sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Entrevista: Low Torque

Puro rock’n’roll com misturas de southern rock e stoner, eis uma forma algo simplista de apresentar os Low Torque banda que reúne um conjunto de músicos com créditos firmados no cenário roqueiro nacional. Descartando, desde logo, o rótulo de all star band, o guitarrista André Teixeira apresenta a Via Nocturna a banda e o seu álbum de estreia.
 
Obrigado por acederem a responder a Via Nocturna. Os Low Torque são um coletivo com gente experiente vinda de outras bandas com algum reconhecimento. Como surgiu a vontade de se unirem neste novo projeto?
Nós criamos este projeto um pouco por acaso. Inicialmente eu e o Hugo Raminhos encontramo-nos num bar onde costumávamos beber uns copos e decidimos dar uns toques só naquela de desenferrujar. Já não tinhamos nenhuma banda nessa altura e então a coisa sucedeu assim. Depois fomos encontrando os restantes elementos um a um até sermos quem somos hoje. Primeiro o Miguel Rita, depois o Marco Resende. À exceção do Raminhos, que foi substituido pelo Arlindo Cardoso a banda mantém-se com os membros originais desde o início.
 
De alguma forma sentem-se como uma “all star band”, dado o currículo dos elementos?
De forma alguma... lol... num país tão “pequeno” (de tantas formas!) sería no mínimo pretencioso considerarmo-nos uma “all star band”. Somos apenas pessoas simples que tocam instrumentos e que tentam fazer a música que gostam.
 
É verdade que vocês só tocaram instrumentais durante cerca de um ano porque não encontravam um vocalista?
Sim, é verdade. O Marco Resende foi a única voz possível para este projeto, das pessoas que tentaram ao longo desse ano. Na nossa humilde perspetiva, claro.
 
Como descreveriam a sonoridade praticada pelos Low Torque e que nomes ou correntes podem apontar como vossas influências?
Nós tocamos aquilo que nos sai naturalmente. Mas assumimos que tocamos southern rock com alguma dose de stoner metal. As influências são inúmeras. Desde os clássicos como AC/DC, Black Sabbath,  ou até Thin Lizzy; aos ZZ top ou Lynyrd Skynyrd; dos Kyuss aos Pantera; dos Black Label Society aos Alice In Chains ou Soundgarden.. enfim, tudo o que rocka, sem estilo nenhum definido particularmente. São demaisiadas as bandas que crescemos a ouvir e que nos influenciam todos os dias.
 

Depois de um EP de 4 temas o ano passado, chegam agora ao longa duração. Estão satisfeitos com o resultado final?
Nós por acaso lançámos logo o álbum! No geral estamos muito satisfeitos, senão não tinhamos feito as coisas assim. No dia em que fizermos música para agradar a terceiros, a banda acaba. Primeiro fazemos o que gostamos, depois esperamos que alguém goste para podermos continuar a tocar. O processo inverso, normalmente, dá merda.
 
Como decorreu o processo de gravação de Low Torque?
O álbum foi 100% gravado, misturado e masterizado na nossa sala de ensaios e no meu estúdio em minha casa.
 
Entretanto, já com tudo pronto a respeito do vosso álbum, ocorreu uma alteração no vosso line up, certo? O que aconteceu?
Infelizmente o nosso ex-baterista Hugo Raminhos decidiu sair da banda por motivos dele, pessoais, que nós preferimos não divulgar publicamente, apesar de continuarmos grandes amigos. Atualmente toca connosco o Arlindo que, como já referi acima, é um excelente músico e nosso grande amigo. A vida tem destas coisas...
 

Conseguiram votos suficientes para irem ao Uproar Festival?
Não. Hahaha.

E por falar em concertos, como está a vossa agenda para os próximos tempos?
Estivemos parados nestes 2 quentes meses de verão e vamos voltar a carga já em setembro até ao final do ano. É estarem atentos ao nosso facebook. Lá divulgamos todas as datas com bastante antecedência.
 
E quais são os vossos projetos para os próximos tempos?
Tocar ao vivo, vender merchandise e gravar álbuns. Um por ano de preferência.
 
A terminar, querem acrescentar algo para os nossos leitores?
Apoiem o rock nacional. Venham aos concertos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Review: Shenandoah (The Widowbirds)

Shenandoah (The Widowbirds)
(2012, Independente)
 
Depois dos Dirty York, chegou a altura de se deixarem seduzir por mais uma pérola australiana: The Widowbirds. Shenandoah é o título genérico do seu trabalho de estreia. Um disco eletroacústico, claramente aconselhado para fãs de The Free, Led Zeppelin ou The Black Crowes. Rock’n’Roll cheio de alma, com um acentuado travo bluesy, onde não faltam belas passagens acústicas, subtis mas inteligentes apontamentos de hammond e honky tonk, tonalidades gospel e umas pinceladas de psicadelismo. Absolutamente retro mas a soar muito fresco, Shenandoah é uma delícia para os ouvidos e um relaxante para a alma. Não são precisas muitas mais palavras para descrever a beleza de um disco com este. Apenas aconselhamos que se percam nos quase cinquenta minutos destes 11 temas memoráveis.
 
Tracklist:
1.      Dust And Stone
2.      Go Down
3.      Sweet Lady Mary
4.      Rumble In The Alley
5.      Tonight We Ride
6.      Lay Your Love
7.      My Time
8.      Still Life
9.      Follow Me Down
10.  Time We Gotta Move On
11.  Lead Myself Astray
 
Line-up:
Simon Meli – vocais e guitarras
Tony Kvesic – guitarras
Shane O’Neill – bateria
Simon Wiltshire – baixo
 
Internet:

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Entrevista: Stone Slaves

Do Alentejo surge mais uma referência do rock nacional: Stone Slaves, de seu nome. Fortemente influenciados pelo grunge e pelo hard rock, o quarteto rocka a valer como o prova o seu trabalho de estreia Tear Down These Walls. O vocalista e guitarrista Jaime Romano, via email, falou a Via Nocturna deste seu novo projeto.
 
Viva! Antes de mais, obrigado por acederem a responder a Via Nocturna. Vamos começar pelo princípio. Os Stone Slaves são ainda uma jovem banda. Podem contar-nos um pouco da vossa experiência até agora?
A nossa experiência musical já vem de outros projetos musicais que tivemos quase todos antes de Stone Slaves. Enquanto Stone Slaves, na nossa curta carreira de mais de 4 anos, já passámos por alguns concursos de bandas - IV Toca e Segue (2008) Rio de Mouro, III Vieira Rock (2008), Vieira do Minho, I Rock N' Bee (2010), Mondim de Basto, XIV RocKastrus (2010), Esposende e RockNordeste (2011), Vila Real - demos mais de 50 concertos, gravámos um disco e um videoclip e neste momento estamos em fase de promoção do nosso álbum de estreia. Este percurso acompanhou o amadurecimento do projeto e permitiu-nos apresentar o nosso trabalho a inúmeros públicos por todo o País o que é ótimo!
 
O que vos motivou a iniciarem um projeto como os Stone Slaves?
Foi o facto de estarmos descontentes com a música que fazíamos nos outros projetos a razão pela qual formámos os Stone Slaves. Neste projeto fomos buscar exatamente a sonoridade que queríamos e o estilo musical também. É um projeto onde todos se identificam com aquilo que estão a fazer e isso faz toda a diferença.
 
Começaram como um quinteto, mas atualmente alinham na forma de quarteto. O que se passou?
Passámos a quarteto porque o elemento que saiu não conseguiu conciliar a vida pessoal/profissional com a banda e tomou a decisão de sair. Foi uma decisão totalmente pacífica porque até funcionávamos bastante bem como quinteto. Aliás, as primeiras músicas que gravamos no álbum ainda contam com a sua participação. Quando o projeto Stone Slaves se tornou mais profissional e com mais compromissos, ele, com muita pena, teve de tomar essa decisão. Foi um pouco complicado na altura porque tínhamos tudo estruturado para 3 guitarras e tivemos de reestruturar tudo só para duas, mas penso que o resultado foi conseguido.
 
Existe algum significado para o surgimento do nome Stone Slaves?
Não tivemos um motivo especial para escolher este nome, tínhamos varias opções em cima da mesa e achamos que este nome era o mais interessante e aquele que estava mais relacionado com a banda e a história dos seus elementos.
 
Qual é o background musical dos elementos que constituem a banda?
Quase todos à exceção do Carlos (baixista), já vinham de outros projetos anteriores. A música tornou-se numa coisa natural em nós porque já nasceu connosco. O nosso pai (referência ao pai dos irmãos Jaime e Nuno Romano) sempre foi músico profissional, por isso e naturalmente, habituamo-nos a ver a música como um processo natural e como uma parte integrante das nossas vidas. Nunca imaginámos a nossa vida sem tocar ou sem ter algum tipo de relação com a música por isso o projeto Stone Slaves é tão importante e natural para nós.
 
Que nomes ou correntes se pode afirmar como estando mais presentes como vossas influências?
As correntes musicais mais presentes no nosso estilo são o grunge e o hard rock, mas sem sombra de dúvida que temos presente no nosso trabalho várias influências, desde o rock clássico ao metal. Pessoalmente cada um tem as suas influências que depois transporta para a banda e isso vai influenciar o método de composição e acaba por enriquecer ainda mais o projeto. Neste primeiro trabalho talvez tenhamos tido uma maior influência de nomes como Alice in Chains, Alter Bridge e Foo Fighters.
 
Tear Down These Walls é o vosso primeiro trabalho. De que forma é que analisam este vosso primeiro produto?
Achamos que este primeiro trabalho é um álbum muito heterogéneo, também devido às várias influências que temos, mas de uma forma geral, é um álbum que se situa no mundo do rock puro. Do nosso ponto de vista, achamos sempre que ainda podemos fazer muito melhor, sofremos um pouco daquele síndrome da perfeição, até conseguirmos fazer o trabalho das nossas vidas. Estão aqui presentes músicas novas, assim como músicas que já tínhamos composto há algum tempo, embora para grande parte do público seja um trabalho totalmente novo o que pode trazer boas surpresas. Os temas abordados são bastante pessoais, situações reais que um ou outro elemento da banda estavam a passar na altura em que escrevemos os temas, mas são temas com que qualquer pessoa se pode identificar visto que são coisas que qualquer um pode sentir. É bastante gratificante quando alguém nos diz que sentiu o mesmo, ou, que ouviu o álbum do principio ao fim e sentiu que estávamos a falar para ele, é o dar voz às pessoas que, por algum motivo, não conseguem exprimir o que sentem e o que lhes vai na alma.
 
Que objetivos se propõem atingir com a edição deste trabalho?
Esperamos alcançar o maior número de fãs com este trabalho, queremos despertar o "bicho do rock", que parece adormecido, naqueles que estão ansiosos pelo ressurgimento do mesmo. E queremos também atingir todos aqueles que, de uma forma ou de outra, se possam sentir identificados com os temas abordados nas letras ou na música que fazemos. O grande objetivo neste momento é dar-nos a conhecer ao público e defender a ideia de que se faz bom rock'n'roll em Portugal ou que, pelo menos, existe essa intenção forte. Depois seguem-se os palcos, onde as pessoas poderão sentir o poder do rock sujo outra vez. Já estamos um pouco fartos do rock bem comportado e do politicamente correto praticado por este movimento de bandas que se insurgiram nestes últimos tempos. Se tivermos de partir tudo em cima do palco só porque sim, assim o faremos, o rock é espontâneo, não é uma coisa pensada.
 
Podem falar um pouco da forma como correu o processo de gravação?
Tivemos a excelente oportunidade de trabalhar com o Marco Jung, que na nossa opinião foi uma grande mais-valia para este trabalho. O Marco ajudou-nos bastante no processo de criação, compôs e escreveu grande parte das músicas. Também nos deu uma sonoridade bastante atual sem nunca fugir às nossas origens e ao nosso conceito, é um especialista a fazer isso. O processo em si foi mais demorado e trabalhoso que o normal. Não chegámos ao estúdio já com as músicas e letras feitas do principio ao fim. Tínhamos só um esqueleto e perdemos muito tempo em fase de criação, dá mais trabalho mas é mais desafiante. Também não temos editoras ou produtoras a fazerem pressão para termos as coisas prontas a tempo e horas por isso estávamos mais à vontade, é a vantagem de sermos independentes.
 
Tem também já disponível o vídeo para o tema Tear Down These Walls. Querem falar um pouco dele?
O tema Tear Down These Walls basicamente fala sobre todas as barreiras psicológicas que te são impostas desde a nascença e que vão influenciar a tua personalidade no futuro. É um grito de raiva e desespero, é o tomar consciência que te estão a manipular e tu queres desesperadamente libertar-te disso. Aplica-se a qualquer um e a qualquer situação. Por isso no vídeo tentámos recriar um ambiente claustrofóbico num espaço bastante reduzido e rodeado de 4 paredes sem hipótese alguma de fuga, onde, fazendo a analogia, o personagem está preso na sua própria mente.
 
Uma coisa que pude observar é a quantidade de vitórias em concursos. De que forma é que veem a existência desse tipo de concursos e que influênciativeram no vosso crescimento (para além do reconhecimento, naturalmente)?
Sim, ganhámos 5 concursos a nível nacional o que foi muito importante para o arranque da banda. Este tipo de concursos é muito importante para uma banda que está em fase de iniciação, para além do reconhecimento, deu-nos oportunidade de amadurecer em palco. Mais importante que as vitórias foi o facto de sermos selecionados e podermos apresentar-nos ao vivo. Vimos de um meio pequeno onde não existe praticamente circuito para tocar. Foi também através deste tipo de concursos que conhecemos o nosso produtor, Marco Jung, e que nos permitiu chegar até aqui. Os prémios monetários, fruto das vitórias, também foram extremamente importantes, porque, confesso, sem eles talvez não conseguíssemos metade do que fizemos, não somos ricos e desenvolver um projeto musical ou qualquer projeto artístico custa bastante dinheiro. Tivemos sempre o cuidado de não gastar o dinheiro recebido, tudo o que ganhávamos ficava de parte para investir na banda, ainda hoje funcionamos assim. Neste momento os Stone Slaves ainda não deram lucro porque tudo o que ganhámos tem sido reinvestido mas acreditamos que com o lançamento deste álbum esse processo se possa inverter. Acima de tudo temos sido fiéis ao nosso plano.
 
Em termos de apresentações ao vivo para promoção de Tear Down These Walls há já alguma coisa agendada?
Esta entrevista vem na melhor altura porque acabámos de agendar o concerto de apresentação do álbum, que será no dia 24 de setembro, no Hard Rock Cafe em Lisboa. Este concerto acontece no dia em que o álbum é lançado oficialmente no mercado nacional e será um concerto muito importante para nós. Depois disso queremos fazer showcases em lojas FNAC para promover o disco mas as datas ainda não estão confirmadas. Basicamente este ano será de promoção, para o ano é que esperamos estar aí em força de norte a sul do país com a tour do disco o que não invalida que nos contactem ainda este ano para concertos ao vivo. Seria ótimo!
 
A terminar, querem acrescentar algo mais para os nossos leitores?
O lançamento do nosso álbum de estreia Tear Down These Walls é um momento muito importante para nós. É o culminar de muito trabalho, como já descrevi acima, que esperamos que seja bem acolhido por todos aqueles que sentem que o rock não está "morto" como muitos apelam, e que sentem falta de sons elétricos e potentes. Let's rock'n'roll baby!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Review: Low Torque (Low Torque)

Low Torque (Low Torque)
(2012, Raging Planet)
 
Depois de um EP de 4 temas editado em 2011, aí está o aguardado longa duração estreia e homónimo dos Low Torque. São 15 temas (perto de metade abaixo dos três minutos, portanto bastante curtos) de puro rock. E dentro deste género, os Low Torque não se inibem de ir a todas: hard rock, rock sulista, stoner e mesmo metal puro. São rudes, diretos, sujos, enérgicos, com fortes guitarras e uma envolvência musical na generalidade com muita densidade e intensidade. Em termos nacionais poderíamos apontar aproximações ao trabalho dos Miss Lava ou, a espaços, dos PhaZer. Internacionalmente, talvez estejam próximos de nomes como Black Label Society. O coletivo está dividido entre Palmela, Setúbal e Lisboa e conta com gente com experiência no meio, nomeadamente André Teixeira (ex-Dollar Llama, ex-Hills Have Eyes, ex-We Are The Damned ), o baixista Miguel Rita (ex-Tears Of The Sun ) e o vocalista Marco Resende (ex-Scar For Life). Juntos ergueram um projeto ambicioso e com potencial para evoluir. Low Torque prova isso mesmo com um conjunto de temas poderosos, dinâmicos e preparados para serem executados em palco. O nosso destaque vai para Hating Haters, We Heal Alone, Sir Traline, Vampires, Headstone e Moving Forward. Mas aconselhamos vivamente a descoberta de todo o álbum.
 
Tracklist:
1.      Karmageddon
2.      Poisoned Lips, Dead Tongue
3.      Vampires!
4.      Moving Forward
5.      Hating Haters
6.      The Remembrance
7.      We Heal Alone
8.      Concrete Rain
9.      Hellraisers
10.  Alive (Like A Nightmare)
11.  I Versus Me
12.  Sir Traline
13.  Headstone
14.  Desert Cage
15.  Stripped Down To The Blood
 
 
Line-up:
André Teixeira - guitarra
Arlindo Cardoso - bateria
Miguel Rita - baixo
Marco Resende - voz
 
Internet:
 
Edição: Raging Planet

domingo, 26 de agosto de 2012

Entrevista: Heaven Rain

A Bósnia não é propriamente um país donde se espere metal de grande qualidade. No entanto, o panorama parece estar a mudar. O segundo trabalho dos Heaven Rain, Second Sun, tem muito mais importância que a apenas a sua qualidade intrínseca. Vai obrigar o mundo a olhar para aquele lado do mundo com mais atenção. O baterista Nebojša Lakić falou a Via Nocturna das principais dificuldades que uma banda bósnia sente e, claro, aprofundou o tema do novo álbum e da nova vocalista.
 
Obrigado por concederem algum do vosso tempo a Via Nocturna! Não é muito comum uma banda de metal oriunda da Bósnia. Podes contar-nos um pouco da vossa história?
Bem, obrigado pela entrevista e por poder apresentar Heaven Rain aos teus leitores! Os Heaven Rain nasceram em 2006 em Banja Luka, a capital da República Srpska (Bósnia) e até agora, já lançámos dois álbuns completos, Far And Forever, em 2008 e Second Sun em junho de 2012 através da editora germânica Music Buy Mail. Já tivemos várias mudanças de line-up até agora. A grande mudança ocorreu quando nós mudamos de um vocalista masculino para vocais femininos - Božidar foi o vocalista em Far And Forever e agora a nossa nova vocalista Miona entrou para Second Sun. Os outros membros da banda são Goran Baštinac nos teclados, Igor Dragelj nas guitarras, Bojan Jokšić na guitarra baixo, e eu, Nebojša Lakić na bateria.
 
Que nomes e/ou estilos podem ser considerados como as vossas principais influências?
Somos influenciados por um conjunto diferentes de estilos musicais, a partir de vários tipos de metal e hard rock através do legado do rock progressivo, música ambiental e étnica. A nossa música pode ser melhor descrita como power metal melódico progressivo com um leve toque de escola finlandesa de metal. Claro, nós gostamos de Nightwish, Kamelot, Sonata Arctica, Charon, Ayreon, Dream Theater, Within Temptation... são demasiados para mencionar.
 
E como é a cena no vosso país? Quais são as principais dificuldades que sentem?
Huh, a Bósnia não é um grande país para se tocar metal (ou qualquer género não-comercial). Dito isso, vocês podem assumir quais são os problemas que encontramos - falta de apoio da comunicação social, sem grandes festivais nem editoras capazes de apoiar o nosso trabalho e coisas assim. Mas não importa, sempre foi e será assim com as bandas a tocar o que gostam, não importando que obstáculos surjam à frente.
 
Como disseste, Second Sun é o vosso segundo lançamento, tendo ocorrido algumas mudanças line-up. Isso afetou o processo de escrita?
Na verdade não, porque todas as músicas foram escritas antes das mudanças ocorrerem. Por outro lado, os nossos novos membros Miona e Igor acrescentaram o seu toque nas músicas - Miona com o seu estilo suaves, quase jazzy/bluesy hard rock, e Igor com seus riffs de metal trovejantes (ele tocou numa das melhores bandas de death metal por aqui, Monument). Por isso, estamos muito satisfeitos com o resultado final.
 
Então, para além da mudança de vocalista que outras diferenças há para o vosso álbum anterior?
Sim, como eu disse, a principal diferença foram os vocais femininos. Além disso, existe uma grande melhoria em relação à produção e ao som global. O álbum soa moderno, forte e compacto. E, sim, aqueles mencionados riffs trovejantes funcionam muito bem neste momento, uma vez que em Far And Forever o foco principal foram os solos de guitarra/teclado e coisas assim.
 
Como decorreu o processo de gravação?
Surpreendentemente bem! Nós estávamos completamente preparados antes de entrar no estúdio, as músicas estavam totalmente treinadas e prontas para serem gravadas. O nosso amigo e produtor Marjan Mijic dos Chainroom Studios em Senta, na Sérvia fez um ótimo trabalho com o restante do processo.
 
Reparei que no álbum foram colocadas músicas que apareceram no EP Evolution? Alguma razão especial?
Bem, sim, essas eram gravações demo. Dreamless e My Only One são, na nossa humilde opinião, grandes canções. Portanto, houve uma oportunidade de as regravar num estúdio profissional com todo o material que faltava na demo - há muitas camadas de vocais e a bateria soa muito melhor. E por último mas não menos importante, o EP Evolution nunca foi oficialmente lançado, foi utilizado apenas para promoção e para apresentar a nossa nova formação.
 
E como aconteceu a inclusão da cover de uma banda Jugoslava dos anos 80, os Zana?
Sim, há uma faixa bónus chamada Vejte Snegovi, original da banda mencionada. Realmente gostamos dessa música, é um dos grandes sucessos da década de 80 na ex-Jugoslávia. Todos os dias ouvimos covers de temas dos anos 80 e muitas delas já foram gravadas várias vezes (só Deus sabe quantos Wonderful Life, Everything is Coming Up Roses ou versões dos Roxette andam por aí), então pensamos que seria engraçado apresentar esta grande música para o mundo. Espero que vocês gostem, mesmo que provavelmente não estejam familiarizados com a língua sérvia.
 
Podes falar um pouco do artwork? Quem foi o autor e o que representa?
A nossa editora, Music Buy Mail, encontrou o artista. A capa do álbum foi concebida por Alex Yarborough, que já trabalhou com algumas das mais importantes bandas de metal (Cage, Cain´s Suffering, Metal Church, Solitude Aeternus...). Todos gostamos da capa, tem aquela atmosfera sombria/conto de fadas/ fria, mas bonita. Ela encaixa-se perfeitamente nas nossas músicas.
 
Agora que o álbum está fora, como tem sido a sua receção? Como tem sido o feedback de imprensa e fãs?
Estamos muito satisfeitos com o feedback da imprensa de todo o mundo, graças às atividades promocionais da nossa editora. Os fãs parecem gostar, a julgar pelos comentários na nossa página do Facebook e dos fóruns de internet e coisas assim.
 
E para o futuro próximo? Quais são os vossos principais objetivos?
Nós faremos o nosso melhor para tocar ao vivo, tanto quanto possível. Primeiro, precisamos promover o álbum através da região dos Balcãs e depois vamos ver sobre os espetáculos noutros países europeus. Além disso, estamos a planear gravar um vídeo para uma das músicas e a preparar algum merchandising interessante. Tudo vai ser anunciado no nosso webiste oficial - heavenrainband.com
 
A terminar, há algo mais que queiras dizer aos nossos leitores?
Primeiro de tudo, obrigado mais uma vez pelo teu tempo e apoio! Para os teus leitores, têm de ouvir o nosso novo álbum Second Sun e transmitir-nos o seu sentimento. Stay metal e espero ver-vos todos na estrada!