Entrevista: Oel

Com o aclamado álbum The Merging e o hit mundial graças ao Euro 2012 que foi Heartbeat, os germânicos Øl ganharam uma nova vida e Corello Motello a sua mais recente proposta reflete precisamente isso num disco onde a mistura de hard rock e rock alternativo se mostra aliciante. Via Nocturna foi falar com Jens para saber o que mudou no reino dos Øl.
 
Olá Jens, com o lançamento do álbum The Merging, parece que os Øl ganharam uma nova vida. Sentes o mesmo?
Definitivamente! O título do álbum The Merging era para enfatizar todo o sentimento que ocorreu durante a produção e os shows ao vivo. Øl entrou numa nova era da sua história e...
 
Portanto, Corello Motello é a continuação lógica dessas boas vibrações ...
Sim, porque desta vez a composição não foi apenas monopólio do Sebastian, mas passei a ser o segundo principal criador de temas para o álbum. Para além de que toda a banda esteve envolvida na decisão de quais os temas a gravar e todos os temas sofreram arranjos em estúdio pela banda antes de serem gravados. Assim, a gama de influências foi muito maior em Corello Motello.
 
Entretanto, passaram quase três anos... Pelo meio um Unplugged. Porquê?
Em Øl estamos sempre à procura de novos desafios e de experimentar coisas novas. O show unplugged resultou disso. Nós sempre quisemos tocar com uma orquestra ou pelo menos alguns instrumentos clássicos como cordas ou outra coisa. Por isso nós fizemos os arranjos e reorganizamos as músicas para cordas, sopros e mesmo um coro. Um amigo ajudou-nos porque não somos muito bons na escrita da música e os músicos de cordas não foram capazes de operar com base na nossa forma de “escrever” o que foi muito engraçado.
 
Tiveram também o single Heartbeat, uma canção muito utilizada como hino do Euro 2012! Foi essa a vossa intenção ou não?
No início não, mas a música passou a ser ideal para o efeito e aproveitamos oportunidade. De qualquer forma, ainda a tocamos vivo, mesmo que o Euro 2012 já não esteja na cabeça de ninguém, e ainda balançamos muito o público
Corello Motello tem um nome realmente estranho! Existe algum significado específico?
Ao nosso vocalista Sebastian, quando comemorou o seu quinto aniversário, deram-lhe um palhaço chamado Corello Motello para fazer algumas piadas, que eram tão terríveis que Seb ficou traumatizado até hoje. Escrever este álbum fez parte da sua terapia para esquecer o trauma. Não… estava a brincar! Apenas queríamos ter um álbum com um nome único no Google.
 
Também continuam a manter tendências para capas estranhas. Desta vez, quem foi o responsável, e que mensagem tentam transmitir?
Não há nenhuma mensagem associada ao artwork. Apenas pensamos que apoiava o título do álbum e porque, gostamos do estilo retro, porque estamos longe de mais dos 30… O trabalho gráfico foi feito por Sascha e Dirk.
 
Podes contar um pouco de como decorreu o processo de gravação?
O Sebastian e eu apresentamos pré-produções de cerca de 40 músicas para a banda e também para alguns espectadores neutros no nosso estúdio. As 20 músicas mais apreciadas sofreram arranjos durante os ensaios com a banda completa e depois gravadas ao vivo. O resultado foi a base para a escolha do material para a gravação completa. Durante a gravação quase não adicionamos nada por cima do que tinha sido gravado ao vivo. Também trabalhamos sem cordas e outros instrumentos reais, porque preferimos backlines eletrónicos e samples, a fim de dar ao álbum uma atmosfera mais compacta. Nós pensamos que este é um aspecto central deste álbum em comparação com The Merging onde usamos principalmente instrumentos "reais" e muito pouco os sintetizadores.
 
Eu gostaria de colocar uma questão a respeito do tema All In All. É uma música dividida em duas com um intervalo ou a parte final é algum tema escondido?
A parte final é um tema escondido. É uma homenagem ao nosso baterista Sascha chamada Sash, porque é ele que conduz o autocarro da tournée e muitas vezes salva-nos de estarmos demasiado sóbrios (risos).
 
Com uma carreira tão longa, olhando para trás, o que sentes? Como analisas a vossa carreira?
Nós sempre tivemos a liberdade para fazer o que quiséssemos. Temos a nossa própria marca que nos coloca em posição de fazê-lo. Achamos que temos mais credibilidade se não andarmos sempre a correr atrás de hooklines compatíveis apenas com o intuito de aumentar a atenção de estações de rádio e outras fontes. Divertimo-nos realmente, curtimos a música que tocamos e estimamos o tempo em que estamos em palco, não importando se estão 20 ou 2000 pessoas.
 
Quais são os vossos próximos projetos?
É claro que a promoção deste álbum ao vivo. Estamos ansiosos para tocar alguns concertos ao longo do ano de 2013. As primeiras reações do álbum foram surpreendentes. Para além de que eu e o Sebastian já podemos começar a escrever novo material para o próximo álbum pois já estamos com fome. Talvez lancemos um álbum mais eletrónico e minimalista da próxima vez. Estamos extremamente curiosos sobre o que pode acontecer a nós mesmos.
 
A terminar queres dizer algo mais aos nossos leitores?
Sim, claro! Obrigado por lerem isto e se assim for, por gostarem do nosso álbum. Talvez nos encontremos num dos nossos espetáculos se estivermos próximos de ti!

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