segunda-feira, 7 de maio de 2012

Entrevista: Katana

O heavy metal clássico pode ficar descansado porque os sucessores dos monstros sagrados do passado são dignos dos maiores elogios. E um dos mais importantes nomes deste movimento vem da Suécia e chama-se Katana. Depois de Heads Will Roll, Storms Of War confirma-nos como é possível fazer excelente heavy metal clássico nos tempos modernos.

Olá e obrigado por aceitares responder a Via Nocturna. Este é o vosso segundo registo em dois anos. O processo criativo e da escrita têm sido muito intensos?
Obrigado por nos quereres conhecer um pouco melhor! Sim, definitivamente tem sido intenso, mas gostamos disso assim. A banda já existe há muitos anos e antes de gravarmos a nossa estreia havia muitas canções para escolher. O álbum Heads Will Roll foi gravado em 2009, mas devido a diversas circunstâncias só foi editado dois anos mais tarde. Claro que, quando finalmente o apresentámos, ficámos todos muito ansiosos para começar imediatamente a trabalhar em novo material, uma vez que já não fazíamos isso há algum tempo! Portanto, havia muitas ideias já cozinhadas nas nossas cabeças o que levou a que houvesse produção de novas músicas bastante rápido. Por isso, sim, foi intenso, mas foi muito divertido e acabou melhor do que eu esperava!

E afinal o que podem os fãs esperar de Storms Of War? Alguma alteração ou qualquer tipo de inovação, em comparação com a vossa estreia?
Eu não posso dizer que haja grandes alterações. A maior diferença que eu encontro é o facto de Heads Will Roll ter sido o culminar de cerca de 6 anos de composição, uma espécie de best of Katana se preferirem. Storms Of War é mais um "este é o lugar onde estamos agora". Acho que é mais afinado e um pouco mais focado e fino do que o álbum anterior. Mas a base, claro, é heavy metal clássico da maneira como deve soar! Portanto, quem gostou do primeiro álbum devem sentir-se em casa também com este.

Heads Will Roll teve grandes reviews. Tiveram isso em mente quando se sentaram e começaram a escrever novamente?
Bem sim e não, acho eu. Claro que estávamos cientes do facto de que as pessoas gostaram realmente do álbum, o que nos fez sentir muito bem! Sabes que em algumas alturas nós conversámos sobre expectativas e coisas assim e como o novo álbum deveria soar. Mas acabámos por decidir que não deveríamos deixar que as opiniões, positivas ou negativas, influenciassem o que estávamos a fazer. Escrevemos músicas da maneira que sempre escrevemos, conservámos os bons temas e deitamos fora os que não eram assim tão bons, de acordo com o nosso próprio gosto. Não deixamos que os comentários nos incomodassem.

Os Katana parecem vir diretamente dos anos oitenta! Que importância tem esse período, musical, lírica e mesmo visualmente para vocês?
Exceto pelo facto mais óbvio de todos nós pensarmos que a melhor música de todos os tempos ter sido feita na década de 80, há um conjunto de outras coisas que fazem com que a década de 80 seja verdadeiramente inspiradora. O sentido de imagem, por exemplo. Eu acho que é muito importante e não apenas para os Katana, mas para qualquer banda. Acho que essa foi uma das coisas principais que fizeram dos anos 80 como uma década interessante, porque as pessoas tinham um sentido para a imagem que, em grande parte, está perdido hoje. As pessoas sobem ao palco e tocam com as suas roupas normais. Eu falo a sério, não há magia nisso. Os espetáculos ao vivo devem ser algo mágico, profundo até. Os espetáculos que vês como membro de uma plateia são aqueles onde a banda oferece algo mais do que apenas a sua música. Algo que eleva a música a um nível inteiramente novo. E como eu disse, naquela década, havia algo de especial na música, especialmente na primeira metade da mesma. O Heavy Metal era novo, fresco e interessante. A cena realmente floresceu com muitas e muitas bandas fantásticas! Hoje, ainda há uma base de fãs muito grande para esse tipo de música e, obviamente contamo-nos a nós mesmos para essa base de fãs. Mas em breve, chegará a altura em que nenhuma das bandas daquela época existirá mais! Alguns outros gêneros conseguiram manter-se vivos, renovando-se de uma forma que não significa necessariamente evolução para outra coisa. Mas o heavy metal clássico é um género que, pelo menos há um par de anos atrás, esteve flagrantemente ausente da nova geração. Em primeiro lugar, para nós, pelo menos, era tudo sobre a música. Em seguida, a imagem era uma espécie de continuação natural da música. E para nós foi motivador! Quando as pessoas nos viram em palco pela primeira vez a usar calças de lycra e ténis e outras coisas, eles enlouqueceram! Especialmente a malta mais velha da plateia que, literalmente, já não via nada assim há 25 anos! Aí sentimos que havia um lugar para nós na cena musical de hoje e temos tentado desenvolver esse estilo de uma maneira que se encaixa em nós.

2011 deve ter sido um ano louco para vocês. Primeiro álbum e, logo em seguida, o início das sessões de gravação para o segundo álbum. Tiveram tempo para parar e pensar no que aconteceu convosco nos últimos meses?
Não, não tenho certeza de termos esse tempo (risos)! Os últimos 18 meses têm sido uma loucura e nós estamos apenas a começar a perceber que somos realmente uma banda na vanguarda do que é uma coisa fantástica que está a acontecer à volta do mundo. O grande regresso do heavy metal dos anos 80! Em 2009, quando gravamos Heads Will Roll, este "movimento" não existia. Nem sabíamos que iríamos fazer parte de algo como isto, que é muito maior do que nós mesmos. Mas estamos a adorar cada segundo e vamos continuar a trabalhar arduamente para a sobrevivência do heavy metal clássico para as gerações mais jovens.

Voltaram a gravar no mesmo estúdio e mais uma vez com Andy LaRoque. Como decorreram as coisas desta vez?
Trabalhar com Andy é fantástico. Ele não é apenas um produtor que sabe o que está a fazer, ele é um músico que estava ativo no período que nós tentamos recriar. E então, às vezes encontramos situações onde ele faz abordagem não como produtor, mas a regressar aos anos 80 e fazer as coisas como os músicos faziam na altura. E estes inputs são valiosos para nós. Quanto às gravações, correram bem. Estivemos em estúdio por cerca de um mês e meio e foi muito intenso. Felizmente houve muita diversão como sempre e tentamos algumas coisas novas com o Andy.

Podes explicar-nos de onde vem a vossa tendência asiática? Como tem sido a reação dos fãs japoneses, por exemplo?
Quanto à primeira parte da questão, acho que é a história do Japão e da sua mitologia que nos interessa! O Japão esteve tanto tempo isolado do resto do mundo que acabou por desenvolver uma sociedade muito diferente do mundo ocidental. É absolutamente fascinante. Há muitas histórias inspiradoras e que se encaixam muito bem no metal. Ainda temos muitas ideias para conceitos líricos sobre o Japão para o futuro, portanto ainda há mais para vir, com certeza! Sobre os fãs, é difícil dizer. Tentamos manter-nos atualizados sobre o que é dito sobre nós na internet e sei que vários blogs de música japoneses escreveram sobre nós, mas é realmente difícil quando só trabalho com coisas como o Google Translate. Mas, do que eu li é positivo, acho eu. Esperamos poder tocar lá um dia!

Já têm alguma coisa planeada para promover Storms Of War na estrada?
Sim, vamos fazer uma tournée em conjunto com outra banda sueca, os Hardcore Superstar, em maio. Estamos realmente ansiosos para isso e para começar a tocar no sul da Europa. Vai ser ótimo! Depois disso não posso adiantar muito ainda, mas estamos a planear algumas coisas para o próximo outono, por isso penso que estaremos de volta à estrada até lá!

Para terminar, há mais qualquer coisa que queiras acrescentar?
Maia uma vez muito obrigado por nos quererem conhecer melhor. Esperamos ver-vos na estrada um destes dias! Enquanto isso, espero que apreciem o nosso novo álbum e espero que continuem a apoiar as jovens bandas de metal. Elas são o futuro!

Sem comentários: