Entrevista: The Statesboro Revue

The Statesboro Revue é mais um nome trazido até à Europa pela chancela de qualidade da Teenage Head Music. Depois do brilhante Ramble On Privilege Creek e antes de virem até à Europa (onde mais uma vez, Portugal fica de fora!) Stewart Mann, falou a Via Nocturna do álbum, do Texas, das suas experiências artísticas e dos projectos paralelos.

Viva Stewart e obrigado pelo teu tempo com Via Nocturna! Podes apresentar os The Statesboro Revue ao público Português?
Absolutamente! É um prazer e obrigado pelo teu interesse. Quanto aos The Statesboro Revue, somos uma banda de Austin, Texas que revisita as raízes do rock ‘n’ roll. Tentamos escrever músicas reais, com alma e groovy na esperança de que de alguma forma faça mexer as pessoas ou as toque emocionalmente.

Podes contar-nos um pouco da vossa história até agora?
Nascemos em 2008 e colocamos cá fora o nosso primeiro disco no final de 2009. Tocamos mais de 225 vezes por ano em todo o país desde que começamos e esta será a nossa primeira vez na Europa (em janeiro). Já dividimos o palco com muitas bandas incríveis como The Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, Marshall Tucker, Jerry Lee Lewis, War, The Wailers, e até mesmo Willie Nelson.

Qual é a relação entre os The Statesboro Revue e Stewart Mann & The Statesboro Revue?
É exatamente a mesma banda. Apenas decidi tirar o meu nome não só porque era muito grande, mas também porque não sou ego maníaco e não preciso do meu nome na frente como se fosse um one man show.

Quais são as principais influências de TSR?
Eu diria que as influências variam muito, mas elas irão de Otis Redding a Joe Cocker e de The Black Crowes a Van Morrison e até mesmo um pouco de country clássico tocado na dose certa.

E como definirias Ramble On Privilege Creek?
É um disco muito difícil de definir devido à sua diversidade, mas apesar de tudo diria que tentamos fazer um disco com alma, sincero, caloroso, muito orgânico e acho que conseguimos isso. Usamos mais de 17 instrumentos diferentes, tocados quase todos por nós próprios, produzimos nós próprios, misturamos nós próprios e tentamos juntar o nosso melhor material. É o meu primeiro disco com Garrett na banda e a esse respeito é uma espécie de disco familiar. O nosso bisavô tinha uma banda chamada The Bluebonnet Ramblers e o nosso avô vive em Privilege Creek de onde, literalmente, vem o título.

Podes contar-nos um pouco do processo de composição e gravação de Ramble On Privilege Creek?
Uma vez que tivemos três anos entre discos, tivemos muito tempo para escrever e criar a visão que se tornaria Ramble On Privilege Creek. Tivemos mais de 40 músicas para escolher, o que nunca aconteceu comigo antes, e foi incrivelmente difícil diminuir a lista para as 12 finais. O próprio processo de gravação levou pouco mais de 4 dias foi feito em fita (analógico) para obter esse som quente e cheio procurávamos. Vivemos, comemos e gravamos todos juntos na mesma casa em Nashville, TN e foi uma grande experiência. Nunca irei esquecer isso...

De que forma este álbum é diferente ou semelhante aos vossos anteriores?
Este álbum é similar ao último disco, Different Kind Of Light, apenas no sentido de que a ideia central para o som ainda é a mesma. Fora isso, a composição, a reprodução, a mentalidade, a abordagem, tudo evoluiu e subiu alguns degraus. Nós realmente trabalhamos para nos tornarmos melhores executantes, melhores compositores e melhores cantores e acho que isso faz a diferença.

Este álbum foi quase totalmente composto por ti e pelo teu irmão, certo? Os outros músicos são membros permanentes ou apenas músicos de sessão?
Sim, no processo de composição somos basicamente eu e o meu irmão, mas os outros músicos fazem parte da banda e também ajudam no processo de composição, com certeza. Temos uma política de mente muito aberta quando se trata de ideias para música, etc.

Vocês consideram-se com a bandeira da música texana da atualidade?
Essa é uma pergunta muito interessante... Acho que o nosso som, de alguma forma, representa de onde somos. No entanto, com influências como The Rolling Stones, The Beatles e The Faces entre outras é difícil dizer que somos texanos.

Mas o facto de vocês serem texanos afeta a maneira como vocês criam as vossas músicas?
Estou absolutamente de acordo. Crescendo no Texas somos apresentados a tantos tipos diferentes de música, mesmo dentro de géneros como rock, blues, country, folk, funk, soul. Há subgéneros dentro de cada um desses géneros que estão definitivamente associados às regiões, cidades, estados, onde se cresce.

No ano passado participaste em audições para The Voice. Como foi essa experiência?
The Voice foi uma grande experiência... Infelizmente as equipas ficaram completas antes da minha audição real na televisão, mas estive em Los Angeles quase dois meses e conheci um monte de pessoas talentosas. Olha, foi como um período de férias pagas, não podia ser melhor!

E também um papel em Buddy: The Buddy Holly Story. Como viveste essa experiência?
Esse foi um dos pontos altos da minha vida! E que honra e privilégio poder retratar um ícone do rock n roll. Eu não tinha ideia de como ele era incrivelmente talentoso como cantor, compositor, guitarrista, cantor, etc. Espero poder fazê-lo novamente algum dia.

Para além dos TSR tu e o teu irmão têm planos de fazer algo diferente?
Absolutamente. Ambos escrevemos todos os tipos de coisas musicalmente que não necessariamente se encaixam em The Statesboro Revue por isso temos um projeto mais folk/country chamado Sons of Magnolia, um de rock n roll chamado The Moon Roosters e até temos um jazz/funk/soul/fusion chamado The Groove Factory. Acho que ajuda à criatividade, se te esforças para trilhar diferentes sons, novas avenidas, e isso é algo que eu gostaria de prosseguir no futuro.

Uma curiosidade: és fã de Tom Sawyer? Porque uma canção como Huck Finn?
Eu sou um fã de Tom Sawyer e Huckleberry Finn e gosto desse período, antes de a tecnologia ter ficado fora de controlo e consumido toda a atenção de todos. O tempo das crianças passarem a maior parte do tempo na rua foi-se, em grande parte devido à tecnologia, e isso é triste. É uma espécie de canção de retrocesso, que tenta levar-te de volta para o que era noutra época.

Por esta altura estão em tournée no vosso estado. Como estão indo as coisas?
Estão ótimas, muito ocupados como sempre, tentando promover um single nas rádios e continuando a espalhar a palavra sobre a nossa música.

E depois o que têm planeado?
Vamos ter uma semana calma durante o Natal, depois vamos para o Colorado durante uma semana e imediatamente vamos para Espanha para iniciar a nossa tournée de 3 semanas pela Europa com paragens em Espanha, França, Bélgica e Alemanha. Esperemos que um dia, com a tua ajuda, possamos vir a tocar no teu país, adoraríamos!

A terminar, mais uma vez obrigado pelo teu tempo e dava-te a oportunidade de acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordado nesta entrevista...

Obrigado nós pelo teu tempo a fazer esta entrevista connosco. Realmente apreciamos o teu apoio e espero ver-vos a todos no futuro.

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