Entrevista: Departure


O quarto álbum para os norte americanos Departure, primeiro com o vocalista sueco Andi Kravljaca, Hitch A Ride mostra um Mike Walsh em plena forma no processo de composição e a comunidade rockeira melódica agradece mais uma obra-prima. O mentor do projeto, guitarrista e teclista,  Mike Walsh acedeu a contar a Via Nocturna o processo de crescimento deste novo trabalho.

Olá Mike, o que nos podes dizer a respeito de Hitch A Ride?
De certa forma, este é um disco muito pessoal para mim. Tive que superar muitas adversidades pessoais nos últimos anos sempre na expectativa deste álbum ser lançado. Também tive a oportunidade de trabalhar com o meu filho Ryan, o que se transformou num sentimento muito especial para mim.

Quais os principais objetivos que pretendes atingir com Hitch A Ride?
Existem três principais objetivos que queria alcançar com este disco. Em primeiro lugar, concentrar-me nas minhas capacidades de compositor. A maioria das canções deste disco foi escrita por mim. As colaborações foram muito menores do que em qualquer disco anterior. Em segundo lugar, esforçar-me para trazer as performances da mais alta qualidade de todos os músicos no álbum - Dewey Ribustello na bateria, Ryan Walsh no baixo e Johnny O'Connell nas teclas, Bill Miller na percussão e Roy Williams nos trompetes. Eu fui muito direto na produção para tirar o melhor de todos que vieram até ao meu estúdio. Por último, mas não menos importante era aumentar a minha capacidade musical e superar-me em relação ao que tinha feito no passado.

Considerando que Hitch A Ride é um excelente trabalho, as tuas e vossas expetativas são altas…
Quando se grava um novo disco, as expetativas tem que ser sempre definidas em alta. Existe algo neste disco que define quando eu penso sobre a qualidade e musicalidade. Esse algo ou alguém é Andi Kravljaca. Deliberadamente deixei-o de fora da questão anterior porque ele merece ficar sozinho, tais são as suas capacidades musicais. Tudo o que posso dizer é que tenho feito isto toda a minha vida e nunca vi um vocalista com talento, conhecimento e disposição como Andi. A qualidade de um disco pode ser definida por duas coisas: escrita da canção e musicalidade.

Quais são as principais diferenças entre Hitch A Ride e os teus trabalhos anteriores?
Antes de mais, há mudanças de formação. Andi Kravljaca assumiu a posição de vocalista e o meu filho Ryan o baixo. O processo de escrita amadureceu um pouco e a musicalidade foi incrementada. Por outro lado, a filosofia dos Departure continua a ser a mesma. Trabalhar duro para se conseguir o máximo!

Dado que os teus álbuns anteriores foram muito bem recebidos, sentiste algum tipo de pressão no sentido de superares os trabalhos anteriores?
Há sempre pressão quando se produz um novo disco. Acho que é uma pressão saudável. Estas canções nesse disco são histórias pessoais sobre minha vida, experiências fortes e esperança. A minha capacidade de escrita evoluiu um pouco nos últimos dois anos. É o resultado da combinação de adversidades pessoais e trabalho com muitos cantores e compositores ao longo dos últimos anos. Eu gosto da pressão de ideias novas e de criar novas músicas. Gosto de entrar em competição comigo mesmo.

Pelo que depreendo, este é um disco muito pessoal mesmo em termos líricos…
Como disse, eu compus a maioria deste disco baseado em mim: na minha experiência pessoal, a adversidade pessoal, triunfos pessoais. Eu fui capaz de transmitir estas experiências, forças e esperanças para o que acredito sejam algumas das melhores músicas dos Departure. Há alguns colaboradores no campo lírico que foram escolhidos com muito cuidado. Todas as músicas deste disco foram compostas com sinceridade. Como sempre, aliás…

Como foi a seleção dos músicos para este trabalho?
Como mencionei anteriormente, a formação mudou um pouco. Em primeiro lugar, o vocalista sueco Andi Kravljaca tomou a posição de liderança vocal. O meu filho Ryan Walsh assumiu o baixo. O veterano membro dos Departure Dewey Ribustello voltou à bateria e outro veterano, o teclista Johnny O'Connell voltou à sua posição. Também tive alguns convidados especiais, também eles já veteranos: Bill Miller na percussão e Roy Williams nos trompetes. Na minha honesta e humilde opinião, o meu melhor line-up até à data!

Como decorreu o processo de gravação?
Desta vez foi uma incrível jornada tecnológica. Eu produzi todas as músicas aqui no meu estúdio em Nova Jersey, fiz as linhas vocais e enviai-as ao Andi, na Suécia. Ele gravou todas as faixas vocais, exceto algumas partes que foram feitas pela minha irmã Theresa e enviou-as de volta para mim. Voltei a enviá-las para a masterização e depois voltaram à Suécia para o Martin Kronlund fazer a mistura em Gotemburgo. Tem sido sempre assim: eu não misturo nem masterizo os meus próprios discos. Estamos tão perto deles que é quase impossível de ver (ouvir). Esta foi a primeira vez que fiz um disco sem ter conhecido o vocalista! Espero que da próxima vez seja diferente.

Quanto mais não seja ao vivo, certo? Vamos ter estes Departure ao vivo?
Muitos dos nossos fãs têm-nos feito essa pergunta. Quando iremos tocar ao vivo? Estamos a trabalhar nisso. Conhecemos muito bem as músicas e estamos em conversações com a nossa editora e com Khalil Turk para levar este espetáculo para a estrada. Esperem por notícias.

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