sexta-feira, 8 de junho de 2012

Entrevista: Vertigo Steps


Com três álbuns de inegável classe em cinco anos de existência o projeto Vertigo Steps assume-se como um dos principais nomes de referência do panorama nacional com projeção internacional. Com Surface/Light a dupla Bruno A. e Niko Mankinen criam o melhor momento da carreira própria, num disco emocionalmente forte e tecnicamente perfeito que preenche uma lacuna óbvia do cenário nacional. Em pleno voo para Berlim, Bruno A., o principal mentor desta entidade, respondeu a Via Nocturna.

Olá, antes de mais, parabéns pelo teu novo trabalho. Nota-se em Surface/Light um acentuar do crescimento e amadurecimento que já era visível nos trabalhos anteriores, mas desta feita elevado a um patamar ainda com mais brilhantismo. Na tua opinião, a que se deve esse desenvolvimento e crescimento?
Obrigado. Concordo que é o nosso melhor trabalho, a vários níveis. Dever-se-á eventualmente à evolução natural como compositor e a nível do entrosamento da banda – neste caso, a ligação reforçada com o Niko.

A estabilidade do projeto quer ao nível da escrita quer da gravação quer produção, mantendo os mesmos elementos tem sido fundamental nesse crescimento?
Muito provavelmente, sim. É sempre positivo manter uma formação mais ou menos fixa, desde que funcione bem. E felizmente tem sido esse o caso – em equipa vencedora não se mexe! Alguns convidados vão naturalmente variando, mas a estrutura base constituída por mim e o Niko, mais o Daniel e ainda alguns convidados fixos tem estado sempre lá e isso reflete-se positivamente nas nossas gravações e no refinamento e simplificação de processos.

E como estão a ser as reações, pelos dados que já tens, a este novo trabalho?
Absolutamente excecionais! Embora longe de ser fundamental, é muito bom ver o nosso trabalho devidamente reconhecido pelos media e pelos ouvintes, atuais e novos (muitos). Pelo que sei, irá acabar em muitas listas de best-of de 2012.

Portanto, pode-se considerar Surface/Light o vosso melhor trabalho até à data?
Em última análise, acaba por ser sempre uma questão de gosto, mas penso que este é não só o álbum que irá – e aliás está já a - agradar a mais gente como também o preferido entre os elementos da banda. Penso que será definitivamente uma obra marcante no percurso de VS e também, porque não, a nível do que no género se faz no nosso país. Bem, não é que se faça nada muito semelhante à multiplicidade e especificidade sonora que perfaz o nosso som – pelo menos que me tenha chegado aos ouvidos - mas mesmo assim…

Que diferenças podes apontar entre Surface/Light e os trabalhos anteriores de Vertigo Steps?
Prefiro que sejam vocês, os ouvintes, a apontar. Não quero conduzir muito o ouvinte, de forma prévia. Mas é provavelmente um álbum mais compacto e coerente, ainda melhor produzido, mais acessível e memorável e que cria uma envolvência emocional muito forte com quem o escuta e sente.

Em termos líricos, ponto forte dos VS, que temáticas são abordadas agora?
Neste álbum, tive oportunidade de deixar o grosso das letras para o Niko, que fez novamente um excelente trabalho. Trabalhei mais a nível de conceito e títulos, como sempre faço, mas escrevi apenas 1/2 letras, o que foi ótimo. As temáticas abordadas não se alteraram significativamente, continuamos a debruçar-nos sobre o que nos rodeia e afeta diariamente, quer a nível de relações pessoais, quer ao nível da relação amiúde difícil com este mundo exigente, desafiante mas também duro e injusto. E demasiado super-sónico para o próprio bem dos seus habitantes!

E finalmente temos um trabalho de Vertigo Steps com edição física. Como achas que será a reação dos teus fãs agora com a possibilidade de poder manusear a rodela e folhear o booklet?
Espero que boa, uma vez que deu trabalho a fazer e considero excelente o trabalho gráfico resultante! Quer do livreto do álbum quer da edição especial em digipack. É importante que continuem a comprar o produto original e apoiar dessa forma a banda.

E também é o primeiro com o apoio de uma editora. Como surgiu a ESW no vosso caminho?
Enviamos uma cópia para um pequeno núcleo de editoras que nos interessava e a ESW apresentou a proposta mais rápida e interessante o suficiente para não continuarmos a procura. E tiveram a ideia natural de aproveitar os dois álbuns anteriores – que foram na altura extremamente bem recebidos – e editá-los no tal digipack triplo, que tem tido boa saída.

Quem vos acompanha neste trabalho, em termos de participações especiais?
O convidado novo e mais sonante é naturalmente o Jan Transit, histórico vocalista de In The Woods... Dispensa grandes apresentações e foi um enorme orgulho tê-lo a participar e a juntar o seu talento a um tema tão especial como Railroads Of Life. O outro convidado novo – que canta um tema por inteiro e divide outro com o Niko – é o Patrik Karlsson, vocalista sueco de This Haven. Fez um trabalho notável e não esperaria outra coisa, apreciador que sou do que faz na sua muito subvalorizada banda. Os outros dois mantém-se dos álbuns anteriores: Sordal (ex-Green Carnation) e Sophie (do side-project Ugarit). Tal como o Daniel, que se encarrega novamente de bateria e baixo – além da produção.

Desta feita, escolheram o excelente Nothing At All de Rob Dougan para fazer uma cover. Como surgiu essa ideia?
Gosto de escolher temas especiais e pouco óbvios para covers – caso contrario cingir-me-ia a originais! - e esse foi um que sempre admirei. A ideia andou portanto a cirandar-me na mente uns tempos. Gosto muito do resultado final, penso que é respeitador qb do original, conseguindo simultaneamente ir bastante mais além e de encontro à sonoridade VS.

E já agora, podes falar-nos do vídeo para o tema Someone (Like You)? De que forma escolheram este tema? Há ideias para mais algum vídeo?
Foi realizado por um fã norueguês que aprecia bastante o nosso trabalho e acedeu prontamente ao convite que lhe enderecei. Pelo estilo de vídeo por que optámos, teria de ser aquele o tema escolhido. Não esperava reações tão boas como as que obtivemos – até por não ser um vídeo nada óbvio – mas penso que as pessoas também já se habituaram a output original da nossa parte. Poderá haver um 2º vídeo, mas ainda não há nada concreto. Antes disso, apresentaremos uma edição de imagens captadas na apresentação do álbum num bar lisboeta – parcialmente musicado pelo tema Doppler Defect.

Em termos de apresentações ao vivo, estas continuam fora dos vossos planos?
Existe sempre a questão geográfica. Para teres uma ideia, estou a responder a esta entrevista a bordo de um voo para Berlim, onde viverei nos próximos tempos, por isso neste momento voltaremos a ter os elementos principais espraiados pela Europa fora... Mas como sempre dissemos, continua um sonho e uma possibilidade em aberto. Ou pelo menos se não vier nenhum raio Hollande-ano no entretanto

Como analisas o trajeto dos Vertigo Steps, cinco anos após o surgimento de um projeto apenas alicerçado num nome?
Olha, julgo que em retrospetiva apenas tenho razões para estar contente com o trabalho realizado. Não é fácil começar um projeto de estúdio, do zero, e meros 5 anos após já ter 3 álbuns muito bem recebidos, 3 vídeos belos e profissionais, artwork de qualidade, letras inspiradas e já muita crítica e entrevista dada internacionalmente, para alem de diversas participações em compilações, airplay na rádio e broadcast televisivo, a pré-seleção para os MTV EMA 2010, etc, etc. É claro que considero que ainda podemos crescer muito a nível de divulgação e que haverá por esse mundo fora muita gente de bom gosto que no meio do ruído ainda não chegou a nós. Há pois que continuar a batalhar para isso e sei que o novo álbum e a sua edição vão ajudar.

A terminar, há algo mais que queiras acrescentar?
Apenas o meu obrigado pelo apoio dado e interesse demonstrado. Peço desculpa se já estive mais palavroso que hoje, mas trata-se um dia particularmente intenso. Felicidades para a Via e para ti, Pedro, e que continuemos em sintonia! Entretanto, recomendo a quem ainda não nos conhece uma visita aos nossos perfis – FaceBook, YouTube, BandCamp, MySpace – para fazerem o verdadeiro julgamento sonoro – sempre muito mais importante do que algo que eu possa aqui dizer. Shine on.

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