sábado, 30 de junho de 2012

Review: Unlive From A Dead City (Tin Scribble)

Unlive From A Dead City (Tin Scribble)
(2011, Independente)

Apresentando um rico e diversificado background musical na área de Detroit, os elementos dos Tin Scribble são todos superiormente dotados em termos técnicos e, desde logo, se percebe que o que se ouve em Unlive From A Dead City é música de outro campeonato. A banda explora caminhos de um prog rock com reminiscências de nomes como Hawkwind, Gong, King Crimson ou Van Der Graaf Generator, embora, em muitas situações, acabem eles próprios por traçar a sua própria orientação. Unlive From A Dead City representa um conjunto de gravações live efetuadas em estúdio, demos acústicas e outros temas e tem como finalidade diminuir a ânsia dos fans entre o álbum Children Of Saturn e o próximo trabalho do coletivo previsto para este ano. O álbum abre com uma peça curta instrumental, Schizophonia, que começa de uma forma lenta no piano e se desenvolve para uma sonoridade eletroacústica. Outros temas acústicos aparecem por qui, nomeadamente, o sensacional trabalho de guitarra apresentado em Guitaristic At Ease. Abandon, a segunda faixa, desenvolve-se para outros campos mais avant-gard/alternativo e Invisible Sun recupera muita da essência pop/rock dos anos 80. Isto são meros exemplos, uma vez que durante os 76 minutos de duração do disco, outros elementos são incorporados de uma forma consistente: jazz, folk, eletrónica ou ambiental. Sempre surgindo de uma forma altamente natural, sem regras específicas quer para os ritmos quer para as melodias. Apenas deixando fluir a inspiração. Por isso aconselha-se que este disco seja ouvido por mentes abertas e que simplesmente se deixem conduzir pelas fantásticas linhas musicais, algumas bem complexas. Sem limites nem ideias preconcebidas.

Tracklist:
1. Schizophonia
2. Abandon
3. Corinnia
4. Without
5. Vox Populi Vox Dei
6. Wake (acoustic)
7. Separate Silence
8. Invisible Sun
9. Breakable
10. Guitaristic At Ease
11. Bleak
12. For A While
13. Throwing Glances
14. Wake   

Line-up:
Michael Moore - vocais, guitarras, teclados
Ryan Looney – bateria
Danielle Colen - baixo
Todd Richardson - guitarra
 
Internet:

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Entrevista: Joe x Ppl


Um grupo de amigos construtivos e empreendedores decidem avançar com um projeto no campo do rock/metal alternativo. Como resultado surge o enigmaticamente denominado Joe x ppl. O tempo de vida ainda é curto mas para já têm deixado muito boas indicações. O primeiro trabalho só deverá surgir lá para o final do ano, mas Via Nocturna quis conhecer melhor esta entidade que se começa a impor no cenário nacional. Quem nos atendeu foi e eloquente vocalista e guitarrista Nuno Garcez Rodrigues.

Olá, podes contar-nos um pouco da origem e da história até à data dos Joe X Ppl?
A nossa história tem tanto de original como um de caricato. Começamos por ser um grupo de amigos com um especial gosto pela música rock, com algumas influências comuns e com algumas diferenças de que consideramos saudáveis. Basicamente começamos como um grupo de amigos que trocou o comum tipo e espaço de convivência por uma sala de ensaios com alguns instrumentos a decorar o ambiente. Somos naturalmente pessoas construtivas e empreendedoras o que nos levou a assumir um projeto logo após os primeiros sinais positivos. Um pouco de precipitação e o desejo de acelerar o processo, levou-nos a convocar novos membros para a banda de forma rápida e pouco sustentada, membros esses que não conseguiram detetar e absorver o potencial e que não perceberam os objetivos que tínhamos delineado e projetado. Naturalmente abandonaram o projeto pouco tempo depois, sem terem uma ideia aproximada do que era possível atingir. Em meados de 2010 e certos de que o projeto se sustenta na combinação e no trabalho conjunto dos membros, junta-se a nós (Nuno, Victor e Sérgio) o Tozé, que acima das suas qualidades musicais se encaixava claramente na nossa filosofia construtiva. Estamos cientes de que a nossa banda é um bocado a sério e um bocado anti-stress. Procuramos em cada ensaio ou concerto escapar um pouco ao stress diário, de uma forma construtiva e com objetivos comuns, entre eles a composição de boa musica, a diversão e satisfação coletiva do resultado de um processo de criação em conjunto.

Que nomes vocês apontam como sendo as vossas maiores influências?
Falar sobre as nossas influências não é muito fácil. Podem facilmente identificar-se influências que são comuns aos membros da banda mas também se encontram influências a título pessoal. De Radiohead a Tool, de Pearl Jam a Nirvana, do Rock ao Metal, dos mais clássicos aos mais modernos, acho que o único ponto comum que conseguimos encontrar nos JOE x ppl é que pessoalmente, todos temos bom ouvido e transportamos para a sala de ensaios as influências que achamos serem os melhores exemplos de boa música. Se for obrigatório darmos um destaque, apontamos sem dúvida para a sonoridade rock da segunda metade dos anos 70 (principalmente pelo tipo de som e tecnologias aplicados nas guitarras) e para algumas vertentes punk e grunge, sons que preencheram a nossa adolescência.

Qual é o background musical dos elementos que constituem os Joe X Ppl? Já todos tinham alguma experiência no meio musical ou não?
A experiência dos elementos da banda é de todo rica e um pouco diversificada. Fui membro de bandas de rock alternativo no passado e desde os meus 15 anos que partilho a minha música em salas de ensaio e concertos. O Tozé possui alguma experiência, tendo sido membro de uma banda no país vizinho. O Victor e o Sérgio possuem experiência musical diversificada e antes dos JOE x ppl pisaram os mais variados tipos de palcos e espaços. Apesar da experiência musical e de execução, creio que a maior diferença dos JOE x ppl está na área tecnológica. Pessoalmente sempre me interessei por som, produção, gravação e masterização. O Victor, o Tozé e o seu Sérgio são profissionais da área de eletrónica, sistemas de informação e sistemas avançados o que nos permite ter um background tecnológico de elevado nível. Uma parte da paixão dos membros pelo projeto está neste mesmo ponto, na aplicação prática de conceitos tecnológicos e na procura das melhores soluções para as músicas, tanto no processo de execução como de gravação, chegando mesmo a influenciar de forma indireta a composição. Talvez seja este o resultado de formar uma banda com quatro engenheiros (com graus de Mestre), habituados ao planeamento, ao rigor e à constante procura de novos meios com maior qualidade e eficácia.

Qual o significado do vosso nome?
Essa é a questão que mais nos colocam quando somos abordados. Após os concertos ou nos contactos que recebemos, a pergunta é recorrente. No decorrer da composição dos temas fomos sentindo influências do mundo exterior e incluímos um pouco do sentimento geral de insatisfação da nossa geração na nossa sociedade atual e do passado recente. A grande verdade é que vivemos num mundo onde é cada vez mais difícil ter um emprego, sustentar uma família, ser feliz e mesmo assim, para se manter o pouco que se conquista é preciso lutar bastante contra as mais injustas forças (aumento dos custos de vida, impostos e contrapartidas desajustados, pobres expetativas futuras, redução de qualidade de vida, decisores políticos tendenciosos, redução de direitos). O mundo atual está a espalhar na nossa geração um sentimento de insatisfação e injustiça generalizados. De uma forma geral sentimos que o dia-a-dia de cada um se resume a uma batalha desigual e injusta contra a generalidade de uma sociedade corrompida, que tanto afeta nas reduções e condições dos bens mais essenciais, como reduz o conforto e aumenta o desespero de muitos levando-os a cometer os mais diversos erros pela tristeza e desilusão. Esta é a base do nome JOE x ppl onde de forma resumida revelamos o sentimento de combate diário de um individuo (JOE – John DOE) contra uma sociedade injusta.

De que forma descreveriam a sonoridade praticada pela banda?
Apesar de considerarmos importante, sinceramente nunca nos preocupamos em caracterizar a nossa sonoridade até que os temas que disponibilizamos até ao momento (live e nos nossos sítios internet) são fruto de inspiração em diversas épocas e estados. Alguns pontos de definição do nosso som são únicos e invioláveis como o som das guitarras em que recorremos a processos tecnológicos para conseguir combinar sons característicos da década de 70 e inícios de 80, do baixo, em que procuramos um som smooth e capaz de preencher as zonas de baixas frequências das canções, da bateria, onde procuramos alguma agressividade e expansão. Confesso que temos um gosto especial por momentos musicais explosivos, momentos esses em que procuramos chocar com transições rápidas de sons mais soft para riffs em drives na guitarra, ritmos e baixo mais agressivos. Esses são os momentos chave dos nossos temas onde tentamos demonstrar o grito de revolta que há dentro de nós.

Pelo que me pude aperceber, existe algum cuidado da vossa parte com os conteúdos líricos. É verdade? Que temas são prioritariamente abordados pelos Joe X Ppl nas suas letras?
Sim, sem dúvidas. De certa forma sinto-me orgulhoso por esta questão porque um dos nossos objetivos é transmitir uma mensagem comum que está escondida dentro de cada um de nós e da sociedade em geral. Seja uma situação de desabafo emocional pessoal como no tema FY to K (For You To Know) ou numa pura e direta critica político-social como no tema Less 1, procuramos sempre que os destinatários, para além de perceberam a mensagem, a integrem e que se identifiquem com ela de forma direta e total ou pelo menos relacionada com um ou outro momento das suas vidas. Normalmente procuramos que as letras transmitam momentos, desilusões e desabafos, principalmente os mais comuns da sociedade dos dias de hoje, com especial atenção para a geração de 1970/1980, condenada a suportar mais do que aquilo que merecia, fruto das más decisões politicas, da falta de princípios e da lacuna de valores que assola a sociedade dos dias de hoje e que foi fruto de uma evolução cultural errada nas últimas décadas.

Ideias para uma primeira gravação já existirão, seguramente. Para quando preveem que isso possa suceder?
Sim, estamos a preparar um EP que contamos disponibilizar no último trimestre deste ano. A já referida paixão e apetência tecnológica levou-nos a encarar a produção de um registo de elevada qualidade, com cuidados ao nível da gravação, produção e masterização, tirando partido das mais recentes tecnologias. No momento em que tomamos a decisão de gravar o nosso som decidimos também que procuraríamos aplicar os nossos conhecimentos. Investigamos um pouco e demos início a um projeto de gravação onde contamos com o apoio do Mário Vila Nova, proprietário do Poultry Sound Studios em Braga. Rapidamente percebemos que o Mário é um expert inigualável e que para além da mais alta tecnologia de gravação, produção e masterização, possui um enorme e aprofundado conhecimento de som, o que nos levou a resultados bastante satisfatórios, como podem ouvir no tema Less 1 (em www.joexppl.com), tema esse cuja gravação serviu de teste e definição de parâmetros, configurações e setup base para a gravação dos restantes, em que nos encontramos a trabalhar e que brevemente revelaremos. No Poultry Sound Studios e com o Mário temos a certeza que temos o conhecimento necessário, a mais recente tecnologia (UAD, MOTU, CUBASE, AKG, RODE) e algumas pérolas com perfumes do passado, como uma das máquinas de êna masterização em fita da Tascam BR-20 que acrescenta o som quente que só com a fita e grandes máquinas se consegue obter.

Pelos vistos oportunidades para se apresentarem ao vivo não têm faltado. Inclusive já contam com uma ida a Espanha. Como decorreu essa internacionalização?
O mais curioso até ao momento sobre os nossos concertos é que os contactos se têm dado de forma informal, principalmente através das redes sociais e mailing lists. Os contactos surgem com naturalidade e normalmente, quando somos abordados notamos que já existe conhecimento a nosso respeito, isto é, facilmente percebemos que os nossos sites e as nossas músicas foram consultados e ouvidos. Foi exatamente assim que fomos abordados pelo responsável de programação do Dos de Mayo Rock Bar. Descobriu-nos  no facebook, navegou pelo nosso website e contactou-nos. O evento em si decorreu num ambiente bastante acolhedor, descontraído e familiar tendo sido bastante agradável e de onde regressamos com um feedback muito positivo sobre a atuação. É um espaço aonde vamos voltar, estando acertado com os responsáveis o agendamento de uma nova data no último trimestre de 2012, inserida na tour de divulgação do EP.

E já têm outra ida, desta feita a Salamanca, marcada, certo?
Idem idem … Aspas .. Aspas… O concerto em Salamanca, curiosamente foi agendado em março. O responsável pela programação do Lado Oscuro descobriu os JOE x ppl no facebook e contactou-nos. Rapidamente acertamos agulhas para um gig e acertamos uma data (13 de outubro), com mais de meio ano de antecedência, dado o rigor com que se trabalha naquela casa. A programação é elaborada e acertada com enorme antecedência.

E por cá, como têm corrido as vossas apresentações ao vivo?
Até ao momento estamos tanto felizes como surpreendidos com a receção que temos tido por parte do público. Das mais diversas gerações, dos mais novos aos mais velhos, dos mais conservadores aos mais modernistas, temos recebido críticas bastante positivas e temos acima de tudo confirmado, que a nossa mensagem é interpretada, o que para nós é motivo do maior orgulho. Em todos os espaços fomos bem recebidos tanto pelos owners como pelo público tradicional. É claro que não tivemos concertos iguais, uns melhores, outros piores, em vários aspetos diferenciados, mas não houve nenhum onde não tivéssemos sentido apreço e reconhecimento pelo trabalho. Quanto aos concertos e espaços por onde passamos, em perguntas deste género, normalmente destacamos o N101 em Guimarães que nos deu a primeira oportunidade, o Belião em Ponte da Barca que é um espaço de referência para a divulgação e difusão da música de qualidade em Portugal, o Mini-Mercado Mavy e a ABRA (Associação Bracarense de Amigos dos Animais) que nos deram a oportunidade de poder contribuir com o nosso trabalho para a causa da proteção dos animais, num evento onde tivemos o especial sabor de sentirmos que estamos a contribuir para a causa nobre de proteger aqueles que não tem voz de protesto. Apesar de todos os outros terem sido importantes, estes destacam-se por detalhes um pouco mais profundos.

O tema Lollipops foi o primeiro escolhido para vídeo. Algum motivo em especial?
A Lollipops é um dos temas que nutre mais simpatia no seio da banda, porque para além do ex-libris explosivo que revela na transição para o refrão possui também uma letra simples de conteúdo profundo. Além desta simpatia também teve um take bastante interessante no Belião o que resultou num vídeo com os mínimos exigíveis para a divulgação nos nossos canais. Exatamente no mesmo dia libertamos em vídeo o tema 1001, gravado no mesmo espaço e no mesmo concerto, tema esse que também consideramos bastante importante no reportório. Consideramos ambos os temas com igual importância, o que nos levou a libertar ambos na mesma altura.

Estando em início de carreira que patamares anseiam alcançar enquanto banda?
Honestamente não temos patamares definidos ou objetivos traçados. Temos vontade de trabalhar e temos a certeza que só trabalhando, com diversão à mistura, podemos obter os melhores resultados de uma forma geral. Podemos dizer que nos estamos a divertir mas que também levamos o projeto a sério e que soubemos e saberemos identificar a oportunidades. Há biliões de pessoas neste mundo que aceitariam de bom grado serem estrelas de rock mundiais, mas no nosso caso, não temos um objetivo que nos mova. O nosso projeto está assente na boa relação de amizade, na diversão e na vontade conjunta de fazer boa música. Sentimos-mos felizes assim. Se outros voos e outras oportunidades surgirem, vamos analisá-las e aproveitá-las, mas protegeremos sempre a espinha dorsal do nosso projeto que assenta na nossa união sólida.

A terminar, existe algo mais que queiram acrescentar que ainda não tenha sido abordado?
Acho que deixamos uma mensagem clara daquilo que são os JOE x ppl e que decoramos os detalhes mais importantes do projeto, resultado este que contou com as tuas diretas e incisivas perguntas. Resta-nos agradecer-te a ti e ao Via Nocturna pela oportunidade e demonstrar toda a nossa disponibilidade para colaborar convosco e com o vosso projeto em qualquer altura, em qualquer situação. Gostava também de deixar um apreço final ao Artur Loureiro (Tuito) por todo o apoio que tem dado ao nosso projeto, tanto ao nível das condições na sala de ensaios como na partilha de conhecimento e experiencia. O Artur é uma pedra basilar do nosso projeto e reconhecemos com agradecimento de que nada disto era possível sem o seu apoio. Obrigado a todos.

MEMBROS:
Voz e Guitarras: Nuno Garcez Rodrigues
Baixo: Victor Coelho
Guitarras: António Silva (Tozé)
Bateria e Sampling: Sérgio Faria

INTERNET:

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Playlist Via Nocturna 28 de junho de 2012

(Clicar na imagem para ampliar)

Notícias II

Red Lips Black Widow é o novo vídeo dos The Bourbons que já se encontra disponível para visualização aqui.


Os Scar For Life disponibilizaram um preview exclusivo do seu próximo álbum, a sair no dia 10 de setembro pela Infektion Records e que pode ser ouvido aqui. 3 Minute Silence foi gravado no início de 2012 no Pressplay Studio e apresenta Leonel Silva como novo vocalista.


Os Blind & Lost Studios apresentam a sua primeira banda virtual: Guilherme Sequeira (bateria), Vitor Ribeiro (baixo), Sérgio Sequeira e Rui Pinto (ambos na guitarra) nunca tocaram juntos, mas frequentam, individualmente, as aulas nos Blind & Lost Studios e aqui podem visualizar a sua interpretação dos temas de Sepultura e Carcass.

Para satisfação de todos aqueles que, em geral, apreciam uma boa dose de extremismo desafiante e, em particular, veneram a sonoridade única praticada pelos Meshuggah, o quinteto criado em 1987 na cidade de Umeå, na Suécia, vai estar finalmente de regresso ao nosso país depois de – há pouco mais de dois anos – ter deixado totalmente rendido o público presente no Vagos Open Air. Por cá pela primeira vez em nome próprio e em recinto fechado, Jens Kidman, Fredrik Thordenthal, Tomas Haake, Dick Lövgren e Mårten Hagström vão subir aos palcos do Hard Club no Porto e do Paradise Garage em Lisboa, nos dias 27 e 28 de Novembro.

Oriundos da Lousã e Arganil, os thrashers Terror Empire lançaram o seu álbum de estreia, intitulado Face The Terror, no dia 15 de junho. O nome Terror Empire representa uma realidade transversalmente exposta desde os atentados do 11 de setembro, em 2001. Desde então que existe toda uma propaganda oficial e paranóica com o fim de manietar e privar o ser humano dos seus direitos, em prol da ideia de que este terá de se subjugar ao sentimento de um terror omnipresente. As gravações decorreram entre dezembro de 2011 e abril de 2012 nos GMP Recording Studios (www.gmprecordingstudios.com), em Arganil. A produção esteve a cargo de Rui Alexandre, sendo Miguel Seco (Napalm Death, Robert Plant, Blaze Bailey, etc.) o engenheiro de som e o responsável pela mistura e masterização deste registo. Os fãs podem descarregar o álbum na íntegra aqui. Podem também adquirir o CD original entrando em contacto direto com a banda aqui

Notícias I

Um novo tema dos Skydancer, Swamp Tomb está disponível na página Youtube da banda. Este será um tema a incluir num futuro trabalho da banda e aqui conta com as vocalizações do guitarrista Daniel Soengas.


Já está disponível o novo DVD ao vivo dos The Delta Saints. Trata-se da gravação do concerto que a banda norte-americana deu a 19 de outubro do ano passado em Bona, no lendário programa de televisão Rockpalast. No total podem ver a banda a tocar 15 temas incluindo temas dos álbuns anteriores e alguns do próximo trabalho ainda não editado, Death Letter Jubilee. Entre esses 15 temas contam-se as versões de Hard To Handle e Come Together. Mais informações em www.thedeltasaints.com, www.facebook.com/thedeltasaints ou www.teenageheadmusic.com

Os multinacionais Eden’s Curse estrearam o seu novo vocalista, o italiano Marco Sandron no passado dia 8 de abril num espetáculo realizado no PPM Fest em Mons (Bélgica). Um clip de 24 minutos desse espetáculo pode ser visualizado aqui.


Já está disponível para visualização o novo videoclip retirado do álbum Torque dos Suíços 69 Chambers. Trata-se do tema Cause And Effect e este vídeo conta com a participação de Chrigel Glanzmann dos Eluveitie.


Os Asylum Pyre, banda francesa de metal melódico são a nova contratação da Massacre Records. A banda apresenta melodias agradáveis, mudanças rítmicas, partes calmas e poderosas numa mescla de apreciável qualidade. O próximo álbum, sucessor da estreia Natural Instinct, intitula-se Five Years Late e tem data prevista de edição para o dia 23 de novembro


Os canadianos Famous Underground, onde pontifica o ex-vocalista dos Slik Toxik e vencedor de um Juno Award, Nick Walsh assinaram com a Rock’n’Growl. Um trailer do seu próximo vídeo épico Dead Weight pode ser visualizado aqui.


Os suecos Zonaria disponibilizaram na sua página do Facebook mais três temas extraídos do seu próximo álbum Arrival Of The Red Sun.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Review: Ten Thousand Wrong Choices (Ten Thousand Wrong Choices)

Ten Thousand Wrong Choices (Ten Thousands Wrong Choices)
(2012, Edição de Autor)

Juntando alguns nomes com alguma experiência acumulada na cena rock/metal portuense, nasceram os Ten Thousand Wrong Choices, um novo e muito interessante projeto que navega nas ondas de um rock alternativo. A sua estreia homónima de apenas 4 temas mostra-nos um coletivo perfeitamente ciente do que quer e para onde quer ir. O principal ponto forte é a riqueza das composições, com elevada complexidade mas sem nunca colocar em causa o sentido estético da canção. Salienta-se a prestação da vocalista, Sofia Lopes com um desempenho a todos os níveis notável seja em que registo for, ao qual se adicionam riffs possantes e com originalidade e bom gosto, bateria bem marcante e versátil e teclados a criarem belas melodias e ambientes. A abertura com BCOH é forte, os temas seguintes apresentam-se mais tranquilos e o fecho faz-se de forma brilhante com Oxytocin, uma faixa com apontamentos eletrónicos e muito próxima do trabalho dos The Gathering, na sua melhor fase. Para primeira apresentação ficamos agradavelmente surpreendidos com os TTWC, por isso ficamos ansiosamente à espera do evoluir do projeto e de novos temas. Porque indiscutivelmente, estes elementos podem ter feito centenas de escolhas erradas, mas o facto de se terem juntado e criado estas músicas não foi, de todo, uma delas.

Tracklist:
1.      BCOH
2.      Change
3.      Cross My Heart
4.      Oxytocin

Line-up:
Sofia Lopes – vocais
Mad Makk – guitarra solo
Pedro Moutinho – baixo
John Keel – teclados, sintetizadores e samples
Hugo Moreira – bateria e percussões

Internet:

terça-feira, 26 de junho de 2012

Entrevista: Paradise Lost

Nome incontornável da cena gothic/doom, os britânicos Paradise Lost regressam com o seu décimo terceiro álbum e fazem-no em grande estilo. Tragic Idol recupera toda aquela envolvência que já não se ouvia desde os míticos álbuns Icon e Draconian Times. Greg MacKintosh, guitarra solo do coletivo, não se coibiu a responder a Via Nocturna sobre o presente e passado da banda, numa entrevista marcada pela simplicidade e humildade de um grande músico. No fim, ficou a ideia de podermos ter os Paradise Lost de regresso ao nosso país no outono.

Obrigado por aceitares responder a Via Nocturna. Tragic Idol é o álbum mais metal dos últimos tempos. Foi sempre esse o vosso objetivo?
Sim. Eu queria encontrar o som típico dos Paradise Lost, sem frescuras e, para mim, esta era a única maneira de o fazer. Também fizemos uma tournée durante o processo de escrita em homenagem ao tempo do álbum Draconian Times e, de alguma forma, acho que isso também influenciou o estilo de escrever.

Então, alteraram o estilo de escrita para este álbum?
Não, nós escrevemos praticamente sempre da mesma maneira. Começo sempre com uns riffs e umas linhas melódicas de guitarra. Depois passo ao nosso vocalista que acrescenta algumas melodias vocais e assim por diante até estarmos satisfeitos com o resultado.

Podemos então dizer que este é o álbum que os fans de Icon/Draconian Times têm estado à espera?
Acho que não. Este álbum tem mais em comum com esses dois álbuns do que com muitos dos nossos outros lançamentos, mas a música é muito subjetiva e as pessoas devem decidir por si o mérito do álbum.

De alguma forma sentiram necessidade de voltar às origens? Se sim, quando?
Não houve necessidade como tal. Sempre que começamos a trabalhar num novo álbum, fingimos que somos uma banda nova, sem outros lançamentos. Desta forma, conseguimos gravar 100% o tipo de música que nos identifica num dado momento. Os álbuns são como snapshots.

Adrian Erlandsson já costumava tocar com os Paradise Lost, mas este é o seu primeiro álbum, certo?
Sim, ele juntou-se à banda algumas semanas antes de gravarmos o álbum anterior, mas já tínhamos vindo a trabalhar com um baterista de sessão para aquele álbum, portanto Tragic Idol é o seu primeiro álbum connosco independentemente de ele ter estado na banda nos últimos três anos.

Como foi trabalhar com Jens Brogren? Trabalharam na Suécia e Inglaterra?
Ele é muito meticuloso. Nós gravamos todas as músicas na Inglaterra com o engenheiro do Jens, o Johan, que é uma pessoa fantástica para se trabalhar. Em seguida, os vocais foram feitos na Suécia com o Jens.

A respeito do nome do álbum, Tragic Idol tem algum significado?
Não se refere a nada especificamente. Refere-se a qualquer pessoa ou qualquer coisa. Basicamente é uma referência ao ditado "nem tudo que reluz, é ouro"

Desta vez, fizeram um vídeo para o tema Honesty In Death. Como correram as coisas? Iremos ter mais controvérsia?
Recorremos ao realizador Matt Green, que trabalhou comigo no meu projeto Vallenfyre. Foi tudo ótimo e acho que o resultado final é impressionante. E penso que volta a ser um pouco polémico, pois contém cenas de suicídio.

Com uma carreira de 20 anos, como vês a atual cena metal (e da música em geral), comparando com a altura em que começaram?
Pessoalmente acho que hoje em dia existem muitas bandas que não seguem o caminho da originalidade. Há alguns anos, na cena do metal extremo, havia apenas uma mão cheia de bandas em cada subgénero e por isso era fácil decidir o que gostavas e o que não gostavas. Penso que, atualmente, todas essas cenas estão um pouco saturadas e diluídas.

Como te sentes olhando para trás para a vossa carreira e para as coisas que construíram? Se fosse possível voltar atrás mudarias alguma coisa?
Não. Diverti-me muito. Tivemos altos e baixos, mas tudo o que fizemos trouxe-nos para onde estamos agora. Não concordo com o pesar. Acho que é uma bonita mas inútil emoção.

Nesta altura andam em tournée pela Europa. O que podem os fãs podem esperar?
Estamos a tocar 4 ou 5 músicas do novo álbum juntamente com um par de músicas de cada álbum que nós pensamos ser os que melhor representam o nosso estilo na atualidade.

Em setembro irão estar nos EUA com Devin Townsend e Katatonia. Quais são as tuas expectativas?
Eu nunca tenho expetativas com nada. Especialmente nos EUA. Tudo o que podemos fazer é tocar o nosso melhor e ver o que acontece. Todavia, eu gosto muito dos Estados Unidos e vai ser bom voltar lá.

Como uma história recheada de grandes álbuns e temas deve ser difícil escolher o setlist. Como é vosso procedimento neste caso?
Sempre que fazemos um álbum tentamos um bom número das faixas ao vivo e é, geralmente, bastante claro após os primeiros espetáculos que canções funcionam bem ao vivo e as que não funcionam tão bem.

Alguma vez paraste para pensar em toda a influência que os Paradise Lost tiveram em muitas bandas e até mesmo no cenário musical?
Eu nunca paro para pensar nisso. Tenho orgulho da cena em que crescemos e que ajudamos a ganhar forma, mas só se é bom no último álbum.

A terminar há algo mais que queiras dizer aos nossos leitores e fãs portugueses?
Eu gostaria de dizer obrigado pela vossa paciência para nos verem aí. Com um pouco de sorte devemos ir aí no Outono.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Review: Welcome To The Theater (ReinXeed)

Welcome To The Theatre (ReinXeed)
(2012, Liljegren/Doolittle Group)

A saga dos ReinXeed continua. Para o bem e para o mal, Tommy Reinxeed está de regresso (já? Outra vez?, perguntam vocês) com o quinto trabalho dos seus ReinXeed. Desta feita, o disco chama-se Welcome To The Theatre e volta a oferecer mais do mesmo. Ah, refira-se ainda que o músico sueco também contribui para os novos discos dos noruegueses Pellek e dos suecos Charlie Shred. Felizmente, como se vê, trabalho não lhe vai faltando. Bom, mas falando de Welcome To The Theatre e correndo o risco de nos repetirmos em relação ao que já dissemos aos álbuns anteriores quer de ReinXeed quer de Golden Resurrection sempre adiantaremos que se trata de mais um disco de… power metal melódico com influências sinfónicas. Diferenças em relação aos trabalhos anteriores – nenhumas. Motivos de interesse – poucos a não ser para os indefetíveis do género e que consomem tudo o que lhes aparece pela frente. O músico que chegou a ser convidado para os Sabaton e recusou parece, no entanto, mais comedido desta feita na velocidade dos temas, baseando a sua construção em momentos mais balanceados ou em mid tempo com algumas mudanças rítmicas interessantes. Claro que o forte são as linhas melódicas que, mesmo que já repetidas até à exaustão, acabam sempre por se ouvir bem. Também em termos vocais parece haver uma ligeira melhoria com menos gritinhos irritantes e menos coros parvos. Agora falta melhorar o resto.

Tracklist: 
1. Welcome 
2. Life Will Find A Way 
3. Follow Me 
4. Save Us 
5. Strangers Tides 
6. Somewhere In Time
7. Freedom 
8. No Fate 
9. Temple Of The Crystal Skulls 
10. Welcome To The Theatre     

Line-up:
Tommy ReinXeed – vocais, guitarras, teclados e orquestrações
Calle Sundberg - guitarras
Nic Steel - baixo
Alfred Fridhagen – bateria
Internet:
Edição: Liljegren/Doolittle Group

domingo, 24 de junho de 2012

Entrevista: Alexandre Cthulhu

Músico itinerante com influências blues/rock, Alexandre Cthulhu apresenta um trabalho musical, onde a expressão pessoal é feita unicamente através da guitarra elétrica, com incursões por estilos tão diversos como os blues e o classic rock. Depois do seu trabalho com os Face Oculta, Fides é já a sua segunda gravação, sucedendo a Psyche. Tendo por base esta segunda proposta, o guitarrista voltou a responder a algumas questões de Via Nocturna.

Segundo trabalho em nome próprio, desta feita com uma abordagem musical diferente. Porquê?
Por dois motivos: em primeiro lugar porque queria fazer um álbum onde estivesse registado toda a minha emoção através da guitarra; em segundo lugar porque queria que este álbum soasse a Cthulhu e a mais ninguém.

Parece-me que em relação a Psyche houve uma fação da comunidade rockeira que não entendeu o teu trabalho. Este Fides, de alguma forma é uma resposta a essa fação ou nem por isso?
Desconheço essa “fação” a que te referes… Apenas me cinjo a compor e praticar para estar a altura quando toco ao vivo, pois o feed back que me é dado nos concertos é que me dá motivação para fazer cada vez melhor, e aí posso garantir-te que trabalho (convites) não me tem faltado e que o número de fãs é crescente. Contudo, posso adiantar-te que o Psyche passou em diversas rádios dos Estados Unidos e que a opinião foi muito boa. Tal como deste novo trabalho Fides, tenho lido reviews muito, mas muito entusiastas, vindas das terras do Tio Sam. Quando um músico usa os seus trabalhos para dar uma “resposta” aqui ou ali, está claramente a desfocar-se daquilo que mais importa, que são os verdadeiros seguidores do teu trabalho, aqueles que compram os Cd`s, as camisolas e vão aos concertos. Compus o Fides com um único objectivo: fazer um álbum de guitarra, onde a emoção, a paixão e o sentimento estivessem sempre presentes. E na minha opinião, consegui-o.

Em Psyche tocaste sobre backingtracks. E agora o processo foi idêntico?
Em Fides não. Foi diferente. Estive com músicos profissionais em estúdio


Como decorreu o processo de composição?
Comecei a compor o Fides ainda durante a fase Face Oculta e Psyche. Temas como Beer Can e Blues For My Friends eram arranjos que já estavam quase completos. Contudo, quando tive a ideia de tocar com a lata, percebi que tinha de explorar aquela parte experimental ao máximo. E foi que decidi “colar” alguns double stops (duas notas tocadas simultaneamente) ao estilo de Chuck Berry, o que resultou muito bem. O Blues For My Friends, foi um tema que até constou no Psyche como bonus track do EP em formato físico, mas o resultado final não me convenceu (tinha demasiado fuzz). Voltei a gravá-lo, desta vez mais clean. Os restantes temas foram surgindo, fruto de diversas emoções e sentimentos.

No que diz respeito á gravação onde fizeste a captação e quem trabalhou contigo?
Gravei exactamente com o mesmo produtor (Paulo Viera) no estúdio dele.

Existe algum significado para o título Fides?
Sim, Fides é uma palavra latina com significados abrangentes, tais como Fé, confiança, lealdade. Adoro investigar sobre este termos, pois a língua antiga tinha a versatilidade de abranger vários significados. O mesmo aconteceu com Psyche (a alma, como o corpo).

Para além do blues introduzes algumas escalas mais exóticas, próximas do oriental. Como surgiram essas influências?
Surgiram de alguns workshops que tenho participado, bem como uma busca incessante por texturas mais alternativas, que coladas a um padrão blues, resultam de uma forma exótica como tu dizes. O Byzantium Blues é exactamente isso. Uma escala (escala bizantina) orquestrada sobre uma malha de blues.

Beer Can é um tema curioso. É verdade que foi ou é tocado com uma lata de cerveja?
É tocado com uma lata em vez de uma palheta. Se vires o vídeo que está no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=nGQ517wRusU) ele relata de forma fidedigna como surgiu a ideia, ou seja eu estava magoado na mão direita e não conseguia dedilhar nem segurar a palheta, estava a afogar as minhas mágoas em álcool (risos) e foi quando experimentei tocar com a lata. A partir daí explorei aquilo ao máximo. Até a Superbock me enviou um mail a dar os parabéns (risos).

Como foi que surgiu a ideia de fazer uma cover de Driving Sideways?
Conheci este tema através de Mick Taylor, mas na realidade o tema original é de Freddie King. Era uma música que andava a aprender porque sempre gostei muito dela, e como é óbvio não hesitei em colocá-la no álbum porque adorei o resultado final.


Como estamos quanto ao processo de apresentação de Fides ao vivo?
Muito bem. O Fides foi apresentado na Fnac de Cascais no passado dia 15. Tenho um contrato com um bar de música ao vivo, onde faço um noite de blues mensal, e vou voltar às festas de Corroios em setembro. Entretanto diversos espaços em Lisboa manifestaram interesse em que eu me apresentasse lá… e estamos em fase de negociações.

Fala-nos da tua experiência com as músicas para a peça Em Caixa do Chapitô. Como se proporcionou essa experiência?
Foi magnífico e único. Porque fiz parte de uma orquestra onde havia um piano, uma bateria, um steel drum, um violino, etc. O meu papel ali era inserir a guitarra eléctrica no meio daqueles instrumentos todos, o que resultou numa ambiência brutal. Posso-te dizer que quando se cruzou o steel drum com a guitarra eléctrica, creio que fizemos historia (risos).

Naturalmente já viste a peça…
Sim, tenho-a em DVD, pois a minha filha fazia parte do elenco e também tocava umas guitarradas (até tocou com um arco de violino, tipo Jimi Page). Um dia gostaria de inserir muito do que ali foi feito nos meus concertos.

E a respeito dos Face Oculta, para quando prevês o seu regresso às gravações?
Os Face Oculta de momento estão de férias. A Presságios Tour foi cansativa (risos).

A terminar, queres acrescentar algo que ainda não tenha sido abordado?
Sim. Quero deixar aqui um voto de agradecimento a todas as páginas, rádios, Tv’s interactivas que me têm apoiado e divulgado, um grande bem-haja à Via Nocturna, e um mega beijo para as minhas Mosqueteiras.