terça-feira, 30 de abril de 2013

Entrevista: Factory Of Dreams

A cada álbum, Hugo Flores parece superar-se a si mesmo. Some Kind Of Poetic Destruction é mais um trabalho de alta progressividade e complexidade. E mais um trabalho onde a ficção cientifica marca presença. Sendo o quarto trabalho consecutivo para o projeto Factory Of Dreams, Hugo Flores começa agora a pensar voltar-se de novo para os Project: Creation, como se pode constatar nesta longa entrevista que o multi-instrumentista nacional nos concedeu. Uma entrevista onde o novo trabalho é dissecado ao pormenor.
 
Olá Hugo, tudo bem desde a última vez que conversamos? Este é já o 4º trabalho consecutivo do projeto Factory Of Dreams. Definitivamente esta é a tua prioridade número um?
Tudo muito bem e obrigado pela entrevista, sempre um prazer! Tinha o objetivo de fazer 4 álbuns de Factory of Dreams, pelo que tem sido efetivamente uma prioridade. Mas agora vou dedicar-me ao meu terceiro Project Creation e depois disso logo se vê. Tenho ideias para um novo álbum cujo tipo de som ainda não sei se se insere na onda de Factory ou se será algo de novo. De qualquer forma, Factory é até agora o projeto de maior alcance pelo que seguramente será para continuar após o terceiro Project Creation.
 
Desta vez demoraste um pouco mais a colocar cá fora um trabalho. A procura de um maior amadurecimento das músicas, que aliás é notório, foi o motivo ou terá havido outros?
A história deste álbum, apesar de menos abstrata que a do álbum anterior Melotronical, é mais complexa na sua estrutura e nos pormenores que têm necessariamente que funcionar no meio do enredo; aliás, cada faixa tem que fazer sentido e as pontes entre cada uma, sejam em termos de história, como de som, tiveram de ser muito bem pensadas, repensadas e isso teve impacto no tempo despendido com este álbum e com as letras. Esta história quase que assumiu contornos de argumento para cinema e tinha de ser uma história coerente do inicio ao fim. Houve alturas em que foi um quebra-cabeças! Este Some Kind of Poetic Destruction foi extremamente  complexo em termos de misturas pois apesar de seguir o som do seu antecessor Melotronical, também vai mais longe sendo um pouco mais progressivo e ambicioso tornando a sua produção mais morosa e cuidada. Isto também levou a ter a colaboração de alguns convidados na parte instrumental e das duas vocalistas convidadas em duas faixas, para imprimir maior dinâmica às diferentes faixas. Pelo meio disto tudo e da preparação e filmagem do videoclip, ainda estive a afinar as composições do próximo Project Creation e a rever letras e história e ainda estou claro!
 
Volta a ser um trabalho basicamente em duo. A forma de trabalhar manteve-se como antes ou houve alterações significativas?
Sim, o método de trabalho foi basicamente o mesmo, mas tivemos também instrumentalistas a gravar para o álbum e duas vocalistas fantásticas a Magali Luyten e Raquel Schuller, pelo que se alargou a coloração. A primeira tarefa a fazer foi mesmo compor e afinar as músicas, letras e histórias, e enviar para a Jessica para ela começar a delinear todas as melodias vocais e a adaptar letras. Depois íamos trocando ideias onde necessário. O método com os convidados foi semelhante, mas menos exigente, visto serem apenas em umas 3 ou 4 faixas. O que melhorou ainda mais o resultado final acho eu. A evolução na música e na voz tem sido significativa, e procuro igualmente com a música puxar ainda mais pelas capacidades da Jessica, que por incrível que pareça, supera sempre qualquer expetativa. Ela consegue adaptar as letras, melodias e encaixar tudo de uma forma perfeita na música, seja esta mais simples ou complexa. Os dois últimos álbuns, Melotronical e Some Kind of Poetic Destruction mostram uma Jessica numa forma de facto fantástica.
 
E em termos de gravação, como decorreram as coisas, principalmente com os convidados?
Foi excelente! Posso-te dizer que foi quase tudo ao primeiro take! Tanto a Magali como a Raquel gravaram nos seus estúdios e enviaram-me uma demo. A partir dessa demo afinamos alguns pontos e a segunda foi a final. No caso dos instrumentalistas, também correu bem; eles já têm muita experiência nestas andanças e sabem bem o que fazer e o que eu procuro num álbum como o Some Kind of Poetic Destruction.
 
Por falar em convidados, voltas a ter alguns a colaborar contigo, como também já vem sendo habitual. Já referiste alguns, mas que mais esteve contigo desta vez e que papel desempenharam na definição final do som de A Kind Of Poetic Destruction?
Nas vozes, já conhecia a Magali de outros projetos. Sempre foi uma das minhas vocalistas favoritas e poder contar com ela foi excelente; a Raquel conhecia-a dos Hydria. Adoro a voz brilhante e cristalina que ela possui, tendo feito uma performance impecável na faixa Angel Tears. Estas duas vozes são completamente diferentes da Jessica, o que é bom pois marcam presença em duas músicas distintas das restantes, como é o caso da agressiva Dark Season e da mais acessível mas melodiosa Angel Tears. Na Angel Tears, temos ainda a particularidade de um dueto entre Raquel e Jessica! Portanto, as vozes adaptaram-se muito bem às histórias e a cada faixa, era esse o objetivo. Nos instrumentos também já conhecia os músicos da Progrock Records. Estou a falar do Tadashi Goto, absolutamente fantástico nos teclados, do Chris Brown na guitarra e que também é o nosso masterizador, o Shawn que é o dono da editora e toca também de forma segura teclados e finalmente a Lyris Hung no violino, ultra versátil e talentosa. Que grandes solos na Seashore Dreams e na Neutron Star ela fez! Já agora acrescento que a necessidade de termos convidados parte sempre do espectro sonoro. No caso de Melotronical, o som era mais uniforme e a história menos complexa. No caso deste novo trabalho, temos uma grande variedade de situações na história e diferentes sonoridades, o que significa que em algumas faixas houve a necessidade de encontrar algumas vozes diferentes que dessem voz a certos momentos da historia.
 
Foi fácil poderes contar e poderes trabalhar com todos eles?
Muito fácil, todos eles admiram o nosso trabalho e nós o deles, por isso foi um prazer. Algo de muito importante foi que qualquer um é extremamente acessível, simpático e sobretudo têm uma segurança e experiência que garantem uma boa execução seja vocal seja instrumental.
 
Em termos sonoros, manténs mais ou menos a mesma sequência, voltando a apostar na tua ficção científica progressiva. Como é que esses elementos surgem?
É verdade, até agora todos os álbuns têm seguido uma veia de ficção científica, pois adoro explorar novas ideias e ir mais longe que a própria imaginação se tal for possível. Estes elementos surgem um pouco de todo o lado. Diria que é uma conjugação de tudo: da forma como interpreto o Mundo e o universo, dos filmes e histórias que leio; mesmo que me queira afastar dessa temática, a verdade é que o tema acaba por ser retomado mais tarde ou mais cedo nos álbuns. Há muitas influências de filmes, como o 2001 Odisseia no Espaço ou o Dark City; são filmes que adoro e aliás tenho predileção por tudo o que saia fora do normal. Gosto de ficção científica, gosto de mistério, de filmes de terror, de banda desenhada. No caso especifico do Some Kind of Poetic Destruction, a primeira ideia que surgiu, e que deu lugar à história, foi a de um casal a fugir de uma cidade a ser devastada por pulsares sónicos e a partir dai foi um desenrolar de ideias que acabei por colocar em papel, tendo esboçado primeiro que tudo uma tracklist de situações e cenas que depois se iriam transformar em músicas e letras. A ideia do oceano, da SeashoreDreams é recorrente nas minhas histórias. O Mar tem algo de muito especial para mim, talvez por ser Português, não sei. Há depois a ideia de várias estações do ano, não propriamente as usuais, como Primavera, Verão, etc, mas sim espécies de microclimas, em certas partes do mundo, onde se observa uma Dark Season e essa é outra das faixas do álbum onde a fantástica Magali Luyten brilha, tendo sido uma convidada de honra no álbum.
 
Este é um trabalho conceptual. Podes descrever sumariamente o que se passa em termos líricos?
Tudo começa numa manhã aparentemente calma, mas onde estranhos sons começam a ouvir-se a pouco e pouco e logo se tornam-se ensurdecedores criando o pânico. Tudo isto é seguido de raios de luz vindos dos céus. Temos duas personagens, onde a central acaba por ser a Kyra. As personagens fogem da cidade que entra em colapso e a partir daí começa uma aventura onde desvendam vários mistérios até perceberem o que de facto se está a passar nesta estranha invasão do planeta. Passam por uma praia onde o mar, entre sonhos, mostra através do seu reflexo uma enorme estrela perto da Terra; assistem a estranhas guerras de sons nos céus; encontram um complexo no meio de um vale onde uma estranha aula está a ser dada, entre outras coisas. A mensagem principal deste álbum é que temos de ter cuidado com as nossas ações num planeta que não é nosso, mas que apenas habitamos temporariamente. Vivemos pouco tempo, pelo menos fisicamente, e o planeta continua. O álbum tenta mostrar que o que conhecemos do universo não é nada. Não sabemos o que há lá fora, nem tão pouco o que se passa aqui dentro. A mensagem é também a de esperança, pois com esta ascensão do planeta vem uma nova vida, na qual a humanidade ascende a um nível superior, a uma dimensão de som. É esse o sentido da Join Us Into Sound e da Playing the Universe, as duas faixas que concluem a odisseia. E quem é Kyra podes perguntar? Bem, a Kyra é como que uma representação das emoções da tal estrela, mas na Terra. Ela prevê o que se vai passar, sonha com essa estrela através da música Seashore Dreams e a sua longa viagem acabará por descobrir os segredos e levar a Terra a juntar-se à estrela. A Kyra, irá reaparecer sob outra forma, no meu terceiro álbum de Project Creation, pelo que as duas histórias vão interligar-se. Um outro ponto que destacaria seria o portal interholo, uma das ideias high tech do álbum. É uma espécie de equipamento sofisticado, meio orgânico meio eletrónico (agora lembrei-me do David Cronenberg!), que permite ligar a nossa mente a uma espécie de nuvem onde são passadas notícias, filmes, etc... aumentando assim a emotividade atribuída a cada visionamento. Isto permite que as pessoas possam ter uma noção, um awareness, mais clara do que se passa à sua volta, no Mundo, e que isso lhes fique na cabeça para poderem agir com maior força.
 
Um trabalho conceptual com um título de poesia destrutiva. Existe algum significado especial para o título escolhido?
Claro, uma supernova é poética; já na obra 2010: Odyssey Two de Arthur C. Clarke, livro e filme, Jupiter é engolido por monólitos, explodindo e tornando-se num segundo Sol. Isto levou a que a humanidade ganhasse outra consciência. O mesmo neste álbum, as lágrimas de tristeza da Estrela que nos vigiava, caíram na Terra, fez-nos procurar pela razão desta invasão e conduziu à ascensão da Terra a outra dimensão, a do som, através da Supernova dessa Estrela. O título é também feito a partir da perspetiva de uma das personagens que ao observar a cidade a ser como que engolida por ondas de som e sublimes raios de luz diz 'Bem, isto é uma espécie de destruição poética'.
 
Porque fazer uma remake de um tema teu antigo, Playing The Universe?
Sempre foi uma faixa emblemática minha e do projeto Sonic Pulsar. Muitos fãs recordam-se dessa música, portanto, como agora consigo ter um poder de gravação e de mistura de maior qualidade, quis regravar e refazer esse tema. Acresce que é um tema que termina em beleza este álbum, pois esta ascensão da Kyra e da Terra, pelo cosmos, é feita através do som pelo que 'tocam' o Universo, como que uma Tour pelo universo! Uma das diferenças nesta versão é que o piano assume a melodia principal, sendo que a guitarra, baixo e bateria juntam-se no ritmo coeso. A razão foi fazer com que o som fosse semelhante às restantes faixas que perfazem o álbum, mantendo um som uniforme todo ao longo do álbum e história.
 
Seashore Dreams foi o tema escolhido para primeiro vídeo. Pergunto-te se houve alguma razão específica e se estás a pensar em criar mais algum vídeo deste trabalho?
A Seashore Dreams era a música que reunia tudo o que queríamos para um single: uma bonita melodia que fica no ouvido, progressividade na música passando de muito soft a épica. Além disto, é a parte da história em que a personagem principal sonha com o que ocorreu e com a tal Estrela que ninguém ainda tinha visto, portanto acaba por ser uma espécie de epifania. Discuti este assunto com a Jessica, e tínhamos varias hipóteses para um single, mas no final ambos concordamos que esta seria o single e vídeo ideal. Como já temos dois vídeos, uma promo de 4 minutos e o vídeo oficial, deveremos ficar por aqui em termos de vídeos oficiais.
 
E porque razão a versão do vídeo é substancialmente mais curta que a versão original?
Tipicamente os singles têm cerca de 3 minutos e meio para passarem nas rádios; no entanto a nossa tem 4 minutos e 20, o que já vai um pouco para além do usual. O single, e respetivo vídeo, é como que um cartão de introdução ou cartão-de-visita ao álbum, daí esta versão da Seashore Dreams ter o melhor da versão longa. Com um clip tentamos também que a música seja aceite pelo maior número de pessoas, e acho que o mix da versão de 4 minutos e meio está perfeita para este intuito. Normalmente é também uma necessidade ao nível do budget para o vídeo, pois passar a barreira dos 4 minutos torna a exigência ao nível da diversidade de imagens muito maior, aumentando de forma significativa os custos.
 
Vai haver oportunidade de vermos Factory Of Dreams ao vivo? Se sim, qual será a banda?
Já ponderei essa hipótese, seja num evento singular ou algo mais, mas ainda não se produziu mas não quer dizer que não se venha a fazer. Vamos ver, a logística é complexa.
 
A terminar, dou-te a oportunidade de acrescentares algo mais ao que já foi dito, quer para os nossos leitores, quer para os teus fãs…
Grande abraço, obrigado pelo enorme apoio que tens dado ao longo dos anos e pela excelente entrevista! Aos leitores/fãs, procurem sempre comprar o álbum, pois só assim conseguiremos continuar a produção de música.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Review: IV (Giuntini Project)

Project IV (Giuntini)
(2013, Escape)
(4.9/6)
Como o próprio nome deixa antever este é já o quarto trabalho do mago italiano da guitarra Aldo Giuntini. IV acaba também por ser a lógica continuação musical dos trabalhos anteriores do guitarrista. A abertura speedada de Perfect Sorrow traz-nos logo um nome à memória: Dio. E mesmo a compassada Born In The Underworld, mantém essa sensação. O facto de o vocalista ser Tony Martin, também poderá não ser completamente alheio. Estranho é o facto de pontualmente (e isso acontece em dois temas, Cured e, principalmente, na thrashada How The Story Ends) as referências se aproximarem de… Megadeth. Então o refrão da segunda é descarado! Os melhores momentos deste disco de hard rock tradicional ficam, no entanto, reservados para os dois instrumentais, The Rise And The Fall Of Barry Lyndon e Last Station: Nightmare. Não que tenhamos algo contra o desempenho de Tony Martin (que é excelente, refira-se), mas porque Giuntini é um guitarrista, parece muito mais à vontade quando compõe apenas a pensar na sua guitarra. Talvez por isso, também pareça que os temas se transfiguram para melhor, nos momentos em que ele sola ou, pelo menos, tem maior exposição. Independentemente disso, IV é um disco cheio de groove, com grandes guitarradas, muito densas durante grande parte do disco, muito bem vocalizado (já o tínhamos dito!) e com algumas linhas melódicas agradáveis. E com um par de temas (para além dos já citados) claramente situados acima de uma bitola média.
Tracklist:
1) PERFECT SORROW 
2) BORN IN THE UNDERWORLD 
3) SHADOW OF THE STONE 
4) CURED 
5) I DON'T BELIEVE IN FORTUNE 
6) IF THE DREAM COMES TRUE 
7) THE RISE AND FALL OF BARRY LYNDON 
8) BRING ON THE NIGHT
9) NOT THE JEALOUS KIND 
10) SAINT OR SINNER 
11) LAST STATION: NIGHTMARE 
12) HOW THE STORY ENDS
13) TRUTH NEVER LIE 
Line-up:
Aldo Giuntini - guitarras
Tony Martin - vocais
Fabiano Rizzi - bateria
Roberto Gualdi - bateria
Fulvio Gaslini - baixo
Liz Vandall – vocais em Bring On The Night
Internet:
Edição: Escape Music

domingo, 28 de abril de 2013

Entrevista: Molllust

Em menos de meio ano é o segundo trabalho dos germânicos Molllust e a segunda vez que temos motivos para ir conversar com Janika Groβ. Desta vez o motivo é a edição do EP Bach Con Fuoco, trabalho que reúne os quatro temas que permitiram aos Molllust vencerem o Bachspiele 2012.
 
Olá, de novo Janika! Depois do enorme sucesso com Schuld, quando e porque decidiram lançar este EP?
Hallo! Na realidade, decidimos gravar o EP quando ganhamos o BachSpiele e as pessoas nos perguntavam se as músicas estavam disponíveis em CD. Na verdade, estivemos em estúdio um pouco antes do lançamento de Schuld, mas, claro, levamos algum tempo para produzir o digipack.
 
Então foi com estas 4 faixas que venceram o BachSpiele?
Sim, exatamente.
 
Explica-me como decorreu todo o processo. Em primeiro lugar, a seleção das músicas. Porque estas e não outras?
Houve várias razões para a esta nossa escolha. Escolhemos peças com as quais eu já tinha alguma ligação. Quanto ao prelúdio toquei-o, ainda jovem, num concurso, por isso era-me muito familiar e quase instantaneamente surgiram as ideias de como trabalhar a peça. Quando cantei num coro universitário tive contato com a Paixão Segundo São Mateus. Olhei de novo para os meus registos e tive algumas ideias. A Paixão tem um grande potencial para o poder e sonoridade dark que a nossa fração de metal traz para a música. Escolhi Ave como a última peça porque é muito popular e é algo que uma soprano clássico tem que cantar pelo menos uma vez na vida – portanto, pensei que este seria o momento ideal para o fazer.
 
Em segundo lugar, como é que foi colocar os arranjos metal nestas peças clássicas?
Isso é muito difícil de descrever. Olhei para o placar e as ideias surgiram na minha mente. Foi mais ser guiada pelos sentimentos que as músicas transportam e como poderia eu mostrar as emoções dos textos. De um ponto de vista técnico, usei métodos diferentes. Às vezes segui o que sempre lá esteve; outras vezes alterei a métrica ou adicionei algo completamente novo. E, nalgumas passagens a secção metal apenas serve como acompanhamento do que os instrumentos clássicos estão a tocar.
 
Uma vez que tens formação clássica, foi mais fácil colocar este projeto em andamento?
Tenho certeza que a minha experiência ajudou muito a compreender a obra de Bach e, portanto, a trabalhar com ele. Mas, para mim, não foi mais fácil do que escrever novas músicas. Pelo contrário: com composições próprias tens mais liberdade.
 
Suponho que a vossa intenção não era apenas fazer uma versão metal das composições de Bach mas também fazer sobressair a eternidade da música de Bach para novos fãs…
A nossa banda sempre tentou unir o público do clássico e do metal. Com Bach é o mesmo. Queremos incentivar as pessoas a estarem abertas aos diferentes estilos e às suas enormes potencialidades. E ouvir música que talvez ainda tenham que descobrir. E isto funciona em ambas as direções. Quantas vezes tens a oportunidade de ouvir riffs de metal num festival clássico? Sem essa relação, não teríamos a oportunidade de aplicar a tais eventos.
 
Um trabalho brilhante de manutenção do legado de Bach, na minha opinião. Naturalmente concordas?
Sim, acho que é importante proporcionar um acesso atual às composições antigas. Caso contrário, é difícil para as pessoas que não tem um background clássico poder descobrir estas joias musicais. Estou muito orgulhosa dos meus companheiros de banda e do nosso produtor. Todos eles fizeram um ótimo trabalho em Bach Con Fuoco.
 
E a respeito de reações da imprensa, vossos fãs e até dos fãs do clássico? Têm algum feedback?
Até gora, temos tido um feedback muito positivo. As pessoas incentivam-nos a continuar o nosso trabalho e estamos muito gratos pelo apoio dos nossos fãs. Tenho a impressão de que este nosso novo amplia o nosso público. Estamos não só alcançar a nossa geração, mas a geração dos nossos pais e até mesmo dos avós. Estamos ansiosos para o Bachfest, onde apresentaremos as nossas peças no palco principal. Estou realmente animada para ver a reação do público.
 
Bem, é tudo por agora. Obrigado mais uma vez. Queres deixar algumas palavras para os nossos leitores?
Muito obrigado pela entrevista! Estamos muito felizes que a nossa música seja apreciada em todo o mundo e esperamos encontrarmo-nos um dia num qualquer concerto!

sábado, 27 de abril de 2013

Review: Showdown (Voodoo Highway)

Showdown (Voodoo Highway)
(2013, Dust On The Tracks Records)
(5.6/6)
Quando em 2011 uns ilustres desconhecidos apresentavam ao mundo Broken Uncle’s Inn, o mesmo mundo estarreceu! Aquilo era demasiado bom para ser verdadeiro. De imediato surgiram as comparações e Deep Purple foi a mais sonante. No entanto, faltava muito ainda para provar a este coletivo transalpino. Mas as provas estão definitivamente aí. Showdown começa por surpreender pela capa. Os rapazes estarão mais ajuizados e menos irreverentes? Talvez. Vamos dar uma audição. E logo o tema de abertura serve para demonstrar o contrário. Os Voodoo Highway continuam lá com tudo no sítio! This is rock ‘n’ roll, dizem eles e de forma totalmente acertada. Energia contagiante, toda a pureza do hard rock, gigantescos (em termos de qualidade e não em tempo) solos de guitarra em sucessivos duelos com um omnipresente Hammond, esmagam-nos logo ali. Mas, atenção, preparem-se. Showdown acaba por se desenvolver sempre em alta rotação e altíssima qualidade, mas mostra outras qualidades até aqui desconhecidas. É que embora a irreverência continue lá toda, a banda cresceu, amadureceu e os temas refletem isso. Pela forma como a banda consegue apresentar o que imprescindível, eliminando o acessório; pela forma como gere o tempo das canções; pela forma como as apresenta alinhadas num álbum capaz de prender a atenção do ouvinte do primeiro ao último segundo; pela forma como introduz melodias sensacionais criando temas verdadeiramente brilhantes ao nível das musicalidades. E já agora, também é importante dize-lo, ao nível das capacidades técnicas individuais. Não sendo muito fácil a escolha, os nossos temas favoritos são This Is Rock ‘n’ Roll Wankers, Fly To The Rising Sun, Could You Love Me (pega-se de tal forma à nossa mente, que nunca mais de lá sai!), o novo single Wastin Miles, Cold White Love e Prince Of Moonlight. O resto descubram por vocês próprios. É absolutamente indispensável que o façam sob pena de perder um dos melhores álbuns de 2013.
Tracklist:
1. This Is Rock'n'roll, Wankers!
2. Fly To The Rising Sun
3. Midnight Hour
4. Could You Love Me
5. Wastin' Miles
6. Church Of Clay
7. Mountain High
8. Cold White Love
9. A Spark From The Sacred Fire
10. Prince Of Moonlight
11. Till It Bleeds (Bonus Track)
12. Broken Uncles Inn (Bonus Track)
Line-up:
Matteo Bizzarri - guitarras
Filippo Cavallini - baixo
Federico Di Marco - vocais
Alessandro Duò – órgão e teclados
Vincenzo Zairo – bateria
Internet:

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Entrevista: Vindictiv

Todos os músicos brilhantes sentem necessidade de se superar e de expandir os seus limites. O guitarrista sueco Stefan Lindholm não foge à regra e com o seu novo trabalho, Cage Of Infinity, deixa um pouco de lado a sua costela mais neoclássica para embarcar numa aventura mais direta e in your face. Numa curta e, também muito direta entrevista, Lindholm fala deste novo trabalho e levanta o véu para outros projetos a surgir em breve. Confiram.
 
Olá Stefan tudo bem contigo? Novo álbum quatro anos depois. O que aconteceu para este tão longo intervalo de tempo?
Olá, sim está tudo bem obrigado! Sim, realmente foi muito tempo desde o último álbum, mas tenho estado a trabalhar em dois novos álbuns, um deles com um projeto que ainda não tem um nome, mas que tem alguns músicos incríveis! Mantem-te atento sobre as próximas notícias a este respeito! O outro é o que deverá ser lançado no dia 10 de maio de 2013 (Cage Of Infinity).
 
Precisamente, Cage Of Infinity é o principal motivo desta conversa. Trata-se de um trabalho com um estilo um pouco mais in your face, por vezes quase Thrash Metal. Tinhas essa intenção de fazer um álbum com estas características?
Inicialmente estava a escrever as músicas para uma banda da qual eu deveria fazer parte, mas a cantora mostrou-se uma completa idiota e não pude continuar a trabalhar com eles. Então, usei essas músicas no álbum Cage Of Infinity.
 
Tens algumas expectativas para este lançamento?
Espero que este trabalho leve os Vindictiv para outro nível, tocando em grandes palcos por aí!
 
Tens um novo membro nos Vindictiv. Como foi a sua adaptação à banda? Teve alguma influência no processo de escrita deste álbum?
Na verdade, temos um novo membro e que é o Henrik Hedman e que está perfeitamente adaptado! Henrik é uma pessoa impecável e que sabe exatamente o que trazer para a mesa! O seu comando na bateria é totalmente extasiante!
 
A respeito de Marco Sandron, ele é um membro efetivo dos Vindictiv?
Não, Marco foi apenas um cantor sessão para este álbum. Ele não quer ir para a estrada e o que realmente preciso é de um vocalista que possa cantar ao vivo. Aliás, ainda estou à procura de um vocalista para a banda. Portanto, alguém que leia esta entrevista basta contactar-me no facebook e enviar-me um e-mail.
 
Como achas que os teus fãs mais antigos irão reagir à mudança de Goran Edman por Sandron?
Espero que todos os fãs gostem deste álbum também. Marco também é um cantor incrível e que também tem uma voz muito boa como Goran Edman. Ambos cantam de forma muito melódica.
 
Podes falar um pouco de como decorreu o processo de gravação?
O processo foi muito bom, compus e gravei todas as músicas no meu estúdio, depois os restantes elementos vieram a estúdio e gravaram as suas partes.
 
Screaming For Answers é a faixa bónus. Em que edição aparecerá?
Esse tema aparecerá na edição japonesa do CD.
 
Já estás a preparar alguma tour para levar Cage Of Infinity para a estrada?
Sim, estamos ansiosos para subir no palco e rockar! Para já temos dois shows agendados aqui na Suécia, mas iremos tocar mais alguns shows muito em breve!
 
Para além dos Vindictiv continuas a trabalhar noutros projetos?
Sim, tenho algo a acontecer. Fiquem atentos para mais detalhes sobre isso!
 
A terminar dou-te a oportunidade de dizer mais alguma coisa para os nossos leitores e para os teus fãs ...
Quero agradecer a todos os fãs que têm apoiado os Vindictiv, fazendo-nos realmente felizes em continuar a fazer música para vocês! Obrigado por esta entrevista.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Review: From Ashes To Fire (Saffire)

From Ashes To Fire (Saffire)
(2013, Inner Wound Recordings)
(5.8/6)
Após três demos, os Saffire, banda de Gotemburgo nascida em 2006, estreia-se com From Ashes To Fire. Este é uma estreia longa, marcada por um conjunto de temas que buscam as suas raízes nos grandes nomes do hard rock do passado, como Dio ou Rainbow mas que conseguem dar o passo em frente rumo a uma sonoridade perfeitamente atualizada e nunca parecendo ultrapassada ou cliché. O melhor exemplo surge logo na excelente abertura com Magnolia, tema forte cheio de groove que até remete para alguns nomes mais atuais como Avenged Sevenfold. Um baixo muito presente, belos coros, grandes solos muitas vezes em duelo entre a guitarra e o órgão (com uma sonoridade analógica tipicamente seventy) e vocais fortes são as principais caraterísticas dos Saffire. From Ashes To Fire é um disco de grande dinamismo, com temas mais fortes quase a roçar o thrash metal de uns Metallica e outros bem mais melódicos. Também com temas muito completos, cheios de breakdowns e mudanças rítmicas e estruturais, até com alguns apontamentos étnicos e progressivos e com uma enorme musicalidade. Em suma, composições inteligentes e maduras a criarem um disco cheio de pontos de interesse e que fornece a cada audição uma motivação extra para uma nova audição. Uma estreia excelente, portanto.
Tracklist:
01. Magnolia
02. Kingdom Of The Blind
03. Freedom Call
04. End Of The World
05. What If
06. A Symphony Unheard
07. Paralyzed
08. Modus Vivendi
09. The Betrayer's Fate
10. She Remains a Mystery
11. Say Goodbye
12. The Redemption
13. Stormy Waters
Line-up:
Tobias Jansson - vocais
Victor Olsson - guitarras
Anton Roos - bateria
Dino Zuzic - teclados 
Magnus Carlsson – baixo
Internet:

terça-feira, 23 de abril de 2013

Entrevista: Mindfeeder

 
No ativo desde 2003, na altura ainda como Inertia, os Mindfeeder estreiam-se em formato longo com Endless Storm, depois de uma demo e um EP que tiveram boa aceitação na altura. A banda juntou-se para nos falar um pouco mais deste projeto, do seu espetacular disco de estreia e dos próximos tempos.
 

Olá, malta! Os Mindfeeder começaram em 2003, como Inertia mas aquando da gravação da primeira demo já eram Mindfeeder. Porque esta mudança de nome?
Henrique: Bem, primeiro que tudo em nome dos Mindfeeder, quero agradecer a tua review ao nosso álbum e também a oportunidade para esta entrevista.
Em relação à pergunta, nós mudámos de nome porque descobrimos que existia outra banda com o nome de Inertia, que era, se bem me lembro, uma banda de música eletrónica, daí que achámos melhor alterar o nome e após um "brainstorming" chegamos à conclusão que Mindfeeder seria o nome ideal para a banda.
Curioso foi que este nome foi retirado de uma música dos Iron Savior, banda do nosso amigo Piet Sielck que acabou por ser o sétimo elemento neste novo álbum.
 
E desde os tempos dos Inertia, como tem sido a história dos Mindfeeder?
Piri: A história dos Mindfeeder tem sido cheia de peripécias e alguns momentos fantásticos, sempre levamos este projeto com base na amizade, sem muitas ilusões e com os pés bem assentes na terra, com muita serenidade mas também com muito entusiasmo e acima de tudo com o intuito de nos divertirmos e desfrutarmos ao máximo, depois tudo o que vier por acréscimo é bónus. Temos muitas histórias interessantes, algumas até hilariantes, ao longo dos anos temos tocado de norte a sul do país, conhecemos bons músicos e pessoas muito prestáveis por esse país fora.
Durante todos estes anos há um momento que jamais esquecerei e que para mim foi um dos momentos mais importantes na história dos Mindfeeder, o primeiro concerto que demos no Porto no festival Velha Guarda, fomos muito bem recebidos por um publico fantástico e muito caloroso. Acho que nesse momento tivemos o clique, ganhamos ânimo extra para continuarmos a trabalhar e a divulgar o nosso Power Metal.
 
Pelo caminho, têm tido alguns momentos históricos, nomeadamente o 7º lugar entre 40 bandas em 2005 no Heavy Metal Eurovision Contest. Como sentiram esse momento e que influência teve na vossa projeção?
Leo: Esse foi de facto um momento determinante para a nossa aventura musical. Nessa altura tínhamos em mãos uma demoRise from the Flames – que nem por isso nos agradou no seu resultado final. Fazíamos concertos aqui e ali mas nada de muito significativo. O HMEC teve o mérito de nos acordar para tentarmos dar um passo em frente e acreditarmos que podíamos ter alguma coisa a acrescentar no cenário musical e começamos de facto a pensar em ter um trabalho mais a sério e daí nasce o nosso EP de 2006 Mind Revolution que iria ser muito bem recebido por todos e obteve excelentes críticas. A partir daí temos a noção que o nome Mindfeeder começou a ser falado com respeito no nosso underground e com uma projeção muito maior.
 
Já agora, como se processou a selecção dos Mindfeeder para representar Portugal?
Piri: Bem, para falar a verdade foi uma surpresa. O evento é organizado pelo site www.esckaz.com , é necessário a banda ter uma página criada no Metal-Archives com uma ou mais musicas em mp3, página essa que pode ser criada por um fã ou amigo. No caso dos “8 grandes” (Reino Unido, Alemanha, Suécia, Finlândia, Itália, Dinamarca, Holanda e Rússia) os participantes são sugeridos pelos internautas, enquanto que as bandas que representam os restantes 32 países, são selecionadas pela organização, os Mindfeeder reuniam todas as condições para participar no evento e tivemos o privilégio de ser escolhidos para representar o nosso país na segunda edição deste evento, o que para nós foi e sempre será motivo de grande orgulho.
 
Para além deste momento, sei que venceram alguns outros concursos e até apareceram na Televisão. De que forma isso ajudou a consolidar o vosso nome?
Henrique: Quando tu tens uma banda, tudo o que "vem" é bom. E nessa altura nós estávamos no inicio, e aproveitávamos o que surgia, festivais, festas da terra, concursos, de modo a divulgar o nome dos Mindfeeder e a nossa música.
Fizemos por exemplo muitos concertos no Alentejo, e foi ai que tivemos a nossa primeira "legião de fans".
A partir de 2006, com a gravação do EP Mind Revolution, é que expandimos os horizontes ao resto do país, onde tocámos de norte a sul, o que nos deu experiencia de estrada. Recordamos especialmente um concerto de 2007 no Porto, no Teatro Sá da Bandeira com grandes bandas, onde tivemos uma noite fantástica, com um público extraordinário que nunca nos tinha ouvido e nos recebeu de braços abertos, antes, durante e depois do concerto.
A ida à televisão, não sei se nos promoveu grande coisa porque o programa dava às 2h da manha (risos) mas acabou por ser uma experiencia engraçada que serviu para nos divertirmos e ter um pouco a ideia de como funciona o "teatro" televisivo.
 
Para este novo trabalho, socorreram-se de Piet Sielck. Como se processou o contacto e que influência teve ele na sonoridade geral?
Ricardo: Inicialmente iria ser tudo feito por nós até porque o nosso orçamento era muito pouco ou nenhum, mas com o passar do tempo e o evoluir das gravações a certa altura decidimos que seria uma mais-valia ter alguém com créditos firmados no meio a fazer a mistura e masterização do álbum.
Quando começamos a pôr hipóteses de produtores o nome do Piet Sielck foi consensual, ninguém melhor que o "pai" do nome MINDFEEDER e um dos pioneiros do Power Metal que para além de excelente músico é também um excelente produtor.
Iniciamos contactos com o Piet via email, dissemos-lhe que era o pai da criança e que tinha que assumir!
O Piet é uma pessoa muito acessível e divertida e mostrou-se sempre muito interessado no nosso projeto o que nos levou a dar-lhe total controlo sobre o Álbum.
A influência do Piet na sonoridade foi imensa e superou inclusive as nossas expectativas, ele recebeu todas as gravações em "crú", guitarras e baixo por exemplo fez o re-amp com os amplificadores dele, decidiu das dezenas e dezenas de pistas por música que recebeu (o Memories por exemplo tinha perto de 100 pistas) o que era uma mais valia para a música e o que seria para "deitar fora", o nosso som ficou muito à imagem do Piet, mas a contribuição dele não se ficou por aí, o Piet envolveu-se no nosso projeto por completo tornando-se o 7º elemento dos MINDFEEDER, complementou alguns dos coros que lhe enviamos com os coros dele e acrescentou-os noutras partes o que deu outra dinâmica a algumas das músicas. Como se não fosse suficiente deu-nos também o prazer de tocar alguns solos de guitarra no nosso álbum, para nós foi um sonho tornado realidade!
 
Já agora, como decorreu todo o processo de gravação?
Nuno: É muito difícil descrever todo o processo de gravação em curtas palavras. Foi um trabalho muito exigente e demorado desde a sua conceção até ao produto final. Sendo um trabalho produzido pela banda, tivemos de ultrapassar vários obstáculos como a nossa própria inexperiência para um trabalho desta dimensão e com o qual crescemos muito. Questões relacionadas com a nossa vida pessoal e outras tornaram a realização do álbum ainda mais demorada. Quando a determinada altura pensamos que seria uma missão quase impossível o nosso espírito de união prevaleceu e só tivemos olhos para o nosso objetivo. Não podíamos voltar atrás, por nós e por todos que nos têm em consideração não podíamos desistir. Temos de agradecer a todos os que nos apoiaram ao longo desta jornada e em particular ao Ricardo que criou as condições necessárias e cuja infindável paciência nos permitiu registar este trabalho.
 
E depois têm um conjunto de convidados. Querem falar deles e contar como foi a sua participação em Endless Storm?
Leo: Devo confessar que para além do objetivo comum de termos um álbum de que nos orgulhássemos eu tinha um objetivo pessoal que era fazer do Endless Storm um álbum vocalmente superior. Os arranjos, as melodias e tudo o que diz respeito à voz teriam de estar absolutamente acima da média.
Dito isto e tendo aqui em Portugal a matéria-prima necessária para fazer um grande disco com grandes vozes não é difícil prever que tivéssemos convidado nomes como Artur Almeida dos Attick Demons, Hugo Soares (ex-Artworx e Ethereal), Paulo Gonçalves (Shadowsphere), Célia Ramos (Mons Lunae), Mena (ex-Tearful) e o Tiago Ribeiro que são apenas algumas das vozes mais fantásticas que conheço a nível mundial e que temos o prazer de ter como amigos. Todos eles se disponibilizaram imediatamente para nos ajudar e fizeram da sua participação algo memorável como vão ter a oportunidade de ouvir no álbum.
Para além disso a participação do Piet Sielck que já falamos anteriormente e que é uma voz mais conhecida do nosso meio, também foi absolutamente determinante para alcançar excelentes momentos vocais e solos de guitarra fabulosos.
Tivemos ainda a participação no The Call de 4 dos melhores amigos e fans da banda em estúdio o que foi um momento fantástico porque nos permitiu partilhar com eles esta experiência e fazer com que também os fans fizessem parte do álbum. O meu agradecimento ao Geiras ao Nuno Oliveira e às Inês Mishas!
Para além disso quero referir o trabalho fantástico do nosso grande amigo Augusto Peixoto da Irondoom Design e baterista dos Head:Stoned e da Diana Fernandes pelas nossas fotos promocionais. São talentos como estes que fazem de nós um pais riquíssimo!
 
Qual o significado de um tema como 1628?
Nuno: É um tema que transporta uma enorme carga emocional e que fala sobre uma relação amorosa que contra todas as adversidades e expectativas prevaleceu. Muito metal, portanto,
É uma mensagem de crer e de esperança.
 
A 25 de abril será o concerto de apresentação. Estão a preparar algo especial?
Sérgio: Como concerto de apresentação do 1º álbum, teríamos que preparar algo especial e inesquecível quer para nós, quer para quem nos acompanhou, acompanha e irá acompanhar. Acima de tudo queremos que não seja somente um concerto, mas uma grande festa! Quanto a pormenores, é surpresa! (risos) Há certas coisas que não podemos levantar o véu... Queremos surpreender o nosso público, os nossos amigos e os nossos fãs! O local escolhido (se me permitirem a publicidade, é o Live Act Lounge -www.facebook.com/liveactlounge), é um bar que se tem vindo a tornar um local de culto no mundo da música, onde muitos projetos (covers e originais) têm tocado, por onde grandes nomes da música nacional já passaram e acima de tudo, por ser uma casa que vive e respira da música em geral! O ambiente não podia ser melhor para poder receber o nosso público e os nossos amigos! Nós sabemos que nos vamos sentir em casa e isso é imprescindível para que o espetáculo se torne isso mesmo: um espetáculo!
 
O power metal parece meio esquecido no nosso país. Vocês próprios em algumas entrevistas têm citado esse desinteresse. Acham que as coisas têm mudado um pouco ou não?
Ricardo: Infelizmente não é só no nosso país que anda meio esquecido e creio que no fundo está tudo ligado. Há alguns anos atrás apareciam novas bandas de Power Metal / Metal Melódico todas as semanas, era como que o género em moda dentro do metal. O ponto negativo dessa massificação foi que muitas dessas bandas nada traziam de novo ao género enquanto outras eram efetivamente más o que contribuiu para a saturação do género e também infelizmente para a colagem de alguns "rótulos" menos apropriados e injustos que ainda hoje afastam algumas pessoas.
No nosso país acho que o Power Metal nunca chegou a "dar o salto" necessário, talvez devido à falta de divulgação, em muitos concertos temos pessoas que vêm ter connosco e dizem que não sabiam sequer que havia bandas a praticar este tipo de som em Portugal.
Concluindo, não acho que as coisas tenham mudado muito no entanto cabe-nos também a nós bandas contribuir para que essa mudança aconteça apostando na qualidade e originalidade, hoje em dia a Internet torna possível chegarmos a cada vez mais pessoas e conquistar novos fãs, nós estamos a tentar fazer a nossa parte com este trabalho e olhando para o panorama nacional vejo que temos poucas mas boas bandas de Power Metal portanto há esperança!
 
Para além dos Mindfeeder, alguns de vocês participam em algum outro projecto?
Leo: Eu sou quem tem a vida mais agitada nesse capítulo. Vocalizei e escrevi as letras do 3º álbum dos Scar for Life – 3 Minute Silence, vou gravar as vozes principais no novo álbum de Fantasy Opus e para além disso tenho uma banda de covers com nomes bem conhecidos do metal nacional que deve estar quase por ai a “rebentar” e outra surpresa com elementos dos Mindfeeder que também esta na calha.
Para além disso o Nuno Carranca já fez parte dos Tearful, o Sérgio fez parte dos extintos Lostland e Arentius e passou pelos Drakkar e o Ricardo foi recrutado aos extintos Fireball.
 
Naturalmente que a prioridade número um agora é a promoção de Endless Storm. Já há concertos agendados?
Leo: Estamos a preparar outra tour bem composta. Para além do lançamento a 25 de Abril, que desde já ficam convidados a aparecer, temos o March of Metal Fest que é organizado por mim a 4 de Maio no Side B com grandes bandas nacionais e com uma banda italiana.
Temos a 1 de Junho o aniversário dos nossos grandes amigos Attick Demons onde vamos ter a honra de tocar e partilhar o palco da Republica da música em Alvalade com eles e com outros grandes amigos nossos os Head:Stoned.
Estamos também já confirmados para o Hard Metal Fest em Mangualde em Janeiro de 2014.
Entretanto estamos também a preparar uma ida ao Porto que será anunciada e a participação em outro Festival de Metal que será anunciado na nossa página www.facebook.com/mindfeeder em breve.
Se houver promotores que nos queiram a tocar no vosso evento contactem-nos para a nossa pagina de facebook.
 
E outros projectos para um futuro mais longínquo?
Sérgio: Bom... Creio que como elemento mais novo desta fantástica irmandade posso demonstrar certamente que o desejo é comum... Foi uma longa batalha (para mim mais curta, uma vez que entrei a meio do processo de gravação), mas foi uma jornada dura que nos serviu para aprender com os muitos erros de principiante que cometemos e que, felizmente, foram corrigidos. Os planos para o futuro passam muito por colher os frutos deste álbum, sejam eles bons ou maus, aprender com os erros cometidos, e continuar a batalhar... Há alguns temas novos na manga, que ainda não tivemos oportunidade de os trabalhar, devido à preparação e planeamento da tour, mas que a seu tempo serão colocados em cima da mesa e trabalhados, desta vez, com outra perceção e com outro tipo de foco e maturidade...
 
A terminar, querem acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordado nesta entrevista? Ou deixar uma mensagem para os nossos leitores?       
Leo: Muito Obrigado pelo apoio do Via Nocturna e deixem dar-vos os parabéns pelo trabalho fantástico de apoio que têm realizado.
A todos os leitores quero dizer-vos que podem seguir-nos na nossa página de Facebook e fiquem atentos pois ainda há muitas surpresas reservadas. Se gostam de Metal embarquem connosco nesta aventura!  Keep feeding your Minds!
Nuno: O que mais desejamos é mostrar o nosso trabalho em palco, onde nos sentimos bem. O nosso agradecimento a vós e a todos os leitores. Apareçam nos concertos e tornem a Endless Tour inesquecível! Apoiem sempre o metal nacional!
Piri: É muito importante que continuem a apoiar os projetos e músicos nacionais, sem apoio e divulgação os projetos perdem-se e os músicos acabam por ser “engolidos” pela necessidade de ganhar alguns euros para sobreviver.  Uma palavra de apreço ao excelente trabalho desenvolvido pelo Via Nocturna e pela divulgação do que se faz por cá.
Henrique: Oiçam e divulguem a nossa música, comprem o nosso album e apareçam nos nossos concertos.
Ricardo: Apoiem o metal nacional, encham os concertos e demonstrem o vosso apoio, seja comprando os CDs seja apenas com umas palavras de apreciação ou mesmo só estando presente, não há nada mais gratificante para uma banda que ver o seu trabalho reconhecido e nada mais desolador que uma sala vazia.
Sérgio: O que eu queria efetivamente dizer e foi uma coisa que me deixou extremamente chateado foi que eu queria chamar a esta tour de "tour-neira", mas o quórum não me foi favorável... Agora a sério, apoiem o metal nacional. Há muita qualidade aí "escondida" e que permanece como underground por não ser apoiada! Há que espevitar e cultivar as pessoas para abrirem as suas "pequenas" mentes às coisas novas e boas da vida! Keep feeding your minds with heavy metal!