Review: Ecila (Ashes)

Ecila (Ashes)
(2012, Edição de Autor)

A produção nacional tem provado que, cada vez mais, nada fica a dever ao que se faz lá fora. E curiosamente, alguns dos trabalhos com mais qualidade surgem de coletivos ainda longe das luzes da ribalta. Os exemplos têm-se sucedido, sendo que o mais recente é mesmo o novo trabalho dos Ashes, Ecila, surgido 5 anos após a estreia em formato EP. Tendo por base a história de Alice no País das Maravilhas, os Ashes partem para uma encenação musical digna de registo, apresentando uma sonoridade refrescante, onde os momentos calmos, melancólicos e atmosféricos são bruscamente sacudidos por violentas tempestades sónicas. Trata-se da fusão de diferentes influências que juntas num mesmo tema ajudam a criar complexas estruturas e elevar o nível de imprevisibilidade. A componente teatral é muito forte, desde o trabalho excêntrico do violino (elemento fundamental na definição da estrutura musical em Ecila) até ao desempenho diversificado em termos vocais, sempre em registo digno de saliência, seja em que situação for. Os seis temas de Ecila ficam, então, enquadrados por um conceito, partindo para a exploração de uma versatilidade musical assinalável com a inclusão de pormenores deliciosos e de momentos ora belos ora arrepiantes. O resultado é um trabalho digno de realce, com uma personalidade muito vincada e longe dos estereótipos vigentes. Por isso, altamente aconselhável.

Tracklist:
1.      Ecila
2.      Hail Of Mirrors
3.      The Kind Of Strange
4.      Rewind
5.      Queen Of Thy Black Hearts
6.      Redemption

Line-up:
David Pais – vocais
Pedro Caldeira – guitarra
Eduardo Serraventoso – guitarra
João Cardoso – baixo
Marco Rosa – violino
Ricardo Neto – bateria

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