quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Via Nocturna - Melhores 2012 (não nacional)

Pois é! Depois dos 20 melhores da produção nacional, apresentados na semana passada, chegou a altura de fecharmos definitivamente as contas do ano transato apresentando o conjunto dos 20 melhores álbuns de 2012 no cenário dos trabalhos de bandas não nacionais, segundo a avaliação efetuada pelos colaboradores de Via Nocturna.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Entrevista: Ravensire

O genuíno Heavy Metal está bem vivo e recomenda-se. Quem o prova é o jovem projeto nacional Ravensire que com o seu EP de estreia Iron Will tem visto o seu nome falado um pouco por todo o mundo. O segredo? Simplesmente tocar heavy metal puro e duro segundo as regras estabelecidas pelos ícones do género. Fiquem com as palavras de Nuno, guitarrista da banda lisboeta.
 
Olá viva! Obrigado por aceitarem responder a Via Nocturna. A primeira questão é: quando se deu a génese dos Ravensire?
Obrigado nós, pelo vosso interesse em Ravensire! Há vários anos que tenho esta ideia de fazer uma banda de Heavy Metal, mas sempre foi complicado encontrar pessoal que gosta REALMENTE deste estilo que foi tão "desprezado" nos anos 90 e 2000. Por volta de 2005 ou 2006, desafiei o Rick (então em Ironsword) a ajudar-me e começámos a dar uns toques em casa dele. Infelizmente, a vida reservou a ambos algumas reviravoltas e acabámos por deixar esta ideia de lado. Finalmente, em 2011, o F resolveu deixar a guitarra e dedicar-se a aprender a tocar a bateria e foi aí que Ravensire realmente começou em força. Entretanto, o Zé Gomes e o Zé Rockhard foram dar uma espreitadela aos nossos ensaios, gostaram bastante e acabaram por ficar definitivamente.
 
Alguns de vocês já tinham experiências anteriores noutros coletivos. Que motivações estiveram subjacentes à criação dos Ravensire?
A nossa principal motivação foi precisamente fazer uma banda que fosse 100% aquilo que nós gostamos! Foi por isso que foi tão difícil começá-la... Havia muito pouca gente com a mesma disposição e visão que nós tínhamos em relação ao Heavy Metal. Além disso, em Portugal há muito poucas bandas a tocar este estilo mais épico e, portanto, sempre acrescentamos alguma coisa "diferente" à cena. No entanto, não queremos, de todo, ficar fechados em Portugal e o nosso objectivo para 2013/2014 é ir tocar a um festival europeu do género do Keep It True (na Alemanha), ou Up The Hammers (na Grécia), ou Headbanger's Open Air (Alemanha), por exemplo.
 
Que nomes ou correntes musicais vocês apontam como sendo as vossas principais referências?
As principais referências para Ravensire vêm todas do Heavy Metal puro e duro. Desde bandas mais conhecidas como Iron Maiden, Manowar e Running Wild, até bandas menos conhecidas (mas não propriamente desconhecidas!!) como Manilla Road, Omen, Solstice, Doomsword, Slough Feg, Skullview, etc. Todos estes nomes já acompanham a nossa vida há muitos anos e todos eles contribuíram para modelar a maneira como tocamos e encaramos a música.
 
Quais eram os principais objetivos a atingir com a edição deste EP?
A nossa ideia inicial até era gravar as músicas de uma maneira menos elaborada para lançar uma espécie de demo. Mas o Francisco Serrano d'A Forja gostou tanto do nosso som que fez questão em fazer uma edição em CD e, para isso, era óbvio que tinha que ser uma gravação com qualidade. A partir desse momento, o nosso objetivo passou a ser fazer o melhor possível e tentar espalhar o CD e o nome de Ravensire por todo o mundo. Felizmente, até agora, temos conseguido esse objectivo e o Iron Will já roda em aparelhagens um pouco por todo o mundo, desde os Estados Unidos e Canadá, até, inclusivamente, ao Japão, passando, obviamente pela Europa. Claro que estamos a falar de números modestos, mas também não temos por objetivo ser profissionais disto, portanto contentamo-nos em ser conhecidos pelos circuitos mais underground e mais acérrimos (risos)
 
E em termos de criação musical, como acontece o processo no seio da banda?
Normalmente começa com umas ideias e uns riffs feitos em casa. Depois desenvolve-se a ideia e constrói-se uma primeira estrutura. Só então é apresentado à banda, que trabalha a ideia em conjunto e faz os devidos arranjos e acertos. Depois de a parte instrumental estar definida, é altura de avançar para a parte vocal e letras. Só depois deste processo todo é que se pode dizer que a música está terminada.
 
De que forma está a ser a receção ao vosso trabalho? Qual tem sido o feedback?
Francamente, está a exceder as nossas expetativas mais delirantes. As críticas que temos recebido dos quatro cantos do mundo até agora têm sido absolutamente entusiásticas, temos respondido a diversas entrevistas de várias publicações, temos pessoas de todo o lado a contactar-nos para dar os parabéns pelo EP e até aparecemos em top-10's de 2012 (risos)! É como digo... Não estávamos mesmo nada à espera deste "impacto".
 
Uma coisa curiosa que se tem verificado ultimamente, é a tendência cada vez mais notória dos grupos contemporâneos irem beber a inspiração às raízes mais profundas, recuando até aos anos 60, 70 e 80. Porque acham que isso está acontecer? Ou melhor, o que vos motivou a vocês, em particular, a seguirem essa via?
Francamente, a mim intriga-me que há 10 anos atrás o Heavy Metal fosse tão mal-visto e hoje em dia, praticamente as mesmas pessoas que o maldiziam, agora andem completamente doidas com isto... No nosso caso particular, não "seguimos essa via". Falando por mim, e também pelos outros membros de Ravensire, nós já ouvimos este estilo e estas bandas há mais de 20 anos, por isso o que toco é uma correspondência directa do que ouço e sempre ouvi. Além disso, se repararem nas bandas que citei como influência, há com certeza algumas dos anos 80, mas também há bandas contemporâneas, porque ao contrário do que muita gente diz, o Heavy Metal não se esgotou nem morreu no final dos anos 80...
 
Porque a escolha de um tema dos Wild Shadow para fazerem uma versão?
Quando decidimos gravar o EP, quisemos prestar um tributo à cena metálica vibrante que havia nos anos 80, já que a maior parte de nós viveu-a intensamente! Como o Zé Gomes tinha feito parte dos Wild Shadow (que foi uma das bandas de referência do underground lisboeta) e gravou a primeira demo com eles, resolvemos aproveitar a ligação. Esperamos, com isto, chamar a atenção da nova (e não só!) geração para a história "escondida" do Heavy Metal português.
 
Já há alguma notícia a respeito de um longa duração para breve?
Nós temos trabalhado continuamente em músicas novas e neste momento temos três músicas já completamente terminadas e mais três em fase de preparação. Em Fevereiro vamos gravar um destes temas novos (Drawing the Sword) para sair num CD compilação de uma revista grega chamada Steel For An Age. Lá para março vamos concentramo-nos mais na criação e arranjo de novos temas para, se tudo correr bem, iniciarmos a gravação do album lá para o verão.
 
E quanto a apresentações ao vivo, Iron Will tem estado muito em estrada? E o que há previsto para o novo ano?
Desde que o CD saiu, já tocámos algumas vezes ao vivo no Porto, S. João da Madeira, Lisboa, Almada, Benavente... Como todos nós temos vidas bastante ocupadas, Ravensire provavelmente não será uma banda que vai tocar todas as semanas em vários sítios, por isso gostamos de seleccionar bem os concertos em que tocamos e com quem tocamos! Além disso, como alguns elementos têm outras bandas, é preciso conjugar as disponibilidades e já aconteceu termos que recusar um concerto porque um dos elementos já tinha compromissos com a outra banda.
 
A terminar, querem acrescentar algo mais para aos nossos leitores?
Se estiverem curiosos com Ravensire, podem sempre dar um pulo ao nosso facebook em http://www.facebook.com/Ravensire lá encontrarão algumas músicas para audição e informação variada. Se quiserem encomendar o CD, podem fazê-lo através do endereço aforja@aforja.org pela módica quantia de 5 euros (mais portes, se for o caso...). Muito obrigado pela entrevista e STAY TRUE, STAND TALL!
Nota: Todas as fotos por André 'BlindInTexas' Assunção exceto as indicadas.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Review: Sons Of Ancient Times (Slam And Howie And The Reserve Men)

Sons Of Ancient Times (Slam And Howie And The Reserve Men)
(2013, Wanted Men Recordings)
(5.7/6)
Cruzar rock com country? Misturar blues com rockabilly? Pode ser isso possível numa única banda? Num único álbum? Pode. A banda é Suíça e tem o nome não muito fácil de Slam And Howie And The Reserve Men. O álbum, quinto do coletivo, tem como título Sons Of Ancient Times. E fica a prova da existência de uma banda que tanto pode atuar em saloons como num clube punk. Porque Sons Of Ancient Times é suficientemente diversificado para agradar a estes pólos aparentemente tão distantes. E é suficientemente bem estruturado e bem escrito para conseguir ter um conjunto de temas cheios de energia que ficam no ouvido e que se revelam riqueza estonteante. Sim, Sons Of Ancient Times é um disco brilhante. E sim, Sons Of Ancient Times é um disco viciante. E, finalmente, sim, Sons Of Ancient Times é um disco obrigatório. Entre o conjunto de instrumentos mais tradicionais do rock, o quinteto adiciona de forma verdadeiramente sensacional banjo e bandolim. O resultado é brutal, com os dois instrumentos a prenderem a atenção desde o início até ao fim, seja em solos seja em sublimes acompanhamentos. Algures num ponto difícil de definir mas que andará ali pelas pontas soltas dos The Pogues, The Doors, The Dogs D’Amour, Johnny Cash ou Neil Young, este é um disco que transporta muitas emoções. Ouçam a melódica e calma Man On The Hill e confirmem. Mas, naturalmente, os ritmos enérgicos são o que mais aqui se destacam. Temas como as country Wanna Be On The Road Again, Crossfire ou Man, Wood & Steel, as rockabilly We Ain´t Falling Back, Denial Of Will ou Kingdom Of Three, as rockeiras Inside Out e Johnny, a bluesy vs rock’n’roll Gotta Move On, são verdadeiros hinos que prometem muita diversão. Alguns destes temas, como Wanna Be On The Road Again, We Ain’t Falling Back, Gotta Move On, Denial Of Will ou Man On The Hill, são ainda temas com arranjos soberbos, construídos de uma forma brilhante. Isto é, os Slam And Howie And The Reserve Man não se limitam a ser enérgicos e festivos. Também compõe e executam de forma superior. Por tudo isso que foi anteriormente referenciado, Sons Of Ancient Times é um disco memorável que é transversal a diversos estilos e que por via disso mesmo pode e deve ser apreciado em qualquer quadrante musical.
Tracklist:
1.      Wanna Be On The Road Again
2.      We Ain´t Falling Back
3.      Inside Out
4.      Johnny
5.      Gotta Move On
6.      Denial Of Will
7.      Man On The Hill
8.      Kingdom Of Three
9.      End Of All Trees
10.  Crossfire
11.  Man, Wood & Steele
12.  Friday Night
13.  No Quick Fix
Line-Up:
Slam – vocais e guitarras
Howie – vocais, guitarras e bandolim
Ross – guitarra e banjo
Drake – baixo
Bennet – bateria
Internet:

sábado, 26 de janeiro de 2013

Review: Pictures Of You (DBA)

Pictures Of You (DBA)
(2012, X2X)
 
Geoff Downes é conhecido pelo seu trabalho nos rockers snfónicos Yes e nos hard rockers Asia. Chris Braide, por sua vez é um jovem talento na composição em ondas mais pop, sendo responsável por grandes hits de Christina Aguilera, David Guetta entre outros. Os dois elementos associaram-se e o resultado é o trabalho Pictures Of You do projeto DBA, Downes Braide Association. Trata-se de um álbum tranquilo entre um rock a variar do AOR ao progressivo e sinfónico, com algumas semelhanças a Yes ou Pink Floyd e a pop. Basicamente centrado em elementos eletrónicos e sons sintetizados (facto que, aliás, acaba por retirar brilho ao álbum), algumas linhas interessantes de piano e guitarra acústica, Pictures Of You é um disco romântico e atmosférico. Muito homogéneo, consegue, por momentos ser um pouco mais ritmado, como acontece em The Superfortress, faixa que contraria a tendência baladesca do álbum. No entanto, a melhor faixa é mesmo o longo tema de abertura, dividido em quatro partes, onde são atingidos os melhores momentos melódicos e estruturais. O resto do álbum é de fácil audição embora nunca chegue a conseguir prender verdadeiramente o ouvinte. Falta, acima de tudo, alguma fibra, algum nervo. É tudo demasiado soft, demasiado repetitivo e com demasiados sintetizadores.
 
Tracklist:
1.      Sunday News Suite
2.      The Radiant Children
3.      The Superfortress
4.      Pictures Of You
5.      Songs That Can Heal
6.      Ride The Waves
7.      Road To Ruin
8.      Live For The Moment
9.      Sky Sailor
 
Line-Up:
Geoff Downes – todos instrumentos e vocais
Chris Braide – todos instrumentos e vocais
 
Internet:
 
Edição: X2X Records

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Review: Death Letter Jubilee (The Delta Saints)

Death Letter Jubilee (The Delta Saints)
(2013, Dixie Frog)
(5.3/6)
Depois de 2 EP’s (Pray On e A Bird Called Angola) chega, finalmente, o primeiro longa duração dos The Delta Saints, coletivo norte-americano oriundo de Nashville. O segundo EP, já havia sido de análise aqui em Via Nocturna e a verdade é que todos os predicados entretanto apresentados se mantém neste disco e são elevados a um superior patamar de qualidade. Death Letter Jubilee é blues, é hard rock, é jazz, é country, é gospel… enfim, é uma panóplia de géneros misturados de uma maneira de tal forma brilhante que chega a arrepiar. Os arranjos são maravilhosos. As guitarras são extremamente eficazes quer quando se mostram frágeis quer quando entram descaradamente por campos hard rock. A bateria é de uma profundidade, dinâmica, precisão e variabilidade estonteantes. O baixo é verdadeiramente monumental. Como se isso não bastasse, todo este conjunto é enriquecido com uma mágica harmónica com um desempenho indescritível e com um vibrante ensemble de sopros. Tudo isto seria pouco importante se a qualidade dos temas não acompanhasse essa genialidade. Mas não é isso que acontece. Liar, o tema de abertura marca forte a posição de Death Letter Jubilee com um inflamável riff de guitarra a cruzar o hard rock com o blues de forma perfeita ao qual se segue Chicago, outro tema fortemente bluesy. O primeiro momento memorável e imortal surge na forma do tema título – uma energia frenética, uma harmónica magnética, uma secção de sopros sublime, apontamentos que se aproximam do gospel. Simplesmente brilhante. Pelo lado oposto, Jezebel é um tema minimalista e experimental, levando os The Delta Saints a explorarem um campo completamente diferente do que traziam até então. Boogie é uma sensacional faixa de rock sulista com um soberbo trabalho de harmónica e com excelentes arranjos e dinâmicas. Bom, como se vê, Death Letter Jubilee é um fantástico disco, sendo desnecessário continuar a análise individual de cada tema. Ainda assim, salientaríamos a secção compreendida entre Sing To Me e The Devil’s Creek como outro conjunto de grandes momentos cheios de energia e de grandes temas. Death Letter Jubilee é dinâmica, é movimento, é energia, é fantasia, é emoção, é tradição, é evolução, é atitude, é personalidade. E é, naturalmente, um disco obrigatório na coleção dos amantes da boa música.
Tracklist:
1.      Liar
2.      Chicago
3.      Death Letter Jubilee
4.      Jezebel
5.      Boogie
6.      Out To Sea
7.      Sing To me
8.      Drink It Slow
9.      From The Dirt
10.  The Devil’s Creek
11.  River
12.  Old Man
13.  Jericho
Line-Up:
Ben Ringel – guitarra ritmo e vocais
Ben Azzi – bateria e percussão
Greg Hommert – harmónica
Dylan Fitch – guitarra solo e ritmo
David Supica - baixo
Internet:
Edição: Dixie Frog

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Via Nocturna - Melhores de 2012 (nacional)


2012 terminou. Agora é tempo de balanços. E de eleger os melhores. A lista que Via Nocturna agora apresenta referente à produção nacional e a que se seguirá relativa aos trabalhos não nacionais não é vinculativa. Apenas representa os sentimentos, gostos e emoções dos colaboradores de Via Nocturna. De forma completamente livre e independente. E apenas se baseia no universo de trabalhos que foram disponibilizados e chegaram à nossa mesa de trabalho. Acreditamos que muitos outros poderiam estar aqui se a sua promoção e divulgação os tivessem trazido até nós. Mas esta é a nossa lista dos melhores de 2012… esperamos que gostem…



 
 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Entrevista: Mystery Blue

 
Com um fundo de catálogo com seis títulos, os Mystery Blue são uma das mais profíquas bandas gauleses dentro do espectro do heavy metal clássico, gravando regularmente desde 1984. Os tempos agora são outros, mas a banda continua a promover o genuíno heavy metal como facilmente se comprova através desta conversa com Frenzy Philippon, guitarrista e fundador da banda.

 
Viva! Obrigado por despenderes algum do teu tempo a responder a Via Nocturna. Suponho que se esteja a viver um bom momento no seio dos Mystery Blue com este novo álbum. Podes contar-nos um pouco de todo o processo de criação de Conquer The World?
Sim, vivemos um grande momento e estamos muito felizes por ter o álbum lançado, especialmente porque tivemos muitas dificuldades nesta altura dificil para colocar o nosso bebé cá fora (especialmente quando se vê o que acontece no mundo da música com muitas editoras a fechar!). O nosso processo de criação é muitas vezes baseado em riffs de guitarra em primeiro lugar. O baterista Vince e eu tentamos, então, ver que tipo de ritmos cabem melhor. Em seguida, entra a vocalista Nathalie, não só para as partes vocais, mas também é ela quem desenha a estrutura da música que finalmente discutimos/experimentamos/lutamos por vezes, até que tenhamos um resultado que corresponde à ideia que tínhamos da canção. Mas, às vezes, durante o processo essa ideia também pode mudar, evoluir para uma melhor. Às vezes temos grandes surpresas, é o que torna a composição tão excitante porque nada está definido desde o início. Quando a estrutura está pronta, o baixo e os arranjos (teclados e às vezes didgeridoo que a Nathalie também toca) concluem o processo.
 
Como descreves Conquer The World?
Conquer The World é um álbum de puro Heavy Metal, a música que está profundamente gravada nos nossos corações! Há 10 canções com diferentes atmosferas indo do Power Metal (Evil Spell, Cruel Obsession, Road Of Despair) até canções mais melódicas como a balada Keep On Dreaming (mais uma Bonus Track em francês) ou o épico Guardian Angel, e é claro músicas mais clássicas destinadas ao palco como a faixa título Conquer The World, a cativante Ticket To Hell ou Running With The Pack para a qual tive o prazer de ter a participação do vocalista dos Paragon Andreas Babuschkin partilhando alguns vocais vocais com Nathalie!
 
Sendo uma banda com muita experiência, como analisas este novo trabalho, quando comparado com os seus anteriores?
Como eu disse, o nosso processo de criação não muda através dos álbuns, mas é claro que a adição de músicos qualificados (como o nosso novo baixista Matt) traz muita coisa para o trabalho de estúdio e as novas técnicas disponíveis ajudaram-nos a obter um maior nível na produção.
 
É verdade, neste álbum vocês estreiam um novo baixista. Como foi a sua integração com a banda e em relação aos temas antigos?
Para um músico é sempre um desafio integrar uma nova banda, mas Matt é um baixista profissional e como ele gostava da música dos Mystery Blue, estava ansioso por tocar connosco, por isso, não demorou muito a encontrar o seu lugar na banda.
 



Chegou a desempenhar algum papel na construção dos novos temas?

Quando Matt se juntou a nós, o novo álbum já estava escrito, pelo que ele não teve essa oportunidade de participar na composição das músicas, mas concerteza trouxe algumas boas ideias para os arranjos adicionais que fizemos em estúdio.
 
Depois há um regresso à Road Show Prod. Como se proporcionou isso?
Após o encerramento da nossa última editora Bernett Recordes, que faliu, nós pensamos que seria uma boa ideia trabalhar com uma pequena etiqueta que seria mais dedicada à nossa banda e onde poderíamos fazer todas as escolhas que achássemos necessário e ter muito mais liberdade sobre a nossa música.
 
Como decorreu o processo de gravação e produção?
Conquer The World foi gravado nos Black Solaris Studios em Frankfurt - Alemanha pelo engenheiro de som Uwe Lulis (bem conhecido por seu envolvimento em bandas como Grave Digger e Rebellion). Para nós, foi uma nova experiência com uma nova colaboração, estávamos muito animados e estávamos certos, porque o resultado é o que nós esperávamos (eu, pessoalmente, sou louco pelo som da guitarra enorme que Uwe conseguiu para mim!)
 
Há algum tipo de conceito subjacente a Conquer The World?
O título é, claro, uma secreta esperança de que um dia Heavy Metal vá governar o mundo. A música em si descreve a paixão que une um músico ao seu instrumento (como eu e minha guitarra!) que juntos irão conquistar o mundo. A mensagem para todos os fãs de Metal é nunca desistir do modo de vida que amam, nem deixar que as dificuldades da vida os mudem. Tens de viver da maneira em que acreditas, mesmo que nem toda a gente concorde.
 
Como já referiste, este álbum tem uma faixa bónus cantada em francês. Qual a razão dessa escolha?
Na verdade, não foi planeado. Foi uma ideia de Uwe Lulis que é alemão, mas adora o som da língua francesa. Então, uma sexta feira à noite, depois de algumas bebidas para relaxar após o trabalho de estúdio disse a Nathalie "deverias cantar essa balada em francês, seria excelente!" No início, pensei que era uma brincadeira, mas depois perguntou se ela poderia escrever um texto em francês, durante o fim de semana. Foi o que ela fez e, em seguida, gravou a música novamente mas agora em francês. Finalmente, devo admitir que a ideia não era má, a música soa muito bem e todos os nossos fãs de França, que já nos seguem há muito tempo ficaram surpreendidos e muito satisfeito com esta versão!
 


Como vocês fizeram uma pausa devido a problemas internos, pergunto-te se está tudo bem agora nos Mystery Blue, isto é, se os problemas antigos estão definitivamente resolvidos?

Eu não diria que tivemos problemas internos, era mais uma visão diferente do futuro da banda e quão sério isso era para cada um de nós, porque nessa altura éramos todos muito jovens e alguns de nós só queriam estar na banda por diversão. Eu, pelo contrário, levei isto muito a sério, sempre com a certeza que esta banda seria uma parte importante da minha vida! Agora, esta formação é mais madura e partilhamos a maior parte das mesmas ideias, o que torna as coisas muito mais fáceis para o trabalho de estúdio, bem como para as tournées.
 
E por falar em tournées já há algo planeado para levar Conquer The World para a estrada?
Claro que queremos compartilhar o novo álbum no palco com tantos fãs quanto possível, em muitos lugares do mundo porque tocar ao vivo é realmente o que mais gostamos. Gostamos de ficar selvagens com todos os headbangers loucos! Já apresentámos as músicas para os nossos fãs franceses na festa de lançamento de Conquer The World e em mais alguns shows aqui na França, entre os quais um festival fixe em Paris chamado Satan´s Fest! Em seguida, vamos tocar no Burning Sea Festival em Zadar na Croácia e também estamos a planear uma tournée no Japão para o verão ou outono.
 
A terminar queres acrescentar algo mais para nossos leitores?
Apenas 3 palavras: Long Live Metaaaaaaal!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Review: Showdown (Rust n' Rage)

 




Showdow
(Rust n’ Rage)

(2013, Ektro Records/Karkia Mistika Records)
(4,7/6)

 
Afinal o Glam Rock ainda existe! Aqueles visuais espampanantes que marcaram um período importante do rock pareciam abandonados, mas da Finlândia (quem diria!) surge um jovem coletivo, com elementos com idades a rondar os 20 anos que assumem todo esse legado deixado por nomes como Poison, Mötley Crüe ou Guns n’ Roses. Após três anos de incendiários concertos, os Rust n’ Rage, assim se chama o quarteto, estreiam-se com Showdown. E não é preciso muito para percebermos do aqui se trata. Basta olhar para o look da banda ou para a capa, para nos apercebermos que também a atitude, e não apenas a imagem, dos nomes citados se mantém inalterada atualmente. Decadentes, provocadores, perigosos, vivendo no limite, os Rust n’ Rage apresentam em Showdown o que qualquer fan de bom glam rock procura. Melodias simples e diretas, letras com forte teor sexual, guitarras pulsantes, ritmos incendiários e muita dose de sex, drugs and rock’n’roll. Depois de uma curta intro, o álbum dispara com um conjunto de temas de grande intensidade que nos leva até cerca de metade de Showdown. A segunda metade não é, na globalidade, tão bem conseguida apesar de lá se encontrar uma das pérolas do trabalho: Where The Angels Go To Die. Um brilhante tema que foge ao tradicional do género e deste disco ao enveredar por uma linha bluesy zeppeliniana. No entanto, temas como Secret Highways, Hotter Than You ou Locked n’ Loaded prometem reacender a chama do glam rock e mante-la bem viva.
 
Tracklist:
01. Road to Nowhere
02. Secret Highways
03. Hotter Than You
04. Locked n’ Loaded
05. This Time
06. Hit The Ground
07. Thrill Me
08. Where The Angels Go To Die
09. Hollow Life
10. Sounds Of The City
11. Black Rose
 
Line-Up:
Vince - vocais
Johnny - guitarras
Jezzie - bateria
Eddy - baixo
 
Internet:
 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Entrevista: Access Denied

 
Ao segundo álbum, os Access Denied refinaram as suas competências e, num álbum com metade do tempo da sua estreia, provam como é possível fazer bom heavy metal clássico. Touch Of Evil é um disco inspirado pelos clássicos como Iron Maiden, Judas Priest e Warlock, mas é, também, um atestado da maioridade e identidade da banda polaca, como se percebe pelas palavras do guitarrista
Mateusz “Matołek” Krauze.

 
Olá Matt, podes apresentar os Access Denied para os fãs portugueses?
Olá Portugal! Nas frases seguintes, vou falar um pouco sobre os Access Denied. Nascemos no início de 2003, já lá vão 10 anos, de heavy metal clássico. Estamos muito satisfeitos por podermos apresentar-vos a nossa música inspirada por esses "dinossauros" como Iron Maiden e Judas Priest.

 
Touch Of Evil é o vosso segundo álbum. De que forma se diferencia da estreia?
A diferença é enorme! Este álbum tem cerca de metade do tempo, tem apenas 33 minutos, quando o primeiro, The Memorial tinha 56 minutos. As canções são mais consistentes, mais cativantes, acreditamos que este é um disco muito melhor, mas o próximo (que já está feito) é ainda melhor, mais pesado!

 
Touch Of Evil já tinha sido lançado no vosso país em 2011. Esta edição de Pitch Black é igual ou tem alguns extras?
Foi lançado é uma expressão um pouco forte. Realmente lançámos o CD em 2011, mas sem contrato, sem editora, porque a realidade para as bandas de hoje é terrível. É difícil lançar um álbum. Tivemos sorte no contacto que fizemos com a editora Pitch Black Records. Uma boa editora, com o trabalho bem promovido (como se pode ver) e esperamos não parar neste disco. Esta edição da Pitch Black Records tem a adição do vídeo One Night. Foi uma boa ideia.

 


Touch Of Evil é também o nome de um álbum dos Warlock e nota-se alguma influência Warlock na vossa música. É apenas coincidência ou uma tentativa de homenagem à banda alemã?

Por favor, acreditem em mim, esta é a realidade. É claro que eu conheço muito bem esta banda e somos muitas vezes comparados a Doro e Warlock (o que é bom, porque é uma grande banda!). Mas não foi intencional. Às vezes também se diz que os Judas Priest têm um álbum com o mesmo nome. Mas a Agnieszka escreveu boas letras e Touch of Evil é um grande título para o álbum.

 
Como descreverias Touch Of Evil?
Este é um álbum clássico. Sempre nos inspiramos no heavy metal clássico de anos diferentes e de diferentes cantos do mundo. Dos Scorpions iniciais, King Diamond, Maiden, Judas, Anvil, Primal Fear, etc. Toda esta atmosfera pode ser encontrada neste disco. Não copiamos ninguém, apenas tocamos Heavy Metal clássico com vocais femininos.

 
Também há uma curiosidade a respeito do vosso nome, certo? No início não era este. Podes contar-nos a história?
A história é simples. No início, chamávamo-nos X-a-nite, mas eu pensei que é isso? E mudei o nome para Access Denied e tem sido assim há quase 10 anos.

 

Outra curiosidade é o facto de terem lançado um DVD sem qualquer CD lançado. Como aconteceu isso?

(Risos). Sim, é verdade, há muitos anos, nós lançamos um DVD simplesmente chamado Access Denied. Quando filmamos o nosso primeiro vídeo todo o trabalho foi muito rápido e filmamos numa noite. Depois recebemos o DVD do fabricante onde estavam os dois primeiros vídeos, um presente que foi enviado para a discografia quase por acidente. Mas foi muito fixe naquela altura (2006).

 
Estão, atualmente, a fazer alguma tournée para promover Touch of Evil ou têm alguma já programada?
Estamos em fase de planeamento dos concertos de promoção de Touch of Evil. Certamente vamos tocar cerca de 20 shows ou mais, na Polónia e na Europa. Nós planeamos com a Pitch Black Records e agências polacas. Talvez nos convides para Portugal. Todas as informações podem ser encontradas no nosso facebook.

 
Finalmente queres acrescentar algo mais para os nossos leitores?
Muito obrigado pelo teu interesse em Access Denied e pela boa critica a Touch Of Evil. Espero que o álbum agrade aos fãs de heavy metal em Portugal. Nós temos grande esperança de que iremos ter a oportunidade de tocar num concerto para vocês. O Metal une as pessoas, não importa onde nasçamos!!