Entrevista: The Sixxis

Uma das revelações de 2013 são, indiscutivelmente, os The Sixxis. Isso fica cabalmente demonstrado pelo convite que os The Winnery Dogs de Mike Portnoy fizeram à banda para os acompanharem na sua tournée. O seu EP homónimo é sensacional e o público português pode comprovar precisamente isso na sua passagem pelo Paradise Garage. Este foi, naturalmente, um dos temas em destaque na conversa que mantivemos com o líder Vladdy!

Olá Vladdy! Saudações desde Portugal! E obrigado pela tua disponibilidade. Parabéns pelo vosso excelente EP. Começando precisamente por aí, podes falar um pouco dele?
O EP foi produzido pelo produtor vencedor do Grammy, Malcolm Springer da Warner Brothers Studios, em Nashville, Tennessee. Na altura eramos apenas três elementos em busca de encontrar o nosso “som", porque tudo o que fizemos no passado era musicalmente muito eclético. O que Malcolm foi capaz de fazer neste EP foi trazer a crueza do som de um power trio, e acho que foi muito bem-sucedido no que fez e ajudou-nos a definir a direção que agora estamos a seguir.

No EP tens duas versões do tema Believe, uma delas cantada em russo. Porque essa opção? As tuas raízes russas ou para conquistar o mercado russo?
A versão russa de Believe também foi ideia do Malcolm. Eu nasci na antiga União Soviética e falo russo fluentemente. Uma vez que Believe era uma das nossas canções mais fortes na altura, Malcolm pensou que seria uma boa ideia cantar o refrão em russo. Além disso, iria certamente ser uma ferramenta para quando decidíssemos voltarmo-nos para o mercado russo. Acho que os fãs do nosso tipo de música na Rússia ficariam encantados de ouvir uma banda norte-americana com um vocalista que também pode cantar em russo.

E também há três canções gravadas ao vivo que são verdadeiramente incríveis. Porque decidiram incluí-las como live?
Depois que terminamos a gravação do EP em Nashville, tivemos a oportunidade de escrever mais algumas coisas e foi aí que surgiram essas canções. Elas foram realmente escritas 3 ou 4 meses depois de termos o EP feito e nunca tivemos tempo de gravar essas faixas.

Que também aparecem no DVD bónus. Como surgiu essa ideia?
Filmamos um concerto ao vivo em Nashville, onde tocamos as músicas que estavam no EP, bem como parte do material mais recente que tínhamos. Na altura, pensávamos apenas usar as imagens ao vivo como material promocional para as editoras, mas depois de pensarmos um pouco mais decidimos disponibilizar neste EP algumas das performances para os nossos fãs.

No final, têm um excelente produto. As reações têm sido bastante positivas, suponho….
As reações têm sido muito positivas. Embora houvesse fãs que queriam ouvir mais material, considero que este EP atingiu os objetivos pretendidos, dando aos ouvintes uma amostra do que podemos fazer no estúdio e que podemos fazer ao vivo... e há pessoas viciadas no nosso som.

E o line up atual é o mesmo ou já adicionaram alguns novos membros?
Depois de lançar o EP, começamos a escrever novo material e quanto mais escrevia, mais o nosso som se expandia até ao ponto de, finalmente, decidirmos trazer mais dois músicos para nos ajudar. Tanto Paul Sorah como e Cameron Allen são bons amigos nossos e já trabalhamos juntos com eles noutros projetos... Fazia sentido trazê-los a bordo connosco. Eles são músicos incríveis e multi-instrumentistas que não só trazem as suas qualidades técnicas únicas e influências para esta banda, como também trazem a sua própria vibração e poder para as apresentações ao vivo e também são pessoas impecáveis para se conviver.

Cameron Allen que já participava nos temas ao vivo. Então, agora é membro efetivo da banda…
Sim, ele é agora um membro de pleno direito na banda.

Como se sentiram quando foram convidados para banda suporte dos The Winnery Dogs de Mike Portnoy para a sua tournée europeia?
Ser incluído nessa tournée com os The Winnery Dogs foi absolutamente inacreditável. Só o facto de poder compartilhar o mesmo palco com músicos que são o sonho de qualquer músico... e tínhamos que tocar bem diante deles todas as noites durante cerca de 2 meses. Estamos muito gratos ao Mike, Billy, Richie e toda a sua equipa por nos levar com eles nessa tournée e nos deixar mostrar a nossa música ao lado deles. Foi realmente uma honra e um privilégio. Ao vê-los tocar todas as noites também temos a oportunidade de aprender com os melhores. Eles fizeram um show incrível em cada noite.

Então essa tournée correu muito bem?
Sim a tournée correu muito bem. Tocámos em muitos locais lendários, tanto na Europa como nos EUA e fomos apresentados a tanta gente nova. Vendo as reações das pessoas todas as noites e ser capaz de interagir com novos fãs foi incrível. Encontramos muitas pessoas incríveis e fãs antigos e mal podemos esperar para voltar para a estrada e fazer tudo de novo.

E Portugal? Foi a vossa primeira vez aqui? Que lembranças guardas do Paradise Garage?
Esse show foi a nossa primeira vez em Portugal. Foi o nosso último show na parte europeia da tournée e todos nós colocamos cada grama de energia que tínhamos nesse show. Penso que não fomos recebidos como em Portugal. Os fãs cantavam após cada música, mexiam-se junto connosco e parecia que eles eram uma parte tão importante do show como nós. É um sentimento que é muito difícil de descrever... É algo que precisa ser experimentado. A reação dos fãs em Portugal, ao ver-nos pela primeira vez, justifica porque fazemos o que fazemos e acho que isso diz muito, considerando o quão difícil o negócio da música pode ser às vezes. Mais uma vez, a experiência que tivemos no Paradise Garage é a razão pela qual fazemos o que fazemos.

E projetos futuros em mente, como mais tours ou um álbum completo, podes adiantar-nos alguma coisa?
Na realidade, acabámos de gravar um álbum completo com David Bottrill. Ele é também um produtor multi-premiado Grammy, que produziu bandas como Tool, King Crimson, Silverchair, Stone Sour, Mudvayne, etc. De momento, o álbum está em processo de misturas. Pensamos lançar este álbum em algum momento de 2014 e tenho a certeza de que uma tournée irá acompanhar o seu lançamento e esperamos estar de volta a Portugal no próximo ano com um novo álbum.

Mais uma vez obrigado e dava-te a oportunidade de acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordada nesta entrevista...
Acho que é muito apropriado agradecer, em primeiro lugar, a todos em Via Nocturna pelo tempo despendido a fazer uma entrevista connosco. Além disso, um enorme obrigado a todos os nossos fãs em Portugal por nos terem dado uma receção tão maravilhosa e por nos ajudar a acabar a nossa tournée pela Europa com um big bang! Absolutamente adoramos o país e ficamos muito impressionados com as pessoas que aí vivem e com todos os pontos turísticos que tivemos a sorte de ver. Portugal, nós amamos todos vocês e esperamos vê-los novamente muito em breve!

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