sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Review: Meleficia Lamiah (Pombagira)

Maleficia Lamiah (Pombagira)
(2013, Black Axis Records)
(3,8/6)
 
A primeira coisa que nos chamou a atenção foi o nome: Pombagira. Depois concluímos que se trata de um espirito feminino das religiões afro-brasileiras de Umbanda e Quimbanda. Curiosos? Pois também nós. O problema é que ouvindo Maleficia Lamiah se fica um pouco desiludido. O álbum só tem dois longos temas de cerca de 20 minutos cada um onde os Pombagira vão divagando por diferentes secções e paisagens sonoras. A tónica comum é a afinação extremamente grave e o som arrastado a criar sensações hipnóticas, depressivas e sinistras. A ajudar está uma produção crua, fria e muito suja que acentua esse sentimento depressivo, sinistro e até psicótico. Infelizmente se é um tipo de produção adequado ao tipo de criação em causa, não é menos verdade que acaba por criar uma sensação de confusão com o instrumental e o vocal a tornarem-se pouco percetíveis. Agora, claro, os verdadeiros fans desta sonoridade doom/psicadélica/psicótica deverão perder algum tempo com os Pombagira.
 
Tracklist:
1.      Maleficia Lamiah
2.      Grave Cardinal
 
Line-up:
Carolyn – bateria
Pete – vocais e guitarras
 
Internet:
 
 
Edição: Black Axis

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Entrevista: Nektar

A ideia partiu da editora. A banda aceitou. O resultado chama-se A Spoonful Of Time e marca a estreia dos Nektar, veterana banda de rock progressivo, no que diz respeito à edição de um álbum de covers. O vocalista e guitarrista Roye Albrighton falou da criação deste trabalho e ainda recordou a sua passagem por Portugal.
 
A Spoonful Of Time é o vosso primeiro álbum de versões. Quando decidiram fazer um álbum como este?
A decisão de fazer um álbum de covers foi da Cleópatra Records. Sim, este é o nosso primeiro álbum de covers, embora tenhamos feito algumas versões nos nossos primeiros anos.
 
Qual era o principal objetivo para a criação deste disco?
Basicamente fazer alguns dos clássicos intemporais soar de uma forma um pouco diferente, com muitos grandes músicos.
 
Os Nektar já têm uma carreira de 40 anos. As faixas abordadas neste álbum abraçam diferentes períodos de tempo, mas, na maioria, coincidem com os vossos primeiros anos de existência. Esta é também uma espécie de homenagem a todas essas bandas?
De certa forma sim. A Cleopatra e nós não nos queríamos afastar muito das versões originais, mas ao mesmo tempo, por que reinventar a roda? Por isso acabamos por adicionar um pouco de sabor diferente às músicas.
 
E quais os critérios que presidiram à seleção das faixas?
Acho que a própria seleção fala por si. É uma secção transversal de músicas que quase todo mundo no planeta já ouviu num momento ou noutro.
 
De todas as 14 músicas aqui inseridas qual vos deu mais prazer fazer? E a mais difícil de trabalhar?
Nenhuma das músicas eram difíceis (por assim dizer), mas pessoalmente as minhas favoritas do álbum são Can’t Find My Way Home e Old Man.
 
Primeiro escolheram as músicas ou os músicos convidados?
Os títulos foram escolhidos primeiro e depois os músicos. Foi um exemplo de quem estava disponível no momento, por isso é que demorou um pouco mais de tempo para montar.
 
E foi uma tarefa fácil conseguir reunir todos estes nomes que aqui colaboram?
Terás que perguntar à Cleopatra. Eu apenas fiz a música.
 
Como foi o método de trabalho da banda e com os convidados? Tiveram liberdade total para criar?
Como este álbum foi feito remotamente via internet, os músicos nunca se encontraram. Foi puramente logística. O trabalho base foi feito pelos Nektar e depois foi dado a vários artistas para trabalhar dando-lhe liberdade para criar a sua interpretação.
 
Todos os baixos foram tocados pelo Billy Sherwood, certo? Ele é um membro efetivo dos Nektar ou terão outro baixista para os próximos compromissos?
Como os Nektar são uma banda verdadeiramente internacional, porque todos nós vivemos em países diferentes, nem sempre é possível ter o mesmo baixista. Aqui a disponibilidade é a palavra-chave. Portanto, quando temos espetáculos temos que ver quem está por perto nessa altura.
 
Ouvi dizer que os Nektar terão um novo álbum de estúdio em 2013 intitulado Juggernaut? Isso é verdade? O que podem os fãs esperar?
Posso confirmar que um novo álbum de estúdio será lançado na Primavera de 2013 e o seu título será Time Machine. Este novo álbum irá abranger muitos estilos da banda desde o verdadeiro progressivo à balada forte e ao jazz bem como tudo que esteja no meio. Eu, pessoalmente, acredito que será um dos melhores álbuns dos Nektar.
 
Para terminar, queres dizer algo mais para os fãs portugueses e para os nossos leitores?
Já passou muito tempo desde que os Nektar estiveram em Portugal. Espero que possamos mudar isso no futuro próximo e voltar a tocar para todos vocês.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Review: Living On A Fast Lane (Hard Riot)

Living On A Fast Lane (Hard Riot)
(2012, Pitch Black Records)
 
Podem exultar, mais uma vez, os amantes do hard rock porque mais uma grande banda surge da Alemanha. Os Hard Riot existem há seis anos e já tinham editado um EP em 2009, sendo Living On A Fast Lane a sua estreia em formato longo para a cipriota Pitch Black Records. Este é um grande disco de rock, como manda a boa tradição, seguindo as regras estabelecidas por coletivos como AC/DC ou Scorpions mas onde não falta uma pitada de um thrash metal da escola de Metallica e até algum southern rock. Tudo influências bem homogeneizadas de forma a não se tornarem demasiado evidentes. E é neste balanceamento entre um hard rock mais tradicional e um heavy metal mais pesado, que os 11 temas de Living On A Fast Lane se mostram verdadeiras bombas rockeiras, cheias de feeling, poder e… melodia. Muita melodia com enfase no excelente trabalho nos solos de guitarra e nos leads de abertura. Particular destaque, neste capítulo para No Surrender ou Hard Way Down. Depois de uma abertura tipicamente AC/DC, a banda vai em crescendo até atingir o primeiro ponto de excelência em No Surrender. A partir daqui, Living On A Fast Lane revela-se endiabrado em todos os sentidos: nas melodias, nos solos, nos temas rápidos ou mais compassados, na forma como introduz mais crueza e sujidade (em Take Me Down) ou um feeling mais punk (Rock’n’Roll Outlaw) ou mesmo mais Southern (Black Widow). Sendo certo que os Hard Riot não inventam nada, não é menos certo que o que fazem fazem de uma forma excelente e sempre com uma pontinha de diversidade e variabilidade entre os temas o que torna Living On A Fast Lane um memorável disco de estreia e coloca a banda germânica como uma das grandes revelações deste ano.
 
Tracklist:
1. Get Ready
2. Hellfire Rock
3. Don’t Need You
4. No Surrender
5. Tears In The Rain
6. Turn On The Lights
7. Nothing But You
8. Take Me Down
9. Hard Way Down
10. Black Widow   
11. Rock ‘n’ Roll Outlaw  
 
Line-up:
Michael Gildner – vocais, guitarras
Andreas Rockrohr – guitarras
Mario Kleindienst – baixo
Carmine Jaucci - bateria
 
Internet:
 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Review: X (Focus)

X (Focus)
(2012, Wastworld)
 
Os Focus têm uma longa carreira no art rock/rock progressivo. Apontados como a principal referência no género no seu país (Holanda), o quarteto regressou aos grandes álbuns com Focus 8 e Focus 9. X é a continuação desses grandes trabalhos e apresenta um conjunto de 10 temas maioritariamente instrumentais de grande riqueza instrumental, complexidade e transversalidade. A abertura faz-se de forma estonteante e muito rockeira, como se a abertura de um concerto se tratasse em Father Bacchus, onde os sucessivos diálogos flauta/guitarra nos avisam que algo de grande deverá acontecer nos temas seguintes. E, na realidade, acontece. Desde ritmos brasileiros (samba e bossa nova) onde a participação de Ivan Lins a cantar em Birds Come Fly Over (Le Tango) se revela magnifica até estruturas puramente jazz, passando por momentos prog rock, elementos étnicos e medievais criados pela exuberante flauta, de tudo aqui se encontra. E também há momentos mais calmos e introspetivos onde a banda consegue expor, no cerne de toda a sua complexidade, uma latente emotividade. São momentos onde o trabalho de guitarra solo nos remete muito para o trabalho de Ritchie Blackmore nos seus Blackmore’s Night, pela limpidez do som, tranquilidade e beleza melódica. É o exemplo de Victoria e  Message Magique. Por outro lado, Hoeratio com a narração de um poema em latim incorpora um nível de teatralidade raro e Talk Of The Clown entra por terrenos mais clássicos com a flauta a brilhar de forma intensa. O disco fecha com Crossroads, uma épica peça com um monumental trabalho da percussão (muito próximo do samba) e de baixo, em mais um tema com narrações. X é um trabalho extremamente rico e capaz de abranger vários géneros musicais. Um ecletismo assinalável da veterana banda que assim criam um digno sucessor dos seus anteriores bem recebidos trabalhos. Os amantes do rock progressivo não devem perder este trabalho!
 
Tracklist:
1.      Father Bacchus
2.      Focus 10
3.      Victoria
4.      Amok In Kindergarten
5.      All Hens On Deck
6.      Birds Come Fly Over (Le Tango)
7.      Hoeratio
8.      Talk Of The Clown
9.      Message Magique
10.  Crossroads
 
Line-up:
Thijs van Leer – hammond, flauta, vocoder e vocais
Pierre van der Linden – bateria
Menno Gootjes – guitarras
Bobby Jacobs – baixo
 
Convidados:
Ivan Lins – vocais
Berenice van Leer - vocais
 
Internet:
 
Edição: Eastworld

domingo, 25 de novembro de 2012

Review: A Spoonful Of Time (Nektar)

A Spoonful Of Time (Nektar)
(2012, Purple Pyramid)
 
Os britânicos Nektar, com uma longa e profícua carreira no cenário do rock progressivo, arriscam, pela primeira vez, a criação de um álbum de versões. O conjunto de temas recriados, e são 14 no total, inclui verdadeiros clássicos imortais e iconográficos tais como Riders On The Storm (The Doors), Wish You Were Here (Pink Floyd), I’m Not In Love (10CC), Spirit Of The Radio (Rush), Africa (Toto) ou Out Of The Blue (Roxy Music). No entanto, o verdadeiro interesse desta obra não está apenas na escolha dos temas ou nas suas novas roupagens. Está sim, no conjunto de músicos de craveira internacional que por aqui colaboram. Isto é, para cada tema recriado, os Nektar contaram com alguns músicos de eleição a ajudar nessa recriação. Como resultado, temos aqui participações como as de Michael Pinella (Symphony X), Mark Kelly (Marillion), Geoff Downes (Asia/Yes), Ian Paice (Deep Purple), Steve Howe (Yes), Derek Sherinian (Dream Theater), Billy Sheehan (Mr. Big), Joakim Svalberg (Opeth), Patrick Moraz (The Moody Blues) entre muitos outros. Uma verdadeira parada de estrelas quer nos músicos quer nos temas. O resultado só pode ser um grande disco de rock progressivo com a agradável função de juntar num mesmo disco alguns dos maiores temas da história do rock interpretados por uma banda ainda cheia de juventude com a inclusão de deliciosos pormenores saídos da genialidade de um conjunto de músicos de eleição. Claro que nesta altura já toda a gente conhecerá estes temas, ainda por cima, com muitas das versões a não andarem muito distantes dos originais. No entanto, A Spoonful Of Time acaba por se revelar uma agradável viagem no tempo do rock. E uma oportunidade de se voltar a ouvir um fabuloso conjunto de temas todos juntos.
 
Tracklist:
1.      Sirius
2.      Spirit Of The Radio
3.      Fly Like An Eagle
4.      Wish You Were Here
5.      For The Love Of Memory
6.      Can´t Find My Way Home
7.      2000 Light Years From Home
8.      Riders On The Storm
9.      Blinded By The Light
10.  Out Of The Blue
11.  Old Man
12.  Dream Weaver
13.  I’m Not In Love
14.  Africa
 
Line-up:
Roye Albrighton – vocais, guitarras
Ron Howden – bateria
Klaus Henatsch – teclados
 
Internet:
 
Edição: Purple Pyramid

sábado, 24 de novembro de 2012

Review: Transgressão (Gazua)

Transgressão (Gazua)
(2012, Raging Planet/Raising Legends)
 
Já o escrevemos que os Gazua são a melhor banda punk rock da história deste género em Portugal. E afirmamo-lo sem qualquer tipo de exageros. A banda lisboeta construiu uma carreira alicerçada em três álbuns de grande qualidade, todos eles com um denominador comum e todos eles sempre a acrescentar algo de novo e interessante. A ideia transmitida era que a evolução iria continuar num 4º álbum. Um álbum que demorou mais tempo a escrever e produzir e que se repercutiu num álbum mais maduro, mais criativo, mais evoluído, mais ecléctico, ou seja e em suma, melhor! Transgressão é o nome deste novo trabalho onde a banda consegue manter a sua costela e atitude punk rock cruzada com o hard rock sem ser minimamente beliscada e ainda consegue enveredar por outros caminhos diferentes, nomeadamente através da criação de um conjunto de temas muito fortes melodicamente. O primeiro sinal de mudança surge logo a abrir com a inclusão de teclados em Último Abraço, embora a velocidade furiosa do punk ainda esteja bem presente num tema como Respira e a energia musculada e a sonoridade bem loud surja em Alma Cinzenta. Do lado oposto temas como o O Segredo, O Rio Embala-me ou Terra Prometida surpreendem pela beleza e riqueza da composição, com as guitarras quase sem distorção a entrar por campos bluesy! Depois ainda há belas faixas de rock melódico como há muito não se fazia por cá. Destacaríamos Negro Opaco, Foste Tu ou Noite Ritual. E também há uma faixa mais experimental, com o poema declamado/narrado como Ritmo das Palavras. Um autêntico manifesto de liberdade. Liricamente, e numa altura em que a contestação social cresce de tom, os Gazua inverteram o seu sentido e deixaram um pouco de lado essas temáticas político-sociais. Agora somos surpreendidos por letras mais pessoais e introspectivas. Uma outra forma clara de evolução. Em jeito de conclusão sempre afirmaremos que Transgressão é um disco enorme de rock, claramente um dos melhores trabalhos do ano, a mostrar que os Gazua têm muito mais que simples atitude e que vem demonstrar que o trio lisboeta acaba por ser um dos mais injustiçados coletivos do nosso país.
 
Tracklist:
1.      Último Abraço
2.      O Inimigo Sou Eu
3.      O Segredo
4.      Respira
5.      Negro Opaco
6.      Foste Tu
7.      Ritmo das Palavras
8.      Alma Cinzenta
9.      O Rio Embala-me
10.  Noite Ritual
11.  Terra Prometida
 
Line-up:
João Corrosão – voz e guitarra
Paulinho – baixo e coros
Paulo Martins – bateria
 
Convidados:
Shela – teclados
 
Internet:
 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Review: Rock'n'Roll Hero (Razzmattazz)

Rock ‘n’ Roll Hero (Razzmattazz)
(2012, Good-Night-Music-Records)
 
Era uma vez um alemão, um canadiano e um inglês… Juntaram-se no sul da Alemanha e… nascia, em 2010, um power trio com o espampanante nome de Razzmattazz. Dois anos depois, surge Rock ‘n’ Roll Hero, trabalho de estreia do coletivo, composto por 14 temas de hard rock cru, simples, direto e ritmado. Um disco para os amantes de sonoridades setentistas com nomes como AC/DC, Scorpions e, principalmente, ZZ Top como principais referências. Por aqui se ouvem músicas catchy com guitarras com pouca distorção. No entanto, em dois momentos, o hard rock transfigura-se em peças de metal bem heavy: trata-se dos dois temas Metalgod. Uma transfiguração que acaba por baralhar o ouvinte e introduzir confusão. Ou seja, uma pontual mudança que se revela falhada. Independentemente disso, o álbum até se torna agradável nomeadamente na sua metade inicial, onde temas como Rock ‘n’ Roll Hero, Stompin´, Heat Up My Night ou Drive Me Home apresentam um eletrizante feeling hardrockeiro. O problema é que o álbum é demasiadamente longo e aparentemente não foi feita a necessária filtragem e, lá mais para o final, aparecem alguns fillers completamente evitáveis. Por isso, a partir de certa altura o disco começa a tornar-se desinteressante pelo facto de os Razzmattazz não terem capacidade de surpreender entrando no campo da repetição de fórmulas.
 
Tracklist:
  1. Rock’n’ Roll Hero
  2. Stompin’
  3. Heat Up My Night                                                          
  4. Frozen Water                            
  5. Metalgod                                                    
  6. Takkaa Takkaa                                                  
  7. Overdose                                                       
  8. Drive Me Home
  9. Bad Money
  10. My Last Beer
  11. I Wanna Know
  12. Free Like An Eagle
  13. Too Young To Die
  14. Metalgod - The Adoration
 
Line-up:
Tom Schaupp – vocais e guitarras
Timothy Toing – baixo
Matthew Sting - bateria
 
Internet:
 
Edição: Good-Night-Music-Records