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Entrevista: Under The Pipe

Depois de várias experiências em formato unicamente digital, eis que Valério Paula e Under The Pipe apresentam um trabalho em formato físico. After Sound Comes Silence surge com a chancela de qualidade da Ethereal Sound Works e apresenta algumas novidades em relação aos trabalhos anteriores do projeto. Fomos descobri-las em mais uma conversa com o músico.
 
Olá Valério, tudo bem? Já não conversávamos desde 2011. Como tem sido o teu trajeto nestes últimos tempos?
Para ser sincero anda na mesma. Trabalho, casa, divulgar a música aqui e ali, ouvir o que as pessoas têm a dizer, curtir um som novo, admirar a batalha das bandas no "nosso" mercado. E para já apreciar o pouco tempo que tenho livre para curtir um passeio com a família.
 
Entretanto, aí estás com um novo trabalho. E este cheio de novidades. Em primeiro lugar é o teu primeiro trabalho com edição física. Foi opção da editora?
A verdade é que enviei o material para a Ethereal Sound Works, naquela de ver se eles curtiam... já tinha interesse de outras editoras para distribuição digital, mas já estava um pouco cansado deste formato e quando a ESW mandou resposta dizendo que tinha gostado do trabalho que estava a fazer em Under The Pipe, surgiu-me a ideia de saber se eles tinham gostado a ponto de editá-lo, a resposta foi positiva e desde essa altura tive grande atenção da parte da ESW, que nos ajudou na reformulação do layout e tem-nos ajudado com um vídeo que irá promover o Cd After Sound Comes Silence.
 
Por falar em editora, estás agora numa label nacional. E depois de teres andado a saltar entre diferentes editoras, como te vês na ESW?
Sinto-me muito bem, tivemos um encontro no qual ouvi as ideias da editora, e quanto eles querem crescer e ajudar os artistas. Hoje em dia é tudo muito difícil, não só para as bandas novas como para as editoras em apostar nelas e é ótimo saber que o trabalho chegou a agradar a ponto de Under The Pipe ser escolhido para ganhar uma edição física. E em breve digital.
 
Outra das novidades é que desta feita, não estás sozinho, tens mais dois elementos a trabalhar contigo. Na última vez que conversámos já se tinha levantado essa hipótese. Foi questão de encontrares os elementos certos?
Apesar de ter dois elementos em Under The Pipe, todo o processo de composição e gravação foi meu sozinho novamente. O Igor era meu baterista na época dos Skewer e o João era um baixista conhecido do Igor, mas ainda estamos na fase de conseguir tempo.
 
Com a inclusão de novos instrumentistas, já se verificou a vossa saída para concertos? Lembro-me que na altura em que falámos na última vez estavas a trabalhar nesse sentido…
Apesar de querer tocar ao vivo e já terem aparecido convites para atuar, hoje o Igor concentra-se mais num projeto que ele tem por a gente ter perdido o nosso baixista e para a falta de ajuda com as bandas, pois não é nada fácil sair de casa e tocar nos dias de hoje. As possíveis propostas são de desanimar qualquer pessoa que se queira aventurar pelo mundo da música, dando mais vontade de estar em casa do que sair para ir tocar num bar qualquer no qual sabemos que é complicado sem patrocínios, pois a falta de divulgação dos novos projetos faz com que tanto a casa quanto a banda e todos envolvidos percam tempo. Mas vamos trabalhar na divulgação de forma gradativa sem nos lançarmos às cegas em concertos que sabemos que em nada irão ajudar no processo de desenvolvimento de divulgação do nome da banda, do trabalho e da editora. As coisas têm que ser muito bem vistas e feitas. Vejo o caso de bandas como Linda Martini, que mesmo não sendo bem remuneradas, mas são bem administradas, tendo bons concertos, com bom público e com lançamentos de qualidade.
 
Assim depreendo que em relação à promoção deste trabalho, ainda não existam datas programadas?
A promoção deste trabalho por enquanto limita-se a tentar chegar a revistas, blogs, sites de música, rádios sejam elas independentes ou não e pela Internet em vídeos, email's etc... Tentar dar a conhecer o máximo, antes de nos metermos em aventuras em que ninguém sabe da existência da banda ou do trabalho. Também estamos na fase de selecionar músicos, pois penso em explorar festas, fazer a primeira parte de bandas nacionais ou internacionais para dar a conhecer o nome dos Under The Pipe e o seu trabalho.
 
Existe algum significado para um título como After Sound Comes Silence?
Basta simplesmente traduzir e terás o significado... Não, não há escondido no titulo, é exatamente o que está escrito.
 
Parece-me a mim (se calhar estarei errado mas é a minha sensação) que este trabalho tem mais melodia e mais harmonias. Concordas? E era essa a tua intenção?
Na verdade queria apenas que tivesse uma sonoridade mais direta e que funcionasse em palco, pois não podemos dar 30 ou 40 minutos de música calma, acho que se tornaria aborrecido. Portanto, Under The Pipe precisava que fosse um pouco mais agitado e assim pretendo que seja daqui pra frente, com músicas mais energéticas e sempre mais rock... mas sem abandonar o lado espacial e ambiente que é a marca do estilo.
 
E daqui para a frente? O que pensas que poderá acontecer, ou que projetos/ideias ponderas por em prática?
Claro, mas quero e precisamos de dar a conhecer, as pessoas precisam ler, ouvir na net, e pensar ter curiosidade em ver ao vivo. Tem que ser um processo de passos, para não acontecer como em alguns projetos que conheço, que se fartam de ensaiar, fazem uma maquete e desbravam-se em concertos com salas vazias porque as pessoas não conhecem. Mesmo que sejam temas originais, tem que ter um público alvo e que as pessoas tenham interesse em ver, por que já leu, viu na net ou ouviu na rádio. Assim é que se faz saber como uma banda é ao vivo e se criam boas tournées.
 
Olhando para trás, como analisas a tua carreira? Já tiveste diferentes experiências em múltiplos géneros. Se te perguntasse qual a que mais te marcou, que responderias?
Em relação a público acho que a melhor experiência foi em Opus Draconis de 2002 até 2005, quando tínhamos salas com 500 a 2000 mil ou mais pessoas, datas todos os fins de semana, e a experiência de dividir palco com muitas bandas estrangeiras, como Decapitated, Primordial, Ordo Draconis, Sinister e grandes bandas nacionais como Desire, Painstruck, Decayed, Shadowsphere entre muitas outras. Em relação a fama, Skewer foi um projeto muito mais conhecido dentro e fora de Portugal, com concertos fora do país, vídeo nas MTV´s, SIC, MVM, rádios em várias partes do país passando temas e tendo entrevista em rádios como a Best Rock quando ainda tinham o Miguel e a Tânia (produtora). Tocávamos mesmo em pequenos bares cheios, como também em festas de cidade e festivais. Todos me marcaram de alguma forma. E espero que Under The Pipe venha a ser algo tão grandioso como foram estes projetos até a minha saída.
 
Obrigado mais uma vez, e dou-te agora espaço para acrescentares algo mais para os nossos leitores…
Apenas peço a todos que tiveram a paciência de ler esta entrevista que ouçam com atenção os Under The Pipe e que se gostarem venham fazer parte e agradecer ao Gonçalo e à Ethereal Sound Works por nos estar a ajudar nesta nova caminhada. E a ver vamos aonde isso vai dar; afinal a música é de todos e para todos independentemente do grau, género, classe, filosofia ou cor. Abraço e obrigado pela oportunidade em dizer estas palavras no teu espaço.

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