Entrevista: 69 Chambers

Um campo minado de contradições onde se cruza a brutalidade com uma sensibilidade pop é a forma como os suíços 69 Chambers se costumam apelidar. Chegados à Massacre Records o trio apresenta o seu segundo trabalho de originais, Torque, perfeito na demonstração dos predicados anteriormente referidos. A irreverente vocalista e baixista Nina Vetterli-Treml esclareceu-nos a respeito deste projeto.

Obrigado por aceitares respondeu a Via Nocturna. Os 69 Chambers gostam de ser apelidados de "campo minado de contradições". Porquê?
Na nossa música podes ouvir vocais diferentes nas canções mais pesadas e música diferente para envolver os vocais. Gostamos de combinar riffs pesados com linhas vocais cativantes e pop. É a combinação destas contradições que carateriza o nosso estilo.

Três anos se passaram desde a vossa estreia, War On The Inside. O que fizeram durante este período?
Fizemos alguns espetáculos ao vivo e escrevemos novas canções onde tentamos definir uma nova direção. Mas demorou algum tempo até termos pronto material para mais um álbum. Para além disso, a nossa antiga editora abandonou-nos e tivemos que procurar um novo contrato o que aconteceu com a Massacre Records. O tempo voa, realmente… mas esperamos não estar mais três anos para editarmos o terceiro álbum.

Exatamente, este é um lançamento da Massacre, mas o álbum já estava pronto antes da vossa assinatura com o selo alemão ou não?
Como eu disse, tínhamos uma editora diferente, mas eles tiveram que terminar. A reação da Massacre ao nosso novo material foi extremamente positiva por isso, decidimos assinar com eles.

E que semelhanças e/ou diferenças apontas entre os vossos dois lançamentos?
Torque traz a nossa música para um nível mais elevado. O som é mais moderno, com menos grunge e metal mais contemporâneo, bem como pop. Os 69 Chambers sempre se caraterizaram por combinar extremos e agora eles surgem mais incorporados no seu próprio estilo. Por isso, este segundo álbum apresenta as contradições de forma mais evidente. Há também mais atenção aos detalhes e tenho trabalhado duro com os vocais para me poder expressar de maneiras diversas. Além disso, os 69 Chambers estão mais unidos. Quando escrevi o primeiro álbum estava praticamente sozinha, tendo que lidar com muitas mudanças de line-up. Mas, com o Tommy e o Diego na banda, cada músico contribuiu para a música e teve sua própria influência. É isso que faz Torque um álbum multifacetado e muito mais maduro e confiante (com grandes solos de guitarra de Tommy, por sinal).

Ainda falando de Torque e fazendo uma conexão com a primeira pergunta, parece que se sentem confortáveis em vários géneros. É o vosso background musical que permite isso?
Acho que se pode dizer que sou uma criança do grunge porque cresci com Nirvana, Soundgarden e Alice in Chains. E talvez seja essa a música que ainda influencia as minhas composições inconscientemente. Mas atualmente estou mais numa onda de bandas como Meshuggah, Gojira ou Crowbar. Eu não diria que eles têm um impacto direto sobre minhas composições, mas o lado mais pesado certamente tem o seu espaço nas minhas composições, enquanto o meu canto é mais orientado para a pop. Eu não sou apenas a típico fã de metal que apenas ouve um estilo único, por isso tudo afeta as minhas composições.

Em termos líricos, quais são os principais temas abordados em Torque?
Eu escrevo sobre coisas que me comovem. Não pretendo trazer nenhuma mensagem, apenas expressar o que sinto, não importa o que seja. É bom ver quando as pessoas se podem relacionar com as letras na sua própria maneira pessoal.

Cause And Effect foi escolhido para o primeiro single. Porque esta música em particular?
Porque realmente gostamos da energia da música, suponho. Não foi tanto por beneficiarmos com a presença de Chrigel Glanzmann uma vez que esta seria sempre a primeira música do álbum, mesmo sem a sua contribuição. Embora eu acho que os seus vocais sejam um enriquecimento real para a música!

Já que falas de Chrigel Glanzmann dos Eluveitie, como foi trabalhar com ele?
O Tommy já tinha produzido, gravado e misturado o mais recente álbum dos Eluveitie, Helvetios, no seu New Sound Studio, e foi daí que o contato com Chrigel Glanzmann veio. Eu já tinha a ideia de adicionar um convidado especial no álbum e Chrigel pareceu perfeito. Ele é um ótimo e carismático cantor e uma pessoa extremamente agradável. É uma grande honra tê-lo no álbum e passamos um grande momento em estúdio juntos. A propósito, ele também participa no nosso vídeo recentemente criado para esse tema.

Recentemente perderam o baixista e decidiram continuar como trio contigo a assumir o baixo. É uma situação definitiva?
Os 69 Chambers sempre foram um trio antes de Tommy Vetterli se juntar a nós como guitarrista há um ano e meio atrás. Quando o nosso baixista deixou a banda tentamos encontrar um substituto mas não encontramos o membro ideal para nos complementar. Voltar ao formato trio comigo no baixo parecia uma ideia maluca no início, mas quando tentamos ficamos imediatamente convencido de que seria a decisão certa. A banda não precisa de duas guitarras para ter poder. Além de que as capacidades de Tommy se destacam mais quando ele toca sozinho. E eu sinto-me absolutamente confortável no baixo. Foi o primeiro instrumento que toquei antes de fundar os 69 Chambers. Então, sim, é para ser uma solução definitiva.

O Tommy Vetterli é também membro dos Coroner. Alguma notícia a respeito dessa grande e histórica banda?
Eles irão fazer alguns grandes festivais nos próximos meses. Mas outras notícias sobre o seu futuro terás que lhe perguntar diretamente!

Para terminar, há mais alguma coisa que queiras acrescentar para os nossos leitores?
Oiçam o novo álbum Torque e esperamos ver-vos num concerto dos 69 Chambers em breve!

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