terça-feira, 30 de julho de 2013

Review: We Don't Belong (Degreed)

We Don´t Belong (Degreed)
(2013, AOR Records)
(4.5/6)

Os Degreed são uma banda de hard rock melódico originária de Estocolmo e formada no início de 2005 e que tem a curiosidade de ainda antes de ter lançado o seu primeiro álbum já ter conseguiram fazer uma tournée pela Escandinávia e Alemanha. O primeiro trabalho surgiu em 2010, Live, Love, Loss e foi bastante bem recebido. O passo seguinte levou o coletivo sueco até à AOR Records para o lançamento deste seu segundo trabalho, We Don´t Belong. Para esta proposta, a banda voltou a trabalhar com o produtor Erik Lidbom para criar um álbum forte de rock melódico, a navegar entre o AOR e o hard clássico. We Don´t Belong tem alguns bons momentos. A faixa título, Inside Of Me, Here I Am ou What If são os melhores exemplos. Mas também tem bastantes banalidades que, ainda assim, vão sendo, de alguma forma, compensadas pela destreza técnica que permite ir mantendo o interesse em “lume brando”. E tem o pecado de, em dois temas (Black Cat e Coming Home) apresentarem trejeitos de um nu-metal completamente desnecessário. Em Black Cat, então, é completamente desastrosa a tentativa de incluir agressividade. Os Degreed acabam por mostrar que não precisam disso para criarem alguns bons temas, sendo certo que We Don’t Belong acabará por não pertencer à lista dos imortais.

Tracklist:
1.                               Black Cat
2.                               What If
3.                               In For The Ride
4.                               Inside Of Me
5.                               Follow Her Home
6.                               Blind Hearted
7.                               Here I Am
8.                               Access Denied
9.                               Coming Home
10.                           We Don't Belong

Line-up:
Robin Ericsson – baixo e vocais
Mats Ericsson – bacteria
Micke Jansson – teclados
Jesper Adefelt – guitarras
Daniel Johansson – guitarras

Internet:


Edição: AOR Records

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Review: Time Machine (Nektar)

Time Machine (Nektar)
(2013, Purple Pyramid)
(5.6/6)

Os lendários Nektar estão de regresso com o seu 13º trabalho, primeiro com temas originais em 4 anos. Time Machine foi apresentado pelo próprio Roye Albrighton como o melhor disco da carreira dos britânicos e, sem dúvida, que essa afirmação aumentou os níveis de exigência de fãs e critica. O coletivo que ainda recentemente viu um dos seus melhores trabalhos, Remember The Future, ser reeditado, está reduzido a um trio e socorreu-se de Billy Sherwood para gravar este novo trabalho. Isso não é de todo impeditivo de terem criado mais um álbum de eleição. Se será, efetivamente, o melhor da carreira, isso ainda é prematuro. Só o mais importante teste, o teste do tempo, o dirá. Mas que Time Machine é um sensacional disco de rock progressivo, disso não restam dúvidas. É um álbum onde os Nektar mostram uma nova forma de criar complexidade e continuam a sua exploração musical. A Better Way, por exemplo, apresenta aquelas cavalgadas tão típicas de Dream Theater (embora com menor potência, naturalmente), mas é para o final do disco que estão guardadas as maiores provas da criatividade e da exploração dos sons que os Nektar conseguem fazer. Juggernaut é um sensacional instrumental onde o prog anda de mão dada com o jazz, a fusão e até um pouco de música contemporânea. Por sua vez, Diamond Eyes é a faixa onde a componente experimental mais se faz notar. E o que dizer dos ritmos mexicanos, com tendência Mariachi de Set Me Free, Amigo? Tudo evidências de que Time Machine é um disco rico, explorador e profundo. E ainda por cima composto por magnificas melodias, monstruosos solos e grandes canções (em tempo e em qualidade). No fundo, tudo o que um fã de prog rock procura.  

Tracklist:
1.      A Better Way
2.      Set Me Free, Amigo
3.      Destiny
4.      If Only I Could
5.      Time Machine
6.      Tranquility
7.      Mocking The Moon
8.      Talk To Me
9.      Juggernaut
10.  Diamond Eyes

Line-up:
Roye Albrighton – guitarras, vocais
Ron Howden – bateria, vocais
Klaus Henatsch – teclados
Billy Sherwood – baixo

Internet:


Edição: Purple Pyramid

sábado, 27 de julho de 2013

Entrevista: Arrayan Path

Um dos grandes trabalhos de 2013 surge da insuspeita ilha de Chipre. IV: Stigmata dos Arrayan Path é um portento de power metal melódico que fará as delicias dos mais exigentes fãs do género. Fomos conhecer um pouco mais desta brilhante banda, através das palavras de Nicholas Leptos.
 
Olá Nicholas é um prazer conversar contigo! Antes de mais, parabéns pelo vosso excelente novo álbum. Como foi o processo de criação desta vez?
Olá! Obrigado pelas tuas palavras amáveis! Bem, começamos com as sessões de escrita das canções com os outros três compositores da banda e começamos a trazer nossas ideias novas para a mesa. Decidimos que desta vez queríamos criar canções cativantes, mas ao mesmo tempo incentivar uma sensação mais escura para o álbum, algo mais gótico e cinza! Mas foi muito divertido criar as canções. Tudo aconteceu muito espontaneamente.
 
E como foi o tempo em estúdio?
Bem, a maioria dos instrumentos foram registados na Alemanha nos estúdios Maranis. Nós gravamos separadamente, como na maioria dos nossos discos, mas tudo foi feito de forma muito profissional e sob a orientação do próprio Vagelis Maranis. Normalmente a minha parte favorita da criação de um disco é o estágio da escrita de canções, mas é bonito quando constróis as músicas no estúdio e encontras sempre coisas a acrescentar.
 
Com um título como IV: Stigmata, parece que temos uma continuação dos álbuns anteriores. É verdade?
Bem, este é o quarto álbum daí IV. Musicalmente, ele é definitivamente o passo lógico para a frente, como ficou provado logo algumas semanas após o lançamento.
 
Depois do enorme sucesso dos álbuns anteriores, sentiram algum tipo de pressão para este trabalho?
Há sempre alguma pressão sim, mas não posso dizer que me tenha deixado afetar muito. Eu confio nas nossas habilidades para escrever canções e nas capacidades para criar músicas boas que as pessoas vão gostar. E é o que te posso dizer para os nossos discos futuros.
 
Os vossos outros discos foram incluídos em várias playlists de Best Of do ano. Têm a expectativa de que o mesmo poderá acontecer agora?
Eu acho que já começou a acontecer. Acho que as pessoas parecem gostar do álbum. A maioria das reviews tem sido muito boa e, mesmo que não faça marte de qualquer playlist de best of, sabemos que criamos um álbum matador!
 
E a respeito dos convidados neste álbum. Podes falar um pouco do seu trabalho e como surgiu a oportunidade de trabalhar com eles?
Claro. Lenia Kallis apareceu no nosso primeiro álbum, no tema The Liberation Song. Jimmy Mavrommatis e Kikis Apostolou são veteranos da cena metal cipriota e membros da banda de metal mais antiga existente em Chipre. Alexis Kleidaras tocou nos nossos álbuns anteriores, enquanto George Kousa é um grande guitarrista acústico e foi sugerido pelo nosso produtor.
 
Voltaram a trabalhar com Vagelis Maranis. Sem dúvida, uma equipa de sucesso…
Sim, definitivamente! Acho que trabalhamos melhor em conjunto, agora que nos entendemos melhor uns aos outros e sabemos bem o que os outros fazem e não fazem (risos).
 
IV: Stigmata tem duas faixas bónus: uma é um tema que vocês gravaram na vossa demo de estreia. Sofreu muitas alterações desde essa altura?
A bateria que ouves em Mystic Moon é a bateria original gravada para a música que foi incluída no primeiro álbum. Portanto, não, não houve muitas alterações. O que se ouve é mais ou menos como nós soávamos há 10 anos atrás!
 
O segundo bónus também está disponível para download. Isso é verdade? Mas é uma grande canção... Por que não a sua inclusão no álbum?
Foi uma decisão de última hora de incluir essa canção. Escrevi-a juntamente com um grande compositor turco-cipriota e amigo meu Huseyin Kirmizi (Japon) e estás certo, é uma grande canção! Foi incluída para download porque já estávamos na fase final de impressão do cd, mas espero pode incluí-la num futuro álbum ou EP ou qualquer outra coisa!
 
Indo até ao passado, vocês, como banda, nasceram nos Estados Unidos, a terra conhecida como de todas as oportunidades. Porque se mudaram para o Chipre? O mais habitual e normal, digamos, é absolutamente o inverso - bandas que saem do seu país natal para irem para os EUA...
Na verdade apenas estava a estudar nos Estados Unidos, portanto quando terminei os meus estudos, voltei para casa! Além do mais, a música é apenas um hobby para mim, pelo que eu nunca planeei a minha vida em torno da música.
 
Em determinado momento mudaram o vosso nome de Arryan  para Arrayan. Qual foi o motivo?
Mudamos para mudar a pronúncia. Experimenta-o com ambos os nomes e irás entender o porquê.
 
Sei que Arrayan é uma planta da América Latina. Por que foi escolhido para nome da banda? Alguns de vocês é botânico? (Risos)
Haha, não! Mas gosto da forma como soa. Épico e poderoso!
 
Já produziram algum vídeo para este álbum?
Sim, filmamos um vídeo para a música Clepsidra. Está em fase de edição.
 
E já há alguma tournée planeada?
Para já, só tivemos uma data e que foi em Atenas no início de março. Manteremos toda a gente informada à medida que surgirem mais datas. Como já afirmei muitas vezes, nós não somos uma banda muito ativa ao vivo devido a muitas razões.
 
A terminar, dou-te a oportunidade para dizeres mais alguma coisa aos nossos leitores e aos seus fãs...
Bem, só quero pedir aos teus leitores para ouvirem o nosso álbum e que nos deixem conhecer a sua opinião! Esperamos voltar com muitos bons álbuns no futuro! Obrigado pela entrevista!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Review: Victims Of Our Circumstances (Redrum)

Victims Of Our Circumstances (Redrum)
(2013, RMB Records)
(5.1/6)
 
Victims Of Our Circumstances é segundo trabalho para a bada grega Redrum, depois da bem sucedida estreia de 2007, No Turning Back. De novo voltou a funcionar a sua parceria com Michael Bormann e os seus RMB Studios para a criação de um intenso disco de hard rock feito como manda a boa tradição. Um disco com dez temas, mais uma introdução e uma cover do mítico tema You’re The Voice. O ponto forte deste Redrum, e que poderá criar alguma diferenciação positiva numa altura de imensos lançamentos dentro do género, é a sua capacidade de utilização dos mais diversificados recursos. Logo ao terceiro tema, You Can´t Buy No Hero, com repetição em outras faixas, surgem elementos eletrónicos não muito habituais neste género. Já em Dust In Your Eyes, Have A Nice Day e Mother I’m Coming Home, são as guitarras acústicas a marcar presença em três dos temas de audição mais agradável de todo o disco. Por sua vez, em Dirty White Boy e Have A Nice Day, surgem elementos sinfónicos. A principal surpresa surge em Victims Of Our Circumstances, tema que introduz elementos éticos de origem africana, situação nada habitual no rock. Existe ainda a tradicional balada, na forma de Tear Down The Walls e o contrapeso é feito com Pokerface, o tema mais forte deste trabalho. Refira-se que todos estes pormenores adicionados ao clássico hard rock se revelam aplicados nas adequadas doses, nunca se sobrepondo à matriz rockeira principal, antes a apoiando e enriquecendo. Assim, os Redrum conseguem, em Victims Of Our Circumstances, acrescentar um pouco mais ao seu tradicional hard rock. E nós agradecemos!
 
Tracklist:
  1. One Of Us
  2. Scream
  3. You Can´t Buy No Hero
  4. Dust In Your Eyes
  5. Empty Promises
  6. Pokerface
  7. Dirty White Boy
  8. Mother I’m Coming Home
  9. Tear Down The Walls
  10. Have A Nice Day
  11. Victims Of Our Circumstances
  12. You’re The Voice
 
Line-up:
Athan Kazakis – guitarras
Panos Baxevanis – guitarras
Michael Bormann – vocais
Thanos Sarketzis - bateria
Alex Kidd – baixo
Marco Grasshoff – teclados
 
Internet:
 
Edição: RMB Records

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Entrevista: Marcus and the Music

Nascido no seio de uma família de músicos não estranha que Marcus Linon rapidamente enveredasse pelo mesmo caminho. Depois de algumas experiências em bandas, o talentoso músico parisiense aventurou-se no seu primeiro trabalho em nome próprio. Via Nocturna foi auscultar os sentimentos de Marcus Linon a respeito da edição de Catch 22.

Viva Marcus! Agradecido por este tempo com Via Nocturna. Quais são os teus sentimentos agora que o teu primeiro álbum, Catch 22, está cá fora?
Bem, antes de mais obrigado por olhares para a minha música e por me dares esta oportunidade de promovê-la! As minhas primeiras palavras a respeito de Catch22 provavelmente seriam: "Já não era sem tempo!" Comecei a trabalhar no álbum no final de 2009, e num primeiro momento era para serem demos. Gravei 5 músicas (We Are Life & Love, One Color One Sound, No Evil, Skyzophrenia e Song For Apologies). E como soava promissor, decidimos arriscar e fazer um álbum inteiro. Mas levou muito tempo para obter o desempenho que queria, especialmente com os vocais, porque era o exercício onde me sentia menos confortável, já que estava a aprender a cantar nessa altura. E também a programação do estúdio. Embora seja um estúdio do meu pai, tivemos que fazer malabarismos entre ensaios, outras gravações e misturas. E mesmo quando tudo da gravação, mistura e masterização tinha sido feito, o álbum ficou numa gaveta quase um ano antes de eu conhecer Aurore Vinot que surgiu com o conceito para as fotos. Gerald Nimal de Adlib tomou conta do resto do artwork e, finalmente estava pronto. Mas! Ainda tinha que encontrar uma banda para tocar ao vivo, por isso atrasou o lançamento por mais alguns meses... e aqui estamos nós, julho de 2013. Por isso estou aliviado: Catch22 finalmente saiu!

Neste álbum acabas por tocar a maioria dos instrumentos. Qual a razão que te levou a tomar essa decisão?
Já tive o meu quinhão de experiências em bandas, tocando bateria. Todas correram bem mas chegou a altura de querer tentar uma outra coisa. E já tinha feito uma cover de Magma para um tributo numa compilação de Christian Vander na qual, pela primeira vez, toquei todos os instrumentos e fiz os vocais. Portanto, disse a mim mesmo, “hey, por que não tentar e continuar essa via?”. Tive a oportunidade de experimentar, de praticar guitarra, baixo, teclas e voz. Isso deu-me muita experiência e hoje sou capaz de iniciar a partir de uma batida de tambor e gravar uma música inteira sozinho, mesmo considerando que quero voltar a interagir com outros músicos, tocando ao vivo e também gravando. Eu perdi ter estado numa banda.

Originalmente eras baterista. Foi esse facto que permitiu que tivesses criado um álbum como Catch 22 cheio de intensidade e ritmo?
Obviamente, tudo veio a partir da bateria, porque era o instrumento que domino melhor. E porque não podia planear tudo antes de ir para o estúdio, fui improvisando as partes de bateria quando as gravava sobre uma faixa de guitarra que estava ali apenas como uma referência para a estrutura da canção. Por isso, baseei quase todos os arranjos e orquestrações sobre as faixas de bateria. Isso dá-te uma ideia do processo de gravação para cada música. Mas também acho que algumas das minhas influências como Tool e Magma é claro, desempenharam um papel importante na forma de escrever. Canções pop/folk, mas com uma sensação diferente, algo especial, algo que não ouves noutros artistas/bandas mais comerciais. Fácil de ouvir, mas com profundidade, estruturas e surpresas.

Mas, sendo um baterista, foi fácil esse processo de escrita?
Eu toquei guitarra durante alguns anos, mas nunca tive a intenção de ser um cantor/compositor. Tocava e deixava que a música simplesmente fluísse. Tinha riffs, melodias e estruturas. Mas tive uma grande ajuda para as letras por parte da minha madrinha espiritual e incrível escritora, Mary-Noelle Dana. Ia ter com ela apenas com algumas palavras ou frases e às vezes apenas com as melodias e ela conseguiu sempre criar algo grandioso. Algo especial que combina perfeitamente com a música. Portanto, não foi a parte escrita a mais difícil, mas sim o “encontrar o meu som e identidade como artista", parte em que tive que lutar bastante.

Disseste que querias criar um álbum de fácil audição, mas, ao mesmo tempo, com complexidade. Consideras que conseguiste alcançar esse objetivo?
Acho que sim! Espero que sim. Parece que o álbum tem seduzido muita gente ligada ao prog (músicos e fans), bem como ouvintes mais fáceis. Espero, também dar um passo adiante nessa direção no próximo álbum.

Porquê Catch 22? Alguma razão em especial?
Escrevemos essa canção Catch22 com Mary-Noelle, queríamos gozar com as pessoas que querem ser famosas. Então, descobri as origens da expressão, o livro de Joseph Heller e como Catch 22 se tornou uma maneira de descrever uma situação paradoxal. Gostei!

E qual a razão de Marcus and the Music? Quem ou o que são os "The Music"?
A música é simplesmente a música. Parece bem, acho eu…

O facto de teres crescido no seio de uma família de músicos permitiu-te, de alguma forma, um maior desenvolvimento como músico, também?
Sem dúvida! Tive uma grande estrutura. Tive a sorte de crescer cercado por grandes músicos e ter sido capaz de aprender com eles foi uma bênção. Os meus pais guiaram-me e deram-me a oportunidade de aprender.

Foste o responsável pela série Magma Epok DVD. Em que consistiu?
Aconteceu estar no sítio certo à hora acerta. O diretor dos quatro primeiros Epok DVD simplesmente deu-me uma câmara para utilizar em algumas brincadeiras. E já que eu conhecia muito bem a música dos Magma, tentei eu próprio a edição e ele gostou. Mais uma vez, aprendi algo novo.

Estás pronto para tocar ao vivo essas músicas? Quem são os músicos que te acompanharão em palco?
Na verdade, estou. Finalmente consegui montar uma banda! Será o Antonin Violot na bateria/vocais, Adrien Estournel no baixo e Matthieu Vial-Collet na guitarra/vocais. Eu irei lidar com a guitarra, teclas e vocais.

A terminar, queres dizer algo mais aos nossos leitores que não tenha sido abordado nesta entrevista?

Sejam quem for, obrigado por lerem isso!! Fiquei muito feliz a responder a esta entrevista. Espero ver-vos nos espetáculos! Saudações!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Review: Sinful Twilight (My Deception)

Sinful Twilight (My Deception)
(2013, Ethereal Sound Works)
(4.6/6)

Longos quatro anos após o EP de estreia, The Age Of No Devotion, eis o primeiro longa duração dos My Deception, Sinful Twilight, numa edição da cada vez mais eclética e influente Ethereal Sound Works. Pedro Rodrigues é a mente criativa detrás deste projeto e aqui assume quase todo o protagonismo, embora acompanhado por alguns amigos. Sinful Twilight é um disco de verdadeiro rock/metal gótico, capaz de criar e de fazer transparecer para os ouvintes ambientes de negritude, de solidão e de deceção. Todavia, ao contrário dos ambientes explorados, a música aqui presente não dececiona. Pelo contrário. Os teclados criam os adequados ambientes, gélidos, dramáticos, sinistros por vezes. As linhas de piano são frias, cortantes embora melódicas. Ah! Sim, a melodia e a melancolia. Elementos indispensáveis na sonoridade My Deception, seja nos vocais, seja no trabalho de guitarra. Guitarras densas, compassadas, em sofrimento. Mas belas e bem trabalhadas. As vozes transparecem angústia e por vezes raiva em momentos mais agressivos nesse campo. O álbum, todo ele se desenrola num ambiente equilibrado, com temas agradáveis e que se vão entranhando com as sucessivas audições. Não é, portanto, um álbum muito direto e, seguramente, não o irão absorver na sua totalidade na primeira audição. Por isso devem-lhe dar tempo para que cresça e se revele. E quando se revelar na sua totalidade perceberão que o romantismo dramático (ou dramatismo romântico) de Sinful Twilight acaba por reluzir na imensa névoa de sofrimento como um dos melhores trabalhos nacionais dentro do género.

Tracklist:
1.      Daylight Deception
2.      Nothing Inside
3.      Infernal Temptation
4.      Cold Life
5.      Decades Alone
6.      Ode To Nothingness
7.      Neverending Darkness
8.      Sinful Twilight
9.      Sacrifice

Line-up:
Pedro Rodrigues – guitarras, baixo, vocais, teclados
Bruno Ramos – bateria
João Cavalheiro – baixo
Rui K – baixo
Luís Correia – guitarra ritmo

Internet:


domingo, 21 de julho de 2013

Entrevista: Tim Morse

Escritor, músico, estudioso do mundo do rock progressivo e incondicional fan dos Yes. Eis Tim Morse. Faithscience é o seu segundo trabalho e o motivo para esta entrevista. Que naturalmente percorre os Parallels, os seus dois livros, os projetos anteriores e futuros quer no campo da música quer da literatura.

Olá Tim! É um prazer conversar contigo e obrigado por aceitares responder a Via Nocturna. O novo álbum já pronto há algum tempo. O que, nesta altura, se proporciona dizer a seu respeito? Em que difere da tua estreia, Transformation?
Olá, obrigado pelo teu interesse na minha música. Faithscience foi uma grande aventura musical que demorou dois anos para ser concluída. Um dos aspetos em que é diferente da minha estreia é que foi produzido por mim mesmo. Assim, não tive que filtrar as minhas ideias através de outra pessoa e portanto torna-se mais verdadeiro da minha visão musical. Eu diria que Transformation foi, no geral, mais pesado e com Faithscience queria aliviar um pouco e mostrar uma maior variedade de tons. Além disso, neste álbum fiz a maioria dos vocais e toquei muito mais guitarra, bem como um pouco de baixo e percussão. Estou muito orgulhoso do álbum acabado e espero que tu e os teus leitores possam verificá-lo quando tiverem oportunidade.

Todo o processo de escrita foi feito apenas por ti?
Não, partilhei um pouco da escrita com o cantor/compositor Bret Bingham. Bret é uma grande caixa de ressonância para mim - quando eu fico um pouco preso no processo ele lança rapidamente algumas ideias que me levam de volta à pista. Para além disso, uma canção foi escrita por Mark Dean (o produtor de Transformation). Ele tinha essa peça que pensou que seria ótimo para mim e eu concordei, por isso nessa música, Found It só escrevi a letra, não a música.

Existe algum conceito por trás de Faithscience?
Faithscience começou como um álbum conceitual baseado na vida de Charles Lindbergh. Li um livro sobre ele e fiquei fascinado pela sua vida. Ele não foi apenas o piloto que conseguiu fazer a primeira travessia a solo do Atlântico. Poderia ter escrito sobre outras coisas usando isso como modelo. No entanto, à medida que ia trabalhando no projeto, apercebi-me que me estava a afastar da visão inicial, mas o ouvinte poderá, certamente, encontrar os fios dessa história se o pretender. A canção Voyager é a única que ainda é definitivamente sobre Lindbergh e a sua viagem. O álbum acabou por ser uma afirmação menos específica, refletindo alguém que estava enraizado na ciência, mas que ao longo de sua vida e após uma série de eventos se transforma num buscador espiritual.

Acreditas mais na fé ou na ciência ou consideras que ambos são necessários?
Essa é uma excelente pergunta! Acredito que ambos são necessários, mas já que perguntas acho que a fé é o mais importante dos dois. Considero-me uma pessoa espiritual embora não necessariamente religiosa - e esse aspeto da minha vida é extremamente importante para mim. No entanto, sou fascinado pela ciência e acho que ambos são essenciais para a compreensão do universo.

A respeito dos músicos que estão envolvidos neste álbum, como foi a sua escolha?
Muitos dos músicos que tocam no álbum já tinha tocado com eles no passado ou foram recomendados para mim. Jim Diaz, que toca baixo - é um amigo que eu sabia que seria grande no álbum, mas nunca tinha tocado na banda - esta foi a nossa primeira experiência musical juntos. Além disso, queria um violinista de calibre para executar a solo no final de Rome e não conhecia ninguém cá que pudesse fazê-lo. Aconteceu ter visto os Kansas naquele momento e pensei que David Ragsdale seria perfeito para essa música. No dia seguinte, enviei-lhe um email, concordamos um preço, gravou a faixa no seu estúdio caseiro e enviou-me o seu desempenho fantástico.

Além dos dois disco em teu nome próprio, tens tido colaborações com outros artistas. Podes contar-nos um pouco desse teu trajeto?
Ao longo dos anos toquei e gravei com vários artistas locais. Apareci em algumas gravações do guitarrista de blues Corky Newman e tenho sido membro da banda de Jerry Jennings. A música de Jerry é um pouco como Jeff Beck como Steely Dan (mas sem os vocais de Fagan). Eu ainda não gravei com Jerry, mas o seu mais recente álbum, Shortcut To The Center dar-te-á uma ideia da sua direção musical. Há um par de anos atrás fiz algum trabalho com o vocalista/compositor dos Yes, Jon Anderson. Era um dos muitos colaboradores on-line de Jon. O corpo principal do trabalho que fizemos foi para a música Open. Foi uma experiência emocionante, mas Jon decidiu que precisava de alguém que vivesse perto dele, para que pudessem estar na mesma sala a realizar os trabalhos. Ele descobriu um colaborador (Stefan Podell) e fizeram um grande trabalho naquela canção.

Podes também falar um pouco dos Parallels? Ainda existe este projeto? Se sim, quais serão os próximos passos?
Parallels foi uma banda tributo aos Yes em que fui membro durante uma série de anos. Devo dizer que foi uma incrível oportunidade de trabalhar com músicos com espírito para executar canções como Gates Of Delirium, Awaken e Future Times/Rejoice perante plateias entusiasmadas. Eu não diria que a banda está "morta", mas talvez adormecida ou a dormir confortavelmente neste momento. Quem sabe, talvez renasça no futuro?

Também és conhecido por teres escrito dois livros relacionados com o movimento prog. Um deles é sobre a tua banda favorita, os Yes. Foi uma tarefa fácil escrever esse livro?
Não sei se foi uma tarefa fácil, mas foi uma experiência alegre. Especialmente tendo a oportunidade de conhecer e entrevistar alguns dos meus heróis musicais, foram tempos excitantes. Fiquei muito satisfeito com a forma como o livro acabou e estou contente de ver o quão ele foi bem recebido pelos fãs dos Yes (alguns ainda o usam como referência – ainda hoje vi uma citação online ao meu livro).

Em que é o teu livro mais completo que o de  Dan Hedge Yes – The Authorized Biography?
Eu recomendo esse excelente livro de Dan Hedge. No entanto, ele só aborda a banda na altura de Drama por isso faltam muitos anos. Sempre achei que Hedges, algum dia, iria atualizar o seu livro. De qualquer forma, a última edição de Yesstories vai desde Keys até Ascension I e II e é mais abrangente do que Yes: The Authorized Biography. Desde Yesstories que já foram publicados outros livros a respeito dos Yes, e definitivamente gosto do livro de Chris Welch.

O teu outro é sobre histórias clássicas do rock. Quais mais precisamente?
O foco do livro são os clássicos artistas do rock dos anos 60 e 70. Na realidade, é sobre o processo de composição que criou a banda sonora da geração Baby Boomer. Este livro também foi bem recebido e vendeu mais cópias que Yesstories. Foi destaque no programa de rádio de Howard Stern no ano passado.

Para quem estiver interessado, onde pode encontrar os teus livros?
Classic Rock Histories ainda é publicado e pode ser encontrado ou encomendado através de qualquer grande vendedor de livros. Infelizmente Yesstories já não terá mais impressões. Disseram-me que se podem encomendar cópias usadas em bom estado em lugares como o Ebay. É suposto poder haver edições E-book de ambos os livros, vou atualizar essa informação em www.timmorse.com logo que elas se tornem disponíveis.

E estás a ponderar escrever mais algum livro em breve? Qual o tema, podemos saber?
Eu tenho alguns projetos de livros à espera de serem concluídos, mas também tenho vários projetos musicais que serão lançados em primeiro lugar! Um deles seria uma biografia musical de um músico importante, mas não quero dar muitos detalhes sobre cada projeto até que estejam mais perto de ser publicados.

Quando começou este teu forte interesse pela música rock progressiva?
Quando criança gostava dos hits que eram tocadas nas rádios e também da coleção de discos dos pais que incluiu títulos clássicos e um pouco de jazz. A primeira banda por quem me apaixonei foi com os The Beatles (suponho que, de alguma forma, podem ser considerados a "primeira banda de rock progressivo") e, em seguida, outras bandas importantes da era do rock clássico, como Led Zeppelin, Pink Floyd e assim por diante, tornaram-se favoritos. No entanto, quando tinha cerca de 14 anos de idade, ouvi o álbum Aqua-Lung de Jethro Tull, que abriu o caminho para Yes, Genesis, ELP e outras grandes bandas de rock progressivo. A atração de música progressiva foi muito abrangente, parecia ter tudo. Havia uma complexidade na música que era inebriante e parecia que havia algo novo para ouvir cada vez que se ouvia. Da mesma forma, havia uma poética, uma profundidade lírica que eu desconhecia da música popular - adorei o fato de que não haver limites na música progressiva.

Agradeço-te este tempo com Via Nocturna e dava-te a oportunidade de dizer algo mais aos nossos leitores ...
Espero que todos os leitores oiçam Faithscience quando tiverem a oportunidade. Poderão ouvir amostras em www.timmorse.com e ver vídeos no meu canal do youtube (e Faithscience está disponível para compra no iTunes, Amazon.com e CDBaby). Além disso, estou a criar uma banda com Bret Bingham para executar música original. Esse projeto deve ser lançado ainda este ano e estou muito empolgado com a direção da música.

Muito obrigado!!

Obrigado pelo teu interesse, foi um prazer. Tudo de bom para ti e para os teus leitores.