domingo, 30 de setembro de 2012

Review: Loop 1 (Oxygene 8)

Loop 1 (Oxygene 8)
(2012, Independente)
 
Descrito como possivelmente um mais ambiciosos e inovadores álbuns de 2012, Loop 1 dos Oxygene 8 confirma esses predicados no seu tema único de 56 minutos. Como o próprio nome indica, este é um álbum que se desenvolve em espiral criando um intenso dinamismo ao nível do movimento sonoro. E nessa viagem, são criados e visitados diferentes cenários que vão desde o prog ao jazz, passando pelo industrial, eletrónico e mesmo tribal. No entanto, a melhor definição para este trabalho será de experimental prog-art rock. Nada aqui acontece por acidente. Todas as fases por onde passa Loop 1 desde as mais atmosféricas até às mais enérgicas, desde as mais experimentais até às mais tradicionais no formato canção, são amplamente pensadas, criadas e muito trabalhadas. De facto, a uma base de bass’n’drum são adicionados todos os apontamentos que fazem crescer e se desenvolver Loop 1 rumo a qualquer direção. Seja ela qual for. O ponto de partida é conhecido. O ponto de chegada depende dos condimentos adicionados. E tanto pode ir na direção de Pink Floyd, como de Liquid Tension Experiment, como de Ayreon, como até de Random Touch. Ou seja: verdadeiramente imprevisível! Loop 1 representa uma viagem única, altamente criativa que é obrigatório descobrir.
 
Tracklist:
1.      Loop 1
 
Line-up:
Linda Cushma – baixo
Tim Alexander – bateria
Steve Parrish – produtor e compositor
John Humphrey – baixo
Joe Myers – guitarras
Fatimah Halin – vocais
Claudio Cordero – guitarras
 
Internet:

sábado, 29 de setembro de 2012

Review: Seven Billion And A Nameless Somebody (Fire On Dawson)

Seven Billion And A Nameless Somebody (Fire On Dawson)
(2012, Degressive)
 
Segundo álbum para os rockers progressivos germânicos Fire On Dawson e o que se pode dizer deste trabalho, Seven Billion And A Nameless Somebody é que ultrapassa as mais otimistas expetativas. O que aqui temos é progressivo. Mas não o prog da escolar dos Dream Theater onde a componente técnica é acentuada. No caso, dos Fire On Dawson, fazem do sentido estético da canção e da emotividade o seu principal atributo. Katatonia poderá ser a principal referência, se bem que Opeth também se sinta por aqui, apesar de em termos vocais os Fire On Dawson serem mais comedidos (apenas pontualmente fazem uso – e mesmo assim muito reduzido – de vocais agressivos). Seven Billion And A Nameless Somebody é um brilhante conjunto de temas eletroacústicos que por momentos se transfiguram com a inclusão de riffs mais poderosos mas sempre com ganchos melódicos apelativos. Vocalmente acaba por ser impressionante a forma como o indiano Ankur Batra se entrega às canções, cantando verdadeiramente e imprimindo um sentimento único e perfeitamente transparente. É, aliás, na nossa opinião, toda a emotividade latente (apesar de principalmente nos vocais também extensível à parte instrumental) que faz deste disco uma pérola a descobrir. Depois, e não menos importante, a superior capacidade de criar arranjos estruturais e rítmicos complexos, por vezes aparentemente desconexos e pouco ortodoxos, como se as músicas resultassem mais de desconstrução de sons do que da sua criação. Uma abordagem muito interessante e não muitas vezes vista que faz com que sejam criadas interessantes e muito criativas texturas. Uma palavra final para os diversos momentos acústicos, já de si belos, mas potenciados com a inclusão de uma dupla camada de melodia: a linha vocal e o solo. Se Prognative, de 2010 já havia deixado boas indicações, Seven Billion And A Nameless Somebody vem mostrar ao mundo que os Fire On Dawson são muito mais que um exótico grupo germânico com um vocalista indiano. Aqui há excelência.
 
Tracklist:
1.      We Are All Vain
2.      Pseudo Christ
3.      The Code
4.      Steal The Show
5.      Synthetic Part I
6.      Debris
7.      God Of The Lost
8.      Syria
9.      Willow
10.  Synthetic Part II
 
Line-up:
Ankur Batra – vocais
Markus Stricker – guitarras
Martin Sonntag – baixo
Max Siegmund – bateria
 
Internet:
 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Review: Mysticeti Victoria (Darktribe)

Mysticeti Victoria (Darktribe)
(2012, Massacre)
 
Em primeiro lugar há duas coisas que saltam à vista no que diz respeito Mysticeti Victoria, álbum de estreia dos franceses Darktribe: a beleza da capa e dois nomes finlandeses associados à mistura e masterização – Mika Jussila e Mikko Karmila. A presença destes dois nomes costuma ser suficiente para garantir a qualidade do produto, pelo menos ao nível do trabalho do som, porque, claro está ao nível da capacidade de criar grandes malhas, isso está nas mãos dos músicos. Serve esta introdução para dizer que esta estreia tem poder, está bem produzida, tem todas as arestas bem limadas, tem um som muito bem trabalhado em laboratório, mas depois falta qualquer coisa. Certo, também tem um conjunto de músicos que se poderia considerar como virtuosos e esse é o grande ponto favorável a Mysticeti Victoria. Os longos momentos instrumentais são soberbos, os solos são magníficos na forma como introduzem classicismo no metal e como se tornam belos e técnicos. O problema está que à medida que o álbum vai avançando vai-se tornando algo repetitivo e monótono. Ainda por cima quando os Darktribe dançam num limbo entre um power metal da linha dos seus compatriotas Heavenly, um heavy metal de cavalgadas ironmaidenianas e um thrash de influências Nevermore. Mas pior que dançar nesse limbo é parecer não ter capacidade de se assumir em nenhum deles. OK, Mysticeti Victoria até tem um par de temas muito bons, principalmente a primeira metade até Lightning Guide e Eyes Have You e isso deverá agradar aos fãs do metal mais tradicional com laivos de power e com importantes registos ao nível das melodias. Mas nesta fase do campeonato exigia-se mais de uma estreia por forma a conseguir ser competitivo.
 
Tracklist:
1. Genesis
2. Taiji
3. Roma XXI
4. Black Meteor
5. Lightning Guide
6. Lost
7. Poison Of Life
8. Eyes Have You
9. Beware The God
10. From Us
11. Life, Love & Death
 
Line-up:
Anthony Agnello – vocais
Loïc Manuello – guitarras
Bruno Caprani – baixo
Julien Agnello – bateria
 
Internet:
 
Edição: Massacre Records

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Playlist 27 de setembro de 2012

(Clicar na imagem para ampliar)

Review: Jezebels Kiss (Audio Porn)

Jezebels Kiss (Audio Porn)
(2012, JK Records)
 
Audio Porn é o projeto de hard rock formado pelo vocalista e compositor Azriel St. Michael e o baterista Byron Black, ambos ex-membros dos Jezebels Kiss (curiosamente o título genérico atribuído a este disco) com o guitarrista Jeff Westlake dos Hydrogyn. Combinando influências clássicas com um toque de modernidade, o trio oriundo de Toronto apresenta nesta estreia um conjunto de temas de hard rock sem fronteiras e plenos de energia, marcando um retorno refrescante ao que o rock sempre deveria ter sido e redefinindo o seu estilo com uma personalidade muito própria. Simultaneamente Jezebels Kiss pisca os olhos às ondas radiofónicas muito por culpa de Westlake e da sua forma de escrever hinos tornando, de uma maneira geral, o som Audio Porn bastante acessível e melódico, destacando-se, neste particular, a utilização de guitarras acústicas em temas como Without You (a tradicional balada), Cut e Arms Of Suicide. Mas o mais importante é a homogeneidade e maturidade de um conjunto de temas com ritmos contagiantes que seguramente irão puxar pelas vozes dos fãs.
 
Tracklist:
1.  Deeper Than The Bone
2.  Cry Me A River
3.  Sweet 16
4.  It’s Not A Dream
5.  Above The Stars
6.  Let Me Go
7.  Butterfly
8.  Without You
9.  Breath Away
10. Cut
11. Arms Of Suicide
 
Line-up:
Azriel St. Michael – vocais
Jeff Westlake – guitarras
Byron Black - bateria
 
Internet:
 
Edição: JK Records

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Review: Live At The NEC (ABWH)

Live At The NEC (Anderson-Bruford-Wakeman-Howe)
(2012, Gonzo Multimedia)
 
Será indiscutível afirmar que o rock progressivo nunca seria o que é atualmente se não tivessem existidos os Yes. A seminal banda britânica nasceu em junho de 1968 após a saída de Pete Banks dos Toy Shop e até 1988 teve oito composições diferentes. Ao longo da sua carreira, diversos músicos passaram pelos Yes nomeadamente o quarteto que assina este trabalho, se bem que apenas entre agosto de 1971 e julho de 1972 tenham estado os quatro em simultâneo. Em 1988 o quarteto que ficou apenas conhecido pelos apelidos dos músicos (Anderson-Bruford-Wakeman-Howe) gravou o seu primeiro trabalho de estúdio que seria editado um ano depois ao qual se seguiu uma tournée mundial denominada como An Evening Of YES Music Plus. Agora, mais de vinte anos depois os fãs têm acesso ao espetáculo que a banda deu no mítico N. E. C. em Birmingham com esta edição de luxo que a britânica Gonzo Multimedia disponibiliza. São dois cd’s áudio, mais de duas horas de música de rock progressivo no seu melhor, desde os momentos mais calmos e acústicos (cerca de metade do primeiro cd) até temas mais rockeiros. Por aqui também não faltam as habituais demonstrações de habilidade de Wakeman nas teclas, de Bruford na bateria e de Tony Levin, no baixo, músico que acompanhou os ABWH nesta tournée. Adicionado vem um DVD que inclui algumas filmagens dos bastidores e do soundcheck, gravações efetuadas por Julian Colbeck, outro músico convidado (teclista) a acompanhar o projeto. Os fans do verdadeiro rock progressivo em geral e dos Yes em particular, por certo exultarão com esta novidade, mas fica a informação que este pack não está disponível nas lojas nem em sites online. Os interessados deverão contactar diretamente a editora Gonzo Multimedia.
 
Tracklist:
CD 1:
1.      Time And A Word/Owner Of A Lonely Heart/Teakbois
2.      Clap
3.      Mood For A Day
4.      Wakeman Solo
5.      Long Distance Runaround/Drum Solo
6.      Birthright
7.      And You And I
8.      All Good People
9.      Close To The Edge
 
CD 2:
1.      Themes/Bruford-Levin Duet
2.      Brother Of Mine
3.      The Meeting
4.      Heart Of The Sunrise
5.      Order Of The Universe
6.      Roundabout
7.      Starship Trooper
 
Line-up:
Jon Anderson – vocais
Bill Bruford – bateria
Steve Howe – guitarras
Rick Wakeman – teclados
Julian Colbeck – teclados
Tony Levin – baixo
Milton MaDonald – guitarras
 
Edição: Gonzo Multimedia

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Entrevista: The Godspeed Society

Eles são uma das mais inovadoras banda nacionais. Falamos dos The Godspeed Society que se estrearam este ano com Killing Tale, um portentoso álbum onde o rock/metal se cruza com o jazz e o blues em ambientes que vão de Paris a New Orleans ou Harlem. Sílvia Guerreiro, a Baby deste conto de arrepiar fala-nos de toda a evolução do projeto que culminou nesta obra-prima.
 
Olá, obrigado por estarem de novo a conversar com Via Nocturna. A última vez que conversámos foi em 2009 e já o conceito Killing Tale estava a ser trabalhado. O que se passou desde essa altura até agora?
Olá, obrigado nós, é um prazer! Sim, de facto em 2009 já tinhamos muito bem delineado o que pretendiamos fazer e a partir dessa altura foi tempo de finalizar algumas músicas, concluir alguns capítulos do livro e de começar a tocar e a ver a reação do público à nossa música. Depois seguiu-se a pré-produção do álbum e depois todo o processo de gravação, produção, tanto do albúm como do videoclip do primeiro single, Rose Lithium.
 
Mas porque cerca de três anos para a edição do disco?
Nós não tínhamos exatamente pressa em editá-lo a todo o custo. Era uma coisa que desejávamos muito, mas preferimos fazê-lo com pés e cabeça. Primeiro encontrámos os parceiros certos para nos ajudar com a edição e distribuição do disco e fomos para estúdio apenas quando sentimos que estávamos preparados para o fazer. Depois fomos gravando e editando sempre que nos era possível. Não sermos todos músicos profissionais e termos outras atividades paralelas, não nos dava todo o tempo do mundo para estar em estúdio e para além das gravações, tinhamos também de nos preocupar com o grafismo e com o livro. Foi um processo demorado, mas valeu bem a pena.
 

E já agora, podem recordar e esclarecer mais detalhadamente agora para os nossos leitores em que consiste o conceito Killing Tale?
O Killing Tale é um conto. Podemos dizer que é o livro que tem uma banda sonora, ou podemos dizer que as músicas têm um suporte escrito para as complementar. Essa história passa-se numa cidade chamada Bloody City e conta que uma mulher é assassinada pelo seu namorado, com uma facada no coração e ele livra-se do seu corpo no rio que banha a cidade, o Dark River. O corpo é encontrado a flutuar no rio pela polícia e aquele que era o melhor amigo de Baby (a falecida), vai em busca do assassino. Nessa busca, cruza-se com vários habitantes de Bloody City e as suas vidas que antes pareciam distantes, estão afinal mais próximas do que se pensava e a história desenrola-se de forma surpreendente. Baby recusa-se a morrer e o seu fantasma persegue No Face, o assassino, com intenções de o levar com ela para as profundezas de Dark River.
 
Não deixa de ser curiosa a semelhança com Sin City… há algum tipo de proximidade conceptual?
Sim! Nunca escondemos essa proximidade porque confessamos que esse filme e todo o universo Frank Miller nos fascina. A união da BD com o cinema, o estereótipo das personagens com nomes prepositadamente cliché, o aspecto monocromático com uns toques de cor aqui e ali, é fascinante. Não nos baseámos no Sin City para construir o nosso universo, foi um acaso proveniente da primeira música que fizémos, o Dark River, mas olhando para trás, admitimos que esse filme de alguma forma acabou por nos influenciar.
 

Como nascem os temas nos TGS e como se relaciona a componente musical com a literária?
Como dissemos, primeiro nasceu o Dark River e foi esse o mote para construir a ideia geral de toda a história de Killing Tale. A partir daí fomos construindo as músicas ao sabor de cada capítulo mas o inverso também aconteceu. Às vezes chegavamos à nossa sala de ensaios com uma ideia para uma música nova e normalmente numa noite fazíamos uma música inteira e a partir dessa música, criávamos um novo capítulo no livro.
 
Os vossos concertos são muito teatrais. Como é feita a sua preparação?
Pensamos música a música o que queremos transmitir ao público e tentamos que o que se está a passar em palco em termos de luz, movimentos, etc. coincida com o que se passa naquele capítulo da história de Killing Tale. O que fazemos é ensaiar a parte musical e quando esta já está segura, complementamos com a parte cénica também.
 
O álbum já está nas ruas desde Maio. Já tem algum feedback da reação do público e da imprensa?
As redes sociais tiveram um papel preponderante nesta proximidade com os fãs. Sem dúvida que um dos melhores momentos que iremos recordar desta experiência, foi o depois de lançarmos as primeiras notícias no facebook sobre o álbum e quando ele saíu e passou a estar à venda. Os fãs, os amigos, os desconhecidos que ficaram a conhecer o nosso trabalho, deram-nos os maiores elogios e o maior carinho que poderiamos ter recebido. A eles estamos muito gratos. Estamos mesmo muito satisfeitos com o feedback que recebemos. A imprensa ainda nos está a conhecer, mas até agora o feedback só tem sido bom!
 

Rose Lithium foi o tema escolhido para vídeo. Porque a escolha deste tema?
Não fomos nós que o escolhemos, foi o público! Nós apresentámos o Rose Lithium ao vivo pela primeira vez no Cinema S. Jorge e foi arrepiante! Um fã filmou esse momento, colocou no youtube e a partir daí passou a ser uma das músicas mais conhecidas e mais aplaudidas em todos os concertos. Por isso apostámos nesse tema e estamos encantados com o vídeo.
 
Em termos de espetáculos, como tem sido a vossa agenda e que outras datas estão planeadas para breve?
Já tocámos bastante por Lisboa e por isso queriamos apresentar o nosso espetáculo noutras zonas do país. Isso não tem sido tarefa fácil porque a nossa comitiva é numerosa e os custos que temos para sair de Lisboa e tocar por exemplo em Coimbra, são elevados. Contudo esperamos começar em breve a percorrer o país para tocar nas principais Fnac’s e aí sim, será uma optima oportunidade de alargar o leque de pessoas a conhecer o nosso trabalho.
 

Se calhar ainda é cedo, mas já pensam num segundo capítulo desta história ou mesmo uma nova história para um próximo trabalho?
Já estamos a trabalhar no segundo álbum! De uma forma muito embrionária ainda mas já estamos a definir a nova história e as novas personagens!
 
Sentem que são um dos projetos mais inovadores da música nacional? E simultaneamente não sentem alguma forma de incompreensão? Pergunto isso, porque apesar da excelência do vosso projeto e da sua transversalidade continuamos a não ver os TGS na televisão, por exemplo…
Não, de todo! Realmente achamos que conseguimos ter uma sonoridade única e uma forma de estar em palco só nossa, mas somos tão inovadores quanto tantos outros bons projectos nacionais. Talvez a mistura de instrumentos que utilizamos não seja a mais óbvia nem a mais tradicional, sim, mas não nos colocamos numa fasquia demasiado alta, somos aquilo que somos e gostamos muito da nossa própria música e acreditamos muito nela. Incomprensão...  sim, talvez um pouco. O Henrique Amaro disse uma coisa muito acertada no documentário Meio Metro de Pedra, que responde a essa questão na perfeição: “o nosso país precisa de cumplicidade. Qualquer músico, em qualquer parte do mundo, precisa de cumplicidade mediática e Portugal às vezes tem esse problema, toda a gente se aproveita do sucesso dos artistas e ninguém quer ser cumplice do seu crescimento”.
 
A terminar, querem acrescentar algo mais?
Queremos acrescentar que o Via Nocturna tem sido uma plataforma fundamental para divulgar não só a nossa música mas também aquilo que pensamos acerca dela. Muito vos agradecemos por isso e desejamos crescimento e uma vida longa a apoiar as novas bandas Portuguesas. Obrigado!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Review: Void (Beardfish)

Void (Beardfish)
(2012, InsideOut)
 
Nesta altura do campeonato, já os Beardfish não têm nada a provar a ninguém. Void é o seu novo trabalho e sucedo ao excelente Mammoth do ano passado. E mais uma vez, a banda sueca volta a reinventar-se, recusando a repetição e a previsibilidade.  Por isso, Void é um trabalho diferente. Sem largar definitivamente a sua forte costela prog, neste disco nota-se que a banda endurece um pouco o seu som, tornando-o a espaços mais negro e denso. Isso nota-se particularmente em temas como Voluntary Slavery e This Matter Of Time, esta uma das faixas mais empolgantes com grandes riffs e uma bateria a varrer logo na abertura. Nestes temas, os Beardfish constroem, na realidade, temas de puro metal. Mas os grandes momentos surgem em Seventeen Again e Where The Lights Are Low, a primeira uma peça instrumental de forte componente jazzística verdadeiramente deliciosa e a segunda um quente fecho que incorpora um envolvente sentimento bluesy. Ainda antes há tempo para dois temas calmos e estruturalmente sensacionais como são os casos de Ludvig & Sverker e He Already Lives In You, com o Hammond em forte destaque no segundo, bem como para o habitual épico, Note, um tema com quase 16 minutos de duração com início estranhamente eletrónico mas que rapidamente entra nos tradicionais campos prog rock tipicamente seventy, criando ainda zonas de experimentalismo e até minimalismo surpreendentes. Tudo bem condimentado pela habitual excelência na criação e na execução, Void, acaba por ter tudo que os fãs esperam dos Beardfish, não faltando, como sempre, o fator inovador e de ousadia. E será sempre isso que torna o quarteto sueco único.
 
Tracklist:
1     Intro
2     Voluntary Slavery           
3    Turn To Gravel  
4    They Whisper   
5     This Matter Of Mine      
6     Seventeen Again            
7     Ludvig & Sverker             
8     He Already Lives In You                 
9     Note     
10   Where The Lights Are Low         
 
Line-up:
Rikard Sjöblom – vocais e teclados
David Zackrinsson - guitarras
Robert Hansen - baixo
Magnus Östgren – bateria
 
Internet:
 
Edição: InsideOut