Entrevista: James Williams

Tendo um percurso abrangente que o leva do heavy metal ao jazz, James Williams é um virtuoso da guitarra que constrói música para o seu instrumento de uma forma completamente diferente do vulgar e típico guitar-hero. Depois de The Epiphany com os X Opus e lançado pela Magna Carta, o músico de Tulsa, Oklahoma, quis fazer algo diferente e sozinho. Apenas com a ajuda de alguns amigos, Eclectic Shred é um disco de guitarra que apresenta um ecletismo raro de ver em discos desta natureza. Confiram tudo na conversa que James Williams manteve com Via Nocturna.
 
Olá James, obrigado por acederes responder a Via Nocturna! Podes fazer uma breve resenha da tua carreira?
Comecei a tocar guitarra aos 12 anos, depois de ouvir o álbum Electric Lady Land de Jimi Hendrix. Comecei a ouvir música clássica ainda muito pequeno. Apareci na revista Guitar Player com o Mike Varney da Shrapnel Records com os holofotes apontados. Fiz também um álbum com os X Opus para a Magna Carta, The Epiphany onde toquei todos os instrumentos. Escrevi tudo, produzi os vocais para os dois vocalistas e fiz alguns lead e backing vocals. Gravei para a Atlantic Records e andei em tournée com o falecido baixista Wyman Tisdale a tocar jazz e também com o lendário baixista/compositor Marcus Miller. Em 2009 toquei no álbum Lords Prayer com Vanessa Bell Armstrong, James Ingram, e muitos outros vencedores Gospel de Grammy’s. Tive anos de exposição ao clássico, jazz, rock e R & B. Escrevo todos os estilos e faço uma enorme variedade de espectáculos musicais. A minha inspiração é sempre poder alcançar algo musical que dure e inspire os outros.
 
Como referiste, cresceste a ouvir música clássica e também coral. Isso influencia o teu processo de escrita atualmente?
Eu sempre apliquei cada música que ouço a escrever novas músicas. É melhor para os jovens músicos aspirantes que ouçam todos os tipos de música e não apenas um estilo clássico. É mais desafiador para compor. Tudo tem que ser perfeito. Eu gosto de um estilo mais livre, como jazz de fusão ou blues.
 
E costumavas ouvir alguns guitar heroes ou álbuns orientados para a guitarra?
Jimi Hendrix, Al Dimeola, Larry Carlton, Jeff Beck, Thin Lizzy, Deep Purpel, Kings X, Steely Dan, Yes, Kansas, James Taylor, Shaun Lane, Alan Holdsworth, Robin Trower, Frank Marino. Poderia continuar e continuar… (risos).
 
E que guitarristas mais admiras?
Jimi Hendrix, Robin Trower, Gary Moore e os outros nomes que eu mencionei.
 
Particularmente sobre este novo álbum Eclectic Shred, quando decidiste que era a altura de criar um álbum com estas caraterísticas?
Eu tinha a ideia de compor canções um pouco mais melódicas. Eu não queria que a música fosse apenas um solo de guitarra, mas queria apresentar uma forma mais madura de música. Odeio guitarristas que se limitam a tocar rápido e não escrevem ou tocam de forma melódica. Eles só tocam rápido e copiam as escalas de Yngwie que não são melódicas. É mais fácil tocar rápido tocando cada nota do que tocar legato com mudanças de tempo. Greg Howe, Alan Holdsworth, Shaune Lane, Larry Carlton e outros são os melhores. Quem me dera ser assim tão bom… (risos). Só Al Dimeola consegue tocar todas as notas e é uma loucura, porque o seu ritmo percussivo melódico é inigualável para qualquer guitarrista convencional. E o melhor sobre estes guitarristas é que todos são tremendos compositores. Por isso gostaria de ouvir esses senhores a sair dos clones de Dragon Force e Yngwie. Desculpa se és fã.
 
Por falar em Malmsteen, Mike Varney da Shrapnel Records comparou-te uma vez a ele. Como te sentiste nessa altura?
Sim, mas foi há muito tempo atrás, Yngwie é grande, mas não há nada neste disco, nem um só solo, que seja Yngwie. Há contrapontos barrocos, mas é Bach e música clássica. Solos harmónicos menores e escalas à Yngwie não se aplicam às minhas coisas… (risos) há 23 anos (risos). Este álbum é de metal, rock, blues, jazz, fusion e um pouco de música barroca clássica. Este CD é diferente de qualquer coisa de guitarra instrumental existente por aí. Portanto, se não tens um background normal como músico e não conheces escalas ou técnicas não te apercebes das diferenças, se eu toco sobre um acorde menor ou um arpejo ou se toco um 9 menor ou 7 maior, se não tens um quadro de referência. Eu sei que é difícil tocar o próprio material num estilo de música em que já foram feitas muitas gravações, mas essas comparações são, na sua maioria imprecisas para o que está realmente a acontecer musicalmente na maior parte dos casos. É difícil destacar-se com uma abordagem diferente com tantos outros a tocar heavy guitars ou fast guitars. Com isso em mente, este é um CD de heavy rock mas com perda de texturas de um grande grupo de estilos musicais É por isso que eu chamei o disco de Eclectic Shred… elevando as melhores partes como um todo de muitos estilos de música. Eu tenho música oriental, búlgara, jazz fusion, blues e música clássica lá metido.
 
Como é que Matt Guillory e Mike LePond aparecem no teu álbum? Foram uma escolha óbvia?
Sim, Varney fisgou-me com o Guillroy. Ele é um talento impressionante. Assim ele fez alguns solos mais como um guitarrista neo-shred do que como teclista encaixando-se muito bem neste CD. Ele também toca escalas e harmónicos menores diferentes do que eu uso e é fácil dizer que não sou eu a tocar mesmo quando usa um som de guitarra wah semi-aberto nos seus solos. Ele soa mais como um guitarrista do que a maioria dos guitarristas. Mike LePond é meu amigo e adoro a sua forma de tocar. Os Symphony X são a melhor banda de prog metal. Mike fez um grande trabalho e tocou em três canções.
 
A respeito da música em Eclectic Shred, como a descreverias? Já nos apercebemos que não é um típico álbum de guitar hero
Como já disse, queria que fosse diferente, com as minhas próprias técnicas de guitarra e com a escrita de boas músicas com significado. Uso uma afinação aberta na guitarra de uma maneira que nunca ouvi antes. E uso isso para tocar acordes e escalas que não poderia ser tocadas sem isso.
 
E também introduzes alguns elementos extras (órgão, piano, orquestrações). Foste o criador de todas estas coisas?
Como em todas as minhas músicas eu toco todos os instrumentos e componho tudo. Eu toquei e fiz todas as partes de orquestra e fiz todos os solos de teclados. Quando forem comprar/encomendar o CD poderão ler quem tocou o que e aonde e ver que eu também usei um grande amigo meu de Tulsa, Oklahoma, Dave Thomas, para fazer alguns solos curtos de guitarra e um outro meu amigo aqui do Texas, Richard Tull. Ele também tocou alguns de solo e ambos são grandes guitarristas que adicionam o caos às partes de guitarra em duas canções (risos). Tudo está bem descrito no CD com a indicação do tempo de início e do fim de cada solo e quem o executou. Certifiquem-se de encomendar o CD, tem melhor qualidade de som do que qualquer mp3. Será que toda a gente sabe que existe perda de qualidade de som do mp3 vs ficheiro wave de 16 bit? O Mp3 são apenas 320 bits kbp de gravação de som. Não é bom se queres a minha opinião (risos). Adquiram o que é melhor para vocês mas comprem-no, por favor!
 
Como decorreu o processo de gravação? Houve lugar a muita improvisação ou nem por isso?
Eu construo a música… Quando começa a soar bem, estabeleço linhas melódicas da guitarra solo. Então coloco o solo baixo e improviso tudo sozinho como no jazz. Eu ouço guitarristas com estilo muito mecânico em que praticam um solo mais e mais, e só depois carregam no botão de gravação. Eu não faço isso. Na primeira vez baixo o máximo que posso sem pensar em ruínas (risos). Eu toco jazz e é mais desafiador do que metal, por isso estou acostumado a improvisar.
 
Como está a situação com os X Opus?
O CD ainda está para venda. É um ótimo álbum, mas já não estou na Carta Magna porque queria lançar música por mim próprio.
 
Mas ainda tocas em alguns outros projetos?
Sim, eu tenho um trabalho para 2013. Trabalho de estúdio, Igrejas, cada dia é melhor que o anterior.
 
E como será?
O meu próximo CD será puro jazz de fusão, material funk. Eu gosto da mistura de metal, jazz e sinfónico, mas adoro Herbie Hancock, Al Dimeola dos anos 70, Jeff Beck, Funkadelics etc. e todas essas cenas de fusão que são apreciadas na Europa. Por isso, vou voltar a esse tipo de música e já tenho cerca de 9 músicas mais de metade acabadas.
 
A terminar, queres acrescentar algo mais para os nossos leitores?
Encomendem o CD ou download de mp3, não roubem a música em downloads gratuitos, para que possamos continuar a fazer boa música para todos. Não há muito dinheiro para o artista na música progressiva por isso cada venda conta. Mantenham Deus em primeiro lugar nas vossas vidas e o resto irá por si mesmo para o melhor. Obrigado e que Deus te abençoe.

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