Entrevista: Reign Of The Architect

De Israel chegam-nos os Reign Of The Architect (ROTA) com um sensacional álbum Rise. Davidavi Dolev, Nina Vouraki e Yuval 'Boolbool' Tamir juntaram-se para uma entrevista cheia de conteúdos filosóficos que passou pelos Orphaned Land, Moonspell, ThanatoschizO, Israel e, claro, a completa e minuciosa dissecação do conceito presente em Rise.
 
Viva e obrigado por despenderem algum do vosso tempo a responder a Via Nocturna. A começar podem apresentar os Reign Of The Architect aos metalheads portugueses?
Yuval Tamir (YT): Olá! O prazer é nosso por estarmos com a Via Nocturna. Apresentação dizes tu… Bem, acho que Reign Of The Architects (ROTA) é uma banda de symphonic-prog-metal. Começou como um projeto internacional de Yuval Kramer e Mauricio Bustamante e com a colaboração de 5.254 músicos em todo o planeta (alguns desconhecidos, outros menos). O projeto foi desenvolvido num álbum - Rise. Como os ROTA tiveram algumas dificuldades para criar um espetáculo com um lineup internacional de 5254 elementos, teve que ser cortado num pequeno grupo de israelitas (adicionado de Nina - a poderosa grega). Eu juntei-me uns pouco antes da tournée russa. Como todos os músicos, estamos em permanente desenvolvimento ao longo do tempo, tanto individualmente como em grupo, de modo a ter todos os itens acima de uma responsabilidade limitada.
 
Porque um nome como Reign Of The Architect?
Nina Vouraki (NV): A banda começou como um projeto com o nome Architect, mas depois da perceção de que já havia muitas bandas com esse nome, os ex-membros decidiram mudá-lo. Eles tiveram essa ideia para, no álbum, lidar com o conceito de Deus e do destino e se ele existe ou não (totalmente roubado de Matrix). Por isso, decidiram mudar o nome para Reign Of The Architect. Na minha perspetiva, o nome já diz que eu sou um arquiteto e minha vida é o meu reinado, onde posso criar e destruir, onde governo (Rise, em algumas partes, lida com este ponto de vista). Não importa no que acreditas ou onde rezas. No fim tens o controlo absoluto para viveres a tua vida da forma que sempre sonhaste ou para torná-la a tua miséria. Quando se está na merda, podes rezar durante anos e acreditar em 45 deuses diferentes e, talvez, alguma coisa possa mudar, mas estará sempre fora de teu controle e do teu poder e só vai provar a tua fraqueza e medo. Em vez disso, se perceberes que tu és o arquiteto e começares a reinar na tua vida, então irás viver - curta ou longa - a vida da maneira que quiseres. E isso não pode ser certo ou errado. A realização, no entanto, tem uma enorme responsabilidade, porque vais ser a causa e razão daquilo de que vais culpar no teu seu leito de morte. Assustador, mas ainda assim desafiador.
 

Rise, o vosso primeiro lançamento e ao qual já se referiram, é um álbum conceptual. Podem explicar em que consiste esse conceito?
Davidavi Dolev (DD): Bem, basicamente, o álbum conta uma história que a maioria das pessoas, apesar das diferentes culturas, está muito familiarizada. O que acontece quando temos grande poder (bom ou mau) nas nossas mãos muito pequenas. A questão da ironia por trás do Hubris e, como em todas as mitologias leva à destruição do protagonista. No entanto, tentamos usar esse padrão de conto, a fim de alcançar algo um pouco diferente. Estávamos a tentar desenhar um mapa onde, independentemente, da perspetiva da personagem escolhida, ser possível olhar para um quadro maior onde os personagens sistematicamente falham e entendem que eles não são o centro da história. Incluindo o Architect. A forma como eu vejo a história agora (e talvez num dia diferente tivesse uma resposta diferente) é que não há protagonistas. E também não há antagonistas. Existem apenas pessoas egoístas que racionalizam a sua de-moralização através de necessidades emocionais que lhes permite fazer as coisas "por si" e não "contra os outros". O fator de culpa que se encontra na moral monoteísta ocidental e os valores familiares, levam todos a escolher caminhos errados. Eles estão a tentar chegar a um ponto de felicidade enquanto batem tudo à sua volta. Uma vez que eles estão demasiado ocupados durante demasiado tempo com o que os outros podem sentir ou pensar que ficam frustrados, numa situação de agressividade passiva para, no final, a violência irromper de uma forma muito direta e previsível. Eles acham que ninguém pode ver a diferença entre o que realmente querem e como realmente agem. Nesta lacuna reside a culpa, raiva e arrependimento – um tipo mau de arrependimento - antes de fazer algo desesperado, não do tipo de "merda, fiz algo errado e sinto-me tão mal que preciso fazer uma correção", mas do tipo de uma pessoa que se vê como uma vítima até o ponto de ele próprio se tornar o carrasco. Se me perguntares, o personagem mais estúpido nessa história é o Arquiteto. Desde o início da história até ao final, ele não deixa de ser reativo para outros, uma folha em branco para manipular. Todas as coisas más que ele faz não são para melhorar algo na sua própria vida; simplesmente é arrastado depois de cada escolha que cada personagem diferente faz. Ele é a pessoa mais poderosa da história, tem o potencial para se tornar o mais bem sucedido, talvez até ingénuo e com um coração puro, mas ele é menor quando se trata de inteligência emocional e como interagir (novamente, para o bem ou mal) com outras pessoas. E, finalmente, depois de receber tudo o que ele achava que era o que queria, permanece sozinho e confuso, ainda inflamado com sentimentos negativos e não percebe que o centro da história não é ele, mesmo que seja o último homem em pé. Os ouvintes podem escolher para si onde se situa o centro. Acho que o centro encontra-se fora do álbum, mas neste momento sinto que não quero explicar como e porquê. A partir daqui tu podes e deves levá-lo até achas que ele deve ir. Tudo é discutível. Pega em todos os itens acima numa sociedade de responsabilidade limitada.
 
Mas esta é a apenas primeira parte, certo? Quando podemos esperar a segunda e quais as diferenças que se preveem?
YT: Sim, Rise é a primeira parte. Quanto à segunda parte esperamos tê-la pronta no verão de 2014. Sobre diferenças, honestamente não sabemos. Tivemos uma grande mudança de lineup desde a gravação de Rise. Naturalmente, a abordagem musical e lírica mudaram - o que acabará por levar a segunda parte para uma direção diferente. Cada membro tem a sua própria visão e se querem a minha opinião, que se lixem. A meu ver, deves esperar um ponto de vista mais escuro relativamente a Rise, acompanhada de música mais heavy, mais agressiva e mais maléfica. Ah, e alguns contos e o pó mágico para Nina.
 
E porque a divisão do álbum em três atos?
NV: Os três atos são de, certa forma, três diferentes cenas ou capítulos da história. O álbum é a história. É quase escrito como um filme, tem um começo e um (bombástico) fim (pelo menos por agora), personagens com diferentes backgrounds, sentimentos, intenções, a interação entre eles, a moral, comparações, alegorias. Na minha opinião, este álbum é a banda sonora perfeita para este filme ou, em outras palavras, o retrato dos sentimentos e pensamentos dos músicos quando ouviram esta história, neste início, neste fim e assim por diante. Isso não é necessariamente verdade, porque não tenho ideia no que Yuval, por exemplo, estava a pensar o quando gravou o riff de guitarra em Hopeless War (talvez ele estivesse a pensar no cachorro que vai ter). Mas, ainda assim, a julgar apenas pela maneira que ouvi e escrevi música, eu sinto e acredito que, se alguém ler e entender a história e as alegorias do álbum, não há melhor banda sonora para ele!
 
Um dos aspetos mais revelantes é a vossa lista de convidados. Como conseguiram obter esses nomes que colaboram convosco? Deve ter sido uma grande honra e uma experiência incrível, não?
NV: Como conseguimos a colaboração de todos estes nomes.. bem, simplesmente pedimos! É incrível quantas coisas se conseguem quando tens a coragem de, simplesmente, pedir! Yuval enviou e-mails para uma lista de músicos respeitáveis e influentes e, no final, foi conveniente ter trabalhado com essas pessoas incríveis. Pessoalmente, eu fazia parte da lista de convidados e depois de o álbum estar concluído fui convidada para membro permanente. É verdade que foi uma grande honra para mim ter trabalhado neste álbum com todos os outros e para dizer a verdade, foi uma grande surpresa quando ouvi que todos estavam a tocar sobre a matéria-prima ainda nua que enviaram, sem qualquer outro instrumento. O talento, as habilidades musicais e a emoção que essas pessoas trouxeram era de "cair o queixo"! É sempre mais fácil esconder alguma coisa, uma nota mal dada, uma pequena imperfeição no mix, mas quando ouves algo sozinho, então consegues ouvir a verdadeira musicalidade. Também apreciamos realmente o caráter de todos os nossos “clientes”. Mike é uma supermáquina com o coração mais doce, Jeff é um verdadeiro Viking e Joost deu-me, pessoalmente, uma tarefa difícil: tentar tirar o seu solo de ouvido para tocar nos nossos espetáculos ao vivo (o que não te mata, torna-te mais forte). Continuamos a manter contato com todos eles e olhando para a frente para talvez uma colaboração futura. Ainda assim, acho que, para nós, não vai ser o fim da nossa lista de convidados. Nós adoramos trabalhar com diferentes músicos (famosos ou não), pessoas diferentes – isto é com mundos diferentes - e criar um grande caos de emoções. Então, se não o conheço ainda, é só pedir!
 
Como decorreu o processo de gravação? Sentiram algum tipo de dificuldades ou não?
DD: Pessoalmente apenas me juntei ao processo já depois da maioria das estruturas das músicas terem sido escritas, mas faltavam as melodias vocais, obras orquestrais mais específicas para cada música, solos, etc. Quando recebi o telefonema para vir e fazer um teste para este álbum eu saltei! Adoro o trabalho de Amaseffer e Yuval e a oportunidade de trabalhar com músicos de todo o mundo era algo que eu não podia dar-me ao luxo de perder e para meu prazer, Mauricio e Yuval acharam que estava apto para o elenco e para o que restava musical e artisticamente e para ser um membro real da banda. Eles já estavam a trabalhar há dois anos apenas enviando mails um ao outro (!!) antes mesmo de se encontrarem e sinto que isso é algo que fez esta produção muito original. Havia sempre uma necessidade de ir lá e rever cada parte de novo e de novo. Assim muitas camadas foram adicionadas, tornando-se cada vez maior, às vezes no limite do caótico já que há tanta informação para o ouvinte consumir a cada momento que passa e em cada aspeto diferente. Não é um álbum que as pessoas devam julgar depois de uma ou duas audições. Há tantas coisas a acontecer, com tantas abordagens musicais diferentes de tantos músicos, mas ao mesmo tempo o clima romântico e teatral está sempre lá. Este foi o lado positivo de trabalhar em estúdios diferentes e desafiando cada músico para enfrentar e ser reativo às ideias musicais de pessoas que não se conheciam. É por isso que nós escolhemos trabalhar com Mike Lepond ou Joost etc, pois sabíamos o que eles podem trazer para a mesa; sabíamos que podíamos confiar neles para fazer um grande trabalho, sem estar no estúdio com eles. Foi emocionante e grande. Por outro lado, nunca tínhamos tocado ao vivo juntos antes do álbum ser feito. Isso significa que as energias do álbum podem ser um pouco estranhas, em comparação com as bandas que tiveram a oportunidade de aprender a linguagem corporal, a mímica e a química de tocar ao vivo. Às vezes era difícil e muito desafiador fazer as coisas soar como eles são, naturalmente, sendo conduzido para a frente. Mas nós trabalhamos duro e em estúdio estivávamos cientes deste desafio e acho que trabalhamos duro o suficiente para estarmos felizes com o resultado final. Numa perspetiva retro podes sempre encontrar coisas que poderiam ter sido feitas melhor, mas se assim não fosse e as coisas fossem fáceis, então deveríamos parar o que estamos a fazer. O amanhã foi inventado para lutar incansavelmente após as tuas ambições. Isso é exatamente o que cada um de nós, e a banda como um todo, estão a tentar fazer. Pensem sobre isso. Há uma grande diferença energética entre ouvir o álbum e ouvir este projeto como um espetáculo ao vivo. Espero que mais e mais pessoas comecem a experimentar estas diferenças.
 
Este é um lançamento feito pela Pitch Black Records. Como chegaram ao contacto com a editora cipriota?
NV: Há cerca de um ano e meio atrás conversei com a Pitch Black a respeito de um assunto totalmente diferente (um festival ou algo assim) e tive uma conversa muito agradável com Phivos. Depois de algum tempo à procura de uma editora, o nosso manager falou na Pitch Black Records. Trocamos algumas palavras e entendemos que poderíamos trabalhar juntos de forma muito harmónica. Para mim, pessoalmente, é muito positivo já que posso falar com Phivos na minha língua materna e ter uma boa cooperação, com uma editora tão respeitável, especialmente no meu país. E acima de tudo, Phivos é uma das pessoas mais impecáveis e trabalhadoras que conheço.
 
Sendo de Israel, haverá sempre comparações com Orphaned Land, talvez a banda mais internacional do vosso país. Consideram que o seu sucesso tem ajudado a dar mais oportunidades às outras bandas israelitas?
DD: Sinceramente? Infelizmente não. É como perguntar se o sucesso dos Moonspell trouxe mais oportunidades para as outras bandas de Portugal. De onde eu estou, infelizmente, vejo que cada homem é para si mesmo. Tu não podes prever o que te vai trazer sucesso, mas se estás à procura disso, então estarás a perder a tua própria expressão como pessoa - sempre de-individualizando-se para uma multidão que estará sempre lá. Isso é péssimo não? Fazer arte, quando na verdade é um trabalho? Os Orphaned Land são uma empresa com 20 anos de idade. Fizeram algo de novo na época pré-internet e ficaram no mapa. Na realidade, adoro tudo deles até Mabool e, principalmente, El Nora Allila, que para mim foi o melhor e o seu último esforço espiritual real, que eles fizeram. Mabool era magnífico por muitas outras razões, mas, desde então, para mim é como Coca Cola - um produto que mantém seus consumidores fiéis, por isso nada de novo ou interessante irá acontecer, a menos que seja PR. Só pode haver uns Orphaned Land. Qualquer outra coisa, como disseste, irá ser comparado a eles. Eles foram os primeiros a fazer o que fizeram, basicamente, junto com os Melechesh, penso eu. Mas, em geral, é um desperdício de tempo comparar bandas e artistas. E daí se eu sou de Israel? A maneira que eu processo as coisas é diferente, portanto a menos que seja um relatório académico em etnomusicologia, quem se importa? Se gostas deles - porreiro. Se não gostas – porreiro na mesma. Lembra-te que só pode haver uma pessoa como tu. Precisas de um truque muito autoexplicativo a fim de estabelecer o que? Desta forma, nunca te será dada a oportunidade de te desenvolveres, porque estás preso numa teia de agendas pop. É fácil para promover estereótipos. É por isso que não vês muita música israelita (principalmente metal) espalhada pelo globo. Tudo é misturado aqui, por isso torna-se muito complexo vendê-la e tem muitos bilhetes de avião envolvidos. Para que se vai preocupar a indústria europeia? Há essa sensação quando não se é europeu, mas tu queres ser notado pela indústria europeia indo de uma "forma totalmente étnica" ou super na moda, com a finalidade de chamar a atenção da Europa como uma banda de folk metal de algum lugar distante, repetindo o mesmo gimmick, que é chato, pelo menos para mim. Assim como os fãs de metal israelitas acham o folk metal finlandês intrigante. Espero que um dia eu seja capaz de ser intrigante o suficiente apenas por causa do meu espectro pessoal (adoro bandas como Sigh, que não consegues dizer de onde eles são e têm um som muito original) com uma linguagem privada, influenciado por tudo ao meu redor. Apenas sendo eu mesmo, não quero ser um mensageiro de nada maior que eu. Não sinto que precisemos de formas hipócritas de nos vender a nós mesmos. Eu prefiro ser honesto, mas sem sucesso. Admitimos frontalmente – adoramos muito os nossos fãs, mas não esperem que nós digamos algo profundo e significativo ou agir de determinada maneira, só para nos aceitarem pelo que somos e pelo que estamos a fazer e se não gostas disso, agradecemos-te por teres perdido tempo a ouvir e a decidir por ti mesmo. Realmente, isso é tudo que importa.
 
Sentem algum tipo de pressão lírica ou musical no vosso país?
DD: Uma coisa surpreendente sobre Israel é que é um país que tem tudo. Culturalmente, nós, como uma nação de pessoas, temos alguns elementos básicos em comum com paisagens antigas do que fomos e, ao mesmo tempo, depois de termos sido exilados - historicamente derivamos de quase todas as partes do mundo - cada um dos nossos avós voltou para Israel com toneladas de culturas mistas nas suas mentes, sentados todos juntos outra vez, misturando-se ainda mais após a vinda de todo o mundo juntamente com os pós colonizados e tendo mais televisão popular inundada com conteúdos americanos e a globalização deste mundo pela internet... percebes onde quero chegar? Aqui não há nenhuma diferença entre Shostakovich, Michel Jackson e Oum Kul Thum. Este é um país muito jovem, que foi forçado à inter-textualidade desde uma idade muito jovem. Por isso, musical e liricamente há tantas influências, tantos géneros, tantas questões de identidade e isso é bom para ser perguntado a um artista. Não há qualquer tipo de pressão, nem política nem artisticamente. Podes fazer o que quiseres, a menos que estejas a chamar alguém de assassino e coisas assim, é claro. Essa é uma razão porque todos nós temos mais projetos musicais e muitas outras coisas que poderás verificar num futuro próximo. Temos muitas coisas para explorar e expressar. A única pressão é o diálogo entre músicos não europeus (e alguns americanos) com as empresas europeias. Eu mencionei isso no início da última pergunta. Acho que este álbum tem uma grande imagem do romantismo europeu, mas ainda assim temos o nosso próprio caminho bem definido, misturando-o com outras estéticas, como musicais da broadway, fusão, um pouco de música étnica das nossas diferentes áreas, mas sempre na quantidade certa para o meu gosto. Quando algo soa estranho a maioria das pessoas são rápidas a fazer julgamentos - ainda mais, quando não é uma mudança radical, apenas uma pequena torção, em que elas nem sempre sabem como agarrá-la. Eu gosto do facto deste álbum não ser para toda a gente, apesar de, na minha opinião, ser uma espécie bastante comercial de metal, mas com caráter. Temos outros projetos, muito mais experimentais e posso dizer-te que a indústria está a jogar pelo seguro, em vez de ter atenção a música que pode trazer de volta os consumidores. Vai demorar algum tempo, mas eu sugiro que inclinem os vossos ouvidos para outras direções. A linguagem metal da europa central não será mais relevante como é hoje (e não estou a falar de coisas como Deathspell Omega e assim, falo da cena Prog Power - mesmo sabendo que eles têm uma técnica acima da média, para mim tornou-se unidimensional). Atualmente é mantida em cativeiro pela sua própria imagem e paradigma. É uma grande inclusão, mas percebes o meu ponto. Eu sou um fã de música ímpar (olha para ROTA e vês que não há assim tantos exemplos de Prog sinfónico na cena metal). E nós temos aqui no Médio Oriente, muita arte como essa. É como uma bolha na qual a Europa está presa e sem se poder mover, por isso peço-vos: depois desta entrevista, por favor enviem-me, bandas portuguesas porreiras, qualquer tipo de música. Aposto que há muitos artistas incríveis no teu país (daqui saudamos os ThanatoSchizO!) que o mundo não consegue ouvir. Talvez a única maneira de romper essa situação, sem ter em conta o quão bom se é, é ter dinheiro. Vivam os pequenos empresários ambiciosos que amam música e acima de tudo, vivam os ouvintes. Nunca devemos desistir.
 
Têm alguma tournée planeada? E a Europa estará incluída?
YT: Temos alguns grandes planos para isso, mas vão ter que esperar até que o novo lineup esteja concluído. Mas já temos alguns espetáculos marcados para o outono. Vamos devagar conquistar este planeta. Europa incluída!
 
A terminar, querem dizer mais alguma coisa que não tenha sido abordado nesta entrevista?
NV: Muito obrigado pela entrevista e estamos ansiosos por te conhecer pessoalmente e conversar mais a respeito desta chata causa filosófica, que como podes verificar, temos quantidades infinitas dela…
 
DD: Eu posso ser um chato, portanto vou-me calar agora, mas obrigado pela oportunidade de falar das nossas mentes e corações. Vamos ser amigos, vamos fazer amor, vamos ter uma orgia. Nós vamos trazer o húmus. É um excelente lubrificante.
 
YT: Obrigado e come muita salada. É saudável.

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