Entrevista: Neófito

Com quase duas décadas de carreira os Neófito passaram, recentemente, por um largo período menos bom que se caraterizou por uma ausência de quase uma década. Abused, marca o retorno com toda a força e apresenta um death metal experimental liricamente baseado num trabalho jornalístico efetuado no Haiti que, na opinião de Guilherme Letti (bateria/citara/piano), tem conseguido congregar os novos e velhos fãs da banda.

Podem contar-nos um pouco da origem e da história até à data dos Neófito?
Viva! Começamos em 1994, onde gravamos nossa primeira demo The Neophyte of Tomorrow, em 1995 gravamos nosso segundo trabalho chamado Live Carah, já em 1996 gravamos o álbum Eternal Suffering e após 10 anos de recesso retornamos com força total fazendo vários shows com bandas como Sepultura e Korzus e agora em maio de 2012 lançamos o EP Abused.

Que nomes ou correntes musicais vocês apontam como sendo as vossas maiores influências?
Death e doom metal.

Com quase duas décadas de existência, que balanço fazem da vossa carreira?
Acredito que conquistamos muitos espaços e realizamos muitos planos, o que nos traz uma satisfação imensa em tocar death metal, mas mantermo-nos no underground da música extrema é sempre bastante difícil, mas a força do metal está justamente na resistência e acho que estamos resistindo bem.

Qual o significado do vosso nome?
Neófito é uma palavra em português que significa “iniciado”.

De que forma descreveriam a sonoridade praticada pela banda, nomeadamente neste novo EP Abused?
Death metal experimental.

Vocês cruzam o death metal com ritmos brasileiros e haitianos. De que forma é que conseguem este cruzamento?
O processo de composição desse disco teve muita ligação com o trabalho jornalístico de Pablo Gomes, que esteve na capital Haitiana Porto Príncipe logo após o desastre natural que ocorreu naquele país e as suas fotos e relatos foram muito marcantes para nós, logo decidimos mesclar as duas culturas em uma sonoridade única e original.

Por isso, este EP, está intimamente ligado ao trabalho jornalístico. Como se proporcionou isso?
Tínhamos uma entrevista agendada com esse jornalista local, Pablo Gomes e ele havia recém chegado do Haiti e ainda estava eufórico e chocado com o que havia visto e sentido lá, após horas de conversa sobre os fatos que estavam a ocorrer naquele país, decidimos escrever sobre as suas fotos e relatos jornalísticos.

Em No One Hear Your Screams introduzem uma citara indiana, certo? Como surgiu a ideia e quem a toca?
Certo, a ideia da citara indiana surgiu após termos adquirido o instrumento e percebido suas possibilidades musicais, assim que escutamos o instrumento nos encantamos e achamos que se encaicharia perfeitamente com a proposta dos Neófito. Quem toca o instrumento sou eu (Guilherme – bateria, piano e sitara)

De que forma é que este novo EP marca a evolução da banda desde Eternal Suffering?
Foram 16 anos entre um disco e outro e nesse tempo escutamos muitas outras coisas e praticamos muito mais nossos instrumentos, creio que a maturidade musical, a entrada de novos integrantes, assim como a tecnologia atual dos estudio de gravação ajudaram muito nessa evolução.

Este disco foi lançado em 2010 mas já tinha sido gravado em 1996, certo?
Correto. Na época os integrantes passaram por vários outros processos o que resultou no fim dos Neófito e esse re-lançamento foi uma maneira do mostrarmos que estávamos de volta com força total.

Este EP Abused encontra-se disponível para download gratuito no vosso Myspace. Porque tomaram essa decisão?
Não vemos mais o CD,  MP3 ou até mesmo DVD como um produto a ser vendido e sim como um material promocional para divulgação da banda.

Como está a ser a receção ao novo EP?
Tem-se mostrado bastante satisfatória, uma vez que os fãs antigos aprovaram o novo material e novas pessoas passaram a se interessar pela banda após o lançamento desse material.

Agora que Abused está cá fora, como vem o resultado final? Estão completamente satisfeitos?
Creio que qualquer trabalho artístico nunca se dá por terminado. Após a finalização existem sempre certos contextos para serem revistos e melhorados num próximo projeto, mas sim, partindo dessa premissa, estamos satisfeitos com o resultado do trabalho, afinal foram 16 anos sedentos por entrar em estudio novamente, além de muito trabalho de pesquisa e composição.

Em termos líricos que mensagem transmitem os vossos temas?
Trazem assuntos relacionados ao Haiti como escravidão infantil, fome e a forte esperança humana mesmo em situação de miséria extrema.

A fechar, querem acrescentar mais alguma coisa?
O nosso muito obrigado ao Via Nocturna e a todas as pessoas de Portugal. Gostaríamos muito de tocar em Portugal num futuro breve e as casas de shows ou produtoras que se interessarem pelo nosso trabalho, favor entrar em contato com osa Neófito. Viva!

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