terça-feira, 30 de novembro de 2010

Entrevista - Devil In Me

Com dois álbuns na bagagem e muita experiência de palco acumulada, os Devil In Me (DIM) sentiram-se com a confiança necessária para, ao terceiro álbum, assumirem a criação de uma obra conceptual. O resultado, The End, é unanimemente considerado como um passo em frente no crescimento da banda. Por isso, havia fortes motivos para conversarmos com a banda e foi o que fizemos através do guitarrista Pedro Pedreiro.

The End é já o vosso terceiro trabalho. De que forma se diferencia dos anteriores?
Como já deves saber, The End é diferente, acima de tudo por se tratar de um álbum conceptual. De resto não deixa de ser DIM por causa disso. É um álbum com uma componente épica muito forte, reflectida não só nas músicas em si, como também nas letras que as acompanham. Nisso é diferente dos outros, mas lá está, apenas por girar á volta de um conceito.

Sendo este um álbum conceptual, podem descrever em que baseia a história?
The End fala do fim dos nossos tempos, e dos medos e receios que isso envolve. Ultimamente tem-se falado muito sobre este tema. Seja pelas alterações climatéricas e as catástrofes que isso tem envolvido, seja pelo escalar de violência generalizado que se vive, ou até mesmo por previsões e profecias. É um tema actual e que assombra toda a existência humana. Quando será o fim? Como será? E será doloroso? (risos)

De que forma é que a vossa experiência acumulada, nomeadamente com incursões pelo estrangeiro partilhando palcos com alguns nomes de peso, se traduziram na abordagem das novas composições?
Essencialmente reflectem-se mais nas actuações ao vivo sabes? Tipo, estás a tocar fora, num sítio onde nunca tocaste, para um público que esta lá para ver as outras bandas… tens mesmo de dar o litro. Isso depois vai reflectir-se no facto de nos tornarmos melhores executantes. Penso que a forma de compor tem crescido ao seu ritmo normal, mas acho que tem mais a ver com a mistura de influências que é sempre trazida para a mesa de trabalho. As bandas todas que ouvimos, as que gostamos, as que não gostamos...é tudo importante para a evolução.

Desta feita recorreram a Andrew Neufeld para a produção. Como se processou a aproximação e que impactos adicionou ele aos vossos temas?
Foi tudo muito natural. Eles vieram tocar a Portugal e nós fizemos a primeira parte. Eles gostaram muito de nós, convidaram-nos para a tour europeia. Nós obviamente fomos, tornamo-nos amigos. Estávamos a preparar o novo disco e, conscientes do seu enorme talento, convidamos o Andrew, (sem verdadeira esperança de ouvir um sim), mas ele aceitou. Esteve presente na gravação da pré-produção, na gravação do instrumental todo, contribuiu com as suas ideias, as suas visões… dormiu connosco no chão... Noites acordados a trabalhar no disco… esteve mesmo por dentro do processo todo. Partilhou das nossas visões sobre o caos e o apocalipse. É um compositor espectacular.

Já agora, como decorreu o processo de gravação de The End?
Como já disse correu muito bem. Nós já nos entendíamos muito bem mas, musicalmente obviamente não sabíamos. Nunca tínhamos composto nem produzido nada com eles mas… correu tudo optimamente. As coisas fluíram sempre na mesma direcção nunca houveram conflitos de ideias, por isso foi excelente.

Considerando o crescimento que a banda tem tido, até onde pensam quê este The End vos pode levar ainda mais?
Sei lá! À rádio? (risos) Só passamos na rádio quando fomos tocar ao Super Bock Super Rock, e provavelmente foi só porque teve de ser. De resto, não tenho conhecimento de alguma vez termos passado em rádio nenhuma, das ditas mainstream. Pelo menos em horário nobre. Mas pronto era giro, só isso. Não se trata de nenhum objectivo mas era interessante ver a rádio também mais aberta a música de diferentes géneros em vez de ser só pop e derivados.

Já fizeram uma série de espectáculos de apresentação ao novo disco. Como foi a reacção do público?
Boa! Mesmo no Canadá, que para eles todas as nossas músicas eram novidade, quando tocávamos malhas novas eram sempre muito bem aceites e tivemos sempre muito boas críticas. Cá também. Tem sido muito bem recebido o álbum. Toda a gente fala de um passo a cima e eu acabo por ter de concordar. É um bom disco e acho que merece uma audição cuidada.

E próximos espectáculos há já algumas coisas definidas que possam desde já adiantar?
Desde já só posso adiantar uma surpresa para o inicio do ano que vem. De resto claro que vamos continuar a promover o disco e a tocar onde nos for possível e sempre que sejamos convidados. É um grande prazer para nós e a razão principal pela qual os Devil In Me existem. Para tocar ao vivo. Para alimentar a fome de energia que as pessoas têm quando se apresentam nos concerto. Para fazermos aquilo que mais gostamos e com isso tentar agradar as pessoas que gostam de nós.

Entrevista - Waterland

Quem se deliciou com as melodias cativantes dos Oratory deve rejubilar por saber que Miguel Gomes está de volta com um novo projecto. Waterland nasceu para ser só isso mesmo: um projecto. Mas a qualidade de dois trabalhos obrigou ao crescimento do grupo que já pondera e já se prepara para ir para a estrada. De tudo isso e muito mais nos confidenciou o próprio guitarrista Miguel Gomes.

Sendo já esta a segunda parte da história de Waterland, podes descrever-nos, de forma sucinta, esta história?
Olá! No Planeta C64-A.tipo2 existem 4 cidades IceLand, RiverWood, Fireland e Waterland. Waterland é uma cidade imortal, uma junção de gazes e componentes químicos concentrados numa das zonas do planeta que leva a que Waterland se torne único e desejado por todos povos desse planeta. Cada CD de Waterland é um avançar na história, cada música é um capítulo dessa mesma história.

Quais são as principais diferenças entre Virtual Time e Waterland?
São muitas. O primeiro CD é mais orquestral e com melodias mais simples e directas. A qualidade do som é nitidamente inferior. O Virtual Time é um CD com outros elementos. Sons electrónicos, mais guitarras, temas mais rápidos, mais vozes com mais coros e arranjos. Mas com a mesma essência que o outro. Foram dois anos de trabalho para haver uma diferenciação entre ambos, neste caso para melhor.

Entretanto, os Waterland foram crescendo. Qual é o seu lineup, actualmente?
Sim, no início era somente eu e o Marco Alves, isto em 2007. Em 2008 entrou o Bruno Gomes (vocalista) em 2009 o Tó Silva (teclados) e, recentemente, em 2010 o Tiago Moreira (bateria) e o Tiago Alexandre (baixo).

Apesar de apareceres nos créditos como interpretando todos os instrumentos, o alargamento da banda, têm-te facilitado a vida nesse campo, não?
Sim claro. O próximo CD será assim mais fácil e rápido de finalizar, já que será gravado pelos novos membros, mas, será na mesma todo ele elaborado por mim, como sempre foi até agora.

E como surgiu a ideia de convidar um locutor de rádio para as narrações?
O Manuel de Melo é um amigo de longa data e o responsável do lendário programa Sinfonias de Aço e como estávamos a precisar de narrações para o CD o Melo era a pessoa indicada tendo também em conta a sua qualidade e experiência de muitos anos de rádio.

Este teu projecto acaba por ser um pouco diferente do tradicional metal melódico pela inclusão de ritmos quase dançáveis e muitos teclados numa linha claramente pop. Essa linha de orientação surgiu naturalmente? E que influências os Waterland misturam na concepção dos seus temas?
Bem não é fácil descrever a sonoridade de Waterland. Quem ouve sabe que é metal melódico, mas não se trata só disso. Existem outros elementos que misturados dão Waterland. Temos alguma sonoridade dos anos 80, sons electrónicos, a velocidade e as melodias vocais que são pensadas de forma a não caírem no exagero.

No entanto, musicalmente, ainda se nota, naturalmente, digo eu, alguma influência Oratory. Podes dizer-nos em qual o ponto da situação em relação a eles?
Sim, Waterland terá sempre algumas semelhanças com Oratory embora que vagas ou subjectivas. Bem Oratory está parado, temos planos para voltarmos e gravarmos um novo álbum, mas ainda não decidimos o timing correcto para nos dedicarmos a 100% a Oratory.

Entretanto já foram produzidos dois videoclips. Podes falar um pouco deles?
Os 2 video clips são obra de Marco Neiva com a colaboração de Paulo Ralha. O Marco Neiva é um dos impulsionadores do 3D em Portugal. Um excelente produtor e realizador com uma óptima visão. Tem um futuro enorme pela frente. Falando dos vídeos, são 2 vídeos promocionais gravados em HD que serve de apresentação do novo álbum de Waterland.

Voltando a Virtual Time, como estão a ser as reacções ao trabalho por parte da imprensa e dos fãs?
Para já a promoção tem sido feita com alguma calma. Temos muito tempo para apresentar o CD. A divulgação lá fora ainda não começou em concreto. Dependerá de algumas negociações que estão em curso. Temos tido excelentes reacções ao novo álbum, o que é motivador para nós, dando-nos mais força.

E contactos com editoras para a edição deste trabalho, já há alguma novidade?
Estamos em negociações com uma editora! Não te posso adiantar muito mais. As editoras hoje dizem uma coisa, amanhã pode ser outra. Temos sempre que estar atentos para não cometer alguns erros do passado. Mas estou confiante.

E quanto a concertos de promoção a Virtual Time, o que podes desde já adiantar? E qual será a banda que vos acompanharão?
Para já estamos concentrados em conseguir transmitir o CD ao vivo. Os ensaios estão a acontecer regularmente e com tranquilidade. Vamos ver se para o inicio do próximo ano já podemos actuar ao vivo. Seria fantástico tendo em conta que Waterland só foi feito a pensar em ser um projecto. Ainda não pensamos em bandas mas no inicio será sempre bandas amigas e próximas de nós

A terminar, queres acrescentar algo mais que ainda não tenha sido abordado e que consideres pertinente?
Gostava de poder agradecer às pessoas que têm acreditado em nós e que continuam a dar-nos força para continuar a crescer. De igual modo gostaria de agradecer-te pela entrevista e pelo apoio a Waterland. Um muito obrigado a todos.

Entrevista - Scar For Life

Dois álbuns de eleição em dois anos. É este o pecúlio dos Scar For Life (SFL), banda idealizada pelo ex-Redstains Alex S. que apresenta em It All Fades Away, o segundo trabalho de originais, uma forma diferente de abordar o metal: madura, independente e personalizada. O próprio guitarrista Alex S. acedeu a explicar-nos essa entidade com o nome de Scar For Life.

Antes de mais podes apresentar-nos os Scar For Life?
Olá Via Nocturna, obrigado pelo vosso interesse em Scar For Life.
Scar For Life começou por ser um projecto idealizado em 2008. Juntei umas ideias, compus uns temas e comecei logo à procura de vocalista. Rez respondeu ao anúncio e quando começámos a gravar as demos, reparámos que estávamos perante um projecto diferente. Nesse álbum, gravei as guitarras, baixo e efeitos, o Rez as vozes, Daniel Cardoso a bateria. Neste novo trabalho o lineup é o mesmo mas conta com a participação do grande baixista, Sean Rose Sales de Icon & Blackroses.

Há algum motivo para a escolha de Scar For Life, para nome do colectivo?
As pessoas ao ouvirem SFL, vão-se aperceber que este trabalho é muito introspectivo, tanto a nível musical como a nível lírico. Queremos que cada ouvinte tenha a sua interpretação das músicas/letras e o mesmo acontece com o nome da banda.

Em apenas dois anos de existência este teu projecto já lançou dois trabalhos. É um ritmo de produção não muito habitual. Na tua opinião, o que contribuiu para que isso sucedesse?
Motivação e inspiração. Quando Rez se junto a SFL, a experiência foi muito enriquecedora, o que nos deu vontade de criar novas músicas e não ficar parados. Tal como disse, o primeiro disco tinha uma colecção de músicas que já tinham sido criadas há uns anos e como a receptividade foi muito positiva tanto a nível nacional como internacional, isso deu-nos força para continuar mesmo sem editora. Começámos logo de seguida a gravar novas ideias e surgiram músicas como a Lost e Never Smile Again. Trabalhamos muito bem os dois e aprendemos muito um com o outro.

De que forma It All Fades Away se aproxima ou se afasta de Scar For Life, a vossa estreia?
Este novo disco é mais directo e emotivo o que foi um desafio e deu-nos mais liberdade para criar mais temas e explorar outros sons e estilos. Isso não quer dizer que a partir de agora só façamos músicas desse tipo. É disso que gosto em SFL. Temos a liberdade de explorar vários estilo (dentro do rock) sem termos de fazer um disco igual do princípio ao fim e um disco igual ao anterior.

Desde sempre estiveste ligado a alguns projectos, sendo que os Redstains tenham sido, eventualmente, os que obtiveram maior reconhecimento. Qual é o ponto da situação em relação aos Redstains, enquanto banda e a tua posição na mesma?
Em Redstains, eu era guitarrista e co-autor. Tocava com um grande amigo de longa data, Bruno A. de Vertigo Steps, também guitarrista e co-autor, e achámos melhor parar com Redstains e cada um seguir o seu caminho. Não porque nos chateámos nem nada disso, mas estivemos três anos a tentar construir uma banda em que tivemos N elementos a entrar e a sair o que foi bastante desgastante. Nessa altura, apenas fizemos apenas um EP com 5 temas e as coisas andavam muito devagar. Tanto para mim como para o Bruno decidimos parar e fazer um intervalo para cada um de nós poder fazer o queria com outros meios. Ainda há pouco tempo pensámos em criar um projecto novo e até já se esboçaram umas ideias... mas ainda está tudo muito verde.

De que forma é que toda a tua experiência acumulada se reflecte nas tuas actuais criações?
Noto mais na experiência de tocar ao vivo. Posso ter amadurecido um pouco a nível da composição mas tento sempre manter aquela espontaneidade nas gravações, que a meu ver se tem perdido hoje em dia.

Como está a situação relativamente ao baterista nos Scar For Life? Tiveste um músico de estúdio mas vais contar com outro para os espectáculos, certo?
Sim, gravámos os dois discos com Daniel Cardoso, o que ajudou muito ao som de SFL. Entretanto para promovermos o disco de estreia, contámos com a colaboração de Hélio Freitas mas por motivos de força maior teve de abandonar SFL. Ainda tocámos uma vez com o Daniel no concerto de abertura dos RAMP e só depois de iniciarmos as gravações do novo disco é que nos foi apresentado Arlindo Cardos (ex-WAKO) que é outro grande baterista e que vai subir em palco connosco dentro em breve.

E quanto aos convidados, pudeste contar com alguns. Que papel tiveram eles no crescimento dos temas onde participam?
Contei com a participação de um solo de guitarra de Bruno A. na My Darkest Journey. Sendo ele um amigo de longa data, foi normal e natural em convidá-lo. Tó Pica (R:A:M:P), para além de ser outro músico e amigo que admiro bastante, participou com 3 solos de guitarra. Sophie (Understream) voltou a ter um papel importante tal como no primeiro álbum porque tem uma voz inconfundível e ajuda a criar a atmosfera ideal para determinados temas. Adoro trabalhar com vários convidados (e irei fazer isso sempre que possível) porque ajudam a enriquecer e a dar personalidades diferentes num apontamento ou noutro e o resultado tem sido espectacular.

Finalmente, o que nos podes adiantar quanto a espectáculos?
Temos falado com promotoras. É uma questão de ver as ofertas que há. Temos trabalhado no sentido de estarmos preparados para o que der e vier! Entretanto vamos continuar a trabalhar e a compor. Muito obrigado, mais uma vez, à Via Nocturna. Relembro que os nossos discos encontram-se para venda no iTunes e no Amazon. Visitem www.scarforlife.com para mais informações.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Playlist 25 de Novembro de 2010

Review: The Melancholy Hour (Vertigo Steps)

The Melancholy Hour (Vertigo Steps)
(2010, CD Baby)

Conhecido pelo seu trabalho nos Arcane Wisdom, o multi-instrumentista Bruno A. ergueu os Vertigo Steps como um projecto de estúdio em 2007, para logo um ano depois efectuar a sua estreia em forma homónima. Dois anos se passaram e o músico regressa com o seu segundo capítulo, The Melancholy Hour, um trabalho captado nos UltraSound Studios, na Moita, com o mestre Daniel Cardoso no comando das operações, ele que também assume a bateria e o baixo. As vocalizações estão a cargo de Niki Mankinen (ex-Misery Inc.), tendo como convidados neste campo Jules Naveri (Insomnium, Profane Omen, Enemy Of The Sun), Stein R. Sordal (Green Carnation), Sophie (Understream) e Rui Viegas (Arcane Wisdom). E é com The Melancholy Hour que os Vertigo Steps se confirmam como mais uma proposta muito válida no nosso panorama metálico. Sonoridades densas e emocionalmente intensas criam paisagens sonoras personalizadas e pintadas em tons de melancolia, originando momentos de forte intensidade dramática. As composições são ricas e planeadas ao mais ínfimo pormenor o que se reflecte na criação de um conjunto de temas maduros, sóbrios, muito homogéneos e inteligentemente construídos. Tratando-se de um álbum com acentuação na inteligência e na emoção torna-se de uma assimilação pouco imediata, pelo que se aconselham diversas audições para que a sua sonoridade se entranhe na pele do ouvinte para assim, permitir que cresça e flua toda a sensibilidade melódica e emocional. Para essa constante emotividade muito contribui a capacidade de os Vertigo Steps utilizarem de forma coerente e disciplinada diversos recursos e sensibilidades. Guitarras acústicas, pianos, groove, passagens atmosféricas, momentos introspectivos, subtis elementos electrónicos e até uma ligeira aproximação ao pop são os diversos recursos e sensibilidades referenciados e que, no seu conjunto e perfeitamente integrados com passagens muito heavy e batidas fortes fazem deste The Melancholy Hour uma inesquecível experiência sensorial.

Tracklist:
1. The Spider & The Weaving
2. Vacant Stare
3. Desperation Lair
4. Inhale
5. Silentground
6. Under Burning Waters
7. Reel World
8. Through Sham Lenses
9. Red Haze
10. Redemption River, Dividing Ocean
11. Sweet, Sweet Rain
12. Burial Light

Lineup:
Bruno A. – guitarras e teclados
Daniel Cardoso – bateria e baixo
Niko Mankinen – vocais

Vocalistas convidados:
Jules Naveri, Stein R. Sordal, Sophie e Rui Viegas

Internet:
Edição: CD Baby

Review: Glory To My King (Golden Ressurection)

Glory To My King (Golden Ressurection)
(2010, Liljegren Records)

Em 2008 Tommy Johansson (dos ReinXeed) e Christian Liljegren (dos Audiovision, entre outros) começaram a compor alguns temas numa linha que ambos gostavam: o metal neoclássico. E assim nasciam os Golden Ressurection, após a junção dos restantes elementos: Stefan Kack, Rickard Gustafsson e Olov Andersson. Obviamente que o que aqui se apresenta nesta estreia para o próprio selo do vocalista é metal neoclássico. Mas atenção: este é de excelente qualidade. Johannson é um guitarrista fenomenal, Liljegren é um soberbo vocalista. E o duo está acompanhado ao melhor nível com os restantes elementos. E desta vez não acontece o que se verifica em muitas ocasiões: gente de elevada craveira técnica junta-se e produz obras sem grande interesse. Não, desta vez não! Glory To My King é um conjunto de faixas de grande qualidade quer técnica quer melódica que acrescenta alguma velocidade e mais metal ao que o vocalista havia feito em Audiovision, e mais variabilidade que o guitarrista havia produzido nos ReinXeed. Nesse aspecto, portanto, este disco acaba por ser a fusão das características dos dois colectivos, recuperando os aspectos positivos de cada um. Os coros são muito bem trabalhados; os solos, quer de guitarra quer de teclas, são extraordinariamente bem conseguidos, em termos técnicos e melódicos; as harmonias criadas pela base de guitarra são fortes, consistentes e de excelente composição; as linhas de baixo são eficazes, cheias e com personalidade chegando a liderar os temas em faixas como Proud To Wear The Holy Cross ou God’s Grand Hotel. Por isso, Glory To My King é um álbum a reter e a aconselhar e que dá um enorme gozo ouvir, com faixas diversas onde a velocidade está presente (ex: See My Commands ou Glory To My King), mas onde o meio-tempo e o groove, numa linha mais hardockeira também faz a sua aparição (ex: Never Look Back ou Proud To Wear The Holy Cross).

Tracklist:
1. See My Commands
2. Best For Me
3. Glory To My King
4. Never Look Back
5. The Final Day
6. Proud To Wear The Holy Cross
7. Golden Flames
8. God’s Grand Hotel
9. My Creation

Lineup:
Christian Liljegren – vocais
Tommy Johansson – guitarras, teclados
Stefan Kack – baixo
Rickard Gustafsson – bateria
Olov Andersson – teclados

Internet:

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Review: Virtual Time (Waterland)

Virtual Time (Water land)
(2010, Edição de Autor)

Nascidos da mente de Miguel Gomes, conhecido pelo seu trabalho com os Oratory, os Waterland são um colectivo oriundo de Barcelos que congrega outros elementos do célebre colectivo barcelense que neste inicio de século surpreendeu com o seu metal melódico, nomeadamente Tó Silva e Marco Alves. Em 2008, surgiu o primeiro lançamento homónimo e, agora, dois anos passados, Virtual Time serve para consagrar e alargar a base de fãs, por via de um enorme salto qualitativo, não só ao nível da composição, como de produção, como de interpretação em relação ao seu antecessor que, saliente-se, já havia deixado boas indicações da capacidade inata do projecto. Agora, Virtual Time é mais forte, mais melódico e com melhor produção. E desde o inicio que surpreende pelos sintetizadores tão fortes e proeminentes que nos vem logo o nome de Jean Michel Jarre à memória. Mas passados os primeiros momentos somos assaltados por uma soberba malha de heavy metal melódico, ainda com reminiscências dos Oratory. Depois, os três temas seguintes (Wait Forever, New Winds Of Time e Virtual Time) posicionam-se noutra secção: o do power metal melódico. Velocidade estonteante, técnica e assombrosas melodias colocam este conjunto de temas ao nível do que de melhor os Helloween, por exemplo, fizeram. À quinta faixa, Queen Of Light, os Waterland abrem outro capítulo menos rápido mas sempre muito forte em termos melódicos. Esse capítulo é composto por temas a meio tempo, mais compassados e preenche quase a totalidade da segunda parte do disco. Incluem-se aqui as belíssimas Carry On (brilhante a introdução de ritmos techno!), The Prophecy ou a balada You And I. Estão, pois, lançadas as bases para um grande disco, em que os Waterland, concretizam de forma brilhante o seu pop-dance-power metal, que resulta de uma fusão, provavelmente inédita, mas extremamente refrescante entre o pop dos anos 80 e o power metal da escola europeia, nomeadamente Helloween ou Stratovarius. Ou seja temos metal, temos pop e temos ritmos de discoteca por lá introduzidos. E temos uma dose XXL de teclados, que, neste caso em particular, não só resultam muito bem, como são pedidos pelos próprios temas, face ao campo de movimentação do colectivo. E o resultado é só este: é impossível resistir ao ritmo e à melodia. E, de repente, em qualquer lado, damos por nós a trautear alguns dos temas uma vez que as linhas melódicas são tremendamente eficazes. Depois há um pormenor que deve ser sublinhado: a excelência do trabalho dos vocalistas. Aqui canta-se no verdadeiro sentido do termo em registos calmos, tranquilos, colocados e sem nada dos habituais clichés do género (ou seja, gritinhos e afins). A terminar, um conselho às editoras europeias que costumam actuar dentro deste espectro: o futuro do power/heavy metal de cariz melódico passa por Portugal. E Waterland é, claramente, um dos nomes a ter em conta!

Tracklist:
1. Destiny II
2. Wait Forever
3. New Winds Of Time
4. Virtual Time
5. Queen Of Light
6. A Passage To Eternity
7. Carry On
8. The Prophecy
9. New World
10. A Rainbow In The Night
11. You And I

Lineup:
Miguel Gomes – guitarras, teclados, bateria, baixo
Bruno Gomes – vocais
Marco Alves – vocais
Tó Silva – teclados

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Review: The Cold Embrace Of Fear (Rhapsody Of Fire)

The Cold Embrace Of Fear (Rhapsody Of Fire)
(2010, Nuclear Blast)

Já é habitual os Rhapsody Of Fire intercalaram os seus álbuns principais com EP’s. Assim aconteceu em 2001 e 2004, respectivamente com Rain Of A Thousand Flames e The Dark Secret. E assim volta a acontecer em 2010 com The Cold Embrace Of Fear, a continuação do seu excelente regresso The Frozen Tears Of Angels. Também é verdade que esses EP’s nada tem acrescentado aos álbuns que os antecedem ou precedem. E mais uma vez isso volta a acontecer. The Cold Embrace Of Fear é um interlúdio que não manchando a carreira gloriosa do colectivo, também não a eleva. Para os acérrimos fãs será mais uma obra para gastar dinheiro; para os simples apreciadores podem ficar perfeitamente com o álbum de regresso que já lá têm tudo o que precisam ter. Desde logo não se percebe a ideia peregrina de começar o trabalho com duas introduções. Sim, porque o primeiro e segundo actos, dado o seu reduzido tamanho temporal e com a sua consistência sinfónico-cinematográfica e narrativas poderiam ser duas introduções. Depois há o registo de, nada mais, nada menos, que quatro faixas (incluindo as duas citadas) serem passagens sonoras de um filme imaginário cheias de orquestrações e narrativas. Restam três faixas de verdadeira música: o longo épico do Acto III, que cruza diversos momentos ora mais heavy, ora mais sinfónicos, ora mais cinematográficos, ora mais corais e que, ainda assim, está longe da genialidade mostrada noutros épicos; a calma e introspectiva com base na música medieval (onde nem as flautas faltam) do Acto V e Erian’s Lost Secrets, o 6º Acto, verdadeiramente o único momento à lá Rhapsody Of Fire. Agora, o que nos parece é que depois dos problemas vividos pela banda transalpina, o seu regresso fez-se pela porta grande com The Frozen Tears Of Angels, mas o colectivo acaba de dar um tiro no próprio pé. O tempo dirá os efeitos colaterais de uma obra sem qualquer significado.

Tracklist:
1. Act I – The Pass Of Nair-Kaan
2. Act II – Dark Mystic Vision
3. Act III – The Ancient Fires Of Har-Kuun
4. Act IV – The Betrayal
5. Act V - Neve Rosso Sangue
6. Act VI – Erian’s Lost Secrets
7. Act VII – The Angels’ Dark Revelation

Lineup:
Fabio Lione – vocais
Luca Turilli – guitarras
Alex Starapoli – teclados
Alex Wolzwarth – bateria
Patrice Guers - baixo

Internet:

Edição: Nuclear Blast

Playlist 18 de Novembro de 2010

Review: Drype (Drype)

Drype (Drype)
(2010, Edição de Autor)

Os Drype são um novo colectivo oriundo de Ermesinde formado em 2007 após o fim dos N’Cript e que actua no formato de trio (inicialmente era um quarteto, mas após a saída do guitarrista Ricardo Gomes a banda decidiu não acrescentar nenhum elemento novo) e que apresenta este EP, a sua estreia, contendo um conjunto de 4 temas. Normalmente tão reduzido número de faixas limita um pouco o campo de análise, mas neste caso, estamos perante um colectivo que não consegue esconder o seu potencial em apenas cerca de vinte minutos de música. O que equivale por dizer que este trabalho apresenta uma qualidade inegável e promete colocar os Drype num patamar mais elevado quando um trabalho mais longo surgir. Para nos entendermos melhor, diga-se que o seu campo de actuação se situa num rock/metal de características alternativas, ali algures entre uns Muse e uns Tool. E, ainda por cima, com a agradável introdução de soberbas linhas de piano, ao jeito do trabalho de Jon Oliva. O trabalho desenvolve-se em crescendo de intensidade e obscurantismo, sendo que Discardable People, a abertura, se revela uma faixa a todos os títulos notável e onde, Marcos Levy coloca o patamar bem elevado em relação ao seu desempenho pessoal, quer no campo vocal, quer nos pianos. Aliás, os arranjos vocais são um dos pontos fortes do conjunto com Awakening, o fecho em tons mais duros e obscuros, a apresentar um interessante trabalho a esse nível. Os dois temas intermédios representam outras vivências, pintam outras paisagens tão belas como as referidas, mas com outras tonalidades. Ou seja, este é um trabalho diversificado, que apresenta uma assinalável maturidade para estreia e com um pleno sentido estético, relevando-se, ainda, transversal a diversos registos dentro do rock e do metal. É curto, seguramente, mas de uma eficácia tremenda e profundamente aconselhada a sua audição.

Tracklist:
1. Discardable People
2. Juggernaut
3. Hall Of Shame
4. Awakening

Lineup:
Marcos Levy (guitarra, voz e piano)
Pedro Eloi (bateria)
Aires Meneses (baixo)

Internet:

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Entrevista com Birthday Suits

Os Birthday Suits são um dos projectos mais undergorund que nos chegou este ano. Formado por dois japoneses que se encontraram nos EUA, as suas pequenas descargas descomprometidas de sonoridades caóticas tem vindo a alargar a sua base de fãs. The Minnesota: Mouth To Mouth é já o seu segundo registo e para nos falar dele e muito mais, Via Nocturna chegou ouviu o pragmático e breve Hideo Takahashi, guitarrista e vocalista do duo.

Antes de mais, podes apresentar-nos os Birthday Suuits?
Basicamente, somos dois gajos de Minneapolis/St. Paul, Minnesota, Estados Unidos que tocam música alta.

Quais são as vossas principais influências?
Eu diria que as nossas influências são muitas bandas underground que a maioria das pessoas nunca ouviu falar.

Como é que dois japoneses vivem e criam uma banda nos Estados Unidos?
Viemos para cá por motivos diferentes. Nós não nos conhecíamos no Japão, mas como moramos numa cidade pequena não demorou muito até encontrar outros japoneses que tocam música rock.

Minnesota… é o vosso segundo álbum, certo? Que diferenças vês entre este e o Blue Cherry, a vossa estreia?
Blue Cherry foi a nossa apresentação. Ninguém sabia como nós soávamos. Este novo trabalho é mais real. Muitas pessoas já nos ouviram e viram agora. Mesmo assim, tivemos que impressioná-los.

Porque intitular o vosso álbum com o nome do vosso estado?
E por que não? Nós adoramos o lugar onde vivemos e as pessoas de cá. Eu próprio também acho engraçado que dois gajos japoneses intitulem o seu álbum de The Minnesota: Mouth To Mouth.

Como decorreu o processo de gravação?
Foi muito bom. Temos gravado com a mesma pessoa há já bastante tempo. E ele sabe o som que pretendemos.

Como definiriam o vosso estilo?
É uma mistura de indie, punk, noise, garage e algumas estupidez. Ou simplesmente, música rock.
A respeito das temáticas líricas, quais são os principais temas nos Birthday Suits?
As nossas próprias experiências de vida quotidiana.

Os Birthday Suits são apenas um duo. Como fazem nas apresentações ao vivo?
Exactamente da mesma forma como gravados mas sem a mistura e a masterização.

Há algo previsto para os Birthday Suits para a Europa?
Estamos ansiosos para conhecer novos fãs de música e fazer novos amigos.

Review: Where Stories End (Darkwater)

Where Stories End (Darkwater)
(2010, Ulterium)

Nascidos em 2003, os Darkwater passaram os primeiros anos da sua vida a compor e a fazer apenas alguns espectáculos seleccionados. A sua estreia, Calling The Earth To Witness, editada em 2007 granjeou-lhes alguma popularidade fruto de um conjunto de excelentes críticas em todo o mundo. Where Stories End é, por isso, o seu segundo registo de originais, mantendo a traça que já caracterizava o colectivo: metal progressivo de forte carácter melódico. Nomes como Dream Theater, Symphony X, Evergrey e, por vezes, Kamelot estão associados às características que o quinteto apresenta. Mas o grande trunfo destes suecos é a forma como assimilam as suas influências, como as processam interiormente, e como criam um conjunto de temas perfeitamente enquadrado nessas mesmas influências mas denotando uma enorme identidade própria. Como resultado, Where Stories End é um álbum adulto, maduro, bem estruturado, inteligentemente gerido e, acima de tudo, extremamente homogéneo, mantendo um nível de qualidade constante. O uso de teclados é muito constante mas surge de uma forma natural, não forçada e bem enquadrado no contexto geral. A secção rítmica é diversificada e rica e as guitarras são potentes e dinâmicas, sendo capaz de criar autênticas paredes sonoras mas, simultaneamente, capazes de deixar espaço para os outros instrumentos. Tudo isto se reflecte na criação de um progressivo sóbrio, onde tudo é feito com conta, peso e medida, e onde não ocorrem exageros, nem masturbações técnicas. Ao invés, existe musicalidade, existe sentimento, existe envolvência e existem, acima de tudo, grandes canções. Canções nem sempre digeríveis à primeira. Aliás, os Darkwater criam neste trabalho um conjunto de melodias nada imediatas que exigem alguma predisposição para a sua audição. E muita concentração. Talvez seja por isso que à medida que vamos avançando na sua audição nos pareça que os temas estão melhor conseguidos. Mas é pura ilusão, porque todo o álbum é, como já referimos, de um nível de qualidade constante. E alta!

Tracklist:
1. Breathe
2. Why I Bleed
3. Into The Cold
4. A Fools Utopia
5. Queen Of The Night
6. In The Blink Of An Eye
7. Fields Of Sorrow
8. Without A Sound
9. Walls Of Deception

Lineup:
Henrik Bath – vocais, guitarras
Markus Sigfridsson – guitarras
Simon Andersson – baixo
Tobias Enbert – bateria
Magnus Holmberg – teclados

Internet:

Edição: Ulterium Records

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Playlist 11 de Novembro de 2010

Review: Tears Of White Roses (Sebastien)

Tears Of White Roses (Sebastien)
(2010, Escape Music)

Um nome completamente desconhecido que consegue ter a ajuda de gigantes como Amanda Somerville, Apollo Papathanasio, Doogie White, Fabio Lione ou Roland Grapow é, no mínimo surpreendente. Mas afinal quem são estes Sebastien? Pois bem trata-se de um grupo oriundo da República Checa já com mais de uma dezena de anos (formaram-se em 1999) e já com diversos nomes registados: já foram Calypso e Navar. Com esta denominação editaram três álbuns até que, em 2008, dois membros originais dos Navar abandonaram. Nessa altura, os irmãos Rain (George e Radek) e Andy Mons recrutaram novos elementos e decidiram dar um novo rosto ao colectivo alterando, mais uma vez, o nome, desta feita para o definitivo (até agora!) Sebastien. Musicalmente estamos na presença de mais um nome da linha melódica do metal. Eventualmente os italianos The Dogma são o nome que mais nos vem à memória quando escutamos Tears Of White Roses. Pelo meio alguns apontamentos prog (Museé du Satan Rouge ou Silver Water) ou power metal (Phoenix Rising e Voices In Your Heart) vão surgindo para disfarçar o campo primordial de acção. Com base em teclados muito presentes, o problema dos Sebastien acaba por ser a falta de inspiração da grande maioria das canções. De facto, não basta convidar gente de renome para cantar e tocar quando a base não é convincente. Porque isto de fazer metal melódico tem que se lhe diga e não é para todos. Logo a abertura com Museé du Satan Rouge mostra alguma confusão na hora da definição dos arranjos. Essa confusão ou menor definição vai-se prolongando por todo o álbum, salvo raras excepções. Por exemplo, Femme Fatale acaba por apresentar uma melodia superiormente conseguida onde a bela voz de Amanda Somerville encaixa na perfeição. Remiel In Flames também é construída sobre uma melodia agradável, mas depois é preciso esperar pelo fim do disco com as duas partes de Black Rose, naquele que é o melhor momento deste disco. Guitarras acústicas, piano, apontamentos sinfónicos e linhas de baixo de eleição contribuem para a criação de uma (duas) faixa (s) belíssima (s) que termina (m) em alta com um soberbo solo de guitarra, acompanhado de piano, pleno de feeling e emoção. Pena é que o que tinha ficado para trás não tivesse a mesma qualidade.

Tracklist:
01. Museé du Satan Rouge
02. Femme Fatale
03. Dorian
04. Remiel In Flames
05. Tears Of White Roses
06. Phoenix Rising
07. Voices In Your Heart
08. Fields Of Chlum (1866 A.D.)
09. Lake Of Dreams
10. Silver Water
11. Black Rose - part I
12. Black Rose - part II

Line Up:
George Rain - vocais, guitarras
Andy Mons - guitarras
Peter Forge - baixo
Rob Vrsansky - teclados
Radek Rain – bateria

Convidados:
Amanda Somerville (Avantasia, Aina, Kiske/Somerville)
Apollo Papathanasio (Firewind, Spiritual Beggars)
Doogie White (Cornerstone, ex-Rainbow, ex-Yngwie Malmsteen)
Fabio Lione (Rhapsody Of Fire, Vision Divine)
Mike DiMeo (The Lizards, ex-Riot, ex-Masterplan)
Roland Grapow (Masterplan, ex-Helloween)
Tore Moren (Jorn)

Internet:

Edição: Escape Music

Review: The Minnesota: Mouth To Mouth (Birthday Suits)

The Minnesota: Mouth To Mouth (Birthday Suits)
(2010, Nice & Neat Records)

Arriscamos afirmar que este duo de japoneses radicados nos Estados Unidos que respondem sob a designação de Birthday Suits seja totalmente desconhecido do público português. E informações a seu respeito na net também não há assim muitas. Seja como for, The Minnesota: Mouth To Mouth é o álbum que nos interessa analisar. E podemos começar por referir que se trata de um trabalho curto (pouco mais de vinte minutos) constituído por onze pequenas descargas sónicas completamente dementes e esquizofrénicas, tendo por base umas linhas punk extremamente simples, a lembrar Sex Pistols, em momentos cruzadas com a genialidade demente (salvaguardadas as devidas diferenças!) de uns System Of A Down. This Is A Song, é o estranho instrumental que abre a rodela, de uma forma perturbadora, transformando, por vezes o tema num autêntico caos sonoro. Um caos que, de forma a brupta e inexplicável termina num la-la-la acompanhado de… harmónica! É esta dicotomia e desconstrução da definição típica de canção que acaba por ser a imagem de marca dos Birthday Suits. Mesmo 38th Parallel 2010, uma das faixas que mais se aproxima do tradicional formato de canção, volta a apresentar a harmónica num formato de tal forma infantil e ingénuo que desarma qualquer ouvinte. Por sua vez, em Miracle Brothers 2 somos surpreendidos por 25 segundos de uma letra repetida até à exaustão sobre ritmos que se aproximam do tradicional sul-americano. Takarada é um dos melhores momentos do disco, e aquele que, conjuntamente com Our Turn, Our Time, Our Town, Peace, melhor põem em evidência o carácter essencialmente demente, caótico e esquizofrénico da banda. A tudo isto adicione-se o minimalismo de uma capa completamente atípica e tem-se o prato preferido para aqueles que preferem sonoridades menos óbvias.

Tracklist:
1. This Is A Song
2. Table Talk
3. Lost Weekends
4. Kinnickinnic
5. 38th Parallel 2010
6. Takarada
7. Miracle Brothers 2
8. Our Turn, Our Time, Our Town, Peace
9. Quarter Helps A Lot Man
10. Rock’n Roll Emergency
11. Alone La La La

Line Up:
Yuichiro Kayama – bateria e vocais
Hideo Takahashi – guitarras e vocais

Internet: