Entrevista: Mike Paradine Group

Com Death In The Family, Mike Paradine, baterista dos ArcticFlame, lança um conjunto de temas muito pessoais que abordam diversos problemas que afetaram alguns membros da sua família e dele próprio. Numa conversa tranquila, Mike Paradine revelou-nos algo deste seu primeiro trabalho em nome próprio e revisitou alguns desses momentos que marcaram, para sempre, a sua vida pessoal.

Antes de mais, obrigado por aceitares respondeu a Via Nocturna. Depois de vários álbuns com a tua banda, quando decidiste que estava na altura de avançares com um projeto em teu nome individual?
Na verdade, nunca pensei nisso. Pelo menos até ter terminado o álbum dos ArcticFlame, Guardian At The Gate. Eu construí um pequeno estúdio de gravação no meu quintal só para fazer demos e outras coisas. Como tinha algumas letras escritas, entrei em contato com alguns amigos músicos para ver se eles estariam interessados ​​em fazer um projeto juntos. Inicialmente trabalhei algumas ideias com o guitarrista dos Bloodfeast mas isso não durou muito tempo. Escrevemos cerca de 4 músicas, mas com a sua agenda tornou-se impossível continuar. Uma noite estava no facebook e vi algumas coisas que o produtor Dave Manheim (ele foi o responsável pelo álbum Declaration dos ArcticFlame) estava a fazer e falei-lhe na minha ideia. Mostrou-se totalmente interessado e chegámos a um acordo que ele iria fazer o meu álbum a solo e o próximo álbum dos ArcticFlame.

Mas os temas que apresentas agora foram escritos recentemente ou tens vindo a escrever ao longo dos anos?
Um pouco de ambos. Monster’s Ball foi iniciada há uns anos atrás, quando estava nos Balistik Kick e originalmente chamava-se Killers Party. Acabei por lhe adicionar algumas linhas e alterar a letra para caber na música. A maioria eram apenas ideias escritas em papel e que foram ficando guardadas. Acho que só Dust estava concluído há já alguns anos.

Este é realmente um álbum muito pessoal. Por que escolheste a tua própria vida como tópico principal? Não teria sido mais fácil escrever sobre qualquer outra coisa?
Claro que poderia ter feito isso e teria sido mais fácil, mas eu queria fazer um álbum real, verdadeiro e honesto. Adorava a maneira como o Phil Lynott fazia isso e eu modelei este álbum depois disso. Gosto de músicas e filmes que mostrem a condição humana, o que ela pode fazer e como a mente humana pensa.

De todas essas histórias que agora trazes a público, a que mais me impressiona é a tua batalha contra o cancro com apenas 13 anos de idade. Como viveste essa situação na altura e de que forma isso te afetou para o futuro?
No início assustou-me mim e todos em meu redor. A primeira coisa que vem à mente é a morte. Tive que por um ponto final em algumas coisas que eu gostava de fazer, como jogar basebol. Mas é uma situação que temos de aceitar e depois seguir em frente. Tenta-se viver a vida da melhor maneira. Quando estás no hospital, és o paciente, quando estás na escola, és aluno mas quando estiveres com os amigos, és apenas tu próprio, por isso deves fazer o que tem que ser feito. Honestamente, posso dizer que não me afetou muito para o futuro. Fiz tudo o que queria fazer, portanto não me posso queixar. Há pequenas coisas como não poder ensinar os meus filhos a andar de moto, mas eu ensinei-lhes outras coisas. E no final tudo funcionou.

Temos, também, referências ao 11 de Setembro. Como americano, como viveste essa situação? Estavas lá quando tudo aconteceu?
Eu moro do outro lado da baía do World Trade Center, mas na altura eu estava a trabalhar em Brooklyn e vi tudo acontecer. Demorei horas para chegar a casa uma vez que eles fecharam todas as pontes e túneis. Nos dias seguintes, foi o puro caos. O fumo durou semanas. E durante semanas fomos bombardeados com fotos e imagens da destruição. Eu costumava passar pelo World Trade Center para apanhar o combóio para o Brooklyn. Quando os comboios se atrasavam, eu ia até ao bar e esperava até que a multidão fosse embora. Conheci muita gente boa lá. Gostaria de ver e falar de novo com essas pessoas e muitas vezes pergunto-me se eles estarão bem.

E o que leitura fizeste e/ou fazes de toda a situação? Acreditas que o Bin Laden foi o responsável ou foi tudo uma conspiração do governo americano como afirma uma teoria que tem vindo a ser defendida?
Apenas acredito em evidência e não em teorias.

Ao mesmo tempo, musicalmente parece que prestas tributo aos monstros do passado. Foi um objetivo ou simplesmente aconteceu?
Era mesmo assim que eu queria que as músicas ficassem. Para regressar a todas as minhas influências e divertir-me apenas. Eu não queria fazer apenas um estilo. Isso faço com os ArcticFlame por isso queria fazer algo diferente.

E como foi a escolha dos músicos que te acompanham? Foi fácil?
Eu queria muito mais pessoas no álbum, mas foi impossível. Por mim, teria convidado toda a gente que conheço mas isso teria sido uma verdadeira dor de cabeça em termos de coordenação. Com excepção de Richard Holmgren, todos vivem aqui perto, por isso foi mais fácil e mais prático. Eu tenho o seu álbum a solo do Richard Holmgren, Blackworld, e adoro a voz dele. Tem uma qualidade Dio-ish. Ele fez um ótimo trabalho com as duas músicas que fez.

Quando escolheste os músicos as músicas já estavam completamente prontas ou os teus convidados tiveram oportunidade de participar na composição?
Todas as músicas já estavam escritas por mim e pelo produtor Dave Manheimer. Enviámos as demos e eles tocaram e cantaram as suas partes.

Considerando tens vários músicos de outras bandas, como decorreu o processo de gravação?
Enquadrámos as agendas de todos e, felizmente, tudo bateu certo na mesma altura que tínhamos o estúdio. A parte do Richards, foi feita na sua casa na Suécia e depois enviou-ma pela internet.

E será que haverá hipóteses para uma tournée?
No início não pensava fazer nenhum espetáculo ao vivo. Sempre disse que era para ser um projeto de estúdio, mas as pessoas gostaram do álbum e perguntavam-me quando iriamos tocar. Ainda esta semana juntei banda e iremos ensaiar cerca de 2 semanas. Iremos fazer alguns espectáculos locais e ver como isso funciona, mas parece muito promissor. Uma boa dose de rock’n’roll à antiga com todas as minhas influências. Se alguém quiser contratar a banda, apenas têm que me contactar e nós vamos tentar realizar o pedido.

Para terminar, como está a tua banda principal, ArticFlame?
O novo álbum Shake The Earth tem lançamento agendado para Junho e iremos tocar The Metalgods Festival em Mansfield, Inglaterra a 26 de maio. Espero um dia poder tocar para vocês.... Obrigado pelo teu tempo e pelas questões. Eu gostei!

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