quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Review: The Wicked Symphony (Avantasia)

The Wicked Symphony (Avantasia)
(2010, Nuclear Blast)

The Wicked Symphony é a segunda parte da trilogia iniciada em 2008 com The Scarecrow e que terminou, este ano, com a edição em simultâneo das duas últimas partes, esta que agora se analisa e a última, Angel Of Babylon já comentada. Como sempre, Tobias Sammet conta com a prestimosa colaboração de gente ilustre do metal, destacando-se neste particular a presença de Tim Owens, Klaus Meine e André Matos que não tinham participado em nenhuma das outras partes desta história (o brasileiro já tinha, todavia, entrado nas duas partes de The Metal Opera em 2001 e 2002). Escolha imprescindível para Samet continua a ser os vocalistas Jorn Lande, Michael Kiske e Bob Catley, sendo que o germânico e o britânico também já haviam colaborado na segunda parte da sua anterior ópera metálica. Instrumentalmente o baixista dos Edguy volta a trabalhar com praticamente a mesma equipa base dos outros dois capítulos, embora desta vez se apresente ligeiramente mais reduzida. No campo da análise musical, pode afirmar-se que este trabalho sendo a transição entre The Scarecrow e Angel Of Babylon, demonstra precisamente isso, fazendo a ponte perfeita entre os dois álbuns, embora se aproximando mais do segundo, ou não tivessem sido criados, gravados e produzidos na mesma altura. Isto equivale a dizer que os predicados apontados anteriormente a Angel Of Babylon também encaixam na perfeição em The Wicked Symphony. Samet conseguiu, mais uma vez, criar um conjunto de temas (onze no total) de metal, ora mais compassado ora mais speedado; ora mais agressivo ora mais melódico e sensual, mas perfeitamente identificável e compatível com o génio alemão. Afirmar qual das duas obras publicadas neste ano é a melhor é muito difícil. São trabalhos que se complementam e se interligam de uma forma extremamente orgânica. É um todo indivisível. Daí que neste The Wicked Symphony existam momentos gloriosos e inesquecíveis de verdadeiras canções de metal como os que há em Angel Of Babylon. E são tantos que mais vale ouvir tudo de seguida.

Track List:
1. The Wicked Symphony
2. Wastelands
3. Scales Of Justice
4. Dying For An Angel
5. Blizzard Of A Broken Mirror
6. Runaway Train
7. Crestfallen
8. Forever Is A Long Time
9. Black Wings
10. States Of Matter
11. The Edge

Line up: Tobias Sammet (baixo e vocais), Russell Allen, Jorn Land, Michael Kiske, Tim Owens, Klaus Meine, André Matos, Bob Catley e Ralf Zdiarstek (vocais), Sascha Paeth, Bruce Kulick e Oliver Hartmann (guitarras), Miro Rodenberg (orquestrações), Felix Bohnke, Alex Holzwarth e Eric Singer (bateria)

Entrevista com Bypass

Mais sucintos e directos. É assim que os Bypass definem a sonoridade do seu novo trabalho, Like Mice And Heroes. Oriundos de Lisboa e praticantes de um pós-algo, os Bypass assumem-se como uma das mais refrescantes propostas do novo rock português. Por isso fomos falar com a banda para nos esclarecer o seu percurso.

Para quem não conhece os Bypass, como descreveriam o vosso projecto?
Os Bypass são uma banda rock. Não uma banda rock tradicional, quando comparado com o panorama rock em geral, mas sim um colectivo onde a principal força motriz é o rock. Claro que nesta definição cabem muitas coisas, ou pelo menos deveriam caber, segundo a nossa perspectiva.

Já este ano havia lançado um EP, Airports. Existe alguma conexão entre estes dois trabalhos?
O EP Airports serviu de aperitivo para o álbum com o qual partilha alguns temas. De realçar ainda, no EP, a inclusão de uma remistura do tema Driving With Yours Fingers Crossed pelo Kubik e que foi baptizada de Sweet.

E sendo este já o vosso 3º álbum, que diferenças apontam entre Like Mice And Heroes e os seus antecessores?
Neste disco quisemos fazer temas mais sucintos e directos. Essa atitude na composição revela-se não só na duração dos temas como também na presença da voz que é muito mais forte. Estes temas apresentam-se mais próximos do formato canção.

Este é um trabalho inspirado na ascensão de Barack Obama ao poder. De que forma lidam, musicalmente, os Bypass com este cenário?
Sobretudo com pragmatismo e assertividade na forma como compusemos. Há menos subtileza e mais contrastes súbitos. É um momento em que, aparentemente, a hipocrisia é menos reinante e a esperança de que uma utopia nova tenha consequências é amplificada, juntamente com todas as incongruências que isso acarreta.

E que ligação tem o título Like Mice And Heroes, com o mesmo?
O título joga precisamente com esse carácter de nova aparência. Que mesmo que seja só ou sobretudo aparência pode ainda assim surtir efeitos positivos como uma espécie de placebo ético a nível global. Nesse sentido, há lugar à acção e não a um cepticismo que, para além de não ajudar, desajuda. Voltando ao título e às aparências, propomos a questão: quem são os ratos e quem são os heróis? Ou, noutra perspectiva, quando vamos (cada um de nós) querer agir de uma forma ou outra?

Gostaria, agora, que nos apresentassem os diversos convidados que participam no vosso álbum.
Makoto Yagyu (vozes), Hélder Rodrigues (trombone), Mila Gonzalez (trompete), Vera Dias (fagote), Isa Peixinho (flauta), Gonçalo Lopes (clarinete).

Quando decidiram que esses convidados deveria participar e como fizeram para conseguir o seu contributo?
Na verdade o processo foi inverso na maioria dos convidados. Os temas ditaram os convidados. Por regra, compomos sem pensar muito em quem tocará que instrumento. Escolhemos a sonoridade que, achamos que o tema sugere e se algum dos instrumentos nenhum de nós sabe tocar ou não sabe tocar de uma forma muito específica, pensamos em quem poderia fazê-lo connosco. De seguida entrámos em contacto ou com as pessoas de que nos lembrámos e que já conhecíamos ou procurámo-los simplesmente. Também o videoclip aconteceu dessa forma. Apesar da nossa ideia inicial mantivemos abertura e desenvolvemo-la juntamente com o Mr Edgar Ferreira. De facto, o resultado está muito distante dessa ideia primordial o que também é um prazer para nós - construir uma obra em conjunto com um elemento exterior à banda.

E essas individualidades tiveram algum input na criação dos temas?
As estruturas e os arranjos já estavam definidos antes de os convidados gravarem. Contudo, deixamos sempre algum espaço em aberto para incluirmos algum imprevisto valioso e até para sugestões que os convidados apresentassem para melhorar as nossas ideias iniciais o que, de facto, aconteceu em vários momentos.

E a passagem de Like Mice And Heroes para os palcos como está a ser feita?
Tivemos que reaprender a tocar os temas. Fazendo novos arranjos em algumas, ou distribuindo novos papéis para cada músico em palco. É comum a pessoa que gravou um instrumento no disco não ser a mesma que o toca nos concertos. Ou porque logisticamente é mais simples ou porque se descobrem novas formas de o fazer. Por isso, até para nós, é uma surpresa o ambiente no palco e a relação que cada um de nós tem com cada tema.

Finalmente, que objectivos se propõem os Bypass atingir com esta proposta?
Com esta proposta propomos: tocar o mais possível. Para este disco é isso que pretendemos, tocar ao vivo o maior número de vezes possível.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Review: Return To Zero (Spiritual Beggars)

Return To Zero (Spiritual Beggars)
(2010, InsideOut)

Cinco anos após Demons, os Spiritual Beggars estão de regresso com mais uma obra emblemática de hard rock clássico, a sua sétima em formato longa duração – Return To Zero. O porque de um tão grande hiato até se percebe: todos os cinco elementos fazem parte dos mais importantes colectivos gregos e suecos da actualidade (Arch Enemy, Firebird, Opeth, Witchery, Firewind) e por isso as suas agendas devem ser mais que preenchidas. A questão que se coloca é que motivação terão estes cinco elementos que provaram tudo nos seus grupos de origem, para este projecto? A resposta é muito simples e é dada pelo título do álbum: Return To Zero. Quer isto dizer, regresso ao nada, à origens… isto porque o que esta obra dos suecos nos propõe são 11 temas de puro e verdadeiro hard rock clássico na linha de nomes como Rainbow, Deep Purple, Black Sabbath ou mesmo, numa toada mais sulista, Lynyrd Skynyrd. E isso é muito importante. Porque foi com estes nomes (e alguns outros, obviamente) que tudo nasceu e é fundamental que a nova geração perceba que há um passado brilhante por trás de todos os nomes recentes, por mais extremos que sejam. No fundo não se trata de copiar o passado, mas sim de o homenagear, mantendo vivo todo o legado hard rock e sendo capaz de o projectar no presente e futuro através de toda a inegável qualidade desse género. E em Return To Zero, os Spiritual Beggars criam mais uma obra genial e intemporal e que, seguramente, não envergonhará os seus antepassados. Fruto da qualidade e da experiência de todos os elementos só se esperaria mesmo um resultado assim. A banda sabe o que faz, como o faz e quando o deve fazer e denota uma atitude, uma capacidade de desafiar fronteiras e uma inteligência que, afinal de contas, nem deverá surpreender ninguém. Isso resulta num trabalho extremamente dinâmico e versátil capaz de cruzar a energia do rock dos anos 70 com um rock mais clássico mas sempre atingindo elevados níveis de execução. Apollo Papatanhasio (dos Firewind) estreia-se aqui como vocalista e passa com distinção, sendo ele também capaz de, ao nível vocal, imprimir todo aquele sentimento retro que se exige, conseguindo soar quer como Dio quer como David Coverdale e adicionando um ligeiro travo bluesy que ajuda a elevar os temas de Return To Zero a outro patamar de emoção e sentimento.

Track List:
1. Return To Zero [Intro]
2. Lost In Yesterday
3. Star Born
4. The Chaos Of Rebirth
5. We Are Free
6. Spirit Of The Wind
7. Coming Home
8. Concrete Horizon
9. A New Dawn Rising
10. Believe In Me
11. Dead Weight
12. The Road Less Travelled

Line up:
Michael Amott (guitarras), Ludwig Witt (bateria), Per Wiberg (teclados), Sharlee D’Angelo (baixo), Apollo Papathanasio (vocais)

Internet:
www.myspace.com/spiritualbeggars
http://twitter.com/Spiritual_B

Edição:
InsideOut

domingo, 22 de agosto de 2010

Entrevista com Gazua

Com três álbuns na bagagem, os Gazua assumem-se como a mais forte referência do punk rock cantado em Português e que em Contracultura voltam a demonstrar estar em excelente forma. João Corrosão, vocalista e guitarrista, falou-nos dos sentimentos que habitam o seio da banda e confessou-nos que a banda tem vontade de evoluir ainda mais num futuro quarto álbum.

Com Contracultura atingem a importante marca de 3 álbuns. Consideram que já atingiram a maturidade criativa?
O trabalho de estúdio ajuda realmente a banda a crescer e com o terceiro disco ganhámos sem dúvida maturidade em termos de composição e em termos de grupo. Curiosamente, esta é agora a altura em que nos queremos afastar um bocado da fórmula que usámos até aqui e arriscar um pouco mais criativamente, e por isso a maturidade criativa será posta à prova quando começarmos a preparar um quarto disco. Acima de tudo, penso que aprendemos a lidar uns com os outros e isso é um passo muito importante para o futuro de uma banda.
Na vossa opinião, que diferenças podem ser apontadas neste álbum, em relação aos anteriores?
As diferenças não serão grandes sendo que olhamos para estes três primeiros discos como parte de um ciclo. No primeiro disco Convocação, quisemos um leque de músicas mais coerente e directo, no segundo disco Música Pirata tentámos que fosse um disco mais variado em termos de géneros e arriscámos um pouco mais na composição. Neste terceiro disco Contracultura quisemos uma espécie de somatório dos dois, ou seja, um disco directo mas abrangente.

Mais uma vez, apostam numa forte apresentação do vosso produto. Podem detalhar em que consiste o pack Contracultura e que objectivo esteve na origem dessa ideia?
A parte visual dos discos em geral sempre me fascinou e não queria que isso passasse despercebido nos nossos discos. Contracultura foi o nome de um movimento que se desenvolveu nos anos 60 (na América e em algumas partes da Europa), no qual muitos jovens questionaram o poder vigente e os valores instituídos. Peguei na ideia do cartaz e do flyer através dos quais se passava informação dentro desta cultura alternativa e criei a imagem a partir disso. A caixa contém uma espécie de kit para uma nova contracultura: um poster com alguma informação, um cd com a música, um patch para cozer na roupa, um autocolante, um pin e uma palheta para tocarem. No poster vem a fotografia de várias dezenas de personalidades que de alguma forma criaram pontos de mudança. Referências para nós e que espero possam servir também de referência para quem entrar em contacto com o disco, visto estarmos a viver uma fase onde aparentemente os jovens crescem sem referências concretas.

Como já referiste, este trabalho é inspirado no movimento de contestação social dos anos 60. Mas, no actual panorama social e político, mostra-se perfeitamente actualizado. Como vêm essa situação?
Quando li um livro sobre a Contracultura achei isso mesmo e daí ter adoptado o nome. Quando o sistema político assenta acima de tudo na ideia de fabricar dinheiro, o ser humano é sempre desprezado. As governações deveriam ser feitas para melhorar as nossas condições de vida, mas o que se passa é que apenas uma muito pequena percentagem beneficia disso. Os jovens na América dos anos 60 tiveram de lutar contra a guerra do Vietname e contra a segregação racial, nós cá temos que lutar por mais igualdade e justiça social.

Voltaram a gravar nos Estúdios Crossover e com o Zé Pedro Sarrufo. Esta é uma aposta claramente ganha e para continuar?
A frase que diz que não se mexe em equipa que ganha aqui faz algum sentido. Ficámos satisfeitos com os 2 primeiros trabalhos e por isso não fazia sentido mudar no terceiro. O quarto disco vai ser para nós a entrada num novo ciclo e por isso pode fazer agora sentido mudar. Para isso acontecer têm que aparecer condições mesmo boas, pois também não vamos querer arriscar, nem gastar mais dinheiro para ter um disco de qualidade inferior. Acho que em estúdio tem que se encontrar uma grande sintonia com quem trabalha os botões, e isso entre nós e o Sarrufo. Ele conhece bem este caminho e isso pode ser meio caminho andado.

Desta vez incluíram um pequeno instrumental. Faz parte do vosso processo evolutivo enquanto compositores?
Esse tema instrumental surge como uma espécie de escape ao normal andamento de um disco de punk rock. Um descanso para o ouvido. Tem uma abordagem bem diferente do resto dos temas e foi sem dúvida uma tentativa de arriscar algo diferente e esperar um feedback. Esperar para ver se as pessoas aceitam. O que nunca quisemos foi um caminho demasiado traçado e óbvio em que à mais pequena tentativa de fazer algo diferente fossemos logo criticados. Vamos arriscar sempre qualquer co
isa. É mais interessante assim!

Fala-nos da poesia declamada no fim do último tema, quase esquecida.
Essa letra foi feita há uns bons anos e sempre esteve à espera de música... O que aconteceu foi que achei que neste disco poderia fazer uma espécie de poema musicado e declamar apenas as quadras com um ambiente como pano de fundo. Não pareceu tema para integrar o disco e por isso usámos como faixa escondida. Gosto muito do texto e tem tudo a ver com o conceito da Contracultura. É como se a vontade de criar a mudança fosse um vício, uma droga da qual nos tornamos dependentes.

Musicalmente, um dos meus temas favoritos é Chamando Urano. É algo muito diferente do que os Gazua costumam produzir. Podes descrever como surgiu a ideia e como foi crescendo?
Estando cansado de assistir a tanta injustiça aqui no planeta Terra, pensei em ir viver para o planeta Urano. Este é o tema da letra, a partir daí tentámos criar um ambiente diferente do habitual para vincar mais a ideia de estarmos noutro lugar. Tentámos também criar momentos na música que nos transportasse para algo mais espacial... como acontece na parte do solo.

Mais uma vez, os Gazua apresentam um conjunto de temas claramente voltados para serem tocados e cantados ao vivo. Por isso pergunto como está a ser preparada a agenda de promoção a Contracultura.
Essa parte é a mais complexa delas todas... A sensação que temos é que o país quer ouvir as bandas conhecidas e não dá muitas oportunidades às bandas que estão a aparecer. Não existe espírito crítico... é comer o que nos puserem no prato. A suposta crise também está condicionar os eventos culturais por todo o país e isso também não está ajudar. Dia 4 de Novembro vamos fazer um concerto especial no Musicbox em Lisboa.Vamos ver o que aparece... Felizmente existem blogs como a Via Nocturna para manter muita banda motivada. A pior coisa que uma banda pode sentir é que ninguém está a prestar atenção.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Review: Arcane (Dark Wings Syndrome)

Arcane (Dark Wings Syndrome)
(2010, Ethereal Sound Works)

Estão mais ou menos percebidos os motivos da fractura dentro dos seminais The SymphOnyx. Uma facção pretendia seguir uma linha mais classicista/minimalista/artística; outra queria endurecer a sua sonoridade. Ficaram a ganhar os fãs pois passaram a dispor de dois projectos diferentes no conteúdo mas semelhantes na qualidade. Arcane é a estreia da facção mais agressiva sob a denominação de Dark Wings Syndrome e inicia-se, precisamente, onde os The SymphOnyx terminaram ou seja, herdaram as interessantes e ricas estruturas rítmicas, as linhas melódicas, a coragem de arriscar e inovar mas dão um passo em frente aumentando a intensidade da secção rítmica e a importância dada às guitarras. Dito de outra forma, endureceram as bases originais transformando-as em hinos de verdadeiro metal. Esse endurecimento é mais notório, por exemplo, no excelente trabalho de guitarras dançando e revolteando em movimentos frenéticos ou na inclusão de guturais em dois temas (… In Hades Pt. 1 e In My Crystal Cage). Não que estes acessos de fúria vocal sejam particularmente significativos, até porque, quanto a nós, esses apontamentos acabam por soar algo descontextualizados do resto da obra (ainda que a estrutura desses temas peça a utilização desse recurso) mas assinala, de forma inequívoca, a vontade da banda em arriscar. Que é o que acontece, também, embora aqui com um resultado mais satisfatório, em Unkown Pleasures com a introdução de um acordeão interpretado por Artur Fernandes (Danças Ocultas). Este é uma das muitas notáveis personagens (nove no total) que são convidados a dar o seu contributo ao álbum e só enriquece o resultado final. O disco acaba por se desenvolver em crescendo, ou seja, são necessárias várias audições para que se percebam todos os pormenores que fazem de cada segundo um segundo memorável e, consequentemente, se consiga penetrar em toda a magnifica envolvência deste conjunto de temas.

Track List:
1. Free-Flowing
2. Hatred/Ódio
3. Spiritual Emotions
4. It’s No Good
5. My Silence
6. … In Hades (Pt. 1)
7. In My Crystal Cage
8. Your Hidden Treasure
9. The Prey
10. Unknown Pleasures

Line up:
Barros Onyx (vocais), Tiago Machado (guitarras), David Viegas (guitarras), Rui Ferreira (teclados e guitarras), Carlos Barros (bateria)

Review: Seven Kingdoms (Seven Kingdoms)

Seven Kingdoms (Seven Kingdoms)
(2010, Nightmare)

Os Seven Kingdoms, a nova aposta da Nightmare Records, formaram-se em 2007 na Florida tendo, de imediato, editado um trabalho auto-financiado sob o título de Brothers Of The Night. Segundo o press release, terá sido a voz de Sabrina Valentine que terá surpreendido Lance King e o levou a assinar com a banda. Mas o que é certo é que, logo após o lançamento do referido trabalho em formato independente, a banda teve oportunidade de compartilhar os palcos com Sonata Arctica ou Circle II Circle. Ainda assim, não se percebe muito bem tanto protagonismo a esta banda e a este álbum. Os Seven Kingdoms, pontualmente, até conseguem criar interessantes estruturas (The Ones Who Breath The Flame, Open The Gates ou Vengeance By The Sons Of A King, em particular) e a dupla de guitarristas (Camden Cruz e Kevin Byrd) até têm um desempenho muito bom a todos os níveis. O problema está na indefinição em que o colectivo vive. O álbum não apresenta um fio condutor coerente, sendo capaz de oscilar entre o power metal (Somewhere Far Away) e o death metal (Eyes To The North) com passagens pelo thrash (Seven Kingdoms) ou na pop melosa à lá Evanescence (A Murder Never Dead). Tal diversidade, quando bem gerida, normalmente beneficia o resultado final. Mas neste caso isso não acontece porque é sinal de uma enorme indecisão em relação ao trilho a seguir. Também ao nível vocal o trabalho deixa algo a desejar. Se a inclusão de coros na linha do que se fazia no metal dos anos 80 (Open The Gates ou Vengeance By The Sons Of A King) está bem conseguida, já a aplicação de guturais nos parece completamente despropositada, nomeadamente em The Ones Who Breath The Flame. Sabrina Valentine também não apresenta um registo particularmente convincente, limitando-se ao básico e não imprimindo nem alma nem força aos temas. Isso faz com que os momentos mais altos do disco se atinjam nas secções instrumentais. Em suma, apesar de alguns momentos bem conseguidos, os Seven Kingdoms vão ter que trabalhar muito ao nível vocal e definirem muito bem as prioridades em termos estilísticos. Quando isso acontecer, este quinteto pode, de facto, almejar a algo mais, até porque tecnicamente parecem-nos muito evoluídos.

Track List:
1. Prelude
2. Somewhere Far Away
3. The Ones Who Breathe The Flame
4. Open The Gates
5. Vengeance By The Sons Of A King
6. Wolf In Sheep’s Clothes
7. A Murder Never Dead
8. Into The Darkness
9. Eyes To The North
10. Thunder Of The Hammer
11. Seven Kingdoms

Line up:
Sabrina Valentine (vocais), Camden Cruz (guitarras), Kevin Byrd (guitarras), Miles Neff (baixo),
Keith Byrd (bateria)

Internet:
http://www.sevenkingdoms.net/
http://www.myspace.com/sevenkingdoms

Edição:
Nightmare Records

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Entrevista com Oceansize

Self Preserved While The Bodies Float Up é a mais recente proposta dos britânicos Oceansize, uma banda única no actual segmento musical. Como sempre, a banda volta a surpreender pelo seu arrojo e pela postura completamente descomprometida e sem qualquer tipo de compromisso. Aliás, isso mesmo ficou bem demonstrado com a louca conversa que tivemos com o teclista e guitarrista Gambler.

Depois das excelentes reacções ao vosso último álbum, sentiram algum tipo de pressão quando começaram a escrever este novo disco?
Somos um grupo muito auto-critico e super perfeccionista logo a única pressão que tivemos ao escrever um novo álbum veio de nós mesmos. Felizmente as nossas editoras (Beggars Banquet e Superball) deixam-nos sempre à vontade quando se trata de fazer novos discos. Deve ser porque somos uns dos seus nomes mais importantes e acho que se eles interferissem nós mandávamo-los esmagar a sua mesa de snooker e ninguém quer isso.

Na vossa opinião, quais as principais diferenças entre Self Preserved ... e seus antecessores?
Não sei bem a que antecessores te referes, mas acho que este é um disco mais maduro, somos uma banda que encontrou o seu lugar no mundo e é feliz por lá estar a desfrutar de algumas bebidas. Isso soa como uma banda que não precisa provar mais nada, como alguém que cresceu e não se sente a necessidade de ter um corte de cabelo ridículo ou vestir roupas mais dois tamanhos muito pequenos. Essa banda percebeu que não precisa se esforçar tanto para ser mais cool, porque já o é. Isso é o que acontece quando envelhecemos, paramos de tentar ser duros, porque não é preciso. Os Oceansize não precisam tentar ser mais cool, eles perceberam que já o são. Se houver alguém que não perceba isso não importa.
Considerando que a data de lançamento é apenas em Setembro, que expectativas têm vocês sobre o seu novo trabalho?
Tenho pensado muito e bem (cerca de 3 minutos) sobre o que significa desta pergunta e tenho medo de não ter a menor ideia. Mas vou tentar responder. Espero que este álbum arrase o imundo, deteriorando a música do mundo. Com os Oceansize virá a ruína e riremos como um valentão de escola de uma criança. Ou isso, ou ele vai vender uma pequena quantidade de cópias e ainda estaremos a jogar Tunbridge no próximo ano.

Qual o significado de um título tão longo: Self Preserved While The Bodies Float Up?
O teu palpite é tão bom quanto o meu companheiro. Literalmente, eu diria que é sobre cuidar do número um e ver todo mundo afogar-se como patéticas sardinhas, como o tipo de intimidação escolar. Ou então, acho que poderia ser sobre uma banda que fica num mundo selvagem e implacavelmente assassino enquanto vê muitos de seus contemporâneos sucumbir à pobreza / mulheres / namoradas / anonimato / drogas / doença / morte ou uma combinação. Não tenho certeza realmente.

Além do título do disco, temos aqui alguns títulos faixa enigmática: It’s My Tail And I’ll Chase It If I Want To; Oscar Acceptance Speech e SuperImposer/SuperImposter. Vocês gostam de brincar com as palavras nas vossas letras? Têm algum significado especial?
O Mike gosta de estar sempre a brincar com as palavras. Ele não pode ler ou escrever por isso desenha pequenos símbolos em pedacinhos de papel e coloca-os todos num chapéu e todos nós retiramos alguns e organizamo-los numa pequena história. Então, aqueles de nós que realmente podem ser forçados a ir para a escola têm que descobrir o que significa a história e depois vir para cima com um título ou letras com base nisso. É uma diversão agradável e às vezes leva a jogos, como Kerplunk ou Scramble Screwball.

Como decorreram as sessões de gravação desta vez?
Elas correram muito bem, obrigado. Gravámos o álbum no nosso estúdio (eu uso o termo estúdio muito vagamente), portanto nós estávamos muito animados sobre como ele iria acabar. Mark [Heron, baterista] e Steven [Hodson, guitarrista, teclista e baixista] saíram a meio para ir em tournée com sua outra banda, Kong. Assim tivemos que obter todas as suas partes primeiramente (que é o costume de qualquer maneira). Por isso foi a primeira vez que a banda não esteve toda junta em todo o processo. Mas tenho certeza que tu estarás tão satisfeito quanto nós com o resultado.

2009 marca o lançamento do vosso DVD, Feed to Feed e do álbum Home & Minor. O que nos podes dizer sobre estes dois lançamentos?
Fizemos três shows de aniversário em 2008 para comemorar dez anos a tentar fazer uma carreira (risos). Por isso nós pensámos ser uma caixa era perfeitamente justificada e absolutamente necessária para aumentar nossos egos e para nos dar coragem para seguir em frente. Home & Minor, por outro lado, é simplesmente a banda a tentar mostrar ao mundo que não somos apenas um sujo e pesado gigante tentando derrubar a sua casa e comer o seu cão, mas que também temos um lado mais sereno. Eu não acho que música tenha que ser alta e agressiva para ser poderosa; o silêncio pode ser tão perturbador como uma enorme parede de distorção (se bem que a enorme parede de distorção é mais divertido, claro).

Em termos da apresentação do álbum ao vivo, o que já está a ser preparado?
As datas que podem ser anunciadas agora já estão disponíveis no site e Myspace. Em breve sairemos em busca de fortuna e glória em alguns dos mais profundos recantos da Europa continental. Ao longo do caminho iremos encontrar fãs raivosos, miseráveis motoristas de autocarro (provavelmente), nativos inquietos e tais maravilhas e tesouros que o homem só pode ficar horrorizados e maravilhar-se. Voltaremos somente quando os nossos mais profundos medos e terrores forem conquistados e a nossa missão celestial de trazer Progressive Death Indie ao indigno for realizado. Vemo-nos em Stoke.

domingo, 15 de agosto de 2010

Review: Inward Beauty, Outward Reflection (Kandia)

Inward Beauty, Outward Reflection (Kandia)
(2010, Edição de Autor)

Formados pelas mentes de Nya Cruz e André, os Kandia estrearam-se com Light, um EP editado em 2008 (do qual recuperam o tema Rise que aqui reaparece) e sem esmorecer publicam, já este ano, Inward Beauty, Outward Reflection o seu primeiro longa duração. E para que nos situemos logo à partida importa referir que este é um trabalho de extremo bom gosto e de um nível elevadíssimo que o coloca como sério candidato a disco do ano. Estilisticamente o duo faz uma abordagem ao metal de cariz melódico (sem entrar nos campos do gótico, o que acontece muitas vezes aos colectivos com senhoras nas vocalizações), com uma elevada dose de romantismo mas, simultaneamente, com uma densidade ao nível das guitarras digna de registo e com uma adequada dose de groove ao qual não faltam, aqui e ali, ligeiros apontamentos electrónicos que tornam as canções muito mais interessantes, vibrantes e apelativas. As guitarras, têm um importante desempenho quer ao nível das secções harmónicas, quer ao nível de riffs, quer ao nível dos solos, bem colocados, superiormente introduzidos e perfeitamente executados. Para além das seis cordas, também a voz de Nya Cruz, num registo próximo de Cristina Scabbia, assume um papel preponderante: excelente no campo da colocação, da afinação, da dinâmica e da melodia imprimida. Neste campo merece destaque o excelente dueto com J. P. Leppaluoto (dos Charon) em Reflections. Por falar em convidados, Pedro Mendes executa o solo em Paranoia, Daniel Cardoso assume a bateria (mais um desempenho fantástico deste músico de eleição) e pianos em todo o álbum e Zé Puto toca tablas em Waste My Time, um dos mais brilhantes momentos (entre outros sublimes como Paranoia, Into Your Hands, Y.S.L.E. ou Love As A Man) do disco nas suas influências arábicas. Pode citar-se Lacuna Coil como a principal referência, nomeadamente na melhor fase dos transalpinos, ou seja, por alturas do álbum Unleash The Memories, mas com mais intensidade, força e, em momentos, velocidade. E isso, provavelmente devido ao excelente trabalho (mais um!) de produção de Daniel Cardoso (em conjunto com a própria banda) nos UltraSound Studios, mas acima de tudo pela genialidade ao nível da composição e execução do duo. Imprescindível e a assunção de mais um nome a reter.

Track List:
1. Intro
2. Paranoia
3. Into Your Hands
4. Hold On To Me
5. Inwards
6. All I Need To Know
7. Reflections
8. Y.S.L.E.
9. Love Me As I Am
10. Rise ‘09
11. Waste My Time

Line up: Nya Cruz (vocais), André (guitarras)

Internet:
www.myspace.com/kandiamusic

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Review: Share The Fire (Murdering Tripping Blues)

Share The Fire (Murdering Tripping Blues)
(2010, Raging Planet)

Share The Fire é já o segundo disco para o trio lisboeta Murdering Tripping Blues (MTB) e trata-se de uma obra claramente ao género Raging Planet, o selo responsável pela sua edição: originalidade, criatividade e uma ânsia impar de evoluir, criar e explorar. Demonstrando um enorme arrojo ao nível da abordagem estética e musical, os MTB gravaram este disco em apenas sete dias no isolamento da Serra de Monchique com a produção de Boz Boorer, nome associado a trabalhos de, por exemplo, Morrissey, Polecats ou Jools Holland. Musicalmente a banda consegue criar momentos extraordinariamente frenéticos fruto de um conjunto de evoluções em espiral da guitarra, coadjuvada por uns teclados intensos e penetrantes e uma bateria assustadoramente dinâmica e versátil. A ausência de um baixista na formação original do trio parece não ser grande problema face ao modo como os restantes instrumentos encaram a execução do seu papel. Com alguma influência retro, os MTB conseguem cruzar o misticismo e psicadelismo dos The Doors com o poder do hard rock dos The Cult e condimenta-o com o progressivo/alternativo de uns Tool. Mas não só: há também espaço para algumas linhas punk, blues ou soul. E tudo isto envolvido numa personalidade e individualidade que, arriscamos avançar, será única no nosso panorama rockeiro. Depois de mais de metade do disco em elevada rotação e de excelente nível, com destaque para Hooked In You e My Lust a curta Smoke You faz uma ponte para o trio final de temas. Aqui somos surpreendidos pela presença do saxofonista Terry Edwards (Gallon Drunk, Nick Cave, PJ Harvey entre outros). E esta é uma presença que consegue ajudar a elevar este disco ao patamar dos imortais! A sua prestação não se resume a um ou dois solos esporádicos, mas antes penetra na música, envolve-se no frenesim sonoro, introduz alma no fogo já ateado pelo trio. Verdadeiramente sensacional e altamente recomendável

Track List:
1. Share The Fire
2. Hooked In You
3. Come Into My Waters
4. My Lust
5. Dead Cats On The Line
6. Smoke You
7. I’ll Lay My Ramblin’ Shoes
8. Cyltd?
9. Broken Lovers

Line up: Henry Leone Johnson (vocais e guitarras), Mallory Left Eye (vocais e teclados), Johnny Dinamite (bateria)

Internet:
www.myspace.com/merderingtrippingblues
www.facebook/murderingtrippingblues

Edição: Raging Planet (
http://www.ragingplanet.pt/)

Entrevista com Us & Them

Oriundos de Vila Nova de Gaia, os Us & Them são um colectivo emergente no actual panorama hardrockeiro nacional. Highway 19, o EP que se encontra para descarga gratuita no seu myspace mostra-nos um colectivo pleno de energia e vontade de rockar. Por isso, motivos mais que suficientes para querermos saber mais sobre este quarteto na conversa que tivemos com o guitarrista Ricardo.

Antes de mais, quem são os Us e os Them?
Os Us somos nós e toda a família Us & Them. São quatro pessoas unidas pela amizade e pela música e são inúmeros amigos e familiares que acreditam em nós. Os Them, são vocês. São todos aqueles para quem mostramos o nosso trabalho e com quem queremos partilhar todo o nosso entusiasmo e paixão pela música.

Apenas quatro anos de existência mas já algumas publicações, algumas delas captadas ao vivo. Tem sido muito trabalho e dedicação?
Sim. Dedicação é sinónimo de muito esforço, que ao mesmo tempo nos traz diversão e um maior aproveitamento da vida. Quer sejam concertos em bares, concertos em festivais ou concursos, todos eles servem para divulgar a nossa música, independentemente do número de pessoas presente, do
resultado do concurso ou da distância dos mesmos.

Porque a edição de um trabalho em estúdio com dois temas ao vivo e um outro, quase em simultâneo, ao vivo?
Quando a nossa primeira gravação de estúdio estava prestes a terminar, recebemos e ouvimos a gravação duma nossa prestação ao vivo e logo reparamos que era impossível numa simples gravação de estúdio, colocar toda a energia e atitude que tentamos mostrar sempre em palco, apesar da qualidade da captação. Optamos então por gravar apenas quatro temas de estúdio e colocar no EP, dois temas gravados ao vivo, para pudermos mostrar às pessoas que uma prestação em palco ultrapassa sempre qualquer limite artístico imposto em estúdio. Daí também termos disponibilizado a nossa prestação ao vivo num concurso, porque certamente mostra o nosso trabalho visto de um outro ângulo.

E os dois temas ao vivo deste EP foram captados onde?
IV Festival Gaia em Peso
em Outubro de 2009. Todas as bandas tiveram a sua prestação no evento captada e gravada. É um evento realizado pela True Spirit’s Alive! Pessoas com bastante gosto pela música e que se esforçam bastante por realizarem todos os anos este evento como outros eventos e concursos sem qualquer apoio de entidades culturais. É algo que entristece não só a nós, mas a qualquer banda de garagem, quando vemos pessoas que se empenham bastante neste tipo de eventos e não recebem qualquer ajuda.

E
que objectivos pretendem os Us & Them atingir com este EP?
Divulgar! Dar todos os passos que uma banda possa dar, desde gravar o maior número de álbuns possível, como tocar em qualquer palco nacional e internacional, como participar em qualquer tipo de evento, etc. Basicamente, tudo o que qualquer banda quer.

Vocês estiveram envolvidos no EuroDemo. Em que consistiu e como correu?
Ainda decorre. É um concurso não só de música mas também de vídeo e imagem. Tem várias fazes: pré-selecção, votação do público, selecção por parte do júri das bandas mais votadas e depois uma grande final. Honestamente, é mais uma forma de divulgarmos o projecto, mas se correr bem e chegarmos longe, melhor!

Também recentemente concorreram ao Dolce Vita Bandcasting. Como estão a decorrer as coisas?
Finalistas!!! Ganhámos a final do Dolce Vita Douro em Vila Real. Ainda pode ser salva uma banda por votação do público para a grande final no Tejo, mas fomos os escolhidos do júri. Apesar de sermos finalistas, só os comentários do júri nas nossas 3 prestações foram de deixar qualquer banda bastante satisfeita. E apesar de ser um concurso em que já somos finalistas, independentemente do resultado, já foi óptimo obter uma opinião bastante positiva de artistas, promotores e produtores bastante conceituados.

Como vêm vocês este tipo de concursos?
São bastante importantes para qualquer banda que queira fazer carreira na música. Divulgação, aprendizagem, camaradagem, diversão, conhecimento, etc. Só se ganham boas coisas, qualquer que seja o resultado.

Em termos de espectáculos vão estar na Festa do Avante. Acredito que estejam ansiosos pela data desse concerto! Deve ser um momento único! Como se sentem, realmente?
Sim, sem dúvida. É um grande passo na nossa carreira como músicos o facto de poder partilhar um palco principal de um grande evento cultural com outros grandes artistas do panorama musical. Qualquer palco serve para nós, e poder pisar um palco que nos fará ter uma grande responsabilidade é uma enorme tarefa mas prometemos não deixar ninguém desiludido. Atitude e energia não faltarão!

E que outras apresentações ao vivo para promoção de Highway 19 estão a ser preparadas/agendadas?
Continuamos no mesmo processo de promoção do nosso EP. Vamos falando com as pessoas e divulgando pela internet. Chegámos à conclusão que por mais esforço e empenho que se tenha, tudo isto acaba por ser um processo natural de uma banda e também um resultado do seu produto. Claro que é preciso continuar com todo o empenho que se tem no início, talvez até mais porque a responsabilidade também aumenta, mas os concertos e eventos acabam por aparecer. Para já temos mais uma final de um concurso, WAF Fest, a final do Dolce Vita BandCasting em Lisboa, e a presença no Sons do Moinho - 1º Festival de Música Moderna em Penafiel.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Review: Highway 19 (Us & Them)

Highway 19 (Us & Them)
(2010, Edição de Autor)

Com apenas quatro anos de existência esta banda de Vila Nova de Gaia tem demonstrado uma invulgar capacidade de trabalho. Em 2009 colocou a circular a 2009 Old Shit Demos com os temas Don’t Mess With Me e Come With Us e ainda The Evil Inside Me, captado ao vivo durante a quarta edição do Gaia em Peso. Um ano volvido e voltam à carga com um trabalho ao vivo de 5 temas Live At Rockastrus e este EP de quatro temas em estúdio e dois ao vivo, denominado Highway 19 e motivo da nossa análise de agora. Ou seja, para além da capacidade de trabalho, oportunidades para tocar ao vivo também não têm faltado a este quarteto que as tem aproveitado da melhor maneira. E depois de ouvido este trabalho, até se percebe bem o porque. Os Us & Them praticam uma sonoridade não muito habitual no nosso país, mas que parece estar em recuperação um pouco por todo o mundo: falamos de hard rock! A banda assume, no seu site, que nomes como Velvet Revolver ou Guns n’ Roses são algumas das referências. E é de sonoridades próximas desses colectivos que estamos a falar. Os primeiros quatro temas, captados em estúdio mostram-nos um colectivo com plena consciência do que quer fazer e como o fazer. O seu hard rock é deveras apelativo, bem construído, cheio de groove e bom solos. Os ritmos e as melodias estão muito presentes fazendo com que os temas ganhem uma alegria e vida próprias. Se não acreditam, oiçam Highway 19, a faixa, e confirmem-no. O EP é, como já referimos, completado por dois temas gravados ao vivo, que, independentemente, da pior captação sonora, se revelam fundamentais para o equilíbrio do trabalho. Don’t Mess With Me é uma das melhores composições dos gaienses, a lembrar num hard rock sulista, de nomes como Black Label Society ou mesmo Molly Hatchet. A finalizar Gas, serve para demonstrar a atitude da banda em palco, apresentando mais um tema verdadeiramente portentoso, curiosamente a fazer lembrar, a nível vocal, os míticos Manilla Road e com um longo solo a meio, na linha, precisamente, dos monstros sagrados do hard rock/rock sulista. Este acaba por ser um EP importante no panorama rockeiro nacional pela frescura que imprime e que pode ser, aliás como os outros trabalhos da banda já aqui referidos, descarregado gratuitamente do seu myspace. E acreditem, devem faze-lo porque vale bem a pena!

Track List:

1. Now

2. Highway 19

3. Breakdown
4. You Can Make It

5. Don't Mess With Me (Live)

5. Gas (Live)

Line up: Mauricio (vocais e guitarra), Ricardo (guitarra), Vasco (baixo), Marcelo (bateria)

Entrevista com Seven Stitches

Grândola já não apenas a vila morena, terra da fraternidade. É, também, local de origem de uma das mais poderosas bandas nacionais. Com quase uma década de experiência acumulada, os Seven Stitches chegam finalmente ao seu longa-duração de estreia na forma de When The Hunter Becomes The Hunted, um álbum poderoso de um thrash/death metal perfeitamente actualizado e ao nível do que melhor se tem feito lá fora. Para nos falar desta obra de grande classe e dos objectivos que norteiam o colectivo, falamos com o vocalista Pica.

Nove anos de existência, muita experiência acumulada em diversas publicações e concertos, culminaram nesta vossa proposta. Era esta a resposta que procuravam dar aos vossos fãs?
Esta era a cima de tudo a resposta que queríamos dar a nós próprios, era isto que procurávamos há muito tempo e para o qual lutámos arduamente, muitas vezes levando-nos a nós próprios ao limite, mas resultou muito bem.

E de que forma, toda essa experiência se reflecte em When The Hunter Becomes The Hunted?
Essa experiencia é o álbum. Este álbum é o reflexo do crescimento como pessoas e como músicos, que tivemos durante estes anos. Não somos nenhuns génios e trabalhamos muito para evoluirmos, e sermos cada vez melhores nos nossos instrumentos e como seres humanos e isso sente-se ao ouvir este álbum.

O facto de serem oriundos do Alentejo impediu, de alguma forma, de chegarem ao longa-duração mais cedo?
Acho que não, apesar de ter complicado um pouco quando ficamos sem baixista e guitarrista, pois não é fácil arranjar malta nesta zona para tocar. O tempo que levou até chegar a este álbum é o que precisávamos para encontrar o nosso som e o nosso caminho e agora que lá chegamos , vamos continuar muito activos de certeza.

Com o vosso historial e com um álbum com a qualidade deste sentem que podem dar passos muito importantes na vossa carreira? Que objectivos se propõem atingir agora?
Nós queremos muito chegar mais além com este álbum. Sentimos que temos um bom trabalho nas mãos, agora temos de o conseguir promover muito, conseguir chegar lá fora pois achamos que este disco pode resultar muito bem lá fora. Se isso acontecer vamos certamente querer fazer uma datas na Europa e quem sabe do outro lado do oceano. Temos algumas coisas em vista mas não sei se se vão proporcionar, só o tempo o dirá. Outro objectivo é gravar outro álbum no próximo ano pois não queremos perder o embalo deste [risos].
O artwork do disco é realmente muito bom. Como surgiu a ideia, quem foi o responsável e qual o seu significado?
O trabalho está realmente muito bom [risos], foi da autoria do João Diogo em conjunto connosco. Muitos telefonemas e mails estão por detrás deste trabalho, mas resultou muito bem, apesar de complicado pois nunca tivemos cara a cara com o João, mas ele percebeu o que queríamos e em conjunto chegamos lá. O artwork espelha bem o conceito do álbum.

Em termos líricos, há algum conceito subjacente a When The Hunter Becomes The Hunted?
No inicio a ideia era o álbum ter uma ideia geral que iríamos explorar nos temas, ou seja o confronto entre a natureza e os Humanos, mas com o passar do tempo fui-me apercebendo que o titulo era muito mais que isso; era também uma enorme luta connosco próprios, pela forma como somos caçados pelos nossos pesadelos, e pelas coisas que carregamos connosco, pela forma como nós Humanos temos uma enorme facilidade em nos destruir a nós próprios sem a ajuda de ninguém [risos].

Finalmente, como estão a ser preparados os concertos de promoção e o que pode desde já ser adiantado?
Para já estamos mais ou menos de férias [risos], mas a partir de Setembro vamos voltar ao activo com concertos no festival Vila Metal e no Vimaranes Metallvm Fest. Depois disso estamos a projectar uma mini tour com os Crushing Sun para Outubro, mas sobre isso mais informações vão surgir em breve; depois disso é tentar chegar lá fora. Veremos...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Review: Like Mice And Heroes (Bypass)

Like Mice And Heroes (Bypass)
(2010, Raging Planet)

Apesar de já contarem com um álbum e dois EP’s (um dos quais, Airports, editado já este ano como forma de avanço a este disco), os Bypass não são um nome muito conhecido do cenário metálico nacional. E isto porque não são exactamente uma banda de metal. Mas acreditamos que com este seu novo trabalho algo possa mudar. Like Mice And Heroes é uma proposta extremamente válida para quem procura sonoridades alternativas e tem uma mente suficientemente aberta para explorar novas texturas. Porque é isso mesmo que os Bypass fazem. Este é um disco inovador, que não apresenta limites nem fronteiras, que não fica preso a um único género ou estilo, que não se prende a conceitos predefinidos. Pelo contrário, Like Mice And Heroes, é um álbum de digestão um pouco complicada porque arrisca em todos os sentidos, explora, cria, inova, experimenta, avança, recua… no fundo segue um trilho verdadeiramente imprevisível. E vai deambulando entre uma sonoridade pós-qualquer coisa com incursões por muitas outras coisas como sejam um delicioso pop, música contemporânea, minimalismos, electrónica, noise, e, sim, também um pouco de metal. E isto sem perder de vista o verdadeiro sentido estético da canção, nem o sentido de melodia e de emotividade. A introdução de uma secção de sopros em dois temas (Gold Figures e Hey Alien! Come, Alien) ajudam ainda mais um pouco a criar esta áurea de inovação e de imprevisibilidade, importante marca da qualidade nos Bypass. Inspirado no momento de ascensão de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos, Like Mice And Heroes reflecte a euforia do momento transportando para os 11 temas essa energia vibrante e contagiante. A descobrir.

Track List:
1. God Knows You’ve Got Me Hanging
2. Someone’s Got Something To Burn
3. Flags And Armours
4. Bears Are Closer
5. Selling Hearts
6. I’m On It
7. Aspartame
8. We Strike Like Mice And Heroes
9. Gold Figures
10. Flutisch
11. Hey Alien! Come, Alien

Line up: Bruno Coelho (bateria), Eduardo Raon (guitarra), Joaquim de Brito (percussão), Miguel Menezes (guitarra), Rui Dias (teclados), Tiago Gomes (baixo), Ângelo Lourenço (vocais)

Internet:
www.myspace.com/bypassws

Edição: Raging Planet (
http://www.ragingplanet.pt/)

Entrevista com Jon Mullane

De uma estreia com base na pop e deambulações pelo rock, Jon Mullane passou para um segundo álbum centrado no rock com incursões na pop. Uma mudança que foi de encontro aos próprios gostos do multi-instrumentista canadiano, um homem preocupado com a sustentabilidade do planeta, como o prova na entrevista que se segue.

Três anos se passaram desde a tua estreia com The Source. O que mudou musicalmente na vida de Jon Mullane depois disso?
Depois do lançamento do álbum The Source, a minha vida musical tomou uma nova direcção que se reflecte no estilo musical do meu novo álbum, Shift. Basicamente, eu redescobri as minhas raízes musicais que estão realmente no rock e formei uma banda nova que reflecte esse som. Fizemos muitos espectáculos no Canadá o que é sempre uma experiência muito gratificante. Na minha vida, sinto que estou numa fase de crescimento criativo.

E que diferenças podes apontar entre os dois álbuns?
Como já referi, penso que o novo álbum, Shift, é muito mais focalizado com um som consistente de alta energia rock. O The Source, gravado com o David Rashed dos Haywire foi mais uma colecção de canções pop com influências do rock, R & B e dance. Shift não foi concebido como um álbum conceptual, mas sim como um álbum completamente audível da primeira à última faixa, com um som muito consistente.

O teu nome vem sempre em primeiro lugar, mas gostaria que apresentasses os músicos que realmente estão contigo.
Em termos de gravação tenho trabalhado com Creighton Doane nos últimos três anos, estando constantemente a escrever canções e gravar juntos. Também o guitarrista, Pete Lesperance tem tocado em muitas das faixas desde aquela época. A minha banda ao vivo, que tende a ser rotativa com uma série de músicos diferentes, tem alguns elementos-chave que têm estado comigo nos últimos anos desde o lançamento do The Source - Peter Dolomont e Jon Matheson nas guitarras, Jeff Barrett em baixo e Derek Belefontaine na bateria.

Make You Move, a abertura do álbum, tem uma longa história: em 2008, foi escolhida pela NBC TV, em 2009, foi single do ano. Como tens vivido estes momentos?
Bem, tudo o que posso dizer é que a música certamente tem longevidade. Esses momentos foram fantásticos e realmente validaram a música que parece, realmente, ter uma ligação com os ouvintes de rock. E eu prevejo que mais coisas boas possam vir para esta música na Europa.

Go The Distance do álbum The Source teve, também, uma excelente projecção. Foi essa a razão que vos levou a recuperar esse tema para Shift? E procederam a algumas alterações?
Go The Distance foi a primeira canção em que Creighton e eu trabalhámos no sentido de a remisturarmos. Realmente, foi incluída em The Source, mas quando estávamos a trabalhar no novo álbum sentimos que ela se enquadrava bem com as restantes músicas de Shift. Esta versão é nova na medida em que é re-masterizada e inclui um fim. A versão anterior terminava em fade out.

Uma das coisas que eu vejo com alguma curiosidade é o facto de vocês terem um package amigo do ambiente. O que é isso, na realidade?
É realmente a ausência de plástico na embalagem do CD, logo muito mais ecológica. Também decidimos colocar as letras num livro digital que qualquer um pode abrir a partir do CD se o colocar no co
mputador ou no meu website. Isso permitiu poupar uma enorme quantidade de papel que habitualmente vai na embalagem.

Como tem sido, até agora, o feedback, por parte da imprensa e fãs?
Estou em êxtase porque o feedback dos fãs e a imprensa foi muito positivo. É bom ter grandes reviews, mas para mim a ligação dos fãs e ouvintes à minha música é a coisa mais importante e eu vejo que isso está a acontecer na América do Norte e na Europa o que é verdadeiramente espantoso!

Fala-nos sobre os espectáculos ao vivo para promover Shift.
Actualmente eu estou a seleccionar algumas aparições aqui no Canadá para promover o álbum quer com espectáculos ao vivo, quer na rádio e na televisão. Eu adoraria ir à Europa e promover o álbum aí. Esperamos ter alguns convites de promotores de festivais para tocar aí. Em última análise, cabe aos fãs ajudar a tornar isso uma realidade.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Review: When The Hunter Becomes The Hunted (Seven Stitches)

When The Hunter Becomes The Hunted (Seven Stitches) (2010, Raging Planet)

Oriundos de Grândola, no Alentejo, os Seven Stitches ao longo dos seus 8 anos de existência estabeleceram-se como um dos nomes mais importantes do actual panorama da música mais extrema feita em Portugal. Duas demos, um EP, um split com os Swithtense e a partilha de palco com nomes tão importantes como Vader, Napalm Death, Rotten Sound, Brujeria ou Krisium ajudaram a fazer deste quinteto um nome de culto. E eis que, finalmente, editam o seu longa-duração de estreia, sob a denominação When The Hunter Becomes The Hunted. Trata-se de um trabalho composto por dez temas de thrash/death metal, variando entre o mais rápido e abrasivo ai mais técnico e melódico, mas sempre cheio de garra e extremamente inflamável, ou não viesse ele das quentes planícies alentejanas. Vocalizações agressivas, blastbeats aplicados com rigor, solos ácidos e corrosivos, riffs devastadores, são alguns dos argumentos que os alentejanos apresentam nesta sua proposta. Adicionem-lhe muita competência técnica, uma irrepreensível maturidade, inteligência ao nível da composição e estão encontrados todos os condimentos para que os fãs das facções mais extremas do metal se possam deliciar com este portento sonoro. E é a confirmação de mais um nome que vinha dando cartas, mas a quem faltava a prova de fogo: um longa-duração. Esta prova é agora apresentada e superada com distinção. O que torna os Seven Stitches mais um nome importante a ter em conta, a acompanhar e a promover além-fronteiras porque, acreditem, estes senhores apresentam um produto ao nível do que melhor a escola sueca (por exemplo) tem apresentado.

Track List:
1. Rise Of The Hunted
2. Room
3. From The Sky
4. Sweet Sound Of Decadence
5. The In Between
6. Dead In Life
7. Ultimate Devastation
8. Made By Bloody Stones
9. Face To Face
10. Until You Get Dry

Line up: Pica (vocais), Bixo (guitarras), André Tavares (guitarras), André Santos (baixo) e Nelson Teixeira (bateria)

Internet:
www.myspace.com/sevenstitchespt

Edição: Raging Planet (
http://www.ragingplanet.pt/)

Review: Self Preserved While The Bodies Float Up (Oceansize)

Self Preserved While The Bodies Float Up (Oceansize)
(2010, Superball)

Uma das mais inovadoras bandas do Reino Unido e da Europa, os Oceansize gravaram um lugar de destaque no mundo musical mercê de três fantásticos trabalhos: Effloresce, Everyone Into Position e Frames. Agora regressam com o quarto trabalho com o pomposo nome de Self Preserved While The Bodies Float Up. E o que esperar desta nova rodela? Simplesmente… tudo!! A banda de Manchester mostra-se mais enigmática, criativa, alternativa e progressiva do que nunca. A uma abertura cheia de noise e feedbacks ao qual sucedem um arrepiante conjunto de riffs doom e, pontualmente, vocais angustiantes, a banda responde nos temas seguintes com uma impressionante variação estilística que tanto vai tocar a genialidade Muse (em SuperImposer) como a genialidade Pink Floyd (em Ransoms); que tanto apresenta elementos sinfónicos (final de Oscar Accepted Speech) como violentas descargas rítmicas (It’s My Tail And I’ll Chase It If I Want To); que tanto se vestem de forma de uma pop inocente (A Penny’s Weight) como investem em ritmos alucinantemente alternativos (Pine) ou como criam verdadeiros turbilhões sonoros (Build Us A Rocket Then). E é importante referir que os Oceansize acabam por não se aproximar de ninguém e serem apenas eles próprios, criando o seu próprio ritmo, estilo e caminho. Eles brincam com os tempos, texturas, dissonâncias, acordes e tudo o resto. Eles reflectem, inflectem, mudam de direcção, criam explosões, inflamam. Eles caem em depressão, em melancolia, em desespero. E o mais agradável é que tudo isto acontece, por vezes, em menos de nada. Verdadeiramente genial, este trabalho desenvolve-se com um ímpar sentido de inteligência e como uma espiral de emoções conseguindo congregar todo e qualquer sentido ou significado que se consiga atribuir ao termo canção.

Track List:
1. Part Cardiac
2. SuperImposer
3. Build Us A Rocket Then...
4. Oscar Acceptance Speech
5. Ransoms
6. A Penny's Weight
7. Silent/Transparent
8. It's My Tail And I'll Chase It If I Want To
9. Pine
10. SuperImposter

Line up: Mark Heron (bateria), Steven Hodson (Baixo, guitarras, teclados), Gambler (Guitarras, teclados), Steve Durose (Guitarras), Mike Vennart (Vocais, guitarras)

Internet:
http://www.oceansize.co.uk/
www.myspace.com/oceansizeuk

Edição: Superball Music (
http://www.superballmusic.com/)

Review: Shift (Jon Mullane)

Shift (Jon Mullane)
(2010, Escape Music)

Cantor, compositor e multi-instrumentista, Jon Mullane é um nome praticamente desconhecido no nosso país. Mas, em 2007, com o seu primeiro trabalho, The Source conseguiu alguma notoriedade, principalmente no seu país natal, Canadá e na Ásia. Esse reconhecimento consubstanciou-se, por exemplo, na escolha do tema Make You Move (faixa de abertura desta segunda proposta), em 2008, pela NBC TV para os promocionais dos Jogos Olíompicos bem como a nomeação do mesmo tema, em 2009, para Single Of The Year nos East Cost Music Awards. E o que Mullane nos apresenta aqui é um bom hard rock directo a tender para o pop, como um cruzamento entre Bryan Adams e Iggy Pop onde não falta uma importante fatia synth-pop de nomes como Duran Duran. Claramente retro, com a base nos ícones dos anos 80, Shift prende pelas suas melodias simples e cativantes misturadas com uma importante dose de groove. E depois de uma metade do disco bem speedada e rockada, com especial incidência para o trio inicial, The One That Got Away e Change Your Life mostram-se surpreendentemente melancólicas e sentimentais, uma forma de apresentar um Mullane diferente mas não menos interessante. E é, também, uma forma de manter em alta as atenções para este disco que volta a acelerar perto do final com Go The Distance, umas das melhores propostas desta rodela e Here We Go, a mais forte faixa de Shift, claramente a pensar nos palcos.

Track List:
1-Make You Move
2- Got It Goin' On
3- Sin City
4- Missing Time
5- You Get What You Get
6- The One That Got Away
7- Change Your Life
8- Go The Distance
9- Here We Go
10- Make You Move (Move Mix)

Line up: Jon Mullane (vocais, guitarra, baixo, sintetizadores), Creighton Doan (bateria), Pete Lesperance (guitarras), Kathryn Rose (vocais de apoio)

Internet:
www.myspace.com/jonmullane
http://www.jonmullane.com/
http://www.facebook.com/jonmullane
http://twitter.com/jonmullane
http://www.youtube.com/user/Jonmullane

Edição: Escape Music (
http://www.escape-music.com/)