro. Uma forma de completar o ciclo em que os extremos se tocam.

Track List:

1. Intro
2. Hairesis
3. Temple Dementia
4. Asylum Of Thorns
5. My Winged Shape
6. Morningrise Of Thoughts

Line up: Francisco L (vocais), Carlos Seixas (guitarras), Baal Roi (baixo), Luís Barroso (bateria)

Entrevista com La Famiglia Superstar

Histórias de junção de vários nomes importantes dentro de um espectro são diversas. Umas resultam, outras não. Os La Famiglia Superstar, estranho e muito pouco hardrockeiro nome, pertencem ao grupo dos primeiros. Terry Ilous, Marc Mendoza, Atma Anur e Steve Saluto são os elementos desta família sui-generis que partindo, praticamente do nada, se limitaram a seguir as suas emoções e criaram um dos melhores álbuns do género deste ano. O novo guitar-hero italiano Steve Saluto contou-nos os principais segredos desta família.

De onde surgiu a ideia de criar La Famiglia Superstar e qual foi o objectivo principal?
O projecto cresceu durante o processo de escrita ... No inicio o Atma Anur estava no meu estúdio a tocar bateria em algumas músicas, falamos e gostamos da ideia de ter uma banda para tocar essas músicas. Então fui a Los Angeles, onde encontrei o Terry Ilous. Conversamos sobre o projecto, ouvimos as canções e quando chegou o momento de escolher um baixista achei que o Marco Mendoza era a pessoa certa com a personalidade certa ... Gostamos da ideia de ter uma banda com o objectivo de tocar música, onde todos poderiam tocar de acordo com a sua personalidade... sem limites e sem impossibilidades.

Então foi fácil reunir todos estes nomes sonantes?
Sim, como eu te disse foi um processo fácil ... sem grandes egos, simplesmente o gosto em fazer música juntos.

E como decorreu o processo de escrita?
Eu escrevi todas as músicas e Terry quase todas as letras ... mas durante os ensaios toda a gente tinha liberdade para tocar as suas partes da sua maneira e a maioria das canções mudaram radicalmente a partir da versão original. O Marco e o Atma gravaram as suas partes no meu próprio estúdio enquanto Terry gravou os vocais em Los Angeles enviando-nos depois os ficheiros.

Eu considero que o vosso álbum é muito heterogéneo. Foi espontâneo ou realmente tiveram essa intenção? Não, foi muito espontâneo... Num tema como The Wind, por exemplo, eu não fazia a mínima ideia de que o Terry ia cantar em francês. Mas soou bem, é algo especial, é a personalidade de Terry (que é meio francês) e é o espírito da banda. Ou então podemos pensar no freetless bass em Here I Go Again. Muita gente pensa que Marco Mendoza é um baixista de rock pelo seu trabalho com os Whitesnake ou Lynch Mob, mas ele também é um cantor incrível e um fantástico baixista de jazz/fusão e os freetless são realmente uma parte dele. O seu baixo favorito é um freetless.

Como aconteceu a escolha de Here I Go Again para fazer uma versão?
Eu estava a tocar em torno de três acordes num estilo Hedrix tentando cantar alguma coisa sobre eles e a melodia foi casualmente na direcção dos Whitesnake. Então eu pensei que era bastante interessante e decidi tentar tocar a música inteira para ver o que acontecia. Quando o Terry ouviu, gostou imediatamente e então o freetless do Marco fez a diferença.

E, no final, o resultado satisfaz totalmente a banda?
Pelo que eu sei, os meus companheiros de banda estão completamente satisfeitos com o resultado e também porque nós começamos sem um objectivo específico e fomos para onde a música e os nossos sentimentos e vibrações nos levaram. Assim não há nada melhor.

Há alguma ideia para colocar os LFS na estrada?
Existe uma conversa para uma tournée europeia em Novembro/Dezembro de 2010. Se tudo correr bem, espero ver vocês lá!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Review: Live Death Doom (Asphyx)

Live Death Doom (Asphyx)
(2010, Century Media)

Os Asphyx, banda de culto de doom/death metal holandesa está de volta! Depois da junção, em 2007, para um no Party.San Open Air, na Alemanha, todo o underground foi unânime em considerar excelente o seu retorno, reforçado com a edição, em 2009 do álbum de regresso Death… The Brutal Way. Um ano após, com aclamadas aparições internacionais de promoção a esse lançamento de estúdio e especialmente depois de mais de duas décadas de existência, os Asphyx sentiram ser a altura ideal para lançar o seu primeiro DVD/álbum ao vivo. Live Death Doom contém imagens capturadas no Turock em Essen, Alemanha, a 4 de Julho de 2009, durante a festa de lançamento de Death… The Brutal Way e facilmente serve como prova impiedosa para explicar por que os Asphyx são considerados um dos nomes mais marcantes do tradicional Death Doom Metal. Para além dessas mais de duas horas de espectáculo, o DVD também apresenta um documentário da banda aprofundado e detalhado, Hordes Of Disgust, filmado com a participação de antigos e actuais membros da banda e que retrata as principais etapas históricas dos Asphyx, servindo ainda para apresentar o mais recente recruta da banda, o baixista Alwin Zuur (ex-Pulverizer, Escutcheon). Dan Swanö (Edge Of Sanity, Bloodbath, etc), que havia já misturado e masterizado Death… The Brutal Way foi o responsável pela mistura do espectáculo tendo conseguido uma sonoridade excelente. Importante é também o regresso do clássico Axel Hermann autor das capas mais impressionantes dos holandeses que mais uma vez e muito convenientemente conseguiu adicionar um sentido obscuro e mórbido à apresentação da banda. Live Death Doom acaba por ser, não apenas, mais um sinal de vida energético dos Asphyx, mas é mais importante e clara prova da marcha triunfante que a banda revela entre uma nova geração de ouvintes de Death Metal.

Track List:
CD 1
1. Vermin
2. Scorbutics
3. MS Bismarck
4. Bloodswamp
5. Death The Brutal Way
6. The Sickening Dwell
7. Asphyx II (They Died As They Marched)
8. Abomination Echoes
9. Eisenbahnmörser
10. The Krusher
11. Riflegun Redeemer

CD 2
1. Asphyx (Forgotten War)
2. Wasteland Of Terror
3. The Rack
4. Cape Horn (
5. Last One On Earth
6. Rite Of Shades
7. Pages In Blood
8. Diabolical Existence

Line up: Martin van Drunen (vocais), Paul Baayens (guitarras), Alwin Zuur (baixo), Bob Bagchus (bateria)

Internet:
http://www.asphyx.nl/

www.myspace.com/officialasphyx

www.facebook.com/officialasphyx

Edição: Century Media (
http://www.centurymedia.de/)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Entrevista com Methusalem

Os Methusalem afirmam que não querem copiar o passado, apenas homenagear o passado. E esse desiderato é perfeitamente atingido com Unite And Conquer, um disco cheio de malhas que remontam aos dourados anos 80 do século passado mas claramente actualizadas. Via Nocturna foi contactar a banda que, parca em palavras, nos contou o essencial.

O facto de a vossa demo e o MCD terem tido boa aceitação deu-vos mais força gravarem um longa duração?
Todos nós sentimos que estava na altura de lançar um longa duração depois das bons criticas ao nosso MCD Sentenced to Rock. Foi muito bom ouvir que as pessoas e a crítica estavam à espera e queriam um álbum completo. E foi isso que nos fez avançar e fazer Unite And Conquer.

Alguns de vossos membros estiveram envolvidos envolvido em bandas de death e gothic metal. Porque procurar um estilo old school agora?
Continuamos a ouvir o material dos anos 80! O nosso baterista Jort e baterista Wilco começaram o grupo em 2000. Eles tinham uma paixão pelo bom heavy metal e alguns anos depois já com o presente line-up continuamos a sentir o mesmo.

Em Unite And Conquer parece que a guerra é um conceito muito presente em termos líricos. Há realmente um conceito por trás do álbum?
Sim, fizemos uma declaração de que muita gente inocente morre com a guerra. O álbum também é dedicado a todos os soldados que perderam as vidas na guerra.

Trabalharam com nomes proeminentes como Darius van Helfteren, que trabalhou com Scorpions e Judas Priest. Como entraram em contacto com ele e que contributo trouxe para o vosso álbum?
Nós admiramos as obras de Darius e queríamos um som tão forte que ele era, sem dúvida, a pessoa ideal para o conseguir.

Unite And Conquer trilha o mesmo caminho do MCD anterior ou acrescenta algo de novo?
Unite and Conquer é diferente Sentenced to Rock. O MCD era heavy metal mais tradicional com twin solos e vozes agudas. O novo álbum é mais moderno e rockeiro. O nosso produtor, Arno Krabman, teve um grande impacto neste álbum para tornar o som mais parecido com a música de hoje.

Tem algum feedback da imprensa e dos fãs? Como têm sido as reacções?
As críticas do álbum são muito boas, embora algumas pessoas sejam mais negativas com o nosso novo estilo de tocar, mas sim .. todos nós temos que seguir em frente!

Já tiveram oportunidade de apresentar Unite And Conquer ao vivo? E para o futuro o que podem adiantar?
Sim e vamos tocar no Freeze Festivalem em Leeuwarden a 25 de Setembro e estamos a planear alguns novos pacotes com outras bandas. Espero ver todos vocês na estrada!

sábado, 17 de julho de 2010

Review: La Famiglia Superstar (La Famiglia Superstar)

Este colectivo com nome de concurso televisivo de sábado à noite e com um disco com uma capa politizada, e no qual, à partida ninguém repararia, sustenta por detrás dessas banalidades uma capacidade musical muito interessante. E para se desfazer o equívoco basta atentarmos nos nomes que compõem esta família, verdadeiramente superstar: nos vocais temos Terry Ilous dos XYZ, que também trabalhou com Black Sabbath, Stevie Wonder, Rod Stewart ou AC/DC; na bateria Atma Anur nome associado a Tony MacAlpine, David Bowie e Ritchie Kotzen; no baixo o sensacional Marc Mendozza, conhecido pelas suas prestações nos Thin Lizzy, Whitesnake, David Lee Roth ou Ted Nugent e finalmente Steve Saluto a nova revelação italiana da guitarra. Apresentados os executantes, falemos do que eles criam: hard rock, como se anteveria, com uma forte dose funky, o que os aproxima dos Extreme em muitos momentos. A nível individual nada há a apontar: as prestações são excelentes com especial destaque para o baixo cheio de Mendozza. Ao nível criativo é que as coisas nem sempre correm muito bem. Se há algumas faixas sensacionais, do que melhor se tem feito no hard rock nos últimos tempos (especial destaque para as duas primeiras Never Enough e Rain), outras há que deitam abaixo o álbum enquanto conjunto. Os temas acústicos, três no seu total, nada acrescentam e até se tornam enfadonhos como The Wind, ainda por cima cantado em francês. Neste particular, Closer é o mais bem conseguido. Cremos que a utilização dos temas acústicos faça parte da estratégia de manter a diversidade no disco. E isso até é salutar e a banda até consegue o seu objectivo com a inclusão de um tema excelente como I Come Around, retirado directamente do baú das memórias (Led Zeppelin e afins não andam muito longe). O problema é que logo a seguir no instrumental Visions, a banda aposta numa toada mais agressiva que parece de todo descontextualizada. Antes ainda, um dos momentos maiores deste trabalho: a versão em tons de soul de Here I Go Again (dos Whitesnake) realmente fantástica com uma demonstração da superior capacidade vocal de Terry Ilous e com um soberbo solo de baixo. No fundo a ideia que fica é que estes La Famiglia Superstar até poderiam ter criado um dos melhores discos do ano no seu segmento. Quiseram arriscar e ninguém os poderá condenar por isso, mas apenas conseguiram criar um trabalho demasiado heterogéneo que prejudica o conjunto. Mas que há aqui momentos de pura magia, não duvidem!

Track List:
1 Never enough
2 Rain
3 I miss you
4 What we gonna do
5 I come around
6 Closer
7 Can you tell me
8 Here I go again
9 The wind
10 Visions

Line up: Terry Ilous (vocais), Marco Mendonza (baixo), Steve Saluto (guitarras), Atma Anur (bateria)

Internet:

Edição: Heart Of Steel Records (http://www.heartofsteel.nzl.it/)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Review: Chaos In Paradise (Chaos In Paradise)

Formados em 2008, os Chaos In Paradise surgem agora com a sua apresentação ao público com a edição de um demo-EP de 4 temas. E apesar da curta experiência da banda, nota-se que as ideias abundam e que os Chaos In Paradise têm um enorme potencial a explorar e desenvolver. Este conjunto de 4 temas remete-nos para sonoridades algo difíceis de catalogar. Em momentos aproximam-se de uns Lacuna Coil mas sem os experimentalismos nu-metal da banda transalpina, o que os torna claramente mais consistentes; noutros momentos lembram os Aghora ou To-Mera mas sem a costela progressiva tão acentuada; Alas, o projecto de Erik Rutan poderá ser outra das referências. No fundo o que os Chaos In Paradise fazem é construir bases extremamente fortes, muito próximas de um death metal técnico sobre as quais encaixa a voz de Sara, tranquila, limpa, demonstrando uma calma completamente antagónica e indiferente ao turbilhão sonoro que vai crescendo e se desenvolve por trás. Para além disso a banda usa (e felizmente abusa) de dinâmicas muito atractivas, como mudanças rítmicas e estruturais. O melhor exemplo surge em Heading North, naquele que consideramos o momento mais sublime dentro do conjunto dos quatro temas. Mas, curiosa e paradoxalmente, em The Meaning Of Being Imposed a banda entra por uma outra via, mostrando alguns momentos mais íntimos e tranquilos. E é desta confluência de sonoridades diversificadas que se vai construindo a sonoridade deste jovem colectivo que se apresenta como uma das mais fortes revelações deste ano de 2010. Agora, resta que cresçam, evoluam que nós cá ficamos à espera de mais trabalho.

Track List:


1. Dawn
2. Heading North
3. The Meaning Of Being Imposed
4. Antagonized

Line up: Sara (vocais), Alexandre (guitarras), Pedro (guitarras), 19 (baixo), Quik (bateria e vocais)

Internet:
www.myspace.com/chaosinparadiseband

Entrevista com Shadyon

Com oito anos de existência, os franceses Shadyon assinam o seu segundo registo na forma de Mind Control. Com uma interessante mistura entre o progressivo e as ondas mais AOR, este projecto demarca-se um pouco da habitual composição francesa e explora novas sonoridades. Para nos falar de Shadyon, Via Nocturna contactou Maël Saout (guitarrista) e Emanuel Creis (vocalista). Aqui ficam as suas opiniões.

Após o lançamento de vosso primeiro álbum, os Shadyon tiveram algum reconhecimento a nível mundial. Sentiram algum tipo de pressão quando começaram a trabalhar em Mind Control?
Maël: Na verdade, não! A primeira prioridade que definimos para Mind Control era fazer um disco que encaixasse com a nossa ideia de futuro para os Shadyon. Podemos dizer que a única pressão era fazer um álbum com um som melhor.
Emmanuel: Sem pressão. Queríamos apenas criar novas melodias e como Maël disse, melhorar a qualidade de som deste álbum.

Esse reconhecimento levou-vos até à Inner Wound Recordings. Foi fácil entrar em contacto com a editora?
Maël: Sim, foi fácil. Nós enviámos-lhe o álbum e rapidamente recebemos uma resposta. Foi a única editora das que estávamos em contacto que falaram dos seus sentimentos sobre a nossa música e que nos explicou de que forma queria trabalhar connosco. A comunicação com a Inner Wound tem sido muito fácil e clara. E ter a oportunidade de trabalhar com eles é uma coisa boa para nós.
Emmanuel: O primeiro contacto foi em Setembro passado. Emil Westerdahl, o dono da editora é uma boa pessoa, muito motivada e sempre disponível. A nossa relação é muito estreita e é muito interessante trabalhar com eles.

Quais as principais diferenças entre Mind Control e o vosso primeiro álbum?

Maël: Em termos de line-up, temos dois novos membros, o François na bateria e Jorris nos teclados, que têm um grande impacto em termos de composição. Musicalmente, Mind Control tem uma orientação mais progressiva, isto é há um lote de atmosferas diferentes neste álbum, algumas mais suave como em New Dimension, uma música acústica (Guardian Angels), canções mais directas como Into the Fire e algumas peças épicas como Mind Control e Gates of Dawn. Para este álbum o principal objectivo foi colocar os teclados com maior destaque com algumas texturas diferentes em que a prioridade era primeiramente construir canções com partes de guitarra cativantes (quer riffs, quer linhas melódicas).
Emmanuel: Eu posso acrescentar que a minha voz mudou entre Mind Control e Shadyon, porque de há dois anos para cá que tenho treino vocal específico e isso permite-me explorar toda a minha voz. E com certeza que isso influenciou a minha prestação vocal neste álbum. Para esse álbum queríamos menos arranjos mas que obtivessem mais impacto.

A França é visto como um país que produz excelentes bandas no sector do metal mais extremo. No entanto, os Shadyon estão no campo oposto. Sentem algum tipo de dificuldade no vosso país?
Emmanuel: Eu acho que aqui na França é muito difícil para o metal em geral porque há uma série de ideias erradas sobre esse tipo de música. É verdade porém, que as bandas de metal extremo são mais desenvolvidos aqui, mas cada vez mais surgem boas bandas de metal melódico e prog. E poucas bandas francesas conseguem a internacionalização. Os outros países parecem ser mais abertos a este tipo de música.


Em termos líricos quais são os principais temas em Mind Control? Há algum conceito subjacente?
Emmanuel: Mind Control não é um álbum conceitual, porque tem faixas como o Guardian Angels, Forgotten Nightmare ou Into the Fire que são independentes umas das outras. Mas há algumas ligações entre as músicas. Na realidade, Mind Control relata experiências paranormais e sentimentos provenientes dessas experiências. Como aconteceu no primeiro álbum, Mind Control, descreve o comportamento humano face a situações diferentes. O título Mind Control é a sequela de Learning To Fears (do primeiro álbum) enquanto que New Dimension e Sun And Stars falam sobre uma história similar.

Que acções têm vindo a ser planeadas em termos de promoção?
Emmanuel: A nossa editora ficou responsável por todos os actos promocionais. Webzines, myspace, Facebook e Twitter são ferramentas muito boas para as acções promocionais.

E a respeito da apresentação ao vivo de Mind Control, o que está a ser preparado?
Maël: Nós fizemos uma festa de lançamento na nossa cidade, num local histórico bem conhecido chamado Le Vauban. Em Agosto estaremos presentes num dos mais importantes festivais franceses, o Motocultor Festival com Sodom e Destruction. Para o futuro o nosso objectivo é tocar o material de Mind Control em mais lugares diferentes. Queremos e estamos prontos para ir para a estrada! Nos espectáculos, o nosso público poderá descobrir uma abordagem mais agressiva das nossas músicas. E esperamos ter as oportunidades para tocar muito.
Emmanuel: Actualmente estamos a procurar espectáculos e festivais onde possamos fazer de banda de abertura e esse vai ser o nosso próximo passo e estamos a trabalhar afincadamente nisso.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Entrevista com Innerthoughts

Nascidos da mente e criatividade de Adilio Sousa, os Innerthoughts, são como o seu próprio nome deixa transparecer: a transposição de ideias e sentimentos íntimos para a música. O músico apresenta em Before, o EP para já apenas disponível em formato digital, o seu lado mais introspectivo e contemplativo. Mesmo mantendo o seu lado intimista de tal forma que não há fotografias, o músico acedeu ao nosso pedido e, simpaticamente, falou-nos de si, do disco, dos Innerthoughts e dos amigos.

Porque um projecto em solitário?
Olha… de certo modo foi acontecendo. Há já algum tempo que estou inserido em projectos musicais que me têm dado conhecimentos suficientes para a idealização, construção, concretização e, acima de tudo, transformação de bases melódicas e harmónicas em canções. Durante algum tempo sondei algumas pessoas para iniciar um novo projecto, neste caso Innerthoughts, mas havia sempre complicações de tempo e uma certa falta de empatia para com o conceito Innerthoughts. No entanto, neste percurso também fui conhecendo pessoas que me incentivaram e me disseram para avançar sozinho. Foi o que fiz quando surgiu a oportunidade.

Este EP mostra-nos um som muito intimista. Representa o Adilio Sousa na intimidade ou nem por isso?
Compreendo a tua pergunta e faz todo o sentido para quem conhecer realmente o projecto, mas é necessário contextualizar e o nome do EP, Before, serve para isso mesmo, sendo que este trabalho representa um pouco da minha história emocional e pessoal. Uma espécie de biografia. As letras são pedaços de acontecimentos e a forma como os interpretei, fruto do meu reflexo psíquico. Eu digo isto porque uma pessoa que tenha passado por situações similares poderá não fazer a mesma interpretação ou leitura emocional que eu. É necessário fazer esta ressalva porque não pretendo que as pessoas se identifiquem ou se reconheçam nas letras e músicas. O meu objectivo é dar um pouco de mim e fazer com que as pessoas consigam ser empáticas numa perspectiva de compreender e identificar os sentimentos que se pretendem transmitir, enquadrados “numa qualquer história de vida”. O que as pessoas poderão, eventualmente, fazer é tentar perceber quando, onde e como apareceram esses mesmos sentimentos na sua história de vida.

Acabas por gravar tudo sozinho com a colaboração, segundo o press-release, de alguns amigos. Quem foram e qual o seu papel?
Sim, esses amigos tiveram um papel fundamental na transformação de um conceito intra-psicológico para um conceito que começa a funcionar a um nível inter-psicológico. Ou seja, ajudaram-me a transformar Innerthoughts num significado/conceito socialmente partilhado, algo sobre o qual as pessoas possam falar, argumentar, compreender, discordar, etc. Estes amigos foram o Renato Duarte que me convidou, em Agosto de 2009, para passar um fim-de-semana em casa dele e experimentar o material de gravação que ele adquiriu. Foi ele me ajudou com as captações. Um outro amigo que participou neste projecto foi o Duarte Feliciano que me ajudou na mistura, masterização e produção, partilhando para tal o Isoundstudios. E, olhando um pouco para a primeira pergunta que me fizeste, Innerthoughts, na sua concretização, acaba por não ser um projecto solitário. Sem estes dois amigos este EP não teria acontecido.

Segundo consta, este trabalho foi gravado em apenas um fim-de-semana e nas condições mais básicas. Podes descrever-nos o processo?
Bem… foi um processo engraçado mas cansativo também. O ritmo de trabalho foi bastante elevado. Quando comecei a gravar só tinha as letras (a letra da Voices And Sounds foi construída nesse fim-de-semana) e a parte da viola acústica prontas. O baixo já tinha algumas linhas mas ainda não estava propriamente pronto. A ideia da bateria, por exemplo, só surgiu no domingo, não numa perspectiva de instrumento mas sim enquanto elemento sonoro. Pedi emprestado uns shakes, um glockenspiel e, entretanto, o Renato tinha umas guitarras eléctricas e uma bateria que nesta altura deve ter para aí uns 20 anos [risos], não tínhamos DI´s e outros apetrechos essenciais num estúdio de gravação. Gravei a base, vozes e viola, e depois fui introduzindo elementos. Gravamos a maioria dos instrumentos na sala de estar e a voz num dos quartos. As pistas foram gravadas em takes completos, sem corta e cola… condicionantes técnicas mais uma vez [risos]. Não havia qualquer trabalho de insonorização no espaço de gravação, pelo que de vez em quando ouvia-se cães a ladrar, pássaros a cantar e vizinhos a falar… entretanto decidi que alguns destes imprevistos ficariam no trabalho final, porque de certo modo fazem parte do contexto de gravação. O espaço onde gravámos é muito interessante e com uma óptima acústica (aconselho vivamente o espaço para gravações mais alternativas e que procurem a diferença), mas os nossos conhecimentos técnicos, mais da minha parte, eram um pouco básicos. No entanto, mesmo com estas limitações, penso que o resultado final é extremamente satisfatório e, acima de tudo, bastante orgânico e genuíno porque as pessoas, dentro das suas possibilidades, deram tudo o que podiam dar. Não há grandes artefactos por detrás de Innerthoughts.

Foi este projecto pensado também para ser executado ao vivo? Se sim, como procederás em termos de músicos acompanhantes?
Sinceramente este projecto não foi pensado para ser tocado ao vivo, mas alguns amigos já se propuseram a acompanhar-me caso decida avançar. E neste momento é uma forte possibilidade. No entanto, é algo que tem que ser bem pensado. Para tocar o EP tal e qual como foi gravado seriam precisas, no mínimo 5 pessoas, o que em termos logísticos e financeiros se torna inviável. Nestes próximos tempos vou tentar adaptar e arranjar as músicas para um formato de trio talvez… mas não sei. Como já disse é algo para pensar com calma.

E que próximos passos já estão pensados na vida de Innerthoughts?
O próximo passo de Innerthoughts é, acima de tudo, fazer chegar este EP ao maior número de pessoas possível. O EP está disponível em formato digital e vamos começar a preparar o formato físico. Neste processo o trabalho da Cogwheel Records, na pessoa de Duarte Feliciano, tem sido fundamental pela criatividade, aconselhamento e dedicação com que se tem devotado ao projecto. A existência de Innerthoughts para além de um conceito, como já disse em cima, deve-se ao facto de a Cogwheel acreditar na viabilidade do mesmo. Entretanto, como há a possibilidade de ir avante com a apresentação do projecto ao vivo estou a trabalhar em novas músicas e já tenho algumas ideias, mas ainda estão em fase embrionária. Mas aqui a questão também depende da receptividade do EP nos meios de comunicação, divulgação e público em geral. Não adianta avançar para algo se não houver alguma expectativa e interesse por parte das pessoas em relação ao projecto, porque o que eu queria fazer está feito, transformar o conceito Innerthoughts em algo real. Em termos de trabalho de estúdio penso dar continuidade, no entanto, não há prazos. Digamos que há uma vida para viver e significados para construir.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Review: Keepers Of The Faith (Terror)

Keepers Of The Faith (Terror)
(2010, Century Media)

Terror é muito mais do que cinco pessoas a fazer música. É uma energia, uma força, um refúgio e uma voz para todos os perdidos e sem voz. E este trabalho é uma tentativa de colocar em palavras o vigor expresso nos sonhos, visões e esperanças que a banda transmite através do hardcore. A história de uma década a compor e a tocar não tem desgastado este colectivo como muitas vezes acontece com outras bandas do género. Pelo contrário aperfeiçoou a sua música ao rigor dum ponteiro laser. Através de um labirinto de editoras, formações e álbuns, vem o actual capítulo da série: Keepers Of The Faith é um apelo mundial para a sua comunidade numa tentativa de voltar a ouvir os fãs mais fiéis na linha de frente juntando os mais acérrimos com novas conquistas. São 13 novas faixas produzidas por Chad Gilbert dos New Found Glory (que também produziu H2O) nos Buzzbomb Studio em Orange County, Califórnia, com o engenheiror Paul Minor (Death By Stereo) e misturado por Matt Hyde (Slayer e Hatebreed). Neste novo trabalho, os Terror colocam toda a sua alma e poder em cada música, em cada letra, no layout e no título. Pegaram em todas as regras da indústria musical e, simplesmente, apagaram-nas das suas mentes. Tudo numa tentativa, conseguida, diga-se, de capturar os primórdios do hardcore. Ou seja, isto é Terror no seu melhor. Por isso preparem-se para libertar as novas faixas dos norte-americanos.

Track List:
1. Your Enemies Are Mine
2. Stick Tight
3. Return To Strength
4. The Struggle
5. Shattered
6. You're Caught
7. Dead Wrong
8. Keepers of the Faith
9. Stay Free
10. Hell And Back
11. Only Death
12. The New Blood
13. Defiant

Line up: Scott Vogel (vocais), Martin Stewart (guitarras), Jordan Posner (guitarras), Nick Jett (bateria), David Wood (baixo)

Internet:
www.myspace.com/terror

Edição: Century Media (
http://www.centurymedia.de/)

Review: Yesterday, Today And Tomorrow (Glyder)

Yesterday, Today and Tomorrow (Glyder)
(2010, SPV/Steamhammer )

Yesterday, Today and Tomorrow é o mais recente trabalho dos irlandeses Glyder que mais uma vez voltam a não desiludir. A sua veia rockeira a atirar para a secção mais hard do género está mais aperfeiçoada bem como as suas tendências de buscar inspiração nos anos 70. Neste álbum os níveis de composição, interpretação e produção estão plenamente apurados o que faz deste um disco de eleição no seu género. A forma como a banda evolui entre temas mais speedados e outros a meio tempo, com uma bateria super-dinâmica, estruturas ora compassadas ora fragmentadas, cenários mais ligeiros ou mais obscuros tornam Yestarday, Today and Tomorrow um disco muito diversificado, com a curiosidade de parecer que não se afasta um milímetro da sua génese. E se há um titulo bem posto a um álbum, este é seguramente um deles: a banda recria muitas influências do passado (Yesterday), actualiza-as para os dias de hoje (Today) e projecta um futuro que promete ser brilhante para o rock (Tomorrow). A faixa título é um dos momentos mais sensacionais do álbum e consegue agregar todas as características referidas. Com um inicio lento, muito seventy, vai crescendo e transformando-se num portento de rock melódico. Mas há outros temas de inegável valor e categoria: Innocent Eyes, Make A Change, The Bitter End ou Always The Looser são canções onde não falta emoção, melodia, excelentes interpretações, solos brilhantes e, acima de tudo, uma grande capacidade de criar verdadeiros hinos. Uma palavra final para os três temas bónus: ao contrário do que muitas vezes acontece estes não estão aqui apenas para preencher tempo e espaço. São tão bons ou melhores que os dez temas que compõem o trabalho. Por exemplo Time To Fly apresenta dinâmicas interessantíssimas com espectaculares mudanças de ritmo e apontamentos de genialidade ao nível de uns Bigelf, por exemplo. Os outros dois, curtos, permitem que a banda viagem por sonoridades um pouco diferentes. Muito psicadelismo, alguma electrónica e ambiental, a aproximar-se, eventualmente, de uns In The Woods… fecham o disco de uma forma completamente inesperada.

Track List:
01 that line
02 knockout

03 jack strong

04 innocent eyes

05 make a change

06 the bitter end

07 back to the water

08 one of us

09 always the loser

10 yesterday, today and tomorrow

11 time to fly (bonus)

12 all you’ve done (bonus)

13 elverstown (bonus)

Line up: Tony Cullen (vocais/baixo), Bat Kinane (guitarras), Pete Fisher (guitarras), Davy Ryan (bateria)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Review: Downfall Of Adamastor (Adamantine)

Downfall Of Adamastor (Adamantine)
(2010, Edição de Autor)

Ora aí está a primeira grande surpresa deste ano no que diz respeito ao metal nacional: Adamantine, banda lisboeta com três anos de existência! O quarteto apresenta e apresenta-se com Downfall Of Adamastor, um conjunto de cinco temas e uma curta intro de puro thrash metal old school. As referências são as melhores: Metallica, Testament, Death Angel e lá mais para o final do disco, quando as coisas começam a ficar mais duras e pesadas, Slayer. Mas tudo dos seus primórdios, que é como quem diz das suas melhores fases. Os temas longos permitem um pouco de tudo: partes cantadas, secções harmónicas e solos gigantescos e fantásticos em termos de técnica, melodia e velocidade. Uma curta introdução abre para The DragonRiders, o primeiro tema a sério, rápido, poderoso e muito bem construído. Viriat’s Betrayal é quanto a nós o melhor tema pela conjunção de diversos factores: é o que melhor cruza o poder do thrash com a etnicidade (uma importante característica presente nas letras do colectivo e que atinge o seu ponto alto na declamção em português na faixa-titulo), a melodia com força. Como já referimos, à medida que vamos avançando no EP, a melodia mais apelativa vai-se transformando em força e poder e a partir de Voodoo as proximidades musicais ficam mais pelos Slayer, sendo que a banda chega a incluir alguns guturais em Allegiance To Violence. Esta é, todavia, uma situação pontual, uma vez que André Bettencourt tem um desempenho extremamente interessante com as suas vocalizações limpas mas poderosas. Para primeira amostra os Adamantine mostram as suas armas e prometem muito. E tem tudo para de revelação se transformarem, a breve trecho, numa certeza.

Track List:
1. Abyss (Of Revelations)
2. The DragonRiders
3. Viriat’s Betrayal
4. Downfall Of Adamastor
5. Voodoo
6. Allegiance To Violence

Line up: André Bettencourt (vocais/guitarras), André Pisco (baixo), Luís Abreu (guitarras), Frederico Campos (bateria)

Internet:
www.myspace.com/adamantineheart

Playlist 8 de Julho de 2010


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Review: Better Run!!! (Ferreira)

Better Run !!! (Ferreira)
(2010, Escape Music)

Marco Ferreira pode ser um nome desconhecido para a maioria do público mas o músico nascido no Brasil e radicado nos Estados Unidos já tem uma longa história para contar. Em 2002, juntamente com o seu irmão Alex Ferreira editou Fallen Heroes o que lhe permitiu efectuar diversas actuações na região do Colorado sob o nome Monkey Bite; em 2006 juntou-se aos progressivos franceses Venturia e com eles editou a estreia The New Kingdom; em 2007 fundou, com Dean Cramer (Funny Monkey) e Steve Whiteman (Kix) os Goodbye Thrill e edita a sua estreia homónima; em 2008 grava Hybrid com Venturia; em 2009, sob o nome Marco Ferreira grava o seu segundo trabalho, Working Overtime; finalmente, já em 2010, edita Keepsake com os Goodbye Thrill e este Better Run!!!, terceiro trabalho em nome individual. Pela primeira vez trabalha com o guitarrista residente na Finlândia Patrick Sebastian, ficando o colectivo completo com Gus Monsanto (Adagio, Revolution Renaissance) e com o seu irmão Alex, acentuando-se desta forma o carácter internacional do projecto. Musicalmente, Ferreira apresenta um hard rock/metal musculado, com uma secção rítmica muito forte, bases dinâmicas e poderosas sobre as quais são edificadas linhas rockeiras bem delineadas e interpretadas. A abertura é feita com Secret Damned Society, um tradicional tema hardrockeiro, mas Set My Devils Free permite mesmo o que sugere: uma total libertação dos demónios com um ritmo alucinante e muito groove. Um nome que vêm de forma subtil à nossa memória são os Ugly Kid Joe, mas Ferreira tem a destreza e inteligência suficientes para não se deixar prender a um simples nome ou género. Por isso deixa-se atravessar por outras sonoridades como o funk (em Rule In Self), e outros nomes como Motorhead (I Want Out) ou mesmo Machine Head (Defense Trust The Enemy). Pelo meio alguns temas mais calmos como a fantástica Knocking On My Door ou a desnecessária History We Make ajudam a criar o contrapeso essencial a um álbum perfeitamente actualizado, apoiado por uma produção cuidada e potente e que tanto pode agradar ao mais vulgar fã de hard rock melódico como aqueles que procuram mais agressividade

Track List:
01-Secret Damned Society
02-Set My Devils Free

03-I Want Out
04-Knocking On My Door

05-Better Run !!!

06-Rescue Me (Will You Be Ready)

07-Rule In Self
08-Crucified

09-Defense TrustTthe Enemy

10-History We Make

Line up: Marco Ferreira (vocais, guitarras, teclados), Patrick Sebastian (guitarras), Gus Monsanto (baixo, guitarra acústica), Alex Ferreira (bateria)

Internet:
www.myspace.com/marcferr

Edição: Escape Music (
http://www.escape-music.com/)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Review: Before (Innerthoughts)

Before (Innerthoughts)
(2010, Cogwheel )


Embora tradicionalmente não muito forte, a cena coimbrã começa a mostrar sinais de alguma actividade, nomeadamente ao nível das sonoridades mais alternativas. Para isso não será de todo estranho o surgimento da Cogwheel Records, editora associada aos Hanging By A Name, já aqui comentados neste ano de 2010 e que se tem mostrado muito activa. Depois da publicação de II do citado colectivo, apresenta agora o EP Before dos Innerthoughts, projecto individual de Adílio Sousa, também ele um ex-HBAN. Trata-se de um conjunto de 6 temas em formato acústico, com eventuais apontamentos eléctricos, em que o músico se apresenta de uma forma muito pessoal e intimista, despido de todos os superficialismos. Entre faixas puramente contemplativas e outras em que a introdução de percussões e outros ruídos ajudam a criar ambientes um pouco mais turbulentos, Before acaba por ser um trabalho simples e belo que serve, acima de tudo, para contar histórias musicadas e cantadas com uma voz calma e tranquila a lembrar, a espaços, Cat Stevens ou Leonard Cohen. Antimatter ou a fase mais recente de Anathema serão as principais referências, sendo que, em momentos, também se sentem as pulsações de uns The Gathering/Agua De Annique, nomeadamente em A Story Abount Silence (quanto a nós o mais bem conseguido momento do EP) e Girl, respectivamente. Parallel World sobressai por ser a faixa mais dura do trabalho enquanto o final com Please Do Not Go se assume como um dos momentos com mais ritmo, demonstrando Adílio Sousa, também aqui a sua capacidade em criar variedade, mesmo num trabalho tão curto. Claramente aconselhado a quem procura diversificar as suas fontes sonoras e procura algo mais introspectivo.


Track List:
1. Alone
2. Girl
3. Parallel World
4. A Story About Silence
5. Voices And Sounds
6. Please Do Not Go

Line up: Adilio Sousa (todos os instrumentos)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Review: The Frozen Tears Of Angels (Rhapsody Of Fire)

The Frozen Tears Of Angels (Rhapsody Of Fire)
(2010, Nuclear Blast)

Depois de anos em inglórias disputas legais que chegaram a culminar no anúncio do final da banda, eis que os majestosos Rhapsody Of Fire, se erguem e reunindo forças conseguem voltar ao activo de uma forma pura e simplesmente brilhante. Como sempre, poderosos, sinfónicos, épicos e melódicos provam que afinal o power metal quando bem executado terá sempre adeptos. Para trás fica Triumph Or Agony, uma obra nada à altura dos pergaminhos dos italianos e a prova que as escolhas das companhias deve ser bem criteriosa. Com todos os elementos em plena forma, The Frozen Tears Of Angels recupera a mística de álbuns como Symphony Of The Enchated Land ou Dawn Of Victory em que os momentos poderosos ainda estão mais poderosos, os suaves ainda mais sensuais e os cinematográficos ainda mais hollywoodescos, fruto de uma técnica irrepreensível e de uma capacidade única de composição. Mas a banda não esqueceu ainda as maldades que lhe fizeram e isso nota-se na raiva que alguns temas inserem. Uma raiva raramente vista em canções do colectivo. A ilustração surge perfeitamente em Reign Of Terror com uma agressividade vocal e uma fúria ao nível da bateria nunca vistas. Os coros continuam assombrosos e as melodias superam o que já foi feito com algumas faixas a inscreverem o seu nome como das mais brilhantes pérolas escritas por Starapoli e Turilli: Sea Of Fate, Danza Di Fuogo E Ghiaccio, On The Way To Ainor ou a faixa título. Se dúvidas havia, os Rhapsody Of Fire provaram que são duros e poderosos como os seus temas sempre deixaram transparecer. Por isso, bem vindos de volta com mais um majestoso trabalho.

Track List:
1. Dark Frozen World
2. Sea Of Fate
3. Crystal Moonlight
4. Reign Of Terror
5. Danza Di Fuogo E Ghiaccio
6. Raging Starfire
7. Lost In Cold Dreams
8. On The Way To Ainor
9. The Frozen Tears Of Angels
10. Labyrinth Of Madness (bonus track)
11. Sea Of Fate (orchestral version) (bonus track)

Line up:
Fabio Lione (vocais), Luca Turilli (guitarras), Alex Starapoli (teclados), Alex Holzwarth (bateria), Patrice Guers (guitarras)

Internet:
www.rhapsodyoffire.com
www.myspace.com/rhapsodyoffire
http://www.facebook.com/rhapsodyoffire

Edição: Nuclear Blast (
www.nuclearblast.de)

Review: Mind Control (Shadyon)

Mind Control (Shadyon)
(2010, Inner Wound)


Os Shadyon são uma banda francesa com 8 anos de existência e que apresenta através de Mind Control o seu segundo longa duração, primeiro para a editora sueca Inner Wound Recordings, com quem firmaram um contrato no inicio deste ano. O trabalho, constituído por 10 temas, na sua generalidade longos, embarca numa viagem que cruza o progressivo com o AOR. Uso acentuado de teclados, composições ligeiras e suaves e vocalizações calmas são as principais características deste quinteto que herdou referências de nomes como Toto, Ark ou Winger. Curiosamente, a abertura com uma intro melódica e sinfónica pode enganar o ouvinte a respeito do caminho que irá ser seguido. É que o inicio de New Dimension com um longo solo de teclas deixa bem claro que estamos na presença de uma banda soft, que consegue, de uma maneira geral, construir razoáveis instrumentais mas que denota pouca força e pouca capacidade de convencer. Last Escape e Forgotten Nightmare acabam por ser dos momentos mais interessantes com a inclusão de algum peso ao nível das guitarras e com estruturas claramente prog. Estranhamente, depois da tradicional balada, pouco convincente, diga-se, Guardian Angels, a banda começa a apostar numa postura mais sombria, sendo que Strange Visions consegue surpreender pela atmosfera negra que transporta e Into The Fire pelo peso associado às guitarras. E depois de tantas variações e de tantos altos e baixos, Mind Control fecha de forma muito positiva com Gates Of Dawn, a melhor faixa do álbum e onde os franceses conseguem explanar toda a sua criatividade, fantasia e técnica. O que faz pensar que este colectivo pode, de facto, evoluir, mas tem que controlar melhor algumas escolhas. E isto porque Mind Control apresenta alguns pontos demasiado baixos que poderiam perfeitamente ter sido eliminados.

Track List:
01. Calm before the storm
02. New dimension
03. Last escape
04. Forgotten nightmare
05. Mind control
06. Guardian angels
07. Into the fire
08. Strange visions
09. Sun and stars
10. Gates of dawn

Line up: Emmanuel Creis (vocais e guitarras), Mael Saout (guitarras), Stephan Huon (baixo), François le Cornec (bateria), Jorris Guilbaud (teclados)


Edição: Inner Wound Recordings (http://www.innerwound.com/)

Entrevista com Gallows End

Os amantes do metal clássico com referências ao metal melódico sueco tem aqui mais um nome para se deliciar: Gallows End, quarteto sueco (pois então!) que com Nemesis Divine faz a sua estreia. Para conhecer melhor este novo projecto, Via Nocturna contactou o principal mentor do projecto, o soberbo guitarrista, Thord Klarstrom que nos falou da génese e actualidade deste quarteto.

Os Gallows End nasceram como um projecto individual teu. Quando é que sentiste a necessidade de os transformar numa banda de verdade?

Bem, é verdade que começou como um projecto individual, mas não no sentido de fazer algo realmente sério dessa forma. Eu tinha algumas músicas feitas e, basicamente, resolvi gravá-las para fins de documentação. Então, comecei a procurar um cantor para gravar as partes vocais. Depois de algum tempo a procurar sem encontrar o que queria, decidi tentar gravá-los eu próprio. Pelo menos teria as canções completas. O resultado foi muito melhor do que eu esperava e senti que aquelas canções mereciam algo mais do que apenas ser documentação, por isso a ideia de montar uma banda completa tomou forma.


E como descobriste os outros músicos Gallows End?

Como sempre numa nova banda há algumas mudanças no line-up antes de se encontrar a química certa por isso ir-me-ei referir apenas aos actuais membros. Há já alguns anos que eu tinha em mente Mikael [Mikael Karlsson, baterista]; ele tocava bateria numa banda de covers e numa altura tocámos juntos e fiquei realmente impressionado com suas habilidades atrás da bateria por isso ele foi o primeiro nome a ser chamado. Quanto ao Peter [Peter Samuelsson, vocalista], conheci-o quando ele fez os testes para os vocais e embora fosse muito bom, não era o que eu estava à procura. Curiosamente, cerca de um ano depois, eu estava a navegar no myspace deparei-me com a sua página que tinha algumas gravações instrumentais muito boas. Assim entrei em contacto com ele novamente, perguntando se ele estava interessado em experimentar algumas músicas na guitarra. E funcionámos muito bem de imediato, quer musicalmente quer pessoalmente. A primeira vez que entrei em contacto com Niklas [Niklas Nord, baixista] foi quando fui a um concerto de uma banda de covers dos Dream Theater onde ele tocava e realmente gostei do que ouvi. Acho que isso foi por volta de 2003 e em Agosto de 2008, estávamos próximo de um espectáculo e não tínhamos um baixista. Na altura perguntei-lhe se ele queria entrar como músico de sessão para esse espectáculo mas depois de ensaiar um ou dois meses e fazer o espectáculo perguntei-lhe se ele queria juntar-se a tempo inteiro e ele aceitou.


Como decorreu o processo de composição e as sessões de gravação?

A maioria das canções deste álbum foi escrita por mim e pelo Peter ainda antes de de ter a banda completa, por isso o processo de escrita foi mais ou menos terminado numa fase inicial. Depois começámos a gravar em Dezembro de 2008. As guitarras, baixo e bateria foram gravadas nos meses seguintes no início de 2009, sem grandes problemas. Pouco antes de gravar os vocais contraí várias pneumonias e o processo de recuperação deixou-me incapaz de cantar durante quase oito meses de modo que tivemos de adiar a gravações dos vocais até ao Outono de 2009. É claro que o set-back foi muito frustrante durante este período mas felizmente a minha voz voltou de forma a podermos terminar as gravações em Outubro de 2009.

E estás totalmente satisfeito com o resultado final?
Essa é uma pergunta difícil de responder. É claro que estamos muito felizes com o resultado e com o desempenho de todos no álbum, mas acho que o dia que um músico estiver plenamente satisfeito com um álbum está na altura de seguir em frente e fazer algo diferente. Eu acho que um dos principais pontos fortes da banda é a vontade de fazer sempre melhor, melhorar sempre. Outra coisa é que as canções deste álbum foram escritas durante um longo período de tempo e realmente não reflectem o que a banda é hoje musicalmente. Penso que isso é algo muito comum nos álbuns de estreia e tenho certeza que a maioria dos músicos concorda.

Fala-nos sobre os convidados em Nemesis Divine.
A faixa título foi baseada vagamente em torno de um versículo da Bíblia (Mateus 13,41, 43) e realmente achei que deveria haver uma grande introdução; não queria usar uma intro com samples como tantos fazem. Por isso criamos esta intro e quando estávamos em estúdio convidámos várias pessoas para tentar. A escolha recaiu sobre Svante Skoog, uma vez que realmente a sua interpretação das letras é fantástica. Svante também faz alguns backing vocals em algumas outras faixas do álbum. Quanto a Jenny [Jenny Blomqvist] é também uma grande cantora e uma boa amiga do Peter e quando precisámos de uma voz feminina para os coros em No Return, pedimos-lhe para nos ajudar e teve um grande desempenho, penso.


Em termos líricos, quais são os principais temas em Nemesis Divine?

Na realidade, não considero que haja qualquer assunto principal nas letras deste álbum. É claro que, à primeira vista, há algumas músicas que podem parecer semelhantes no estilo e no tema, mas se escutarem com atenção há muito mais que simples líricas. Eu não sou daqueles que gostam de falar sobre o significado das letras, porque tento mantê-las abertas para os ouvintes interpretarem. É como se, quando lemos um livro e depois ficamos desapontados quando mais tarde, assistimos a uma versão em filme, porque nada foi feito como nós o imaginámos. Eu acho que se passa o mesmo com as letras e para manter as coisas abertas para a interpretação e criar uma conexão mais pessoal com o ouvinte prefiro que cada um retire as suas conclusões e faça a sua análise.

O que é que tem sido feito em termos de promoção do álbum?

Estamos a trabalhar com uma empresa de promoção holandesa chamada Metal Revelation para todos os pormenores de promoção bem como o lançamento de Nemesis Divine. A Metal Revelation também estará presente em muitos dos maiores festivais de Verão, promovendo as bandas do seu catálogo e esta é uma boa maneira de espalhar o nosso nome. Por isso se aparecerem por lá, parem, conversem um pouco e descubram uma série de boas bandas. Por outro lado nós e a editora temos vindo a fazer trabalhos de promoção em áreas diferentes, por isso acho que temos vindo a fazer um bom trabalho.


Playlist 01 de Julho de 2010