Entrevista: Oddland

Caraterizados por uma carreira numa verdadeira espiral evolutiva que os levou até ao patamar onde se encontram, o metal progressivo, os Oddland são uma das boas surpresas deste ano. O seu novo trabalho, The Treachery Of Senses é um verdadeiro desfilar de progressivo emocional. Via Nocturna foi falar com Sakari Ojanen (vocalista e guitarrista) e com Joni Palmroth (baixista) sobre este trabalho e toda a evolução da banda. E ficou surpreendida com o conhecimento da língua de Camões dos músicos filandeses…

Olá! Afinal quem são os Oddland? Podes apresentar a banda aos nossos leitores?
Se os Oddland tivessem que ser colocados numa "caixa", metal progressivo seria provavelmente a definição mais precisa de nossa música. Sentimos, no entanto, que há diversas influências presentes na nossa música, que não se encaixam no arquétipo do género. Somos da Finlândia e já cá andamos desde 2003.

Ao longo da vossa carreira tem vindo a mudar a vossa orientação musical desde o grunge até ao prog metal. Foi uma evolução constante? Como definirias essa vossa própria evolução?
Bem, acho que nossa música evoluiu à medida que as nossas capacidades técnicas melhoraram e nosso gosto musical se expandiu. Na verdade, nunca foi uma decisão consciente fazer metal progressivo, mas de alguma forma para nós o metal progressivo tem sido uma direção natural para a nossa música. Também tem sido um trajecto longo e cansativo, mas ao mesmo tempo gratificante e muito emocionante para nós. E tenho certeza que o próximo álbum será um passo em frente.

Então, que bandas mais vos influenciaram?
É difícil nomear quaisquer bandas específicas, porque todos nós temos diferentes fontes de inspiração, mas há definitivamente muitas grandes bandas que todos nós consideramos terem alguma influência na música dos Oddland. Para citar alguns: Gojira, Karnivool, King Crimson, Porcupine Tree, Primus, Massive Attack, Testament etc É realmente difícil citar apenas os mais importantes, porque a lista abrange bandas bastante diversas desde o jazz ao death metal.

Os Oddland ganharam o concurso Suomi Metal Star. Como viveram essa experiência?
Bem, ficámos realmente surpreendidos com a vitória, embora depois de termos tocado na final o nosso conjunto de três músicas para os juízes, sentíssemos que poderíamos ter hipóteses de ganhar devido aos comentários positivos do júri. Durante o ano passado entre ganhar o Suomi Metal Star e lançar o álbum de estreia The Treachery Of Senses, apreciamos, ainda mais, esta oportunidade e estamos extremamente felizes por termos assinado pela Century Media e sermos capazes de trabalhar com eles.

De que forma vocês descreveria este novo trabalho, The Treachery Of Senses?
É um resultado de quase três anos de trabalho. Nós não assumimos nenhum compromisso e estamos muito orgulhosos. O álbum é uma viagem que nos leva através de cenários suaves, melancólicos, agressivos e obscuros. Aquilo a que chamamos de Oddland. As músicas têm muita dinâmica e cada uma delas contém a sua própria identidade, embora sintamos que o álbum é também um todo.

E como representa a evolução que falávamos anteriormente?
Ele representa o lugar onde nós crescemos musicalmente como indivíduos mas, acima de tudo, a forma como temos evoluído para uma banda que funciona como um todo e que faz canções em conjunto. A "progressividade" que está presente na nossa música é por causa da evolução natural: as ideias mais fortes e mais emocionantes prevaleceram e, para nós, eram essas que tinham o feeling certo. Isso é o que podes chamar de “progressão” se quiseres.

Dan Swanö disse que The Treachery Of Senses foi um dos melhores álbuns que teve oportunidade de misturar. Como reagiram a essas palavras?
Para nós foi um privilégio enorme tê-lo a fazer a mistura do álbum, por isso é uma grande honra para nós ouvir essas palavras de alguém com o seu estatuto. Devo acrescentar que trabalhar com ele foi fácil e que ele realmente nos ajudou a alcançar o som global que procurávamos.

O que nos podem dizer sobre as reações dos fãs e da imprensa? Estavam à espera de tanto sucesso?
Naturalmente, sentimos que não poderíamos ter feito um trabalho melhor com o álbum, mas não tínhamos quaisquer expectativas quanto às reações dos fãs e imprensa. Ficamos agradavelmente surpreendidos que as opiniões e comentários sejam tão bons. Certamente não esperávamos tanta publicidade.

Vocês contam com alguns convidados neste álbum?
Há três convidados do álbum. Mikko Viitanen da nossa cidade natal, Turku, foi gentil o suficiente para vir e tocar algumas músicas no seu saxofone. Os outros dois podem ser ouvidos no tema Sewers: Kati Vanhanen emprestou a sua bela e frágil voz e Akta Buli, a criatura mítica do mundo desconhecido, veio e deu um rugido que nos fez borrar as calças em estúdio.

Finalmente, o que está a ser planeado para levar este álbum para a estrada?
O nosso próximo espetáculo será no final de Junho, no Tuska Open Air, que é o maior festival de metal na Finlândia. Estamos ansiosos por isso. Depois iremos em tournée no final deste ano provavelmente no outono. Não está confirmado ainda se esta tournée será apenas na Finlândia ou teremos alguma mudança que nos leve para outros lados com Portugal, por exemplo.Bom dia a todos os Metalheads portugueses!

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