sábado, 29 de janeiro de 2011

Entrevista Ashes Of Hash

Vivendo em total anonimato, defendendo que o que realmente interessa é a música que se ouve e não os nomes de quem a cria, os Ashes Of Hash, oriundos de Nova York, lançam Green Smoke, um disco praticamente sem vozes, preparado para ser ouvido sob a influência de haxixe. Alguém dentro desta estranha entidade acedeu a contar-nos as vivências e expectativas para este álbum.

Green Smoke é o teu segundo lançamento. Podes explicar o sentimento desta nova obra?
Claro que sim. A ideia era criar um disco de rock’n’roll mais tradicional, chamemos-lhe assim, mas com um pouco de distorção para que o fumadores de erva o pudessem achar ainda mais interessante. É sobre o non-sense da vida que a maioria de nós escolheu viver. É sobre o sexo, fumar haxixe, ser criativo. Adoro este lugar maldito a que chamamos Terra.

De que forma Green Smoke é diferente da tua estreia?
Eu acho que é muito mais experimental do que o primeiro. Ashes Of Hash destina-se a ser muito mais do que uma habitual banda de rock em que se copiam uns aos outros as estruturas musicais. E também a bateria está muito melhor, pois desta vez eu tenho uma pequena ajuda de um amigo meu português.

Quais são os principais objetivos que pretendes atingir com Green Smoke?
Não muitos, na verdade. Eu escrevi estas músicas para mim para que eu pudesse fumar ouvindo a música que realmente gosto. Tive tantos momentos bons a fazer isso que quero compartilhar o que criei com o mundo. Eu nunca fiz nada por este mundo, então dou-lhe rock and roll.

Este é um álbum quase todo instrumental. É uma particularidade que tencionas manter?
Claro que sim. Não esqueçamos que a música original não tinha voz. E no Rock, na maioria das vezes, os cantores só preenchem o vazio e os momentos mais débeis da própria música. Nada canta melhor do que uma guitarra bem tocada!

Este álbum teve apenas edição digital. Qual é a tua opinião sobre isso? Achas que uma edição física é desnecessária?
Na verdade, sim. Que se lixem as editoras e as lojas de discos. Eu não sou uma prostituta, a minha música não está à venda. Eu faço isso por prazer e isso é tudo. A Sanatório pensa exatamente como eu e Green Smoke já foi baixado mais de 1000 vezes. Portanto, estou realmente feliz com este método e vou continuar a disponibilizar a minha música dessa maneira.

Afinal quem são os membros de Ashes Of Hash?
[Risos] Quem se importa? Eu não quero que as pessoas me conheçam, eu quero que as pessoas oiçam Ashes Of Hash. Este é o único nome que precisam saber.

Como decorreu o processo de gravação?
Muito rápido. Todas as músicas têm esta história: eu fumo e gravo tudo. No dia seguinte ouço se é bom ou se preciso fumar menos antes da gravação [risos]. Mas é muito simples, muito rápido. Tudo acontece de uma forma muito natural.

Quais são as principais influências de Ashes Of Hash?
Eu cresci a ouvir rock and roll dos anos 60, bandas como Led Zeppelin, The Doors, Rolling Stones e afins. Depois explorei o Blues e, meu amigo, o Blues tem tudo! Nomes como Gary Moore, Stevie Ray Vaughan e BB King são mestres absolutos. O Blues criou o Rock And Roll, Punk, Metal, etc Tudo vem do Blues. Mas, para as novas gerações, apenas aconselho ouvir Creedence Clearwater Revival ... John Fogerty é sensacional!

Este ano é esperado um novo álbum de Ashes Of Hash. O que nos podes dizer, agora, sobre isso?
Contará com músicas remasterizadas do primeiro álbum e algumas canções novas. Sobre o som ... bem, vamos imaginar por um momento que tens John 5, Chris Isaac, Mark Knopfler e os gajos dos Iron Butterfly no mesmo quarto, a fumar um pouco de Rif Cream.

E outros projetos futuros, tens algo em mente?
Não. Acho que vou manter-me a gravar músicas e se alguém quiser ouvi-las, ótimo!

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Review - Stand Up And Fight (Turisas)

Stand Up And Fight (Turisas)
(2011, Century Media)

Os finlandeses Turisas podem apresentar a capa menos inspirada e o mais óbvio título de álbum neste seu regresso em 2011, mas não se iludam: Stand Up And Fight é a mais brilhante obra apresentada pela companhia liderada desde os finais dos anos 90 por Nygard e Wickstrom. À sua veia guerreira que tanto conjugava power metal, como black metal, como folk, e mesmo sinfónico e coral, os Turisas de agora apresentam tudo isso mas elevado a um superior patamar de qualidade e intensidade. Pela primeira vez são usadas cordas e metais verdadeiros e desde logo a componente orquestral/sinfónica/cinematográfica atinge níveis de classe assombrosos, brilhantes e verdadeiramente empolgantes. Depois, juntem-se majestosos coros, melodias fantásticas, poder guerreiro, arranjos soberbos e minuciosamente trabalhados, exemplar desempenho quer dos músicos quer em termos vocais. Neste particular deixem-nos focar um pouco mais: os guturais são cada vez em menor percentagem e usados muito bem integrados em partes mais duras e agrestes, e é nos vocais limpos que Nygard se começa a assumir como um vocalista de eleição. Não só pela diversidade, podendo cantar completamente limpo, como ligeiramente arranhado, mas pela qualidade do seu registo tenor. Verdadeiramente fantástico a sua forma grave, melancólica e melódica de abordar alguns trechos dos temas. Em termos de canções, o álbum com um brilhante The March Of The Varangian Guard, que em termos temáticos situa o ouvinte no ponto onde The Varangian Way havia terminado, ou seja em Constantinopla. Esta é uma abertura com uma melodia cativante, um excelente refrão e muita orquestração. Take The Day! marca pela sua capacidade de se ir auto-transformando. Começa com Nygard no seu registo tenor a liderar magníficos arranjos orquestrais que irão desembocar num refrão forte, com vocais agressivos, por momentos quase black metal, complementado por majestosos coros. A costela festiva/folk, na linha de Korpiklaani e afins surge ao terceiro tema, Hunting Pirates, para Vanetoi Prasinoi voltar a colocar o álbum no topo do mundo. Muito teatral/circense e simultaneamente muito forte quer em termos rítmicos quer em termos vocais apresenta uma secção de metais verdadeiramente fantástica bem ao nível de… Hollywood! Stand Up And Fight fecha a primeira metade do disco a mostrar uns Turisas com as habituais melodias guerreiras. E se esta primeira metade do disco se assume de enorme qualidade, a segunda metade consegue superá-la. The Great Escape pode não parecer à primeira audição mas é um dos temas mais brilhantes de todo o álbum. Abre de forma crua e dura e, gradualmente, vai evoluindo para outras nuances, como sejam apontamentos circenses, secções orquestrais muito fortes (chega a lembra a Guerra das Estrelas!), coros belíssimos para terminar em registo piano com uma sublime orquestração. Simplesmente brilhante! Fear The Fear é um dos temas mais ricos em pormenores de composição com mais uma apresentação soberba de coros. End Of An Empire é um magnífico épico de mais de sete minutos. Linhas de piano sensacionais cruzadas com coros, orquestrações e deliciosas melodias fariam deste tema o encerramento ideal de um grande álbum. Mas não! Os Turisas quiseram ainda oferecer outra pérola, mas desta vez algo diferente: The Bosphorous Freezes Over é uma peça sinfónica/coral de uma sensibilidade só ao alcance de génios. E no fundo é diante de génio que estamos. E Stand Up And Fight é a materialização de toda uma genialidade. Indispensável em qualquer discografia!

Tracklisting:
1- The March Of The Varangian Guard
2- Take The Day!
3- Hunting Pirates
4- Venetoi Prasinoi!
5- Stand Up And Fight
6- The Great Escape
7- Fear The Fear
8- End Of An Empire
9- The Bosphorous Freezes Over

Lineup:
Warlord Nygard – vocais e teclados
Jussi Wickstrom – guitarras
Olli Vanska – violino
Hannes Horma – baixo
Netta Skog – acordeão
Tude Lehtonen – bateria

Internet:

Edição: Century Media

Playlist 27 de Janeiro de 2011

Top 20 - 2010 (setor nacional)

Entrevista - Primordial Melody

Depois de Critical Chaos, os flavienses Primordial Melody está de regresso com In Cold Blood Nihilism, um EP onde o colectivo se revela mais abrangente, dinâmico e maduro. Luís Silva (guitarrista), Célio Faustino (baixista) e Francisco Silva (baterista) contam a Via Nocturna o crescimento que a banda teve desde o seu demo-CD de estreia.

Depois das boas reacções a Critical Chaos, quais são os principais objetivos a atingir com este novo EP?
O objetivo imediato é a divulgação. Desde o Critical Chaos que muita coisa mudou, como tal queríamos com este lançamento mostrar aquilo que estamos a fazer de momento, abrindo o apetite para futuros lançamentos. O objetivo geral é sempre de seguir em frente e bem. Dito isto, ansiamos que In Cold Blood Nihilism nos leve a esse sítio ainda longínquo que tanto ansiamos. Primeiro, tocar ao vivo e fazer com que a nossa música chegue ao maior número possível de ouvintes. É esse o principal objetivo com este EP, dar a ouvir e esperar que as reações sejam positivas.

Desta vez optaram por não incluir vocais limpos. Alguma razão em especial?
In Cold Blood Nihilism não tem muito do seu antecessor. Neste lançamento optámos por uma vertente mais agressiva e dinâmica. No contexto da composição, pareceu-nos natural não os incluir. Essa componente não está completamente excluída para futuros lançamentos, mas desta vez optámos mesmo por os deixar de parte.

Em termos estilísticos, nota-se, realmente, que há mais variedade e abrangência. Foi uma aposta vossa ou simplesmente aconteceu?
A composição do EP foi um processo pensado e debatido por nós. A verdade é que logo depois da primeira Demo-CD que ponderámos mudar algumas coisas em relação à musica em si. A nível de abrangência foi algo que sempre tentamos fazer, não só nas próprias músicas, mas também na variância que elas poderiam ter entre si, de forma a deixar o set list um pouco mais abrangente. Respondendo concretamente à pergunta, penso que houve um equilíbrio entre aquilo que foi premeditado e entre processos que foram sendo mudados naturalmente.

Nota-se muita evolução deste Critical Chaos para este novo EP. Houve trabalho árduo?
Digamos que Critical Chaos foi um trabalho realizado na base da experimentação. Era o nosso primeiro contacto com estúdios de gravação e ainda não sabíamos muito bem como fazer certas coisas. Penso que agora tanto a nível pessoal como a nível da composição, a maturidade é outra e o EP foi encarado de uma forma mais profissional e detalhada. Procuramos explorar muito mais coisas do que no primeiro lançamento, e penso que o retorno desse trabalho acabou por ser bastante satisfatório.

Em termos de registo, também houve alterações. Trocaram Sta. Marta de Penaguião por Braga. Sentiram essa necessidade para o vosso processo de crescimento?
Não se tratou propriamente de uma troca. Quando gravámos pela primeira vez em Sta. Marta de Penaguião a escolha pareceu-nos óbvia, uma vez que tratando-se de uma Demo-CD quisemos claramente trabalhar com o Guilhermino Martins, porque para além de amigo pessoal da banda é um entendedor na matéria, e foi sempre alguém que nos acompanhou e aconselhou desde o inicio. Ao olhar para trás, vemos que foi a escolha acertada para a altura. Quanto aos UltraSoundStudios era algo que já seguíamos desde o início e o trabalho tanto do Daniel Cardoso, como do Pedro Mendes, foi algo que sempre nos agradou. Sendo o EP um registo bastante diferente do antecessor, decidimos também experimentar trabalhar com eles e o resultado superou as expectativas. De facto, gravar nos UltraSoundStudios ajudou-nos bastante a crescer e a desenvolver a nossa maneira de fazer música.

A edição de In Cold Blood Nihilism sofreu diversos adiamentos. O que se passou afinal?
No ano transacto, a indisponibilidade de encontros regulares entre os membros da banda foi algo que se verificou, devido a motivos particulares e geográficos. Como tal, existiu uma ponderação sobre a melhor data para o lançamento deste EP, conciliada com a disponibilidade de todos os elementos da banda.

Esta volta a ser uma edição de autor. Já há contactos para uma possível ligação com alguma editora?
De momento não estamos muito interessados em contactos com editoras. Tudo tem o seu tempo. Os Primordial Melody traçaram desde o inicio um projecto com o qual nos queremos guiar. Fazia todo o sentido, a nosso ver, que este EP fosse edição de autor. Com o decorrer da carreira, será essa uma questão a ser ponderada.

Em termos de apresentação do EP ao vivo, o que já está planificado que possa ser desde já adiantado?
A apresentação oficial já foi feita há algum tempo na nossa cidade natal, Chaves. O objetivo agora é tocar ao vivo; como tal estamos abertos a todo o tipo de propostas. Neste momento estamos já a tratar desse assunto e, para já, está tudo bem encaminhado. Brevemente serão noticiadas através dos vários meios de divulgação (Myspace, Facebook, Blogs, etc), datas pelo país e quem sabe também na vizinha Espanha. É tudo que posso adiantar de momento.

Depois de uma demo-CD e de um EP, para quando o álbum?
Como referido em cima, o projeto está traçado. O álbum de estreia será o próximo passo. Já estamos a trabalhar nele e está tudo a correr como previsto. Quanto a datas de lançamento ainda sabemos pouco, mas já temos uma ideia de como tudo se vai desenrolar. Para já a meta é a divulgação do EP e mais tarde ou mais cedo, surgirão notícias sobre o álbum.

A terminar, sei que algum(s) elemento(s) dos Primel também integram um curioso colectivo que mistura bossa nova e death metal, The Fuckin’ Story. Podem esclarecer-nos como está a situação desta nova entidade?
Sim, o nosso vocalista, João Cancelinha, pertence aos Kyousou no Shi (aproveito para dizer que mudaram de nome). Também eles tiveram grandes e boas reacções depois de terem ganho o Rock Chaves Festival 2009. São grandes amigos dos Primordial Melody, ajudamo-nos mutuamente, inclusive alguns elementos de Kyousou no Shi tocaram alguns temas connosco no concerto em Chaves de apresentação de In Cold Blood Nihilism. Fica aqui um grande obrigado para eles: Marco Pereira (ex-Invisible FlameLight, ex-The Frankensteins) e David Teixeira (Trivial Y, ex-The Frankensteins), porque foi uma grande noite! Dito isto, avançamos dizendo que este projecto continua e que promete! Os mais sinceros agradecimentos ao Via Nocturna por sempre nos ter ajudado na divulgação do nosso trabalho.

Review - To Hell With God (Deicide)

To Hell With God (Deicide)
(2011, Century Media)

Sempre na vanguarda do movimento death metal, os Deicide foram pioneiros do som brutal da cena death metal da Flórida. Em 1987, Glen Benton e Steve Asheim uniram-se para lançar um dos mais comentados, controversos e venenosos álbuns da história do metal e, desde então, têm vindo a aumentar a sua notoriedade internacional lançando dois dos álbuns de death metal mais vendidos. Independentemente dos rumores a respeito da banda, os Deicide rapidamente se tornaram conhecidos pelo seu som técnico e brutal, criando uma sonoridade definitiva no que diz respeito ao death metal dos anos 90. Tudo graças à sua capacidade para introduzir solos de técnica assombrosa com velocidades surpreendentes e com riffs sobrepostos. Como resultado, a banda criou nove álbuns de estúdio que mudaram a face do metal extremo. Agora, preparam-se para lançar o seu décimo trabalho pleno de brutalidade anti-cristã, naquela que é a sua estreia para a Century Media, depois de terem assinado em 2009. To Hell With God, o novo álbum foi produzido por Steve Asheim e Glen Benton juntamente com Mark Lewis (The Black Dahlia Murder, Chimaira, Devildriver). O título deixa antever exatamente aquilo que os fãs podem esperar – uma blasfema viagem ao inferno dos veteranos do género. Claro que os Deicide, já estão à espera de controvérsia, com as chicotadas oriundas da direita religiosa, devido somente ao título do álbum. No entanto, após 20 anos a criar músicas como Fuck Your God, Kill the Christian ou Behead The Prophet, é evidente que estes baluartes satânicos continuarão a espalhar a sua mensagem de ódio e mal sobre as massas. Na verdade, isto pode ser visto como um testemunho da força de uma banda que se recusa a obedecer e prossegue a sua carreira blasfema mesmo depois de enfrentar uma quantidade enorme de proibições, multas e conflitos em nome da sua arte. Por isso, estão de volta mais fortes do que nunca e To Hell With God certamente irá provar isso. Sendo um dos criadores originais do death metal, os Deicide estão prestes a mostrar ao mundo o quanto o metal pode ser brutal e profano. Se estiverem prontos…

Tracklisting:
1. To Hell With God
2. Save Your
3. Witness of Death
4. Conviction
5. Empowered by Blasphemy
6. Angels of Hell
7. Hang In Agony Until You're Dead
8. Servant of the Enemy
9. Into the Darkness You Go
10. How Can You Call Yourself a God

Lineup:
Glen Benton – vocais e baixo
Steve Ashei - bateria
Jack Owen - guitarras
Ralph Santolla - guitarras

Internet:

Edição: Century Media

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Review - The Human Romance (Darkest Hour)

The Human Romance (Darkest Hour)
(2011, Century Media)

Não é muito vulgar uma banda chegar à sua década e meia de existência, sem oscilações de carreira e mantendo sucessivas mutações que a tornam cada vez mais forte, agressiva, dinâmica, imparável e ameaçadora a cada riff, grito ou álbum. Os Darkest Hour e o seu novo trabalho The Human Romance são um desses casos. Este é o sétimo trabalho da banda de Washington e apresenta os Darkest Hour ao seu melhor nível, na sua incontornável mistura de thrash metal com tudo à sua volta. A capa de The Human Romance ilustra na perfeição o compromisso dos Darkest Hour em fazer este tipo de música a todo o custo, mesmo quando as coisas parecem não correr de feição. É esse tipo de paixão insaciável e dedicação ferrenha que transforma The Human Romance na versão 2.0 do colectivo, a mais obscura, que representa um upgrade a vários níveis. Este é um disco em que o quinteto volta atrás a algo já estabelecido mas que o consegue apresentar como algo novo. A música é um pouco mais facilmente digerível, etérea, mas, ainda assim, agressiva. The Human Romance foi registado na Carolina do Norte com Peter Wichers (Soilwork) e o resultado só podia ser metal, thrash americano com raízes no punk rock e hardcore, que é, aliás, parte integrante do som Darkest Hour. Só que agora, soa mais fresco e rejuvenescido e a banda não está presa à tirania de um som específico ou estilo regendo-se pelas suas próprias regras e padrões. A banda introduz algumas coisas mais emocionais e mais profundas no som thrash, e apresentam tanto metal sueco como influências do metal americano e até alguma melancolia. Também desta vez o álbum não termina com um tema longo como era tradição nos álbuns anteriores. Mas mesmo não sendo tão longa, Beyond The Live You Know, acaba por ser uma das faixas melhor conseguidas, valendo bem a pena esperar pelo final. Antes a banda surpreende por um longo instrumental (de mais de oito minutos), Terra Solaris, que é um empreendimento que a banda já não fazia desde Veritas, Aequitas, que aparece no álbum de2003, Hidden Hands Of A Sadist Nation. Globalmente, porém, o álbum é muito variado e mais emocional com a banda a levar seu som para novos limites a pensar nos fãs que estão com eles durante quase duas décadas. Por isso, uma coisa parece certa: os Darkest Hour ainda não atingiram o cerne do seu potencial, apesar do currículo impressionante. A banda já deu muito mas ainda promete mais com o objectivo de cumprir o seu apego à música e o seu compromisso com os fãs e consigo próprios. Como num romance bonito e complicado.

Tracklisting:
Terra Noctunus
The World Engulfed in Flames
Savor the Kill
Man & Swine
Love as a Weapon
Your Everyday Disaster
Violent By Nature
Purgatory
Severed into Separates
Wound
Terra Solaris
Beyond the Live you know

Lineup:
John Henry - Vocais
Mike Schleibaum - Guitarras
Mike Carrigan Theobald - Guitarras
Paul Burnette – Baixo
Ryan Parrish – Bateria

Internet:

Edição: Century Media

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Entrevista - Dark Oath

Oriundos de Soure, os Dark Oath são mais um jovem colectivo nacional a estrear-se nas gravações. Com influências de diversos estilos quer musicais quer líricos, mas onde as referências nórdicas acabam por sobressair, o quinteto, através dos dois guitarristas, Zé e Joël, acedeu a contar a Via Nocturna o processo de criação de Under A Blackened Sky. Pelo meio ficamos a saber, ainda, que a banda entretanto já mudou de vocalista.

Antes de mais apresentem-nos os Dark Oath.
Zé (Z): Somos uma banda que começou como qualquer outra, em meados de 2009. Eu andava a pensar criar uma banda e conhecia o Joël que sabia tocar guitarra. O Pedro juntou-se a nós, começámos a criar os primeiros temas e o resto surgiu naturalmente. Os restantes membros juntaram-se, e ao fim de uns meses de ensaio, subimos finalmente ao palco.

Sendo uma banda tão jovem ainda, não tiveram receio de arriscar desde logo na edição de um trabalho com este nível de profissionalismo?
Joël (J): No inicio do verão começámos a procurar estúdios e a ver preços. O Hugo Andrade (Switchtense, UltraSound Studios Moita) sabia que queríamos gravar e não tinhamos grandes possibilidades financeiras e como iam lançar uma promoção nos meses seguintes, lembrou-se de nos propor essa tal promoção. Tendo em conta que podiamos ter um trabalho bem feito, não pensámos duas vezes.

E ficaram satisfeitos com o resultado final?
Z: Sim, na minha opinião ficou um excelente trabalho tendo em conta a experiência que tínhamos em estúdio, que era nula.

J: Fiquei mesmo muito satisfeito. É em grande parte graças à qualidade do estúdio que a meu ver é dos melhores no país, e claro graças ao Hugo e ao Pardal que fizeram um ótimo trabalho, sem dúvida. A produçao, o design, o geral está tudo muito bom, estamos mesmo satisfeitos. Mas obviamente, há certos pormenores que acrescentávamos ou mudaríamos agora que ouvimos o resultado final, poderia estar ali uma coisa a mais, ali a menos, diferente, etc., mas sim, estamos realmente satisfeitos.

Qual é o background musical dos elementos dos Dark Oath?
Z: Sem ser o Emerson, todos nós já tivemos projectos. Nunca foi nada de muito relevante, nunca nenhum deles chegou a ser levado para a frente; no entanto já tinhamos noção das coisas. Mas para além disso o Joël já andou num conservatório, em França. Também acho importante mencionar que actualmente o Carlos já não faz parte da banda e temos um novo vocalista, neste caso uma nova vocalista, Sara Leitão, sendo este o primeiro projecto dela.

Como decorreram as sessões nos UltraSound Studios?
J: Muito bem mesmo. Ficámos uma semana na Moita, a gravar todos os dias de manhã à noite. Foi exaustivo mas foi uma experiência brutal. O Hugo e o Pardal sao gajos altamente e ajudaram-nos muito mesmo a realizar este trabalho.

Qual o significado de Saurium Metal?
Z: Bem, nós, apesar de se reflectir mais o death metal melódico no nosso som, não nos regemos por apenas um estilo, isto é, sem ser mesmo o gosto pelos temas nórdicos e vikings (mitologia, história, etc.) que se reflecte nas nossas letras e provavelmente na sonoridade. Basicamente criamos os temas sem regras nenhumas e como tal, alusivo à nossa terra natal, Soure, ocorreu-me a ideia de usarmos o termo Saurium Metal (que supostamente é o antigo nome de Soure, segundo certas fontes e documentos que investigámos) para definir o nosso estilo, que a meu ver é único, pelo menos na nossa região.

Têm efectuado alguns concertos para promover este vosso lançamento. Como têm decorrido as coisas e como está a ser a aceitação por parte dos fãs?
J: Nós ainda não demos muitos concertos pois o lançamento do EP foi recente, e como tal não posso argumentar sobre isso. Mas apesar disso já demos alguns e relativamente a esses, o público tem aceitado bem o nosso trabalho e temos recebido bons comentários e criticas por parte das pessoas que já adquiriram o EP.

Em Valande’s Tale, tiveram a participação do Hugo Andrade. Como se propiciou esse encontro?
Z: Em relação a isso, foi muito simples por acaso. Enquanto o Carlos estava a gravar as vozes da música em questão, ocorreu-me a ideia de gravar um dueto nessa parte. Como estávamos com o grande Hugo dos Switchtense, não podíamos deixar escapar a oportunidade de ter a participação dele no nosso trabalho e logo no primeiro. Fizemos a proposta de ele cantar na música e ele, felizmente, aceitou e em tom de brincadeira disse-nos : “epá, é na boa, mas eu não canto, só berro !”

Dá a ideia, pelos títulos dos temas, que vocês se socorrem da mitologia nórdica nas vossas letras. Corresponde à verdade esta leitura? E porquê?
J: Sim, é verdade. Como já o referimos, apesar de não nos regermos por apenas um estilo e termos os gostos alargados, partilhamos todos um grande gosto pela cultura nórdica e não por decisão nossa mas porque realmente foi acontecendo, criamos as letras em redor destes temas.

No entanto, acabam por gravar um tema vocalizado em português. Algum motivo especial?
Z: Apesar de termos uma temática em redor da mitologia nórdica, achamos que era importante realçar as nossas origens lusitanas e foi o que fizemos.

A finalizar, estando os Dark Oath a começar, até onde sonham ir enquanto banda e músicos?
J: Acho que como qualquer banda que não toque apenas como um passatempo tem como objetivo obter algum reconhecimento, isto é, tocar fora do país, o nosso som vir a ser conhecido, etc. Quanto a cada um de nós como músicos, acho que é mesmo evoluirmos cada vez mais, melhorar a nossa técnica, até porque há sempre mais coisas para aprender.

Review - Sever The Wicked Hand (Crowbar)

Sever The Wicked Hand (Crowbar)
(2011, Century Media)

Já se passaram seis longos anos, mas desde Nova Orleães as lendas do sludge, os Crowbar estão de regresso com mais um trabalho de peso devastador. Liderados pelo vocalista, guitarrista e mentor Kirk Windstein - que também empresta seu talento para os super grupos e Down e Kingdom Of Sorrow – a banda americana tem influenciado toda uma geração de músicos de metal através da pura força dos seus riffs maciços e o peso emocional esmagador das letras de Windstein. Desde a estreia de 1991, com Obedience Thru Suffering e o trabalho homónimo de 1993 (produzido pelo Down e ex-vocalista dos Pantera Phil Anselmo) até Equilibrium (de 2000) e Lifesblood For The Downtrodden (de 2005) com o ex-Pantera Rex Brown no baixo, que os Crowbar têm uma assinatura sonora que os torna instantaneamente reconhecíveis em todo o mundo. Sever The Wicked Hand, será o primeiro álbum de estúdio dos Crowbar, em seis anos, como já referimos, e surge depois de um período em que Windstein passou na estrada com os Down e participou na gravação do novo Kingdom Of Sorrow, despertando o seu gigante adormecido. Por isso, este acaba por ser, na opinião do coletivo, o álbum mais importante já gravado, sendo visto como um relançamento da própria banda. A partir dos acordes introdutórios de Isolation (Desperation) até ao glaciar fecho com Symbiosis, Sever The Wicked Hand é um verdadeiro triunfo, tanto musicalmente como pessoalmente, uma vez que Windstein assume que desde Agosto que se mantém afastado das drogas e do álcool. Liricamente, a maioria das músicas deste regresso abordam vários aspectos físicos psicológicos do processo de recuperação do músico. Não sendo conceptual, o álbum tem uma temática geral, que se reflete na ideia de expulsar todos os aspetos negativos da vida. E assim, os Crowbar, finalmente, atingem um patamar de intensidade, sobriedade e maturidade nunca atingido em nenhum dos álbuns anteriores.

Tracklisting:
1. Isolation (Desperation)
2. Sever The Wicked Hand
3. Liquid Sky And Cold Black Earth
4. Let Me Mourn
5. The Cementery Angels
6. As I Become One
7. A Farewell To Misery
8. Protectors Of The Shrine
9. I Only Deal In Truth
10. Echo An Eternity
11. Cleanse Me, Heal Me
12. Symbiosis

Lineup:
Kirk Windstein – vocais e guitarras
Patrick Bruders – baixo
Tommy Buckley – bateria
Matthew Brunson – guitarras

Internet:

Edição: Century Media

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Playlist 20 de Janeiro de 2011

Review: Tao Of The Dead (... And You Will Know Us By The Trail Of Dead)

Tao Of The Dead (… And You Will Know Us By The Trail Of Dead)
(2011, Superball Music)

Revelando uma longevidade assinalável, o núcleo duro dos ... And You Will Know Us By The Trail Of Dead, Conrad Keely e Jason Reece, estão de regresso com o seu sétimo longa duração, apropriadamente intitulado de Tao Of The Dead. Os …Trail of Dead (também carinhosamente conhecidos por alguns como a banda que nunca vai morrer) voltam mais uma vez com um álbum vigoroso que evoca uma nostalgia refrescante (homenagem fiel a Pink Floyd, Rush e Steppenwolf). Para refazer os seus passos musicais, a banda recrutou o antigo amigo Chris Frenchie Smith (produtor do seminal álbum homónimo de 1998) para tentar procurar o som que encantou os críticos há 12 anos atrás. Também o experimentalismo indie aqui se encontra com o produtor Chris Coady (Beach House, Yeah Yeah Yeahs, Blonde Redhead) no opus de 16 minutos intitulado Tao Of Dead Part 2.  Formados no final de 1994 por Conrad Keely e Jason Reece, …Trail of Dead evoluíram ao longo dos anos expandindo o seu line-up mas mantendo a condução criativa pelos membros fundadores. Depois da edição de So Divided, pela Interscope, a banda encerrou funções no Outono de 2007. Mas por pouco tempo: na Primavera de 2008, uma parceria entre a americana Justice Records e a europeia Superball Music, permitiu a publicação de The Century Of Self, o sexto álbum do colectivo que, assim regressava a jogo. Nos últimos dois anos os … Trail Of Dead têm mostrado vontade de regressar às suas origens indie recuperando a sua independência. Eis então que surge Tao Of The Dead. E esse objetivo foi, de facto, conseguido. Este é um trabalho suficientemente independente para ser associado a algum género actual. Pelo contrário vive muito do sentimento retro e evoca nomes do passado já aqui referidos, introduzindo elementos psicadélicos cruzados com riffs pesadões e densos e guitarras acústicas. Cover The Days Like A Tidal Wave e a instrumental The Fairlight Pendant são os exemplos melhor conseguidos, num álbum que apresenta sete temas com menos de três minutos e que termina com o longo (acima do quarto de hora) já referido. O problema em Tao Of The Dead é que os norte-americanos não conseguem livrar-se das amarras que eles próprios criaram. Como resultado, apresentam um disco que apesar de ser de uma audição agradável acaba por perder o interesse ao fim de poucas audições porque não existe renovação, não existe variabilidade, não existe espontaneidade. Antes, se apresenta um trabalho linear, monocórdico, demasiado previsível e sem capacidade explosiva. Isto é: embora denotando alguma criatividade, a banda não extravasa, limitando a repetir-se tema após tema.

Tracklisting:
1. A. Introduction: "Let's Experiment"
2. B. Pure Radio Cosplay
3. C. Summer of All Dead Souls
4. D. Cover the Days Like a Tidal Wave
5. E. Fall of the Empire
6. F. The Wasteland
7. G. Spiral Jetty
8. H. Weight of the Sun (or the Post-Modern Prometheus)
9. I. Pure Radio Cosplay (Reprise)
10. J. Ebb Away
11. K. The Fairlight Pendant
12. Tao of the Dead Part two: Strange News From Another Planet
L. Know Your Honor
M. Rule by Being Just
N. The Ship Impossible
O. Strange Epiphany
P. Racing and Hunting

Lineup:
Conrad Keely
Jason Reece
Autry Fulbright II
Aaron Ford

Internet:

Edição: Superball Music

Top 20 - 2010 (sector não nacional)

Apresenta-se a seguir a lista dos 20 melhores álbuns não nacionais de 2010, na escolha da produção de Via Nocturna. Os Therion com Sitra Ahra foi a escolha para melhor disco do ano, sucedendo assim a outro colectivo sueco, os Diablo Swing Orchestra que haviam sido os escolhidos no ano anterior.

Review - Green Smoke (Ashes Of Hash)

Green Smoke (Ashes Of Hash)
(2010, Sanatório)

O projeto Ashes Of Hash nasceu em Nova York decorria o ano de 2008 e o seu autor prefere o anonimato, permitindo que o mais importante seja somente a música. A sua estreia em termos de gravação ocorreu logo um ano depois com a edição, via Sanatório Prod., do EP homónimo. Green Smoke é o segundo registo e falar dele torna-se difícil. Os Ashes Of Hash, cuja principal temática é rock 'n' roll feito e para ser ouvido sobre o efeito de haxixe, produzem um rock instrumental (pontualmente com curtas declamações), alucinante (ou deveríamos dizer alucinogéneo?) com fortes doses de psicadelismo e noise pelo meio. A batida é lenta e contemplativa, mas é nas ondas sísmicas provocadas por uma distorção subtil e atípica das guitarras que as diversas ambiências se vão desenvolvendo. Alternativo será uma boa designação. Na mesma linha de um pós-rock imaginativo e dissonante poderemos encontrar os nacionais Riding Panico ou Catacombe, mas os nova-iorquinos conseguem ainda soar mais enigmáticos, ambiciosos e, claro, difíceis de catalogar; mais estranhos, se preferirem. No entanto, Green Smoke é composto por um excelente conjunto de temas, que, depois do fumo assentar, deixam ver muita criatividade e dinâmicas muito interessantes. Como referência, apontamos … And If I Die, I Wanna Her By My Side, uma das faixas com uma base mais forte (pelo menos numa secção do tema) e que sobre ela se desenvolvem ritmos étnicos; ou It’s A Zombie Invasion, Baby, onde as linhas iniciais jazz/country são, a dado momento, de tal forma electrificadas que chegam a provocar algo parecido com uma… electrocussão que nasce em ritmos industriais, se prolonga por um solo hard rock e termina em bases acústicas que se depositam debaixo de uma guitarra eléctrica em sofrimento. Este é um dos temas onde aparecem alguns apontamentos vocais sob a forma de declamações. E é, também, onde mais se nota a confluência estilística e espiral de sentimentos em que vive a quase totalidade de Green Smoke, um álbum de degustação lenta, que obriga a alguma ginástica mental para se perceber toda a sua envolvência. Mas depois… vicia!

Tracklisting:
1. Deep Pression
2. Tech No Logy
3. Kubla Kan
4. In Her Arms
5. … And If I Die, I Wanna Her By My Side
6. It’s A Zombie Invasion, Baby
7. Between Smoke, I Will Leave This World
8. No One Had A Bad Trip

Internet:

Entrevista - Flatfoot 56

Misturar punk rock com música celta pode parecer uma decisão um pouco estranha. Mas não é isso que pensam os Blackfoot 56, banda de Chicago que desde 2000 tem apostado, com sucesso, nesse formato. Após dez anos de carreira, Black Thorn o seu terceiro e melhor lançamento chegará via People Like You Records, no dia dos namorados. Tobin Bawinkel, vocalista e guitarrista, mostrou-se muito entusiasmado com esta nova proposta como o demonstra a entrevista que nos concedeu.

Para começar, podes apresentar os Flatfoot 56?
Eu sou Tobin (vocalista e guitarra). E nós somos o Justin (bateria e vocais), Kyle (baixo e vocal), Brandon (bandolim) e Eric (gaita-de-foles).

Qual é o significado do vosso nome?
É uma velha piada sobre o nosso baixista. Quando era jovem, ele jogou basebol e o número da sua camisola era o 56. Ele tem os pés muito planos e corre como um pato. Quando ele corria depois de bater a bola gritava com ele próprio a dizer Flatfoot 56.

Black Thorn é o vosso terceiro lançamento. Podes dizer-nos em que aspetos é diferente dos seus antecessores?
Black Thorn é um registo onde nós gastámos muito mais tempo de preparação e trabalho. Como um todo, é muito mais maduro e melhor pensado do que os dois últimos. Este foi o primeiro registo em que fizemos um trabalho com alguma profundidade na pré-produção com o nosso produtor Johnny Rioux (Street Dogs). A sua influência sobre este disco fez-nos, realmente, pensar em muitas partes diferentes do disco.

Estão totalmente satisfeitos com o resultado final?
Eu adoro este disco e acredito que seja o melhor disco que fizemos até hoje. E acho que o próximo vai ter algumas coisas que podemos aperfeiçoar, mas como um todo, estou muito orgulhoso de Black Thorn.

Que ambições e objetivos têm para este lançamento?
Nós realmente queremos que este disco seja uma boa introdução dos Flatfoot 56 no mercado europeu. Nós nunca tivemos na Europa uma grande presença editorial com os álbuns anteriores. Agora com a People Like You Records a disponibilizá-lo, estamos animados para ver o quão longe podemos ir com ele.

Black Thorn foi produzido pelo Street Dogs Johnny Rioux. Qual foi o seu input na sonoridade geral?
Johnny trouxe com ele mais de 20 anos de experiência em gravação e reprodução de punk rock. Ele tem muito a oferecer quando se trata de percepção e ideias. Johnny tem um ótimo ouvido para a música e consegue idealizar partes para canções que se tornam muito criativas.

Vocês cruzam punk com música celta. Talvez sejam os únicos a fazê-lo. O vosso público é mais punk ou celta?
O nosso público é basicamente uma mistura dos dois. Os celtas têm uma tendência a apreciar sempre as tubulações e os sons tradicionais celtas. Nós temos muitos fãs que não gostam de punk, mas são grandes fãs de Flatfoot 56 por causa do toque celta. Juntamente com estes também temos os fãs die-hard punk que compõem a maior parte da nossa base de apoio. No fundo, tocamos música divertida para pessoas divertidas, sejam eles quem forem.

Sendo esta a vossa estreia na People Like You, estão satisfeitos com a mudança?
Estamos muito animados para trabalhar com a PLY e acreditamos não existir melhor nome para trabalhar com a Europa. Até agora eles têm sido excelentes em todos os aspectos e estamos animados com a edição de Black Thorn em Fevereiro. Temos vindo a observar o trabalho que a PLY tem tido ao longo dos anos e tudo o que vemos é bom.

Vocês fazem parte do 2011 Clash Course Destruction Tour. Como está a decorrer?
Tem sido incrível! Authority Zero e Lionize são duas bandas maravilhosas e com grande talento. As multidões têm sido muito receptivas e turbulentas. Tem sido muito divertido.

Finalmente, queres deixar algumas palavras para os fãs de Portugueses?
Mantenham sempre o seu apoio à música e bandas locais. Nós esperamos vê-los muito em breve. Deus vos abençoe.

Entrevista - Appearance Of Nothing

O ano de 2011 começa a prometer. E logo com origem num local pouco habitual: a Suíça. Os Appearance Of Nothing assinam um dos melhores trabalhos deste inicio de novo ano com o seu metal progressivo que alarga as fronteiras até muitos outros sub-géneros. Omar Cuna, baixista do colectivo helvético, falou-nos sobre a banda e sobre as expectativas para este lançamento.

Para começar podem dizer-nos algo sobre os Appearance Of Nothing?
Os Appearance Of Nothing existem desde 2004 com Pat Gerber, guitarra e vocal, Yves, bateria e eu. Depois do Marc ter entrado para a nossa família – foi encontrado por anúncio - não demorou muito até gravarmos a nossa primeira demo Behind Closet Doors. Depois de muito feedback positivo e construtivo, ficou claro para nós que devíamos gravar o nosso primeiro álbum de estúdio. Durante a composição, Peter, o nosso guitarra-solo, juntou-se à banda como quinto elemento. E foi assim que o projeto AON começou definitivamente e o álbum Wasted Time nasceu. Agora estamos aqui com o nosso segundo álbum, All Gods Are Gone.

Existe algum significado subjacente a All Gods Are Gone?
Nós não vamos dizer qual é o significado do título – cada um deve fazer seu próprio julgamento. Portanto podem ir, comprar o CD e ouvi-lo até à exaustão.

Notam-se algumas influências de Threshold na vossa música, que vocês acabam por enquadrar com outros géneros São uma banda muito eclética, certo?
O Marc não coloca limites na composição e tem-se inspirado em muitas grandes bandas. Eu acho que percebeste isso muito claramente. Se comparares All Gods Are Gone como nosso primeiro álbum, é muito mais personalizado, mais próprio. Colocamos o nosso próprio selo nele.

A capa do álbum é excelente. Quem é o responsável pelo trabalho gráfico?
A ideia foi desenvolvida em conjunto, especialmente pelo Yves que tinha muito claras as ideias e as expectativas. Mas no final, a capa foi criada pelo genial Oliver Steiner em Apollographics.

Neste álbum, vocês contam com dois grandes convidados. Qual foi a sua contribuição para as canções?
Depois de Wasted Time queríamos soar muito mais pesados, o que praticamente conseguimos durante o processo de escrita. Posteriormente, tivemos a ideia de que Dan Swanö com seu hellvoice combinaria perfeitamente com o nosso projeto. Entramos em contato com ele e enviamos-lhe o esboço das faixas, informando-o sobre as nossas ideias, onde ele poderia colocar a sua voz. O resultado é o que se pode ouvir agora. Quando terminámos o arranjo de Sweet Enemy, percebemos logo que a música tinha sido feita para Davon Graves. O feeling foi perfeito desde o início, e não demorou muito para juntos encontrarmos o encaixe perfeito. Estamos muito felizes e orgulhoso que tudo tenha resultado tão bem, e estamos muito satisfeitos e agradecidos por ter esses dois senhores a participar no nosso CD.

Pelo que percebi, esse peso extra neste novo álbum, foi uma opção vossa?
Sim, como mencionei antes, nós queríamos ser mais duros e mais pesados neste nosso novo álbum All Gods Are Gone. Sabíamos isso logo desde a edição de Wasted Time. Durante a gravação do primeiro álbum nos Bazement Studio com Markus Teske, que foi uma grande experiência, aprendemos muito. Portanto, agora trabalhámos com ideias muito mais claras e precisas sobre a composição completa das novas músicas, as letras de Pat, as duas vozes, bem como todos os arranjos. Por isso é que nós gastámos mais tempo com este álbum.

Há projetos para levar All Gods Are Gone para palco?
Até agora, nada está planeado. No último ano trabalhámos muito intensamente neste álbum, e agora procuramos executá-lo. Mas certamente que este ano iremos ter oportunidade de pisar muitos palcos. Não só os nossos fãs e amigos ficarão felizes, como nós próprios estamos ansiosos para que esses momentos cheguem.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Entrevista - Vinder


Para os amantes do bom e puro heavy metal, como manda a tradição do NWOBHM, os Vinder são uma excelente opção a ter em conta como o prova Vertigo, segundo trabalho da banda germânica composta por elementos com uma larga experiência na área e com passagens por nomes como The Armada, Tyran’ Pace ou Sinner. Dirk Shaffer, vocalista, apresenta-nos o grupo, os álbuns (o anterio, o actual e o que já vem a caminho) e a história de Vincent O’Leary. Para conferir.

Vocês já todos pertenciam a algumas bandas no vosso país. Porque sentiram a necessidade de criar uma nova banda?
Mesmo no nosso tipo de música, há sempre uma evolução, que contém a necessidade, para fazer algo diferente de vez em quando. E isso nem sempre funciona com os membros das bandas onde tocavas. Portanto, às vezes temos que formar uma nova banda, fazer o que queremos fazer. Foi isso que fizemos com os Vinder.

Mas, antes, existiram os Buster. Estes foram os precursores de Vinder?
Não, antes dos Vinder cada membro pertencia a outras bandas. No meu caso era nos The Armada. Encontramo-nos, verificámos que as coisas encaixavam bem e avançámos. Mas não tivemos muito tempo para planear os Vinder.

Em que é diferente Vertigo de Visions Of Time?
Visions Of Time foi um pouco mais sujo, com riffs mais agressivos e, também, um pouco mais rápido. É a tal evolução musical que falava antes. Com Vertigo fomos capazes de fazer algo novo, sem trair a ideia que nos fez criar os Vinder.

Notam-se algumas influências NWOBHM nos vossos temas. Elas são espontâneas ou trabalham as músicas para terem esse sentimento?
Eu acho que se podem ouvir sempre algumas influências de bandas ou estilos. Um estilo totalmente diferente e novo, não é possível de ser criado. Como cada nota já foi tocada antes, nós usamos as mesmas numa nova arquitetura.

Vertigo é um álbum conceitual sobre a história de Vincent O'Leary. Podes contar um pouco dessa história?
Após alguns anos, Vincent recebe uma carta, na qual está escrito, que seu pai morreu na prisão e que ele se torna dono da casa onde nasceu. Ele não se lembra bem da sua juventude e por isso decide regressar no tempo e conhecer o seu passado, sem saber, no entanto, que este percurso lhe vai abrir as portas para alguns segredos muito obscuros.

Ainda este álbum Vertigo não foi lançado e já se pode ler no vosso myspace que um novo álbum está a caminho, Vitruvian Man. O que nos podes adiantar, desde já, sobre este novo trabalho?
Pouco, a não ser que será um álbum muito poderoso. Mas vocês irão ouvir, quando for lançado.

E já está alguma coisa preparada para levarem Vertigo para a estrada?
Isso depende da reação do público. Claro que vamos tocar ao vivo, mas onde e quando, deixo para vocês descobrirem no nosso myspace quando for a altura certa.