sexta-feira, 29 de junho de 2012

Entrevista: Joe x Ppl


Um grupo de amigos construtivos e empreendedores decidem avançar com um projeto no campo do rock/metal alternativo. Como resultado surge o enigmaticamente denominado Joe x ppl. O tempo de vida ainda é curto mas para já têm deixado muito boas indicações. O primeiro trabalho só deverá surgir lá para o final do ano, mas Via Nocturna quis conhecer melhor esta entidade que se começa a impor no cenário nacional. Quem nos atendeu foi e eloquente vocalista e guitarrista Nuno Garcez Rodrigues.

Olá, podes contar-nos um pouco da origem e da história até à data dos Joe X Ppl?
A nossa história tem tanto de original como um de caricato. Começamos por ser um grupo de amigos com um especial gosto pela música rock, com algumas influências comuns e com algumas diferenças de que consideramos saudáveis. Basicamente começamos como um grupo de amigos que trocou o comum tipo e espaço de convivência por uma sala de ensaios com alguns instrumentos a decorar o ambiente. Somos naturalmente pessoas construtivas e empreendedoras o que nos levou a assumir um projeto logo após os primeiros sinais positivos. Um pouco de precipitação e o desejo de acelerar o processo, levou-nos a convocar novos membros para a banda de forma rápida e pouco sustentada, membros esses que não conseguiram detetar e absorver o potencial e que não perceberam os objetivos que tínhamos delineado e projetado. Naturalmente abandonaram o projeto pouco tempo depois, sem terem uma ideia aproximada do que era possível atingir. Em meados de 2010 e certos de que o projeto se sustenta na combinação e no trabalho conjunto dos membros, junta-se a nós (Nuno, Victor e Sérgio) o Tozé, que acima das suas qualidades musicais se encaixava claramente na nossa filosofia construtiva. Estamos cientes de que a nossa banda é um bocado a sério e um bocado anti-stress. Procuramos em cada ensaio ou concerto escapar um pouco ao stress diário, de uma forma construtiva e com objetivos comuns, entre eles a composição de boa musica, a diversão e satisfação coletiva do resultado de um processo de criação em conjunto.

Que nomes vocês apontam como sendo as vossas maiores influências?
Falar sobre as nossas influências não é muito fácil. Podem facilmente identificar-se influências que são comuns aos membros da banda mas também se encontram influências a título pessoal. De Radiohead a Tool, de Pearl Jam a Nirvana, do Rock ao Metal, dos mais clássicos aos mais modernos, acho que o único ponto comum que conseguimos encontrar nos JOE x ppl é que pessoalmente, todos temos bom ouvido e transportamos para a sala de ensaios as influências que achamos serem os melhores exemplos de boa música. Se for obrigatório darmos um destaque, apontamos sem dúvida para a sonoridade rock da segunda metade dos anos 70 (principalmente pelo tipo de som e tecnologias aplicados nas guitarras) e para algumas vertentes punk e grunge, sons que preencheram a nossa adolescência.

Qual é o background musical dos elementos que constituem os Joe X Ppl? Já todos tinham alguma experiência no meio musical ou não?
A experiência dos elementos da banda é de todo rica e um pouco diversificada. Fui membro de bandas de rock alternativo no passado e desde os meus 15 anos que partilho a minha música em salas de ensaio e concertos. O Tozé possui alguma experiência, tendo sido membro de uma banda no país vizinho. O Victor e o Sérgio possuem experiência musical diversificada e antes dos JOE x ppl pisaram os mais variados tipos de palcos e espaços. Apesar da experiência musical e de execução, creio que a maior diferença dos JOE x ppl está na área tecnológica. Pessoalmente sempre me interessei por som, produção, gravação e masterização. O Victor, o Tozé e o seu Sérgio são profissionais da área de eletrónica, sistemas de informação e sistemas avançados o que nos permite ter um background tecnológico de elevado nível. Uma parte da paixão dos membros pelo projeto está neste mesmo ponto, na aplicação prática de conceitos tecnológicos e na procura das melhores soluções para as músicas, tanto no processo de execução como de gravação, chegando mesmo a influenciar de forma indireta a composição. Talvez seja este o resultado de formar uma banda com quatro engenheiros (com graus de Mestre), habituados ao planeamento, ao rigor e à constante procura de novos meios com maior qualidade e eficácia.

Qual o significado do vosso nome?
Essa é a questão que mais nos colocam quando somos abordados. Após os concertos ou nos contactos que recebemos, a pergunta é recorrente. No decorrer da composição dos temas fomos sentindo influências do mundo exterior e incluímos um pouco do sentimento geral de insatisfação da nossa geração na nossa sociedade atual e do passado recente. A grande verdade é que vivemos num mundo onde é cada vez mais difícil ter um emprego, sustentar uma família, ser feliz e mesmo assim, para se manter o pouco que se conquista é preciso lutar bastante contra as mais injustas forças (aumento dos custos de vida, impostos e contrapartidas desajustados, pobres expetativas futuras, redução de qualidade de vida, decisores políticos tendenciosos, redução de direitos). O mundo atual está a espalhar na nossa geração um sentimento de insatisfação e injustiça generalizados. De uma forma geral sentimos que o dia-a-dia de cada um se resume a uma batalha desigual e injusta contra a generalidade de uma sociedade corrompida, que tanto afeta nas reduções e condições dos bens mais essenciais, como reduz o conforto e aumenta o desespero de muitos levando-os a cometer os mais diversos erros pela tristeza e desilusão. Esta é a base do nome JOE x ppl onde de forma resumida revelamos o sentimento de combate diário de um individuo (JOE – John DOE) contra uma sociedade injusta.

De que forma descreveriam a sonoridade praticada pela banda?
Apesar de considerarmos importante, sinceramente nunca nos preocupamos em caracterizar a nossa sonoridade até que os temas que disponibilizamos até ao momento (live e nos nossos sítios internet) são fruto de inspiração em diversas épocas e estados. Alguns pontos de definição do nosso som são únicos e invioláveis como o som das guitarras em que recorremos a processos tecnológicos para conseguir combinar sons característicos da década de 70 e inícios de 80, do baixo, em que procuramos um som smooth e capaz de preencher as zonas de baixas frequências das canções, da bateria, onde procuramos alguma agressividade e expansão. Confesso que temos um gosto especial por momentos musicais explosivos, momentos esses em que procuramos chocar com transições rápidas de sons mais soft para riffs em drives na guitarra, ritmos e baixo mais agressivos. Esses são os momentos chave dos nossos temas onde tentamos demonstrar o grito de revolta que há dentro de nós.

Pelo que me pude aperceber, existe algum cuidado da vossa parte com os conteúdos líricos. É verdade? Que temas são prioritariamente abordados pelos Joe X Ppl nas suas letras?
Sim, sem dúvidas. De certa forma sinto-me orgulhoso por esta questão porque um dos nossos objetivos é transmitir uma mensagem comum que está escondida dentro de cada um de nós e da sociedade em geral. Seja uma situação de desabafo emocional pessoal como no tema FY to K (For You To Know) ou numa pura e direta critica político-social como no tema Less 1, procuramos sempre que os destinatários, para além de perceberam a mensagem, a integrem e que se identifiquem com ela de forma direta e total ou pelo menos relacionada com um ou outro momento das suas vidas. Normalmente procuramos que as letras transmitam momentos, desilusões e desabafos, principalmente os mais comuns da sociedade dos dias de hoje, com especial atenção para a geração de 1970/1980, condenada a suportar mais do que aquilo que merecia, fruto das más decisões politicas, da falta de princípios e da lacuna de valores que assola a sociedade dos dias de hoje e que foi fruto de uma evolução cultural errada nas últimas décadas.

Ideias para uma primeira gravação já existirão, seguramente. Para quando preveem que isso possa suceder?
Sim, estamos a preparar um EP que contamos disponibilizar no último trimestre deste ano. A já referida paixão e apetência tecnológica levou-nos a encarar a produção de um registo de elevada qualidade, com cuidados ao nível da gravação, produção e masterização, tirando partido das mais recentes tecnologias. No momento em que tomamos a decisão de gravar o nosso som decidimos também que procuraríamos aplicar os nossos conhecimentos. Investigamos um pouco e demos início a um projeto de gravação onde contamos com o apoio do Mário Vila Nova, proprietário do Poultry Sound Studios em Braga. Rapidamente percebemos que o Mário é um expert inigualável e que para além da mais alta tecnologia de gravação, produção e masterização, possui um enorme e aprofundado conhecimento de som, o que nos levou a resultados bastante satisfatórios, como podem ouvir no tema Less 1 (em www.joexppl.com), tema esse cuja gravação serviu de teste e definição de parâmetros, configurações e setup base para a gravação dos restantes, em que nos encontramos a trabalhar e que brevemente revelaremos. No Poultry Sound Studios e com o Mário temos a certeza que temos o conhecimento necessário, a mais recente tecnologia (UAD, MOTU, CUBASE, AKG, RODE) e algumas pérolas com perfumes do passado, como uma das máquinas de êna masterização em fita da Tascam BR-20 que acrescenta o som quente que só com a fita e grandes máquinas se consegue obter.

Pelos vistos oportunidades para se apresentarem ao vivo não têm faltado. Inclusive já contam com uma ida a Espanha. Como decorreu essa internacionalização?
O mais curioso até ao momento sobre os nossos concertos é que os contactos se têm dado de forma informal, principalmente através das redes sociais e mailing lists. Os contactos surgem com naturalidade e normalmente, quando somos abordados notamos que já existe conhecimento a nosso respeito, isto é, facilmente percebemos que os nossos sites e as nossas músicas foram consultados e ouvidos. Foi exatamente assim que fomos abordados pelo responsável de programação do Dos de Mayo Rock Bar. Descobriu-nos  no facebook, navegou pelo nosso website e contactou-nos. O evento em si decorreu num ambiente bastante acolhedor, descontraído e familiar tendo sido bastante agradável e de onde regressamos com um feedback muito positivo sobre a atuação. É um espaço aonde vamos voltar, estando acertado com os responsáveis o agendamento de uma nova data no último trimestre de 2012, inserida na tour de divulgação do EP.

E já têm outra ida, desta feita a Salamanca, marcada, certo?
Idem idem … Aspas .. Aspas… O concerto em Salamanca, curiosamente foi agendado em março. O responsável pela programação do Lado Oscuro descobriu os JOE x ppl no facebook e contactou-nos. Rapidamente acertamos agulhas para um gig e acertamos uma data (13 de outubro), com mais de meio ano de antecedência, dado o rigor com que se trabalha naquela casa. A programação é elaborada e acertada com enorme antecedência.

E por cá, como têm corrido as vossas apresentações ao vivo?
Até ao momento estamos tanto felizes como surpreendidos com a receção que temos tido por parte do público. Das mais diversas gerações, dos mais novos aos mais velhos, dos mais conservadores aos mais modernistas, temos recebido críticas bastante positivas e temos acima de tudo confirmado, que a nossa mensagem é interpretada, o que para nós é motivo do maior orgulho. Em todos os espaços fomos bem recebidos tanto pelos owners como pelo público tradicional. É claro que não tivemos concertos iguais, uns melhores, outros piores, em vários aspetos diferenciados, mas não houve nenhum onde não tivéssemos sentido apreço e reconhecimento pelo trabalho. Quanto aos concertos e espaços por onde passamos, em perguntas deste género, normalmente destacamos o N101 em Guimarães que nos deu a primeira oportunidade, o Belião em Ponte da Barca que é um espaço de referência para a divulgação e difusão da música de qualidade em Portugal, o Mini-Mercado Mavy e a ABRA (Associação Bracarense de Amigos dos Animais) que nos deram a oportunidade de poder contribuir com o nosso trabalho para a causa da proteção dos animais, num evento onde tivemos o especial sabor de sentirmos que estamos a contribuir para a causa nobre de proteger aqueles que não tem voz de protesto. Apesar de todos os outros terem sido importantes, estes destacam-se por detalhes um pouco mais profundos.

O tema Lollipops foi o primeiro escolhido para vídeo. Algum motivo em especial?
A Lollipops é um dos temas que nutre mais simpatia no seio da banda, porque para além do ex-libris explosivo que revela na transição para o refrão possui também uma letra simples de conteúdo profundo. Além desta simpatia também teve um take bastante interessante no Belião o que resultou num vídeo com os mínimos exigíveis para a divulgação nos nossos canais. Exatamente no mesmo dia libertamos em vídeo o tema 1001, gravado no mesmo espaço e no mesmo concerto, tema esse que também consideramos bastante importante no reportório. Consideramos ambos os temas com igual importância, o que nos levou a libertar ambos na mesma altura.

Estando em início de carreira que patamares anseiam alcançar enquanto banda?
Honestamente não temos patamares definidos ou objetivos traçados. Temos vontade de trabalhar e temos a certeza que só trabalhando, com diversão à mistura, podemos obter os melhores resultados de uma forma geral. Podemos dizer que nos estamos a divertir mas que também levamos o projeto a sério e que soubemos e saberemos identificar a oportunidades. Há biliões de pessoas neste mundo que aceitariam de bom grado serem estrelas de rock mundiais, mas no nosso caso, não temos um objetivo que nos mova. O nosso projeto está assente na boa relação de amizade, na diversão e na vontade conjunta de fazer boa música. Sentimos-mos felizes assim. Se outros voos e outras oportunidades surgirem, vamos analisá-las e aproveitá-las, mas protegeremos sempre a espinha dorsal do nosso projeto que assenta na nossa união sólida.

A terminar, existe algo mais que queiram acrescentar que ainda não tenha sido abordado?
Acho que deixamos uma mensagem clara daquilo que são os JOE x ppl e que decoramos os detalhes mais importantes do projeto, resultado este que contou com as tuas diretas e incisivas perguntas. Resta-nos agradecer-te a ti e ao Via Nocturna pela oportunidade e demonstrar toda a nossa disponibilidade para colaborar convosco e com o vosso projeto em qualquer altura, em qualquer situação. Gostava também de deixar um apreço final ao Artur Loureiro (Tuito) por todo o apoio que tem dado ao nosso projeto, tanto ao nível das condições na sala de ensaios como na partilha de conhecimento e experiencia. O Artur é uma pedra basilar do nosso projeto e reconhecemos com agradecimento de que nada disto era possível sem o seu apoio. Obrigado a todos.

MEMBROS:
Voz e Guitarras: Nuno Garcez Rodrigues
Baixo: Victor Coelho
Guitarras: António Silva (Tozé)
Bateria e Sampling: Sérgio Faria

INTERNET:

1 comentário:

Camilo C. Branco disse...

...de metal não têm nada. nada contra a banda; agora não comecem a misturar tudo que é nome de género musical no texto inicial da entrevista. vamos lá a melhorar este jornalismo e sabedoria musical!