sábado, 30 de março de 2013

Entrevista: Damnation Angels

Depois do sucesso atingido nomeadamente na Ásia, a Massacre assinou com os britânicos Damnation Angels para a edição mundial da estreia Bringer Of Light.  Power metal de cariz sinfónico, como mandam as boas regras do género, fazem deste coletivo mais um nome a ter em conta para um futuro próximo. William Graney (guitarras e orquestrações) esteve à conversa com Via Nocturna.
 
Viva, obrigado por aceitares responder a Via Nocturna! É um prazer! Para começar podes dizer quem são os Damnation Angels?
Somos uma banda de metal sinfónico do Reino Unido formada em 2006 que recentemente assinou contrato com a Massacre Records (mundial) e a Radtone Music (Japão). Criamos canções poderosas, emocionais e épicas ou música que evocam emoções por assim dizer. As bandas sonoras de filmes são uma grande influência para nós, mas não fazemos bandas sonoras com um riff atrás delas. Isto é Metal adequado com riffs cativantes e depois com orquestrações, para melhorar a música.
 
Depois do enorme sucesso com o vosso primeiro EP, para este álbum o que estava num nível superior: as expetativas ou a pressão?
Eu diria que as expetativas em vez de pressão. Há sempre um elemento de ligeira pressão porque o EP foi aclamado pela crítica e colocou-nos no mapa, por assim dizer. É óbvio que queríamos que Bringer Of Light obtivesse a mesma resposta se não melhor. Nós tínhamos grandes expetativas para Bringer Of Light, mas têm sido ultrapassadas.
 
Bringer Of Light foi lançado pela primeira vez no Japão, há quase um ano, certo? Porque esse hiato para um lançamento mundial?
Sim, é verdade, nós não tínhamos antecipado ou planeado para que isso acontecesse. Simplesmente as negociações com as editoras para o resto do mundo tornaram-se num inferno que durou muito mais tempo do que esperado e na altura que fechamos o acordo com a Massacre tivemos alguns meses de espera antes de podermos realmente lançar o álbum.
 
E esta versão é exatamente igual à editada no Japão?
A versão de Massacre é melhor versão porque foi remasterizada. Quando se lançou o álbum no Japão, foi um pouco à pressa para cumprir alguns prazos, portanto quando voltamos ao álbum, alguns meses depois, simplesmente modificamos o som para dar uma versão mais polida ao resto do mundo.
 
Vocês têm tido muito sucesso na Ásia. Por exemplo, o tema Kurenai alcançou o # 2 nas tabelas de downloads da Amazon Japão e também chegou à TV coreana... Definitivamente, uma boa maneira de se iniciar uma carreira…
Sim, definitivamente! É sempre bom ver as coisas a acontecer como estão. Nós estamos sempre a trabalhar para avançar e crescer como banda e é ótimo ver diferentes países do mundo a abraçar-nos.
 
Em que fase aparece a Massacre a oferecer-vos um contrato mundial?
Foi alguns meses após o lançamento no Japão, em março de 2012.
 
Neste álbum trabalharam com uma orquestra real ou com samples?
Foi uma mistura dos dois. Alguns dos instrumentos foram gravados ao vivo, mas também há bastantes samples. Temos que competir com as bandas principais do género com cerca de um décimo do orçamento por isso é difícil, mas no final acho que fizemos um bom trabalho.
 
Por falar em bom trabalho, grande trabalho de Scott Atkins e também de Jan Yrlund. Podes falar um pouco de como as coisas aconteceram...
Bem, realmente gostamos do que vimos de Jan quando procurávamos um artista para o EP de estreia, por isso, basicamente, apenas entramos em contacto com ele. Foi mesmo assim simples. Quanto ao Scott entramos em contacto com ele através de Andy Sneap há algum tempo atrás. Tem sido ótimo trabalhar com Scott Atkins. Ele é simplesmente um dos melhores produtores.
 
Per Fredrik Asly é um dos vossos membros mais novos. Ainda veio a tempo de contribuir para o álbum?
Per Fredrik já está connosco há alguns anos e nós estivemos a preparar o álbum também durante algum tempo. Isso não acontecerá para o próximo álbum, que esperamos gravar ainda este ano. Estamos muito animados em fazer o sucessor deste!
 
Ele também está nos PelleK. Como é a situação? É fácil gerir todas as agendas?
Não é, de todo, um problema. No mundo da música é ótimo ter projetos paralelos para conseguires extrair toda a criatividade. Per Fredrik tem os PelleK e eu estou a trabalhar numa nova banda com o Paul Allender, guitarrista dos Cradle Of Filth. É importante mantermo-nos ocupados neste negócio.
 
Já estão confirmados para setembro no ProgPower USA. Que expetativas?
Estamos realmente ansiosos por isso, a resposta dos fãs por lá tem sido incrível e não podemos esperar para tocar para eles! Esperamos que sejam alguns dias incríveis e um dos destaques da nossa carreira.
 
E outros espetáculos até lá? Alguma coisa planeada?
Estamos atualmente em tournée pelo Reino Unido e esperamos fazer outra pela Europa no final deste ano. Há muita coisa a acontecer nos bastidores para garantir que isso aconteça. Como eu disse antes, estamos em fase de crescimento como banda em todo o mundo, pelo que realmente quero ser capaz de chegar lá e tocar para todos os nossos fãs. Nós vamos fazer o que pudermos para que isso aconteça!
 
A terminar, queres acrescentar algo mais para os nossos leitores?
Gostaria de lhes agradecer por lerem esta entrevista e espero que nos procurem! Também um obrigado aos nossos grandes fãs pelo seu apoio!

sexta-feira, 29 de março de 2013

Review: Dark Skies Over Babylon (Code Of Silence)

Dark Skies Over Babylon (Code Of Silence)
(2013, Mausoleum Records)
(4.7/6)
 
Code Of Silence é o resultado da união de quatro músicos britânicos, entre os quais se conta o virtuoso guitarrista Ben Randall (considerado em 2008 como The Most Promising Young Guitarist nos Guitar Idol Competition, na altura com apenas 17 anos!) e o vocalista brasileiro Gus Monsanto, nome que já trabalhou com Timo Tolkki’s Revolution Renaissance, Adagio, Symbolica e Lord Of Mushrooms. A partilha pela paixão ao heavy metal mais tradicional e com forte ênfase na melodia e o disco de estreia, Dark Skies Over Babylon, um disco que aborda a lendária história dos Templários, está finalmente aí dois anos após o início do percurso. Ora, possuindo na sua estrutura um dotado e virtuoso guitarrista como Randall, teria sido fácil ao coletivo apostar na sua capacidade e fazer crescer, a partir daí, as suas composições. Seria o mais fácil e o menos interessante. Por isso os Code Of Silence optaram e bem pelo oposto. O coletivo é muito forte, as composições estão bem conseguidas e só depois as capacidades individuais vêm ao de cima ajudando a erguer este conjunto de 11 temas de belo metal melódico a patamares de grande qualidade. Por isso, entre fases de puro heavy metal clássico adocicado por excelentes pormenores ao nível técnico e melódico, Dark Skies Over Babylon vai-se desenvolvendo em todo o seu esplendor, enveredando por diversos caminhos estruturais que tornam a sua audição, ao mesmo tempo, fácil e atraente. Por outras palavras, um disco construído com a inteligência e a diversidade que o cenário atual exige. Claro que há, neste disco, momentos cruciais, temas obrigatórios que até pela sua distribuição pedem que seja necessariamente ouvido do princípio ao fim, de um só folego! Falamos de Bitter Sweet Paradise, de Sky Is Falling Down, de Dark Skies Over Babylon, de Midnight Cathedral (Veritas) ou de Here To Heaven. Momentos de grande intensidade, beleza, emotividade que marcam uma grande estreia!
 
Tracklist:
01. Omertà
02. Bitter Sweet Paradise
03. Sky Is Falling Down
04. Tame The Tempest
05. Dark Skies Over Babylon
06. Seventh Seal
07. Witches Of November
08. Black Abyss
09. Knights Of The Crimson Cross
10. Midnight Cathedral (Veritas)
11. Here To Heaven
 
Line-up:
Scott McLean - teclados
John Clelland - bateria
James Murray – baixo
Gus Monsanto – vocais
Ben Randall – guitarras
 
Internet:
 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Entrevista: Dirt River Radio

A Austrália ficou famosa por ter dado ao mundo uma das mais conhecidas e emblemáticas bandas de rock, os AC/DC, mas o gene parece ir passando de geração em geração e o novo milénio tem-nos trazido um conjunto de bandas jovens com enorme qualidade e potencial. A mais recente descoberta chama-se Dirt River Radio (DDR) e já vai no segundo trabalho no seu país, apesar de na Europa Rock ‘n’ Roll Is My Girlfriend, só chegar em maio. Por cá já roda Come Back Romance, All Is Forgiven, primeiro longa duração da banda. Em setembro os DDR vêm até ao velho continente e este foi, entre outros, um dos motivos de conversa com o guitarrista e vocalista Alex.
 
Viva, é um prazer falar contigo Alex! Quem são os Dirt River Radio? Podes apresentar a banda para os roqueiros portugueses?
Os Dirt River Radio são uma banda de Melbourne, Austrália. Estamos juntos há quase 5 anos. O line up é composto por mim próprio, Heathy, Anthony Blind Mike. Somos uma banda de rock, mas temos influências country e independentemente do local onde tocamos, passamos sempre bons momentos a tocar música, a conversar com as pessoas e a beber cervejas.
 
O nosso primeiro contacto com os DRR foi precisamente com Come Back Romance, All Is Forgiven. Esta é uma edição de 2012 na Europa, certo?
Sim Come Back Romance… foi lançado em 2012 na Europa, mas já havia sido lançado em 2011 aqui na Austrália.
 
Mas, pelo que eu pude perceber por uma rápida pesquisa na net, Come Back Romance já havia sido lançado em formato EP. É verdade? Decidiram adicionar algumas músicas extras… ou o que aconteceu?
Sim, Come Back Romance, All Is Forgiven foi originalmente um EP na Austrália. Foi o primeiro registo que já fizemos e algumas das canções como All My Friends foram apenas meias escritas e depois foram concluídas em estúdio. Aqui na Austrália o EP foi bem recebido e inicialmente planeávamos lançar outro EP a seguir chamado Beer Bottle Poetry. Uma vez que têm capas muito idênticas a ideia era vende-lo como um EP duplo. Infelizmente as editoras não gostam de embalagens caras por isso, transformamo-los num álbum.
 
Mas agora vocês têm um novo álbum, Rock & Roll Is My Girlfriend. O que nos podes adiantar a seu respeito?
Rock N Roll Is My Girlfriend é o nosso último disco. Ele foi lançado aqui na Austrália no final do ano passado. Passamos um ótimo tempo a gravar esse disco e como tivemos um pouco mais tempo ficamos muito felizes com o resultado final. Definitivamente um pouco mais solto e não soando tão polido.
 
Esse lançamento já está disponível no mercado europeu?
Não, Rock N Roll Is My Girlfriend será lançado em maio na Europa, através da Bad Reputation.
 
E como têm sido as reações no teu país?
Muito boas! A rádio tem tocado e algumas das canções são muito solicitadas ao vivo. Como o primeiro disco tinha sido muito bem recebido e teve tantas grandes reviews, estávamos algo nervosos, mas até agora tem corrido tudo muito bem.
 
E pelos vistos têm tendência para títulos algo estranhos para os álbuns. Como surgem esses títulos? Têm algum significado especial?
Ah! Já tenho explicado isso antes. Come Back Romance, All Is Forgiven veio de uma poetisa de Melbourne chamado Kerry Scuffins. Conheci-a bêbada num dos nossos primeiros shows, deu-me um livro de poemas, coloquei-o na minha bolsa e não pensei mais nisso. No dia seguinte, li-o e é fantástico. Ela é absolutamente incrível, tanto que a poderia colocar ao nível de um Bukowski. Come Back Romace, All Is Forgiven era o nome de um dos seus poemas. Rock N Roll Is My Girlfriend foi assim chamado porque recentemente terminei com a minha namorada. Outra vítima do rock ‘n’ roll (risos). Portanto, quase que comecei a pensar que, se o Rock N Roll fosse a minha namorada nunca ficaria louca quando fosse em tournée, nunca ficaria louca quando chegasse em casa bêbado ou pedrado e deixar-me-ia conhecer outras mulheres. Perfeito.
 
Em setembro têm a vossa tournée europeia. É a vossa primeira vez por cá? Quais são as vossas expetativas?
Mal podemos esperar por setembro. As expetativas que temos são apenas de nós próprios. Apenas queremos fazer o melhor espetáculo que pudermos em cada noite e dar às pessoas uma noite para recordar. Estamos realmente muito animados para conhecer e tocar para vocês e ansiosos para compartilhar muitas cervejas. Eu já estive em tournée na Europa durante alguns anos quando tocava baixo para os Electric Mary, por isso acho que será talvez a minha sexta vez, mas ir cantar e tocar guitarra com a minha banda de melhores amigos é algo realmente emocionante. Para eles será a primeira vez e mal podem esperar.
 
A terminar, queres dizer algo mais aos nossos leitores?
Para os teus leitores quero dizer que mal podemos esperar para chegar aí e tocar para vocês. Esperamos ver-te num espetáculo.

terça-feira, 26 de março de 2013

Review: Paying Tribute (Molly Hatchet)

Paying Tribute (Molly Hatchet)
(2013, Collectors Dream Records)
 
Os Molly Hatchet são um dos nomes incontornáveis da cena southern rock e não deixa de fazer confusão que editem dois álbuns de versões em dois anos seguidos. Depois de Regrinding The Axes do ano passado surge Paying Tribute, este numa edição da Collectors Dream Records. Tanto um como outro têm a mesma referência: regravar temas de bandas que de alguma forma influenciaram a existência da banda de Jacksonville. Neste caso que agora aqui nos traz, a banda recupera dois temas dos mestres do southern Allman Brothers Band que são, na nossa opinião, os dois pontos mais altos desta coleção de rock intemporal. Rolling Stones, numa visão mais rock e Eagles, numa onde mais calma e acústica são os outros coletivos que também têm dois temas revisitados pelo quinteto em Paying Tribute. Ou seja, de 13 temas, seis são de três bandas ímpares e míticas, outros três são versões ao viso de três temas dos próprios Molly Hatchet, sendo de destacar a histórica Flirtin With Disaster, de 1979 e que se tornou um clássico ao atingir a posição #42 da Billboard Hot 100. Sobra a recuperação de temas brilhantes e com desempenhos sensacionais dos ZZ Top, Thin Lizzy (a inesquecível The Boys Are Back In Town!), George Thorogood e Mountain. Independentemente de ser o segundo disco de versões em dois anos, como já referenciado (e até com algumas repetições) este Paying Tribute cumpre na íntegra os objetivos a que se propõe. As bandas que têm ou tiveram importância para os Molly Hatchet são aqui reproduzidas de forma digna e com muito sentimento southern. É um disco que, provavelmente terá mais importância para a banda que para os fãs, pela sua faceta de homenagem, mas quem quiser ter na sua coleção um conjunto de históricos temas do rock interpretados por uma também banda histórica tem aqui um bom produto.
 
Tracklist:
1. SHARP DRESSED MAN (ZZ TOP)
2. THE BOYS ARE BACK IN TOWN (THIN LIZZY)
3. DESPERADO (EAGLES)
4. BAD TO THE BONE (GEORGE THOROGOOD)
5. DREAMS I’LL NEVER SEE (ALLMAN BROTHERS BAND)
6. MELISSA (ALLMAN BROTHERS BAND)
7. MISSISSIPPI QUEEN (MOUNTAIN)
8. TEQUILA SUNRISE (EAGLES)
9. TUMBLING DICE (ROLLING STONES)
10. WILD HORSES (ROLLING STONES)
11. WHISKEY MAN
12. BEATIN THE ODDS
13. FLIRTIN WITH DISASTER
 
Line-Up:
Bobby Ingram - guitarras
John Galvin - teclados
Phil McCormack - vocais

Tim Lindsey - baixo
Dave Hlubek - guitarras
Scott Craig
- Drums
Internet:
 
 
Edição: Collectors Dream Records

segunda-feira, 25 de março de 2013

Entrevista: Dirty York

A poucas semanas de retornar à Europa onde cerca de metade dos concertos acontecerão em Espanha, já roda por aí o mais recente trabalho de uma das mais interessantes propostas australianas, os Dirty York. Dois anos depois voltamos a conversar com o carismático líder Shaun Brown que desta vez se mostrou mais parco em palavras, despachando-nos como se de uma flash interview se tratasse.
 
Olá Shaun, já passaram dois anos desde a última vez que conversamos. O que têm feito os Dirty York durante este período?
Gravamos e lançamos o nosso último álbum… Feed The Fiction.
 
Nessa entrevista que nos concedeste prometias algumas alterações para este novo álbum. De facto ocorreram! Podes explicar-nos, de acordo com a tua opinião como soa o vosso novo álbum?
É uma coleção de grandes canções executadas pela melhor banda australiana de rock na minha opinião! Ha! Estamos todos muito felizes com isso era o que eu deveria dizer!
 
Para Feed The Fiction tiveram algumas mudanças de line-up, nomeadamente a adição de um teclista. Isso alterou os processos de escrita ou de gravação?
A mudança de line-up é algo que definitivamente se pode ouvir no disco. Wolfie e Juzz são grandes músicos! Sempre gravamos com teclas, mas desta vez ouvem-se mais do que nunca. Também acho que as músicas são ótimas, temos tido essas músicas já há algum tempo e gosto de as cantar.
 
Mais uma vez, tiveram alguns convidados a contribuir para Feed The Fiction. Quem são desta vez?
Sarah Carroll e Suzannah Espie são as nossas backsingers e adoro trabalhar com as duas, são talentosas e profissionais, de topo!
 
Em maio e junho regressam à Europa para mais uma tournée. O que nos podes dizer, desde já, sobre essas apresentações? Têm as expetativas em alta, suponho?
Sim, tenho grandes expetativas, mas também tenho uma banda de verdade aqui a tocar ao vivo que é o que fazemos… Mas mal posso esperar.
 
Curiosamente a Espanha tem quase metade dos espetáculos que irão tocar na Europa! Têm uma grande legião grande de fãs por lá?
Acho que sim, nós amamos muito a Espanha. Temos alguns amigos maravilhosos lá.
 
Ainda continuas completamente entediado com a indústria musical?
Sim.
 
E a respeito dos HLucks e Slipstream, há alguma novidade?
Não, agora estou apenas focado nos Dirty York.
 
A terminar, queres dizer algo mais aos nossos leitores e aos vossos fãs?
Para os teus leitores, obrigado pela leitura. Para os nossos fãs, obrigado por tudo.

sábado, 23 de março de 2013

Review: Come Back Romance, All Is Forgiven (Dirt River Radio)

Come Back Romance, All Is Forgiven (Dirt River Radio)
(2012, Bad Reputation)
 
Depois de há dias por aqui terem andado os Dirty York eis que outro coletivo australiano nos chega pelas mãos da sempre ativa e atenta Teenage Head Music. Chama-se Dirt River Radio (DRR) e enquanto o novo trabalho agendado para este ano, Rock & Roll Is My Girlfried, não chega vamo-nos deliciando com o seu anterior trabalho de 2012, também com outro título sugestivo: Come Back Romance, All Is Forgiven. Em pouco mais de meia hora distribuída por dez temas os DRR apresentam-nos um trabalho sensacional de rock com fortes raízes nos anos 60 e 70. Rhythm & Blues, Rock ‘n’ Roll, Souther Rock, Blues e Country vão-se sucedendo e cruzando de uma forma quase única de intensidade, emotividade e beleza. A abertura de Ballad Of Broken Man remete-nos para a música mexicana. Estranha-se inicialmente, mas acaba por se perceber porquê. Come Back Romance, All Is Forgiven foi criado com o pó e a areia do deserto, sente-se o cheiro a saloons, comemoram-se ambientes selvagens. Mas este disco acaba por ser muito mais do que aparenta. As guitarras são muito presentes com a criação de geniais solos, a harmónica marca presença em Chase The Sun, o piano surge em All My Friends (um delirante tema cantado em uníssono entre a banda e os seus fans, num verdadeiro hino à amizade), o acústico revela-se em Devil On The Road e até cânticos futebolísticos surgem em The Boys In The Public Bar. Variado e diversificado, Come Back Romance… rocka a valer quando é para ser assim mas mostra-se muito emocional com algumas belíssimas melodias em alguns momentos, como A Song For You. De facto, um grande disco a abrir o apetite para o próximo que já deverá andar por aí. 
 
Tracklist:
1.      Ballad Of A Broken Man
2.      American Beer
3.      South Street
4.      Chase The Sun
5.      All My Friends
6.      The Boys In The Public Bar
7.      Devil On The Road
8.      The River
9.      I’ll Be The One
10.  A Song For You
 
Internet:
 
Edição: Bad Reputation

sexta-feira, 22 de março de 2013

Entrevista: Oel

Com o aclamado álbum The Merging e o hit mundial graças ao Euro 2012 que foi Heartbeat, os germânicos Øl ganharam uma nova vida e Corello Motello a sua mais recente proposta reflete precisamente isso num disco onde a mistura de hard rock e rock alternativo se mostra aliciante. Via Nocturna foi falar com Jens para saber o que mudou no reino dos Øl.
 
Olá Jens, com o lançamento do álbum The Merging, parece que os Øl ganharam uma nova vida. Sentes o mesmo?
Definitivamente! O título do álbum The Merging era para enfatizar todo o sentimento que ocorreu durante a produção e os shows ao vivo. Øl entrou numa nova era da sua história e...
 
Portanto, Corello Motello é a continuação lógica dessas boas vibrações ...
Sim, porque desta vez a composição não foi apenas monopólio do Sebastian, mas passei a ser o segundo principal criador de temas para o álbum. Para além de que toda a banda esteve envolvida na decisão de quais os temas a gravar e todos os temas sofreram arranjos em estúdio pela banda antes de serem gravados. Assim, a gama de influências foi muito maior em Corello Motello.
 
Entretanto, passaram quase três anos... Pelo meio um Unplugged. Porquê?
Em Øl estamos sempre à procura de novos desafios e de experimentar coisas novas. O show unplugged resultou disso. Nós sempre quisemos tocar com uma orquestra ou pelo menos alguns instrumentos clássicos como cordas ou outra coisa. Por isso nós fizemos os arranjos e reorganizamos as músicas para cordas, sopros e mesmo um coro. Um amigo ajudou-nos porque não somos muito bons na escrita da música e os músicos de cordas não foram capazes de operar com base na nossa forma de “escrever” o que foi muito engraçado.
 
Tiveram também o single Heartbeat, uma canção muito utilizada como hino do Euro 2012! Foi essa a vossa intenção ou não?
No início não, mas a música passou a ser ideal para o efeito e aproveitamos oportunidade. De qualquer forma, ainda a tocamos vivo, mesmo que o Euro 2012 já não esteja na cabeça de ninguém, e ainda balançamos muito o público
Corello Motello tem um nome realmente estranho! Existe algum significado específico?
Ao nosso vocalista Sebastian, quando comemorou o seu quinto aniversário, deram-lhe um palhaço chamado Corello Motello para fazer algumas piadas, que eram tão terríveis que Seb ficou traumatizado até hoje. Escrever este álbum fez parte da sua terapia para esquecer o trauma. Não… estava a brincar! Apenas queríamos ter um álbum com um nome único no Google.
 
Também continuam a manter tendências para capas estranhas. Desta vez, quem foi o responsável, e que mensagem tentam transmitir?
Não há nenhuma mensagem associada ao artwork. Apenas pensamos que apoiava o título do álbum e porque, gostamos do estilo retro, porque estamos longe de mais dos 30… O trabalho gráfico foi feito por Sascha e Dirk.
 
Podes contar um pouco de como decorreu o processo de gravação?
O Sebastian e eu apresentamos pré-produções de cerca de 40 músicas para a banda e também para alguns espectadores neutros no nosso estúdio. As 20 músicas mais apreciadas sofreram arranjos durante os ensaios com a banda completa e depois gravadas ao vivo. O resultado foi a base para a escolha do material para a gravação completa. Durante a gravação quase não adicionamos nada por cima do que tinha sido gravado ao vivo. Também trabalhamos sem cordas e outros instrumentos reais, porque preferimos backlines eletrónicos e samples, a fim de dar ao álbum uma atmosfera mais compacta. Nós pensamos que este é um aspecto central deste álbum em comparação com The Merging onde usamos principalmente instrumentos "reais" e muito pouco os sintetizadores.
 
Eu gostaria de colocar uma questão a respeito do tema All In All. É uma música dividida em duas com um intervalo ou a parte final é algum tema escondido?
A parte final é um tema escondido. É uma homenagem ao nosso baterista Sascha chamada Sash, porque é ele que conduz o autocarro da tournée e muitas vezes salva-nos de estarmos demasiado sóbrios (risos).
 
Com uma carreira tão longa, olhando para trás, o que sentes? Como analisas a vossa carreira?
Nós sempre tivemos a liberdade para fazer o que quiséssemos. Temos a nossa própria marca que nos coloca em posição de fazê-lo. Achamos que temos mais credibilidade se não andarmos sempre a correr atrás de hooklines compatíveis apenas com o intuito de aumentar a atenção de estações de rádio e outras fontes. Divertimo-nos realmente, curtimos a música que tocamos e estimamos o tempo em que estamos em palco, não importando se estão 20 ou 2000 pessoas.
 
Quais são os vossos próximos projetos?
É claro que a promoção deste álbum ao vivo. Estamos ansiosos para tocar alguns concertos ao longo do ano de 2013. As primeiras reações do álbum foram surpreendentes. Para além de que eu e o Sebastian já podemos começar a escrever novo material para o próximo álbum pois já estamos com fome. Talvez lancemos um álbum mais eletrónico e minimalista da próxima vez. Estamos extremamente curiosos sobre o que pode acontecer a nós mesmos.
 
A terminar queres dizer algo mais aos nossos leitores?
Sim, claro! Obrigado por lerem isto e se assim for, por gostarem do nosso álbum. Talvez nos encontremos num dos nossos espetáculos se estivermos próximos de ti!