Entrevista: Bonrud

Bonrud, o projeto do norte-americano Paul Bonrud, está de regresso com mais um disco de hard rock melódico, após alguns anos de ausência. Save Tomorrow sucede a Date With Destiny, um disco editado pela Frontiers e que, na altura, foi muito bem recebido. O próprio guitarrista e baixista, mentor do projeto, Paul Bonrud contou a Via Nocturna o motivo do silêncio e a forma como nasceu e cresceu Save Tomorrow.
 
Olá Paul, obrigado por aceitares responder a Via Nocturna. Este teu/vosso segundo álbum demorou algum tempo após a vossa estreia. O que aconteceu?
Aconteceu simplesmente vida. De facto, comecei a escrever e gravar algumas músicas logo a seguir ao lançamento do nosso primeiro álbum, mas entretanto casei-me, arranjei um novo emprego, mudei-me de Seattle para Minnesota, comprei uma nova casa e mais significativamente a minha mulher foi submetida a quatro cirurgias que exigiram muito tempo de recuperação. Houve dois anos entre os álbuns em que eu nem tive tempo para tocar guitarra. Depois que as coisas se acalmaram de novo, senti-me muito bem a voltar a tocar guitarra, escrever músicas e gravar. Embora nunca tivesse imaginado que teria levado tanto tempo para lançar este segundo CD, estou muito satisfeito com os resultados e tem havido um grande senso de satisfação, porque eu sei que este foi o melhor CD que eu poderia fazer. Não houve compromissos feitos ao fazer este CD.
 
Então, a mudança de editora da Frontiers para a Escape não está nada relacionado com isso?
Muita coisa mudou no setor nos últimos oito anos. A indústria realmente sofreu uma contração e muitos dos meus artistas de rock favoritos dos anos 80 como Night Ranger e Whitesnake lançaram álbuns pela Frontiers (adorei o último álbum dos Whitesnake, Forevermore, e ainda anda sempre a tocar no carro). Portanto, um artista pequeno como eu o mais certo seria perder-se na confusão da Frontiers entre os nomes mais antigos como Whitesnake e o projeto que a editora quer levar por diante. O Khalil conquistou-me com o seu entusiasmo pela minha música. Na realidade, ele queria assinar comigo. Escolher uma editora para lançar um álbum é muito semelhante à escolha de companheiros para uma banda ou à contratação de funcionários para uma empresa. Irás sempre selecionar a pessoa que apresenta a maior paixão pela oportunidade. Paixão e entusiasmo às vezes podem mover montanhas.
 
Após o grande sucesso de Date With Destiny, esperas algo semelhante agora?
Fiquei agradavelmente surpreendido com o sucesso que a faixa Date With Destiny do meu primeiro álbum teve no Japão. Nem sei realmente como isso aconteceu, mas eu estou muito agradecido! Seria maravilhoso se uma das minhas canções deste novo álbum Save Tomorrow se pudesse ligar aos ouvintes da mesma maneira. Tenho os meus dedos cruzados e estou otimista na esperança de que isso irá acontecer.
 
Como descreverias Save Tomorrow?
Save Tomorrow é um disco de rock melódico com uma musicalidade excecional e com uma produção de classe mundial, onde a música é rainha. Na realidade é tudo sobre a música. Todos na banda têm a sua hipótese de brilhar, mas todas as performances estão lá para servir a música. Se eu nos comparasse com alguma banda conhecida, eu diria Journey. Paul Nicholls da rádio ARfm comparou-nos à era Reckless de Bryan Adams e também referiu que nalgumas das nossas músicas mais pesadas o Rick soa um pouco como Ronnie James Dio. Acho que ele acertou.
 
Existe algum conceito no álbum ou algum significado específico para o título Save Tomorrow?
Este não é um álbum conceptual, embora no geral, eu me concentre em positividade nas minhas composições… mesmo nas músicas mais pesadas onde ela é mais introspetiva. Uma das nossas canções favoritas deste álbum é a faixa-título Save Tomorrow e, parcialmente foi por isso que usamos o título desta canção como título do álbum. É também um título esperançoso que serve como uma lembrança que todos nós temos uma mão na construção do futuro e pode fazer a diferença nas nossas próprias vidas, bem como noutras se fizermos um esforço.
 
Como foi trabalhar com essa lenda viva que é Keith Olsen?
Foi ótimo! Estou muito feliz por tê-lo como amigo. Ele tem-me orientando vai para uma década. Ensinou-me muito sobre produção áudio, composição, performance e mistura. Keith sabe bem como conseguir que os seus artistas tenham os melhores desempenhos possível. Ele é excecionalmente encorajador. E também incrivelmente inteligente e trabalhador. Os objetivos dele e do seu engenheiro foram melhorar a bateria em particular com o seu profissionalismo e dedicação para oferecer o melhor produto possível. Keith e eu coproduzimos o álbum Save Tomorrow e ele misturou-o no seu próprio estúdio (Pogologo). Keith é a razão por que o CD soa tão forte. Mas também tenho que referir Richard Baker, Eric Ragno e Dave Gross por terem adicionado algumas teclas fantásticas nas canções e também para Steve Hall pelo seu grande trabalho de masterização. Todos os envolvidos na produção deste CD trabalharam muito e deram o seu melhor. Estou extremamente grato pela contribuição de todos. Foi, com certeza, um trabalho de equipa!
 
Já que falaste nos teclistas, trabalhaste com esses três convidados. Já consideraste a hipótese de ter um teclista próprio do projeto? Já agora, quem tocará as teclas ao vivo?
Toquei quase todos os teclados no nosso álbum homónimo, mas desta vez, quis deixar para os profissionais para que eu me pudesse concentrar apenas nas minhas partes de guitarra e de baixo. Richard Baker, Eric Ragno e Dave Gross são os melhores teclistas que conheço. Richard Baker tocou para Santana durante seis anos, e também tocou nos Saga e com Gary "Dream Weaver" Wright. Richard é um dos amigos mais próximos de Keith e o recurso a ele foi muito incentivado pelo Keith. Foi divertido ver a rapidez com que Keith definia as partes pretendidas de teclado, enviava um e-mail ao Richard e em alguns dias tínhamos os excelentes arranjos. Eric Ragno é muito conhecida no panorama do rock melódico e estou muito grato pela sua vontade em também participar. Dave Gross é, dos três, o que conheço há mais tempo. Dave é compositor da Microsoft e como teclista é um fantástico profissional. Tanto quanto sei, há aqui alguns bons teclistas em Minneapolis, mas nenhum deles se pode comparar a Richard, Eric e Dave. Tenho sorte em trabalhar com alguns dos melhores. Grandes teclados adicionam texturas maravilhosas à música e gosto de os ter no álbum. Ao vivo, porém, provavelmente vamos manter apenas um quarteto com vocais, guitarra, baixo e bateria. Tendo uma banda menor é mais fácil, por muitas razões.
 
Por falar em apresentações ao vivo, há alguma coisa planeada para os próximos tempos?
Essa é a pergunta do milhão de dólares! Agora estamos na pré-produção para a filmagem de um vídeo. Rick e eu queremos sair e fazer alguns espetáculos em breve. Depois do vídeo precisamos sentar-nos com nossas guitarras. Vou começar a ensinar-lhe as partes de guitarra que eu quero que ele toque enquanto ele me leva para o campo dos background vocals. Estamos realmente ansiosos para fazer alguns concertos. Temos também algumas músicas novas que já estamos a registar também. Se o dia tivesse mais horas…
 
A terminar, queres acrescentar algo mais para os nossos leitores?
Eu gostaria de agradecer aos teus leitores pelo tempo para ler esta entrevista e espero que todos nos visitem em www.bonrud.com e www.facebook.com/bonrud. Estamos muito gratos pelo apoio dos nossos fãs e nós adoramos saber deles. Finalmente, gostaria de te agradecer, Pedro, pelo tempo que despendeste a me entrevistar e também pela review a Save Tomorrow. Rock on!

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