Entrevista: Winter's Verge

Na sequência do sucesso de Tales Of Tragedy, os cipriotas Winter’s Verge orgulham-se de no seu terceiro álbum, Beyond Vengeance, terem conseguido superar-se a si mesmo. Mais forte e com mais groove, mas mantendo sempre a linha melódica que os caracteriza, Beyond Vengeace resulta num trabalho fresco e poderoso. Através do vocalista George Charalambous, Via Nocturna, foi conhecer um pouco mais deste grupo.

Obrigado por aceitares responder a Via Nocturna. Beyond Vengeace marca o vosso regresso com o terceiro trabalho. Comparando com os vossos trabalhos anteriores observamos que este representa um passo em frente em todos os aspectos. Concordas?
Definitivamente, Beyond Vengeance é um passo em frente para nós. Primeiro de tudo, porque expandimos o nosso estilo musical e colocámos novas sonoridades neste álbum. Estamos felizes com isso porque sabemos agora que o próximo álbum vai continuar a partir do ponto onde paramos com este, o que torna as coisas mais interessantes para nós e para os fãs da banda.

Como referiste, e eu concordo, desta feita expandiram as vossas influências e criaram um álbum mais variado. É também neste particular que se nota esse passo em frente…
O que acontece nos Winter’s Verge é que todos nós viemos de diferentes origens musicais e ouvimos diferentes estilos de música. Desta vez não introduzimos intencionalmente outros estilos. Apenas não filtrámos essas ideias quando elas surgiram. Nos álbuns anteriores, talvez tivéssemos demasiadas preocupações sobre o estilo, mas agora não.

Quais eram, se é que havia, as vossas principais intenções/objetivos quando começaram a escrever este novo trabalho?
Na verdade, não havia nenhum. O "objectivo", se assim o queres chamar, era a nossa decisão de realmente fazer um álbum melhor. Além disso, nós apenas deixamos fluir as ideias, mantivemos as que achávamos que eram as boas e descartamos as não tão boas.

Mais uma vez, este é um trabalho gravado na Alemanha. Sentem-se confortáveis lá…
Na verdade sim. Estamos muito confortáveis lá e nossa equipa é muito boa. O nosso engenheiro de som Christian Schmid e o nosso produtor RD Liapakis RD são excelentes no que fazem e realmente fazem-nos sentir em casa. O estúdio é em Kempten que é uma pequena e tranquila cidade na Baviera e para nós é o ambiente perfeito para fazer um álbum, especialmente quando tudo tem que ser feito em 13 dias.

Voltando ao passado, em 2010 chegaram à Massacre Records. Que importância teve essa opção no vosso futuro?
Quando se vai para uma editora maior e mais ativa geralmente têm-se resultados positivos. Foi ótimo para nós porque estivemos expostos a mais pessoas e algumas delas tornaram-se fãs nos dois anos que se seguiram.

Inicialmente havia aquela curiosidade de serem uma banda oriunda de Chipre. Agora, sentem que essa curiosidade desapareceu e deu origem ao reconhecimento pela música que praticam?
Eu acho que esse efeito curiosidade com o tempo tem vindo a ser ultrapassado, embora ocasionalmente ainda ocorra. Nada realmente mudou muito por causa do estilo musical.

Por falar nisso, uma vez que o vosso país nem é uma referência no que diz respeito ao metal internacional, isso teve ou tem alguma influência no vosso crescimento e na vossa aceitação?
Atualmente não importa de onde és, porque a internet torna todo mundo mais perto. Se estivéssemos nos anos 80, aí sim, certamente teríamos mais dificuldades em sair daqui. Mas agora podes estar em qualquer lugar e viajar apenas quando há espetáculos ou gravações, porque tudo o resto pode ser feito onde estiveres. Dois elementos dos Winter’s Verge vivem em Inglaterra e os outros três em Chipre e existimos sem grandes problemas. Isto serve para mostrar que a tecnologia hoje pode fazer qualquer coisa acontecer, em qualquer lugar!

Mas sendo vocês um nome e um projeto com visibilidade tem possibilitado a abertura das portas a outras bandas do vosso país ou nem por isso?
Sim, tem ajudado. As pessoas finalmente viram que o que fazemos pode ser feito e existem maneiras de o fazer. Muitas bandas costumavam sentar-se em casa e lamentavam-se de que não havia maneira de progredir estando num país pequeno. Agora, o pensamento mudou porque já viram que uma banda de Chipre conseguiu.

Mudando de assunto, podes descrever aos nossos leitores o que consiste o vosso rockumentary da tour com Stratovarius?
Bem, basicamente, nós pensamos que seria uma vergonha se não registássemos o mais que pudéssemos tudo o que estava a acontecer. Quisemos documentá-lo para os nossos arquivos pessoais, mas quando vimos as imagens pensámos que seria fantástico compartilhá-las. Não foi feito com câmaras profissionais, é claro, foi apenas nós próprios segurando uma câmara à mão. A coisa interessante sobre este Rockumentary é que realmente podes ter uma pequena ideia de como é fazer uma tournée. É bom para as bandas mais jovens que ainda não tiveram a oportunidade de chegar lá para verem como funciona.

Como essas experiências vos influenciaram, ou não, no processo de escrita deste novo álbum?
Qualquer experiência na vida inspira um compositor. A tournée permitiu-nos observar quais os temas que mais puxavam pela audiência. E isso permitiu-nos adicionar neste álbum os elementos que as pessoas mais gostam. E é claro que todas as experiências podem ser transformadas em influência.

A terminar, alguma coisa mais que queiras acrescentar?
Estamos muito animados com a ideia de ir em tournée para promover Beyond Vengeance. Isso provavelmente vai acontecer por volta de outubro. Vamos anunciar em breve com quem vamos estar em tournée e onde. Vimos que a nossa base de fãs tem crescido bastante nos últimos dois anos e esperamos conhecer novas pessoas na estrada. Até lá, rock on!

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