sexta-feira, 31 de maio de 2013

Entrevista: Sugarman

Tem uma vasta experiência de estrada. Já tocou em bandas country e folk. Está há dez anos com os 500 Miles To Memphis. E tem o segundo álbum do seu próprio projeto. O seu nome: Noah Sugarman. Artista de americana. O seu novo disco: After The Blackout. Fomos conhecer um pouco melhor este artista e as motivações para a criação de um disco tão pessoal.
 
Viva Noah! Obrigado por disponibilizares algum do teu tempo respondendo a Via Nocturna. Antes de mais podes falar um pouco deste teu projeto e quais são as tuas principais influências?
Bem, a música do novo álbum é uma coleção de memórias dos últimos anos da minha vida. No que diz respeito a influências, todas. O clima, o meu humor, as situações maradas em que eu entrei. Para citar alguns músicos, os Beatles, James Brown e Soul Coughing.
 
After The Blackout é o teu segundo álbum. De que forma é diferente quando comparado com a tua estreia?
A maneira de o fazer. After The Blackout é diferente porque o construí eu. No primeiro álbum, Art Of Starting A Fire, tive a sorte de trabalhar com o produtor Bruce Witkin dos The Kids. Tivemo-lo a ele e a alguns músicos de estúdio surpreendentes. Eu tocava e cantava minhas peças e, depois, dava um passo atrás, calava-se e escutava. Eu aprendi muito sobre a construção de músicas com eles. Quando eu decidi produzir eu próprio o novo álbum realmente fui capaz de aplicar o que tinha aprendido na supervisão do projeto com a grande ajuda do Bill Halverson.
 
O press release refere que este é um álbum que reflete o teu coração e alma. É um álbum muito pessoal, então. O que pretendias transmitir?
Mais do que um álbum pessoal, eu diria que as minhas músicas são pessoais. O primeiro álbum também era é pessoal. Todas as letras significam algo para mim, mas o meu objetivo é evocar emoções pessoais para o ouvinte. Tornar as coisas um pouco vagas para que alguém as possa aplicar na sua própria vida. Quase tudo está ligado de alguma maneira. As pessoas em geral têm muito em comum.
 
Foi por isso que tocaste a maioria dos instrumentos?
Eu toquei a maioria dos instrumentos porque posso. (risos) Pelo menos acredito que seja o caso.
 
Mas também tiveste vários convidados. Como se processou a sua seleção?
Sim, tenho convidados. É divertido ter convidados. São alguns dos meus mais queridos e mais talentosos amigos que convidei para gravar este disco. Alguns dos dias mais memoráveis ​​e alegres no laboratório foram os dias em que os meus amigos vieram para gravar. A outra coisa incrível de ter o registo de amigos no teu álbum é o facto de se sentirem obrigados a fazê-lo gratuitamente.
 
E por que, um título como After The Blackout?
Bem, isso provavelmente significa algo um pouco mais profundo e mais obscuro, mas por algum motivo para este álbum escrevi algo apocalíptico sobre o fim do mundo. Então imagino, After The Blackout como um início. Após o grande desastre os sobreviventes saem e reconstroem. É uma história de sobrevivência.
 
Após o lançamento do álbum tiveste a oportunidade de andar em tournée extensivamente pelos EUA. Que memórias guardas desse período?
Andar em tournée é uma explosão. Tudo gira a respeito das pessoas com quem viajamos e as que se encontram na estrada. Adoro os meus companheiros de banda que são divertidos. Também tenho amigos muito queridos em cidades que conheci na minha jornada musical e quero manter um contato próximo com eles e vê-los quando voltar a tocar nas suas cidades. Posso-te contar a quarta melhor história da tournée: nós estávamos numa pequena cidade costeira e encontramos algumas dessas pessoas. Convidaram-nos para voltar mais tarde, depois do espetáculo a um parque aquático que era da sua família. E lá andamos nós, as 4:30 horas andando em slides. Foi incrível! Muito divertido. Na verdade não os vi nem antes nem depois. E isto foi, pelo menos, há seis anos atrás.
 
Para este álbum já lançaram o vídeo de Ladders. Porque escolheram este tema em particular?
Nós escolhemos Ladders como single e decidimos gravar um vídeo. É um tema curto e cativante. Mantive-o propositadamente muito curto para isso.
 
E no vídeo estiveram fortemente envolvidos. Qual foi o teu papel?
Para o vídeo, eu tenho que dar os créditos a quem os créditos são devidos. Ao realizador Casey Shelton. Ele é um amigo e um verdadeiro artista na sua área. Ele queria homenagear, Fred Astaire e o número de dança da sala giratória. Era ambicioso como o inferno para nós, mas fizemo-lo. A minha equipa e eu construímos todo o conjunto a partir do zero. Isso levou cerca de três semanas. Também aprender e praticar a dança que executamos no vídeo. OBRIGADO Elizabeth! Depois filmamos durante 23 horas seguidas. Ali não há efeitos de computador. Para não entrar em grandes detalhes... viramos o quarto que construímos num espeto gigante e dançamos nele.
 
Já tocaste baixo numa banda country e bateria numa banda folk. Ainda tens alguma ligação com esses projetos?
Nada, para além de ainda sermos amigos e de ser um fã desses grupos.
 
E a respeito de 500 Miles To Memphis? Tocaste com eles nos dois últimos álbuns. Há alguma coisa de novo sobre eles?
Toquei com os 500 Miles to Memphis durante 10 anos. E tenho 10 anos cheios de histórias. Eles são mais do que irmãos para mim. Uns anos antes tocámos 250 dias por ano viajando juntos. A banda está atualmente a gravar o quarto álbum de estúdio. A maioria dos membros 500 Miles To Memphis toca no meu novo disco e o baterista Kevin Hogle é também o meu baterista na tournée. Fora dos 500, eles apoiam muito os meus esforços. E também uma banda de rock. Adoro-os!
 
E a teu respeito, projetos para o futuro mais próximo?
Para mim, continuar a tournée. Tenho que o fazer, está no meu sangue. Tenho andado em tournée durante uma década e agora é tarde para mudar. Também já comecei a escrever um novo álbum. Na realidade, gostaria de lançar outro rapidamente, esperamos que no próximo ano.
 
Obrigado e a terminar, queres dizer algo mais aos nossos leitores?
Amai-vos uns aos outros, ou pelo menos tentem.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Review: Bloodbrothers II (V/A)


Bloodbrothers II (V/A)
(2013, Pitch Black Records)

Quase como homenagem a uma compilação saída em 1997 chamada Blood Brothers, atualmente uma raridade e já com o estatuto de culto, que reunia alguns dos mais importantes nomes da cena cipriota, a editora Pitch Black Records anuncia agora o lançamento de uma nova coletânea com bandas de Chipre. Naturalmente o nome é Bloodbrothers II – A Compilation Of Recordings By Rock/Metal Bands From Cyprus. O título da compilação baseia-se nos fortes laços entre os membros da cena de Chipre. Independentemente de ser uma cena pequena é (e sempre foi) muito forte, orgulhosa e unida, cheia de paixão e de apoio. O título Bloodbrothers será, assim, uma tentativa deliberada de enfatizar ainda mais essa ligação forte que já existe. Em termos de estilos, tudo por aqui está representado, desde o heavy tradicional, power metal, thrash e death metal até às sonoridades mais alternativas e progressivas e mesmo o punk rock. O objetivo é mostrar algumas das bandas mais talentosas que o pequeno país tem para oferecer. O CD apresenta 18 bandas em 79 minutos, o máximo que um CD pode levar! O destaque deve ser dado ao material novo e inédito de bandas de renome internacional como os Armageddon, com o tema Fallen Angels And Lost Souls ou os Arrayan Path com The Bible Bleeds. Mas também há clássicos queridos do underground cipriota e a apresentação de algumas excitantes bandas jovens que marcam o nascimento de uma nova geração de valor. Por isso não se espantem se notarem variações entre as mega produções de grandes estúdio com sonoridades mais cruas de garagem. No fundo, a musicalidade e a paixão são as mesmas e ficam bem evidentes nesta compilação. No Chipre o disco já está disponível, no resto do mundo chega no próximo dia 10 de junho. Para unir os dois discos Bloodbrothers, o álbum traz um prefácio escrito por Mr. Robert Camassa, o homem que supervisionou a primeira produção e que tem prestado um incansável apoio às bandas mais jovens ajudando-as a dar os primeiros passos. Disponível está também uma aplicação gratuita móvel que irá complementar esta compilação fornecendo notícias e informações sobre a cena cipriota, links de bandas, localização de bares e outra informação. Se calhar uma ideia a seguir em Portugal…

 

Tracklist:
1. ARRAYAN PATH – The Bible Bleeds
2. ARMAGEDDON – Fallen Angels And Lost Souls
3. WINTER’S VERGE – Semeni
4. SOLITARY SABRED – Redeemer (rough mix)
5. ASTRONOMIKON – Witch Hunter
6. R.U.S.T. – Metal Child
7. LETHAL SAINT – Out For The Kill
8. SERPENT TEETH – Legion Of The Dead
9. HARDRAW – Revenge
10. MARIANNE’S WISH – Brainwash
11. UNDER THE NUMBER – Hero For A Day
12. DIE WITZELSUCHTS – Come Down
13. INFECTED SYREN – SYK (demo)
14. ZONER – Frrreakout
15. ONEIRISM – Render Real (demo)
16. QUADRAPHONIC – Social Suicide
17. STORMCAST – Withdrawn
18. BLYND – Sins To The Cross

Internet:
 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Review: Big In Japan (Night Ranger)

Big In Japan (Night Ranger)
(2013, Collectors Dream Records)
 
Os Night Ranger são uma das mais importantes referências do AOR norte-americano, tendo atingido o ponto mais alto da sua carreira na década de 80. Como sempre neste tipo de sonoridade, os grandes destaques acabam por ser as baladas, com o registo para Sing Me Away, When You Close Your Eyes, Goodbye, Sentimental Street ou Sister Christian. Naturalmente, todos temas presentes nesta rodela que a Collectors Dream Records disponibiliza para os colecionadores de material desta banda em particular e para todos os amantes do bom AOR em geral. A banda separou-se em 1989 mas voltou a juntar-se seis anos depois para a edição dos discos Feeding Of The Mojo e Neverland, dois anos mais tarde. E é aliás este último que serve de referência para a gravação deste concerto no Japão em 1997 e que, 16 anos depois, (com)prova todo o poder e qualidade dos Night Ranger em palco. O disco inclui, para além das referidas e indispensáveis baladas, outros temas históricos como Touch Of Madness e Rumors In The Air, bem como temas do álbum que estava a ser promovido, Neverland, My Elusive Mind e Someday I Will. A meio do set há ainda uma secção acústica com os temas Sentimental Street e Forever All Over Again e o registo dos enormes solos de Brad Gillis e Jeff Watson. Como bónus aparece uma interessante entrevista de 13 minutos com Kelly Keagy e Brad Gillis que aproveitam para reviver algumas curiosas histórias do passado da banda. Considerando que este deve ser, no mínimo, o oitavo álbum ao vivo da banda, fica claro que está orientado exclusivamente para os seus die hard fans. Mas não deixa de ser uma prova da qualidade do hard rock americano.
 
Tracklist:
CD 1:
1. NEVERLAND
2. TOUCH OF MADNESS
3. MY ELUSIVE MIND
4. SING ME AWAY
5. SOMEDAY I WILL
6. BRAD GILLIS SOLO
7. RUMORS IN THE AIR
8. JEFF WATSON SOLO
9. EDDIE'S COMING OUT TONIGHT
10. SENTIMENTAL STREET
11. GOODBYE
 
CD 2:
1. FOREVER ALL OVER AGAIN
2. SLAP LIKE BEING BORN
3. WHEN YOU CLOSE YOUR EYES
4. NEW YORK TIME
5. DON'T TELL ME YOU LOVE ME
6. SISTER CHRISTIAN
7. (YOU CAN STILL) ROCK IN AMERICA
BONUS: 8. INTERVIEW WITH BRAD GILLIS AND KELLY KEAGY
 
Line-up:
Jack Blades – baixo e vocais
Kelly Keagy - bateria,
Alan Fitzgerald - teclados
Brad Gillis – guitarras
Jeff Watson – guitarras
 
Internet:
 
Edição: Collectors Dream Records

terça-feira, 28 de maio de 2013

Review: Let's Do It Again (All The Hits And More) (Brian Connolly's Sweet)

Let’s Do It Again (All The Hits And More) (Brian Connolly’s Sweet)
(2013, Collectors Dream Records)
 
Se querem saber quando e como começou o glam rock deverão dar uma audição aos Sweet. A banda britânica foi responsável por enormes hinos glam, muitos deles incluídos nesta compilação que a Collectors Dream Records disponibiliza sob a designação de Brian Connolly’s Sweet. Brian Connolly foi o vocalista da banda e faleceu a 10 de fevereiro de 1997. Portanto, o que aqui se apresenta é apenas uma reedição de um trabalho que já havia sido lançado em 1995 (dois anos antes da sua morte) com a denominação Let’s Go. Esse trabalho consistiu na regravação de 9 clássicos dos Sweet, supostamente com um ar atualizado (à data, naturalmente) adicionados três temas novos (pelo menos eram-no em 1995). Agora juntam-se mais dois temas ao vivo gravados na Dinamarca em 1976. A questão que se coloca é: qual a finalidade de repetir a dose? Isto é, se em 1995 tinha sido lançado Let’s Go, não se compreende muito bem este Let’s Do It Again (All The Hits And More), sendo que os extras nada acrescentam a um legado que, indiscutivelmente, merece ser preservado e divulgado. Posto isso, resta a sensação de ser uma oportunidade de dar a conhecer este nome iconográfico do hard rock britânico a toda uma nova geração que parece estar a querer descobrir todo o brilhantismo dos anos 70. Mas será que ainda é necessária outra compilação dos Sweet? Parece que não… Portanto o que aqui se discute é a pertinência do lançamento e não a qualidade das canções. Mais ou menos “atualizado” isto são efetivamente grandes temas de uma das maiores bandas de rock da história, mas que já podem ser encontrados em dezenas de outros lançamentos.
 
Tracklist:
1. LITTLE WILLIE
2.WIG WAM BAM
3. BLOCK BUSTER
4. HELLRAISER
5. BALLROOM BLITZ
6. TEENAGE RAMPAGE
7. FOX ON THE RUN
8. ACTION
9. BURN ON THE FLAME
10. LOVE IS LIKE OXYGEN
11. LET'S GO
12. DO IT AGAIN
13.WAIT 'TIL THE MORNING COMES
14. THE SIX TEENS
15. FOX ON THE RUN
 
Line-up:
David Glover – baixo
Dave Farmer – bateria
Glen Williams – guitarras
Steve Mulvey – teclados
Brian Connolly - vocais
 
Edição: Collectors Dream Records

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Review: After The Blackout (Sugarman)

After The Blackout (Sugarman)
(2013, Diversity Records)
(4.6/6)
 
Segundo álbum para o artista Noah Sugarman que assim apresenta um conjunto de canções de audição agradável onde explana todas as suas influências desde The Beatles a James Brown. Assumindo a quase totalidade dos instrumentos, Sugarman dá um passo em frente neste seu novo registo dando um completo significado ao termo alternativo. A riqueza de sonoridades é depois completada com um conjunto de convidados que, cada um à sua maneira torna marcante a sua presença. A guitarra acústica está presente, mas a distorção também. Claro que esta distorção surge sempre (ou quase sempre) controlada introduzindo o rock em diversos outros estilos. Principalmente a pop que aqui aparece muito bem disfarçada de apontamentos country e até sulistas. Mas After The Blackout também é um álbum que convida à reflexão, pelo menos em alguns momentos mais tranquilos. Chamam a Noah Sugarman um artista de americana. E se isso representa um sentimento americano, então isso é verdade porque After The Blackout tem uma sonoridade de rock americano bem definido. Audição fácil, descomplexo, potenciador de bons momentos sonoros, eis After The Blackout.
 
Tracklist:
1.      Ladders
2.      Bloodline
3.      City Hall
4.      Who Does
5.      Thunder
6.      My Brain
7.      My Face
8.      My Teeth
9.      Heroes & Heroines
10.  Baby King
11.  Just Enough
 
Line-up:
Noah Sugarman – vocais, guitarras, baixo, piano, percussão
Ryan Malott – guitarras
Kevin Hogle –bateria
David Rhodes Brown – slide guitar
Scott Hlavenka – guitarras
Al Kraemer – órgão
Molly Sullivan – vocais
Evan Paydon – contrabaixo
 
Internet:
 

domingo, 26 de maio de 2013

Entrevista: Mr. Averell

René van Commenée é um artista do som e da imagem oriundo da Holanda. No seu país de origem é bastante conhecido pelas suas performances e por criar bandas sonoras para o teatro e para espetáculos piromusicais. Em termos musicais tem um novo trabalho para o seu projeto Mr. Averell. Juntando um conjunto de nomes, alguns sonantes, Grindlock é um álbum que desafia os sentidos. E por isso, quisemos ir conhecer um pouco melhor este excêntrico artista.
 
Viva, René! Tudo bem? Obrigado por responderes a Via Nocturna. Considerando que Grindlock, o teu novo álbum, não é um álbum fácil de ouvir, podes explicar-nos como foi o processo de criação? O que te inspirou?
Viva, Pedro, obrigado pela review ao novo álbum. Não, provavelmente não é um álbum fácil de lidar, mas eu gosto da música na qual o ouvinte deva realmente passar bastante tempo e não como uma banda sonora para um dia (ou uma noite!). Para mim é arte e esta é a maneira de eu a tratar. Trabalhei no álbum no meu próprio estúdio pela primeira vez usando a tecnologia do computador para criar os contornos das músicas que propositadamente usei mal, por isso os sintetizadores soam tão simples. Às vezes, já tenho o texto enquanto outras vezes escrevo-o depois. Então começo a gravar os instrumentos que consigo tocar. Na maioria das vezes o som que eu quero está muito bem definido na minha cabeça e trabalho lentamente em direção a isso. E acontece: ouço um som de saxofone ou guitarra ou qualquer outro som que existe e verifico que músico se encaixaria melhor na música/composição. E inspiração, bem... Eu não sou um jovem loiro e sempre gostei de ouvir música toda a minha vida, portanto acho que os meus favoritos são Captain Beefheart, Van der Graaf Generator/P. Hammill e Nick Cave que em algum lugar, embora inconscientemente, viajam comigo. Durante o processo do álbum nunca tive um momento em que pensasse "oh, gostaria de fazer uma peça como ehh...". Não, tudo surgiu muito espontaneamente na minha mente. Acho que Gridlock realmente representa o que eu sou e a minha forma de estar na música.
 
Acho que este é um álbum orientado para um tipo muito específico de público. Sentes isso?
Bem, isso é difícil de dizer, porque é uma viagem através de diferentes tipos de música, embora eu tenha a certeza que não é apenas uma coleção de músicas diferentes. É uma viagem real, que o ouvinte deve passar e, depois, se ouvires do princípio até ao fim, vais sentir a conexão entre as músicas e ouvir a assinatura típica de Mr. Averell. Durante os espetáculos, aprendi que a minha música é adequada para um público muito amplo, para minha surpresa, devo dizer, mas foi muito interessante descobrir. Pessoalmente acho que é para um público que gosta de música como forma de arte e que tem uma visão mais ampla, como a música rock, bem como música clássica, bem como música eletrónica. Acho que é captada onde deveria estar: música (rock) progressiva. Uma coisa é muito clara: o aspeto teatral da música. Isso sim, isso sou eu!
 
Suponho que não seja fácil, mas como definirias Gridlock?
Muito difícil mesmo! Eu vejo-o como uma obra de arte que conta uma história séria sobre os nossos gridlocks emocionais e tem bastante momentos leves, engraçados e até mesmo loucos para respirar. Quero dizer: ao contrário da temática não é um álbum nada depressivo!
 
Há diferenças fundamentais entre Gridlock e o teu primeiro trabalho?
Sim, com certeza! Este é um álbum muito mais pessoal. O primeiro álbum, Out of My Mind, também não é mau de todo e foi editado sob o meu nome artístico Averell. Neste mudei-me de mim para mim de novo (Mr. Averell não é o meu nome artístico, mas o nome do projeto para os meus “projetos de canções”). No primeiro álbum, trabalhei com um fabuloso poeta, Cathy Pemberton, que escreveu a maioria das letras, por isso desempenhou um papel como um ator. As canções, embora bastante diferentes, são mais consistentes por causa da instrumentação. O álbum foi gravado por uma grande parte da então banda ao vivo de Mr. Averell o que deu automaticamente a mesma instrumentação para a maioria das músicas. Para Gridlock quis gravar tudo exatamente como tinha em mente, convidando todos os músicos que eu precisava para alguma parte específica. Às vezes, para algumas notas apenas.
 
Precisamente, neste álbum trabalhaste com vários músicos conhecidos. Como foi feita a gestão de todas as colaborações? Foi fácil?
Como já referi, queria músicos com uma assinatura específica para as partes específicas do álbum, portanto escolhi quem e onde. Sou uma pessoa de muita sorte por conhecer muitos grandes músicos, alguns deles de renome mundial! Não foi difícil traze-los, mas foi uma aventura logística! Mike mora nos EUA, David, no Reino Unido, e eu na Holanda. Ninguém queria ir pelo método dropbox de trabalhar pelo que precisava realmente encontrar diferentes estúdios. Demorou algum tempo até conseguirmos estar juntos, mas funcionou e foi uma grande aventura e experiência! Dito isto, devo salientar que uma das músicas não é composta apenas por mim, mas, sim juntamente com Mike Garson (desde Alladin Sane com David Bowie!). Estivemos juntos em estúdio e decidimos fazer algo juntos: Sightseeings é o resultado em que mais tarde pedi a Jackson para adicionar aquele realmente surpreendente sax-solo.
 
Para além de Mr. Averell estás a trabalhar em algum outro projeto atualmente?
Sim, eu sou um artista visual sonoro o que significa que faço artes visuais e de áudio e na maioria das vezes uma combinação de ambos. Juntamente com Martijn Alsters (meu co-produtor) criei recentemente um soundforest para o Horti Cultural World Expo Floriade que decorre durante 6 meses. Para este projeto de 16 canais surround formamos um duo para concertos dessas paisagens sonoras. E com ele e Willem Tanke (ele interpreta um fabuloso solo de órgão num órgão de tubos na música Boxes) formamos um trio chamado The Art of Doing Nothing, compondo e improvisando música avant-garde usando órgãos de tubos. De momento, também faço vídeos e trabalho com fotografia, numa fase muito experimental, mas tento captar objetos com ou sem som. Depois crio bandas sonoras para teatro e espetáculos pirotécnicos.
 
E o que está planeado para o futuro mais próximo?
Acabei de pedir a alguns músicos para a banda de Mr. Averell ao vivo. Vamos reunir-nos em breve para verificar se funciona com este line-up. O próximo passo de Mr. Averell é tentar obter concertos, adoro tocar ao vivo e quero fazer uma tournée o mais breve possível.
 
Muito obrigado por este momento! Queres acrescentar algo mais para os nossos leitores? Ou referir algo que não tenha sido abordado nesta entrevista?
Bem, eu gostaria de deixar claro mais uma vez que Gridlock é um álbum que vocês têm que experimentar. Se gostam de se sentar (ou deitar), relaxar e ouvir música, se gostam de aventuras musicais e sons e arranjos estranhos então vão gostar! Embora possa demorar algum tempo para se sentir isso. As reações em todo o mundo têm sido muito positivas e todos os comentários dizem o mesmo: deem uma oportunidade e irão adorar! Foi um prazer!

sábado, 25 de maio de 2013

Review: Remember The Future (Nektar)

Remember The Future (Nektar)
(2013, Purple Pyramid)
 
Remember The Future foi o quarto álbum dos rockers progressivos Nektar, aquele que colocou a banda no mapa musical atingindo a posição 19 no US album charts e que permitiu a primeira digressão americana do coletivo. A comemorar 4 décadas da edição original desta obra-prima do rock progressivo, a Purple Pyramid Records efetuou a sua reedição numa edição especial em digipack com um disco bónus. O CD principal tem todo o tema que, na altura, por questões relacionadas com os lados A e B dos vinis teve que ser dividido em duas partes. Agora, em respeito pelo formato original, as duas partes mantêm-se separadas e preenchem, então, a totalidade do primeiro CD. O segundo inclui três faixas editadas para fins promocionais e radiofónicos e um conjunto de mais oito temas que constituem as Boston Tapes, gravações raras dos primeiros momentos de existência dos Nektar enquanto banda. O próximo álbum de originais dos britânicos deverá ser editado em junho, mas enquanto isso não acontece, Remember The Future é uma boa aposta para se ir entrosando no mundo Nektar. Uma forma de recordar anos de intensa capacidade criativa através de um disco verdadeiramente genial e intemporal. Agora, como há 40 anos atrás, Remember The Future é um manancial de grandes canções. Um clássico imprescindível em qualquer coleção…
 
Tracklist:
CD 1
1. Remember the Future, Pt. 1
2.
Remember the Future, Pt. 2

CD 2
Radio Edits
1. Remember The Future
2. Let It Grow
3. Lonely Roads
The 1970 Boston Tapes
4. New Day Dawning
5. Do You Believe In Magic
6. Candlelight
7. Good Day
8. The Life I've Been Leading
9. Where Did You Go
10. Sealed With A Kiss
11. Our Love Will Last Forever
 
Line-up:
Allan "Taff" Freeman: teclados
Roye Albrighton: guitarras, vocais
Derek "Mo" Moore: baixo
Ron Howden: bateria
 
Internet:
 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Entrevista: Black Leather

Black Leather é um projeto de Phil Sick que veste a pele de um poeta onírico cuja angústia não lhe traz vontade de acordar. Com influências entre o post punk e o glamour dos anos 80, surgiu nos finais de 2009 a partir de um convite para participar na mostra de música FADE IN em Leiria. Considerados atualmente como uma das bandas revelação, surge em maio com o álbum de estreia, Homomensura, editado em formato vinil pela editora Sonic Beat. O próprio Phil Sick disponibilizou-se a falar a Via Nocturna sobre Homomensura.
 
Olá, obrigado por aceitares responder a esta pequena entrevista. Que expetativas para este vosso trabalho, o primeiro com edição física?
Olá! O prazer é nosso! As expetativas para te ser sincero serão sempre baixas mas admito que faz parte de um mecanismo de segurança. Na verdade é aquela velha história… Se as expetativas são baixas não há como correr mal…
 
Em relação ao S.T.R.A.I.G.H.T., desta vez optaram, também por uma edição física, se bem que em vinil. Porque tomaram essa opção?
Curiosamente pela mesma razão que optámos pelo formato digital gratuito de S.T.R.A.I.G.H.T.: fazendo os checks and balances de toda a situação de comercialização dos suportes musicais chega-se à conclusão que a opção a tomar só poderá ser feita em função do romantismo do conceito e não do conceito utilitarista do objeto - todos vendem mal, então faça-se o que gostamos mais. O capitalismo sempre serve para alguma coisa!
 
E quem teve a ideia? Vocês e por isso optaram pela Sonic Beat, editora especializada em edições em vinil, ou pelo contrário surgiu primeiro a editora? Ou foram os fãs?
A ideia inicial foi nossa. Na verdade fizemos posteriormente, uma espécie de quiz via plataformas na internet para saber algumas opiniões dos fans mas de certa forma a ideia já estava solidificada nas nossas cabeças. Depois surge a Sonic Beat e estabeleceu-se a colaboração.
 
E pelo que li, esta será uma edição limitada (a 300 cópias, suponho) e numerada. É verdade?
Sim.
 
E em termos sonoros/musicais, que diferenças e/ou semelhanças em relação ao EP podem apontar?
As diferenças serão talvez ao nível de universo explorado. HOMOMENSURA é mais denso e um pouco mais obscuro. A semelhança penso que seja a sinceridade e a despretensão com que abordamos e sempre abordámos as temáticas que trabalhamos.
 
A apresentação do álbum foi no passado dia 17 em Alcobaça. Como decorreu?
Sim a apresentação decorreu no passado dia 17 em Alcobaça e correu bastante bem. Ficámos bastante satisfeitos com a recetividade do público.
 
Podes explicar-nos o sentido do termo usado no título do álbum, bem como da capa?
Claro, o termo usado é um termo pré-socrático que tem a sua origem no filósofo Protágoras e cujo conceito alude à possibilidade/inevitabilidade da realidade enquanto fenómeno puramente subjetivo. O Homem é a medida da sua realidade.
 
Quem foi o responsável por todo o artwork?
Foi um grande amigo nosso: Jaime Raposo (Discordian Ink), altamente recomendável e acessível no facebook!
 
Quem são os músicos que te acompanham nesta aventura musical?
Nesta grande aventura ruidosa acompanham-me o Cristóvão Carvalho na guitarra solo, o Emanuel Severino na bateria e o André Frutuoso na guitarra ritmo.
 
Cubic foi o primeiro tema a ser disponibilizado no vosso Facebook. Algum motivo para esta escolha? E como têm sido as reações?
Nop. Na verdade foi uma escolha sem grande ponderação e de seleção algo instintiva. As reações têm sido positivas. Tal como disse quando as expetativas são baixas só pode correr bem.
 
Shoot Them e Sweet Lies são dois temas deste trabalho que são “repescados” do EP. Sofreram grandes alterações ou nem por isso?
Maioritariamente ao nível de masterização e produção. Para além disso a composição manteve-se.
 
Um nome como Black Leather remete-nos primeiro para os Sex Pistols, depois para os The Runaways, finalmente para os Guns ‘n’ Roses (entre outros naturalmente). Destes nomes, quem mais teve influência no nascimento e desenvolvimento da banda?
Honestamente eu diria que, directamente, nenhuma delas. Indirectamente, eu diria as três.
 
Já há alguma coisa definida em termos de apresentações ao vivo para o futuro próximo?
Sim, sim, já temos algumas datas agendadas que entretanto se podem confirmar na nossa página do facebook: iremos ao Porto no dia 31 deste mês no Plano B, temos 7,8 e 9 Coimbra, Viseu, Santo Tirso intercalados com algumas Fnac’s, depois viremos a Lisboa a 15 de junho, outras datas que estão também em vista e enfim, andaremos na estrada durante estes próximos meses.
 
A terminar, queres acrescentar algo mais para os nossos leitores?
Quero sim: Não levem esta cena demasiado a sério. Todos os modos de vida dão vontade de rir. Beijos e abraços.